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Carille, Ceni, o feijão e o sonho
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Carille tem muito mais chances de chegar à final do Paulista, mas Ceni deve ir mais longe no Brasileiro. É a tese que aqui defenderei, usando até um livro da minha infância e também os argumentos de Pelado Lopes, corintiano até a alma.

Fábio Carille e Rogério Ceni são duas esperanças de renovação do futebol brasileiro, não, exagero, são duas esperanças de renovação dos treinadores brasileiros. Há outros. 2017 é pródigo em gente nova que está deixando veteranos na dramática fila do desemprego na Pindorama de Michel Temer: Zé Ricardo, Jair Ventura, Roger Machado, Eduardo Batista, Antonio Carlos, Mílton Cruz…

Todos assumem com o beneplácito da dúvida, com a torcida para que dê certo, afinal estamos muito atrasados no banco de reservas. Nossos professores são alunos quando comparados com os argentinos, por exemplo, brilhando na Europa.

Mas o que é dar certo, no fanatizado futebol brasileiro? Dar certo está muito ligado a resultado, os sonhadores que me perdoem. Ficar fora dos seis primeiros do Brasileiro é considerado fracasso para dez de onze concorrentes de Rio, São Paulo, Minas e Rio Grande do Sul. Não coloco o Vasco, porque Eurico Miranda, tão execrado, tem uma atitude mais pragmática neste sentido.

Então, domingo, estarão frente a frente Carille e Ceni. Um dos dois conseguirá o passaporte para a final do Paulista. É o que a torcida espera de um grande, é o “fracasso” aceitável. Mesmo a torcida são-paulina ficará um pouco insatisfeita com o desempenho do maior ídolo do clube, caso fique fora. E nem adianta lembrar que no ano passado, o time nem ficou entre os quatro primeiros.

Os dois tem apresentado trabalhos díspares, com conceitos bem diferentes. Ceni é mais ousado. Assumiu o São Paulo e resolveu correr riscos, montando um time para jogar sempre na frente, em busca de gols, pressionando o campo rival. Carille assumiu o Corinthians para evitar riscos, para a transformar a peneira deixada por Osvaldinho em uma defesa confiável.

Os conceitos são diferentes não apenas pelo modo de encarar o futebol de cada um. Carille sempre cita Tite como exemplo e Ceni já disse que considera Osorio um grande treinador. Mas não é só isso: Carille sabe que não tem um capital inicial de apoio da torcida minimamente comparável com o que tem Ceni. O treinador do São Paulo pode errar muito mais do que ele. E, por poder errar, pode ousar. A ousadia (ousadura?) é irmã do brilhantismo, mas também é prima do erro.

Ousadia x pragmatismo. Ataque x defesa. Posse de bola x transição. Desarmonia x e-qui-lí-brio. Feijão x sonho, lembrando o escritor Orígenes Lessa e a história de Campos Lara, professor preso na contradição entre ser escritor e poeta e cuidar bem da casa, da mulher Maria Rosa e dos três filhos. Poesia não da camisa a ninguém, dizia-se antigamente.

É enorme a possibilidade de Carille levar o Corinthians à final. O primeiro passo – passo de Thiago Splitter – foi dado ao vencer o primeiro jogo por 2 a 0 na casa do São Paulo. É a classificação que resta, após a eliminação na Copa do Brasil para o Inter. Uma classificação que ficou no caminho porque faltou um pouco de sonho e de ousadia. O Corinthians dominou o jogo, teve muitas chances, poderia ter feito 2 a 0 com dez minutos, mas depois se acomodou. Recuou e apostou no contra-ataque. Não pressionou. Mesmo assim, poderia ter feito mais gols. Levou um e aí está o problema.

É uma questão aritmética. Quem faz apenas um gol por jogo, está perto do empate. É uma segurança muito pequena. É difícil que dê certo eternamente. Fazendo um gol por jogo e tendo uma defesa forte, o time pode se classificar muito bem no Paulista, um campeonato cheio de times fracos. Pode avançar até o título, pois as fases finais são eliminatórias. Pode ser campeão, sem dúvida. E o Corinthians é candidatíssimo ao título. Mas, no Brasileiro, não vai longe. “Lutaremos para ficar entre os seis primeiros”, me diz o amigo Pelado Lopes, cujo sonho na vida é voar na máquina do tempo e estar debaixo daquele lampião com Miguel Battaglia e outros, em 1910. Aliás, só havia lampião na época. “Vamos fazer 19 jogos em casa e cada um vai ser um martírio para vencer”, diz, já com todas as viagens a Itaquera planejadas. Estará em todos os jogos, sabendo que poucos gols gritará.

A questão aritmética também assusta Ceni. Um time não pode ir muito longe se sofrer dois gols por jogo. É um sonho tão pernicioso quanto o feijão pragmático de Carille. E neste sentido, ele tem caminhado mais celeremente em busca de equilíbrio. Foram cinco gols nos últimos três jogos – 1,67 por jogo, já abaixo da terrível média – mas antes estava há cinco jogos sem sem sofrer gols. Ceni, contra o Cruzeiro, abriu mão da ideia de ter dois atacantes espetados e passou a ter mais gente no meio. O time tem melhorado. Do mesmo jeito que os corintianos podem lamentar tantos gols perdidos contra o Inter, os são-paulinos podem dizer que foram eliminados pelo Cruzeiro com um gol de cabeça de Pratto e um outro, de bunda, de Cueva. Seus dois melhores jogadores.

Ceni x Carille. Carille x Ceni. No domingo, o feijão tem grandes chances de desclassificar o sonho. No Brasileiro, o sonho tem mais chances de avançar. Mas ambos precisam ser ajudados pelas diretorias para que estejam na lista de quem brigará por titulo no Brasileiro.


Timão ganha fácil e acaba com a lua de mel de Ceni
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O Corinthians está com um pé na final do Paulista. Não tanto por suas qualidades – e o time está melhorando a cada partida, é bom que se diga – mas pelo estilo monotemático do adversário. O São Paulo, uma vez mais, mostrou que não tem ideias. Pelo menos, não tem ideias efetivas para superar um time bem montado na defesa. E, após as derrotas – Cruzeiro e Corinthians – o mimimi é o mesmo. “Eles acharam um gol, nós jogamos mais, pressionamos, mas não tem nada fechado ainda, podemos reverter”, disseram Gilberto na quinta-feira, Rodrigo Caio na sexta (ou sábado?) e Luiz Araújo no domingo.

A única arma do time, após estar perdendo, é apostar nos cruzamentos. Ceni coloca dois centroavantes e tome bola na área. Contra o Cruzeiro, foram 35. Contra o Corinthians, 37. Um total de 72, com apenas 16 acertos. Apenas 22% de efetividade.

O Corinthians, não. Está muito bem montado. Seus zagueiros são bem protegidos. O meio campo é bem povoado. E as boas jogadas, com bola rolando, estão se tornando constante. Carille foi muito melhor que Ceni. Jadson ajudou Fagner a segurar Araújo. Será que precisava da dobra? Araújo está muito mal. Arana e Romero seguraram Nem. O São Paulo ficou manietado e o meio campo foi corintiano. Então, Nem machucou e Ceni colocou Cícero, que estava fora da jogada nos dois gols. Recomposição zero. Seria mais correto colocar alguém mais combativo por ali.

Foi mal, o Ceni. Praticamente eliminado duas vezes em quatro dias. E com derrotas vindo da falta de ideias. Como Bauza engessou o time no 4-2-3-1, ele engessa no 4-3-3 com dois pontas espetados. Acabou o encanto. Eles são anulados e o time não anda. E a torcida já começa a questionar o trabalho de seu ídolo. Nas arquibancadas, ainda não. Nas redes sociais, sim.

Foi bem, o Carille. Muito melhor que Ceni. Depois de quatro meses de trabalho, ele apresenta um time com identidade, com personalidade e com muitas chances de se classificar na Copa do Brasil e no Paulistão.

 

 


Até quando, São Paulo? Até quando, Corinthians? Até quando, juizada?
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O São Paulo voltou a marcar pressão alta, como no início do campeonato. Foi agressivo, principalmente no segundo tempo. Foi um time aguerrido, dividindo todas e com boas opções de ataque, mais pelo lado do que pelo meio. Normal, pois Cueva e Pratto não jogaram. Perdeu a vitória por um erro incrível de posicionamento da defesa em uma bola alta. Mais uma vez. Até quando? Resultado? Está há cinco jogos sem vencer.

O Corinthians veio para empatar. Os jogadores assumiram a postura sem negar, o que é bacana. No intervalo do jogo, disseram que estavam fechados porque o rival tem um ataque rápido. No final do jogo, Jô reafirmou a opção. Não havia nenhum arrependimento. É um time consciente da tática da defesa forte e ataque nulo. Falaram também de uma evolução que eu, sinnceramente, não consigo ver. É sempre a mesma coisa. Até quando? Resultado? Está há cinco jogos sem vencer.

O juiz foi uma piada. Wellington Nem deu uma entrada duríssima, na lateral do campo, em Leo Jabá. Merecia o vermelho, levou amarelo. Mais tarde, fez outra falta dura. Típico de amarelo. Não foi advertido. No final do jogo, em uma dividida com Camacho, levou um amarelo e, por consequência, o vermelho. Não fez nada no lance. Nada. Pablo, no primeiro lance de Nem, chutou a bola para fora. Um bico. Levou amarelo. Mais tarde, fez uma falta dura. Não foi nem advertido.

E, ainda por cima, deu um amarelo para Maicon, na hora da comemoração do gol. Imbecilidade.

Até quando os juízes vão atrapalhar os jogos e contar com a condescendência de todos? Ah, é difícil apitar, ah, tem muitas câmeras, ah… Juiz ganha bem e precisa ser cobrado.


Ceni precisa se mirar em Paulo Barros, da Portela
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22.04.2004 – Marco Antonio Teixeira / Agência O Globo – RI – Carnaval 2004 – Desfile das escolas de samba do Grupo Especial – Unidos da Tijuca

A Portela, com o tema “quem nunca sentiu o corpo arrepiar ao ver esse rio passar”, é, segundo analistas candidata ao título do carnaval carioca. Como sempre a ousadia do carnavalesco Paulo Barros foi muito elogiada. A comissão de frente tinha passistas vestidos de peixe, subindo uma queda dágua. Representava a piracema. A decisão sai a tarde. Horas depois, o São Paulo de Rogério Ceni enfrenta uma decisão muitíssimo menos complicada. Tem um jogo eliminatório contra o PSTC, do Paraná.

E o que Paulo Barros tem a ver com Rogério Ceni?

Se ganhar hoje, será o quarto título de Barros. Os outros três foram pela Unidos da Tijuca, em 2010, 2012 e 2014. Antes de vencer, porém, ele já era conhecido e, para muitos, o responsável por um novo sopro de renovação no carnaval carioca, após a passagem de Joãosinho Trinta pela Beija Flor.

Não ganhava, mas todo mundo se lembra o carro alegórico do DNA, de 2004 na Tijuca. O nome correto era A Criação da Vida, que trazia uma pirâmide humana com 123 pessoas, pintadas de azul. Movimentos sincronizados imitavam a estrutura de dupla hélice de uma molécula de DNA. Era conhecido também por revolucionar as comissões de frente. Transformou tradição em magia.

Rogério Ceni dirigiu o São Paulo em sete jogos oficiais. Logicamente não ganhou um título, mas seu trabalho já tem referências com base na ousadia: o gol de Luis Araújo contra o Santos com bola roubada no campo rival, a marcação agressiva quando não tem a bola, a capacidade incrível de chutar. O que parece simples e obrigatório, no seu caso, rompeu os parâmetros. Em seis jogos no Paulista, o São Paulo finalizou 88 vezes, 43 delas no alvo e conseguiu 17 gols.

Já existe um estilo Ceni. É o mais ousado do futebol brasileiro em 2017. Como foi com Paulo Barros, sua ousadia será contestada até conseguir um título.

Vai ser pressionado para isto, vai ser cobrado, afinal o time sofreu 13 gols em seis jogos e ninguém é campeão com uma média tão alta. À medida que o tempo passar, mais dúvidas haverá sobre o trabalho de Ceni.

A resposta deve ser dada no estilo Paulo Barros: Ceni tem de se mostrar fiel às suas convicções. Fazer os acertos necessários. Ou melhora a defesa, ou melhora a recomposição e, em um caso ou em outro, faz com que os erros individuais diminuam… Algo será feito – ele não é bobo – mas os títulos ficarão mais próximos se ele não abdicar de suas ideias. Manter o DNA ofensivo, pelo menos para lembrar o DNA do vice-campeonato da Tijuca em 2004.


Futebol do São Paulo deixaria marcianos confusos. Cinco gols por jogo
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Se um alienígena chegasse ao Brasil com a missão de conhecer o mais belo esporte de todos e começasse sua tarefa vendo os cinco jogos do São Paulo no Paulistão, levaria a seu planeta uma visão equivocada do que é o futebol normalmente jogado. Bom? Ruim? Cada um tem sua visão, mas que é diferente, não resta dúvida. São 26 gols em cinco jogos. Mais de cinco por jogo.

Se olhasse especificamente para o São Paulo veria uma equipe desequilibrada. O melhor ataque. A pior defesa. Poderia o nosso estranho visitante ficar entusiasmado com toda a emoção, com a velocidade do time, com os gols de um Pratto voador, três em dois jogos, todos de cabeça, mas sofreria uma decepção muito grande no final do campeonato ao saber que aquele time não foi campeão.

Impossível ser campeão sofrendo dois gols por jogo. Não é possível manter o que se vê agora, com o ataque superando os erros da defesa. Evidentemente, Rogerio Ceni sabe disso e luta para que as coisas melhorem. Já recuou Rodrigo Caio, mas é pouco. O fato de a equipe sair atrás em quatro dos cinco jogos que disputou também prejudica muito. Quem corre atrás, corre mais. O desgaste é grande.

Ceni conseguiu um feito extraordinário em pouco tempo. O time, muito apático, hoje é brigador, marca alto, joga um futebol dinâmico. Fazia um gol por jogo no ano passado. Agora, faz três. A defesa, porém, desandou. Sofria também um gol por jogo e agora, perdeu eficiência.

O treinador, que aposta na inovação, talvez pudesse se render ao velho chavão de que o bom time começa com uma boa defesa. Fechar a casinha.

Por fim, mas tão importante quanto. O pênalti foi um absurdo. Cueva, que não tem nada com isso, cobrou muito bem. Justamente ele que perdeu três gols feitos durante o jogo.

PS – Revi o lance e não foi um absurdo. Foi penalti, sim. Pitty puxa Chavez.


Corinthianzzz e Palmeiras, mais eficientes. Santos e São Paulo, dispersos
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O Corinthians, de futebol burocrático e sonolento, é o mais eficiente do futebol paulista – falo dos grandes e deixo de lado o muito bem montado Mirassol – já decorridas quatro rodadas do Paulistão. O time de Carile fez três gols em quatro jogos. E conseguiu nove pontos. Cada gol vale três pontos. Vitórias por 1 a 0 contra São Bento, Novorizontino e Audax e uma derrota contra o Santo André.

Apenas como forma de comparação. O São Paulo fez doze gols e tem sete pontos. Precisa de 5, 14 gols para fazer um ponto.

O Palmeiras vinha na mesma toada da eficiência que mascara a ausência de bom futebol. Nas três primeiras rodadas, havia conseguido seis pontos, com dois gols marcados. Novamente, cada gol valia três pontos. Até que veio a goleada por 4 a 0 sobre o Linense, mostrando que o time já começou a crescer rumo ao seu grande potencial.

O que Corinthians e Palmeiras têm em comum diante de seus rivais, São Paulo e Santos, que mostram um futebol mais criativo? A espetacular eficiência defensiva. O Palmeiras sofreu um gol em quatro jogos. Apenas um. O Corinthians, dois. São equipes que estão justificando a tese de que um bom time começa a ser montado a partir de um sistema defensivo eficiente. Sistema defensivo eficiente permite que você faça um gol e vença o Audax. O São Paulo fez dois e perdeu.

Os dois gigantes se enfrentam na quarta-feira, em Itaquera. São líderes de seus grupos. Mesmo assim, o derrotado será saudado pelo estridente som de cornetas. Se houver empate, elas soarão também. Dos dois lados.

Santos e São Paulo são o outro lado da moeda do pragmatismo. Optaram pelo ataque e jogam em busca de gols. O que ocasiona muitos acertos a serem feitos. A próxima rodada já deve mostrar algo neste sentido.

O São Paulo é um case da falta de balanceamento. Tem o melhor ataque e a pior defesa. Se mantiver o estilo, fará um campeonato que sua torcida como aquele em que houve grandes jogos e não houve título. Rogério coloca o time para marcar alto, com a linha de quatro ou três no meio campo e o goleiro Sidão adiantado.

É um conceito. Não abre mãe dele, o que é correto. Mas os ajustes urgem. Os erros individuais de Maicon são assustadores. Contra o Mirassol, deu uma cabeçada para trás que quase matou o goleiro. Acredito que ele vá descansar contra o São Bento. Rogério já agiu rápido ao tirar Douglas, ao recuar Rodrigo Caio para a zaga e ao efetivar Tavares na esquerda, deixando de lado o fator Buffarini deslocado. O argentino já vai mal na sua, o que dirá todo torto na esquerda?

Dorival Jr. acenou com a possibilidade de atuar com apenas um zagueiro, recuando o volante Yuri, que já havia jogado assim nos tempos de Audax. Começou fazendo seis no Linense, mas já houve um recado claro com os dois gols sofridos. Sofrer dois gols em um jogo é terrível. Para vencer, você precisa fazer três. Fácil? Nem pensar. No segundo jogo, foi possível. Três a dois contra o Red Bull, com um gol que não deveria ter sido validado.

Com dois avisos, o Santos manteve o estilo e sufocou o São Paulo no primeiro tempo. No segundo, os buracos enormes apareceram. Levou três e não levou quatro porque Gilberto é Gilberto. Dorival mudou, escalou Cléber, a contratação mais importante do ano e…lambança. Expulsão. Uma derrota muito sentida porque o ataque, grande salvador, não funcionou.

Dorival precisa arrumar o time. Ceni precisa arrumar o time. Carile precisa arrumar o time, afinal ninguém garante que a fantástica eficiência vá funcionar sempre. E Eduardo Batista tem menos trabalho.

Entre os quatro, São Paulo e Palmeiras dão pinta de que podem crescer bastante. Estão longe do teto. O Santos pode crescer, mas a torcida não ajuda e Dorival é pressionado. E o Corinthians depende muito do que Jadson irá aportar em termos futebolísticos.

 


Bola pro mato, São Paulo. O jogo é de campeonato
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Antes de tudo é bom dizer que o Mirassol é um time muito bem treinado e que sabe exatamente o que fazer em campo. Tem bom passe, trata bem a bola e não se desesperou diante do domínio do São Paulo, principalmente quando se fala em posse de bola.

Um time perigoso.

E contra um time bom e perigoso, o São Paulo fez o primeiro gol aos nove minutos. Nada melhor. E continuou a marcar pressão e a ter domínio do jogo. O gol não saiu e o Mirassol começou a se soltar. Teve três chances seguidas entre os 30 e 40 minutos. Começou o segundo tempo com a mesma postura altiva. Não tinha medo de jogar.

No início do segundo tempo, escrevi no comentário ao vivo do UOL que o São Paulo precisava fazer um gol logo para que o jogo não se complicasse. E Rodrigo Caio fez. Rogério Ceni, então, fez três substituições que me passam a impressão que foram feitas porque ele considerou o jogo terminado.

  1. Neílton em lugar de Luiz Araújo, que havia perdido um gol – Rogério disse que montou um elenco com quatro jogadores de lado de campo – Neres saiu e Nem está machucado – para ter sempre intensidade e para manter o ritmo. Teoricamente está certo, mas Neílton é fraco. Não vai bem no ataque e nem na recomposição.
  2. Buffarini em lugar de Cícero – Rogério explicou que montou uma linha de três zagueiros com Buffarini, Maicon e Rodrigo Caio e que pediu liberdade total aos alas Bruno e Júnior. Não entendi. Buffarini é rápido, mas é baixo. E, pela televisão, o que vi foi Junior Tavares de volante e Buffarini na esquerda. Fiquei com a impressão que foi um preciosismo, algo para mostrar que é possível mudar o time sem trocar jogadores, algo para dizer que Buffarini joga bem em três posições.
  3. Lucas Fernandes em lugar de Cueva – Nitidamente, foi uma troca para homenagear Lucas que é um futuro grande jogador. Estava parado há nove meses por conta de operações no joelho e no ombro. Em casa, com o jogo definido, seria o momento exato para que ele entrasse e recebesse aplausos. Só que não estava decidido e Cueva, o melhor do elenco, saiu.

Enfim, são substituições que eu considerei erradas. Mas o time ganharia do mesmo jeito se Edson Silva ainda estivesse no São Paulo e não no Mirassol. Ou se Lugano estivesse em campo. Maicon é bom, mas errou feio. Não pode tentar sair jogando daquela maneira, nem se acertar. Ainda mais errando. E ele já havia errado feio no primeiro tempo.

O São Paulo tem um estilo de jogo agressivo e o tem mantido em todos os jogos. Não é o caso de trocar, mas apenas de saber que nada é tao definitivo. Dar um chutão também pode ser importante. Seria o chutão da vitória. No segundo gol, nova falha da defesa, permitindo a chegada de Xuxa.

São erros que podem ser corrigidos. Com certeza serão. O conceito não pode ser mudado. Mas é preciso cuidado na hora decisiva. Outro ponto: não vejo Sidão como um grande goleiro. Nem com os pés e não com as mãos. Jogou bem, com as mãos, mas errou uma saída feia com os pés. Pode até ser titular, afinal Denis teve um ano para dar confiança ao time e não conseguiu. Mas dizer que Sidão merece a vaga porque é bom com os pés, é forçar muito. Bom é o Neuer e foi o Ceni.


Ceni vai aposentar Lugano
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menon

Um dos momentos mais marcantes da despedida de Rogério Ceni em 2015, foi quando ele passou a faixa de capitão para Diego Lugano. Dois ídolos recentes do clube e um sinal de que estava próximo o retorno do uruguaio ao clube. Agora, com Ceni como treinador, está decidido: todas as vezes que estiver em campo, Lugano sera capitão. E o outro lado da histórias: serão poucas vezes. O contrato de Lugano, que termina em junho, dificilmente será renovado. Ceni vai aposentar o amigo.

Ficou evidente na entrevista que deu ao querido amigo Marcelo Prado. “Lugano não vai atuar todas as partidas…Vamos tentar usufruir do que o Lugano pode oferecer que é sua experiência no vestiário, a sua experiência no dia a dia”…

Mas, jogar, vai?

Em outras entrevistas, Ceni enfatizou que:

1) Lugano é para jogar na sobra, no esquema com três zagueiros.

2) Ele tem optado por Breno. É mais versátil e pode adiantar um pouco, como volante, permitindo a mudança de esquema para apenas dois zagueiros.

3) Repetidas vezes ele falou que Vitor Tormena, que foi emprestado ao Novorizontino o agrada muito. “Poderia ter trazido (para a Florida Cup) o Tormena, o Kal, o Artur…Mas o Paulistão só permite 25 jogadores de linha e eu não posso trabalhar com 33 atletas. Eles não teriam o mesmo interesse. No meio do ano, tem Lugano vencendo contrato…

É claro, né? Lugano terá todo o respeito de Ceni. Foram campeões do mundo junto. Será o capitão, terá sua história respeitada, mas o segundo semestre terá outros personagens. Kal ou Tormena?

picadinhomenon

CHINA NÃO QUER? MANDA PRA CÁ  O Tianjin Quanjian conseguiu o acesso à principal divisão do futebol chinês. E resolveu se reforçar. Sonha com Diego Costa. E não quer mais Jadson. A rescisão foi feita e ele está no mercado. Interessa a gigantes como São Paulo e Corinthians, seus últimos clubes. Perceberam? A gente agora aceita o que a China não quer. Nossos times são formados por jogadores novos que brevemente irão para a Europa. E por outros que não conseguem lugar na Europa. E nem na China. A falta de dinheiro e a globalização mundial explicam. Mas a falta de gerenciamento também. Nossos dirigentes são fraquíssimos.

FELIPE MASSA ESTÁ DE VOLTA – Felipe Massa voltou à Fórmula-1. Defenderá a Williams. Massa perdeu um título mundial na última volta, por menos de um quilômetro. Não teve outras chances, decepcionou, mas é um piloto que construiu sua história. Assim como Rubens Barrichello, não foi campeão, não foi genial como Fittipaldi, Piquet ou Senna. Mas também não fez trapaça e nem foi expulso da Fórmula 1.

PAULO NOBRE, UM DITADOR – Paulo Nobre rompeu com Mauricio Galiotte, seu sucessor. Sucessor eleito com seu apoio. Galiotte se recusou a vetar a candidatura de Leila Pereira, dona da Crefisa, ao Conselho Deliberativo. Mas, é ele quem decide isso? Ele que decide se a candidatura é legal ou não? Nobre está irritado também porque Galiotte resolveu assinar novo contrato de patrocínio com a Crefisa. E se não assinasse, quem pagaria a grana toda que o clube recebe de seu maior patrocinado? Nobre? Nobre é ex. E ex precisa se mancar, sumir um pouco. O Palmeiras não é seu brinquedinho. Galiotte não é marionete.

 


Palmeiras é o time a ser batido em 2017. Vai ser difícil
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O que é mais difícil: agarrar um porco ou impedir o vôo de um periquito? Seja qual for o mascote escolhido, a missão será dura. O Palmeiras, que perdeu seu treinador e sua grande estrela é, ainda assim, o time a ser batido em 2017. O nível de investimento é maior. O nível qualitativo dos jogadores contratados também é maior.

A primeira lista, com Keno, Rafael Veiga e Hyoran não impressiona tanto. Mas não é diferente dos nomes que os rivais estão trazendo: Sidão, Jô, Kazim, Neílton…

A segunda lista, ainda não concretizada, é que mostra a diferença entre quem tem sonhos e quem tem dinheiro. A torcida do São Paulo faz juras de amor a Felipe Melo, o volante responde dizendo que adora o clube. Mas, como amor é uma coisa e dinheiro é outra, Felipe está com um pé (quase dois) no Palmeiras.

Outro exemplo: o Palmeiras não tinha um bom meia. Trouxe Cleiton Xavier, que não pegou no breu. Então, está trazendo o venezuelano Guerra, grande destaque do Nacional da Colômbia, campeão da Libertadores. E ainda há a possibilidade de Miguel Borja, letal goleador.

Haverá um período de adaptação no comando do time. Eduardo Batista é um treinador com conceitos diferentes de Cuca. Ele prefere o jogo mais cadenciado, com maior posse de bola. Mas os outros grandes terão problemas de adaptação também. Ceni deve utilizar a linha defensica com três jogadores, não necessariamente tres zagueiros. A ala direita pode ser de David Neres. Ele quer dois jogadores com bom passe para iniciar as jogadas de ataque. Podem ser Cueva e Cícero. Deslocará Buffarini para a esquerda. Ainda não tem um centroavante e vai perder João Schmidt. É muita mudança. Um possível time pode ter Sidão; Maicon, Rodrigo Caio e Lugano; Neres, Thiago Mendes, Cícero, Cueva e Buffarini; Gilberto e Nem. Algo assim, muito diferente do que se tem hoje. Muito trabalho para dar certo.

Carille também é novidade no Corinthians. Deve tentar retomar o que Tite fez. Difícil, ainda mais com jogadores como Potker e Jô, que estão chegando. É bastante adaptação. É muita incerteza.

O Santos mantem o ótimo Dorival Jr, que deve implantar a linha de cinco defensiva, com Renato ao lado de Cléber como um dos defensores centrais. Também demandará trabalho.

Todos se mexem. Dos quatro grandes, apenas um tem o mesmo treinador.

E todos correm atrás do Palmeiras, o atual campeão. Periquito ou porco, não interessa. Vai ser difícil…


Rogério pede enxugamento de elenco para usar a base
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Rogério Ceni vai trabalhar com Michael Beale, que fez carreira na base do Chelsea e do Liverpool. O novo treinador esteve acompanhando os treinamentos da base tricolor, em Cotia. Viu até a decisão do sub-17. Mas não haverá, no momento, a ascensão dos destaques dos juniores para compor o time profissional. “Gosto muito do Lucas Kal, do Tormena, do Foguete, Araruna e Artur. Mas como eu vou subir dois zagueiros se já temos sete no time de cima. Como vou subir dois volantes, se já temos tantos. Não quero trabalhar com elenco grande, com mais de 27. Então, vamos esperar a saída de alguns, um enxugamento para que a gente possa subir os garotos. Além disso, vamos ter dois ou três jogadores experientes para fazer uma boa mescla no elenco”;

A sala de imprensa do CT estava lotada. Ceni chegou usando camisa de treino, ao lado dos dirigentes do clube. Falou por um bom tempo, com uma prolixidade que até impediu que muitas perguntas fossem feitas. Citou Osório (“ele dizia que as vezes você toma decisões por dinheiro ou por glória e eu quero a glória), citou De Gaulle (“a ingratidão pode ser uma necessidade do trabalho”) e Slaven Bilic,  treinador do West Ham) (“às vezes, esperamos muito pela oportunidade perfeita e ela nunca chega”, para mostrar que veio ao São Paulo para exigir comprometimento e sonhar com a glória, mesmo não tendo feito todos os cursos que esperava na Inglaterra, que considera o suprassumo da organização e da eficiência.

Rogério veio para vencer.

cenitecnicoUm resumo da entrevista:

Papel do torcedor – Já pedi ao presidente Leco para que os preços dos ingressos para o anel superior sejam bem acessíveis. Queremos ter pelo menos esta parte do estádio lotada, com 40 mil torcedores.

Comprometimento – Sempre exigi muito de mim e vou pedir o mesmo aos jogadores. Vamos ajudar com nossa psicóloga, caso isto não esteja acontecendo, mas o certo é que haverá comprometimento de uma forma ou de outra;

Esquema tático – Posso usar a primeira linha com três zagueiros, o Sampaoli faz isso muito bem. Posso adaptar o time aos adversários, vamos ter mais de um sistema de jogo, mas o importante é ter um time agressivo, com marcação alta e sempre buscando vitória.

Treinamentos – Serão muito intensos, com os jogadores participando muito. Não serão longos, no máximo 70 minutos. Temos três campos e haverá sessões diferentes, a equipe pode ser dividida. O Michael Beale e o restante da comissão terá toda liberdade para trabalhar, pois são muito competentes. Não quero os louros para mim.

Uso da base – Gosto muito do Lucas Kal e do Tormena, mas já temos sete zagueiros aqui. Gosto do Artur e do Araruna, mas já temos muitos volantes. Eles terão oportunidade, mas antes vamos enxugar o elenco. Não quero trabalhar com elenco grande, com mais de 27 ou 28 jogadores

Goleiros – O Sidão veio para dar uma maior competitividade à posição. Conheço muito bem o potencial do Denis, trabalhamos juntos por um bom tempo e também confio no Renan. Vamos fazer um revezamento durante a Florida Cup