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Messi caminha para os mil gols. Será?
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Sergio Levinsky é um grande jornalista argentino, residente há muitos anos na Espanha. De lá, viaja para toda Europa. Está presente em todas grandes competições internacionais. Todas. E acompanha de perto a carreira de Lionel Messi. Ele apresentou dados que comprovam a proximidade do milésimo gol de Messi. As informações foram buscadas em publicações dos clubes que ele defendeu.

Messi tem, segundo Levinsky, 967 gols assinalados em 1059 jogos, o que dá a média estupenda de nove gols em cada dez jogos. O milésimo pode vir ainda este ano.

Um olhar mais aprofundado, porém, coloca em dúvida até a possibilidade de se chegar, um dia, ao milésimo gol. As dúvidas:

1- Messi jogou no Newels Old Boys, de Rosário até os 12 anos de idade. Como confiar em uma marcação correta de gols e jogos feitos? E, mesmo se estiver correto, vale a penas somar gols de uma criança no início do sonho da vida em uma contagem de gols de um atleta profissional? Se for assim, TODOS os jogadores do mundo receberão um grande bônus em suas contagens. O empresário Wagner Ribeiro, em 2008, forçava a escalação de Lulinha, sob o argumento de que ele teria mais de 200 gols na base.

2 -Partidas festivas não são jogos oficiais. São encontros do tipo Amigos de Messi x Amigos de Iniesta, com número ilimitado de substituições. Uma brincadeira, não é um jogo oficial.

3 – Os gols marcados na base do Barcelona ou nas seleções menores da Argentina constituem uma anotação muito mais confiável do que os feitos no NOB, mas, mesmo assim, devem ser considerados como parte de uma carreira profissional?

A favor de Messi, é preciso dizer que há inconsistências também na relação de mil gols de Pelé, Romário e de Túlio. Na de Pelé, estão gols marcados pela seleção do exército em jogos militares. Romário conta 77 gols pela base do Vasco e 21 em jogos comemorativos. A contagem de Túlio tem remete a dúvidas ainda maiores. Ele diz ter feito 40 gols pelo Upjest, mas o clube húngaro confirma apenas cinco. Ele conta 24 pelo Jorge Wilstermann, que aponta nove.

O número mais confiável de gols de Messi é 588 em 738 jogos, o que dá uma média de oito gols em cada dez jogos. Além disso, tem 277 assistências em 689 jogos pelo Barcelona e pela seleção principal da Argentina.

Um gênio. Um nome para a História. Independentemente de fazer ou não mil gols.

 


Messi e Dybala na Copa. Ou você quer Caicedo?
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Os dois belos gols de Paulo Bruno Exequiel Dybala contra o Barcelona, aumentam minha torcida pela classificação da Argentina para o Mundial. Eu gosto de jogador bom. A Argentina tem o maior de todos e tem a consolidação de uma grande promessa. Como Philippe Coutinho, que está atingindo a maturidade, Dybala segue o mesmo caminho. Em seu site oficial, ele diz que “dizem que tenho cara de menino e olhar assassino. Talvez porque meus olhos estão olhando meus sonhos, os que já conquistei e os outros que quero continuar conquistando”

Revelado pelo Instituto, na segunda divisão, foi visto pelo Palermo e não por clubes brasileiros, sempre prontos a tecer loas aos seus departamentos de desempenho. Dybala ninguém viu. Do Palermo, foi para a Juve e está pronto para desembarcar na milionária liga espanhola. No Mundo Deportivo, jornal da Catalunha, os colunistas praticamente exigem a sua contratação. Dizem que, antes de ira a Juve, ele poderia ter sido contratado por “apenas ” 30 milhões de euros. E que agora a contratação precisa ser feita, custe o que custar.

Um ataque com Messi, com Dybala, com Di Maria, com Aguero…Correia é jovem em ascensão. Higuain, não gosto. São muitas possibilidades. É preciso um treinador que busque a melhor opção, a grande combinação. Messi não pode ser o único. Nas Eliminatórias, ele disputou 6 jogos e a Argentina conseguiu 15 pontos, com 83%. Sem ele, foram sete pontos em oito jogos, 29%.

A Argentina tem recorrido a treinadores pragmáticos, com os pés no chão, sem sonhos de vôos altos. Com Sabella, ao menos, chegou à final da Copa, mas com Messi resolvendo jogo a jogo. Não houve brilho. Depois, Tata Martino e agora Patón. Treinadores que me parecem muito abaixo do que o desafio e a honra que é dirigir a bicampeã mundial. Basta ver que Dybala tem apenas seis jogos.

A seleção que era de Tata Martino, que foi de Paton Bauza e que por enquanto não é de ninguém está em quinto lugar, com 22 pontos, posição que a obrigaria a disputar a repescagem. O Equador é o sexto, com 20 pontos. Faltam quatro jogos e os dois se enfrentarão no encerramento das Eliminatórias, em Quito. Antes, a Argentina visita Uruguai e recebe Peru e Venezuela. O Equador visita o Brasil e o Chile e recebe o Peru.

A classificação é provável. Estarei na torcida. Prefiro a Copa com Messi do que com Caicedo.

BARÇA SEM EQUILÍBRIO  –  Os memes da internet foram crueis com a derrota do Barcelona. Um deles, falava do desequilíbrio da equipe, forte no ataque e fraca na defesa. Havia muitos criticando Piqué. Segundo eles, melhor para dar entrevista do que para jogar. O Mundo Deportivo foi duro com o 3-4-3 de Luis Enrique: “seu esquema surpreendeu mais seus jogadores que os jogadores da Juventus”. Viram também Messi parado na direita, devidamente encaixotado pela marcação italiana. A verdade é que novamente o Barcelona se vê diante de uma tarefa duríssima. Contra o  PSG, precisava fazer quatro gols para empatar a parada. Agora, se fizer quatro, está classificado. Parece mais fácil, mas não é simples assim. A Juve tem um sistema defensivo muito mais forte que o PSG, dos nossos Marquinhos e Thiago Silva. E não se sabe se o juiz estará em boa forma, como esteve no 6 a 1. Tudo indica que Luis Enrique terá uma saída inglória do Barcelona.

ERRO FEIO DO CORINTHIANS – Carille poupou Jô e Jadson do jogo contra o Inter. Estão cansados? Por que jogaram contra o Botafogo? Não há dúvidas sobre onde seriam mais necessários.

PALMEIRAS ENFRENTA UMA LENDA – Só isso. O Peñarol continua grande, continua com uma história linda, mas é um time sem estrelas, um time dentro do que pode permitir o pobre (financeiramente falando) futebol uruguaio. Perdeu por 6 a 2 para o Jorge Wilstermann. Palmeiras tem bola para ganhar fácil

 


Só demagogia explica o voto de Tite em Neymar
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demagogiaTite é um ótimo treinador. Um dos melhores do mundo, apesar de vê-lo refém sempre do mesmo esquema. Para mim, é o segundo melhor do Brasil. Prefiro Cuca, dono de um estilo mais agressivo e mais surpreendente.

Mas não interessa se é o melhor, como a grande maioria considera, ou o segundo, como eu acho. O ponto aqui é que Tite entende muito de futebol. Muito. Muito mais do que eu, por exemplo.

Então, como entender que Tite coloque Neymar como o segundo melhor jogador do mundo em 2016? Na frente do francês Griezmann e atrás apenas de Cristiano Ronaldo.

Lionel Messi não entra na lista de Tite. Messi não entra e Neymar não entra. Mas, quem foi melhor no Barcelona, time de ambos? Ora, a imprensa espanhola está preocupada com o mau rendimento de Neymar, os torcedores do Barça sentem falta de seu futebol alegre e Tite simplesmente o considera o melhor do time?

E Iniesta, o arquiteto?
E Luiz Suárez, o matador impiedoso?

Não dá para entender o voto de Tite. Ele tem muito de demagogia. É uma tentativa de levantar o ânimo de seu campeão. Só pode ser esta a explicação. Pode ser bom para o Brasil. Pode ser. Mas que é demagogia, é.

Se Tite votou em Neymar como o segundo melhor do ano, o brasileiro teve nove votos como o melhor do ano. Em 2015, foram 15 votos.

Os eleitores de Neymar como melhor do mundo foram:

JOGADORES – Pierre-Emerick Aubameyang (Gabão), Ramin Ott (Samoa Americana) e Paulo Cheang Cheng Ieong (Macau)

TREINADORES – Artur Petrosyan (Armênia), Andrew Bescome (Bermudas), Abrahan Grant (Gana) e Hervé Renard (Marrocos)

JORNALISTAS – Randy Smith (Bahamas), Faizool Deo (Ilhas Turcas e Caicos).

Apenas Aubameyang é conhecido. Artilheiro no Borussia Dortmund. E, dos nove votos, apenas um veio de país = Marrocos – que já participou de um Mundial.

 

picadinhomenonCHAPECOENSE VIVA – Evidentemente, a torcida de Capivari apoiou a Chapecoense contra o São Paulo. Há uma rivalidade entre os dois times que decidiram o Paulista sub-20. Também é bom lembrar que a Chape fez um primeiro tempo muito chato, com muitas faltas, totalmente retrancada. Mas nada disso tem muita importância quando se ouviu o grito da torcida apoiando os catarinenses que se tornaram xodó mundial, após a tragédia. Seja por antipatia ao São Paulo, seja por amor, a Chape está viva. E classificada.

ROSEMBERG E A VELHA TECLA – Luis Paulo Rosenberg fez um lobby para voltar ao Corinthians, mas o presidente Roberto Andrade não aceitou. Não quer ter a seu lado alguém que estará lá para articular o golpe por dentro da instituição. Rosenberg, ao dar entrevista e tentar a volta, utilizou novamente a tática de se contrapor ao São Paulo. Falou em naufrágio, uma análise que cabe muito bem ao próprio Corinthians. Aliás, se Roberto Andrade fosse se basear no fiasco da passagem de Rosenberg pela Portuguesa é que não lhe daria outra chance. Rosenberg prometeu que levaria a Lusa à Libertadores em 2020. Não fez nada, nada e saiu. Um boquirroto.

DANIEL NERI E O SPORT – O Sport eliminou o Palmeiras na Copinha. Não é uma surpresa. O time pernambucano chegou à semifinal da Copa do Brasil do ano passado. É um time muito bem treinado pelo português Daniel Neri, de 37 anos. Ele trabalhou por três anos no Porto de Caruaru e chegou ao Sport em 2015. Os jogadores estão sempre bem postados em campo, quem está com a bola tem opções de passe e o time mostrou muita tranquilidade nos contra-ataques na segunda metade do segundo tempo.

VAMPETA – O presidente do Audax está certo em colocar um preço alto para o jogo de estreia do Paulista, quando enfrentará o São Paulo de Rogério Ceni. É um momento único, a estreia, no Brasil, do ex-goleiro como treinador. Há uma expectativa muito grande da torcida e Vampeta resolveu faturar. Se vender 10 mil ingressos – a metade da lotação – faturará 1 milhão bruto. Dinheiro tricolor. A torcida do São Paulo promete um boicote. O ódio a Vampeta será maior que a ansiedade por Ceni?

 


Sonho de Neymar volta duas casinhas
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Neymar tem o sonho totalmente exequível de ser o melhor jogador do mundo. Bem, para Wagner Ribeiro, ele já é. Está no topo da lista que tem Gabigol, Lucas Lima e Mateus Manso, o garoto de 12 anos que ele já começa a citar como uma mistura de Messi, Cristiano, Di Stefano, Maradona, Garrincha etc etc. O mesmo que fez com Lulinha e Thiago Luiz, exageros à parte.

Mas a vida é mais difícil que os sonhos megalomaníacos de Wagner Ribeiro. Independentemente disso, Neymar pode ser o melhor do mundo. Mesmo com o “tropeço” de 2016, que o fez voltar duas casas na pretensão.

Em 2015, o prêmio de melhor do mundo era dado em conjunto pela revista France Footbrás all e pela Fifa. Neymar ficou em terceiro lugar, atrás de Cristiano Ronaldo e de Messi. Em 2016, a revista e a Fifa decidiram fazer escolhas separadas. A France Football já anunciou seus vencedores: Cristiano Ronaldo, Messi, Griezmann, Suárez e Neymar. E a Fifa, que anunciará os vencedores em janeiro, apontou os três finalistas: Cristiano Ronaldo, Messi e Griezmann. Neymar está fora.

Uma outra eleição que me agrada muito é a do Guardian, jornal inglês. Eles acionam 124 juizes (jornalistas e ex-jogadores) de 45 países do mundo. Cada um deles monta uma lista com 40 nomes. O primeiro colocado ganha 40 pontos, o segundo, 39 e assim por diante. Em 2015, a lista tinha Messi, Cristiano Ronaldo, Neymar, Suárez e Lewandowski. Em 2016, os cinco primeiros são: Cristiano Ronaldo, Messi, Suárez, Griezmann e Neymar.

No ano passado, Neymar havia se posicionado como um dos três melhores, atrás dos gigantes Ronaldo e Messi. Em 2016, ele perdeu posições para o francês Griezmann e o uruguaio Suárez. Ou seja, Neymar, que era o terceiro do mundo, passou a ser o quinto. Terceiro da América do Sul. E o terceiro do Barcelona.

Ser o terceiro do Barcelona é o mais preocupante para que seu sonho se realiza. Sempre considerei que estar no Barcelona seria um impulso muito grande em sua carreira, mas também seria uma trava muito grande. Chegar à Europa e jogar ao lado do melhor Messi de todos os tempos, só pode ser bom. Levou Neymar às alturas, mas….todo Messi tem dois lados. Ele te ajuda a ser ótimo, mas…como ultrapassar Messi estando ao seu lado? O mesmo vale para Cristiano Ronaldo. Messi nunca aceitaria jogar junto com Ronaldo. E Ronaldo nunca aceitaria jogar junto com Messi. Eles disputariam protagonismo. Imagina, então, um jogador jovem, vindo da América do Sul. Estaria destinado a ser coadjuvante. Foi o que restou a Neymar: ser o melhor coadjuvante possível para Messi. Algo de que foi afastado em 2016, com os gols de Suárez, o letal charrua.

Para ser o melhor do mundo, Neymar precisa superar Cristiano Ronaldo e Messi. E como fazer isso, estando ao lado de Messi? E, se alguém vai superar Ronaldo será Messi e não Neymar.

Para conquistar seu sonho, Neymar teria que ser o melhor de um time. Mais que o melhor, muito mais. Precisa ser a referência, o condutor, o capitão. O dono do time. Quem não é dono do time, não é o melhor do mundo.

Imaginemos Neymar na Inglaterra ou na Alemanha, conduzindo United ou Bayern a todos os títulos possíveis. Aí, sim, o Brasil voltaria a ter o melhor jogador do mundo.


Coutinho e o time que faz o Brasil sonhar
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Houve um Coutinho – Antônio Wilson Honório – gordinho, profissional com 15 anos, o mais menino dos Meninos da Vila, o Rei coutinhoda Área, o parceiro de Pelé e que teve pouco sucesso na seleção brasileira.

Houve outro Coutinho – Cláudio Pêcego de Moraes Coutinho – capitão do Exército, um treinador de seu tempo, à frente do tempo brasileiro, com overlapings e quetais, terceiro colocado invicto no Mundial de 78.

E há agora, um terceiro Coutinho. Philippe, baixinho, encarador e que se firma como o segundo homem da seleção comandada pelo grande Neymar. Um Coutinho dirigido por um grande treinador, como foi aquele outro Coutinho. Um Coutinho, brancoe magrinho,  que parece ter um futuro enorme na seleção, maior que o primeiro, negro e redondinho.

O gol de Coutinho mudou o jogo. O jogo que começou difícil, complicado e que terminou com oléeeee, terminou com o brasileiro adquirindo todo o direito de sonhar com a volta de dias gloriosos.

Até então, aos 25 minutos, estava estático na direita. Mudou então de posição. E ajudou o Brasil a sair de um sufoco. A Argentina, ao contrário do que se esperava, veio tocando bola no campo do Brasil. O Brasil era reativo. Mas Coutinho deixou o lado esquerdo, foi para o meio, tabelou com Neymar e fez um golaço.

A Argentina sentiu muito. O Brasil passou a dominar, mas o jogo ainda era duro. Enzo Perez era um bom auxilio no meio campo. Tudo caminhava para o final, quando Jesus fez uma linda jogada e serviu Neymar, que definiu o jogo.

Coutinho. Jesus. Mas, epa, não tínhamos uma geração ruim? Não vivíamos à sombra de Neymar, um craque sem alguém com quem dialogar? Faltava mesmo é trabalho de um bom treinador.

Patón Bauza errou muito no intervalo. Tirou Perez e colocou Aguero. Abriu o jogo e foi para o tudo ou nada. Foi nada para ele. Foi tudo para Tite. O Brasil tinha muitos espaços para jogar. Cada contra-ataque era um gol iminente. Os argentinos passaram a bater, bater e bater.

O Brasil fez três. E poderia fazer seis.

Tite ainda comemorou muito o gol de Paulinho, o “seu” jogador. E começou a recuperar Tiago Silva.

Foi tudo perfeito.

Uma noite de sonhos.


Pelé, Maradona, Messi e Michel Temer. Duas faces da mesma moeda
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messimaradonaQuando ouvir alguém dizer que é bom ficar velho, não acredite. É tudo mentira. Deslavada mentira. Homérica mentira. Enganação.

Mas tem o futebol para nos dar um alívio. Se não fosse velho, eu…

Não teria visto Pelé e Garrincha jogarem. Bem, Garrincha eu não vi. E Pelé, vi pouco. Mas o Fiori Gigliotti me contou. Pelas ondas do rádio, na praça de Aguaí era triste ouvir Pelé destruindo meu time. Depois, à noite, ou na segunda, na TV Cultura, eu o perdoava. Era bom demais ver aqueles gols.

Não teria visto, já na televisão, o duelo entre Cruyff e Beckenbauer. Na verdade, era Vogts o encarregado da marcação, mas os comandantes de Alemanha e Holanda eram mesmo o Kaiser e o 14 que não parava em campo.

Não teria vibrado tanto com Mario Kempes, atacante excepcional.

Não teria chorado tanto com a derrota de Telê, Falcão, Cerezo, Sócrates e Zico. Se aquele time tivesse vencido, o futebol mudaria para melhor. Muito melhor. A presença de um volante pitbull teria sido colocada sob suspeita há muito tempo.

Não teria visto Diego Armando Maradona maravilhar o mundo. Com o mais belo gol de todos os tempos. Uma vez eu o vi jogar no Morumbi, contra o São Paulo. Já estava decadente.

Não teria visto o francês careca destruir o Brasil, na Alemanha. A maior partida individual que já vi. Deu vontade de aplaudir.

Não teria visto Ronaldo, Romário e Rivaldo…

Já estava feliz da vida, mas em 2006 eu vi o pequeno Messi entrar durante alguns jogos. Vi seu gol contra a Sérvia. E vi o que todos vocês viram. O surgimento do terceiro grande craque dos últimos 60 anos.

A tríade Pelé-Maradona-Messi é um luxo. É uma compensação por ser velho. Os que já morreram, não viram Messi. Os mais novos não viram Pelé. Eu estava no momento certo e na hora certa. Dei muita sorte.

Nunca esperei ver um jogador como Messi, capaz de rivalizar com Maradona e Pelé.

E também nunca esperei ver meu país governado novamente por um ilegítimo presidente, fruto de um golpe jurídico. Pensei que minha alegria havia terminado com Maradona. Pensei que minha tristeza havia terminado com Figueiredo, o mais ridículo dos trogloditas de farda que nos governaram a ferro e fogo.

 


Messi só quer ser amado. Cuca leve, Prof Girafales e Picadinho do Menon
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Dificilmente se vê, no mundo globalizado de hoje, uma seleção sem naturalizados. O desconhecido brasileiro Eder fez o gol salvador para a Itália. Aliás, naturalização não vem de hoje, em se tratando de Itália. Monti, Ghiggia, Niginho e tantos outros sudacas viraram italianos. Sou contra, mas este não é o assunto. Quero falar do garoto que tinha tudo para se naturalizar e não aceitou.

messigarotoLionel Messi, o rosarino. Desde os 13 anos no Barcelona. O clube lhe pagou um tratamento físico que nenhum time argentino aceitou ou pôde pagar. A família foi morar com ele na Espanha. Desde antes de marcar seu primeiro de seis 453 gols pelo Barcelona, aos 17 anos,  em 16/10/04, contra o Espanyol já recebia convites de naturalização.  Era mais conhecido na Espanha do que na Argentina. E disse não.

Quem recusou ser espanhol merecia ser mais amado pelos argentinos. Messi deve pensar nisso. Culé, nunca jogou por um grande argentino. Introspectivo, não é midiático como Diego Armando. E não adianta ser o artilheiro histórico – falta apenas um gol para deixar Batistuta para trás. Falta um título. Pelo menos, um. Foi vice em 2014, contra a Alemanha. Foi vice, em 2015, contra o Chile.

Agora, na semana em que completa 29 anos, deve sonhar – e muito – com o título da Copa América. Ainda há que vencer os EUA e depois a final, mas Messi não quer ser mais vice. Quer ser amado, o que é mais difícil que um título. Talvez dentro de uma semana possamos ver um Messi mais risonho, mais solto, sem barba ruiva. Um Messi destravado e amado pelo povo que não vê sua seleção ganhar nada há 23 anos e que está na frente da televisão vendo Messi e também Maradona na retrospectiva dos 30 anos do título de 1986.

Conturbado deve estar Seija. Difícil entender o que pensa um jogador assim. Ele é venezuelano e defende sua seleção, totalmente virgem em matéria de títulos. O time está fazendo um grande jogo contra a Argentina, comandada pelo melhor do mundo. A zaga entrega um gol. E praticamente no último minuto do primeiro tempo, aparece a chance. Um pênalti. Um gol que dará um novo gás para o segundo tempo, que dará esperança.

Ele olha para Romero. E o que ele pensa? Em Djalminha? Zidane? Loco Abreu? E tome cavadinha. E Seija, que sonhou ser igualado aos grandes craques da cavadinha tornou-se um Alexandre Pato venezuelano.

picadinho

1) CUCA ESTÁ MONTANDO UM PALMEIRAS que pode marcar época. Bem, deixemos de sonhos, nenhum time marca época mais. Basta uma boa temporada e lá se vão todos os jogadores. Mas que o time está jogando bonito, não resta dúvida. Ele escalou Cleiton Xavier, Dudu, Roger Guedes e Gabriel Jesus e o que se viu foi um grande domínio do Palmeiras, com muitos toques e velocidade. O Santa Cruz é um time bem treinado e se postou atrás, com linhas compactadas, apostando em um contra-ataque. Mas Grafite e Keno não ajudaram no primeiro combate, o que permitiu a constante projeção de Tchê Tchê e Moisés. Assim, o sufoco foi grande e vieram os dois gols. No segundo tempo, o Santa mudou e apostou no ataque. Fez o primeiro, levou o terceiro e ameaçou duas vezes. Foi um bom jogo, com domínio do Palmeiras no primeiro tempo e equilíbrio no segundo. Mas o líder é que pode sonhar alto.

2) CRISTÓVÃO BORGES É O TÉCNICO QUE TODO jornalista gosta de entrevistar e incentivar. Educado, culto e negro, abrindo espaço em um país mestiço com professores majoritariamente brancos. Todos sonham com seu sucesso. E ele, teimosamente, desafia nossos desejos e anseios. A verdade é que Cristóvão, com passagens por Vasco, Fluminense, Botafogo, Bahia e Furação não tem, em cinco anos, um currículo constante para apresentar. Foi vice brasileiro com o Vasco, algo a se comemorar, mas sempre dá a impressão de que falta algo. Pode estourar no Corinthians, mas pode – o que é mais provável – sair deixando aquela sensação de que faltou alguma coisa. Tinha tudo para dar certo e não deu

Professor_Girafales3) EUA ESTÃO NA SEMIFINAL DA COPA AMÉRICA, Equador é segundo nas Eliminatórias, Islândia empata com Portugal, Venezuela empata com Uruguai….Todo mundo melhora, menos o Brasil. É lógico que a ciência e o intercâmbio fazem com que as distâncias diminuam, mas o Brasil precisa ajudar tanto? Precisa andar para trás? Os que melhoraram têm jogadores melhores que os nossos? Para mim, a resposta está nos professores. Os nossos, com poucas exceções, são como o professor Girafales, que não consegue ensinar nada aos garotos. Ou como nosso professor Raimundo. No caso, a culpa é dos alunos.

 

 


Basile: “é o pior momento da história do futebol brasileiro”. Eu concordo
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basile2Os últimos momentos de glória da seleção argentina foram sob o comando de Alfio Basile. Ele a dirigiu na conquista da Copa América em 91, no Chile e 93, no Equador. Em 94, montou um time fantástico que tinha Simeone e Redondo no meio campo, Maradona no meio, Caniggia, Balbo e Batistuta no ataque.

Era a seleção de sonhos, que enfrentaria o pragmático Brasil de Carlos Alberto Parreira. Um jogo que não houve. A Argentina caiu após o doping de Maradona. Não conseguiu jogar e foi eliminada precocemente. Mas que era bonito ver Redondo, Maradona e Caniggia no mesmo time, era. A dupla de volantes do Brasil era Mauro Silva e Dunga. Em lugar de Maradona, tínhamos Zinho e Mazinho. Todos bons, mas inferiores ao Diez.

Fora do futebol – Basile diz que o treinador de hoje é muito exigido e precisa de condições físicas que ele já não possui – ele não poupou a seleção brasileira em uma entrevista dada ao El Pais, da Espanha.

“O futebol brasileiro de hoje é o pior da história. Antes, tinham jogadores que nos davam bailes impressionantes (Atenção: é  técnico da Argentina dizendo que levava baile do Brasil. Argentina e não Venezuela)”

E ele continua o veredicto que incomoda: “É incrível como o jogador brasileiro perdeu a técnica. Historicamente, nos podíamos ganhar do Brasil se jogássemos bem, mas sempre sendo valentes e batendo, porque tecnicamente eram basile3melhores. Havia umas equipes impressionantes. E, agora, vejo jogar e faltam jogadores no meio campo, na defesa e no ataque. No último Mundial, jogou Fred de Nove”.

Ao responder quem é melhor, Messi ou Maradona, Basile lembra de Pelé. “Messi e Maradona são diferentes. Diego era um estrategista e Messi é um goleador impressionante. Os dois pedem a bola sempre, aguentam porrada e não choram. Dois extraterrestres. Como Pelé. Já joguei contra Pelé e ele fazia tudo muito bem”.

basile4Ele aponta Argentina, Brasil, Itália e Alemanha como os melhores do mundo. Reconhece no Uruguai um adversário terrível quando se trata de competições na América do Sul e aponta o crescimento do Chile. E vê em Dybala a prova da renovação constante do futebol argentina, em contrapartida ao momento atual do Brasil.

É fácil descaracterizar o que disse Basile, apontando para a seca de resultados argentinos. É fácil, é cômodo e é muito perigoso. Ele disse alguma mentira? Poderíamos falar do período pre histórico, antes de 1938, quando o Brasil era inferior a Argentina e Uruguai. Podemos lembrar de 1966, quando fomos eliminados na primeira fase da Copa. Mas, lembremos, que apenas 16 países participavam e o Brasil se classificou na América do Sul. E lembremos que aquele era um período de transição. Havia gente nova surgindo, mas a aposta foram nos grandes campeões de 1958 e 1962. E Pelé foi afastado da Copa por pancadaria portuguesa, com certeza.

Hoje, a coisa está tão feia, que parece uma injustiça falar mal de Fred. Ele foi péssimo, mas quem estava melhor que ele? A dois anos da Copa, nossos atacantes são Ricardo Oliveira, Jonas, Hulk….

Ouçamos a voz rouca de Alfio Basile.

 


Lionel Messi Brady Curry, o dono da Copa do Rey
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messiO apelido “Matador” geralmente é dado a centroavantes fortes e lentos. Donos da área. Lionel Messi, menos de 1,70m é mais matador do que todos os outros. É um serial killer. Mas não foi esse Lionel Messi que garantiu a Copa do Rey para o Barcelona. Foi outro, tão importante quanto.

Aberto na direita, muito bem marcado por Escudero, Messi não estava rendendo bem. O Barça não estava rendendo bem, era dominado taticamente pelo Sevilla. Se Tor Stegen entrou em campo pensando nos termos que usaria em uma futura carta de amor à namorada, logo teve que mudar de ideia. Era muito exigido.

E tudo ficou pior para o Barcelona, com a expulsão de Mascherano. E, depois, com a contusão de Suárez. E o time foi obrigado a se transformar. Mathieu entrou em lugar de Raktic e formou um trio inexpugnável com Busquets e Piqué. Iniesta recuou para ser um luxuosíssimo segundo volante. E Messi, o Matador, recuou para dar qualidade ao meio, que tinha ainda Rafinha. Neymar era o atacante, aberto na esquerda.

O Barcelona sofreu, mas se segurou. E, então, apareceu Messi. Um lançamento longo para Neymar, que foi atropelado por Banega. Expulsão e o jogo ficou com dez de cada lado.

Ora, dez de cada lado não é igualdade quando um dos dois times tem Messi.

Ele deu um passe de Tom Brady para Jordi Alba fazer o primeiro, na prorrogação.

Ele deu um passe curto, de Stephen Curry, para Neymar fazer o segundo.

Lionel Messi é um gênio. Faz com os pés o que os outros fazem com as mãos.

 


Libertadores é paixão. Mas precisa ser futebol também
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Espinha ereta é bom – sempre, na vida e não só no esporte – mas, nós, a plebe ignara, a turba sem rumo, gostamos mesmo é de bunda ralada.

O craque que joga olhando fixamente para o horizonte, que não sabe a cor da grama, que se paramenta com fraque, cartola, batuta e

O genial torcedor do Flu, desenhado pelo fantástico Baptistão

O genial torcedor do Flu, desenhado pelo fantástico Baptistão

chuteira preta será vaiado se deixar um perna de pau qualquer passar por ele sem o combate devido. Intensamente vaiado, como a mulher barbada que se depilou, como Lula na Fiesp, como Michel Temer na CUT.

Em busca de uma metáfora para exemplificar o sentido da paixão no futebol, no esporte, na vida, em tudo, resolvi terceirizar o trabalho. Para que tanto trabalho, se ele, quem mais, o gênio Nelson Rodrigues (aqui, desenhado pelo fantástico Baptistão) disse; disse não, é muito fraco, definiu, determinou e decretou que:

Sem paixão, não é possível chupar um picolé.

Todos queremos paixão. E a paixão no futebol passou a ser identificada com a Libertadores da América.

Criou-se a simbiose: este é um jogo de Libertadores. E o que temos ao adquirir o pacote: jogo pegado, combatividade, busca pelo espaço, entrega, combatividade…

E é aí que a coisa degringola. E o futebol?

Ao fazer com que a paixão deixe de ser um complemento absolutamente necessário para se transformar no próprio jogo, fica tudo muito feio. A paixão é o molho, é a entrada, é a sobremesa, é a bebida, é o acompanhamento. Não é o prato principal.

Se  o futebol não pode prescindir de paixão, a paixão não pode existir sem futebol.

A paixão tem de estar acompanhada também no passe, no drible, no lançamento e não apenas no desarme.

Não existe paixão em Messi, Suárez, Cristiano Ronaldo? Sim, ela não está apenas em Pepe e Mascherano.

Se a Libertadores não tem Messi, Suárez , Neymar, James Rodriguez, não podemos ficar reféns do sub do sub do Mascherano.

Caso contrário, a paixão, para quem não a está vivendo naqueles 90 minutos, se transformará em um grande bocejo.

São Paulo x Galo, por exemplo.

Os torcedores viveram os 90 minutos com a mesma intensidade dos jogadores. Seis volantes ajudados por meias que recuam e por atacantes que fazem falta em laterais. Um acúmulo de jogadores no meio do campo lutando por espaço, dando carrinhos, fazendo faltas, correndo atrás da bola como Indiana Jones atrás do Santo Graaal. Tudo bacana, mas quem não torcia para nenhum dos dois exércitos em campo, poderia bancar o chato e dizer:

Tudo bem, tem paixão, mas…

Na dá para ter um driblezinho que seja?

Não dá para ter um lançamentozinho que seja?

Não dá para acertar três passes?

Não dá para ter ultrapassagem pelos lados do campo?

Os tais jogos pegados, os tais jogos de Libertadores, estão se caracterizando como espetáculos em que um time entra em campo para impedir o outro de jogar. E não, para jogar.

Vejo o tal gol qualificado como um dos culpados. Ele transforma o 0 x 0 em casa como um grande resultado. Permite empatar poer 1 x 1 o segundo jogo. Caramba, é muita mediocridade. Só para lembrar, o 0 x 0 era ironizado pelo narrador Walter Abrahão, que o chamava de oxo. O placar está oxo.

Futebol de Libertadores é uma falácia, amigos.

Pegue um grande time e coloque para jogar. Nem vou citar nome. Pense em um grande time montado pelo seu clube. Em qualquer época, em qualquer tempo e o transporte para esse tal de futebol-libertadores em que se entra em campo para combater e não para se divertir. Ganha fácil, não ganha?

E por que os torcedores de São Paulo x Galo – só para lembrar  o último jogo – reviram os olhos e se extasiam diante do futebol que jogam Rosario Centra e Nacional de Medellin?

Não sou hipócrita, prefiro que meu time ganhe mal do que perca jogando bem. Não sou um teórico esteta que reconhece apenas uma forma de se jogar futebol. Não vejo Simeone como o Grande Satã a ameaçar o Deus futebol.

Nada disso. Só quero que a paixão pelo futebol venha acompanhada de…futebol.