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“Pirâmide Invertida” fala de tática sem “tatiquês”. Tem belas histórias
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piramideUm livro de 450 páginas que se propõe a contar a história da tática no futebol pode cair em duas armadilhas: não cumprir o que prometeu e abusar de termos desconhecidos, longe do senso comum. Ser prepotente e chato de ler. Pirâmide Invertida, não. O livro de Jonathan Wilson, lançado agora no Brasil, pela editora Grande Área, tem muita informação, tem texto leve e histórias que caberiam muito bem em uma mesa de bar. Que é o segundo habitat natural do soccer, do cálcio, do futebol.

A masturbação, por exemplo. Ela está entre os motivos (um bom motivo?) para o início do desenvolvimento do futebol a partir de 1837 (início da Era Vitoriana, na Inglaterra). Na realidade, o motivo verdadeiro é o combate à masturbação, citada pelo reverendo Edward Thring, como uma prática que levaria a ''sepulturas precoces de desonradas''. O futebol, por ser um esporte coletivo, por exigir coragem, frieza e resistência, seria um antídoto perfeito.

Só se for pelo cansaço, convenhamos. Afinal, por séculos e séculos, os dois caminharam juntos como esportes preferidos da adolescência.

Mas, nos fixemos no futebol. Wilson, quando se trata de Brasil, é meticuloso. Ele, um estudioso inglês, nos mostra que foi Martim Francisco, do Vila Nova, um dos prováveis inventores do 4-2-4. E lá está o ''campinho'' com Arizona, Madeira, Anízio, Lito e Tião; Vicente e Foguete; Osório, Vaduca, Chumbinho e Escurinho.

Esta menção mostra a qualidade do livro. Um esquema do Vila Nova ao lado de outros tão famosos, como a disputa entre Internazionale x Celtica, na final da Copa da Europa em 1967, como Brasil x Uruguai na final de 50, como as diferenças sutis nos Brasis de 1958 e 1962, como um amistoso entre Wolves e Honved e 1954, como o famoso Hungria 6 x 3 Inglaterra, de 1953 em Wembley.

O capítulo 14 engloba um período rico para o futebol. Duas seleções que levaram a alegria ao mundo, com a vitória em 1970 e mesmo com a derrota em 1982. Deixarei vocês com alguns extratos de darem água na boca.

''É certamente significativo que os momentos memoráveis da Copa de 1970 sejam essencialmente não competitivos: o chute de Pelé do meio do campo contra a Tchecoslováquia não entrou; e depois de uma finta de corpo sensacional contra o goleiro uruguaio Ladislao Mazurkiewicz, na semifinal, ele não marcou com o gol aberto''

''Os avanços de Jairzinho pela direita deixavam espaços atrás deles, mas isso não era problema, porque Carlos Alberto Torres era um lateral ofensivo. Ele também avançava e a defesa se ajustava (….) Everaldo era um lateral muito defensivo, o que dava equilíbrio a linha de quatro defensores, mas significava que, se um ponta-esquerda ofensivo – como Edu, do Santos – fosse escalado, surgiria um perigoso espaço daquele lado, o tipo de fraqueza que Alcides Ghiggia explorou na final de 1950. (NOTA MINHA Importante ver aqui como a noção de compactação não é uma novidade, como Zagallo se preocupou com isso e como conseguiu uma solução virtuosa que foi a escalação de Rivellino por aquele lado).

''Menotti era uma figura encantadoramente romântica. Magro como um lápis, fumante compulsivo, com cabelos à altura dos ombro, costeletas grisalhas e um olhar penetrante''.

''Zico disse que foi o ''dia em que o futebol morreu'', mas concordar com isso seria enxergar tudo pela percepção particular de um brasileiro romântico. De fato, aquele foi um dia em que uma certa ingenuidade do futebol morreu; depois dele, deixou de ser possível simplesmente escolher os melhores que eles atuassem como quisessem, foi o dia em que o sistema venceu. Ainda havia lugar para gandes talentos ofensivos individuais, mas eles deveriam estar incorporados numa organização que os protegesse e lhes desse cobertura''.

São exemplos que peguei rapidamente, enquanto devoro o livro.

Pirâmide Invertida é um exemplo para pessoas que saem das salas de scouts e chegam às redações. E fazem a transição sem uma preocupação com a linguagem, tentando impor suas verdades e sentindo-se como salvadores do futebol.

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Rogério pede enxugamento de elenco para usar a base
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Rogério Ceni vai trabalhar com Michael Beale, que fez carreira na base do Chelsea e do Liverpool. O novo treinador esteve acompanhando os treinamentos da base tricolor, em Cotia. Viu até a decisão do sub-17. Mas não haverá, no momento, a ascensão dos destaques dos juniores para compor o time profissional. ''Gosto muito do Lucas Kal, do Tormena, do Foguete, Araruna e Artur. Mas como eu vou subir dois zagueiros se já temos sete no time de cima. Como vou subir dois volantes, se já temos tantos. Não quero trabalhar com elenco grande, com mais de 27. Então, vamos esperar a saída de alguns, um enxugamento para que a gente possa subir os garotos. Além disso, vamos ter dois ou três jogadores experientes para fazer uma boa mescla no elenco'';

A sala de imprensa do CT estava lotada. Ceni chegou usando camisa de treino, ao lado dos dirigentes do clube. Falou por um bom tempo, com uma prolixidade que até impediu que muitas perguntas fossem feitas. Citou Osório (''ele dizia que as vezes você toma decisões por dinheiro ou por glória e eu quero a glória), citou De Gaulle (''a ingratidão pode ser uma necessidade do trabalho'') e Slaven Bilic,  treinador do West Ham) (''às vezes, esperamos muito pela oportunidade perfeita e ela nunca chega'', para mostrar que veio ao São Paulo para exigir comprometimento e sonhar com a glória, mesmo não tendo feito todos os cursos que esperava na Inglaterra, que considera o suprassumo da organização e da eficiência.

Rogério veio para vencer.

cenitecnicoUm resumo da entrevista:

Papel do torcedor – Já pedi ao presidente Leco para que os preços dos ingressos para o anel superior sejam bem acessíveis. Queremos ter pelo menos esta parte do estádio lotada, com 40 mil torcedores.

Comprometimento – Sempre exigi muito de mim e vou pedir o mesmo aos jogadores. Vamos ajudar com nossa psicóloga, caso isto não esteja acontecendo, mas o certo é que haverá comprometimento de uma forma ou de outra;

Esquema tático – Posso usar a primeira linha com três zagueiros, o Sampaoli faz isso muito bem. Posso adaptar o time aos adversários, vamos ter mais de um sistema de jogo, mas o importante é ter um time agressivo, com marcação alta e sempre buscando vitória.

Treinamentos – Serão muito intensos, com os jogadores participando muito. Não serão longos, no máximo 70 minutos. Temos três campos e haverá sessões diferentes, a equipe pode ser dividida. O Michael Beale e o restante da comissão terá toda liberdade para trabalhar, pois são muito competentes. Não quero os louros para mim.

Uso da base – Gosto muito do Lucas Kal e do Tormena, mas já temos sete zagueiros aqui. Gosto do Artur e do Araruna, mas já temos muitos volantes. Eles terão oportunidade, mas antes vamos enxugar o elenco. Não quero trabalhar com elenco grande, com mais de 27 ou 28 jogadores

Goleiros – O Sidão veio para dar uma maior competitividade à posição. Conheço muito bem o potencial do Denis, trabalhamos juntos por um bom tempo e também confio no Renan. Vamos fazer um revezamento durante a Florida Cup


Grêmio, de Renato, é campeão. Festa termina só na segunda. Segunda do Inter
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O Grêmio conseguiu sua quinta Copa do Brasil. Renato Gaúcho, que havia vencido com o Fluminense, faturou seu segundo título. O jogoRenato-Gaucho com o Galo terminou 1 x 1 com gols de Bolanõs e Cazares (antológico) dois equatorianos bons de bola e ruins da cuca. A festa gremista começou antes do final e vai continuar até domingo, caso se confirme a queda anunciada o inimigo colorado.

Com vitória por 3 x 1 no primeiro jogo, o Grêmio esperou o Galo, que veio bem mais encorpado do que no primeiro jogo. O Atlético teve mais posse de bola, mas a grande chance foi perdida por Everton. No segundo tempo, Diogo Giacomini começou a abrir o Galo. Voltou com Maicossuel em lugar de Junior Urso. Complicou-se na segunda troca. Tirou Leandro Donizete e recuou Luan para ajudar Rafael Carioca. Entrou Cazares. Mais dez minutos, tirou Luan e colocou Lucas Cândido para fortalecer a marcação. Luan estava cansado. Ora, se tivesse trocado diretamente Luan por Cazares, teria ainda uma troca para fazer.

A verdade é que o Galo teve mais posse de bola, mas não levou perigo a Grohe. E o empate se configurou com os gols equatorianos.

Importante lembrar que Roger, que dirigirá o Galo, começou a montar o Grêmio. Mas o título é de Renato. Ele deu mais força ao Grêmio, com a entrada de Kannemann e com Ramiro, aberto pela direita, fazendo um ótimo trabalho de vaivém, como se dizia antigamente. O título teve muito de Renato. Sua tarefa agora é mostrar que não é um treinador apenas de tiro curto. Tem 2017 pela frente.

O jogo teve também a presença da Chapecoense. Homenageada antes, durante e depois do jogo. Um grande exemplo de congraçamento brasileiro. Um povo que sabe chorar seus amigos, companheiros, heróis, é um povo que tem futuro. Mesmo que seu presente, representado por seus dirigentes, seja digno de choro.


Corinthians não usará verde. E daí?
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O Corinthians resolveu não usar verde em seu uniforme contra o Cruzeiro na despedida do Brasileiro. Seria uma homenagem à Chapecoense. Foi uma decisão em respeito à uma tradição secular de estar sempre do lado oposto do Palmeiras. Uma tradição que se criou no dia a dia e que não está escrita em lugar nenhum. Não existe a proibição estatutária do uso do verde. Perdeu uma chance de timaochaperompimento, de fazer História. O 11 de dezembro seria lembrado eternamente como o dia em que o Corinthians e os corintianos se superaram para homenagear um clube.

A opção pela tradição não está errada. Há muitas formas de se homenagear alguém, de se chorar os mortos. Errado e canalha foi a diretoria (a diretoria e não o clube) do  Palmeiras há meio século quando não permitiu que o Corinthians inscrevesse dois jogadores em substituição a Lidu e Eduardo, mortos em um acidente automobilístico.

O importante agora é passar para o próximo estágio. Vamos esperar o domingo, que trará um grande pico de homenagens. Elas virão de todo o país, como já vieram de todo o mundo. Homenagens, homenagens, uma mais bela que a outra. Todas cheias de emoção e de amor ao futebol e ao ser humano. Mas, e o dinheiro?

A situação da Chape é contornável. O título da sul-americana lhe permitirá jogar a Libertadores, a Recopa e a Suruga Cup. Haverá dinheiro extra. A RGGT poderia aumentar um pouco a cota da Chape. Ou, então, repassar aos catarinenses todo o dinheiro arrecadado em patrocínio durante a ultima rodada do Brasileiro. A CBF precisa se virar e dar dinheiro. Dar, não, devolver. Todo o dinheiro da CBF vem dos clubes, então, devolve aí, Marco Polo. O número de sócios da Chape está crescendo. O Maracanã poderia abrir suas portas para ver Chape x Atlético Nacional, irmãos nascidos da dor. Há jogadores se oferecendo. Os clubes podem ceder atletas. Há muitas opções.

O que preocupa é a situação das famílias dos jogadores. É preciso fazer algo urgentemente. Leco, presidente do São Paulo, falou em se fazer um fundo destinado à Chapecoense, que repassaria o dinheiro às famílias. Mas tudo está embrionário. E qual deve ser a extensão da ajuda? Até o final do contrato? Muito mais do que isso. A sociedade futebolística precisa cuidar dos filhos dos jogadores até o término dos estudos. O colegial, no mínimo. Caramelo pagava a faculdade do irmão. Um custo que o São Paulo tem obrigação moral de assumir.

A Chapecoense tem muito mais chances de se reerguer do que as famílias dos jogadores que morreram. Basta lembrar que terá três anos de resguardo, sem chance de cair. As mulheres dos jogadores terão três meses de salário a receber? Possivelmente, sim. Possivelmente muito mais. Mas nada está definido.

A Chapecoense não vai morrer. Danilo, Gimenez, Cleber Santana, Denner, Thiaguinho, Bruno Rangel, Kempes e  outros, já morreram. É deles que precisamos cuidar. Uma missão muito mais importante do que discutir se o Corinthians deveria usar verde ou não.

Tags : chapecoense


Portuguesa quer Leão como gerente
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lusaAlexandre Barros não será mais repórter nos jogos da Portuguesa. ''Não ficaria bem eu elogiar ou criticar um jogador que eu contratei'', diz o radialista, novo presidente da Portuguesa, eleito com 147 votos contra 35 de Marco Antônio Teixeira Duarte, filho do ex-presidente que dá nome ao estádio.

A posse está marcada para o primeiro dia do próximo ano, mas Alexandre já está trabalhando. Pretende contratar um treinador nos próximos dias. Montar uma comissão técnica e buscar jogadores para ter um elenco de 22 nomes que, somados aos ''estourados'' da categoria de base terão a tarefa de levar a Lusa de volta à primeira divisão do futebol paulista.

Emerson Leão será convidado para ser parte importante da reestruturação. ''Ele deu uma entrevista dizendo que deseja ajudar a Portuguesa. Então, vou conversar com ele para acertarmos isso. Vejo o Leão como um ótimo gerente de futebol'', diz Alexandre. Ele tinha duas opções para treinador, mas foram perdidas. ''O Geninho renovou com o ABC e o Ney da Mata, que venceu a série C com o Boa, assinou com o Guarani. Tenho recebido várias ofertas e vou decidir logo''.

Para a contratação de jogadores, Alexandre terá a ajuda de Luis Iaúca, seu padrinho de casamento e que dirigiu o futebol da Lusa por muito tempo. ''A presença do Iaúca significa credibilidade, coisa que não temos agora. Há um mês, conversei com um centroavante que já fez sucesso aqui. Ele perguntou se o Iaúca estaria junto. Respondi que sim e ele disse que toparia vir jogar aqui. Ele não vai ser vice-presidente de futebol, mas vai tomar conta do futebol da Portuguesa'', afirma o novo presidente.

Alexandre descarta parcerias como aquela com o Audax, que acabou não saindo. ''Eu era a favor, mas depois que soube dos termos, fiquei contra. O Audax ficaria com a marca Audax Portuguesa. Vamos dizer que ele conseguisse três acessos seguidos e chegasse na Série A do Brasileiro. Então, ele desistiria do negócio e ficaria com a vaga. E a gente ficaria na mão. Queremos parceiros para caminhar juntos conosco por um bom tempo''. Ele também é favorável a um acordo que termine com as dívidas da Portuguesa. ''Uma construtora pode construir um hotel, um shopping e um estacionamento no terreno. Em troca, construiria um clube vertical e refaria nosso estádio, como muitos times fizeram. É uma grande solução''.

Talvez a única.

O mandato é de três anos. Se tudo der certo, ele deixaria o clube com a Portuguesa novamente nas principais divisões do Paulista e do Brasileiro. ''É uma meta, mas não é uma promessa. O que eu prometo é que montaremos equipes competitivas para reerguer nosso futebol. Meu pensamento é este e não em disputar a Serie A. Posso até conseguir três acessos seguidos, mas não estarei no comando da Lusa na principal divisão. Para isso, seria necessário uma reeleição e eu nem penso nisso. Tenho muito o que trabalhar''.

 


Não confio na solidariedade das organizadas. Que pena!!!
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A foto das torcidas organizadas de São Paulo unidas em um ato de homenagem à Chapecoense é apenas uma foto. Uma foto a mais no arquivo digital. Uma foto na parede, como a Itabira de Drummond. Pelo menos, para mim. Não me trouxe emoção alguma. Mais do que isso, não me trouxe esperança alguma. Posso haver me transformado em um velho descrente, mas realmente não confio no futuro da iniciativa das organizadas.

A intenção pode ser boa. Como é bom o ato recorrente das torcidas organizadas fazendo campanhas por doação de sangue, fazendo a campanha do agasalho e outras atividades de benemerência. O que eu não acredito mais é que as direções das torcidas organizadas tenham controle sua base. Mesmo que preguem a paz, como impedir que um garoto qualquer, já embebido pelo ódio, marque um encontro com outro garoto de outra torcida. E que cada um leve uma companhia e que todos se matem, ainda na juventude.

Não acredito que a união pela Chapecoense resulte em uma convivência civilizada entre as torcidas. Que diminua a violência. Que espante a morte, que anda tão presente nos últimos dias no esporte.

Tomara que eu esteja errado. A descrença não é boa companhia.

No mais, continuo acreditando que a atuação do MP e dos PMs (promotores midiáticos) no combate à violência das torcidas organizadas é uma monumental confissão de incompetência e de egolatria. Proibiram musica. Proibiram sinalizadores. Proibiram bandeiras. Proibiram duas torcidas. Proibiram festa na rua. E agora? Gastaram todo o arsenal de proibições? Ou virá algo mais? Proibirão o uso de camisas? Proibirão a reunião em padarias?

Só não proíbem a reunião em casa, junto à televisão. Lógico, isso rende dinheiro a quem transmite os jogos.

E continuarão dando entrevistas e mais entrevistas mostrando ao mundo sua incompetência. Agora, falar sobre a questão da merenda, ninguém fala.


Michael Beale deve ser analisado sem xenofobia e sem colonialismo
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bealeEm 1957, o húngaro Bélla Guttman, andarilho do futebol, foi campeão paulista dirigindo o São Paulo. Há quem diga que suas ideias influenciaram Vicente Feola, que trabalhou junto com ele, na direção da seleção brasileira campeã no mundial do ano seguinte.

O seu sucesso como o do argentino Filpo Nunez no Palmeiras, do uruguaio Ondino Vieira no futebol carioca dos anos 40 deveriam ser um salvo conduto para o trabalho de treinadores estrangeiros no Brasil, mesmo quando outros como Gareca, Aguirre, Bauza e Osorio não tenham feito trabalhos espetaculares.

O profissional estrangeiro dever ser tratado assim: um profissional do futebol em busca de sucesso. O fato de haver nascido em outro país não significa certeza de sucesso. Ou de fracasso. É lógico que é muito aceitável que se desconfie do trabalho de um talilandês, o que não é  caso de Michael Beale, o auxiliar de Rogério Ceni em sua primeira experiência como treinador profissional. Também não foi amador.

Não se deve tratar Beale com xenofobia: o que um inglês pode ensinar, o cara nem dirigiu um time profissional, se fosse bom estava no time principal, quem é que vai entender etc… E nem com doses de colonialismo: que ótimo, um europeu para nos ensinar, agora sim o Brasil está no primeiro mundo, o São Paulo deveria pagar um curso de inglês para seus jogadores etc.

O importante é esperar o trabalho começar e ver os resultados. Beale é um estudioso do futebol. Escreveu vários livros com exercícios específicos, o que demonstra que os coletivos terão presença diminuta no trabalho a ser iniciado.

O exercício que ilustra o post é o primeiro de seu livro ''64 exercícios de futebol em campo reduzido. Treine seu time ao estilo holandês''. É realizado em um espaço de 30 x 20 jardas (mínimo) a 40 x 25 jardas (máximo). Como uma jarda tem 91 centímetros, teríamos 27m x 18m no mínimo e 36m x 22m no máximo.

São dois times com quatro jogadores e um goleiro. Não há impedimento. A intenção é marcar a saída de bola, pressionando bastante. Um variação do exercício não conta com goleiros. São quatro jogadores de cada lado, mas o que estive mais próximo do gol pode se transformar em goleiro. Há muitos outros exercícios.

48Possessão x pressão é o nome de um deles, do mesmo livro. O campo destinado ao trabalho tem as mesmas dimensões máximas e mínimas daquele exposto anteriormente. São dois times com quatro jogadores e quatro goleiros. O time da posse de bola fica trocando passes, podendo usar os seus goleiros. Ao apito do treinador, o time da pressão entra em campo para tomar a bola e fazer o gol. Tem 30 segundos para isso. Se não conseguir, é gol do time da posse. Feito o gol, há uma rotação de funções. O time da pressão passa a ser o time da posse de bola e vice versa.

Um exercício curioso é o Four Goal Game. São dois times com quatro jogadores. Não há goleiros. São quato mini gols. Se a bola sair, um ajudante coloca outra imediatamente em campo. Os dois times devem atacar os dois gols e defender os dois gols, ao mesmo tempo.

Passers x Defenders é a pressão em sua essência. Em um espaço reduzido de 10m x 10m, quatro jogadores trocam passes contra um adversário. O famoso ''bobinho''. Quando o bobinho toca na bola, impedindo a troca de passes, ele sai correndo em direção ao outro gol. Lá, sem goleiro, recebe um passe do treinador e tenta fazer o gol. O ''gol'' do time da manutenção da bola é conseguindo após dez passes seguidos.

Há outros livros de Beale, com exercícios de defesa, de finalização etc.

Ninguém sabe se tudo dará certo. Para que dê é necessário reforçar o elenco. Mas a certeza é de o futebol terá uma novidade a partir de janeiro, com Ceni e Beale. Uma novidade a ser analisada sem preconceito, sem xenofobia e também sem servilismo.

Tags : beale


Tragédia da Chape desnuda três pigmeus
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Um século é um piscar de olhos. Estamos falando de História. Ela demora em fazer um perfil definitivo de seus agentes. Getúlio Vargas, por exemplo, apenas 70 anos após seu suicídio, mereceu a biografia de Lira Neto. Definitiva. Enfim, o que se é hoje, pode se transfomar depois.

Pode ser a esperança de três pigmeus surgidos da tragédia de Chapecó. Três homens públicos que se mostraram abaixo do que o momento exigia. Três anões éticos. Três presidentes.

Michel Temer ficou indeciso se iria comparecer ou não a Arena Condá, onde as vítimas do acidente s, eriam veladas. No primeiro momento, preferiu ficar no aeroporto esperando que os parentes das vítimas fossem até ele para um beija-mao. Algo imperial. Muito bom para fotos de propaganda. A revolta foi muito grande e ele afinou. Mudou de ideia. O Brasil vive momentos graves e é dirigido por um homem tatibitate, que tem dificuldades até para escolher como adoçar o café matinal.

Marco Polo del Nero, presidente da CBF, não foi a Medellin dar apoio ao clube e aos parentes de jogadores que para lá se deslocaram. Não foi porque não pode ir. Porque tem medo de ir. É um homem enclausurado em seu país sabe-se lá o porquê.

Vitório Píffero, entre tanta dor nacional, apostou e gastou seu tempo para urdir o que seria a mais vergonhosa e abjeta virada de mesa de todos os tempos. Tamanha ignomínia foi rejeitada. Vai para a segundona e vai manchar a história do Internacional. Ou, melhor, a sua própria história. O Internacional é um gigante que merece mais que um pigmeu.

Como a CBF.

Como o Brasil.


O Colorado amarelou. O saci é cor de rosa, como o da Arlene Padrão
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Arlene Padrão é uma escritora aguaiana. Ela lançou O Saci Cor de Rosa, um lindo livro infantil, que trata de inclusão e combate ao preconceito. Pensei em usar o nome do livro como uma metáfora para o papelão que a dupla Píffero e Fernando Carvalho está fazendo no futebol brasileiro, apoveitando-se da tragédia da Chapecoense. Desisti, seria uma falta de consideração com a Arlene, como o Saci e com o próprio Internacional. ga

Ou será que não? Se a torcida do Inter, se os conselheiros do Inter não se revoltarem com o tapetão que a dupla está montando, então fica difícil culpar apenas os dois. Será mesmo o Inter, o grande Inter, a cair na vala comum dos que preferem os subterfúgios da lei ao maravilhoso ato de cair lutando. Como o Grêmio fez. Como o Corinthians fez. Como tantos fizeram.

O Internacional argumenta que os jogadores não tem condição psicológica para trabalhar. Quando minha mãe morreu, voltei em cinco dias. Mas, acreditemos nos jogadores do Inter. Acreditemos que eles tem vontade própria, acreditemos que eles foram posar para aquela foto sem armação dos dirigentes. Acreditemos em tudo. Então, fica aque o depoimento de Jose Alberto Andrade, jornalista gaúcho: ''O Inter flertou com a dignidade suprema. Bastava pregar cancelamento da rodada e admitir o rebaixamento. Ficou no flerte e queimou o filme feio''.

É isso. A gente acredita que voces não tem condição psicológica de jogar. A gente aceita o WO. A gente perdoa a multa de R$ 100 mil. Mas não venham fazer marmelada. Não venham criar um fato consumado que leva o campeonato a não ter fim. Não cai ninguém. Sobem quatro.

O Inter que tenha ao menos a dignidade de assumir seu papel covarde. O uso de uma tragédia para apagar todos os seus erros do ano. Assuma que virou um piu piu. Amarelinho. Amarelão. Um filho de galinha.


A festa é sua, Marco Polo
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Marco Polo, o presidente que não gosta de sair do Brasil, dá mostras de adorar uma festa. Exige que a Chapecoense entre emmarcopolo campo contra o Galo na última rodada. Deseja que seja uma grande festa. Algo como você fazer um churrasco regado a bebida no dia seguinte à morte de sua mãe.

Imagino a festa: Martinúccio, que estava contundindo e não viajou, apressando a recuperação. O filho de Caio Jr, que não estava no avião porque esqueceu o passaporte, assumindo a direção do time no banco de reservas. Paulo Paixão vindo do Rio Grande do Sul para comandar a preparação física no lugar de seu filho, morto no acidente.

Seria uma alegria imensa, não é Marco Polo?

Qual o ânimo dos jogadores do Galo em entrar em campo para um jogo que não vale nada e enfrentar….quem mesmo? ''Coloca a base'', disse Marco Polo.

Ah, o nosso presidente galã não tem muito senso de humor, não.

Festa?

Tenha respeito, Marco Polo.

Quer festa? Faça a sua, então. Peça para Rogério Micale convocar a sub-20 do Brasil para atuar com a camisa da Chape contra o sub-20 do Galo. Também não daria certo. Os garotos, de um lado ou de outro, não gostariam de perder.

Festa, Marco Polo? Vou te contar uma história: quando entreguei meus primeiros textos no jornal Popular da Tarde, em 1988, Paulo Cezar Correia, o editor, me chamou de lado e disse: você começa as matérias muito bem, mas termina de uma maneira insossa, abrupta. Desde então, sempre procuro fazer um final de texto agradável e não burocrático. E, confesso, não sei como terminar esse aqui, diante da imbecilidade de se exigir uma grande festa em Chapecó.

Talvez eu possa te dizer que festa mesmo haveria com sua renúncia. Mas os presidentes de clubes te adoram. Você é a cara deles. Como nosso Congresso é a cara do povo.

Não tem nada a festejar, nem um sinal de futuro. Não tem final de texto bacana, não.

Cai fora, Marco Polo. E leva o Walter Feldman junto

Tags : marco polo