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Ceni e novo estatuto aproximaram Casares de Leco
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No final do ano passado, Julio Casares era a grande noiva do processo eleitoral do São Paulo. Conselheiro mais bem votado nas duas últimas eleições, aparecia como objeto de desejo da oposição, que buscava um candidato que ampliasse sua base eleitoral, uma defecção das hostes situacionistas para apoiar com gosto e fé. Casares era o nome escolhido para enfrentar Leco e também Roberto Natel, o vice do presidente, que havia deixado o cargo para também se candidatar. Com três candidatos – Leco, Natel e Casares – a oposição se via com muitas chances de vencer.

Casares também era o sonho de Leco. O presidente lutava para que não houvesse defecções, principalmente a de Casares, que, além do prestígio clube, faz parte do Participação, mesmo grupo político do presidente. Mais do que isso, é o coordenador do grupo. Seria desconfortável explicar uma candidatura que não é aceita nem pelo seu vice e nem pelo coordenador de seu próprio grupo político.

No início de dezembro, quando Rogério Ceni foi apresentado, Julio Casares estava lá, no CT da Barra Funda. Andando de um lado para o outro, radiante, cumprimentando todos com entusiasmo. Ele estava afastado de Leco e sua ida ao CT tinha todo o jeito de lançamento informal de candidatura. Atitude de candidato, que ele jurava não ser. Jurava e ninguém acreditava. Ele repetia que não tinha condições de deixar seu emprego na TV Record e que não era o momento de se candidatar.

Na verdade, a contratação de Ceni o havia aproximado de Leco. Ele viu a vinda do grande ídolo para o clube como uma jogada de mestre, como algo grande. Marco Aurélio Cunha foi o primeiro a colocar o nome de Ceni na mesa, quando se falava muito em Roger. Por que Roger, se há alguém totalmente identificado com o clube, alguém que já decidiu ser treinador? E se Rogério quer ser treinador, terá de ser no São Paulo. Marco Aurélio sugeriu antecipar o inevitável. Casares gostou e não se importou de a ideia ter sido formulada por alguém com quem teve os debates mais acalorados da última eleição, quando Juvenal Juvêncio apoiou Aidar e Cunha foi o cérebro atrás da campanha de Kalil Rocha Abdalla, ninguém sabe, ninguém viu onde está.

Casares mostrou-se entusiasta também da ideia do novo estatuto, levada em frente por Leco. Ele participou com 27 propostas, algumas delas aprovadas no Conselho. Ele vê o novo estatuto como um momento único no clube, um rito de passagem para dias mais profissionais. Um estatuto em que o presidente não tem o poder absoluto e que permite a ele se cercar de gestores. Um presidente que talvez não precise se dedicar tanto ao clube, mas isso é assunto para a nova eleição.

Quando a decisão de não ser candidato foi, enfim, cristalizada, quando todos aceitaram que era verdade o que dizia e não apenas conversa para se valorizar e esperar a hora certa para se lançar, a oposição já estava vendo outros nomes. Já não contava com uma das duas prováveis defeções. A mais importante delas, a que sonhava apoiar. Mesmo assim, havia Roberto Natel, o que garantiria três candidatos e uma sangria nos votos de Leco. Foi então que Natel abdicou da candidatura. Viu que não teria chances. E voltou ao ninho. Um movimento semelhante ao do próprio Leco, quando foi preterido por Juvenal em favor de Aidar. Voltou e virou presidente do Conselho. Talvez seja o caminho sonhado por Natel, para implantar sua candidatura para a próxima eleição.

A oposição, então, procurou outros nomes. Opice Blum estava queimado por haver ido com muita sede ao pote e haver condenado Ataíde Gil Guerreiro sob a bizarra e ridícula acusação de tentativa de assassinato de Carlos Miguel Aidar. Era preciso um candidato forte e não alguém folclórico como Newton do Chapéu. E a escolha foi por Pimenta, o dono de todas as glórias no início dos anos 90. É uma candidatura forte e bem organizada. São os dois grupos de cardeais novamente frente a frente. Juvenal Juvêncio e Antonio Leme Nunes Galvão estão mortos, mas seus grupos estão se digladiando novamente. A mesma velha história que talvez mude com a nova estrutura de poder a ser implantada com o novo estatuto. Mas que só mudará, com certeza, com a abertura do clube para que sócios torcedores possam participar com voto e voz. Afinal, quem paga um título de sócio torcedor, com certeza não é palmeirense, como uma conselheira que deu seu depoimento a favor de Pimenta.


Pimenta comemora apoio de 100 conselheiros. E do cardeal Casal de Rey
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Uma reunião selou o aguardado apoio de Fernando Casal de Rey a José Eduardo Mesquita Pimenta na eleição do São Paulo, marcada para abril. Eles formaram a dupla que comandou o São Paulo na conquista das duas Libertadores e dois Mundiais em 1992/93. Pimenta era o presidente e Casal de Rey, o diretor de futebol. De Rey sucedeu Pimenta na eleição seguinte. O grande sucesso da dupla é o mote da campanha. Algo como “os bons tempos estão de volta”.

Com o apoio de Fernando Casal de Rey, Pimenta comemora a união da Oposição e garante ter o apoio de 100 conselheiros. Agora, o grupo conversa para escolher o vice-presidente e o coordenador da campanha, que será lançada no dia 22, na rua Amauri.

Pimenta e De Rey consideraram natural e esperada a renúncia de Roberto Natel. E não se surpreenderão com seu apoio e participação na campanha de Leco.


Pimenta cai e Lusa tenta Guto Ferreira
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Na manhã de domingo, após a derrota por 3 a 2, em casa, para o Atlético-PR, o presidente Manuel da Lupa e o vice-presidente de futebol Roberto Santos decidiram pela troca de treinador da Portuguesa. Sai Edson Pimenta, muito ligado a Candinho, executivo de futebol, e corre-se agora atrás de um nome. O primeiro da lista é Guto Ferreira, que treinava a Ponte Preta. Na quarta-feira, contra o Criciúma, no Canindé, o time será dirigido por Gerson Sodré.

Sob o comando de Pimenta, a Portuguesa conseguiu apenas uma vitória no Brasileiro, por 2 a 1 contra o Fluminense. Empatou com Corinthians, Cruzeiro, Internacional e Náutico e perdeu as últimas três, para Goiás, Santos e Atlético-PR.

O clube tem pouco dinheiro e tenta de todas as maneiras possíveis buscar reforços. O elenco, por exemplo, não tem um lateral-esquerdo. A negociação com Luís Ricardo e o São Paulo está suspensa com a queda de Adalberto Batista no Tricolor.

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