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Alex Bourgeois: “Eu não vou trabalhar com Pimenta”
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Alex Bourgeois foi CEO do São Paulo na gestão Carlos Miguel Aidar. E também na gestão Leco, que sucedeu o presidente apeado do cargo por se envolver, juntamente com a namorada Cinira Maturana, em transações mal explicadas. Bourgeois foi demitido duas vezes. Agora, é ativo militante da campanha de José Eduardo Mesquita Pimenta, que concorre contra Leco.

Eu critiquei muito este engajamento, baseado na seguinte corrente de ideias: ''qual o interesse de um torcedor do Flamengo na campanha do São Paulo. Logicamente está procurando emprego caso Pimenta ganhe''.

Alex me convidou para almoçar. E me deu uma explicação muito simples para o seu engajamento. ''Eu estou trabalhando. Sou pago pelo trabalho que realizo. Todo mundo faz isto. Ou alguém acha que o jogador de futebol torce para o time onde joga? Estou apenas vendendo meu trabalho. Sou Flamengo sim, mas tenho três filhos são-paulinos e me preocupo mais com a alegria deles do que com a alegria que o Flamengo possa me dar''.

Mas o trabalho continua após a eleição?

Não continua. Não vou trabalhar com o Pimenta. Já fui demitido injustamente do São Paulo duas vezes seguidas e nem quero pensar que isto possa acontecer de novo. Volto para o meu trabalho.

E qual será o seu trabalho após a eleição?

O mesmo de hoje. Eu sou consultor de Abílio Diniz para assuntos de futebol. Sou pago por ele. Minha participação na campanha do Pimenta é paga por ele. Terminada a eleição, continuo a dar assessoria a ele.

Alex não acha errado ser pago por Abílio Diniz para trabalhar para a eleição de Pimenta. ''A campanha do Pimenta é paga por apoiadores. Não interessa de onde vem o dinheiro, é algo privado. Errado é a campanha do Leco utilizar funcionários do clube. O clube paga e o sujeito trabalha na campanha do presidente. O erro está aí''

Torcedores de futebol (sou eu falando, meninos) é muito passional. Acredita que todo ato contra seu clube é merecedor de punição. Alex Bourgeois é muito criticado por acionar o São Paulo na Justiça Trabalhista. Não sei se a causa é justa, não faço ideia de como foi seu trabalho no clube, mas todo trabalhador tem o direito de buscar o que considera seus direitos na Justiça. Cabe a ela definir quem está correto. ''Trabalhei com o Leco e não recebi nada. Tentei fazer um acordo e ele me mandou procurar meus direitos na Justiça. É o que eu estou fazendo'', diz Alex.

É bom correr, ele e quem se ache lesado. No Brasil de hoje, nunca se sabe quando um direito trabalhista – no caso, o direito de procurar justiça – será eliminado.

 


Corinthians rasgou a fantasia
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Como muitos foliões, o Corinthians assumiu outra personalidade no Carnaval. O time, que havia marcado quatro gols em cinco jogos, fez três. E a defesa levou dois, dobrando o que havia sofrido até agora. E agora é o clube com maior número de pontos no campeonato, superando o próprio Mirassol, até então invicto. Timão tem 15 pontos em 18 possíveis.

Foi um bom jogo porque o Mirassol é um bom time. Bem treinado e bem postado em campo. Um time que sabe o que fazer. Conseguiu segurar uma pressão inicial do Corinthians, saiu para o jogo e marcou primeiro, com Zé Roberto livrando-se de Pablo.

O Corinthians voltou ao ataque. Jô atuou fora da área, deixando Kazim mais adiantado. Foi auxiliado por Guilherme Arana, que fez boa partida. Jabá também. O Mirassol atacava pelo outro lado, em cima de Príncipe. Os dois times se alternaram no ataque, mas o Corinthians é que fez dois gols.

Os dois tiveram participação de Kazim. Estranha participação. No primeiro gol, matou errado, perdeu a chance, mas a bola sobrou para Pablo. O zagueiro chutou, a bola desviou em Kazim e entrou. Logo depois, o gringo tentou uma bicicleta. Horrível, mas a bola sobrou para Maicon, que é ou será ótimo jogador.

No segundo tempo, Xuxa fez um lindo gol. E o Corinthians reagiu em seguida, a partir de uma falha do goleiro.

Foi um Corinthians diferente, mais agressivo, mas mantendo a marcação dura que é característica do time. É um time que vai crescer muito. Contra o Mirassol, deu um primeiro passo.


Gabriel, o engana-trouxa
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Gabriel, vítima de grande injustiça no clássico, comemorou a vitória em um vídeo de Kazim, mandando recados pouco educados para a ''porcada''. Os palmeirenses responderam tirando do arquivo um vídeo de dezembro, em que o mesmo Gabriel ofendia corintianos. Chamava de fdp e mandava se benzê.

Gabriel é um jogador limitado e violento. Pega duro e pega muito. Pertence à linhagem dos demagogos. Aqueles jogadores que fazem discurso do tipo: meu coração tem três cores, minha segunda pele é alvinegra, nasci na floresta amazônica porque adoro verde, meu sonho era ter nascido no aquário…

Logicamente, não engana ninguém.

Ah, não? Engana muita gente. Os trouxas. Existe um tipo de torcedor que viceja nas redes sociais. Possivelmente existiam antes, mas assumiram protagonismo agora, no mundo virtual. O que diziam nos bares, hoje é amplificado. Para ele, tudo que é do seu time prevalece ao do rival. Mesmo que seu herói de hoje tenha ofendido o seu clube há alguns dias.

O torcedor trouxa briga porque o seu diretor de futebol é melhor que o outro, porque o seu reffis é mais que o seu ceproo, a comida que se serve no meu CT é melhor do que o seu, meu clube tem mais infraestrutura, minha torcida é maior, a minha tem mais sócio torcedor, a fifa falou que o seu mundial é menos que o meu….

O teu time tem mais favelado que o meu.

E o teu tem mais veado que o meu.

O meu patrocinador é melhor que o seu! Ah, é? Veste uma camisa verde e pede empréstimo na Crefisa. Duvido que o juro será menor.

Tem também o torcedor de chapéu. Este é muito válido, afinal se os eu time consegue o Dudu, pretendido pelos rivais, tem de zoar mesmo.

O problema é o exagero. Imaginemos o diálogo:

Demos um chapéu em vocês. Trouxemos o Wesley.

Demos o troco. Trouxemos o Michel Bastos.

Todos se unem para cobrar jornalista. Se você escreve que Vitor Hugo foi covarde ao agredir Pablo, lá vem a resposta: ''você não falou nada quando o Cleber deu uma cotovelada no André Dias''. Mas eu não tinha blog ainda. Não interessa, se tivesse não falaria.

Ninguém nunca falou que o jogo Corinthians x Palmeiras é o maior clássico do mundo. Aí, uns marqueteiros criam a bobagem…Se você critica, lá vem o caminhão te atropelando: invejoso, gordo, obeso, mórbido, defeca pelas mãos, jogo das barricas…''

Se você diz que Cristóvão Colombo era vesgo (brincadeira) eles perguntam porque você não falou nada sobre a gagueira de Pedro Álvares Cabral.

Você abre o blog como canal de compartilhamento de ideias e recebe de volta ofensas e mais ofensas.

É o típico torcedor trouxa, vítima perfeita para demagogos caneludos como Gabriel.


Corinthians vence Palmeiras e juiz siberiano
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O ''maior clássico do mundo'', esse case de marketing, não perderia – apesar de baixo nível técnico – um juiz como Thiago Peixoto. Nenhum jogo do mundo merece. Ele expulsou um jogador errado, foi avisado pelo auxiliar e, baseado em suprema arrogância, manteve o erro.

Se juiz, quando erra, vai para a geladeira, ele precisa ir para a Sibéria. Ou para o Polo Norte, apitar futebol de pinguim.

E não foi só aí que errou. Gabriel deveria ter levado amarelo logo no início. Bateu muito. E o juiz, nada. Estava preocupado mesmo é com a cor da touca de Felipe Melo. É um juiz cheio de faniquito, querendo mostrar uma autoridade que não vem da serenidade e do saber, mas sim da prepotência.

Alguns apontamentos do jogo:

1.Gabriel precisa repensar o momento de sua carreira. Foi demitido do Palmeiras e fica o tempo todo provocando o ex-clube. E entrou em campo para dar porrada. Foi expulso injustamente, mas acho que não conseguiria ficar até o final do jogo em campo.

2.Keno e Dudu apontaram o dedo para Gabriel, ajudando a iludir o árbitro. É a lei de Gerson, a vontade de levar vantagem em tudo. Na saída do intervalo, Keno disse: ''se ele apitou, está correto''. Certo, mano. Vejamos os próximos jogos.

3.O Palmeiras, com um a mais, mostrou paciência mil e criatividade zero. Ficou tocando bola de lado a lado, tentando achar um espaço. Melhor seria ''aumentar'' o campo, com a entrada de Guedes.

4.O Corinthians se defendeu com honra e galhardia. E Alecsandro disse a frase ridícula: ''eles sabem que somos melhores e ficaram atrás, apostando em contra-ataque''.

5.Esta frase pode trazer em sua essência uma falta de visão que pode prejudicar o Palmeiras. O que ele quis dizer? Que o Palmeiras será campeão de tudo e que tudo é apenas uma questão de trâmite? Se for isso, é um grande erro.

6.O Corinthians conseguiu sua quarta vitória por 1 a 0. Tem quatro gols marcados e 12 pontos conquistados. Deve ser um recorde de eficiência. Gols em conta-gotas. No clássico, com tudo que o envolveu, tudo bem. No cômputo geral, é preocupante.

7.A agressão de Vitor Hugo em Pablo é de uma falta de caráter total.

8.Romero se doa muito ao time. Ajudou Fagner na dura marcação a Dudu. Algo que Marquinhos Gabriel e Marlone não fariam.

9.Carile tem estrela. Trocou Kazim por Jô e o gol saiu. Logicamente, a culpa foi de Guerra, mas que teve estrela, teve.

10.Guerra demonstrou ser muito ''colombiano'', com bons toques, nenhuma velocidade e nenhum entendimento do que significa o jogo. Passeou pelo campo, com um estilo blasé.

 

 

 


Roberto de Andrade divide poder e continua tendo vida dura
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A frustrada tentativa de impeachment de Roberto de Andrade, do Corinthians, naufragou. E o naufrágio, que isolou ainda mais a isolada e truculenta voz de Tuminha, não significa demonstração de força de quem ficou no cargo. Ao contrário, o presidente, para se manter no poder, teve que dividir…poder. Cedeu anéis para manter os dedos.

Roberto de Andrade transformou-se em uma rainha da Inglaterra que, ao contrário da verdadeira, terá um mandato muito duro pela frente. Sim, porque no cipoal de serpentes itaquerense – também existe no morumbi, em santos, na Turiassu – muitos que ajudaram Roberto a se manter, estão prontos a infernizar a sua vida.

A manutenção do presidente se deu em virtude da união de três grupos.

  • O do próprio Roberto de Andrade, somado com legalistas que consideravam um absurdo sua deposição baseada em acusações frágeis e falhas.
  • O de Andrés Sanchez, que, em troca do apoio, receberá parcelas do poder. Talvez não haja a nomeação de Luis Paulo Rosenberg, Raul Correa da Silva ou Edu Ferreira, mas haverá mais interlocução com Andrés, principalmente no que se refere ao time de futebol.
  • O grupo pragmático, que não viu nenhum sentido em instalar um processo de impeachment que derrubaria o presidente em setembro para que houvesse nova eleição em fevereiro de 2018. Ou seja, esse grupo acha muito mais fácil fazer oposição em fevereiro a um presidente fraco e desgastado a um outro, com poucos meses no cargo a que foi ungido sob o signo da moralidade e da renovação.
  • Esse grupo pragmático, que defendeu a permanência de Roberto de Andrade continuará a fazer acérrima oposição. Votou para que ficasse, mas votará contra a aprovação de contas, uma das próximas batalhas a serem travadas.

A luta no clube continua. Uma batalha encarniçada, vivida sob a sombra. Não a sombra que protege do calor. A sombra de Andrés.


Futebol do São Paulo deixaria marcianos confusos. Cinco gols por jogo
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Se um alienígena chegasse ao Brasil com a missão de conhecer o mais belo esporte de todos e começasse sua tarefa vendo os cinco jogos do São Paulo no Paulistão, levaria a seu planeta uma visão equivocada do que é o futebol normalmente jogado. Bom? Ruim? Cada um tem sua visão, mas que é diferente, não resta dúvida. São 26 gols em cinco jogos. Mais de cinco por jogo.

Se olhasse especificamente para o São Paulo veria uma equipe desequilibrada. O melhor ataque. A pior defesa. Poderia o nosso estranho visitante ficar entusiasmado com toda a emoção, com a velocidade do time, com os gols de um Pratto voador, três em dois jogos, todos de cabeça, mas sofreria uma decepção muito grande no final do campeonato ao saber que aquele time não foi campeão.

Impossível ser campeão sofrendo dois gols por jogo. Não é possível manter o que se vê agora, com o ataque superando os erros da defesa. Evidentemente, Rogerio Ceni sabe disso e luta para que as coisas melhorem. Já recuou Rodrigo Caio, mas é pouco. O fato de a equipe sair atrás em quatro dos cinco jogos que disputou também prejudica muito. Quem corre atrás, corre mais. O desgaste é grande.

Ceni conseguiu um feito extraordinário em pouco tempo. O time, muito apático, hoje é brigador, marca alto, joga um futebol dinâmico. Fazia um gol por jogo no ano passado. Agora, faz três. A defesa, porém, desandou. Sofria também um gol por jogo e agora, perdeu eficiência.

O treinador, que aposta na inovação, talvez pudesse se render ao velho chavão de que o bom time começa com uma boa defesa. Fechar a casinha.

Por fim, mas tão importante quanto. O pênalti foi um absurdo. Cueva, que não tem nada com isso, cobrou muito bem. Justamente ele que perdeu três gols feitos durante o jogo.

PS – Revi o lance e não foi um absurdo. Foi penalti, sim. Pitty puxa Chavez.


Ze Antonio, uma das quatro vítimas do futebol e da vida
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O final de semana teve três vitimas. E a segunda-feira trouxe mais uma.

Camacho é vítima da vida. Do fio que a vida é. Perdeu o pai, ainda jovem, em um acidente de elevador. Nada de queda de avião, nada de assalto, nada de atropelamento. Uma prosaica queda de elevador. Que a dor lhe seja breve, embora intensa. Mas nunca dói menos que um ano. Um abraço a ele, a quem nunca vi.

Daqui a um ano, quando a dor estiver passando, ele já terá enfrentado Moisés. O volante do Palmeiras, o jogador mais importante do clube no Brasileiro passado, sofreu dura contusão no jogo contra o Linense e deverá voltar daqui a sete meses. Um martírio pelo qual já passou no ano passado. Moisés vive o melhor momento de sua vida profissional. Em 2013, ele jogava na Portuguesa, campeão paulista da Serie A-2. Estava em campo na derrota por 7 a 0 para o Comercial. Hoje, está no time que sonha com o Mundial. Está, não. Estará em breve. Que seja o mais breve possível.

Nas duas vezes, Moisés se machucou em lances com o volante Ze Antonio, um dos muitos jogadores que atuam no primeiro semestre preocupado em saber se terá emprego no segundo semestre. Um dos muitos que um dia foi o melhor da rua, o melhor do bairro, o melhor da cidade e se transformou em jogador profissional sem brilho.  Não me lembro da contusão do ano passado, mas a última foi totalmente acidental. Dividida dura e ele chegou primeiro.

Ze Antonio é vítima do esgoto, da cloaca em que haters transformam as redes sociais. Ameaçado de morte, ofendido moralmente. Há pouco tempo, eu bloqueei uma pessoa no tweeter. Um são-paulino que se referiu a Gustavo Vieira de Oliveira como ''filho do bêbado''. Eu já dobrei o Cabo da Boa Esperança, como se dizia há décadas, e não sou obrigado a conviver, ainda que virtualmente, com uma pessoa de tão baixo nível, que tem ódio escorrendo pela boca.

Que Ze Antonio supere o ódio, que faça um bom campeonato e que tenha emprego no segundo semestre.

A quarta vítima é Rogério Micale. A menor das vítimas. Perdeu o emprego, mas acho muito questionável se houve injustiça. Ele conseguiu uma conquista espetacular que foi a medalha de ouro olímpica, mas não vi grande futebol. E agora, passou por um vexame incrível: ficou em quinto lugar em um hexagonal que dava quatro vagas para um Mundial. Injustificável. Merecia uma nova chance? Sim. Por isso, e apenas por isso, é uma vítima.


Corinthianzzz e Palmeiras, mais eficientes. Santos e São Paulo, dispersos
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O Corinthians, de futebol burocrático e sonolento, é o mais eficiente do futebol paulista – falo dos grandes e deixo de lado o muito bem montado Mirassol – já decorridas quatro rodadas do Paulistão. O time de Carile fez três gols em quatro jogos. E conseguiu nove pontos. Cada gol vale três pontos. Vitórias por 1 a 0 contra São Bento, Novorizontino e Audax e uma derrota contra o Santo André.

Apenas como forma de comparação. O São Paulo fez doze gols e tem sete pontos. Precisa de 5, 14 gols para fazer um ponto.

O Palmeiras vinha na mesma toada da eficiência que mascara a ausência de bom futebol. Nas três primeiras rodadas, havia conseguido seis pontos, com dois gols marcados. Novamente, cada gol valia três pontos. Até que veio a goleada por 4 a 0 sobre o Linense, mostrando que o time já começou a crescer rumo ao seu grande potencial.

O que Corinthians e Palmeiras têm em comum diante de seus rivais, São Paulo e Santos, que mostram um futebol mais criativo? A espetacular eficiência defensiva. O Palmeiras sofreu um gol em quatro jogos. Apenas um. O Corinthians, dois. São equipes que estão justificando a tese de que um bom time começa a ser montado a partir de um sistema defensivo eficiente. Sistema defensivo eficiente permite que você faça um gol e vença o Audax. O São Paulo fez dois e perdeu.

Os dois gigantes se enfrentam na quarta-feira, em Itaquera. São líderes de seus grupos. Mesmo assim, o derrotado será saudado pelo estridente som de cornetas. Se houver empate, elas soarão também. Dos dois lados.

Santos e São Paulo são o outro lado da moeda do pragmatismo. Optaram pelo ataque e jogam em busca de gols. O que ocasiona muitos acertos a serem feitos. A próxima rodada já deve mostrar algo neste sentido.

O São Paulo é um case da falta de balanceamento. Tem o melhor ataque e a pior defesa. Se mantiver o estilo, fará um campeonato que sua torcida como aquele em que houve grandes jogos e não houve título. Rogério coloca o time para marcar alto, com a linha de quatro ou três no meio campo e o goleiro Sidão adiantado.

É um conceito. Não abre mãe dele, o que é correto. Mas os ajustes urgem. Os erros individuais de Maicon são assustadores. Contra o Mirassol, deu uma cabeçada para trás que quase matou o goleiro. Acredito que ele vá descansar contra o São Bento. Rogério já agiu rápido ao tirar Douglas, ao recuar Rodrigo Caio para a zaga e ao efetivar Tavares na esquerda, deixando de lado o fator Buffarini deslocado. O argentino já vai mal na sua, o que dirá todo torto na esquerda?

Dorival Jr. acenou com a possibilidade de atuar com apenas um zagueiro, recuando o volante Yuri, que já havia jogado assim nos tempos de Audax. Começou fazendo seis no Linense, mas já houve um recado claro com os dois gols sofridos. Sofrer dois gols em um jogo é terrível. Para vencer, você precisa fazer três. Fácil? Nem pensar. No segundo jogo, foi possível. Três a dois contra o Red Bull, com um gol que não deveria ter sido validado.

Com dois avisos, o Santos manteve o estilo e sufocou o São Paulo no primeiro tempo. No segundo, os buracos enormes apareceram. Levou três e não levou quatro porque Gilberto é Gilberto. Dorival mudou, escalou Cléber, a contratação mais importante do ano e…lambança. Expulsão. Uma derrota muito sentida porque o ataque, grande salvador, não funcionou.

Dorival precisa arrumar o time. Ceni precisa arrumar o time. Carile precisa arrumar o time, afinal ninguém garante que a fantástica eficiência vá funcionar sempre. E Eduardo Batista tem menos trabalho.

Entre os quatro, São Paulo e Palmeiras dão pinta de que podem crescer bastante. Estão longe do teto. O Santos pode crescer, mas a torcida não ajuda e Dorival é pressionado. E o Corinthians depende muito do que Jadson irá aportar em termos futebolísticos.

 


Atletiba que não houve é o mais importante da história. Atinge FPF e Globo
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Dirigentes de Atlético e Coritiba recebem, no campo, os jogadores dos dois clubes que sobem juntos, alternadamente, como se fossem um  time só, com 22 atletas. Eles se reúnem, abraçados, no círculo central e depois saem do campo. Não haverá o Atletiba.

Tudo começou quando os dois maiores clubes do Paraná recusaram a oferta da Rede Globo de R$ 1 milhão por três anos de campeonato. Sem acordo, resolveram assumir os direitos de transmissão. Decidiram transmitir o grande clássico paranaense pelos canais de youtube de cada clube. Cada um tem em torno de 20 mil inscritos.

Tudo estava certo. Helio Curi, presidente da Federação Paranaense foi avisado. E, poucas horas antes da partida, ele decidiu que não haveria jogo. O argumento é que os jornalistas contratados pelos clubes para fazer a transmissão não estavam credenciados. Os dirigentes correram para resolver o problema e Curi avisou que os operadores de câmera e os funcionários que seguram os cabos também deveriam estar credenciados. Não houve acordo e não houve jogo.

O regulamento prevê que cada clube pode dar um WO no campeonato. Se for definido que houve um WO duplo, não haverá grande punição para os clubes. Os 25 mil torcedores que foram ao estádio não terão o dinheiro de volta. Para 90% deles, não há prejuízo financeiro. Eles pertencem ao programa Sócio Furacão, que dá ingresso livre aos sócios e não abatimentos, como em outros clubes. Os outros buscarão seus direitos no Procon. Certamente acionarão a Federação Paranaense de Futebol e não o clube de coração.

Sem jogo, o Atletiba mostra-se importante por marcar uma tomada de posição contra a federação, que é regida por um regulamento esdrúxulo. Clubes como Capão Raso e Parque Novo Mundo, que praticam futebol amador, nas chamadas ligas suburbanas têm o mesmo peso de voto que os grandes. Se uma cidadezinha pequena tem lá seu campeonato municipal, a liga também tem direito a um voto. Ou seja, a gradação é a seguinte: liga amadora de uma cidadezinha tem um voto; clube que pertence a uma liga maior, tem um voto, Atlético, Paraná, Coritiba e outros clubes profissionais tem um voto.

A união dos dois maiores é uma vitória de quem tem torcida e de quem representa a paixão popular. Ou o presidente do Capão Raso torce para o Capão Raso? E é  a união contra uma federação inexpressiva, uma das tantas que mantém o poder corrupto na CBF.

Se a transmissão for liberada nos próximos clássicos – é uma batalha que continuara – a Rede Globo também será atingida. Os clubes venderão patrocínios para sua transmissão no youtube, poderão até cobrar por ela. Será uma trinca a mais no monopólio global, o segundo, após a briga com  Esporte Interativo, que terá direito a transmitir jogos de alguns times a partir de 2019.


Bola pro mato, São Paulo. O jogo é de campeonato
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Antes de tudo é bom dizer que o Mirassol é um time muito bem treinado e que sabe exatamente o que fazer em campo. Tem bom passe, trata bem a bola e não se desesperou diante do domínio do São Paulo, principalmente quando se fala em posse de bola.

Um time perigoso.

E contra um time bom e perigoso, o São Paulo fez o primeiro gol aos nove minutos. Nada melhor. E continuou a marcar pressão e a ter domínio do jogo. O gol não saiu e o Mirassol começou a se soltar. Teve três chances seguidas entre os 30 e 40 minutos. Começou o segundo tempo com a mesma postura altiva. Não tinha medo de jogar.

No início do segundo tempo, escrevi no comentário ao vivo do UOL que o São Paulo precisava fazer um gol logo para que o jogo não se complicasse. E Rodrigo Caio fez. Rogério Ceni, então, fez três substituições que me passam a impressão que foram feitas porque ele considerou o jogo terminado.

  1. Neílton em lugar de Luiz Araújo, que havia perdido um gol – Rogério disse que montou um elenco com quatro jogadores de lado de campo – Neres saiu e Nem está machucado – para ter sempre intensidade e para manter o ritmo. Teoricamente está certo, mas Neílton é fraco. Não vai bem no ataque e nem na recomposição.
  2. Buffarini em lugar de Cícero – Rogério explicou que montou uma linha de três zagueiros com Buffarini, Maicon e Rodrigo Caio e que pediu liberdade total aos alas Bruno e Júnior. Não entendi. Buffarini é rápido, mas é baixo. E, pela televisão, o que vi foi Junior Tavares de volante e Buffarini na esquerda. Fiquei com a impressão que foi um preciosismo, algo para mostrar que é possível mudar o time sem trocar jogadores, algo para dizer que Buffarini joga bem em três posições.
  3. Lucas Fernandes em lugar de Cueva – Nitidamente, foi uma troca para homenagear Lucas que é um futuro grande jogador. Estava parado há nove meses por conta de operações no joelho e no ombro. Em casa, com o jogo definido, seria o momento exato para que ele entrasse e recebesse aplausos. Só que não estava decidido e Cueva, o melhor do elenco, saiu.

Enfim, são substituições que eu considerei erradas. Mas o time ganharia do mesmo jeito se Edson Silva ainda estivesse no São Paulo e não no Mirassol. Ou se Lugano estivesse em campo. Maicon é bom, mas errou feio. Não pode tentar sair jogando daquela maneira, nem se acertar. Ainda mais errando. E ele já havia errado feio no primeiro tempo.

O São Paulo tem um estilo de jogo agressivo e o tem mantido em todos os jogos. Não é o caso de trocar, mas apenas de saber que nada é tao definitivo. Dar um chutão também pode ser importante. Seria o chutão da vitória. No segundo gol, nova falha da defesa, permitindo a chegada de Xuxa.

São erros que podem ser corrigidos. Com certeza serão. O conceito não pode ser mudado. Mas é preciso cuidado na hora decisiva. Outro ponto: não vejo Sidão como um grande goleiro. Nem com os pés e não com as mãos. Jogou bem, com as mãos, mas errou uma saída feia com os pés. Pode até ser titular, afinal Denis teve um ano para dar confiança ao time e não conseguiu. Mas dizer que Sidão merece a vaga porque é bom com os pés, é forçar muito. Bom é o Neuer e foi o Ceni.