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Corinthianzzz e Palmeiras, mais eficientes. Santos e São Paulo, dispersos
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O Corinthians, de futebol burocrático e sonolento, é o mais eficiente do futebol paulista – falo dos grandes e deixo de lado o muito bem montado Mirassol – já decorridas quatro rodadas do Paulistão. O time de Carile fez três gols em quatro jogos. E conseguiu nove pontos. Cada gol vale três pontos. Vitórias por 1 a 0 contra São Bento, Novorizontino e Audax e uma derrota contra o Santo André.

Apenas como forma de comparação. O São Paulo fez doze gols e tem sete pontos. Precisa de 5, 14 gols para fazer um ponto.

O Palmeiras vinha na mesma toada da eficiência que mascara a ausência de bom futebol. Nas três primeiras rodadas, havia conseguido seis pontos, com dois gols marcados. Novamente, cada gol valia três pontos. Até que veio a goleada por 4 a 0 sobre o Linense, mostrando que o time já começou a crescer rumo ao seu grande potencial.

O que Corinthians e Palmeiras têm em comum diante de seus rivais, São Paulo e Santos, que mostram um futebol mais criativo? A espetacular eficiência defensiva. O Palmeiras sofreu um gol em quatro jogos. Apenas um. O Corinthians, dois. São equipes que estão justificando a tese de que um bom time começa a ser montado a partir de um sistema defensivo eficiente. Sistema defensivo eficiente permite que você faça um gol e vença o Audax. O São Paulo fez dois e perdeu.

Os dois gigantes se enfrentam na quarta-feira, em Itaquera. São líderes de seus grupos. Mesmo assim, o derrotado será saudado pelo estridente som de cornetas. Se houver empate, elas soarão também. Dos dois lados.

Santos e São Paulo são o outro lado da moeda do pragmatismo. Optaram pelo ataque e jogam em busca de gols. O que ocasiona muitos acertos a serem feitos. A próxima rodada já deve mostrar algo neste sentido.

O São Paulo é um case da falta de balanceamento. Tem o melhor ataque e a pior defesa. Se mantiver o estilo, fará um campeonato que sua torcida como aquele em que houve grandes jogos e não houve título. Rogério coloca o time para marcar alto, com a linha de quatro ou três no meio campo e o goleiro Sidão adiantado.

É um conceito. Não abre mãe dele, o que é correto. Mas os ajustes urgem. Os erros individuais de Maicon são assustadores. Contra o Mirassol, deu uma cabeçada para trás que quase matou o goleiro. Acredito que ele vá descansar contra o São Bento. Rogério já agiu rápido ao tirar Douglas, ao recuar Rodrigo Caio para a zaga e ao efetivar Tavares na esquerda, deixando de lado o fator Buffarini deslocado. O argentino já vai mal na sua, o que dirá todo torto na esquerda?

Dorival Jr. acenou com a possibilidade de atuar com apenas um zagueiro, recuando o volante Yuri, que já havia jogado assim nos tempos de Audax. Começou fazendo seis no Linense, mas já houve um recado claro com os dois gols sofridos. Sofrer dois gols em um jogo é terrível. Para vencer, você precisa fazer três. Fácil? Nem pensar. No segundo jogo, foi possível. Três a dois contra o Red Bull, com um gol que não deveria ter sido validado.

Com dois avisos, o Santos manteve o estilo e sufocou o São Paulo no primeiro tempo. No segundo, os buracos enormes apareceram. Levou três e não levou quatro porque Gilberto é Gilberto. Dorival mudou, escalou Cléber, a contratação mais importante do ano e…lambança. Expulsão. Uma derrota muito sentida porque o ataque, grande salvador, não funcionou.

Dorival precisa arrumar o time. Ceni precisa arrumar o time. Carile precisa arrumar o time, afinal ninguém garante que a fantástica eficiência vá funcionar sempre. E Eduardo Batista tem menos trabalho.

Entre os quatro, São Paulo e Palmeiras dão pinta de que podem crescer bastante. Estão longe do teto. O Santos pode crescer, mas a torcida não ajuda e Dorival é pressionado. E o Corinthians depende muito do que Jadson irá aportar em termos futebolísticos.

 


Palmeiras vence São Bernardo e a frescura
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Dudu foi o comandante da vitória verde contra o São Bernardo. Fez o primeiro gol e sofreu o pênalti que resultou no segundo. Foi um jogo de dois times bem montados e organizados. O São Bernardo defende bem e não rifa a bola. Sai da defesa tocando a bola, trocando passes. O Palmeiras sofreu apenas um gol em três jogos. Está bem na defesa, mas ainda erra na frente. Natural, quando se vê Guerra ainda desentrosado e quando não se ve Borja em campo.

Há alguns problemas técnicos. O maior, no momento, é Roger Guedes, que foi tão bem no ano passado. O time melhorou muito quando Michel Bastos o substituiu. Entrou com muita vontade, chutando forte, como é seu estilo. Enfim, é um time que vai crescer.

Ainda não é hora de show. É preciso calma.

E o Palmeiras crescerá com tranquilidade e em maior velocidade, cobrança exagerada. E se não houver frescura. Como fez Dudu. Qual o sentido em fazer um gol em momento duro, com jogo empatado e não comemorar? Sinceramente, é uma criancice sem tamanho. Coisa de garoto mimado, o que Dudu não é. Ou não deveria ser, por usar a cinta de capitão do time.

 

Novamente a torcida palmeirense teve dificuldades para chegar ao estádio e para fazer festa fora dele. Nas redes sociais, falava-se em uma decisão da diretoria. Frescura.

O futebol brasileiro tem tantas dificuldades – times sem dinheiro, europeus e chineses levando astros, campos ruins, árbitros sem qualidade, entidade dirigida por corruptos – e ainda esbarra em muita frescura, muita coisa de gente mimada, leite com pera…

Os jogadores do Santos, irritadíssimos com a comemoração de Cueva, com a mão em curva na orelha. A comemoração foi imortalizada por Juan Roman Riquelme. Foi feita por Cueva em todos os gols que fez pelo São Paulo, pelo menos nove. Mas é preciso jogar para a torcida. E la foi Leandro Donizete, comandando Thiago Maia e Yuri. Pressão no juiz, um banana. Amarelo para o jogador.

E o amarelo para Willian no jogo do Palmeiras contra o São Bernardo. Ele se enroscou no pé do zagueiro e caiu. Não foi penalti. E não foi simulação. Foi um choque, apenas isso. Mas levou o amarelo.

Quer outra frescura? Treinador colocando a mão na boca para falar com jogador que vai entrar em campo. Eduardo fez assim com Michel Bastos e Veiga. Será que o São Bernardo tem um especialista em casa, de frente para a televisão, para decifrar a instrução? Se tiver, o que faria? Ligação imediata para o treinador Vieira? É muita obsessão com segurança, é muita paranoia. Frescura.

Ceni fez o mesmo no jogo contra o Santos, na saída do primeiro tempo. Foi conversando com a mão na boca. Na boa, acho que fica até difícil para o jogador entender o que o treinador quer falar.

Tudo muito chato, não acham?


Eduardo Baptista não merece a cornetagem
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Desde o ano passado, todo jogador apresentado no Palmeiras – e são dezenas – chega ao clube falando em vencer o Mundial. Midia cornetatraining na veia. É proibido ter moderação. Se alguém chegar e dizer que é quase impossível vencer o campeão europeu é capaz de ser tratado como traidor.

A estratégia presidencial – de onde mais viria? – atingiu Eduardo Baptista. Não que ele tenha sido obrigado, mas entrou na onda. Chegou falando em obrigação de ganhar títulos. Palavras que soam como anjos cantando Bach para uma torcida orgulhosa do seu clube – com toda a razão – e se deslumbra com a quantidade de dinheiro e de jogadores chegando.

Para que Willian, se Borja viria? Para que Hyoran? É para ter elenco capaz de ganhar tudo. A quádrupla ou quíntupla coroa. Então, começa o ano. Empate com Chape, com Ponte, vitória por 1 a 0 sobre o Botafogo e derrota contra o Ituano, também por 1 a 0.

Onde estão as goleadas? Onde está o time que vai ganhar tudo? A ansiedade toma conta das redes sociais e das discussões palmeirísticas. A culpa, evidentemente, passa a ser do treinador. É o mordomo da vez. A sombra de Cuca, como se fosse um grande eclipse, toma conta do clube.

Mas, Eduardo Baptista merece que as cornetas soem? Vejamos:

1) Cuca quis sair – Foi uma decisão dele e não do clube. Não houve injustiça, não houve demissão. Então, Eduardo não pode ser criticado porque Cuca não está mais.

2) Ideias diferentes – Eduardo tem ideias próprias sobre futebol. Ideias diferentes do abc de Cuca. Ele não gosta de marcação individual, prefere por zona. Não gosta de laterais que vão até o fundo, prefere que entrem em diagonal. Gosta de jogar com um volante fixo. Tem direito de ser fiel às suas ideias. Se fosse para pensar como Cuca, que ficasse o Cuquinha.

3) Moisés e Tche Tche – São dois jogadores que se tornaram pilares de Cuca. E Eduardo quer contar com eles, mas ainda não conseguiu. Moisés estava machucado e jogou Tche Tche. Moisés está voltando e Tche Tche se machucou. Esperemos que voltem para que Eduardo possa ser criticado.

4) Tempo para o time ideal – Acredito que Eduardo vá escalar Prass, quatro zagueiros, e Felipe Melo como volante. Depois, terá Tche Tche na direita e Dudu na esquerda com Moisés e Guerra no meio. Borja no ataque. Ainda não conseguiu que esta ideia se materializasse, por contusões e porque Guerra mal chegou e Borja ainda não estreou.

Eu não sou daqueles que defendem um ano de trabalho ao treinador antes que possa ser cobrado. Não sou contra demissão. Até acho que o Palmeiras decepcionou, mas Eduardo merece mais um tempo. Pelo menos até o quinto jogo, quando enfrentará o Corinthians. Até lá, já é possível cobrar um pouco mais do que agora. Por enquanto, é cornetagem exagerada.


Jair e Roger, os primeiros “estudiosos” na toca dos leões
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JAIR VENTURAO início de 2017 é marcado pela imensa expectativa em relação a alguns treinadores considerados “estudiosos”, em contraposição àquela bobagem dita por Renato Gaúcho (quem sabe, fica na praia, quem não sabe, estuda). Sobre eles, recai a esperança de uma renovação no futebol brasileiro.

Há uma grande boa vontade sobre eles, que, em alguns casos, estão iniciando a carreira.

São eles:

Jair Ventura – treinou o Botafogo durante um turno do Brasileiro.

Zé Ricardo – treinou o Flamengo por um turno e meio.

Rogério Ceni – dirigiu o São Paulo duas vezes.

Eduardo Batista – foi bem no Sport e na Ponte Preta. Foi mal no Fluminense.

Fábio Carille – Tem menos de 15 partidas pelo Corinthians

Antonio Carlos Zago – Foi mal no Palmeiras, estudou na Europa e foi bem no Juventude. Reinicia a carreira.

Roger Machado – Fez um bom brasileiro em 2015, mas o Grêmio, sob seu comando, desandou em 2016.

A boa vontade resistirá até quando? Por pouco tempo, garanto. Alguns maus resultados e a cobrança virá, exceção à Rogério Ceni, por sua relação mitológica com a torcida.

Os clubes, todos eles grandes, apostaram em treinadores jovens, mas a realidade é que poucos serão campeões. E time grande vive de títulos. Tomara que os perdedores façam também um bom trabalho e que a renovação se solidifique.

O Botafogo, de Jair Ventura, recebe o Colo Colo, time mais popular do Chile e que há dez anos não consegue superar a fase de grupo da Libertadores.

O Galo encara seu maior rival, o Cruzeiro de Mano Menezes, outro estudioso, mas com currículo enorme.

São os dois primeiros do batalhão da juventude, começando a enfrentar o moedor de carnes que é o futebol brasileiro.

 


Eduardo e Rogério: um muro que não separa ideias convergentes
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eduardomonica2Renato Russo embalou muita gente com a descrição do amor improvável entre Eduardo, do camelo, e Monica, da moto. Diferenças que englobavam Bandeira, Bauhaus, Van Gogh, Mutantes, Caetano, Rimbaud, novela e um avô que jogava futebol de botão. Um muro ideológico a separa-los. Um muro físico separa outro Eduardo, o Baptista, de Rogério, o Ceni.

Um muro a separar ideias semelhantes. Foi o que se viu na apresentação do novo treinador do Palmeiras e na segunda entrevista coletiva de Ceni, ao lado de Michael e Charles, seus auxiliares mais próximos. Com três horas de diferença falaram de visões parecidas e que apontam para um 2017 instigante

E o que os une?

VERSATILIDADE – Ambos trabalharão para ter equipes que possam mudar de esquema sem que necessariamente haja a troca de jogadores. Baptista chegou a mostrar um Dudu parecido com Elias, no 4-1-4-1. Um meia por dentro, capaz de chegar na área, mas também de recuar e marcar como volante. Ceni explicou a opção por Foguete e não por Auro por ver nele capacidade de jogar como lateral, de fazer o fundo em uma linha de três e ainda de ser um volante. Aí, há uma diferença brutal: Dudu é um jogador pronto e Foguete está começando agora. Não é uma coincidência, pois o elenco de Eduardo é mais caro e famoso, enquanto o de Ceni tem 14 dos 28 jogadores vindos da base.

TODOCAMPISTA E NAO MEIO-CAMPISTA – Eduardo foi explícito: “não gosto de falar em volante, para mim tem de ser jogador de meio campo. Tem de marcar e passar. Não adianta tirar a bola e não saber o que fazer com ela. Não adianta só passar e não saber marcar”. Ceni não falou, mas autorizou a saída de Hudson e está muito ansioso para que a diretoria consiga manter João Schmidt no elenco. Aqui, outra diferença: Ceni quer 28 jogadores e Baptista prefere 33.

OBSESSÃO – Rogério Ceni tem trabalhado 13 horas por dia com seus auxiliares para assimilar o melhor treinamento que será feio no dia seguinte. Eduardo Baptista, durante o último mês, viu 41 jogos do Palmeiras, 38 deles do Brasileiro e três do Paulista, quando o time estava mal. Os dois disseram que o treino não termina quando acaba e que o pensamento é sempre na bola.

BUSCA DO CONHECIMENTO – Eduardo Baptista terminou agora o curso da CBF, que lhe garante a licença A. Rogério Ceni abandonou os estudos na Inglaterra quando seu sonho de ser treinador do São Paulo – ele se ofereceu ou foi convidado? – se concretizou. São dois ex-jogadores (Rogério com história no futebol brasileiro e Eduardo restrito ao Juventus) que não se conformaram com os conhecimentos táticos dos tempos de boleiro.

Enfim, vai ser bacana o encontro entre ambos. Como Ceni reagirá quando Jean deixar a lateral para ser um volante? E quando Guerra,eduardomonica ao Palmeiras perder a bola, deixar de ser um terceiro homem de meio para ser um volante? E o que Baptista fará quando Breno e Rodrigo Caio abandonarem a linha de três para serem volantes? E quando Cícero deixar de ser volante para virar um meia ofensivo, com bom cabeceio? Alias, a transformação de Cícero em volante foi reivindicada por Eduardo Baptista em seus tempos de Fluminense? E David Neres será um ponta um ala? Qual dos dois obrigará o outro a ter uma posição reativa em campo, sufocado em seu campo? Quem sufocar o outro, terá de ter muito cuidado com contra-ataques puxados por Cueva, Guerra, Jean, Cícero, Roger Guedes, Neres, Dudu, Wellington Nem.

Vai ser bom, amigos. Não há muro que separe boas ideias.


Oswaldo, o penúltimo dinossauro, caiu. O que virá em 2017?
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dinosVanderlei Luxemburgo, Luis Felipe Scolari e Muricy Ramalho estão fora do mercado. Não começarão 2017 comandando um dos 12 clubes de maior tradição no Brasil. Juntos, eles venceram uma Copa do Mundo de seleções, 3 Libertadores, 12 Brasileiros e 5 Copas do Brasil. O primeiro desses títulos foi o Brasileiro de 1993, de Luxemburgo, com o Palmeiras. O último, foi a Copa do Brasil de 2012, de Scolari, também no Palmeiras. Abel Braga, de volta ao Flu, venceu um Mundial, uma Libertadores e um Brasileiro.

O “quinto dinossauro” foi demitido pelo Corinthians. Oswaldo de Oliveira sai após nove jogos e um aproveitamento de 37%, com duas vitórias, quatro empates e três derrotas. Algo não condizente com seu passado no futebol, com um título mundial e um brasileiro. Não está aqui o “título moral” de Oswaldo na Copa João Havelange, quando foi demitido por Eurico Miranda nas vésperas da decisão.

Depois destes cinco “dinossauros”, houve uma geração intermediária ainda na ativa.  Tite, com seu título mundial interclubes, uma Libertadores, dois Brasileiros e uma Copa do Brasil está na Seleção Brasileira. Mano Menezes, que também dirigiu a Seleção, tem uma Copa do Brasil e está no Cruzeiro. Renato Gaúcho, com duas Copas do Brasil, está no Grêmio.

Entre o sucesso de Tite, o ocaso dos três gigantes, a demissão de Oswaldo, a volta de Abel e a curiosidade sobre como Renato Gaúcho trabalhará a longo prazo, os 12 grandes estão cheios de novidades. A renovação é gritante e pode ser exemplificada com alguns dados curiosos.

Eduardo Batista é filho de Nelsinho Batista, o primeiro rival de Luxemburgo, lá em 1990, na disputa entre Braga e Novorizontino.

Dorival Jr foi auxiliar de Muricy.

Antônio Carlos Zago foi dirigido por Scolari e Luxemburgo.

Rogério Ceni foi capitão de Muricy e assume um clube pela primeira vez.

Zé Ricardo e Jair Ventura têm menos de 40 anos.

Roger Machado foi dirigido por Scolari.

O perfil dos novos treinadores aponta para pessoas menos empíricas e mais antenadas com o futebol que se pratica hoje. Zé Ricardo e Jair Ventura nem podem ser “boleiros”, afinal não são ex-jogadores. Dorival Jr e Mano Menezes fizeram uma “reciclagem” na Europa. Dorival visitou grandes clubes e Mano fez cursos em Portugal.

Antônio Carlos Zago fez todos os cursos da Uefa e foi auxiliar na Roma. Rogério Ceni fez cursos menores e trouxe o inglês Michael Beale, com grande experiência em clubes ingleses. Eduardo Batista e Roger Machado, que foram muito bem no início da carreira, terão a chance de recomeçar em um time grande, após o mau momento no Fluminense e na fase final do Grêmio. Cristóvão tem uma nova chance, após não conseguir montar defesas seguras por onde passou.

O ano de 2017 começará com muita expectativa sobre o trabalho dos novos treinadores. E com a esperança que algo de novo se materialize no Brasil. Porque, por enquanto, toda a modernidade que se instala aqui é uma imitação do que já se implantou na Europa. Nem se pensa no “pulo do gato”, na possibilidade de que uma grande novidade apareça por aqui. Se conseguirem chegar mais perto do que se faz por lá, com um “delay” menor já será um grande feito.

E sonhar com um grande clube jogando de forma diferente dos outros. Chega de 4-2-3-1, a novidade da Copa de 2006.


Ceni como técnico do São Paulo seria ótimo. Para ambos
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cenitreinadorAntes do texto, uma premissa: Ricardo Gomes está engrenando agora, apesar de haver cometido erros. Se o São Paulo o mantiver no comando, estará apostando no desenvolvimento de um trabalho. Não vejo como um erro.

Eu defendi aqui que Rogério Ceni não deveria começar sua carreira de treinador na base do São Paulo. No momento, graças à excelência do trabalho realizado por André Jardine, seria sua definição como substituto do atual comandante (Jardine é mais que um treinador) seria bom apenas para Ceni. Não para o São Paulo. Também é difícil que seja auxiliar de Ricardo Gomes. Seu nome seria gritado nas arquibancadas ao primeiro mau resultado. Fora, Ricardo, Viva Ceni. Puta que pariu, é o melhor técnico do Brasil. Uma situação horrível para Gomes e para Ceni.

Incoerência, então, dizer que ele tem condições para assumir o time profissional. Incoerência, sim. Evidente incoerência, mas há argumentos que possam justificá-la.

1) O mau momento do time – Na verdade, falar em momento é uma fidalguia. O momento do São Paulo se inicia em 2009. Está mais próximo de uma década do que de um lustro. E vai piorando. Em 2010, Ricardo Gomes foi demitido porque o time caiu na Libertadores contra o Inter, na semifinal, por conta do valor diferenciado do gol fora de casa. O que foi causa de demissão, hoje seria caso de estátua. Ou de orgulho. Desde então, em 2013 e 2016, o clube namorou com o rebaixamento. Houve trocas incessantes de treinadores.  Não é chegada a hora de um fato novo? E qual fato novo mais impactante do que Ceni?

2) Final de ano – Se assumisse o São Paulo, Ceni encontraria um time que teve um ano horrível, tanto com Bauza como Ricardo Gomes. O argentino levou o time à semi da Libertadores, mas futebol que é bom, eu não vi. No frigir dos ovos, o rendimento anual beira 50%, o que é ridículo para o São Paulo. Então, a cobrança sobre Ceni seria apenas – e é gigantesca – aquela relacionada com a história do gigante. Não com o momento. Início de ano, time ruim, vindo de um ano péssimo. Hora de reconstrução. Ninguém poderá cobrar de Ceni um futebol que não se vê há tempos. Haveria, pelo menos, um semestre de boa vontade com o grande ídolo.

3) Dívida com Ceni – Um clube é maior do que seus ídolos. De todos os seus ídolos reunidos. A entidade é a depositária do amor e não o jogador. Mesmo assim, sendo tão maior do que Ceni, o São Paulo deve a ele. Por tudo o que ele fez, por tudo o que ele representa, o São Paulo deve a ele a oportunidade de uma nova carreira dentro do clube. Como treinador, como administrador, de alguma forma. Ceni não poderá nunca dirigir Palmeiras ou Corinthians, onde é odiado com a mesma intensidade com que é amado pela grande maioria da torcida tricolor. O desejo de Ceni não é uma ordem, mas é um desejo de Ceni, o maior jogador da história do clube. Embora, a meu ver, nem seja o maior goleiro da história do clube.

4) Ausência de opções – Um novo treinador estrangeiro? Jovens ascendentes como Guto Ferreira, Milton Mendes ou Eduardo Batista? Veteranos como Abel Braga ou Luxemburgo? Respeito a todos, mas não vejo nenhum como um nome natural, como alguém que não traga dúvidas, uma certeza de resultado imediato.

5) Capacidade de Ceni – O passado de Ceni o condena a ser um ótimo treinador. Sempre foi um jogador obcecado pelo sucesso. Ao contrário dos gênios, não deve o sucesso a um dom. O trabalho vem antes. Sempre foi um capitão presente, sempre participou de decisões. Mas não vive do potencial. Tem estudado para ser treinador. Foi à Europa fazer cursos. Não será um treinador “boleirão”. Mesmo porque não foi um jogador “boleirão”. Está pronto como técnico? Lógico que não. Ninguém está, muito menos ele ainda que nem estreou na profissão. Mas está pronto para começar a carreira. E, sendo quem é, por que não pensar que será uma carreira de sucesso? Será uma aposta sem riscos para o São Paulo.

 


Timão recusado é revolução. A besteira de Del Bosque. Picadinho do Menon
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Quatro mosqueteiros recusaram o convite para dirigir o Corinthians. Algo impensável. Algo que pode ser indicativo de uma mosqueteirorevolução no futebol brasileiro. A mudança já começou no perfil procurado pelo campeão brasileiro. Nada de medalhões. Quando um treinador cai, sempre aparecem nomes e nomes. E nem assim, alguém cogitou Vanderlei Luxemburgo. Não se falou em Murici Ramalho. Houve algum rumor sobre Osvaldo e Abel Braga, mas parou por aí.

O Corinthians tentou ousar. O primeiro nome buscado – ainda que não oficialmente – foi o de Roger, que, mesmo sem títulos e acumulando eliminações, tem feito um trabalho muito elogiado no Grêmio.

E os outros nomes?

Silvinho, criado no clube, auxiliar de Tite e de Mano e atualmente na Internazionale, também como auxiliar. Nome novo, sem vícios, uma aposta no futuro.

Não quis. Preferiu acabar o curso de treinador da Uefa. Apostou no conhecimento e não na aventura – aventura não é, necessariamente, algo ruim – de dirigir o Corinthians.

Fernando Diniz – apontado como a grande novidade no futebol paulista nos últimos anos. Treinador arrojado, que aposta em conceitos táticos e técnicos modernos e que nunca dirigiu um grande.

Não quis. Preferiu levar o Oeste ao título da Série B.

Eduardo Batista – já trabalhou no Corinthians como auxiliar do pai, Nelsinho Batista, fez bom trabalho no Sport e fracassou no Fluminense.

Não quis. Jurou lealdade à Ponte, que o contratou após demitir Gallo, que fazia ótimo trabalho. Algo semelhante com o que ocorreu com o pai, contratado após a demissão de Estevam Soares, que também fazia bom trabalho na Ponte.

Então, o que temos?

Um clube gigante, atual campeão brasileiro, apostando em novidades. Buscando treinadores em início de carreira, correndo de medalhões e de vícios.

E, ao mesmo tempo, essas novidades todas recusando a honra de dirigir o Corinthians em nome da manutenção de um contrato já assinado e, no caso de Silvinho, no conhecimento acadêmico.

Se novidades assim deixarem de ser novidades, teremos uma revolução no futebol brasileiro.

picadinho

1) IGNORÂNCIA DE VICENTE DEL BOSQUE – O treinador da Espanha afirmou que não conhece Tite, o novo treinador do Brasil. É uma ignorância atroz. Tite foi campeão do mundo derrotando o Chelsea, campeão europeu. Del Bosque não acompanhou o Mundial de 2012? Caso não tenha visto, não foi ver depois, não foi atrás da novidade? Ou da zebra, que seja! Del Bosque é um treinador acima de dúvidas. Ganhou um Mundial e duas Eurocopas. Mas, se conhecesse o trabalho de Tite, não levaria 5 da Holanda no Mundial-14.

isinbaieva2) A IAAF ANUNCIOU A SUSPENSÃO DO atletismo da Rússia na Olimpíada do Brasil. Uma suspensão muito dura contra uma federação que apoiou – ou pelo menos, nada fez contra – um doping sistemático. Não é um caso isolado ou outro. À primeira vista, parece justo, mas…e os atletas que nada fizeram? Que estão limpos? Em nome da dureza e da moralidade, vai se punir os limpos? Pode ser um tiro pela culatra. Em vez de os sujos resolverem ficar limpos, talvez os limpos comecem a recorrer ao doping. Afinal, não são todos iguais. A punição para todos me parece mais um murro na mesa, mais um desabafo do que algo prático e que dê resultados. Yelena Isinbayeva, grande nome do salto com vara, denunciou o caso como violação dos direitos humanos e prometeu recorrer em todas as instâncias. Talvez possa competir com uma bandeira neutra. Isinbayeva é muito ligada a Putin e não é muito ligada a direitos humanos, não. Ela se recusou a aceitar punições aos russos por comportamentos homofóbicos na Olimpíada de Inverno de Sochi.

3) MICHAL BRADLEY, CAPITÃO DOS EUA, usou uma braçadeira com as cores do arco íris durante a partida contra o Equador, na Copa América. Era uma homenagem, lembrança, protesto, não sei, em relação ao atentado homofóbico que matou dezenas de pessoas em uma boite gay em Orlando. Uma atitude linda e comprometida que deveria deixar mais envergonhado ainda os que gritam biiiiiiiicha quando o goleiro adversário vai bater um tiro de meta.

4) EUROCOPA É TRISTE PARA OS VIRA-LATAS – Briga entre hooligans, sinalizadores jogados dentro do campo, buscando acertar jogadores, jornalista brasileira Sonia Blota sendo agredida, torcedores jogando pedras para crianças refugiadas brincarem de futebol….A Eurocopa está perdendo de goleada, em termos de organização, para a Copa do Brasil. É triste ver que não só aqui as mazelas humanas afloram. Bem, para mim não é novidade…

 


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