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Contra Felipe Melo, Tabet, do Flamengo, joga a ética na porta dos fundos
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tabetToda a briga, física ou verbal, tem uma ética. Desde criança, é assim. Não vale puxar cabelo, não vale dedo no olho, não vale xingar a mãe. Há uma linha que não deve ser ultrapassada. Somos ignorantes por brigar, mas não somos irracionais.

Antonio Tabet, diretor de comunicação do Flamengo, cruzou a linha ética e moral em sua discussão com Felipe Mello.

No programa ''Enquanto a bola não rola'', da rádio Globo do Rio, ele disse o seguinte: ''Futebol é esporte, futebol é para ser jogado. E o senhor Felipe Melo, antes de ir embora do Brasil, eu não sei como terminou essa história, taí no Google, qualquer um pode procurar, ele foi acusado de esfaquear um cara aqui no Rio de Janeiro. Isso também para a maneira como você encara o atleta''.

Não, não se pode tratar uma situação grave desse tipo com a frase reducionista ''taí no Google''. Ora, ele joga a acusação no ar e diz que ''taí no Google''. Ora, o google, dependendo da maneira que se procure, só trará um lado da história. O outro lado, eu presumo, é que Felipe Melo foi considerado inocente. Nunca soube que tenha cumprido alguma pena. Nunca soube de uma condenação''.

É indecente jogar jogar o nome de uma pessoa na lama. Taí no google é uma frase imoral. Da mesma maneira que Felipe Melo foi indecente e imoral, a meu ver, ao responder uma crítica de Zé Elias relembrando a prisão do comentarista.

Felipe Melo fala por ele. Tabet, como lembrou muito bem o jornalista Gabriel Dudziak, quando estávamos juntos  no Enquanto na bola não rola da Globo São Paulo, não fala por ele. Fala pelo Flamengo. E o Flamengo não pode sacar um fato de 2005, que já teve um final, e colocar sob suspeita o jogador. Mais do que isso, o sistema judiciário do Brasil, pois se Felipe Melo foi inocentado, caput, acabou, finito, não tem que dar um google.

O futebol brasileiro é dirigido por pessoas desqualificadas e ninguém precisa ir no google para saber das lambanças de ricardo teixeira, zemariamarin e da impossibilidade de marco polo viajar. Seria ótimo se a maior contratação do ano (uma das maiores) e o dirigente do clube mais popular do Brasil estivessem unidos contra a direção do futebol, estivessem juntos para melhorar a paixão maior (esportivamente falando) do nosso país e não engalfinhados em uma briga sem quartel.

Tabet cruzou a linha. O que virá, agora? Nada de bom. Felipe Melo deve estar no google procurando algo.

E, assim, sem trégua e sem ética, o fundo do poço não chega nunca.


São Paulo, campeão sem gols. Vitinho e Jesus deixam palmeirense feliz
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Um título sempre é importante. Sempre deve ser comemorado. Principalmente, quando é contra um rival tradicional. Importante também por ser início de trabalho. Mas, além do título, o São Paulo tem pouco a comemorar no jogo contra o Corinthians. Uma vez mais, o time não fez gols. E, ao contrário do primeiro jogo, houve pouca variação tática.

A briga feia ainda no primeiro tempo. Os dois times ficaram com dez. Inexplicavelmente, Bruno, autor da violentíssima jogada em Marquinhos Gabriel, continuou em campo.

O segundo tempo teve o Corinthians melhor, com mais oportunidades. Quanto ao São Paulo, ficou claro uma vez mais que é necessário ter um atacante a mais, alguém que faça gols.

De bom? Sidão pegou dois pênaltis. Rodrigo Caio mostrou novamente ser um grande zagueiro. Wellington Nem vai ser muito importante durante o ano.

Moisés me pareceu um lateral muito firme na marcação. Felipe Bastos entrou muito bem.

Foi o primeiro Majestoso do ano. Pouco brilho e muita disposição.

 

 

 

 

picadinhomenonVITINHO MATA A SAUDADE DE JESUS – Com um olho em cada televisão, o palmeirense teve sensações distintas no sabadão futebolístico. Na Inglaterra, estava seu brilhante recentíssimo passado. Em Chapecó, uma clara esperança de renovação. Uma aposta ainda a se confirmar na eterna regeneração do vitinhofutebol brasileiro.

Gabriel e Vitinho.

Gabriel entrou no final. Quase 15 minutos. Só isso. Uma estreia excelente, com deslocamentos, atuação pelos lados do campo e muita disposição. Um gol de centroavante, e carrinho. Guardiola sorriu muito. Sabe a joia que ganhou.

Vitinho entrou no segundo tempo. Foi o melhor do Palmeiras. Lindo passe para Fabiano. E um golaço. Golaço que Gabriel Jesus assinaria. Um gol que minora, para o palmeirense, a tristeza da saída do Menino Jesus.

 


Majestoso na Florida. Bom para os dois. E para nós, também
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MAJESTOSO NA FLORIDATem São Paulo x Corinthians, tem Corinthians x São Paulo. Na Florida, em campo ruim, com pouca gente. E daí?. É a primeira decisão do futebol paulista no ano. É Majestoso. É o futebol de volta, para nos alegrar.

O jogo é bom para os dois. Para quem ganhar e para quem perder. Quem ganha, recebe aquele ânimo extra para o início de trabalho de seu treinador. Quem ganha, é campeão. Sempre bom, não é? E quem perde, não receberá uma pressão enorme, não será cobrado. E terá recolhido, porque é um bom treinador, subsídios para melhorar.

Os dois times devem começar no 4-1-4-1 e o São Paulo com alguma mobilidade a mais, graças a Rodrigo Caio. Ele pode retroceder alguns metros para formar uma linha de três com Maicon e Breno, liberando os laterais.

Camacho e Gabriel. Thiago Mendes e Rodrigo Caio. Duas duplas de volantes que reúnem quatro jogadores que tratam bem a bola. Não são apenas a turma do desarme, sabem passar e até chegar ao ataque. Gabriel, menos que os outros três.

Nas alas, estarão Nem, Araújo, Marlone e Romero. O Corinthians tem Marquinhos Gabriel, um substituto melhor que Neílton. Interessante será notar como eles conseguirão fazer a transição para o meio do ataque. Contra o Vasco, Romero e Marlone fizeram essa tarefa com grande categoria, com uma tabela de alto nível. Araújo e Nem também fizeram, juntando-se a Cueva. Houve muita movimentação, mas nada de gols.

Rodriguinho ou Cueva? No último jogo, Cueva teve uma liberdade absurda e matou o jogo.

E as defesas? Se equivalem?
Esperemos até as 21 horas.

Nosso velho amigo, o futebol, está de volta.

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DUAS PALAVRINHAS SOBRE UM CAMPEAO – Carlos Alberto Silva morreu aos 77 anos. Cobri sua passagem no Corinthians. Vou levar comigo a imagem de uma pessoa agradável e conversadora. Piadista, gostava de fazer sempre a mesma brincadeira. ''Pode ser uma palavrinha'', a gente perguntava. ''Cu'', ele respondia. ''Só tem duas letras''. E depois, falava bastante.

carlos alberto silvaFoi campeão brasileiro pelo Guarani, com o fantástico ataque Capitão, Careca e Bozó. Ganhou a medalha de prata na Olimpíada de 88, com um ataque formado por Romário, Careca e Bebeto. Foi trocado por Lazzaroni e seu 3-5-2. Fiel sempre ao estilo ofensivo, cometeu um grande erro quando estava no Palmeiras. Era decisão contra o Grêmio, que ganhava por 2 a 0 no Sul. Trocou o volante Amaral pelo atacante Alex Alves, desorganizou o time e levou de cinco. Já eram tempos de mais cuidados defensivos, já era o início de seu declínio.

No São Paulo, em 1980, inventou o maior quarto zagueiro da história do clube. Em depoimento ao meu livro ''Tricolor Celeste'', ele contou como transformou o desacreditado meia Dario Pereyra em um mito na história do clube.

''O Dario havia custado muito dinheiro para o clube e mesmo assim nunca recebi pressão para que ele jogasse. Mas percebi que precisava fazer alguma coisa. Um jogador como aquele não podia ficar de fora. Falei com ele que precisava mostrar mais interesse, que não adiantava nada ficar triste, que todo mundo queria ajudar e que era hora de ele mostrar mais. A partir daí, ele começou a se interessar mais, se aproximou de mim e a perguntar se tinha ido bem no treino.''

A chance foi dada em 13 de julho de 1980, contra o Corinthians, que o São Paulo não vencia desde 1976. O jogo estava 0 a 0 até a metade do segundo tempo, quando Carlos Alberto tirou o zagueiro Gassen, que estava sofrendo com Geraldão, e colocou Dario na zaga. ''Pedi para ele ficar atento na bola alta para o Geraldão. Não perdeu nenhum lance até o final do jogo. Em toda minha vida, só vi o Ricardo Rocha, que lancei no Guarani, como alguém do mesmo nível do Dario''.

 

 

 

 


São Paulo de Ceni empolga no primeiro teste. Faltou o Matador
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O São Paulo classificou-se para a final da Florida Cup, contra o Corinthians, na disputa por penaltis. Poderia ter sido muito mais fácil se Cueva, Chavez e Luiz Araújo não perdessem tantos gols. Foram chances e chances. Uma goleada não seria injusta para o River.

O time mostrou muita agressividade na retomada de bola e muita velocidade no contra-ataque. Rodrigo Caio jogou de volante, ao lado de Thiago Mendes. Cueva, Wellington Nem (o melhor), Chavez e Luiz Araújo deram aula de deslocamentos. E aula de como perder gols. Tecnicamente falando, Breno foi bem, mas mostrou falta de ritmo, o que é muito natural. Buffarini e Bruno foram tímidos para atacar. O esquema era variável, de um 4 2 1 3 para um 3 3 1 3 e também 4 1 2 3, sempre dependendo do posicionamento de Caio.

No segundo tempo, com outros dez jogadores, o São Paulo foi muito diferente. Perdeu a intensidade. E a mobilidade, pois Gilberto é um jogador de área, muito mais fixo que Chávez. Wesley é menos incisivo que Nem e Neílton foi uma nulidade.

A entrada de Shaylon – tem tudo para ser um grande jogador – fez o time ganhar velocidade e técnica. Mas o River melhorou muito e quase venceu o jogo no último minuto.

No final, deu São Paulo nos penaltis.

Além da postura aguerrrida, além da velocidade, da troca de posições e da variação de esquemas, o São Paulo pode comemorar ainda algumas pequenas vitórias técnicas.

Shaylon é muito bom.

Shaylon, Junior Tavares e Araruna cobraram os pênaltis com imensa categoria.

Junior Tavares foi muito bem.

Lugano fez um jogo tranquilo.

Enfim, o São Paulo mostrou motivos para a torcida se empolgar. Mas se não tiver alguém que faça gols, fica difícil.


Corinthians, com cara de Tite, começa bem o ano
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O Corinthians – com um time em cada tempo – venceu o Vasco por 4 a 1 e está na final da Florida Cup, no sábado, contra o vencedor de River Plate x São Paulo.

É o Corinthians de Carille, mas com jeitão de Tite. Um time bem compactado, com duas linhas defensivas bem treinadas e com triangulações pelo lado do campo.

Os gols do primeiro tempo foram muito bonitos e parecidos. No primeiro, uma tabela entre Camacho e Rodriguinho, pelo meio do campo. Camacho subiu e Rodriguinho ajeitou.

No segundo tempo, a tabela foi novamente pelo meio, mas com jogadores que atuam pelo lado do campo. Marlone recuou, avançou pelo meio e tocou para Romero, que estava no meio.

Nos dois gols, Jô fez um bom papel, saindo da área. Ele, no começo do jogo, acertou bons chutes. A defesa corintiana, bem postada, foi vencida apenas em um lance de bela técnica de Eder Luis. De fora da área, iludiu a compactação.

No segundo tempo, os gols vieram pelos lados do campo, algo que pouco se viu no primeiro. Havia triangulações, mas não profundidade. Ela apareceu na boa jogada de Marquinhos Gabriel, que deu lindo passe para Kazim. Logo depois, Kazim retribuiu. O Vasco estava todo desorganizado e aceitou o contra-ataque.

É lógico que é o primeiro jogo do ano. É lógico que falta muito. Mas o Corinthians estava bem organizado. Bem treinado. A torcida pode comemorar, enquanto espera reforços mais significativos. Mas foi um bom começo de ano.

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VIVA A VILA – A Vila Belmiro, pequenina Vila, é um dos estádios mais emblemáticos do mundo. É o estádio onde Pelé construiu a história do maior jogador da história do futebol mundial. E a Vila, gigantesca Vila, estádio de Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe, ganhou um livro à sua altura. Escrito por Almir Rizzatto e Ted Sartori, é uma grande pedida. Abaixo, um texto do Ted sobre sua bela obra.

vilabelmiro''A edição do livro Histórias da Vila Belmiro – 100 anos de magia do estádio santista foi uma epopeia tão grande quanto a que o próprio local viveu neste centenário. A diferença é que em bem menos tempo.

A ideia veio em 2014. Em uma conversa informal com Almir Rizzatto, também jornalista e colega de curso, além de proprietário da RZT Comunicação, comentávamos de fazer algo sobre o Santos. O centenário do clube, porém, tinha passado há dois anos. Aí lembrei que a Vila Belmiro faria 100 anos em 2016. Foi o mote para começarmos.

A intenção inicial era reunir exatas 100 histórias em função do número do aniversário. No entanto, passamos disto nas 240 páginas da obra, lançada neste mês pela Editora Realejo – licenciada pelo Santos, com prefácio de Pepe, o Canhão da Vila, e posfácio de Milton Neves, após intensa campanha de crowdfunding (financiamento coletivo).

A meta a ser atingida era R$ 25 mil. Em 60 dias, conseguimos perto de R$ 15 mil. Mais 28 dias foram necessários – dos 30 previstos – para alcançarmos o valor. Por muitas vezes achei que não ia dar. E deu. Foram 1500 exemplares impressos e 770 vendidos só na campanha, o que equivale a mais da metade. Fora os comercializados depois.

O que nos chamou a atenção foi a forma carinhosa e emotiva com a qual todos tratam da Vila Belmiro, sejam jogadores, ex-atletas, dirigentes ou jornalistas. Parece até um ser vivo, um ente da família. E não deixa de ser, levando em conta que sua mística é carregada pela presença da torcida e pelo poder que dá ao time, somado ao nível técnico e ofensivo. Alçapão, por sinal, é apelido carregado desde 1930, justamente por essa fama.

Mas nem tudo é vitória. Há também derrota, como o jogo Santos 2 x 3 Novorizontino, pela fase final do Paulistão de 1993 (e que causou a eliminação do Alvinegro), que não acabou. Houve invasão de campo e o árbitro João Paulo Araújo se esquivava das agressões dos torcedores, que vinham em fila para agredi-lo. Quando foi levado pela Polícia para o vestiário, foi colocado de cara a cara com um torcedor que o tinha agredido e também a um policial. A Polícia, então, autorizou que o torcedor fosse agredido pelo árbitro, que não teve dúvidas e revidou, conforme contado por ele a mim em entrevista. João Paulo Araújo saiu do estádio após 1h30.

Há também curiosidade, como a levantada pelo Almir em entrevista com o ex-presidente Marcelo Teixeira. Em sua primeira gestão à frente do Santos, em 1992-93, surgiu uma ideia de que o entorno da Vila Belmiro, do lado de fora, fosse coberto por trepadeiras. A má fase da equipe na época tornava o local suscetível a pichações e não teria como fazer isso com a presença da planta. Porém, alguém lembrou que tudo ficaria verde e a cor remetia ao Palmeiras. A inciativa foi abortada de imediato.''


Felipe Melo x Imprensa: uma boa luta, mas sem ofensas pessoais, por favor
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justiçaobesaA contratação de Felipe Melo transcende ao futebol. Vai dar muito o que falar também fora de campo. Em sua apresentação, ele mostrou-se como um jogador esclarecido e com intuito de confrontar jornalistas. A Imprensa, como ele diz. Eu acho ótimo. Contestação e discussão sempre fazem bem. Traz a luz. Dialética.

O problema é que a contestação de Felipe Melo se baseia em mágoa e vai além da discussão teórica. Ele, que não se julga violento, vai com os dois pés (ou duas bocas?) e busca o lado pessoal de quem considera inimigo. Foi assim com Zé Elias. Foi assim com Renato Maurício Prado. E, dizem, foi assim com Neto. Não ouvi.

Também discordo quando ele fala ''a imprensa'', como uma entidade unitária. Não existe ''a imprensa''. Existem jornalistas e cada um tem o seu pensamento. A grande maioria convergiu quando colocou Felipe Melo como o culpado pela eliminação do Brasil na Copa. Eu acho que ele foi o maior culpado, sem dúvida. O Brasil dominou o primeiro tempo, Robinho fez um gol (passe genial dele, Felipe Melo) e depois piorou muito. Julio Cesar errou, o jogo ficou equilibrado, com Sneijder dando um show. E Felipe Melo, após uma falta violentíssima, foi expulso.

Sou contra a caça às bruxas, mas é preciso apontar um culpado. Foi ele. Se não tivesse feito a falta, se não tivesse sido expulso e o Brasil vencesse, ele seria aclamado pela maioria dos jornalistas e brasileiros, como o herói do jogo. Como um volante moderno, que deu um passe de Gerson de Oliveira Nunes.  Não foi. E, é preciso repetir, seu erro foi fundamental para a eliminação do Brasil.

Felipe Melo, que chegou falando grosso, dizendo que vai bater na cara de uruguaios no Uruguai, precisa ser valente também para assumir seu erro. Aliás, eu não entendi a frase: vou bater na cara dos uruguaios com responsabilidade para não ser expulso. Então, faltou responsabilidade em 2010?

A mágoa contra ''a imprensa'' faz Felipe Melo ver coisas que não existem. Seria ótimo se existisse, mas não é o caso. ''Eu acho que a classe (dos jogadores) é uma classe muito desunida. Vocês, jornalistas, são muito unidos. Se um jogador fala mal de qualquer um de vocês, vocês se unem e vão contra. Nós, jogadores, somos bobos, porque temos que ser mais unidos''.

Ora, Felipe, se a classe fosse tão unida assim, não aceitaria a ditadura dos assessores de imprensa (que também são jornalistas) e talvez tivesse um piso salarial maior.

Mas, mesmo tendo suas críticas baseadas no caldo de cultura da mágoa e mesmo tendo uma visão equivocada da ''imprensa'' como algo único e coeso, Felipe acertou quando falou no exagero das críticas pesadas. Disse que jornalistas chamam jogadores de ''songamongas''. Nunca ouvi, mas já ouvi pior. Já li coisa pior.

Limpeza, por exemplo. Um dos orgulhos da minha carreira é nunca haver usado esse termo para me referia à uma dispensa de vários jogadores ao mesmo tempo. Jogador não é lixo. Felipe está certíssimo. Precisa haver respeito e jornalista precisa saber seu limite. Eu me lembro de um narrador que se negava a dizer o nome de Edmundo. Falava apenas ''o número sete'' do Palmeiras. E dizia, alto e bom som, que ''a respeito dele, só falo dentro de campo''. Uai, mas onde mais? Que direito, ele teria fora do campo, fora do aspecto essencialmente profissional? Ele acerta também ao falar que não vai generalizar, mas, reparem que repete a todo momento: vocês são isso, vocês são aquilo…

Felipe também disse não precisar da relação com jornalistas. ''Nunca precisei de imprensa para nada. Nunca precisei ir em programa de TV para ficar famoso ou ganhar isso ou aquilo. Sempre precisei de Deus. É ele que me capacita. E da minha família''. O problema aí, e não estou falando dele, é que muitos jogadores procuram a aproximação quando necessária. Como os jornalistas ficam sabendo que o jogador foi levar ovo de páscoa para crianças doentes? Porque eles avisam. Dias antes. Repetidamente. Pedem. Não seguem os ensinamentos de Jesus Cristo e não praticam o bem sem olhar a quem. Fazem e avisam para todo mundo. E eu duvido que comprem os ovos de páscoa. Não colocam a mão no bolso, não.

Por fim, o último desabafo de Felipe Melo é uma lição, a meu ver, de como deve ser a relação entre jornalista e jogador.  ''Sei que quando eu fizer jogada boa, vão falar 'o Felipe é bom', quando eu fizer falta vão falar 'o Felipe é maldoso'. Antes isso me preocupava, hoje entra pelo meu ouvido e sai pelo outro''.

Mas, não tem de ser assim? Se jogar bem, é elogiado, se for expulso, será criticado. Qual é o problema?

Que os jornalistas e Felipe Melo cheguem a um consenso. Que haja justiça para ambos. Que não seja a justiça obesa retratada pelo escultou dinamarquês Jens Galchiot, com o povo pobre carregando uma justiça mórbida e lenta, favorece apenas o mais poderoso.

picadinhomenon

ROBERTO ANDRADE, O POLTRÃO – O presidente Roberto Andrade, do Corinthians, protagonizou uma cena ridícula ao receber aproximadamente 15 torcedores organizados em seu gabinete. Foi à tarde, é lógico, porque eles conseguiram liberação do trabalho para ir até a sede do clube. Ou são todos autônomos. Bem, durante a conversa, um deles tuitou algo do tipo: ''a reunião está pacífica, até o momento''. Pois é, poderia não estar. Poderia haver agressões. Sonho com presidentes que ousem enfrentar estes brutamontes, sempre dispostos à pior escolha, sempre prontos a achar que reunião pacífica pode acabar a qualquer momento.

ALELUIA, ELE VOLTOU – Vasco e Bahia já jogaram. Hoje, é o Corinthians. Amanhã, o São Paulo. E os dois paulistas podem até se enfrentar na final da Flórida Cup. Os garotos da Copinha que me perdoem, mas estava sentindo a falta dele, o futebol de verdade. Sem ele, não somos nada. O danado é o sal de nossa vida.

NBA NA GLOBO – A GLOBO vai mostrar a fase final da NBA. Todos os sete jogos decisivos. Tomara que aprenda e não obrigue mais o NBB a ser decidido em um ou três jogos. Hortência será a comentarista. O narrador ainda não foi escolhido. Minha torcida é por Odinei Ribeiro, para que eu possa ver tudo, por todos os ângulos.

O TIME DE CARILLE – Cássio, Fagner, Paulo Henrique, Balbuena e Moisés; Gabriel; Romero, Camacho, Rodriguinho e Marlone. Na frente, Jô. É o que tem para hoje. Ou, melhor, para o primeiro tempo de hoje. No segundo, muda tudo. É o primeiro Corinthians de 2017, não muito distinto do último Corinthians de 2016. Gostaram?

 


Ceni vai aposentar Lugano
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Um dos momentos mais marcantes da despedida de Rogério Ceni em 2015, foi quando ele passou a faixa de capitão para Diego Lugano. Dois ídolos recentes do clube e um sinal de que estava próximo o retorno do uruguaio ao clube. Agora, com Ceni como treinador, está decidido: todas as vezes que estiver em campo, Lugano sera capitão. E o outro lado da histórias: serão poucas vezes. O contrato de Lugano, que termina em junho, dificilmente será renovado. Ceni vai aposentar o amigo.

Ficou evidente na entrevista que deu ao querido amigo Marcelo Prado. ''Lugano não vai atuar todas as partidas…Vamos tentar usufruir do que o Lugano pode oferecer que é sua experiência no vestiário, a sua experiência no dia a dia''…

Mas, jogar, vai?

Em outras entrevistas, Ceni enfatizou que:

1) Lugano é para jogar na sobra, no esquema com três zagueiros.

2) Ele tem optado por Breno. É mais versátil e pode adiantar um pouco, como volante, permitindo a mudança de esquema para apenas dois zagueiros.

3) Repetidas vezes ele falou que Vitor Tormena, que foi emprestado ao Novorizontino o agrada muito. ''Poderia ter trazido (para a Florida Cup) o Tormena, o Kal, o Artur…Mas o Paulistão só permite 25 jogadores de linha e eu não posso trabalhar com 33 atletas. Eles não teriam o mesmo interesse. No meio do ano, tem Lugano vencendo contrato…

É claro, né? Lugano terá todo o respeito de Ceni. Foram campeões do mundo junto. Será o capitão, terá sua história respeitada, mas o segundo semestre terá outros personagens. Kal ou Tormena?

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CHINA NÃO QUER? MANDA PRA CÁ  O Tianjin Quanjian conseguiu o acesso à principal divisão do futebol chinês. E resolveu se reforçar. Sonha com Diego Costa. E não quer mais Jadson. A rescisão foi feita e ele está no mercado. Interessa a gigantes como São Paulo e Corinthians, seus últimos clubes. Perceberam? A gente agora aceita o que a China não quer. Nossos times são formados por jogadores novos que brevemente irão para a Europa. E por outros que não conseguem lugar na Europa. E nem na China. A falta de dinheiro e a globalização mundial explicam. Mas a falta de gerenciamento também. Nossos dirigentes são fraquíssimos.

FELIPE MASSA ESTÁ DE VOLTA – Felipe Massa voltou à Fórmula-1. Defenderá a Williams. Massa perdeu um título mundial na última volta, por menos de um quilômetro. Não teve outras chances, decepcionou, mas é um piloto que construiu sua história. Assim como Rubens Barrichello, não foi campeão, não foi genial como Fittipaldi, Piquet ou Senna. Mas também não fez trapaça e nem foi expulso da Fórmula 1.

PAULO NOBRE, UM DITADOR – Paulo Nobre rompeu com Mauricio Galiotte, seu sucessor. Sucessor eleito com seu apoio. Galiotte se recusou a vetar a candidatura de Leila Pereira, dona da Crefisa, ao Conselho Deliberativo. Mas, é ele quem decide isso? Ele que decide se a candidatura é legal ou não? Nobre está irritado também porque Galiotte resolveu assinar novo contrato de patrocínio com a Crefisa. E se não assinasse, quem pagaria a grana toda que o clube recebe de seu maior patrocinado? Nobre? Nobre é ex. E ex precisa se mancar, sumir um pouco. O Palmeiras não é seu brinquedinho. Galiotte não é marionete.

 


Corinthians prepara o pulo do gato
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UOL Esporte

A semana começa com a possibilidade de um pulo do gato corintiano. Didier Drogba e Jadson podem chegar ao clube, o que daria uma mudança de status.

Status técnico, se jogarem o que já jogaram. Status de marketing, com certeza, com Drogba. Status de esperança, com certeza também, no caso de Jadson.

Caso se concretizem as contratações, o Corinthians que já acertou – e muito – com Gabriel, terá feito um trabalho comparável ao de Flamengo e Palmeiras que comandavam o ranking de contratações do ano.

O Palmeiras, mais que o Flamengo, pois o clube carioca só poderá contar com o ótimo Conca no segundo semestre, enquanto o Palmeiras já pode escalar Felipe Melo e Guerra desde o início das competições.

Flamengo e Palmeiras têm dinheiro e podem buscar o objeto de desejo, a joia. Os outros correm atrás de genéricos e bijuterias. O que não impede de formarem bons times.

O São Paulo, por exemplo. Cícero, que estava encostado no Fluminense, é um ótimo reforço. Wellington Nem, idem. Ceni faz até um certo marketing do sofrimento, ao dizer que o clube gastou apenas R$ 300 mil. Mas, a vinda de Sidão não ficou em R$ 500 mil mais a cessão de três jogadores?

O Santos conseguiu duas grandes contratações, sempre pensando no pouco dinheiro dos clubes brasileiros: o zagueiro Cleber e o volante Leandro Donizete podem dar mais consistência à defesa de Dorival Jr.

Outras contratações bacanas foram de Felipe Santana, zagueiro no Galo, Montillo, meia no Botafogo, e Thiago Neves, meia, no Cruzeiro.


Ceni não é Midas. Leco precisa ajudar
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UOL Esporte

reimidas
Eu já tive alguns ídolos no futebol, mas faz tempo que abdiquei dessa emoção. Ter  um ídolo é pressupor que a pessoa não erra. E ninguém no mundo tem essa qualidade.

Então, o que escrevo é baseado no que vejo, leio e penso. E eu tenho solidificado a percepção que a escolha de Rogério Ceni como treinador do São Paulo foi um grande acerto do presidente Leco. Talvez o maior.

Em entrevistas dadas ontem, ficou marcada como Ceni está preparado. Ou melhor, como está se preparando. Quem está preparado, estaciona. Que está se preparando, está em evolução.

Ele dissecou, em conversa com o Mauro Cezar Pereia, o estilo de Conte no Chelsea. Depois, falou de outros times. Falou do São Paulo e mostrou muita segurança.

Gostei quando ele falou da necessidade de versatilidade dos jogadores. Entre o que ele falou ontem e outros dias, é possível ver que ele vislumbra novidades na escalação.

A seguir:

Wesley – pode ser lateral, ala, volante e meia

Breno, Lucão e Lyanco – podem ser zagueiros e volantes

Foguete – lateral, volante ou participante de uma linha de três pela direita

Buffarini – lateral na direita, na esquerda, volante ou participante da linha de três, pelos dois lados.

Bruno – lateral ou ala

Cícero – volante, meia ou segundo atacante

Chávez – Centroavante e segundo atacante.

Ceni foi falando das várias possibilidade até que citou Lugano e Giberto. “São dois jogadores específicos, o Lugano na linha de três, como sobra e o Gilberto, que é nove, nove, nove”.

E é aí que o bicho pega. Gilberto é o único centroavante do elenco. Ceni nem levou Pedro para os treinos na Florida, o que indica um possível empréstimo.

E como Ceni é bom, mas não é Midas, aquele que transformava em ouro tudo o que tocava, precisa de ajuda. Precisa de um outro centroavante.

Se for o Calleri, o time teria um grande salto técnico. Se não for, que seja alguém que possa ao menos revezar com Gilberto. Caso contrário, Ceni terá de lançar mão de um esquema sem centroavante, o tal “falso nove”. E quem fez isto muito bem na base foi Shaylon.

Leco, que acertou com Ceni, precisa lhe dar ferramentas para que o trabalho saia bom. Precisa achar um bom centroavante.


Drogba, Michel, Felipe, Robinho…De volta a 2010. É o que tem para hoje
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menon

2010No dia 20 de junho de 2010, o Brasil venceu a Costa do Marfim por 3 a 1, em Johanesburgo e se classificou para as oitavas de final da Copa do Mundo da África do Sul. Os gols foram de Luis Fabiano, dois e Elano. Para a Costa do Marfim, gol de Didier Drogba.

Drogba, que, aos 38 anos pode pintar no Corinthians. Se vier, vai enfrentar novamente Michel Bastos e Felipe Mello, que também participaram daquele jogo e que estão no Palmeiras. Talvez jogue contra Luís Fabiano, que está tentando se recolocar no mercado. Na minha opinião, poderia jogar novamente no São Paulo. E ainda pode encarar Robinho no Brasileiro. Elano, não. Virou auxiliar técnico no Santos de Dorival Jr, depois de se arrastar em campo nas suas últimas partidas como profissional.

Corinthians consegue parceiros e envia proposta oficial por Drogba

Drogba, Michel Bastos, Felipe Mello, Robinho e Luis Fabiano. Todos eles foram ótimos jogadores. Todos cabem em uma mesma escala, logicamente com Robinho Luís Fabiano e o marfinense à frente dos outros. E todos podem jogar bem no Brasileiro. Luís Fabiano tem contra si problemas físicos, mas pode ainda fazer gols importantes, desde que escalado com moderação.

Todas estas contratações são boas. Todas acrescentam. Mas, falemos a verdade: 2010 está muito longe. Faz muito tempo. E todos eles, que ainda são bons, já foram melhores. Deixaram na Europa o seu melhor futebol, em anos recentes. Estão no final da carreira. Gloriosas, dignas e honestas carreiras, mas quem aí vai jogar mais que três anos em bom nível? Só Robinho?

É um retrato do que vivemos. Mandamos para a Europa o craque do ano, o cara que vai ser tendência na década (Gabriel Jesus), mandamos outros jovens menos talentosos, mas no auge da forma física e técnica, como Rodrigo Caio, que ficará pouco tempo e trazemos veteranos.

A solução é uma crise mundial que descapitalize os europeus. Assim, veríamos nossos craques por mais tempo. Como nos anos 60 e 70. Já imaginaram Jairzinho, Gerson, Rivellino, Ademir da Guia, Tostão, Clodoaldo Carlos Alberto e Leão imigrando para a Europa. Fazendo companhia a Caju? E Garrincha? E Pelé? Do nosso período de ouro, apenas Didi esteve por lá. E não teve sucesso. Evaristo foi ídolo no Barcelona e o Real Madrid. Se todos tivessem ido, a Europa teria sido diferente. Ou alguém duvida que Rivellino jogava tanto quanto Platini?

Hoje, é o que tem para hoje. Vamos nos conformar e aproveitar o quanto for possível o sumo fresco da juventude que fica pouco por aqui e o último caldo dos veteranos que encantaram o mundo. Em 2010. Ou antes.