Blog do Menon

Arquivo : marcos

Ceni não merece tanto ódio
Comentários Comente

menon

Rogério Ceni, como todo profissional do futebol, merece uma análise isenta sobre seu trabalho. Dos jornalistas, dos torcedores e dele mesmo. E não é,  principalmente pelos torcedores, o que ocorre. Idolatria e ódio estão presentes no dedo que aponta para Ceni. Um pouco de frieza faria muito bem.

Comecemos pelo próprio ator principal da tragédia/comédia. Como disse muito bem o Mauro Cezar Pereira, como a transição dele de goleiro para treinador foi muito rápida, Rogério ainda pensa com a cabeça de um especialista. Como goleiro, foi grande. Como técnico, tem muito a aprender. E ele, como eu disse AQUI precisa sair da bolha que criou, deixar de achar que é dono absoluto da verdade.

O trabalho de Ceni começou de forma muito promissora. Um time ofensivo, fazendo muitos gols, com marcação no campo adversário, com triangulações pelos lados, com disposição física para tomar a bola no lado rival e com muita posse de bola. Depois da derrota para o Palmeiras, começou a buscar um equilíbrio que nunca veio. Perdeu a magia ofensiva, diminuiu o número de gols feitos e marcados e passou a ser um time comum. E a derrocada veio com três eliminações em três semanas.

Reagiu muito mal. Não viu erros no São Paulo e nem acerto nos rivais. Arrogância ou falta de entendimento do que estava acontecendo?

O momento é ruim, mas é hora de observação. O que será feito nas próximas rodadas, dez talvez, definirá o futuro do São Paulo na competição. Vamos esperar para ver se ele reage. O que não pode é determinar já que Rogério Ceni não deu certo, que o São Paulo vai cair etc.

Esse tipo de análise apocalíptica vem de duas vertentes.

Os são-paulinos, que viam nele o Salvador. Como não foi, ou ainda não foi, passou a ser considerado por muitos o Anticristo. Tudo está errado. Tudo?

Os torcedores rivais.

Os corintianos, por não aceitarem o centésimo gol. Tem gente séria que fica contando quantos gols o Timão fez no Ceni, como uma forma de compensação. Não deu como goleiro, começaram a somar os gols sofridos como técnico. Talvez contem quando ele for, talvez, dirigente como Raí.

Os palmeirenses, por conta de uma rivalidade com Marcos. Rivalidade que nunca chegou aos dois grandes goleiros. Marcos foi muito melhor na seleção, sendo o melhor goleiro da Copa de 2002. Jogou mais que Kahn. Ceni foi muito melhor no Mundial de Clubes, quando salvou o time em 2005. Marcos falhou feio em 1999.

O ódio a Ceni é tão grande que muita gente tenta desqualifica-lo como goleiro. Dizem que só sabia bater faltas. Nem dá para discutir uma coisa assim. Ele é acusado pela saída de Lúcio, que nem deveria ter vindo. Pela saída de Ricardinho, o que é mentira. Ricardinho me disse que a culpa de sua saída foi de Simplício e de Gustavo Nery.

Tudo em Ceni provoca paixões exacerbadas. O próprio fato de ter coragem de se preparar e encarar a barra de ser treinador no clube que defendeu a vida toda. Lembram de Zico, que nunca quis assumir o Flamengo. Ora, coragem passou a ser defeito?

Por tudo o que fez no futebol, Ceni merece uma análise isenta e realista. Aliás, mesmo se não tivesse feito nada, mereceria também. Todo mundo merece.

 

Tags : ceni marcos


Gabriel Jesus, o predestinado. Personagem da Semana
Comentários Comente

menon

O primeiro nome é o do anjo que comunicou à Maria que ela teria um filho, mesmo sendo virgem. O segundo nome é o do filho da Virgem. E o garoto usa a camisa 12, que pertencia ao Santo. Para jogar em um clube que reverencia até hoje e até sempre o Divino Ademir

Há algo de místico em Gabriel Jesus. A anunciação. Ele é o craque feito em casa que todo palmeirense anseia. Algo que o clube não tem desde Vagner Love.

gabrieljesusE Vagner Love não cumpriu o que se esperava dele. Jogou bem, foi importante, mas voou para outras plagas. E, entre seus voos, pousou na casa do Inimigo. Deixou de ser amado

Gabriel é diferente. Não é midiático, não é bad boy, não é (pelo menos externamente) um sátiro, não é do samba. É o bom menino que todos gostariam de adotar.

É humilde, aceita o banco, não cria problemas. Tem sólida estrutura familiar.

Os militantes políticos, quando descrentes do governo que elegeram, costumam dizer, comparando com as outras opções: “é um governo ruim, mas é o meu governo”.

Gabriel não é ruim. Muito pelo contrário. É o predestinado. É aquele por quem o palmeirense esperou sofregamente.

E aí é que está o problema, o paradoxo. Como foi esperado e como é amado e protegido, a torcida deseja que ele tenha um rendimento de alto nível e uniforme. Tem de jogar bem sempre.

É como se algum apóstolo dissesse a Jesus: “essa água vai virar vinho logo ou vai demorar ainda, Mestre?”

Então, na quarta-feira, Gabriel faz um gol maravilhoso. E é aclamado. No domingo, faz uma falta precipitada que resulta em gol da Ferroviária. E o Anjo vira um jogadorzinho comum.

Gabriel tem 18. Ainda deve sonhar com a garota capa da Playboy. Seu ritmo precisa ser respeitado. E o primeiro princípio é acreditar na verdade: ele nunca será Neymar, mesmo com a média neymaristica de gols feitos na base.

Com um pouco de paciência, com mais força física, talvez jogando mais em diagonal, Gabriel Jesus será lembrado como um dos melhores da base, como Junqueira, Catani e Fiume.

E será transformado em um argumento contra a história pratica do gigante Palmeiras de buscar seus craques em outros campos e nunca no campinho da base: Jair da Rosa Pinto, Djalma Santos, Leivinha, Julinho, Leão, Evair, César Sampaio, Dudu e Ademir.

Esse texto foi construído com a ajuda de Mauro Beting, Leandro Beguoci, Danilo Vara, Felipe Giocondo, Diego Iwata Lima, Fernando Cesarotti e Conrado Cacace.

 


< Anterior | Voltar à página inicial | Próximo>