Blog do Menon

Atleta brasileiro não é herói. É egoísta
Comentários 2

menon

O conceito de herói sempre esteve ligado às conquistas olímpicas de brasileiros. Pessoas pobres que superaram muitas dificuldades e conseguiram vitórias inolvidáveis. Há tempos não é mais assim. Ainda há medalhistas que superaram dificuldades enormes e cujas medalhas são uma tremenda banana à lei das probabilidades. Gente como Rafaela Silva, Robson Conceição, Isaquias Queiroz e outros saíram sim do gueto, da miséria e chegaram ao sucesso. Mas tiveram muita ajuda.

Nos últimos dez anos, o atleta brasileiro passou a receber um bom dinheiro. Tem bolsa-pódio, bolsa-atleta, programa segundo tempo, patrocínios pessoais etc. Um atleta olímpico desse nível ganha, antes da medalha, algo em torno de R$ 20 mil mensais. A vida deles mudou. Há ainda os R$ 3 mil e pouco das Forças Armadas. A única ajuda que eles reverenciam e agradecem. Quanto às outras, geralmente há um silêncio.

A política governamental foi apoiar quem tivesse condições de ganhar medalhas. Pouco foi feito para que se tivesse um legado, uma base, uma massificação. Foi construído um centro paraolímpico, um outro de ginástica. Pouco, muito pouco. Agora, com um novo governo, a política deve mudar. Não vão apoiar a base. E nem os atletas de ponta.

Ninguém vai reclamar. Não há uma união. Não há organização. As tentativas falham miseravelmente, como o movimento Bom Senso. Falham por falta de adesão. Por que os atletas não se organizam para pedir a manutenção dos programas de incentivo? Ou, ainda melhor, para que se apoie a base, para que se massifique o esporte?

Não vão fazer nada. Pensam só no individual.

Um exemplo é o Bolsa-Atleta. Leandrinho, que ganha R$ 800 mil por mês na NBA recebria R$ 3 mil do governo federal. Raulzinho e Sheilla também. São dados do grande Daniel Brito em seu blog fundamental www.blogdobrito.blogosfera.uol.com.br

É um dinheiro desnecessário, é uma vergonha receber isso. Talvez esses atletas sejam contra o Bolsa Família.

Não se sabe o que vai acontecer no próximo ciclo. O que sei é que os atletas não estão preparados para aplaudir ou enfrentar o que virá e como isso impactará na sua vida pessoal, profissional ou no esporte brasileiro.

Poucos se importam. Continuarão olhando para seu umbigo. Nunca darão uma contribuição para o aprimoramento de uma política esportiva brasileira.

 


Que Tite afaste o ódio que só atrapalha Neymar
Comentários 27

menon

Tite anunciou hoje a lista de convocados. Gostei muito de alguns nomes.

1) Fagner é o melhor lateral do futebol brasileiro. Tem um poder de marcação excelente. É bom saber que se pode chegar à seleção atuando no Brasil.

2) Rodrigo Caio fez uma Olimpíada muito boa. E só por David Luiz não estar…

3) Paulinho foi chamado do ostracismo chinês para o protagonismo. Não acho que seleção seja momento. Se Tite confia em Paulinho, pode fazer com que ele volte a jogar bem. Tomara que consiga.

4) Rafael Carioca é um volante extremamente técnico, quase nuca erra um passe.

5) Gabigol e Gabriel Jesus são o futuro. Taison e Giuliano são incógnitas

Que Tite consiga fazer a seleção reencontrar o amor p0pular. É difícil, mas algo já foi feito. Neymar pediu para não ser capitão. Ótima notícia. Ele não tem capacidade emocional e nem liderança para isso.

Um bom passo na busca do amor e reconhecimento é afastar o ódio dos jogadores. Neymar dizendo “vocês vão ter que me engolir'' é um absurdo, por prepotência e arrogância. É hora de alegria, hora de superação, hora de história sendo feita e ele fala isso? E os outros, em vez de gritar, chorar, ligar para a namorada ou ir para a beira do cais em busca de um amor fugaz, vão encher o saco do Neto, que apenas cumpriu seu papel. Disse o que pensa.

Sem a cultura do ódio, o caminho da busca do amor será mais fácil

 

Tags : neymar tite


Neymar chora lágrimas de ouro. Que seja um recomeço
Comentários 12

menon

Bem, amigos do Blog do Menon. Como somos todos inteligentes, antes de começar a conversar, deixemos claro que não houve revanche alguma. Aqueles 7 a 1 continuarão por séculos e séculos como a grande mancha na história gloriosa do futebol brasileiro. O maior de todos, sem dúvida.

O ouro foi importante para completar nossa história. Não falta mais nada. Mesmo que seja um torneio de jovens, sem grandes astros nos times rivais, está lá o ouro olímpico. Nós também temos. Não falta mais.

O mais importante da vitória foi ver Neymar chorando. Ver Neymar em estado puro, um garoto craque de bola e que gosta de futebol. Que sofre com futebol, que ama futebol, que ri com futebol e que chora.

Um Neymar longe do marketing. Um Neymar comprometido com o time, comprometido com os companheiros. Não mais o Neymar egoísta e farrista. Um Neymar que não sabe liderar, que não conversa com ninguém…

Nossa vitória mostrou uma nova faceta do craque tão criticado. E que sempre dá razão às críticas por sua postura infantilóide.

O Brasil está em sexto lugar nas Eliminatórias. Só quatro se classificam. O quinto tem direito a uma repescagem. E o próximo rival é o Equador, segundo colocado. Em Quito. Duro, né? Que as lágrimas douradas de Neymar sejam uma luz no fim do túnel para nosso futebol, conduzido por cidadãos sem nenhuma nobreza.

Tags : neymar


Lochte, o palhaço olímpico. E não viremos a cara aos refugiados
Comentários 5

menon

lochte2No balanço de perdas e danos, já tivemos muitos desenganos…. E a Olimpíada caminha para o final, com seis derrotados: os boxeadores criminosos que tentaram estuprar camareiras e os nadadores dos EUA, também criminosos, mas em escala muito menor. Foram a uma festa, depredaram um posto de gasolina e inventaram um assalto que foi desmentido por um vídeo. Ryan Lochte é o mais famoso deles. Mais palhaços do que bandidos.

Imaginemos um brasileiro nos EUA indo à polícia e relatando uma ocorrência falsa. Não ficaria barato como ficou aqui. Não conheço a lei de lá, mas o falastrão seria punido. Talvez expulso do país.

E, nós brasileiros, nos encheríamos de vergonha de nossos compatriotas. É o que esta acontecendo também por lá. Muitos jornalistas e o público em geral, que inicialmente acreditavam em Ryan Lotche, ficaram revoltados com a mentira.

O jornalista Mike Vaccaro escreveu um texto “Ryan Lochte é tudo que o mundo odeia nos EUA'', dizendo que ele representa todos os estereótipos sobre a arrogância dos norte-americanos. Ele usou o termo “ugly american'' como um resumo dos motivos pelos quais os norte-americanos são odiados.

A Olimpíada caminhou bem. Teve defeitos e acertos como todas. Lembremos rapidamente que houve atentado em Atlanta, que um irlandês louco atropelou Vanderlei Cordeiro de Lima em Atenas, que a poluição era enorme em Pequim, lembremos de Munique e de Berlim…

O Brasil falhou, a meu ver, principalmente na falha em despoluir a Baia da Guanabara. Uma chance história incrível, jogada no lixo. Houve a controvérsia da vaia e houve também a maravilhosa e emocionante acolhida aos atletas do time de refugiados.

Tomara que não seja fugaz. Tomara que os que aplaudiram, não virem a cara e nem fechem a janela do carro ao ver pela frente um refugiado comum, um que não seja atleta. Um frágil haitiano, por exemplo.

 

Tags : lochte


Discussão sobre vaia é um luxo no Brasil de hoje
Comentários 25

menon

smithO assunto do momento no país em que a direita, fiel à sua gênese e história, assumirá o poder sem ter voto, é a falta de espírito olímpico do brasileiro.

Um luxo, a discussão. Não há nada mais importante na Terra de Vera Cruz em 2016.

Mas o que é o tal espírito olímpico? Qual é sua definição? Há alguma regra escrita. Só conheço uma: “o importante é competir”, do barão Pierre de Coubertin.

Me desculpem, mas não gosto de barão. Barão é uma pessoa que é mais que outras pessoas e que é menos que outras pessoas. A escala não é baseada em dinheiro, inteligência, gestos educados, contribuição à paz, à ciência, nada… É o berço. É a árvore genealógica.

Feita a digressão, a obra de Pierre de Coubertin é fantástica. Maravilhosa. Um dos grandes homens da humanidade. E um sonhador, porque se o importante fosse competir, ninguém competiria.

Eu entendo o espírito olímpico como competir limpamente. Vencer com justiça. Com lhaneza. Dentro desta definição, vejo muita coisa pior do que o comportamento do brasileiro em quadra.

O doping. Um crime que deve ser combatido com todas as forças.

A naturalização comprada.

O Brasil, por exemplo, na insana busca por um lugar entre os dez primeiros, montou um time de polo aquático que tem cubano, croata, brasileiro que já defendeu outro país. Uma torre de Babel. Para ser eliminado como sempre. Uma vitória desta seleção significaria que o polo aquático do Brasil é bom.

A Espanha ganhou medalha de prata nos 110m c/barreiras. Seu corredor é o cubano Orlando Ortega, sexto colocado em Londres. Sua vitória representa que a Espanha tem uma boa escola nessa prova? Ou é Cuba que tem, com o ouro em 2000 de Anier Garcia e o ouro e 2008 de Dairon Robles.

É o dinheiro corrompendo resultados.

Não sou xenófobo, não sou contra o ser humano se naturalizar. No esporte, isso tem de ser natural. Não é correto a contratação de atletas. O Catar tem 12 estrangeiros no handebol. Não é correto.

O terceiro ponto gravíssimo é a entrega de resultados. Equipes perdem por querer para escapar de um chaveamento ruim. O Brasil já entrou nessa, com o vôlei de Bernardinho.

Pobre barão. Se o importante é competir, ele morreria em ver alguém perder por querer.

Cheguemos então à questão das vaias. O mundo está no Rio. E cada país tem um jeito de torcer. Não há um decálogo que defina como. O que pode e o que não pode.

Acho lamentável a vaia a um medalhista olímpico no pódio. A torcida brasileira que fez a baixaria perdeu uma chance de mostrar grandeza. Tudo já passou e te perdoamos. Preferiram cultuar o ódio, a intolerância, a agressividade. É o mesmo tipo de gente que manda uma mulher tomar caju.

Mas, antes do pódio, na hora da disputa, cada um ajuda seu time como quiser, como puder. Não se pode vaiar Pau Gasol na linha do lance livre? O cara é um dos grandes do mundo, seu time vence por um ponto e ele erra dois lances livres no final do jogo? Permite o contra-ataque e a derrota? E a culpa é da vaia? Ah, se fosse no futebol.

E aí chegamos a outro ponto. Os defensores do modo único de torcer – imagino como seria, talvez estalando o fura-bolo no pai de todos – permitem, aceitam, que se grite no futebol. Para eles, futebol é outra coisa, outro departamento, outro esporte. Nem deveria estar na Olimpíada.

É muita petulância, muita arrogância. Eu determino como se deve torcer e te perdoo se você não seguir minhas regras, mas só no futebol, tudo bem?

E por que o modo de torcer deve ser determinado pela cultura alheia e não a nossa? Isso me parece jesuíta chegando no Brasil e ensinando índio a rezar e a vestir roupa. Deus, pode. Tupã, nunca.

Me desculpem os entendidos em espírito olímpico, em forma correta de torcer, mas podem ir indo para a sua ginástica de trampolim que eu fico aqui no meu futebol barulhento.

Ah, sabe quem mais fraudou o espírito olímpico. Tommie Smith e John Carlos, que denunciaram o racismo nos EUA. E Peter Norman, o australiano branco que os apoiou. Pagaram pela ousadia. Mas o gesto de revolta fez tanto pela igualdade racial do que o abraço de Lutz Long em Jessie Owens, na fuça de Adolf Hitler. A cujos apoiadores fomos comparados, em notório ato contra o espírito olímpico, pelo francês derrotado por Tiago Braz.

 

 

 


Não exija ouro de quem recebe migalhas. Amarelona é a torcida
Comentários 28

menon

Vou roubar uma frase espetacular da minha colega Ana Carolina Silva. “Não exija ouro de quem só recebe migalhas”, ela disse no twitter, referindo-se à eliminação do futebol feminino.

Simples e definitivo. As jogadoras brasileiras não tem um campeonato para chamar de seu, não tem um time para defender, não tem uma rivalidade para cultuar. Não tem nada.

Espalham-se pelo mundo em busca de dinheiro. Em busca de dignidade. Reunem-se (nunca recusam uma chamada) para as grandes competições. Fazem o máximo sempre. O máximo não permitiu um ouro.

Não há o que criticar nelas. São mulheres que amam e defendem a sua modalidade esportiva. Elas querem apenas o que os homens conseguiram há mais de 80 anos: a possibilidade de vender sua força de trabalho em seu país.

Após a derrota, Cristiane, a maior artilheira da história das Olimpíadas, me disse: “todo mundo aqui gostaria de voltar ao Brasil. Todo mundo tem saudades. Eu quero voltar, mas não sou mais uma garota de 15 anos que jogava e recebia zero vírgula zero e ainda ficava feliz”.

A derrota leva à acusação. “Como essas mulheres não conseguem o ouro se eu torço tanto por elas”, é uma frase que não foi dita por ninguém, mas reflete o pensamento de muita gente.

Perdeu? É amarelão. Mas amarelão mesmo é a torcida brasileira. Cinco mil argentinos no basquete fazem mais barulho e incentivam muito mais que 70 mil no Maracanã.

Brasileiro nem tem um grito de guerra para a seleção. Adotou agora o tal “eu acredito”, que o Galo tirou do Obama. Para mim, esse é um grito do mais fraco, dizendo ao mundo que acredita em um milagre. Não é um grito de amor.

Fabiana Murer está sendo chamada de amarelão. Não sei se ela tem problemas psicológicos, se lhe falta força mental, confiança… O que eu acho errado é colocar no mesmo balaio as três eliminações olímpicas seguidas.

Quer duvidar da hérnia de disco? Tudo bem

Quer duvidar do vento forte em Londres? Tudo bem

Mas em Pequim o que houve foi uma palhaçada, um erro incrível da organização. Eles simplesmente perderam o conjunto de varas utilizado por Fabiana. As varas não são iguais, tem suas características, uma é mais dura, uma é apropriada para altura x, outra para a altura y. E os chineses tiraram isso dela.

Imagine se fosse no Brasil!!! Diriam os de fora e diríamos muitos de nós que aqui não pode ter Olimpíada, que lugar de terceiro mundo….blablablazzzzzzzzzzz

 


Bolt, Caterine e Mijaín ganham ouro com um sorriso
Comentários Comente

menon

boltNos dois últimos dias, vi três medalhas de ouro espetaculares. Os campeões sorriam. E como! Gargalhavam. Eram a plena expressão da felicidade. E o povo ria junto.

A primeira foi de Usain Bolt. É o atleta mais midiático e carismático do planeta. A possibilidade de sua entrada na pista já causa o que o genial Osmar Santos chamava de frisson da galera. Há uma eletricidade no ar. Há uma centelha pronta pegar fogo. E ele, com seu sorriso, joga gasolina no fogo. A tristeza vem depois, quando se pensa que pode ser a última vez de Bolt em uma Olimpíada. Bem, ainda há os 200m e o revezamento.

Há Bolt. Aproveitemos.

ibarguenDepois, a colombiana Caterine Ibarguen ganhou a prova do salto triplo sorridente como uma criança que ganhou um novo brinquedo. Um brinquedo que esperava há quatro anos, desde que foi prata na Olimpíada de Londres.
Saltou 15,17m e teve ainda um 15,03m, o segundo da noite. Não se saltava acima de 15m desde a olimpíada de Pequim. A segunda coloca foi a venezuelana Yulimar Rojas, com 14,98m. Ela tem 19 anos, 13 a menos que Ibarguen.
Desde Londres, esta foi a 37ª vitória de Ibarguen em 38 competições. Perdeu apenas a 35ª, para Olga Rypakova, do Cazaquistão, a campeã olímpica de Londres.


E Rypakova deu a primeira cartada: 14,73m que lhe deu a liderança,pois Caterine ficou com 14,65m e Yulimar apenas com 14,32m.


No segundo salto, a liderança, com 15,03m. Começou então a pressão: Rojas chegou a 14,98m no terceiro salto. Em seguida, Caterine voou até 15,17m.


Teve o privilégio de ser a última a pular na segunda fase. Rojas ainda conseguiu 14,95m, o que serviu para Caterine começar a festa. E fechar a noite,com 14,80m.
Sorrindo sempre, provou que era correto o clichê que repetiu constantemente nos últimos quatro anos. “Eu sou minha única adversaria''.

mijainHoje, o show foi comandado por Mijain López, atleta da luta greco-romana e que conseguiu sua terceira medalha olímpica seguida. Como Bolt. Além do tri olímpico, López ganhou cinco títulos mundiais. O último, perdeu para o turco Riza Kayaalp, justamente o seu adversário na luta pelo ouro no Rio-16.

Com 20 segundos, Mijain já vencia por 5 a 0. Terminou o primeiro assalto, de três minutos, ganhando por 6 a 0. Aos dois minutos do segundo assalto, fez mais dois pontos, o que lhe daria vantagem de 8 a 0, que define o combate.

Começou então o show. Bailando, mandando beijos, mostrando o número três e apontando para a símbolo de Cuba, no seu uniforme. Os dois pontos foram anulados e a luta continuou por um minuto. Terminada, recomeçou o show. Aplaudidíssimo pelo público, comandou o baile. Pedro Val, seu treinador, entrou na área de luta e lhe deu um abraço. Mijaín respondeu com um amistoso golpe. Prolongou ao máximo a presença no estádio. Saiu beijando, abraçando, fotografando. Um ídolo popular.

 


Papelão de Ricardo Gomes. Ótima escolha do São Paulo
Comentários 41

menon

ricardo_gomesTreinador adora dizer que não tem tempo para trabalhar e que os clubes são imediatistas. Prontos a demiti-los após um período ruim. Ricardo Gomes, que está há um ano no Botafogo, que começou mal o campeonato e teve todo o suporte para reagira, resolveu demitir seu clube e ir para o São Paulo.

Não foi bacana. E ainda por cima, vai estrear contra o próprio Botafogo. Fica uma sensação ruim vindo de um sujeito elegante e que sempre se pautou pela ética.

Quanto à contratação, eu acho que foi a melhor possível para o momento. Ricardo deve chegar para planejar o São Paulo do próximo ano. Traçar um plano juntamente com a diretoria e, depois disso, concentrar suas forças nas duas competições. Muito difícil tirar dez pontos do líder, mas é possível sonhar com a Copa do Brasil. O time é instável, mas o tipo de campeonato permite surpresas.

 


Triste basquete feminino. Triste vôlei cubano
Comentários 7

menon

Há uma variedade imensa de esportes sendo jogados dia a dia, hora a hora, minuto a minuto. Ninguém vê10%. Somos como moscas de padaria, pulando de bolo em bolo. Nos últimos dias, me coube dois bolos com data vencida, bolos que já foram bons e saudáveis. E hoje, causam tristeza.

Vi o basquete feminino perder para o Japão. A armadora japonesa, minúscula, com 1,65m, colocou velocidade no jogo e não conseguimos reagir. Erika, grande pivô, está mal. Damiris, que pintou como revelação nada faz de extraordinário e Iziane, bem Iziane é Iziane. Fala muito e produz pouco. Não consigo aceitar uma jogadora descompromissada sendo capitã do time. Iziane tem história: já recusou a entrar em quadra por não aceitar reserva e já foi expulsa de competição por ter levado namorado para dormir na concentração.

Fica a lembrança de Paula, Hortencia, Alessandra, Marta, as irmãs Luz…. Como a decadência pode ter sido tão grande em 20 anos. Em Atlanta, fomos prata. Aqui, perdemos as quatro primeiras. E perderemos a quinta.

Vi Cuba levar de 3 a 0 do Irã. Irã. No jogo anterior, havia perdido por 3 a 0 do Egito. Egito. Jogadores cometendo erros banais, dois na mesma bola, levantador frágil e bloqueio…No segu´mndo set, o Irã havia conseguido dez bloqueios. Cuba, apenas três. Wilfredo León, Leal, Simón, Diago, Despaigne, Gato…Tudo saudade.

 


Príncipe do Butão e a arqueira paraplégica deixaram meu dia feliz
Comentários 1

menon

principe-do-butao-tira-foto-com-voluntarios-da-rio-2016-1470776413619_v2_900x506HRH Jigyel Ugyen Wangchuck é um cara legal. Nem parece príncipe. Do Butão, o país da felicidade. Eu o conheci no torneio de tiro ao arco, quando ele apareceu para cumprimentar uns arqueiros de seu país. Foi bom falar com ele. Estava meio injuriado. Vou contar para vocês. No dia anterior, pela manhã, eu havia resolvido ir a pé até a Arena de Vôlei. Um quilômetro e meio. Fácil para vocês. Para mim, valeu uma fisgada na panturrilha, que tornou meu caminhar um pouco complicado.

A noite, vim de Deodoro, onde vi o basquete feminino perder. Voltei para o centro de imprensa e dali para Copacabana, onde estou hospedado. Foram duas horas de viagem. Desci no ponto errado. Torci o pé direito e a fisgada na panturrilha esquerda aumentou. Os táxis não aceitam cartão, então, como um coxo cambaleante, andei mais um quilômetro.

Hoje, fui para o tiro ao arco, como já disse. O mau humor tomou conta deste corpinho aqui. Discuti com os voluntários e com uma  colombiana que sentou no meu lugar. Tudo culpa deles, eu sou do bem. Então, vamos ao trabalho.

Olhei pela televisão e lá estava uma iraniana paraplégica competindo. Zena é seu nome. Eu a tinha visto treinando outro dia, mas pensei que fosse paraolímpica. Na verdade, ela foi campeã paraolímpica em Londres e, no Brasil, vai participar das duas competições. Perdeu para uma russa de olho puxado, a Stepanova, e chorou muito. Prometeu que vai vencer as Paralimpíadas. Aí, eu comecei a me sentir culpado. Como posso ser mala assim, se a moça ali estava sendo um ser humano tão bom.

Fiz minha matéria com ela e já estava me preparando para pegar uma carona com o amigo Gudrian, da Fox. Então, vi um homem e uma mulher, com o uniforme do Butão. Uyoum ao lado do outro, esperavam alguém. Falei uma coisa qualquer e estava indo. Então, chegou um sujeito com uma roupa esquisita e foi falar com eles. Perguntei a um segurança quem era e ele disse que era o Príncipe do Butão. Fiquei olhando e falei com o príncipe, que estava de costas. “Please, can I take a photo all you?''

O príncipe abandonou a turma e veio falar comigo.

Eu disse que meu inglês era ruim.

Ele falou que era bom e agradável.

Eu perguntei se ele tinha 20 anos.

Ele faltou que era 32. E eu disse que não parecia.

Mentiras feitas, todo mundo feliz, tentei conversar.

Ele pediu para que eu tirasse foto apenas dos arqueiros, que eles eram importantes. Falou que o Butão é fraco em esportes mas é forte em tiro ao arco e que ele deseja que em 2020 a equipe consiga bons resultados.

Aí, eu já era amigo do Jigyel. Pedi mais uma vez para ele tirar uma foto com os arqueiros. Ele aceitou, mas perguntou se podia convidar um voluntário. Deixei.

Depois, perguntei do Brasil e se ele gostaria de voltar. Disse que sim. Expliquei o que era o sambódromo e se ele gostaria de desfilar. Ele riu e falou que não. “Melhor, não'', poderia ser a tradução.

Ficou uma matéria bacana e eu já estava outra pessoa. O Príncipe havia transmitido felicidade para mim?

Peguei carona com o Gudrian até uma estação do BRT e fui para o Parque Olímpico. Peguei o Madureira. Só consegui entrar no terceiro ônibus. Lá dentro, sufocado, sem me mexer, com a mão no bolso para proteger documento, pensava no Príncipe. Se o Butão é feliz, eu também posso ser. Aliás, eu já estou tentando. Todo dia falo pelo menos cinco “bom dia'' para ir treinado. Será que tem BRT no Butão? Acho que não, talvez isso seja um dos motivos para tanta felicidade.

Três estações depois, desci. Para chegar ao Parque Olímpico, foi difícil. Entrei e as informações eram muito difíceis. Então, sempre pensando em felicidade, conheci o terceiro motivo para ser feliz. Depois de Zena e Jigyel, o Valdemar, um voluntário que mostrou o caminho correto. E, apiedado de mim, chamou um carrinho daqueles de golfe. O condutor pegou mais duas veteranas que estavam saindo – extasiadas – da ginástica olímpica e me levou.

Não era ali, mas tudo bem. Andei mais e então a verdadeira felicidade chegou. De forma simples. Um retângulo de metal, verde escrito Media entrance, arena carioca 2 e 3. Eu ia na um, mas tudo bem. Mais um pouco, 28 degraus, mais doze e….estou aqui.

Foram duas boas matérias. Estou feliz. Que todo dia seja assim. É o que eu gosto de fazer.

Olha a matéria aí

http://olimpiadas.uol.com.br/noticias/redacao/2016/08/09/eliminado-promessa-marcus-vinicius-mira-no-futuro-vale-apostar-na-gente.htm

Tags : butao