Blog do Menon

Cuca e Ceni dão choque de realidade em quem não joga bola
Comentários 5

menon

A Prancheta Voadora e o Rachão Violento. Podia ser o nome de algum livro adolescente, mas é o que se destacou na cobertura de São Paulo e Palmeiras nos últimos dias. Fofoca? Não. É bastidor e deve ser noticiado. Feito isso, é interessante ver o que os fatos significam exatamente nos clubes.

O fato de Rogério Ceni, irritado com o segundo gol do Corinthians, arremessar uma prancheta no chão é indicativo do quê? Jogadores estavam irritados com ele? Querem a sua queda? Ceni perdeu o controle e comando do grupo? A prancheta atirada no vestiário é um reflexo fiel da crise do São Paulo. Olho, que o fato ocorreu no intervalo do primeiro jogo da primeira das três eliminações. Foi pré crise.

E o fato de Osmar Feitosa e Felipe Melo discutiram por conta de uma rachão? Foi necessária a intervenção de Cuca. O que temos aqui? Melo é desagregador? Feitosa, que brigou com Ceni no São Paulo, é pessoa que não trabalha em grupo? E o empurrão de Feitosa em Thiago Santos, no intervalo do jogo contra a Ponte? E as brigas de Melo com Roger Guedes? Os desentendimentos mostram que o Palmeiras está em ebulição? É preciso cortar o mal pela raiz para que a campanha na Libertadores não seja afetada?

O importante, em todos os casos, é ver os desdobramentos. Porque, técnico jogar prancheta, técnico ofender jogador, é coisa normal. Não deveria ser, mas é. Briga em rachão, também é. Os campeonatos de rachão eram (não sei como é agora) extremamente disputados. Os times eram os mesmos, havia enfrentamento toda sexta-feira, cada um contava o número de vitórias e o pau quebrava muitas vezes. Tão disputado como um jogo.

São coisas difíceis de entender. Futebol é um mundo diferente. Eu não conseguiria trabalhar em um ambiente em que meu chefe dá uma bronca em todo mundo, ofende uns e outros e joga alguma coisa no chão. Mas, eu não sou jogador. Uma coisa ridícula, na minha opinião, é preleção. Se alguém falasse aquelas chorumelas para mim, não conseguiria prestar atenção. Bate no peito, subam essa escada que as pessoas estão esperando (juntei o discurso de Zé Roberto e de Ceni e me parece filme de gladiador), aquela reza em altíssimo som, viajem a Aparecida, promessa, parente chegando em véspera de jogo, vídeo motivacional… Tudo isso eu acho uma patacoada só. E não critico, não desvalorizo, não digo que é errado. É apenas coisa de outro mundo, não do meu. E tenho obrigação de aceitar.

Prancheta voadora e Rachão Violento fazem parte do mundo do futebol. Surpreendem apenas dois tipos de pessoas: os que não sabem que futebol é assim e os que acham que futebol não deveria ser assim. E querem muda-lo. Prefiro desfrutar.


São Paulo, 3/45. Pode melhorar
Comentários 8

menon

'''Clássicos não se jogam. Clássicos se ganham''. A frase é do argentino Adrián González, lateral direito de pouca qualidade que andou pelo São Paulo há alguns anos.

O jogo contra o Avaí era um clássico. Nenhuma ilação à história dos dois clubes. Clássico apenas pela pressão sobre o clube que sofreu três eliminações e que tinha uma vitória nos últimos seis jogos.

Era preciso vencer. E venceu. Diego Lugano, o mais experiente de todos, falou sobre a tensão que o clube vive.

A tensão poderia ter terminado aos dez minutos, quando Pratto marcou. Não acabou porque o time jogou muito desprotegido. Jucilei era o único a proteger os zagueiros. Cícero e Thiago Mendes eram meias.

Havia muito espaço para o Avaí jogar. Quando Thiago Mendes se machucou, Ceni perdeu a chance de proteger a defesa. Colocou Thomas.

O espaço continuou. O São Paulo só melhorou defensivamente quando Ceni trocou Cueva por Schmidt. Foi pragmático. Foi correto. E, no final, Luiz Araújo ressurgiu e fez o gol salvador.

Foram três pontos. Por enquanto, o São Paulo precisa pensar que faltam apenas 42 pontos para escapar do vexame. Mas tem condições para melhorar. Tem elenco. É questão de trabalho. E trabalho com tranquilidade, rende mais.

 


Corinthians permite achincalhe de Romero
Comentários 10

menon

A TV Globo pediu permissão ao Corinthians para entrevistar Angel Romero (na caricatura ao lado de Oscar, seu irmão gêmeo). É assim que funciona, o jornalista procura assessoria para fazer uma matéria com o jogador. Um acordo de três partes. Na matéria, o artilheiro do Itaquerão é confrontado sobre sua suposta pouca habilidade em dominar uma bola. E não se sai muito bem.

Repetindo, são três partes envolvidas: clube, jogador e Globo. E a entrevista é boa para quem? Para o jogador, querido pela torcida por seu estilo aguerrido e por nunca negar suor em campo, ser ironizado e humilhado? Para o clube, que vê seu atleta virando alvo de gozação para rivais? Ou para a Globo, que ganha pontos de audiência com seu jornalismo de entretenimento?

Não entendo direito o nome de assessoria de imprensa, quando se trata de clubes de futebol. Os profissionais fazem de tudo pelo clube e não pela imprensa. Se algum jogador deixa o banco de reservas, como fez o Gabigol, ele é escondido imediatamente. Não fala com ninguém. Os assessores dão um show na turma do Temer, que permite a entrada do Joescley  no Planalto sem aviso e com gravador escondido.

Fazem seu trabalho para o clube. Não para a imprensa. Só permitem esse tipo de matéria com Romero porque devem achar muito bom para o clube. Facilitam tudo para alguns segundos de entretenimento e leveza globais. Será que vale a pena? Eu, se fosse jogador, não faria isso nem se fosse obrigado. E, se meu assessor de imprensa particular tentasse me induzir, eu o demitiria.

Tags : romero


Corinthians merecia mais
Comentários 5

menon

Corinthians 1 x ….0. Gol de Jô. Tem sido assim, independentemente do adversário. Desta vez, foi o Vitória. Com um detalhe: podia ser mais.

Não que o time tenha mostrado um grande volume ofensivo. Não, os méritos defensivos continuam sendo a tônica, mas como o Vitória é muito fraco (desfalcado) e não assustou, no final do jogo o Timão ainda perdeu boa chance.

Além dos três pontos, foi animador ver um bom desempenho de Marquinhos Gabriel, jogador que estava muito mal. Deu sinais de recuperação.

Fluminense e Grêmio foram destaques no domingo. Ambos conquistaram a segunda vitória em dois jogos. O Flu venceu o Galo em Minas. Não é fácil, não. O Grêmio ganhou do Furacão em Curitiba. Os paranaenses, que foram heróicos na Libertadores, perderam duas no Brasileiro. Perigo.

 

7209


Fabuloso, 400, ajuda o Vasco
Comentários 6

menon

Luís Fabiano fez o gol 400 da carreira. Um atacante letal, com poucos títulos e muita confusão. Foi muito, mas deixou a impressão de que poderia ter sido maior.

Foi importante na vitória do Vasco sobre o Bahia. Jogou um pouco mais recuado, fazendo o pivô e puxando contra ataques no terço final do campo.

Fez o pivô e deu um passe precioso para o gol de Pikachu. E fez o segundo, ao velho estilo, completando com toque simples boa jogada de Gilberto e Kelvin.

Mostrou também muita disposição, ao contrário de Vagner, que entrou na metade do segundo tempo e passeou em campo. Perdeu bola dominada, que resultou no gol baiano.

O Vasco não fez uma boa partida. Quando fez o primeiro gol, era dominado. E, no final, sofreu muita pressão. Mas o treinador Milton Mendes mostrou que busca soluções. Deixou Nenê no banco, impedindo uma dupla de veteranos com o Fabuloso. E colocou o talentoso Cosendey, volante da base. Vai rejuvenescer o time.

O Bahia mostrou o ótimo goleiro Jean e bom trabalho de Allione. Paulão e Breno estrearam no Vasco. Paulão foi melhor.


Palmeiras imita ex-BBB e perde para a Chape
Comentários 8

menon

Como é a vida de ex-BBBs após a saída da casa especializada em catapultar nulidades para o fugaz estrelato? Algumas posam nuas e outras vivem de marcar presença?

O que é? Fulana de tal marcou presença na festa do Peão de Monte Azul da Rosa Solitária. Vai lá, circula, tira umas fotos e cai fora com a conta bancária mais cheia.

O Palmeiras, em vez de jogar bola, marcou presença em Chapecó. Foi lá, circulou com jeito blasé e só acordou depois que Rossi deixou Tchê Tchê na saudade e criou o gol da Chape.

Então, o Palmeiras mudou. Resolveu pegar o touro à unha e ser protagonista. Não conseguiu. Perdeu.

Ah, mas era o time reserva. Como diz meu amigo Turco Toti, palmeirense até a alma, quando se diz que é o melhor elenco do Brasil, quanto se diz que o clube tem três times competitivos, tem de provar. Sem reclamar.


Santos vence com golaços de Vanderlei, herói discreto
Comentários 3

menon

Números não explicam tudo no futebol, mas ajudam a quantificar uma realidade que salta aos olhos. O Coritiba teve 13 finalizações corretas. O Santos teve três. E o Santos colocou três pontos na sacolinha. Graças a Vanderlei.

O goleiro do Santos tem biotipo diferente dos goleiros da moda. É alto, mas magro. Longilíneo. Não tem marketing algum. Não é do tipo de defesas espetaculares e espetaculosas. Aposta no posicionamento e na discrição. Seguro, faz o básico. Rebatida, só de lado.

No final, defendeu um pênalti e saiu chorando. Foi um dia de glória para o herói incomum.

Ah, e como é bom o volante Matheus Galdezani.

 


Palmeiras é culpado por omissão. Como outros brasileiros
Comentários 28

menon

A Conmebol definiu a punição do Peñarol por um jogo (UM JOGO) como mandante na próxima Libertadores uma multa de 150 mil dólares. Uma vergonha, não é uma punição, é um agrado. Um prego a mais na credibilidade da competição maior do continente. Só o fato de os portões estarem fechados, impedindo a saída tranquila de jogadores, que foram jogados à sanha dos rivais e de torcedores, que poderiam ter invadido o campo do Campeón del Siglo, ocasionando uma tragédia gigantesca.

O Palmeiras, que não tinha nada a ver com o jogo, foi punido por três jogos como visitante, por conta do comportamento selvagem de sua torcida organizada ao enfrentar (ou provocar, não se sabe) o comportamento selvagem da torcida do Peñarol.

Penas desproporcionais que mancham a promessa de mudanças na Libertadores.

E o que o Palmeiras tem a ver com isso?

Tudo.

O Palmeiras, como outros clubes paulistas, deram aval a Reinaldo Carneiro Bastos, obscuro presidente da Federação Paulista de Futebol para defendê-los na Conmebol.

O Palmeiras, como outros grandes brasileiros, votaram no Coronel Nunes para presidente da CBF. Coronel Nunes, um preposto de Marco Polo del Nero. Sabe o quê Marco Polo del Nero pode fazer pelo Palmeiras? Nada. Ele não pode viajar até o Paraguai para esbravejar, argumentar, defender o clube. Se for lá, pode ser preso.

Os clubes brasileiros não respeitam sua força. Eles se apequenam, mostra fraqueza. Então, as hienas se aproveitam e fazem a festa.

 


Bruno Rios supera a morte e sonha com vida nova na Lusa
Comentários 9

menon

Bruno Rios, meia de 27 anos, tem sentimentos muito contraditórios ao chegar à Portuguesa, que disputa a Série D a partir de domingo, as 19 horas, no Canindé, contra a Desportiva Ferroviária, do Espírito Santo.

A esperança e a alegria convivem com lembranças terríveis de um passado recente. “É mais que o recomeço da minha carreira, é o recomeço da minha vida mas não tem um dia em que eu não pense na angústia em que vivi”.

Em 2012, ele foi diagnosticado com aplasia medular, doença similar à leucemia. Ataca a medula óssea e impede a produção das células sanguíneas, compostas de hemácias, leucócitos e plaquetas. Só para ter uma noção. O recomendável é ter de 150 mil a 440 mil plaquetas por milímetro cúbico de sangue. Bruno tinha 3 mil.

Tudo apareceu após um bate bola com o irmão. Sentiu um cansaço enorme e foi para o hospital. “Fiz uns exames. O médico mandou repetir. E já fiquei no hospital. Foram quatro meses. Não melhorava de jeito nenhum, tinha muitos sangramentos, que é uma consequência da doença”.

Parecia o fim de uma carreira que havia começado sob o signo da esperança. Aos 17 anos, foi convocado para a seleção brasileira da categoria. Pela primeira vez, um jogador da Lusa havia chegado a esse estágio. Fez uma boa dupla com Alex Teixeira e o Vasco o contratou. Não foi bem e rodou por times menores como Bragantino, Joséense, Oriente Petrolero, União até que o que estava ruim, ficou muito pior.

A solução para Bruno era o transplante de medula, mas seus irmãos não eram compatíveis. “Fiquei arrasado, porque no meu caso, a doença podia ser fatal. Era o caso mais grave dos três possíveis. Vivi uma tristeza muito grande”.

Foi então que o médico Luiz Fernando Pracchia optou pelo tratamento com antimocíticos, remédio feito industrialmente, a partir do soro produzido por coelhos após injeção de células imunológicas. “É o mesmo princípio usado para a produção de soro antiofídico”, diz o médico.

Os comprimidos eram caros, mas Bruno conseguiu nos postos de saúde. E os resultados começaram a  vir. “Cada dia que vinha um resultado bom era como se eu tivesse ganho um jogo, feito um gol”, ele se lembra.

A alta do hospital não significou o retorno ao futebol. Tudo foi feito paulatinamente. Em 2015, o médico disse que poderia voltar à profissão. “Hoje, eu tenho a mesma possibilidade de ter a doença do que outra pessoa”. Como se um maligno raio caísse duas vezes no mesmo lugar.

O retorno foi na Portuguesa. O treinador era Aílton Silva. “Ele foi muito legal, me tratou muito bem e sempre me animou”, lembra Bruno. Mas não o escalou.

Em 2016, foi para o Parnaíba, no Piauí e depois para o União Susano. E agora, pela terceira vez na Portuguesa. “Agradeço muito a nova chance. Sou  um meia rápido, que tem bom passe e chega no gol. Vou ajudar a Lusa a subir, porque a Série D é muito pouco para um time assim”

A entrevista foi feita por telefone. Uma hora depois de terminada, Bruno me ligou. Com muita educação e timidez, fez um pedido. “Seria possível terminar a matéria dizendo para as pessoas que é muito importante doar medula? E muito fácil também, é como doar sangue? A ajuda é boa porque a doença pode ser fatal”?

Está dito.


Bondades de Leila e Pinotti são contra a modernização do futebol
Comentários 47

menon

O Palmeiras está cada vez mais forte, cada vez mais longe de seus rivais. Está sempre à frente. Além de comprar bem, agora também vende bem. Vitor Hugo, um zagueiro fraco, vai para a Europa por inacreditáveis 8 milhões de euros, mais do que o São Paulo conseguiu por Lyanco, muito mais jovem e com mais futuro.

O planejamento do Palmeiras funciona muito bem. Como a saída de Vitor Hugo era uma possibilidade concreta, o clube já havia contratado Luan, promissor zagueiro do Vasco. E também Juninho, do Coritiba. Juninho e Luan deve ser a próxima dupla titular, pois a saída de Mina é iminente e o tempo, implacável, cobrará a conta de Edu Dracena.

Então, estava tudo certo. A Crefisa deu o dinheiro para a contratação de Vitor Hugo. O Palmeiras vende e paga a Crefisa. Negócio de irmão. Epa, tudo que é bom, pode melhorar. O negócio de irmão vira negócio de mãe, pois Leila, a dona da Crefisa, abre mão do dinheiro. E ele vai para pagar Juninho. E ainda sobra muito.

Não é mesmo uma Teresa de Calcutá? Sem interesse algum, a não ser aparecer, como tiete na apresentação de novos jogadores? Não interessa a sombra lançada sobre o presidente Galliote, cada vez mais ofuscado pela presença radiante da mulher que não tem escrúpulos em lançar mão da imagem do Papa para glorificar sua pouco louvável atividade de fazer empréstimos garantidos pela aposentadoria de velhinhos.

É um tipo de relação incestuosa, que nada tem a ver com a modernidade pregada por tantos. E não é privilégio dela, não. Vejam o caso de Vinicius Pinotti, no São Paulo, que abriu a carteira e trouxe…Centurión. Já recebeu? Recebeu o cargo de diretor de futebol, após dois anos na gestão do marketing. Qualificou se, mas o dinheiro invertido pavimentou o caminho​.

Esse tipo de comportamento bonzinho é um absurdo. Romeu Ítalo Rípoli fazia isso no XV de Piracicaba. Emil Pinheiro fazia isso no Botofogo. Outros bicheiros faziam isso nas escolas de samba.

Leila não combina com modernidade e profissionalismo.