Blog do Menon

Arquivo : Rogério Ceni

Luiz Flavio deu segurança para o São Paulo vencer
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O São Paulo é um time ofensivo. Corre muitos riscos. Em sete jogos no Paulista, fez 21 gols e sofreu 14. Média de 3 a 2 por jogo. O bom trabalho de Rogério Ceni é prejudicado pela falta de segurança que o time tem, defensivamente falando. Faz um gol e leva outro em seguida. Mesmo atuando bem, a torcida não tem sossego.

Na vitória por 4 a 1 sobre o Santo André, a segurança veio através do árbitro Luiz Flávio de Oliveira. Logo no início, ele validou o gol de Cícero, marcado em impedimento mais ou menos de 1,5 quilômetro. Assim, o time, que já estava bem, pôde jogar com calma. Veio o segundo gol, em bela jogada com Luiz Araújo e Júnior Tavares, com Cueva conferindo.

A defesa falhou no gol do Santo André e Leonardo diminuiu. O Santo André sonhou em repetir as proezas de Novorizontino e Mirassol, buscou o empate. O São Paulo passou a ser pressionado, mas Luiz Flávio interferiu novamente. Validou o gol de braço de Luiz Araújo. Veio o sossego que terminou com o quarto gol de Gilberto.

Uma pergunta: Luiz Flávio sabia que havia errado no primeiro lance. Não seria plausível que ele, se não soubesse o que realmente ocorreu no lance, anulasse o gol? Preferiu apitar para o lado maior, uma vez mais.

Deixando o árbitro de lado, é possível ver muita coisa boa no São Paulo.

Foram 13 finalizações, nove delas no alvo.

A jogada ensaiada de escanteio curto.

Atuação segura de Douglas. Lugano também estava bem, mas perdeu uma bola dominada.

Wellington Nem entrou bem e mostrou-se ótima opção.

Cueva e muito bom. Araruna é bom jogador

Gilberto tem sido uma digna opção a Pratto.

Luiz Araújo fez um cruzamento de direita para o primeiro gol. Fez um cruzamento de esquerda para o segundo gol. E fez o terceiro.

 

 

 

 


Ceni precisa se mirar em Paulo Barros, da Portela
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22.04.2004 – Marco Antonio Teixeira / Agência O Globo – RI – Carnaval 2004 – Desfile das escolas de samba do Grupo Especial – Unidos da Tijuca

A Portela, com o tema “quem nunca sentiu o corpo arrepiar ao ver esse rio passar”, é, segundo analistas candidata ao título do carnaval carioca. Como sempre a ousadia do carnavalesco Paulo Barros foi muito elogiada. A comissão de frente tinha passistas vestidos de peixe, subindo uma queda dágua. Representava a piracema. A decisão sai a tarde. Horas depois, o São Paulo de Rogério Ceni enfrenta uma decisão muitíssimo menos complicada. Tem um jogo eliminatório contra o PSTC, do Paraná.

E o que Paulo Barros tem a ver com Rogério Ceni?

Se ganhar hoje, será o quarto título de Barros. Os outros três foram pela Unidos da Tijuca, em 2010, 2012 e 2014. Antes de vencer, porém, ele já era conhecido e, para muitos, o responsável por um novo sopro de renovação no carnaval carioca, após a passagem de Joãosinho Trinta pela Beija Flor.

Não ganhava, mas todo mundo se lembra o carro alegórico do DNA, de 2004 na Tijuca. O nome correto era A Criação da Vida, que trazia uma pirâmide humana com 123 pessoas, pintadas de azul. Movimentos sincronizados imitavam a estrutura de dupla hélice de uma molécula de DNA. Era conhecido também por revolucionar as comissões de frente. Transformou tradição em magia.

Rogério Ceni dirigiu o São Paulo em sete jogos oficiais. Logicamente não ganhou um título, mas seu trabalho já tem referências com base na ousadia: o gol de Luis Araújo contra o Santos com bola roubada no campo rival, a marcação agressiva quando não tem a bola, a capacidade incrível de chutar. O que parece simples e obrigatório, no seu caso, rompeu os parâmetros. Em seis jogos no Paulista, o São Paulo finalizou 88 vezes, 43 delas no alvo e conseguiu 17 gols.

Já existe um estilo Ceni. É o mais ousado do futebol brasileiro em 2017. Como foi com Paulo Barros, sua ousadia será contestada até conseguir um título.

Vai ser pressionado para isto, vai ser cobrado, afinal o time sofreu 13 gols em seis jogos e ninguém é campeão com uma média tão alta. À medida que o tempo passar, mais dúvidas haverá sobre o trabalho de Ceni.

A resposta deve ser dada no estilo Paulo Barros: Ceni tem de se mostrar fiel às suas convicções. Fazer os acertos necessários. Ou melhora a defesa, ou melhora a recomposição e, em um caso ou em outro, faz com que os erros individuais diminuam… Algo será feito – ele não é bobo – mas os títulos ficarão mais próximos se ele não abdicar de suas ideias. Manter o DNA ofensivo, pelo menos para lembrar o DNA do vice-campeonato da Tijuca em 2004.


Palmeiras vence São Bernardo e a frescura
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Dudu foi o comandante da vitória verde contra o São Bernardo. Fez o primeiro gol e sofreu o pênalti que resultou no segundo. Foi um jogo de dois times bem montados e organizados. O São Bernardo defende bem e não rifa a bola. Sai da defesa tocando a bola, trocando passes. O Palmeiras sofreu apenas um gol em três jogos. Está bem na defesa, mas ainda erra na frente. Natural, quando se vê Guerra ainda desentrosado e quando não se ve Borja em campo.

Há alguns problemas técnicos. O maior, no momento, é Roger Guedes, que foi tão bem no ano passado. O time melhorou muito quando Michel Bastos o substituiu. Entrou com muita vontade, chutando forte, como é seu estilo. Enfim, é um time que vai crescer.

Ainda não é hora de show. É preciso calma.

E o Palmeiras crescerá com tranquilidade e em maior velocidade, cobrança exagerada. E se não houver frescura. Como fez Dudu. Qual o sentido em fazer um gol em momento duro, com jogo empatado e não comemorar? Sinceramente, é uma criancice sem tamanho. Coisa de garoto mimado, o que Dudu não é. Ou não deveria ser, por usar a cinta de capitão do time.

 

Novamente a torcida palmeirense teve dificuldades para chegar ao estádio e para fazer festa fora dele. Nas redes sociais, falava-se em uma decisão da diretoria. Frescura.

O futebol brasileiro tem tantas dificuldades – times sem dinheiro, europeus e chineses levando astros, campos ruins, árbitros sem qualidade, entidade dirigida por corruptos – e ainda esbarra em muita frescura, muita coisa de gente mimada, leite com pera…

Os jogadores do Santos, irritadíssimos com a comemoração de Cueva, com a mão em curva na orelha. A comemoração foi imortalizada por Juan Roman Riquelme. Foi feita por Cueva em todos os gols que fez pelo São Paulo, pelo menos nove. Mas é preciso jogar para a torcida. E la foi Leandro Donizete, comandando Thiago Maia e Yuri. Pressão no juiz, um banana. Amarelo para o jogador.

E o amarelo para Willian no jogo do Palmeiras contra o São Bernardo. Ele se enroscou no pé do zagueiro e caiu. Não foi penalti. E não foi simulação. Foi um choque, apenas isso. Mas levou o amarelo.

Quer outra frescura? Treinador colocando a mão na boca para falar com jogador que vai entrar em campo. Eduardo fez assim com Michel Bastos e Veiga. Será que o São Bernardo tem um especialista em casa, de frente para a televisão, para decifrar a instrução? Se tiver, o que faria? Ligação imediata para o treinador Vieira? É muita obsessão com segurança, é muita paranoia. Frescura.

Ceni fez o mesmo no jogo contra o Santos, na saída do primeiro tempo. Foi conversando com a mão na boca. Na boa, acho que fica até difícil para o jogador entender o que o treinador quer falar.

Tudo muito chato, não acham?


Jair e Roger, os primeiros “estudiosos” na toca dos leões
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JAIR VENTURAO início de 2017 é marcado pela imensa expectativa em relação a alguns treinadores considerados “estudiosos”, em contraposição àquela bobagem dita por Renato Gaúcho (quem sabe, fica na praia, quem não sabe, estuda). Sobre eles, recai a esperança de uma renovação no futebol brasileiro.

Há uma grande boa vontade sobre eles, que, em alguns casos, estão iniciando a carreira.

São eles:

Jair Ventura – treinou o Botafogo durante um turno do Brasileiro.

Zé Ricardo – treinou o Flamengo por um turno e meio.

Rogério Ceni – dirigiu o São Paulo duas vezes.

Eduardo Batista – foi bem no Sport e na Ponte Preta. Foi mal no Fluminense.

Fábio Carille – Tem menos de 15 partidas pelo Corinthians

Antonio Carlos Zago – Foi mal no Palmeiras, estudou na Europa e foi bem no Juventude. Reinicia a carreira.

Roger Machado – Fez um bom brasileiro em 2015, mas o Grêmio, sob seu comando, desandou em 2016.

A boa vontade resistirá até quando? Por pouco tempo, garanto. Alguns maus resultados e a cobrança virá, exceção à Rogério Ceni, por sua relação mitológica com a torcida.

Os clubes, todos eles grandes, apostaram em treinadores jovens, mas a realidade é que poucos serão campeões. E time grande vive de títulos. Tomara que os perdedores façam também um bom trabalho e que a renovação se solidifique.

O Botafogo, de Jair Ventura, recebe o Colo Colo, time mais popular do Chile e que há dez anos não consegue superar a fase de grupo da Libertadores.

O Galo encara seu maior rival, o Cruzeiro de Mano Menezes, outro estudioso, mas com currículo enorme.

São os dois primeiros do batalhão da juventude, começando a enfrentar o moedor de carnes que é o futebol brasileiro.

 


São Paulo não tinha como segurar Neres. É a tristeza do futebol brasileiro
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cofreDavid Neres, oito jogos e três gols marcados, vendido por 15 milhões de euros.

Muito dinheiro, se lembrarmos que Jorge, já com uma partida na seleção principal, saiu por 8 milhões de euros.

Pouco dinheiro, se lembrarmos que ele disputará o Mundial sub-20, o que levaria seu valor às alturas.

Pouco ou muito, não interessa. O São Paulo não tinha o que fazer.

Por que não tinha?

Porque é um time endividado. E um time endividado não tem poder de negociação. É matéria prima. Tem de vender. Aos times brasileiros, resta isso: vender o almoço para poder jantar.

O trabalho de Ceni fica totalmente comprometido. Ele baseou seu trabalho no fato de ter quatro bons atacantes de lado. Para isso, cedeu Hudson e trouxe Neílton, que eu não considero bom.

Com quatro jogadores, ele poderia manter sempre a intensidade, com trocas de jogadores a cada partida. Sai um, entra outro e a intensidade e velocidade continuariam grandes.

O dinheiro irá para pagar dívidas. O orçamento do São Paulo previa a arrecadação de R$ 60 milhões até o final do ano. Ou seja, a teoria do vender o almoço para pagar o jantar já estava previsto no orçamento.

Rogério deverá subir um garoto da base: Caíque ou Murilo.

Enfim, é isso. O futebol não é diferente do resto. Vendemos café, carne, frango…Oque mais? Garoto bom de bola.


Ceni não é Midas. Leco precisa ajudar
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UOL Esporte

reimidas
Eu já tive alguns ídolos no futebol, mas faz tempo que abdiquei dessa emoção. Ter  um ídolo é pressupor que a pessoa não erra. E ninguém no mundo tem essa qualidade.

Então, o que escrevo é baseado no que vejo, leio e penso. E eu tenho solidificado a percepção que a escolha de Rogério Ceni como treinador do São Paulo foi um grande acerto do presidente Leco. Talvez o maior.

Em entrevistas dadas ontem, ficou marcada como Ceni está preparado. Ou melhor, como está se preparando. Quem está preparado, estaciona. Que está se preparando, está em evolução.

Ele dissecou, em conversa com o Mauro Cezar Pereia, o estilo de Conte no Chelsea. Depois, falou de outros times. Falou do São Paulo e mostrou muita segurança.

Gostei quando ele falou da necessidade de versatilidade dos jogadores. Entre o que ele falou ontem e outros dias, é possível ver que ele vislumbra novidades na escalação.

A seguir:

Wesley – pode ser lateral, ala, volante e meia

Breno, Lucão e Lyanco – podem ser zagueiros e volantes

Foguete – lateral, volante ou participante de uma linha de três pela direita

Buffarini – lateral na direita, na esquerda, volante ou participante da linha de três, pelos dois lados.

Bruno – lateral ou ala

Cícero – volante, meia ou segundo atacante

Chávez – Centroavante e segundo atacante.

Ceni foi falando das várias possibilidade até que citou Lugano e Giberto. “São dois jogadores específicos, o Lugano na linha de três, como sobra e o Gilberto, que é nove, nove, nove”.

E é aí que o bicho pega. Gilberto é o único centroavante do elenco. Ceni nem levou Pedro para os treinos na Florida, o que indica um possível empréstimo.

E como Ceni é bom, mas não é Midas, aquele que transformava em ouro tudo o que tocava, precisa de ajuda. Precisa de um outro centroavante.

Se for o Calleri, o time teria um grande salto técnico. Se não for, que seja alguém que possa ao menos revezar com Gilberto. Caso contrário, Ceni terá de lançar mão de um esquema sem centroavante, o tal “falso nove”. E quem fez isto muito bem na base foi Shaylon.

Leco, que acertou com Ceni, precisa lhe dar ferramentas para que o trabalho saia bom. Precisa achar um bom centroavante.


Só demagogia explica o voto de Tite em Neymar
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menon

demagogiaTite é um ótimo treinador. Um dos melhores do mundo, apesar de vê-lo refém sempre do mesmo esquema. Para mim, é o segundo melhor do Brasil. Prefiro Cuca, dono de um estilo mais agressivo e mais surpreendente.

Mas não interessa se é o melhor, como a grande maioria considera, ou o segundo, como eu acho. O ponto aqui é que Tite entende muito de futebol. Muito. Muito mais do que eu, por exemplo.

Então, como entender que Tite coloque Neymar como o segundo melhor jogador do mundo em 2016? Na frente do francês Griezmann e atrás apenas de Cristiano Ronaldo.

Lionel Messi não entra na lista de Tite. Messi não entra e Neymar não entra. Mas, quem foi melhor no Barcelona, time de ambos? Ora, a imprensa espanhola está preocupada com o mau rendimento de Neymar, os torcedores do Barça sentem falta de seu futebol alegre e Tite simplesmente o considera o melhor do time?

E Iniesta, o arquiteto?
E Luiz Suárez, o matador impiedoso?

Não dá para entender o voto de Tite. Ele tem muito de demagogia. É uma tentativa de levantar o ânimo de seu campeão. Só pode ser esta a explicação. Pode ser bom para o Brasil. Pode ser. Mas que é demagogia, é.

Se Tite votou em Neymar como o segundo melhor do ano, o brasileiro teve nove votos como o melhor do ano. Em 2015, foram 15 votos.

Os eleitores de Neymar como melhor do mundo foram:

JOGADORES – Pierre-Emerick Aubameyang (Gabão), Ramin Ott (Samoa Americana) e Paulo Cheang Cheng Ieong (Macau)

TREINADORES – Artur Petrosyan (Armênia), Andrew Bescome (Bermudas), Abrahan Grant (Gana) e Hervé Renard (Marrocos)

JORNALISTAS – Randy Smith (Bahamas), Faizool Deo (Ilhas Turcas e Caicos).

Apenas Aubameyang é conhecido. Artilheiro no Borussia Dortmund. E, dos nove votos, apenas um veio de país = Marrocos – que já participou de um Mundial.

 

picadinhomenonCHAPECOENSE VIVA – Evidentemente, a torcida de Capivari apoiou a Chapecoense contra o São Paulo. Há uma rivalidade entre os dois times que decidiram o Paulista sub-20. Também é bom lembrar que a Chape fez um primeiro tempo muito chato, com muitas faltas, totalmente retrancada. Mas nada disso tem muita importância quando se ouviu o grito da torcida apoiando os catarinenses que se tornaram xodó mundial, após a tragédia. Seja por antipatia ao São Paulo, seja por amor, a Chape está viva. E classificada.

ROSEMBERG E A VELHA TECLA – Luis Paulo Rosenberg fez um lobby para voltar ao Corinthians, mas o presidente Roberto Andrade não aceitou. Não quer ter a seu lado alguém que estará lá para articular o golpe por dentro da instituição. Rosenberg, ao dar entrevista e tentar a volta, utilizou novamente a tática de se contrapor ao São Paulo. Falou em naufrágio, uma análise que cabe muito bem ao próprio Corinthians. Aliás, se Roberto Andrade fosse se basear no fiasco da passagem de Rosenberg pela Portuguesa é que não lhe daria outra chance. Rosenberg prometeu que levaria a Lusa à Libertadores em 2020. Não fez nada, nada e saiu. Um boquirroto.

DANIEL NERI E O SPORT – O Sport eliminou o Palmeiras na Copinha. Não é uma surpresa. O time pernambucano chegou à semifinal da Copa do Brasil do ano passado. É um time muito bem treinado pelo português Daniel Neri, de 37 anos. Ele trabalhou por três anos no Porto de Caruaru e chegou ao Sport em 2015. Os jogadores estão sempre bem postados em campo, quem está com a bola tem opções de passe e o time mostrou muita tranquilidade nos contra-ataques na segunda metade do segundo tempo.

VAMPETA – O presidente do Audax está certo em colocar um preço alto para o jogo de estreia do Paulista, quando enfrentará o São Paulo de Rogério Ceni. É um momento único, a estreia, no Brasil, do ex-goleiro como treinador. Há uma expectativa muito grande da torcida e Vampeta resolveu faturar. Se vender 10 mil ingressos – a metade da lotação – faturará 1 milhão bruto. Dinheiro tricolor. A torcida do São Paulo promete um boicote. O ódio a Vampeta será maior que a ansiedade por Ceni?

 


Eduardo e Rogério: um muro que não separa ideias convergentes
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eduardomonica2Renato Russo embalou muita gente com a descrição do amor improvável entre Eduardo, do camelo, e Monica, da moto. Diferenças que englobavam Bandeira, Bauhaus, Van Gogh, Mutantes, Caetano, Rimbaud, novela e um avô que jogava futebol de botão. Um muro ideológico a separa-los. Um muro físico separa outro Eduardo, o Baptista, de Rogério, o Ceni.

Um muro a separar ideias semelhantes. Foi o que se viu na apresentação do novo treinador do Palmeiras e na segunda entrevista coletiva de Ceni, ao lado de Michael e Charles, seus auxiliares mais próximos. Com três horas de diferença falaram de visões parecidas e que apontam para um 2017 instigante

E o que os une?

VERSATILIDADE – Ambos trabalharão para ter equipes que possam mudar de esquema sem que necessariamente haja a troca de jogadores. Baptista chegou a mostrar um Dudu parecido com Elias, no 4-1-4-1. Um meia por dentro, capaz de chegar na área, mas também de recuar e marcar como volante. Ceni explicou a opção por Foguete e não por Auro por ver nele capacidade de jogar como lateral, de fazer o fundo em uma linha de três e ainda de ser um volante. Aí, há uma diferença brutal: Dudu é um jogador pronto e Foguete está começando agora. Não é uma coincidência, pois o elenco de Eduardo é mais caro e famoso, enquanto o de Ceni tem 14 dos 28 jogadores vindos da base.

TODOCAMPISTA E NAO MEIO-CAMPISTA – Eduardo foi explícito: “não gosto de falar em volante, para mim tem de ser jogador de meio campo. Tem de marcar e passar. Não adianta tirar a bola e não saber o que fazer com ela. Não adianta só passar e não saber marcar”. Ceni não falou, mas autorizou a saída de Hudson e está muito ansioso para que a diretoria consiga manter João Schmidt no elenco. Aqui, outra diferença: Ceni quer 28 jogadores e Baptista prefere 33.

OBSESSÃO – Rogério Ceni tem trabalhado 13 horas por dia com seus auxiliares para assimilar o melhor treinamento que será feio no dia seguinte. Eduardo Baptista, durante o último mês, viu 41 jogos do Palmeiras, 38 deles do Brasileiro e três do Paulista, quando o time estava mal. Os dois disseram que o treino não termina quando acaba e que o pensamento é sempre na bola.

BUSCA DO CONHECIMENTO – Eduardo Baptista terminou agora o curso da CBF, que lhe garante a licença A. Rogério Ceni abandonou os estudos na Inglaterra quando seu sonho de ser treinador do São Paulo – ele se ofereceu ou foi convidado? – se concretizou. São dois ex-jogadores (Rogério com história no futebol brasileiro e Eduardo restrito ao Juventus) que não se conformaram com os conhecimentos táticos dos tempos de boleiro.

Enfim, vai ser bacana o encontro entre ambos. Como Ceni reagirá quando Jean deixar a lateral para ser um volante? E quando Guerra,eduardomonica ao Palmeiras perder a bola, deixar de ser um terceiro homem de meio para ser um volante? E o que Baptista fará quando Breno e Rodrigo Caio abandonarem a linha de três para serem volantes? E quando Cícero deixar de ser volante para virar um meia ofensivo, com bom cabeceio? Alias, a transformação de Cícero em volante foi reivindicada por Eduardo Baptista em seus tempos de Fluminense? E David Neres será um ponta um ala? Qual dos dois obrigará o outro a ter uma posição reativa em campo, sufocado em seu campo? Quem sufocar o outro, terá de ter muito cuidado com contra-ataques puxados por Cueva, Guerra, Jean, Cícero, Roger Guedes, Neres, Dudu, Wellington Nem.

Vai ser bom, amigos. Não há muro que separe boas ideias.


Oswaldo, o penúltimo dinossauro, caiu. O que virá em 2017?
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dinosVanderlei Luxemburgo, Luis Felipe Scolari e Muricy Ramalho estão fora do mercado. Não começarão 2017 comandando um dos 12 clubes de maior tradição no Brasil. Juntos, eles venceram uma Copa do Mundo de seleções, 3 Libertadores, 12 Brasileiros e 5 Copas do Brasil. O primeiro desses títulos foi o Brasileiro de 1993, de Luxemburgo, com o Palmeiras. O último, foi a Copa do Brasil de 2012, de Scolari, também no Palmeiras. Abel Braga, de volta ao Flu, venceu um Mundial, uma Libertadores e um Brasileiro.

O “quinto dinossauro” foi demitido pelo Corinthians. Oswaldo de Oliveira sai após nove jogos e um aproveitamento de 37%, com duas vitórias, quatro empates e três derrotas. Algo não condizente com seu passado no futebol, com um título mundial e um brasileiro. Não está aqui o “título moral” de Oswaldo na Copa João Havelange, quando foi demitido por Eurico Miranda nas vésperas da decisão.

Depois destes cinco “dinossauros”, houve uma geração intermediária ainda na ativa.  Tite, com seu título mundial interclubes, uma Libertadores, dois Brasileiros e uma Copa do Brasil está na Seleção Brasileira. Mano Menezes, que também dirigiu a Seleção, tem uma Copa do Brasil e está no Cruzeiro. Renato Gaúcho, com duas Copas do Brasil, está no Grêmio.

Entre o sucesso de Tite, o ocaso dos três gigantes, a demissão de Oswaldo, a volta de Abel e a curiosidade sobre como Renato Gaúcho trabalhará a longo prazo, os 12 grandes estão cheios de novidades. A renovação é gritante e pode ser exemplificada com alguns dados curiosos.

Eduardo Batista é filho de Nelsinho Batista, o primeiro rival de Luxemburgo, lá em 1990, na disputa entre Braga e Novorizontino.

Dorival Jr foi auxiliar de Muricy.

Antônio Carlos Zago foi dirigido por Scolari e Luxemburgo.

Rogério Ceni foi capitão de Muricy e assume um clube pela primeira vez.

Zé Ricardo e Jair Ventura têm menos de 40 anos.

Roger Machado foi dirigido por Scolari.

O perfil dos novos treinadores aponta para pessoas menos empíricas e mais antenadas com o futebol que se pratica hoje. Zé Ricardo e Jair Ventura nem podem ser “boleiros”, afinal não são ex-jogadores. Dorival Jr e Mano Menezes fizeram uma “reciclagem” na Europa. Dorival visitou grandes clubes e Mano fez cursos em Portugal.

Antônio Carlos Zago fez todos os cursos da Uefa e foi auxiliar na Roma. Rogério Ceni fez cursos menores e trouxe o inglês Michael Beale, com grande experiência em clubes ingleses. Eduardo Batista e Roger Machado, que foram muito bem no início da carreira, terão a chance de recomeçar em um time grande, após o mau momento no Fluminense e na fase final do Grêmio. Cristóvão tem uma nova chance, após não conseguir montar defesas seguras por onde passou.

O ano de 2017 começará com muita expectativa sobre o trabalho dos novos treinadores. E com a esperança que algo de novo se materialize no Brasil. Porque, por enquanto, toda a modernidade que se instala aqui é uma imitação do que já se implantou na Europa. Nem se pensa no “pulo do gato”, na possibilidade de que uma grande novidade apareça por aqui. Se conseguirem chegar mais perto do que se faz por lá, com um “delay” menor já será um grande feito.

E sonhar com um grande clube jogando de forma diferente dos outros. Chega de 4-2-3-1, a novidade da Copa de 2006.


Rogério pede enxugamento de elenco para usar a base
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Rogério Ceni vai trabalhar com Michael Beale, que fez carreira na base do Chelsea e do Liverpool. O novo treinador esteve acompanhando os treinamentos da base tricolor, em Cotia. Viu até a decisão do sub-17. Mas não haverá, no momento, a ascensão dos destaques dos juniores para compor o time profissional. “Gosto muito do Lucas Kal, do Tormena, do Foguete, Araruna e Artur. Mas como eu vou subir dois zagueiros se já temos sete no time de cima. Como vou subir dois volantes, se já temos tantos. Não quero trabalhar com elenco grande, com mais de 27. Então, vamos esperar a saída de alguns, um enxugamento para que a gente possa subir os garotos. Além disso, vamos ter dois ou três jogadores experientes para fazer uma boa mescla no elenco”;

A sala de imprensa do CT estava lotada. Ceni chegou usando camisa de treino, ao lado dos dirigentes do clube. Falou por um bom tempo, com uma prolixidade que até impediu que muitas perguntas fossem feitas. Citou Osório (“ele dizia que as vezes você toma decisões por dinheiro ou por glória e eu quero a glória), citou De Gaulle (“a ingratidão pode ser uma necessidade do trabalho”) e Slaven Bilic,  treinador do West Ham) (“às vezes, esperamos muito pela oportunidade perfeita e ela nunca chega”, para mostrar que veio ao São Paulo para exigir comprometimento e sonhar com a glória, mesmo não tendo feito todos os cursos que esperava na Inglaterra, que considera o suprassumo da organização e da eficiência.

Rogério veio para vencer.

cenitecnicoUm resumo da entrevista:

Papel do torcedor – Já pedi ao presidente Leco para que os preços dos ingressos para o anel superior sejam bem acessíveis. Queremos ter pelo menos esta parte do estádio lotada, com 40 mil torcedores.

Comprometimento – Sempre exigi muito de mim e vou pedir o mesmo aos jogadores. Vamos ajudar com nossa psicóloga, caso isto não esteja acontecendo, mas o certo é que haverá comprometimento de uma forma ou de outra;

Esquema tático – Posso usar a primeira linha com três zagueiros, o Sampaoli faz isso muito bem. Posso adaptar o time aos adversários, vamos ter mais de um sistema de jogo, mas o importante é ter um time agressivo, com marcação alta e sempre buscando vitória.

Treinamentos – Serão muito intensos, com os jogadores participando muito. Não serão longos, no máximo 70 minutos. Temos três campos e haverá sessões diferentes, a equipe pode ser dividida. O Michael Beale e o restante da comissão terá toda liberdade para trabalhar, pois são muito competentes. Não quero os louros para mim.

Uso da base – Gosto muito do Lucas Kal e do Tormena, mas já temos sete zagueiros aqui. Gosto do Artur e do Araruna, mas já temos muitos volantes. Eles terão oportunidade, mas antes vamos enxugar o elenco. Não quero trabalhar com elenco grande, com mais de 27 ou 28 jogadores

Goleiros – O Sidão veio para dar uma maior competitividade à posição. Conheço muito bem o potencial do Denis, trabalhamos juntos por um bom tempo e também confio no Renan. Vamos fazer um revezamento durante a Florida Cup