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Wellington e o SPFC fizeram uma grande bobagem
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Jogador de futebol tem estafe. Empresário, família e assessor de imprensa. Clube de futebol tem assessoria de imprensa. Tem até programação própria. Então, no futebol profissional em que se vive, é difícil entender que um jogador de um grande clube, com tanta gente a seu lado, faça uma besteira como fez Wellington.

Ao ser entrevistado pela TV do clube, é avisado que a mochila está aberta. Responde, então: “ainda bem que estou no São Paulo, se fosse no Corinthians…”. A declaração foi ao ar, pela tv oficial do clube, via snapchat. E ganhou as outras redes sociais.

Wellington propagou um preconceito recorrente. Corintiano é ladrão. De onde vem esse preconceito? Do fato de o Corinthians ter muitos torcedores do estrato mais pobre da população. Ou seja, pobre e preto é ladrão. Wellington é negro e já foi pobre. Ele ajuda a disseminar um preconceito contra ele mesmo.

E pode ainda responder respostas atravessadas lembrando que o ultimo ex-presidente de seu clube, como dizer, não cuidou muito bem das finanças do clube, permitindo que a namorada tivesse acesso a muitas transações tenebrosas. Pode ouvir também algo a respeito de seu exame antidoping que deu positivo.

Assessores deveriam ensinar os jogadores como se portar em entrevistas. A respeitar clubes de futebol. O clube é o estuário da paixão, o clube é amado pelo torcedor. O clube.

Wellington, ao fazer isso, caminha ao lado de pessoas que desrespeitam o próprio futebol e o cargo que ocupam, como Luis Paulo Rosenberg e Vampeta. Rosenberg, que foi economista importante no governo Sarney, quando a inflação chegou a 85% mensais, adora manter-se na mídia fazendo insinuações homofóbicas contra o São Paulo. É o que lhe resta.

E Vampeta, agora presidente de um clube e ao mesmo tempo comentarista em uma rádio paulista, também abusa do preconceito contra o São Paulo e contra homossexuais. Sem ter respeito ao cargo que ocupa – o de presidente – continua fazendo besteiras e falando aquelas bobagens tipo quarta série.

Futebol é algo alegre e que merece brincadeiras. Brincadeira é diferente de insinuações e acusações. Este tipo de coisas só aumenta a violência em uma sociedade já violenta como a que vivemos.


Carille se agarrou à muleta do sofrimento
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Há sofrimento maior que o de Prometeu, o deus grego que ousou desafiar Zeus e roubar o fogo do Olimpo e dá-lo ao Homem? Zeus mandou que ele fosse acorrentado ao monte Cáucaso e que durante 30 mil anos. E diariamente, seu fígado seria comido por uma águia. O órgão se regeneraria e no dia seguinte o suplício se renovaria.

Só mesmo uma lenda, um mito para conter tanto sofrimento. Mas há algo semelhante nos tempos modernos. É o mito do sofrimento corintiano. Maior que as bicadas diárias, maior que a épica travessia dos hebreus rumo à terra prometida é o sofrimento corintiano. A torcida criou a história de que tudo é sofrido, de que tudo é mais difícil, de que tudo é mais heroico.

Os corintianos adoram essa lenda. Para nós é tudo mais difícil, a gente ganha no terrão, o amarilla nos roubou (e o marcio Rezende? e o castrilli?), o nosso estádio está difícil de pagar…..

Amigos, o último título brasileiro conseguido pelo Corinthians foi sofrido? Foi sofrido vencer quando se tinha Vampeta, Rincón, Marcelinho e Edílson no mesmo time? Não vi ninguém chorando. E a última Libertadores? E o Mundial, contra o Chelsea? Sofrido foi para o Vasco que viu Diego Souza não honrar o nome de Maradona e perder um gol feito. Sofrido foi para a torcida inglesa ver Fernando Niño Torres jogar como se fosse do jardim da infância. Foi sofrido contra a Ponte em 77? Foi, mas foi contra a Ponte, que não tem títulos a comemorar em sua história.

Sofrimento é a cara do Corinthians? E Sócrates?

O resumo pode parecer cínico, mas vale para Corinthians e todos os outros clubes do mundo: se o time é bom, passeia. Se o time é ruim, sofre.

O suposto sofrimento corintiano serve de muleta para muita gente. Fabio Carille, o treinador saudado por muita gente como uma boa novidade no futebol brasileiro, alguém do grupo dos “estudiosos” contra os “b0leiros” mostrou-se mais velho do que embalagem de maizena ao buscar no tal sofrimento corintiano a explicação da péssima partida contra o Brusque e da classificação conseguida nos penaltis. Foi sofrido, é assim que o corintiano gosta, disse. Foi uma vitória com a cara do Corinthians.

 

O corintiano não gosta de sofrimento. Gosta de jogador raçudo e comprometido, não gosta de quem não demonstra amor à profissão. Zé Elias, Superzé, Idário e outros. Pato foi um fiasco. Geraldão foi um ídolo. No time atual tem muito pato e pouco geraldão. Marquinhos Gabriel, Giovanni Augusto, Guilherme, Marlone… Além deles, há jogadores com pouca capacidade goleadora e que têm a responsabilidade de fazer gols. Kazim. Jô.

Carille precisa descobrir um modo de o time fazer gols. A sucessão de 1 a 0 pode até levar um time ao título, mas, sinceramente, não vejo como o Corinthians poderá manter a sina de vencer com um gol só.

E Carille não tem culpa? Também tem. Ele montou o time sem alternativas. É uma eterna troca de passes laterais, buscando uma oportunidade. Há pouca projeção pelos lados. Não há um jogador no meio que mostre criatividade e ousadia para transpor as linhas defensivas. Um drible. Uma cavada. Uma tabela, como aquela da vitória contra o Vasco, lá na Flórida.

O Corinthians é um time que joga feio. Joga de forma burocrática. Papai e mamãe. E aí, eu me lembro de outra frase de Carille, após a grande vitória sobre o Palmeiras. Os jogadores foram muito obedientes, ele disse. Formamos uma família. Ora, um time que se forma com jogadores obedientes é um time que não dá alegrias. Não tem ousadia, não tem transgressão à ordem pré-estabelecida por alguém. É um futebol de família mesmo. Tradicional Família Futebolística Brasileira.

O treinador do Corinthians precisa resolver problemas. E ancorar-se em chavões ultrapassados, em muletas centenárias não é o melhor caminho.

 

 


Vampeta dá a Heltton o que o São Paulo deu a Breno: segunda chance
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menon

breno1_chiri_crop_galeriaA história de Heltton, o gato do Paulista, é um retrato fiel do que a sociedade brasileira oferece a seus cidadãos mais pobres, quase sempre negros. Para jogar futebol, ele usou documento de identidade do primo, Brendon, que está preso por tráfico de drogas. Não vou romantizar e nem fazer análise sociológica – os dois erraram e isto não se discute – mas é emblemático que as opções da família sejam a delinquência ou o futebol.

Heltton falsificou, mentiu e enganou. Só isso? Talvez, para ele, o verbo tenha sido, desde o começo, escapar. Para escapar do tráfico, para escapar da prisão – que é uma inevitabilidade para grande parte da população pobre – ele foi jogar bola. Onde o Estado não está, aonde o Estado não chega, as opções são poucas. Jogar bola ou delinquir. Heltton escolheu um lado. Mesmo que tivesse de delinquir.

Foi tratado como aquilo que ele lutou para não ser: “bandido”, diz o delegado Olin, responsável pelo TJD, misturando suas funções na justiça esportiva com a criminal. O dedo de todos foi apontado para o gato, livrando-se imediatamente o empresário Alberto e o Paulista de culpa. Ou de negligência. O culpado já estava decidido: o preto pobre.

Vampeta, que também é preto e também foi pobre, ergueu a voz dissonante, desafiou a banda dos contentes. “Não é bandido”. E foi além. Deu casa, comida e possibilidade de treinar no Audax. Não significa que Heltton, aos 22 anos, vá ganhar um lugar no time ou no banco. Nada disso. Vampeta deu a ele um emprego no país de 12 milhões de desempregados. Deu a ele a dignidade de ter uma carteira assinada e um endereço, algo que milhões não tem em Pindorama, governada pelo Rei da Mesóclise.

Uma segunda chance, foi o que Vampeta deu a Heltton. Quem erra, tem o direito de recomeçar. No caso de Heltton, é mais correto falar em primeira chance. Agora, é com ele

O São Paulo fez o mesmo com Breno, que joga muito mais que Eltton poderá jogar e que cometeu crime muito maior. E, se a capacidade futebolística separa Breno e “Brendon”, a origem os une. Breno também é negro. Breno também foi pobre.O futebol mudou a sua vida. E quando ele se viu em terra estranha, sem falar a língua e sem poder praticar a profissão, foi tomado por profunda depressão. Provocou um incêndio na própria casa. Foi preso. E, ainda na prisão, assinou um contrato de trabalho com o São Paulo. Um contrato que facilitou a sua saída da prisão.

A segunda chance do São Paulo foi aproveitada por Breno.

A segunda chance de Vampeta será aproveitada por Heltton. Torço muito por isso. Que o futebol lhe traga futuro.

Vampeta foi exemplar. C0mo o Sao Paulo.


Só demagogia explica o voto de Tite em Neymar
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menon

demagogiaTite é um ótimo treinador. Um dos melhores do mundo, apesar de vê-lo refém sempre do mesmo esquema. Para mim, é o segundo melhor do Brasil. Prefiro Cuca, dono de um estilo mais agressivo e mais surpreendente.

Mas não interessa se é o melhor, como a grande maioria considera, ou o segundo, como eu acho. O ponto aqui é que Tite entende muito de futebol. Muito. Muito mais do que eu, por exemplo.

Então, como entender que Tite coloque Neymar como o segundo melhor jogador do mundo em 2016? Na frente do francês Griezmann e atrás apenas de Cristiano Ronaldo.

Lionel Messi não entra na lista de Tite. Messi não entra e Neymar não entra. Mas, quem foi melhor no Barcelona, time de ambos? Ora, a imprensa espanhola está preocupada com o mau rendimento de Neymar, os torcedores do Barça sentem falta de seu futebol alegre e Tite simplesmente o considera o melhor do time?

E Iniesta, o arquiteto?
E Luiz Suárez, o matador impiedoso?

Não dá para entender o voto de Tite. Ele tem muito de demagogia. É uma tentativa de levantar o ânimo de seu campeão. Só pode ser esta a explicação. Pode ser bom para o Brasil. Pode ser. Mas que é demagogia, é.

Se Tite votou em Neymar como o segundo melhor do ano, o brasileiro teve nove votos como o melhor do ano. Em 2015, foram 15 votos.

Os eleitores de Neymar como melhor do mundo foram:

JOGADORES – Pierre-Emerick Aubameyang (Gabão), Ramin Ott (Samoa Americana) e Paulo Cheang Cheng Ieong (Macau)

TREINADORES – Artur Petrosyan (Armênia), Andrew Bescome (Bermudas), Abrahan Grant (Gana) e Hervé Renard (Marrocos)

JORNALISTAS – Randy Smith (Bahamas), Faizool Deo (Ilhas Turcas e Caicos).

Apenas Aubameyang é conhecido. Artilheiro no Borussia Dortmund. E, dos nove votos, apenas um veio de país = Marrocos – que já participou de um Mundial.

 

picadinhomenonCHAPECOENSE VIVA – Evidentemente, a torcida de Capivari apoiou a Chapecoense contra o São Paulo. Há uma rivalidade entre os dois times que decidiram o Paulista sub-20. Também é bom lembrar que a Chape fez um primeiro tempo muito chato, com muitas faltas, totalmente retrancada. Mas nada disso tem muita importância quando se ouviu o grito da torcida apoiando os catarinenses que se tornaram xodó mundial, após a tragédia. Seja por antipatia ao São Paulo, seja por amor, a Chape está viva. E classificada.

ROSEMBERG E A VELHA TECLA – Luis Paulo Rosenberg fez um lobby para voltar ao Corinthians, mas o presidente Roberto Andrade não aceitou. Não quer ter a seu lado alguém que estará lá para articular o golpe por dentro da instituição. Rosenberg, ao dar entrevista e tentar a volta, utilizou novamente a tática de se contrapor ao São Paulo. Falou em naufrágio, uma análise que cabe muito bem ao próprio Corinthians. Aliás, se Roberto Andrade fosse se basear no fiasco da passagem de Rosenberg pela Portuguesa é que não lhe daria outra chance. Rosenberg prometeu que levaria a Lusa à Libertadores em 2020. Não fez nada, nada e saiu. Um boquirroto.

DANIEL NERI E O SPORT – O Sport eliminou o Palmeiras na Copinha. Não é uma surpresa. O time pernambucano chegou à semifinal da Copa do Brasil do ano passado. É um time muito bem treinado pelo português Daniel Neri, de 37 anos. Ele trabalhou por três anos no Porto de Caruaru e chegou ao Sport em 2015. Os jogadores estão sempre bem postados em campo, quem está com a bola tem opções de passe e o time mostrou muita tranquilidade nos contra-ataques na segunda metade do segundo tempo.

VAMPETA – O presidente do Audax está certo em colocar um preço alto para o jogo de estreia do Paulista, quando enfrentará o São Paulo de Rogério Ceni. É um momento único, a estreia, no Brasil, do ex-goleiro como treinador. Há uma expectativa muito grande da torcida e Vampeta resolveu faturar. Se vender 10 mil ingressos – a metade da lotação – faturará 1 milhão bruto. Dinheiro tricolor. A torcida do São Paulo promete um boicote. O ódio a Vampeta será maior que a ansiedade por Ceni?

 


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