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Rodrigo Caio, o Papa, o Dalai Lama e a ficção chamada fairplay
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E volta o tema Rodrigo Caio, devido ao ridículo show de simulações ocorrido nos campos do Brasil, uma semana após o zagueiro haver dito ao apitador que ele, e não Jô havia feito o contato com o goleiro Renan. Jô escapou do amarelo injusto, ficou liberado para jogar o próximo clássico e fez o gol que sacramentou o São Paulo fora da final. Impedido, talvez. E daí? Rodrigo Caio foi honesto.E a honestidade não pode ser questionada. Está certo e ponto final.

Agora, imaginemos um outro lance. O time está vencendo o jogo e tem um cruzamento em sua área. Sobem dois zagueiros e dois atacantes. A bola resvala na cabeça de um zagueiro e vai para fora. O juiz pensa que a bola bateu no atacante e dá tiro de meta. O zagueiro se acusa e diz que foi escanteio.

Ou, então, se o beque não se acusou, mas um companheiro foi até o juiz e disse: “eu vi, professor, foi meu colega que colocou a bola para fora”?

Os dois estão certos.. Elogios para eles.Todos. Mas eu consideraria muito normal que o treinador pensasse na possibilidade de não escalar mais aqueles jogadores.  Afinal, eles estão ali para praticar futebol ou para mudar o futebol? E olha, que eu coloquei um lance normal, sem lances de dramaticidade. E se o time sufocado estava garantindo o título? Ou a permanência na divisão? E se aquele escanteio que o juiz não viu, levar o time para a segunda divisão?

Ora, amigos, o lance que eu imaginei não aconteceria nem em um jogo entre Amigos do Papa Francisco x Amigos do Dalai Lama. Principalmente porque  o papa é argentino. (Atenção, esta é uma brincadeira, com meu amigo Pablo Carignano). Não é do jogo. E não deve ser reformado. Como ficaria uma partida de futebol com esse tipo de comportamento espalhado em campo? Foi falta minha, imagina, foi minha. Eu fiz pênalti, seu juiz. Não fez não, bobinho, acertou a bola…

Não prego a malandragem, não prego o golpe. Não sou do tipo que diz “o que acontece no campo, fica no campo” para justificar atos racistas, sou completamente contra as simulações ridículas, mas não dá para exagerar e exigir de jogadores um comportamento que ninguém tem em esporte algum, em país algum.

Diante das simulações e do cai-cai, sou contra o fairplay que obriga um jogador a desistir da jogada e jogar a bola para fora quando um rival está caído. Quem precisa decidir é o árbitro. Ele que mande parar o lance, ele que assuma a responsabilidade. Ele que precisa definir se aquele corpo estendido no chão precisa de cuidados ou de um cartão amarelo por fingimento.

Sou contra punições pós jogo, baseada em câmeras de televisão. Suárez mordeu Chelini? Se o juiz não viu, acabou. Um jogo tem 90 minutos e deve acabar quando termina. Ficar entrando com recursos por dá lá aquela palha é apenas uma tentativa de judicialização do esporte. A não ser que as câmeras de televisão pudessem mudar também o resultado do jogo. Terminou o jogo, vamos ver de novo. Aquele cara deu uma cotovelada que o juiz não viu? Suspensão nele. Mas e aquele gol em que a bola não entrou? Mudamos o placar. Aí, sim haveria coerência. Mas seria errado.

Futebol é um jogo. A violência deve ser combatida. A simulação deve ser punida. A honestidade precisa ser louvada. Mas não podemos exigir que os jogadores se transformem em acusadores de si próprios. Se for para dizer que fez o pênalti que o juiz não viu, melhor é não fazer, então. Simplificaria tudo. E, em vez, de entrar com ações no TJD para exigir punições pós jogo, teríamos clubes entrando com pedidos de canonização para seus jogadores no Vaticano. São Fagner, por exemplo.


Rodrigo Caio e o assassinato em Córdoba
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Prestem atenção no sujeito de vermelho. E nos dois de azul à sua direita. Mais um de azul, à sua esquerda. E, um pouco atrás, naquele de boné branco. São assassinos cometendo um assassinato. São seres humanos matando outro ser humano. O exato momento do crime. É possível ver o ódio no olhar. É possível ver a bestificação do ser humano. É possível ver a falência do ser humano. Os dinossauros seriam piores?

Olhem agora o torcedor com camisa mais escura, ao lado esquerdo do assassino de vermelho. Ele, o senhor mais gordo e o garoto com cara de Justin Bieber, todos à esquerda, não fazem nada para evitar. Olham para o caso com curiosidade. Também não fizeram nada os que estão à esquerda na foto, sem o rosto aparecer. Há um pouco de indignação na mulher, ao fundo, com a mão no rosto. É uma foto que retrata não apenas um assassinato. Retrata o horror. É uma Guernica digital. É Picasso de 37, redivivo em Cordoba.

Emanuel Balbo foi arremessado de três metros de altura. Caiu com a cabeça no chão. Foi assassinado pela torcida do Belgrano por ser torcedor do Talleres. Mas, esperem… Ele é torcedor do…Belgrano.

A história é terrível. Uma tragédia de erros. Raul Balbo, pai de Emanuel, contou que o rapaz, de 22 anos, ao chegar ao estádio, encontrou Oscar Gomez, de 47 anos, que teria assassinado seu outro filho, há dois anos, em um acidente de trânsito. Houve troca de insultos e Oscar gritou que Emanuel era torcedor do Talleres e que estava infiltrado na torcida do Belgrano. Foi o suficiente para que o rastilho de ódio se formasse e a morte fosse consumada. No dia em que o Cristo, em que muitos daqueles assassinos acreditam, teria ressuscitado há milênios, eles praticaram, por ação ou omissão, um crime terrível.

Enzo Merchs, tio de Emanuel publicou uma carta no facebook, endereçada aos assassinos.

Ola… A voce que o insultou, que lhe cuspiu, que o acertou com murros, pontapés e até com suas bandeiras. A você que escutou um imbecil dizer que ele é de Talleres e sem conhece-lo e nem perguntar nada, usou toda sua violênciao, sem pensar em nada. Sabe de uma coisa? Você se equivocou, maluco, você se equivocou. Emanuel ama Belgrano tanto quanto você, seu papai, seu avô, seu primo, seu melhor amigo.

(….) Então, te peço que esta noite, quando for dormir em sua cama quentinha (…)te rogo que pense e pergunte o que você fez? Por que fez? Você se sente mais homem? Mais macho? Está satisfeito?

Na vidada, tudo tem nuances, toda verdade pode ser matizada. Pode-se falar que Emanuel era um bandido, que boa coisa não era, que ele não é boa pessoa, que faria igual. Pode se dizer tudo, mas há horas em que não se pode dizer nada. É preciso ter lado e dizer NÃO. Nada justifica a morte.

E o que Rodrigo Caio tem a ver com isso?

Foto Daniel Augusto Jr./Agência Corinthians 

Ele tem sido criticado por torcedores do São Paulo por haver dito a verdade e impedido Jô de levar um cartão amarelo que o tiraria do próximo jogo. São coisas do tipo:

Estou cansado de jogador tonto. Jogador de condomínio. Pensou só nele e esqueceu do São Paulo. Duvido que ele faria a mesma coisa se fosse no final de um jogo. E se o Jô marcar no próximo jogo. São Paulo precisa de jogador que ama a camisa e não de quem deseja aparecer e pagar de bonzinho….

Em um momento como o de Cordoba, as ponderações sobre Rodrigo Caio são ainda mais imbecis. É preciso ter lado. Em um futebol cada vez mais violento, em que jogadores fingem murros que não existiram, em que gandula pratica cai cai, em que juiz finge ser agredido, em que o presidente da CBF não pode sair do país, em uma época assim, é preciso dizer que RODRIGO CAIO ESTÁ CERTO. Sem porém, sem ponderação, sem talvez.

Ou se está do lado do esporte ou não. Da honestidade ou não.


Lucão foi a boa novidade do São Paulo
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O São Paulo fez uma partida normal, sem brilho e voltou de Buenos Aires com um ponto. Pode decidir em casa, dia 11 de maio, a passagem para a segunda fase da Copa Sul-americana.

Traz na bagagem, além do ponto, duas boas notícias. Pela terceira vez seguida termina uma partida sem sofrer gols. E Lucão jogou muito. Não sofrer gols é um princípio muito importante a ser cultivado, principalmente quando se lembra que o Cruzeiro vem aí, pela Copa do Brasil. E o zero no placar foi uma conquista dos três zagueiros e também de Jucilei, que, uma vez mais, conseguiu dar muita proteção ao time.

Lucão era um dos zagueiros. E teve uma atuação muito boa. Seguro por baixo, firme nas divididas e dando uma contribuição boa pelo alto. Uma notícia importante quando se lembra do quase ódio que a torcida tem por sua revelação. Com 21 anos, Lucão se aproxima de 90 jogos pelo clube. Há boa possibilidade de recuperação do jogador, talvez até para uma possível venda futura. Ele tem currículo pelas seleções de base.

Rodrigo Caio foi ótimo do início ao final. E Breno não ficou atrás. Salvou um gol, com bela cabeçada. O problema não era a zaga, era a pouca projeção dos laterais. Ainda no primeiro tempo, Ceni desmontou a linha para que Rodrigo Caio adiantasse um pouco, juntando-se a Jucilei e João Schmidt, equilibrando o meio campo. A armação ficou por conta de Wellington Nem.

Aí está o problema. Não em Nem, mas no elenco. Sem Cueva, é preciso improvisar. Nem é jogador de lado de campo, um ponta. Aliás, perdeu um gol feito. No segundo tempo, entrou Shaylon em lugar de Breno e Nem foi para o lado. Não funcionou. A expulsão de Buffarini fez com que Shaylon deixasse o campo. Entrou Wellington para formar uma linha de tres volantes, à frente de quatro zagueiros. E tome bola aérea. E tome Rodrigo Caio. E tome Lucão.

O grande problema do São Paulo foi Buffarini, deslocado na esquerda e amarelado logo no início. No segundo tempo, Ceni tirou Chavez e colocou Tavares na ponta e manteve o argentino na esquerda. Talvez se o tivesse colocado na direita, com Araruna no meio e Tavares na esquerda, não houvesse o segundo amarelo. Talvez. Com Buffarini nunca se sabe.


Majestoso na Florida. Bom para os dois. E para nós, também
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MAJESTOSO NA FLORIDATem São Paulo x Corinthians, tem Corinthians x São Paulo. Na Florida, em campo ruim, com pouca gente. E daí?. É a primeira decisão do futebol paulista no ano. É Majestoso. É o futebol de volta, para nos alegrar.

O jogo é bom para os dois. Para quem ganhar e para quem perder. Quem ganha, recebe aquele ânimo extra para o início de trabalho de seu treinador. Quem ganha, é campeão. Sempre bom, não é? E quem perde, não receberá uma pressão enorme, não será cobrado. E terá recolhido, porque é um bom treinador, subsídios para melhorar.

Os dois times devem começar no 4-1-4-1 e o São Paulo com alguma mobilidade a mais, graças a Rodrigo Caio. Ele pode retroceder alguns metros para formar uma linha de três com Maicon e Breno, liberando os laterais.

Camacho e Gabriel. Thiago Mendes e Rodrigo Caio. Duas duplas de volantes que reúnem quatro jogadores que tratam bem a bola. Não são apenas a turma do desarme, sabem passar e até chegar ao ataque. Gabriel, menos que os outros três.

Nas alas, estarão Nem, Araújo, Marlone e Romero. O Corinthians tem Marquinhos Gabriel, um substituto melhor que Neílton. Interessante será notar como eles conseguirão fazer a transição para o meio do ataque. Contra o Vasco, Romero e Marlone fizeram essa tarefa com grande categoria, com uma tabela de alto nível. Araújo e Nem também fizeram, juntando-se a Cueva. Houve muita movimentação, mas nada de gols.

Rodriguinho ou Cueva? No último jogo, Cueva teve uma liberdade absurda e matou o jogo.

E as defesas? Se equivalem?
Esperemos até as 21 horas.

Nosso velho amigo, o futebol, está de volta.

picadinhomenon

DUAS PALAVRINHAS SOBRE UM CAMPEAO – Carlos Alberto Silva morreu aos 77 anos. Cobri sua passagem no Corinthians. Vou levar comigo a imagem de uma pessoa agradável e conversadora. Piadista, gostava de fazer sempre a mesma brincadeira. “Pode ser uma palavrinha”, a gente perguntava. “Cu”, ele respondia. “Só tem duas letras”. E depois, falava bastante.

carlos alberto silvaFoi campeão brasileiro pelo Guarani, com o fantástico ataque Capitão, Careca e Bozó. Ganhou a medalha de prata na Olimpíada de 88, com um ataque formado por Romário, Careca e Bebeto. Foi trocado por Lazzaroni e seu 3-5-2. Fiel sempre ao estilo ofensivo, cometeu um grande erro quando estava no Palmeiras. Era decisão contra o Grêmio, que ganhava por 2 a 0 no Sul. Trocou o volante Amaral pelo atacante Alex Alves, desorganizou o time e levou de cinco. Já eram tempos de mais cuidados defensivos, já era o início de seu declínio.

No São Paulo, em 1980, inventou o maior quarto zagueiro da história do clube. Em depoimento ao meu livro “Tricolor Celeste”, ele contou como transformou o desacreditado meia Dario Pereyra em um mito na história do clube.

“O Dario havia custado muito dinheiro para o clube e mesmo assim nunca recebi pressão para que ele jogasse. Mas percebi que precisava fazer alguma coisa. Um jogador como aquele não podia ficar de fora. Falei com ele que precisava mostrar mais interesse, que não adiantava nada ficar triste, que todo mundo queria ajudar e que era hora de ele mostrar mais. A partir daí, ele começou a se interessar mais, se aproximou de mim e a perguntar se tinha ido bem no treino.”

A chance foi dada em 13 de julho de 1980, contra o Corinthians, que o São Paulo não vencia desde 1976. O jogo estava 0 a 0 até a metade do segundo tempo, quando Carlos Alberto tirou o zagueiro Gassen, que estava sofrendo com Geraldão, e colocou Dario na zaga. “Pedi para ele ficar atento na bola alta para o Geraldão. Não perdeu nenhum lance até o final do jogo. Em toda minha vida, só vi o Ricardo Rocha, que lancei no Guarani, como alguém do mesmo nível do Dario”.

 

 

 

 


Robinho e Diego comandam a seleção do blog. Direto do túnel do tempo
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robinho_diego_tvi_20100901Diretamente do túnel do tempo, apresentamos Diego e Robinho. Os garotos mágicos do Santos de 2002 estão mais sérios, mais responsáveis e, 14 anos depois, são os destaques do Brasileiro. Ótimo para eles, que não conseguiram mostrar na Europa tudo o que se esperava deles, mas que tiveram carreira digna e agora são destaques no Brasileiro.

O melhor jogador, para mim, foi Robinho. Jogou como há anos não jogava. Não é mais o rei das pedaladas, mas soube se reinventar. É um armador de fino trato e ainda de boa chegada na área. Diego, seu companheiro no mágico Santos de 2002, foi o condutor do Flamengo. Chegou tarde e mostrou ser imprescindível. Diego e Robinho, como um presente vindo do passado, estão aí comandando a massa.

É isso: vivemos de reciclagem.

O Brasileiro está acabando e fiz uma seleção. Na verdade, duas: a titular e a reserva. O resultado não é agradável, mostra um perfil do futebol que temos no Brasil: veteranos que já brilharam muito, uma grande revelação, outras revelações com menos brilho e jogadores que ficarão por aqui mesmo, sem futuro internacional.

 

Seleção 1  Vanderlei, Victor Ferraz, Mina, Geromel e Jorge, Moisés, Tche Tche, Diego, Diego Souza e Robinho, Gabriel Jesus

Gabriel Jesus é o grande nome, apesar de um final de campeonato decepcionante. É a maior revelação dos últimos anos. Jorge, lateral de alta técnica, segue uma linhagem do futebol brasileiro. Tem bola para chegar à seleção. Moisés é uma surpresa. Depois de anos sem grande sucesso, mostrou-se um jogador moderno, forte e de bom passe. Ótimo na transição. Diego Souza é o jogador mais imprescindível que um time mostrou no Brasileiro. Ele é mais importante para o Sport do que o Messi para o Barcelona. Seu futebol é a diferença entre cair para a segunda e permanecer na primeira. Mina é um zagueiro de altíssimo nível. Joga como Rincón, seu compatriota. Usa o corpo como ninguém. Tche Tche é  jogador moderno, um meio campista verdadeiro, presente em todo o campo. Vanderlei, goleiro seguro e discreto, Geromel, zagueiro duro e Victor Ferraz, lateral que apoia bem, são os coadjuvantes.

Seleção 2  Muralha, Jean, Vitor Hugo, Rodrigo Caio e Zeca, Thiago Maia e Arão, Scarpa, Camilo e Lucas Lima, Fred

O veterano Fred continua sendo um matador de respeito. Faz gols. E isso é fundamental, ao contrário do que disse Parreira. Ao lado do “velho”, muitos jovens de presente e futuro, como Rodrigo Caio, Zeca, Thiago Maia e Scarpa. Revelações tardias como Muralha e Camilo, além de Lucas Lima, novamente muito bem. E Jean, como Renato, é daqueles jogadores que pouco falham. Estão sempre acrescentando algo ao time que os contrata. Renato não está aqui, mas seria uma ótima contratação para todos os times do Brasil.

Bem, são as minhas escolhas. As suas serão diferentes, com certeza. Mas duvido que haja uma grande diferença de nível. A minha como a sua refletem nosso Brasileiro: a gente torce, sofre, vibra, mas sabe que falta muito.


Tricolor caminha para uma situação grave
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Os dirigentes do São Paulo tem verdadeiro pavor de uma situação que pode se concretizar, caso o time não reaja no Brasileiro. Ninguém gosta nem de pensar na possibilidade de o time estar muito mal no Brasileiro às vésperas dos jogos contra o Atlético Nacional, pela Libertadores, o primeiro deles em 6 de julho.

Se o time estiver mal, dois desdobramentos aparecem:

1) Uma pressão muito grande para eliminar o Nacional.

2) Em caso de eliminação na Libertadores, o time ficaria sem opções no ano, a não ser lutar por um G-4 e pela Copa do Brasil.

E é preciso mudar para que a situação limite não ocorra.

Em sete rodadas, o São Paulo está a seis pontos do líder. É muito, considerando-se que esta é apenas a sétima rodada.

E como poderia ser diferente, se o time fez apenas seis gols em sete jogos?

Perdeu três das últimas sete partidas. No Brasileiro.

Perdeu cinco das últimas dez, unindo-se Libertadores e Brasileiro?

Na Libertadores, o São Paulo avançou com méritos indiscutíveis. Méritos baseados na teoria dos jogos de 180 minutos. Você vence em casa sem sofrer gols. E perde fora, fazendo gols.

No Brasileiro, os jogos tem 90 minutos. E o São Paulo não está lidando com isso. Está errando muito.

Contra o Furacão, terminou o primeiro tempo com domínio total. 69% de posse de bola. E vitória por 1 a 0. O Furacão avançou Otávio, passou a dominar e o São Paulo não soube sair. Mesmo assim, teve duas boas chances. Kardec perdeu um gol feito, sem goleiro, ao escorregar. E veio a virada.

Há pontos a se ponderar. O time está muito desfalcado: Rodrigo Caio, Ganso, Michel Bastos, Mena e Calleri. Sem contar Hudson.

Cueva, o reforço, ainda não pode jogar. É bom torcer por uma vitória do time de Dunga hoje.

Mesmo com tantas ponderações, há que reagir. Os gols precisam sair. Mais reforços precisam chegar. A lateral esquerda está desguarnecida. Kardec está muito mal.

E Bauza, a meu ver, errou contra o Furacão. Kelvin saiu por contusão, tudo bem. Mas eu teria apostado em um time mais leve, com a manutenção de Ytalo e  a saída de Kardec. Ou então, a saída de Thiago Mendes.

Se não achar soluções rapidamente, Bauza e o São Paulo ficarão com apenas uma carta na mão: a Libertadores.

Se ela não der certo, será como o sujeito que se vê pendurado apenas no pincel, quando alguém tira a escada.


São Paulo Suor Futebol Tático Clube, o convidado que rouba a noiva
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Rosario Central? Nacional? Independiente del Valle? Pumas? Todos foram melhores que o São Paulo. Todos definirão em casa a passagem para a final da Libertadores. E todos podem se preocupar. O São Paulo de Bauza é um time de ser vencido, quando pensamos em jogos de 180 minutos. Simplificando, é muito difícil de ser eliminado.

É um “invitado de piedra” como dizem os espanhóis. Aquele que é convidado de última hora para o casamento e acaba roubando a noiva.

noiva em fugaO São Paulo, desde a desastrosa e desastrada derrota na estreia, contra o Strongest, passou a viver uma série de finais. Teve pouco sossego. E falhou apenas uma vez.

Primeira final – não podia perder para o River em Nunez. Empatou.

Segunda final – tinha de vencer o Trujillanos na Venezuela.  Empatou.

Terceira final – tinha de vencer o Trujillanos no Morumbi. Goleou.  (foi um momento de sossego)

Quarta final – tinha de vencer o River no Morumbi. Venceu.

Quinta final – tinha de empatar com o Strongest em La Paz

Sexta final – tinha de vencer o Toluca no Morumbi. Goleou. Essa vitória praticamente definiu a vaga.

Sétima final – tinha de vencer o Galo em casa. Venceu e não sofreu gol

Oitava final – Podia perder por um gol de diferença – desde que fizesse um gol – contra o Galo, no Horto. Perdeu por 2 a 1.

Não é um grande time. Tem muitas falhas individuais. Mas, a cada jogo, cada vez mais, só falhas individuais. O time está compacto, é muito tático, sabe como se postar em campo e luta por todos os centímetros do gramado.

Contra o Galo, por exemplo. Em 15 minutos, o time sofreu dois gols em falhas individuais. A primeira, com Denis. A segunda, com Rodrigo Caio, com auxílio de Denis.

Qual é a vantagem de falhar apenas individualmente? Nenhuma. Falha é falha e o São Paulo só conseguiu o seu gol em falha também de Victor. Mas é importante perceber que o São Paulo não é um lime largado em campo, com espaços dados aos rivais, com jogadores abertos e dando muitos espaços no meio.

E, principalmente, o São Paulo não é um time que assiste ao jogo. Ele participa do jogo. De forma dura. Fez 27 faltas contra o Galo, em Minas. Uma postura guerreira e que ajuda o time a vencer etapas. Por isso, é importante entender que Rogério vai jogar muito esporadicamente.

Quanto ao segundo jogo contra o Galo, o São Paulo começou dominando e jogando no campo do rival. Sofreu dois gols, marcou o seu em seguida e equilibrou o jogo até o final. No segundo tempo, sofreu uma pressão muito grande nos primeiros dez minutos e nos últimos 15. No mais, equilibrou o jogo.

E agora? Calleri fica? Maicon fica? A próxima fase começa em julho. Tem muito trabalho a ser feito. Muito mais trabalho do que os rivais. Mas, no momento, não é bom para os rivais confiarem nisso.

 


Breno passará por cirurgia. Lyanco, perto de uma vaga
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O zagueiro Breno, do São Paulo (Crédito: Rivaldo Gomes/Folhapress)

O zagueiro Breno, do São Paulo (Crédito: Rivaldo Gomes/Folhapress)

*atualizada às 18h35

Os médicos do São Paulo decidiram que Breno terá de passar por uma nova cirurgia no joelho direito. A decisão saiu duas horas depois de o blog dar a informação com exclusividade. Fora dos campos desde fevereiro, o zagueiro passou por fortalecimento muscular e drenagem no joelho. Não deu certo. Agora, o atleta passará por uma reconstrução do ligamento cruzado. O procedimento deve acontecer ainda esta semana.

“O jogador estava se recuperando de uma sinovite no joelho e mesmo com todo o trabalho de reabilitação, não apresentou a melhora esperada que o possibilitasse treinar com o grupo. O joelho dele se mantém com derrame e dor e por isso somente uma intervenção vai trazer de volta a estabilidade necessária. O ligamento do joelho está íntegro, porém insuficiente”, explica o médico do clube, José Sanchez, em confirmação publicada no site do clube.

Desde que voltou ao São Paulo, após quatro anos de prisão na Alemanha, Breno enfrenta dificuldades físicas. O tipo de exercício que fazia na prisão – em ambientes fechados – não são os mesmos de um jogador profissional. Desde que reestreou, em julho do ano passado, foram apenas oito partidas. Em 2016, só duas.

Luiz Cunha, diretor de futebol, me disse há uma semana que o clube confia muito em Breno. “Desde que ele volte a ter as condições físicas de um atleta”, afirmou, deixando claro que as dificuldades eram grandes.

Enquanto uma das grandes revelações da base – estreou em 2007, com 17 anos e, com menos de 20 partidas foi vendido para o Bayern de Munique – sofre para dar continuidade à carreira, um novo zagueiro ganha pontos com a comissão técnica. Lyanco, que veio do Botafogo há dois anos, treina muito bem e agrada a Patón, como já havia agradado a Osorio.

Ele tem dupla nacionalidade e tem sido convocado, em rodízio, pelas seleções de base do Brasil e da Sérvia. O clube vê nele um grande potencial para uma futura venda. E o Brasileiro lhe dará chances constantes de atuar. A ver: Maicon talvez não fique (o Porto quer Lyanco para liberá-lo), Breno tem o problema no joelho, Lugano ainda não jogou três partidas seguidas, Rodrigo Caio pode desfalcar o time por até 18 rodadas no Brasileiro – seleções olímpica e principal – e é bem provável que Paton tenha de recorrer a Lucão e Lyanco.


Torcida do São Paulo atrapalha mais do que ajuda
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Ausente dos estádios e estridente nas redes sociais, a torcida do São Paulo tem sido um peso para o time. No Pacaembu, são 3 mil desanimados – 14 mil em um clássico contra o Palmeiras – e no computador, milhares de cornetas. O resultado de tão bizarra preferência é um time abandonado no campo e perseguido virtualmente. E montanha abaixo.

As desculpas para ausência são o preço caro e a má fase do time. A primeira até se justifica. O sócio torcedor paga mais do que um membro da organizada. Quanto à má fase, está ai um paradoxo. Time fraco é que precisa de apoio. Se a torcida não vai, o time fica mais fraco ainda. A torcida deveria ir ao estádio e ajudar o time a crescer e não esperar o time crescer para ir ao estádio.

A comparação com as torcidas do Palmeiras e do Corinthians – falando-se em comparecimento – é vexaminosa. Nem no jogo contra o Strongest lotou o Pacaembu. Pelo menos 4 mil lugares ficaram vazios.

A perseguição a alguns jogadores é terrível. Vejamos alguns casos.

1) Maicon – O volante de bom passe, bom chute de meia distância e uma lentidão exagerada caberia no atual elenco. Poderia participar como titular ou reserva. Foi para o Grêmio após sessões contínuas de vaia.

2) Michel Bastos – Jogador versátil, com bom chute, é perseguido desde que mandou a torcida calar a boca. A torcida é uma entidade que não aceita críticas e nem respostas. Pode vaiar, pode apitar, pode ofender. Não pode receber um gesto com o dedo sobre os lábios. Michel não vai continuar e pode ser trocado por Alex, do Inter.

3) Denis – Este é o caso mais bizarro. Denis foi perseguido porque sua mulher ousou cornetar Rogério Ceni. Sua mulher, não ele. Denis se humilhou. Pediu desculpas em público. Eu nunca faria isso. Diria que ela é minha mulher e que eu não tenho nada com o que ela posta no twitter. Não adiantou. Até hoje, a cada erro, é lembrado pelo que a mulher escreveu.

4) Auro e Lucão – A torcida adora pedir jogadores da base. Quando falham – e falharam feio – não têm comiseração. As contas de twitter dos dois foram invadidas com ofensas. Auro está no Linense. Lucão continua no clube.

5) Rodrigo Caio – Jogador jovem, com 22 anos, mercado internacional, foi menosprezado por um aspone do presidente Leco. E Leco não tomou atitude contra seu assessor.

6) Centurión – O argentino reconhece que anda mal e pede que os torcedores não relacionem isso com a saúde de sua noiva. Diz que é falta de respeito.

7) Casemiro – Vaiado aqui e aplaudido pela torcida do Real Madrid

O São Paulo começa uma série de quatro partidas que irá definir seu futuro na Libertadores. Possivelmente precisa ganhar todas. Terá mais sossego e tranquilidade na Venezuela e em La Paz do que atuando em casa.


São Paulo desmoronou
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O que o São Paulo tinha de bom em 2016 desmoronou no Pacaembu na derrota por 3 a 1 para o São Bernardo. O sistema defensivo, que havia sofrido seis gols em 11 jogos, levou 50% desse total nos últimos 45 minutos de partida.

Tecnicamente, foi uma partida muito ruim de Rodrigo Caio. Lugano falhou também, com um bote horrível em um dos gols.

Taticamente, houve outros erros. Calleri isolou-se no ataque, aparentemente abatido por perder um pênalti logo a três minutos e não ajudou em nada na recomposição. Ganso, que fez um golaço e deu bons passes desperdiçados, também foi ausente na marcação.

Depois do empate,  o São Paulo tentou atacar e deu espaços incríveis para o rival. Foi um time desorganizado. Desarrumado.

O que havia de bom agora está em xeque.

Situação é muito complicada para quinta-feira. O time precisa – no mínimo – de um empate. Com a defesa errando assim, será difícil.