Blog do Menon

Arquivo : Rogério Ceni

Ceni e novo estatuto aproximaram Casares de Leco
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No final do ano passado, Julio Casares era a grande noiva do processo eleitoral do São Paulo. Conselheiro mais bem votado nas duas últimas eleições, aparecia como objeto de desejo da oposição, que buscava um candidato que ampliasse sua base eleitoral, uma defecção das hostes situacionistas para apoiar com gosto e fé. Casares era o nome escolhido para enfrentar Leco e também Roberto Natel, o vice do presidente, que havia deixado o cargo para também se candidatar. Com três candidatos – Leco, Natel e Casares – a oposição se via com muitas chances de vencer.

Casares também era o sonho de Leco. O presidente lutava para que não houvesse defecções, principalmente a de Casares, que, além do prestígio clube, faz parte do Participação, mesmo grupo político do presidente. Mais do que isso, é o coordenador do grupo. Seria desconfortável explicar uma candidatura que não é aceita nem pelo seu vice e nem pelo coordenador de seu próprio grupo político.

No início de dezembro, quando Rogério Ceni foi apresentado, Julio Casares estava lá, no CT da Barra Funda. Andando de um lado para o outro, radiante, cumprimentando todos com entusiasmo. Ele estava afastado de Leco e sua ida ao CT tinha todo o jeito de lançamento informal de candidatura. Atitude de candidato, que ele jurava não ser. Jurava e ninguém acreditava. Ele repetia que não tinha condições de deixar seu emprego na TV Record e que não era o momento de se candidatar.

Na verdade, a contratação de Ceni o havia aproximado de Leco. Ele viu a vinda do grande ídolo para o clube como uma jogada de mestre, como algo grande. Marco Aurélio Cunha foi o primeiro a colocar o nome de Ceni na mesa, quando se falava muito em Roger. Por que Roger, se há alguém totalmente identificado com o clube, alguém que já decidiu ser treinador? E se Rogério quer ser treinador, terá de ser no São Paulo. Marco Aurélio sugeriu antecipar o inevitável. Casares gostou e não se importou de a ideia ter sido formulada por alguém com quem teve os debates mais acalorados da última eleição, quando Juvenal Juvêncio apoiou Aidar e Cunha foi o cérebro atrás da campanha de Kalil Rocha Abdalla, ninguém sabe, ninguém viu onde está.

Casares mostrou-se entusiasta também da ideia do novo estatuto, levada em frente por Leco. Ele participou com 27 propostas, algumas delas aprovadas no Conselho. Ele vê o novo estatuto como um momento único no clube, um rito de passagem para dias mais profissionais. Um estatuto em que o presidente não tem o poder absoluto e que permite a ele se cercar de gestores. Um presidente que talvez não precise se dedicar tanto ao clube, mas isso é assunto para a nova eleição.

Quando a decisão de não ser candidato foi, enfim, cristalizada, quando todos aceitaram que era verdade o que dizia e não apenas conversa para se valorizar e esperar a hora certa para se lançar, a oposição já estava vendo outros nomes. Já não contava com uma das duas prováveis defeções. A mais importante delas, a que sonhava apoiar. Mesmo assim, havia Roberto Natel, o que garantiria três candidatos e uma sangria nos votos de Leco. Foi então que Natel abdicou da candidatura. Viu que não teria chances. E voltou ao ninho. Um movimento semelhante ao do próprio Leco, quando foi preterido por Juvenal em favor de Aidar. Voltou e virou presidente do Conselho. Talvez seja o caminho sonhado por Natel, para implantar sua candidatura para a próxima eleição.

A oposição, então, procurou outros nomes. Opice Blum estava queimado por haver ido com muita sede ao pote e haver condenado Ataíde Gil Guerreiro sob a bizarra e ridícula acusação de tentativa de assassinato de Carlos Miguel Aidar. Era preciso um candidato forte e não alguém folclórico como Newton do Chapéu. E a escolha foi por Pimenta, o dono de todas as glórias no início dos anos 90. É uma candidatura forte e bem organizada. São os dois grupos de cardeais novamente frente a frente. Juvenal Juvêncio e Antonio Leme Nunes Galvão estão mortos, mas seus grupos estão se digladiando novamente. A mesma velha história que talvez mude com a nova estrutura de poder a ser implantada com o novo estatuto. Mas que só mudará, com certeza, com a abertura do clube para que sócios torcedores possam participar com voto e voz. Afinal, quem paga um título de sócio torcedor, com certeza não é palmeirense, como uma conselheira que deu seu depoimento a favor de Pimenta.


O que Ceni, Carille, Baptista e Dorival precisam fazer urgentemente
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menon

Bem, já pode criticar treinador? Acabou a quarentena? Foram 12 jogos classificatórios e mais um no mata-mata. É um bom período de trabalho ou precisa mais. As perguntas são pertinentes. No Brasil, é mais pecado falar mal de um técnico do que do Papa Francisco. E olha que ele entende de futebol… Treinadores no Brasil atual alcançaram um status em críticas a eles são consideradas uma afronta à modernidade gerencial do futebol. São defendidos como se estivessem no cargo obrigados. Como se não recebessem salários espetaculares, astronômicos, estratosféricos. Sim, eu sei que são poucos. Mas é destes poucos que eu quero cobrar. Posso?

É preciso tempo, dizem. O campeonato paulista não deve ser levado em conta, é apenas pré temporada, repetem. Não se pode cobrar por resultado e sim por desempenho. Mas desempenho não precisa levar a resultado? Ou o título é só um detalhe?

Sinto afirmar aos nossos treinadores que o prazo acabou. Começaram as decisões e é hora de o serviço ser analisado.

Rogério Ceni pode repetir, a cada entrevista, as estatísticas que quiser, mas a única que interessa a partir de agora é a diminuição drástica dos gols sofridos. Já houve uma melhora nos dois últimos jogos, a partir da efetivação de Renan e de Jucilei.

Fabio Carille não pode mais ser julgado apenas pelos resultados. A não ser que esses resultados levem ao título. Nem um vice-campeonato pode ser aceito se o time mantiver o futebol arrastado, sem imaginação e, pior, sem gols.

Eduardo Baptista precisa fazer o time melhorar na Libertadores. Para o elenco que tem, é muito pouco empatar com o Tucuman e vencer o Wilstermann com um gol aos 47 minutos do segundo tempo. Há um problema claro a ser resolvido: a avenida no lado esquerdo, seja com Egídio ou Zé Roberto.

Dorival é a maior decepção. O time cresceu muito no final do ano passado. Começou 2017 com pinta de campeão (eu o apontei como favorito ao Paulista no início do ano). Era a hora de um novo passo. Após mais de um ano no cargo, o Santos parecia estar pronto para deixar de ser um papa-paulistão para ganhar grandes competições. E está difícil até o Paulista.

Um dos quatro estará salvo de críticas após o final do Paulista. O campeão. A lei da selva é assim. Quem mandou ser técnico de time grande? Está achando duro? Vai dirigir o Audax.

VALDIVIA POR GIOVANNI AUGUSTO É UMA ÓTIMA troca para o Corinthians. Pode ser boa para o Inter, também. Mas a verdade é que o tempo de Givovanni Augusto no Corinthians já acabou. Não deu liga. Ele fomra com Marquinhos Gabriel, Marlone e k
Guilherme, os Quatro Mosqueteiros do Desânimo. São quatro que não passariam no exame para fazer parte do Bando de Loucos. São muito normais para serem corintianos. O que dirá, para ser jogador do Corinthians?

UM SAMBA – Agora vou mudar minha conduta/Eu vou pra luta pois eu quero me aprumar/Vou tratar você com a força bruta/Pra poder me reabilitar/Pois esta vida não está sopa e eu pergunto: com que roupa?/Com que roupa eu vou pro samba que você me convidou?/Com que roupa que eu vou pro samba que você me convidou? (Com que roupa?/Noel Rosa)

DOMINGO TEM CLÁSSICO NA A-2, reunindo, em Campinas, Guarani e Portuguesa. O Bugre tem 26 pontos e está em quarto lugar, o que lhe garantiria, hoje, um lugar no quadrangular que definirá os dois que subirão. A Portuguesa tem 23 pontos e ainda sonha co o G-4. É difícil, mas como o time conseguiu três vitórias seguidas e como sonhar não paga imposto… Passa na TV, onze da matina.

OUTRO SAMBA – Jura, jura, jura/pelo Senhor/Jura pela imagem/da Santa Cruz do Redentor/pra ter valor a tua jura/jura, jura
de coração/para que um dia/eu possa dar-te o amor/sem mais pensar na ilusão (Jura/Sinhô).

SE FUTEBOL RAIZ É BOM, FLÁVIO CAÇA RATO É mandioca. Umafigura que faz bem ao futebol, principalmente para quem o vê como algo lúdico, fora de padrões rígidos de educação, moral e bons costumes. Roubar gol do amigo, provocar o rival, como faz Felipe Melo, comemorar com alegria, tudo é um bálsamo para esse período careta em que vivemos. Quando uma pancada é punida com a mesma intensidade (nem sempre) de uma festa na hora do gol.

MAIS UM SAMBA – Deixa essa mulher chorar/Pra pagar o que me fez/Zombou de quem soube amar, por querer/Hoje, toca sua vez de sofrer (Deixa essa mulher chorar/Brancura)

 

 

 


Luiz Flavio deu segurança para o São Paulo vencer
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O São Paulo é um time ofensivo. Corre muitos riscos. Em sete jogos no Paulista, fez 21 gols e sofreu 14. Média de 3 a 2 por jogo. O bom trabalho de Rogério Ceni é prejudicado pela falta de segurança que o time tem, defensivamente falando. Faz um gol e leva outro em seguida. Mesmo atuando bem, a torcida não tem sossego.

Na vitória por 4 a 1 sobre o Santo André, a segurança veio através do árbitro Luiz Flávio de Oliveira. Logo no início, ele validou o gol de Cícero, marcado em impedimento mais ou menos de 1,5 quilômetro. Assim, o time, que já estava bem, pôde jogar com calma. Veio o segundo gol, em bela jogada com Luiz Araújo e Júnior Tavares, com Cueva conferindo.

A defesa falhou no gol do Santo André e Leonardo diminuiu. O Santo André sonhou em repetir as proezas de Novorizontino e Mirassol, buscou o empate. O São Paulo passou a ser pressionado, mas Luiz Flávio interferiu novamente. Validou o gol de braço de Luiz Araújo. Veio o sossego que terminou com o quarto gol de Gilberto.

Uma pergunta: Luiz Flávio sabia que havia errado no primeiro lance. Não seria plausível que ele, se não soubesse o que realmente ocorreu no lance, anulasse o gol? Preferiu apitar para o lado maior, uma vez mais.

Deixando o árbitro de lado, é possível ver muita coisa boa no São Paulo.

Foram 13 finalizações, nove delas no alvo.

A jogada ensaiada de escanteio curto.

Atuação segura de Douglas. Lugano também estava bem, mas perdeu uma bola dominada.

Wellington Nem entrou bem e mostrou-se ótima opção.

Cueva e muito bom. Araruna é bom jogador

Gilberto tem sido uma digna opção a Pratto.

Luiz Araújo fez um cruzamento de direita para o primeiro gol. Fez um cruzamento de esquerda para o segundo gol. E fez o terceiro.

 

 

 

 


Ceni precisa se mirar em Paulo Barros, da Portela
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22.04.2004 – Marco Antonio Teixeira / Agência O Globo – RI – Carnaval 2004 – Desfile das escolas de samba do Grupo Especial – Unidos da Tijuca

A Portela, com o tema “quem nunca sentiu o corpo arrepiar ao ver esse rio passar”, é, segundo analistas candidata ao título do carnaval carioca. Como sempre a ousadia do carnavalesco Paulo Barros foi muito elogiada. A comissão de frente tinha passistas vestidos de peixe, subindo uma queda dágua. Representava a piracema. A decisão sai a tarde. Horas depois, o São Paulo de Rogério Ceni enfrenta uma decisão muitíssimo menos complicada. Tem um jogo eliminatório contra o PSTC, do Paraná.

E o que Paulo Barros tem a ver com Rogério Ceni?

Se ganhar hoje, será o quarto título de Barros. Os outros três foram pela Unidos da Tijuca, em 2010, 2012 e 2014. Antes de vencer, porém, ele já era conhecido e, para muitos, o responsável por um novo sopro de renovação no carnaval carioca, após a passagem de Joãosinho Trinta pela Beija Flor.

Não ganhava, mas todo mundo se lembra o carro alegórico do DNA, de 2004 na Tijuca. O nome correto era A Criação da Vida, que trazia uma pirâmide humana com 123 pessoas, pintadas de azul. Movimentos sincronizados imitavam a estrutura de dupla hélice de uma molécula de DNA. Era conhecido também por revolucionar as comissões de frente. Transformou tradição em magia.

Rogério Ceni dirigiu o São Paulo em sete jogos oficiais. Logicamente não ganhou um título, mas seu trabalho já tem referências com base na ousadia: o gol de Luis Araújo contra o Santos com bola roubada no campo rival, a marcação agressiva quando não tem a bola, a capacidade incrível de chutar. O que parece simples e obrigatório, no seu caso, rompeu os parâmetros. Em seis jogos no Paulista, o São Paulo finalizou 88 vezes, 43 delas no alvo e conseguiu 17 gols.

Já existe um estilo Ceni. É o mais ousado do futebol brasileiro em 2017. Como foi com Paulo Barros, sua ousadia será contestada até conseguir um título.

Vai ser pressionado para isto, vai ser cobrado, afinal o time sofreu 13 gols em seis jogos e ninguém é campeão com uma média tão alta. À medida que o tempo passar, mais dúvidas haverá sobre o trabalho de Ceni.

A resposta deve ser dada no estilo Paulo Barros: Ceni tem de se mostrar fiel às suas convicções. Fazer os acertos necessários. Ou melhora a defesa, ou melhora a recomposição e, em um caso ou em outro, faz com que os erros individuais diminuam… Algo será feito – ele não é bobo – mas os títulos ficarão mais próximos se ele não abdicar de suas ideias. Manter o DNA ofensivo, pelo menos para lembrar o DNA do vice-campeonato da Tijuca em 2004.


Palmeiras vence São Bernardo e a frescura
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Dudu foi o comandante da vitória verde contra o São Bernardo. Fez o primeiro gol e sofreu o pênalti que resultou no segundo. Foi um jogo de dois times bem montados e organizados. O São Bernardo defende bem e não rifa a bola. Sai da defesa tocando a bola, trocando passes. O Palmeiras sofreu apenas um gol em três jogos. Está bem na defesa, mas ainda erra na frente. Natural, quando se vê Guerra ainda desentrosado e quando não se ve Borja em campo.

Há alguns problemas técnicos. O maior, no momento, é Roger Guedes, que foi tão bem no ano passado. O time melhorou muito quando Michel Bastos o substituiu. Entrou com muita vontade, chutando forte, como é seu estilo. Enfim, é um time que vai crescer.

Ainda não é hora de show. É preciso calma.

E o Palmeiras crescerá com tranquilidade e em maior velocidade, cobrança exagerada. E se não houver frescura. Como fez Dudu. Qual o sentido em fazer um gol em momento duro, com jogo empatado e não comemorar? Sinceramente, é uma criancice sem tamanho. Coisa de garoto mimado, o que Dudu não é. Ou não deveria ser, por usar a cinta de capitão do time.

 

Novamente a torcida palmeirense teve dificuldades para chegar ao estádio e para fazer festa fora dele. Nas redes sociais, falava-se em uma decisão da diretoria. Frescura.

O futebol brasileiro tem tantas dificuldades – times sem dinheiro, europeus e chineses levando astros, campos ruins, árbitros sem qualidade, entidade dirigida por corruptos – e ainda esbarra em muita frescura, muita coisa de gente mimada, leite com pera…

Os jogadores do Santos, irritadíssimos com a comemoração de Cueva, com a mão em curva na orelha. A comemoração foi imortalizada por Juan Roman Riquelme. Foi feita por Cueva em todos os gols que fez pelo São Paulo, pelo menos nove. Mas é preciso jogar para a torcida. E la foi Leandro Donizete, comandando Thiago Maia e Yuri. Pressão no juiz, um banana. Amarelo para o jogador.

E o amarelo para Willian no jogo do Palmeiras contra o São Bernardo. Ele se enroscou no pé do zagueiro e caiu. Não foi penalti. E não foi simulação. Foi um choque, apenas isso. Mas levou o amarelo.

Quer outra frescura? Treinador colocando a mão na boca para falar com jogador que vai entrar em campo. Eduardo fez assim com Michel Bastos e Veiga. Será que o São Bernardo tem um especialista em casa, de frente para a televisão, para decifrar a instrução? Se tiver, o que faria? Ligação imediata para o treinador Vieira? É muita obsessão com segurança, é muita paranoia. Frescura.

Ceni fez o mesmo no jogo contra o Santos, na saída do primeiro tempo. Foi conversando com a mão na boca. Na boa, acho que fica até difícil para o jogador entender o que o treinador quer falar.

Tudo muito chato, não acham?


Jair e Roger, os primeiros “estudiosos” na toca dos leões
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menon

JAIR VENTURAO início de 2017 é marcado pela imensa expectativa em relação a alguns treinadores considerados “estudiosos”, em contraposição àquela bobagem dita por Renato Gaúcho (quem sabe, fica na praia, quem não sabe, estuda). Sobre eles, recai a esperança de uma renovação no futebol brasileiro.

Há uma grande boa vontade sobre eles, que, em alguns casos, estão iniciando a carreira.

São eles:

Jair Ventura – treinou o Botafogo durante um turno do Brasileiro.

Zé Ricardo – treinou o Flamengo por um turno e meio.

Rogério Ceni – dirigiu o São Paulo duas vezes.

Eduardo Batista – foi bem no Sport e na Ponte Preta. Foi mal no Fluminense.

Fábio Carille – Tem menos de 15 partidas pelo Corinthians

Antonio Carlos Zago – Foi mal no Palmeiras, estudou na Europa e foi bem no Juventude. Reinicia a carreira.

Roger Machado – Fez um bom brasileiro em 2015, mas o Grêmio, sob seu comando, desandou em 2016.

A boa vontade resistirá até quando? Por pouco tempo, garanto. Alguns maus resultados e a cobrança virá, exceção à Rogério Ceni, por sua relação mitológica com a torcida.

Os clubes, todos eles grandes, apostaram em treinadores jovens, mas a realidade é que poucos serão campeões. E time grande vive de títulos. Tomara que os perdedores façam também um bom trabalho e que a renovação se solidifique.

O Botafogo, de Jair Ventura, recebe o Colo Colo, time mais popular do Chile e que há dez anos não consegue superar a fase de grupo da Libertadores.

O Galo encara seu maior rival, o Cruzeiro de Mano Menezes, outro estudioso, mas com currículo enorme.

São os dois primeiros do batalhão da juventude, começando a enfrentar o moedor de carnes que é o futebol brasileiro.

 


São Paulo não tinha como segurar Neres. É a tristeza do futebol brasileiro
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menon

cofreDavid Neres, oito jogos e três gols marcados, vendido por 15 milhões de euros.

Muito dinheiro, se lembrarmos que Jorge, já com uma partida na seleção principal, saiu por 8 milhões de euros.

Pouco dinheiro, se lembrarmos que ele disputará o Mundial sub-20, o que levaria seu valor às alturas.

Pouco ou muito, não interessa. O São Paulo não tinha o que fazer.

Por que não tinha?

Porque é um time endividado. E um time endividado não tem poder de negociação. É matéria prima. Tem de vender. Aos times brasileiros, resta isso: vender o almoço para poder jantar.

O trabalho de Ceni fica totalmente comprometido. Ele baseou seu trabalho no fato de ter quatro bons atacantes de lado. Para isso, cedeu Hudson e trouxe Neílton, que eu não considero bom.

Com quatro jogadores, ele poderia manter sempre a intensidade, com trocas de jogadores a cada partida. Sai um, entra outro e a intensidade e velocidade continuariam grandes.

O dinheiro irá para pagar dívidas. O orçamento do São Paulo previa a arrecadação de R$ 60 milhões até o final do ano. Ou seja, a teoria do vender o almoço para pagar o jantar já estava previsto no orçamento.

Rogério deverá subir um garoto da base: Caíque ou Murilo.

Enfim, é isso. O futebol não é diferente do resto. Vendemos café, carne, frango…Oque mais? Garoto bom de bola.


Ceni não é Midas. Leco precisa ajudar
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UOL Esporte

reimidas
Eu já tive alguns ídolos no futebol, mas faz tempo que abdiquei dessa emoção. Ter  um ídolo é pressupor que a pessoa não erra. E ninguém no mundo tem essa qualidade.

Então, o que escrevo é baseado no que vejo, leio e penso. E eu tenho solidificado a percepção que a escolha de Rogério Ceni como treinador do São Paulo foi um grande acerto do presidente Leco. Talvez o maior.

Em entrevistas dadas ontem, ficou marcada como Ceni está preparado. Ou melhor, como está se preparando. Quem está preparado, estaciona. Que está se preparando, está em evolução.

Ele dissecou, em conversa com o Mauro Cezar Pereia, o estilo de Conte no Chelsea. Depois, falou de outros times. Falou do São Paulo e mostrou muita segurança.

Gostei quando ele falou da necessidade de versatilidade dos jogadores. Entre o que ele falou ontem e outros dias, é possível ver que ele vislumbra novidades na escalação.

A seguir:

Wesley – pode ser lateral, ala, volante e meia

Breno, Lucão e Lyanco – podem ser zagueiros e volantes

Foguete – lateral, volante ou participante de uma linha de três pela direita

Buffarini – lateral na direita, na esquerda, volante ou participante da linha de três, pelos dois lados.

Bruno – lateral ou ala

Cícero – volante, meia ou segundo atacante

Chávez – Centroavante e segundo atacante.

Ceni foi falando das várias possibilidade até que citou Lugano e Giberto. “São dois jogadores específicos, o Lugano na linha de três, como sobra e o Gilberto, que é nove, nove, nove”.

E é aí que o bicho pega. Gilberto é o único centroavante do elenco. Ceni nem levou Pedro para os treinos na Florida, o que indica um possível empréstimo.

E como Ceni é bom, mas não é Midas, aquele que transformava em ouro tudo o que tocava, precisa de ajuda. Precisa de um outro centroavante.

Se for o Calleri, o time teria um grande salto técnico. Se não for, que seja alguém que possa ao menos revezar com Gilberto. Caso contrário, Ceni terá de lançar mão de um esquema sem centroavante, o tal “falso nove”. E quem fez isto muito bem na base foi Shaylon.

Leco, que acertou com Ceni, precisa lhe dar ferramentas para que o trabalho saia bom. Precisa achar um bom centroavante.


Só demagogia explica o voto de Tite em Neymar
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menon

demagogiaTite é um ótimo treinador. Um dos melhores do mundo, apesar de vê-lo refém sempre do mesmo esquema. Para mim, é o segundo melhor do Brasil. Prefiro Cuca, dono de um estilo mais agressivo e mais surpreendente.

Mas não interessa se é o melhor, como a grande maioria considera, ou o segundo, como eu acho. O ponto aqui é que Tite entende muito de futebol. Muito. Muito mais do que eu, por exemplo.

Então, como entender que Tite coloque Neymar como o segundo melhor jogador do mundo em 2016? Na frente do francês Griezmann e atrás apenas de Cristiano Ronaldo.

Lionel Messi não entra na lista de Tite. Messi não entra e Neymar não entra. Mas, quem foi melhor no Barcelona, time de ambos? Ora, a imprensa espanhola está preocupada com o mau rendimento de Neymar, os torcedores do Barça sentem falta de seu futebol alegre e Tite simplesmente o considera o melhor do time?

E Iniesta, o arquiteto?
E Luiz Suárez, o matador impiedoso?

Não dá para entender o voto de Tite. Ele tem muito de demagogia. É uma tentativa de levantar o ânimo de seu campeão. Só pode ser esta a explicação. Pode ser bom para o Brasil. Pode ser. Mas que é demagogia, é.

Se Tite votou em Neymar como o segundo melhor do ano, o brasileiro teve nove votos como o melhor do ano. Em 2015, foram 15 votos.

Os eleitores de Neymar como melhor do mundo foram:

JOGADORES – Pierre-Emerick Aubameyang (Gabão), Ramin Ott (Samoa Americana) e Paulo Cheang Cheng Ieong (Macau)

TREINADORES – Artur Petrosyan (Armênia), Andrew Bescome (Bermudas), Abrahan Grant (Gana) e Hervé Renard (Marrocos)

JORNALISTAS – Randy Smith (Bahamas), Faizool Deo (Ilhas Turcas e Caicos).

Apenas Aubameyang é conhecido. Artilheiro no Borussia Dortmund. E, dos nove votos, apenas um veio de país = Marrocos – que já participou de um Mundial.

 

picadinhomenonCHAPECOENSE VIVA – Evidentemente, a torcida de Capivari apoiou a Chapecoense contra o São Paulo. Há uma rivalidade entre os dois times que decidiram o Paulista sub-20. Também é bom lembrar que a Chape fez um primeiro tempo muito chato, com muitas faltas, totalmente retrancada. Mas nada disso tem muita importância quando se ouviu o grito da torcida apoiando os catarinenses que se tornaram xodó mundial, após a tragédia. Seja por antipatia ao São Paulo, seja por amor, a Chape está viva. E classificada.

ROSEMBERG E A VELHA TECLA – Luis Paulo Rosenberg fez um lobby para voltar ao Corinthians, mas o presidente Roberto Andrade não aceitou. Não quer ter a seu lado alguém que estará lá para articular o golpe por dentro da instituição. Rosenberg, ao dar entrevista e tentar a volta, utilizou novamente a tática de se contrapor ao São Paulo. Falou em naufrágio, uma análise que cabe muito bem ao próprio Corinthians. Aliás, se Roberto Andrade fosse se basear no fiasco da passagem de Rosenberg pela Portuguesa é que não lhe daria outra chance. Rosenberg prometeu que levaria a Lusa à Libertadores em 2020. Não fez nada, nada e saiu. Um boquirroto.

DANIEL NERI E O SPORT – O Sport eliminou o Palmeiras na Copinha. Não é uma surpresa. O time pernambucano chegou à semifinal da Copa do Brasil do ano passado. É um time muito bem treinado pelo português Daniel Neri, de 37 anos. Ele trabalhou por três anos no Porto de Caruaru e chegou ao Sport em 2015. Os jogadores estão sempre bem postados em campo, quem está com a bola tem opções de passe e o time mostrou muita tranquilidade nos contra-ataques na segunda metade do segundo tempo.

VAMPETA – O presidente do Audax está certo em colocar um preço alto para o jogo de estreia do Paulista, quando enfrentará o São Paulo de Rogério Ceni. É um momento único, a estreia, no Brasil, do ex-goleiro como treinador. Há uma expectativa muito grande da torcida e Vampeta resolveu faturar. Se vender 10 mil ingressos – a metade da lotação – faturará 1 milhão bruto. Dinheiro tricolor. A torcida do São Paulo promete um boicote. O ódio a Vampeta será maior que a ansiedade por Ceni?

 


Eduardo e Rogério: um muro que não separa ideias convergentes
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eduardomonica2Renato Russo embalou muita gente com a descrição do amor improvável entre Eduardo, do camelo, e Monica, da moto. Diferenças que englobavam Bandeira, Bauhaus, Van Gogh, Mutantes, Caetano, Rimbaud, novela e um avô que jogava futebol de botão. Um muro ideológico a separa-los. Um muro físico separa outro Eduardo, o Baptista, de Rogério, o Ceni.

Um muro a separar ideias semelhantes. Foi o que se viu na apresentação do novo treinador do Palmeiras e na segunda entrevista coletiva de Ceni, ao lado de Michael e Charles, seus auxiliares mais próximos. Com três horas de diferença falaram de visões parecidas e que apontam para um 2017 instigante

E o que os une?

VERSATILIDADE – Ambos trabalharão para ter equipes que possam mudar de esquema sem que necessariamente haja a troca de jogadores. Baptista chegou a mostrar um Dudu parecido com Elias, no 4-1-4-1. Um meia por dentro, capaz de chegar na área, mas também de recuar e marcar como volante. Ceni explicou a opção por Foguete e não por Auro por ver nele capacidade de jogar como lateral, de fazer o fundo em uma linha de três e ainda de ser um volante. Aí, há uma diferença brutal: Dudu é um jogador pronto e Foguete está começando agora. Não é uma coincidência, pois o elenco de Eduardo é mais caro e famoso, enquanto o de Ceni tem 14 dos 28 jogadores vindos da base.

TODOCAMPISTA E NAO MEIO-CAMPISTA – Eduardo foi explícito: “não gosto de falar em volante, para mim tem de ser jogador de meio campo. Tem de marcar e passar. Não adianta tirar a bola e não saber o que fazer com ela. Não adianta só passar e não saber marcar”. Ceni não falou, mas autorizou a saída de Hudson e está muito ansioso para que a diretoria consiga manter João Schmidt no elenco. Aqui, outra diferença: Ceni quer 28 jogadores e Baptista prefere 33.

OBSESSÃO – Rogério Ceni tem trabalhado 13 horas por dia com seus auxiliares para assimilar o melhor treinamento que será feio no dia seguinte. Eduardo Baptista, durante o último mês, viu 41 jogos do Palmeiras, 38 deles do Brasileiro e três do Paulista, quando o time estava mal. Os dois disseram que o treino não termina quando acaba e que o pensamento é sempre na bola.

BUSCA DO CONHECIMENTO – Eduardo Baptista terminou agora o curso da CBF, que lhe garante a licença A. Rogério Ceni abandonou os estudos na Inglaterra quando seu sonho de ser treinador do São Paulo – ele se ofereceu ou foi convidado? – se concretizou. São dois ex-jogadores (Rogério com história no futebol brasileiro e Eduardo restrito ao Juventus) que não se conformaram com os conhecimentos táticos dos tempos de boleiro.

Enfim, vai ser bacana o encontro entre ambos. Como Ceni reagirá quando Jean deixar a lateral para ser um volante? E quando Guerra,eduardomonica ao Palmeiras perder a bola, deixar de ser um terceiro homem de meio para ser um volante? E o que Baptista fará quando Breno e Rodrigo Caio abandonarem a linha de três para serem volantes? E quando Cícero deixar de ser volante para virar um meia ofensivo, com bom cabeceio? Alias, a transformação de Cícero em volante foi reivindicada por Eduardo Baptista em seus tempos de Fluminense? E David Neres será um ponta um ala? Qual dos dois obrigará o outro a ter uma posição reativa em campo, sufocado em seu campo? Quem sufocar o outro, terá de ter muito cuidado com contra-ataques puxados por Cueva, Guerra, Jean, Cícero, Roger Guedes, Neres, Dudu, Wellington Nem.

Vai ser bom, amigos. Não há muro que separe boas ideias.