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Até agora, contratações sem nenhum impacto
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Menon

Até agora, tarde de terça-feira, 11 de dezembro, oito dias após o final do Brasileiro, os clubes da Série A fizeram contratações de pouco valor financeiro ou técnico. Com raras exceções, são jogadores que chegam para disputar posição. Nenhum deles é homem para mudar o patamar de uma equipe.

Uma seleção:

João Carlos (CSA) – Uma contratação para agitar o mercado interno, apenas. João Carlos jogava no CRB, o grande rival. Fabrício, também goleiro, veio do Boa Esporte para o CSA.

Igor (São Paulo) – O lateral pertence ao Ituano e estava emprestado à Ponte Preta. Fez bom campeonato, contundiu-se e perdeu a posição. O Corinthians contratou Michel Macedo em outubro. E o CSA trouxe Régis, que estava no São Paulo.

Luciano Castán (CSA) – É o irmão menos famoso. Leandro, o melhor deles, está deixando o Vasco para jogar no Corinthians.

Robson Bambu (Furacão) – Um jogador de muito futuro, que estava jogando bem no Santos, mas que não renovou contrato. O Santos, um time com dificuldades financeiras comete o desatino de perder uma revelação para outro clube brasileiro.

Leo Pelé (São Paulo) – O lateral começou no Fluminense com fama que não se confirmou. Fez bom campeonato no Bahia. O Fortaleza contratou Carlinhos, ex-São Paulo e Fluminense. O CSA trouxe Pedro Rosa.

Richard (Corinthians) – Volante se destacou no Fluminense e foi autor do gol que salvou o time do rebaixamento. O Ceará contratou William Oliveira e o CSA investiu em Jhonnatan, Amaral e Mauro Silva.

Zé Rafael (Palmeiras) – Um nome que dá esperança. Fez dois bons campeonatos pelo Bahia e já estava acertado desde o ano passado.

Arthur Cabral (Palmeiras) – Um dos grandes goleadores do ano, fez ótimo campeonato pelo Ceará.

André Luiz (Corinthians) – Fez bom campeonato na Série B, pela Ponte Preta. O CSA contratou Lohan, que foi bem no Figueirense. O Corinthians trouxe também Gustavo Mosquito.

Fábio Carille (Corinthians) – O grande nome do mercado é  um treinador. O multicampeão está de volta ao seu time. O Flamengo assinou com Abel. O São Paulo efetivou André Jardine e o Goiás firmou com Maurício Barbieri.

A segunda semana pode movimentar o mercado. Felipe Melo no Flamengo? Arão no São Paulo? Sornoza no Corinthians.

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Pratto e a decadência do São Paulo
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Lucas Pratto foi extremamente decisivo para a maior conquista da gloriosa história do River Plate. Fez um gol em cada jogo. Não um gol qualquer, não um gol de goleada (nem houve), mas o importantíssimo gol de empate.

No primeiro jogo, apenas um minuto após a alegria do rival. No segundo, aos 22 minutos do segundo tempo. Foi Pratto quem colocou o River no caminho da glória.

Após o título, foi Pratto quem adicionou civilidade ao futebol. Caminhou até os derrotados e os cumprimentou um por um. Foi seguido por seus companheiros e o superclássico, marcado até então por ignomínia, vestiu-se de dignidade.

E foi um jogador assim, com técnica e caráter, que o São Paulo perdeu. A justificativa foi infantil: saudades da filha. Como se a garota morasse em Katmandu e não em Buenos Aires.

A verdade é outra. Pratto vislumbrou no River a possibilidade de grandes conquistas. Por que ficar em um clube enredado em brigas internas e sem ousadia?

Pratto foi contratado com o dinheiro da venda de David Neres. Aproximadamente os mesmos  R$ 45 milhões. E o clube gastou grande parte com Jean, Trellez, Diego Souza, Jucilei. Dinheiro perdido, sem retorno.

E agora? Vai contratar com qual dinheiro? Da venda de Liziero? Que grande jogador deseja ficar em um clube que vende o almoço para pagar o jantar?

 



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Chico Lang, um grande abraço
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Chico Lang comunicou, através do Instagram, a morte de seu filho Paulo, de 23 anos. A ordem natural das coisas se inverteu, diz o Chico, com muita propriedade.

Há três meses, minha querida Tia Glorinha perdeu a Stela, minha prima e amiga de infância. ''Perdi pai, irmão, marido, mas nada se compara a essa dor que estou sentindo'', me disse a tia.

É pensando também na minha tia que mando um abraço enorme ao Chico Lang. Superar é impossível, esquecer é heresia, mas que o Chico consiga ao menos voltar a sorrir e a alegrar a nós todos, do lado de cá da tela.

Tags : Chico Lang



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Vida de setorista
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Comecei a trabalhar como jornalista em 4 de maio de 1988. Desde então, com breve interrupção e até 2010, fui setorista. Setorista é aquela atividade que Juninho Pernambucano, a quem admiro muito, considera como a base da pirâmide evolutiva do jornalismo esportivo. Opinião dele. Para mim, o setorista faz o mais importante para o leitor. Ele quer saber como seu time treinou, como vai jogar no domingo, quem está bem, quem está mal, quem está sendo contratado ou saindo.

Depois, com todas essas informações coletadas, os comentaristas vão decretar o que está certo ou errado. O que deve ser feito e o que deve ser eliminado. Bem, quem acha que a vida de setorista é fácil, que tente escrever uma página diariamente no Agora, Jornal da Tarde ou Diário Popular.

A ida diária ao clube faz com que haja contato com outros colegas. Cria-se uma rivalidade legal e honesta. Olho para trás e me lembro de muita gente com quem convivi como setorista no São Paulo e no Corinthians. Nunca tive a honra de trabalhar no Palmeiras.

Tuca, de óculos, ao lado de Leão

Tuca Pereira de Queiróz era mais velho que os outros repórteres. Ele estava de volta às redações após anos cuidando de sua fazendo no Mato Grosso. Era do tempo antigo, muito amigo de Leão e de Cabralzinho. Contam que, nos anos 70, tinha um fusca verde que emprestou para Pelé sair com algumas garotas. Eram outros tempos e Tuca não se adaptou muito, ele sempre se lembrava das resenhas com os jogadores, algo que existia cada vez menos. Não gostava de muita competição entre jornalistas. Quando tinha uma notícia exclusiva, contava. Nem todas, é lógico.

Em 1998, Raí voltou ao São Paulo na semana da decisão do campeonato. O São Paulo tinha perdido a primeira por 2 x 1 para o Corinthians e precisava vencer por qualquer contagem. A grande dúvida é se Nelsinho Baptista escalaria ou não o craque.

Não consegui cravar nada, Tuquinha. Ninguém me confirma.

Vai jogar, Menon. Vai jogar. Eu garanto. Pode escrever.

Procurei novas informações e cravei.

Raí joga domingo.

No domingo, corri até a banca para ver o Lance!, jornal em que eu trabalhava.

E a manchete lá estava.

Raí joga domingo?

Sim, amigos. Com um enorme ponto de interrogação. O gênio da redação, que achava setorista uma atividade medíocre, não teve coragem de assumir o furo. Ficou, o furo, com Tuca, no Estadão.

Um mês depois, o coração matou Tuca, que estava pronto para cobrir a Copa do Mundo da França.

De jornal, me lembro de Luiz Ademar, Arnaldo Ribeiro, Fernando Galvão, Cosme Rímoli, Prosperi, Marcelo Tieppo, Fábio Hécico, Artur de Almeida e muitos outros. Vinícius Mesquita, Aceita, Guto Mônaco, Maurício Noriega, Gibinha…

O meu amigo mais longevo de setorismo é o Eduardo Affonso, atualmente na ESPN. Enquanto eu troquei de jornal várias vezes (na verdade, fui trocado) ele sempre esteve com a Rádio Bandeirantes. Torcedor fanático da Portuguesa, Edu e eu brincávamos de negociações. ''Se você quiser o Bentinho, me dá o Fábio Aurélio'', ele dizia. Edu formou dupla com Leandro Quesada por muito tempo. Foi injustiçado por não ir à Copa do Mundo. Quando teve convite da Rádio ESPN aceitou na hora e dali foi para a televisão.

Convivi com muita gente de rádio: Sérgio Orindi, Dirceu Cabral, Marcello Lima, Márcio Spímpolo, Romeu César, Zé Calil, Carlos Lima e outros. E Ligeirinho, é lógico. Ligeirinho, o improvável. Mais velho, pequenino, errava algumas palavras, mas era um trabalhador incansável.

AQUI, EU CONTO COMO ELE FUROU TODOS NÓS E ENTREVISTOU ROMÁRIO

O Lance! surgiu em 97 e revelou muita gente boa. Só gente boa. No São Paulo, convivi com Cláudius Pitta e Páulo Fávero. No Corinthians, com Chico Silva. Todos eram focas e foram crescendo muito na profissão.

Como Maurício Oliveira, grande produtor da Globo e Giovani Martinelli, um dos donos do ótimo DIÁRIO DO PEIXE. Trabalhei também contra o Zé Gonzalez, que cobriu o Mundial de 2005 no Japão. Na viagem, usou um chinelo estranho. O nome era papete. Fiquei zoando com ele, importunando. Depois, no extinto Orkut, escrever umas coisas bonitas a meu respeito e prometeu uma papete. Até hoje, nada.

Mas difícil mesmo foi enfrentar a dupla Alexandre Lozetti e Sergio Gandolphi. Muito amigos, tinham uma diferença de 30 centímetros de altura. Sabe aquela história do cobertor curto? Se você puxa para o alto, passa frio nos pés. Se estica, passa frio na cabeça. Era assim com eles. Se conseguia marcar o grandão, o baixinho fazia o gol. Se anulava o baixinho, o grandão me furava.

Foi muito bom. Aprendi com muita gente. E dei 1687 furos, todos anotados no meu caderninho.

Só que não.



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Sem Abel, Santos continua disposto a pagar o que não tem a quem não merece
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Abel Braga recusou o convite do Santos para treinar o time em 2019. Um fato que deveria ser comemorado na Vila Belmiro. A oferta ao treinador de currículo invejável e parcas conquistas recentes teria sido de R$ 1 milhão por mês. Ou R$ 800 mil, segundo outras fontes. Uma remuneração indecente quando se lembra o país em que vivemos. Mas, tudo bem, o futebol não deve se balizar pela nossa desigualdade social. O que deve valer é a lei de oferta e procura. É o mercado. Não há treinador iniciante, em time grande, que ganhe menos de R$ 200 mil por mês.

Ah, o mercado. Um deus a ser reverenciado. Uma chaga que nunca é enfrentada. Uma Ferrari 458 spider usada, com 8 mil quilômetros rodados, é anunciada hoje por algo em torno de R$ 1,5 milhão. Nova, pode chegar a R$ 4 milhões. É o mercado. Não se pode discutir o preço. O que se pode fazer é, como eu, continuar andando de táxi ou de metrô.

É o que o presidente Peres, do Santos, deve achar brega. Horrível. Prefere pagar o que não tem. O que o clube não tem. Não há nenhuma preocupação com responsabilidade fiscal. Sem Abel, ele pensou em Muricy. Novamente, não teria como pagar. E se ouvisse um sim, pagaria feliz da vida. Como alguém que compra uma Ferrari e dorme dentro dela porque não tem apartamento.

Não é só o Santos. A grande maioria dos clubes se rende e, mais do que isso, ajuda a construir a vertiginosa ascensão salarial dos treinadores brasileiros. Vertiginosa e falsa. Falsa porque não se sustenta na qualidade técnica. O que o treinador de seu clube fez de bom no último ano para justificar pertencer a uma casta que chega a receber uma megassena por mês? Fiquemos com Felipão, o melhor do ano, legítimo campeão brasileiro. Foi engolido por Barros Schelotto, na Bombonera e no campo do Palmeiras.

Olhemos para as grandes ligas. Qual treinador brasileiro está por lá? E como ter sucesso na Premiére League, por exemplo, se a maioria não sabe dizer ai lóvi iu? E qual é a necessidade de estudar, de fazer curso, de buscar alternativas táticas, se aqui em Pindorama sempre há um dirigente ousado – com o dinheiro do clube e não dele – capaz de pagar R$ 30 mil por uma DIA de trabalho?

A pobreza do treinador brasileiro é tão grande que são divididos entre propositivos e reativos. Entre os que querem jogar no campo adversário e os que adoram o contra-ataque. Então, quando o Roger Machado vai mal no Palmeiras, dizemos que a culpa também é do Palmeiras, que contratou alguém propositivo para um elenco reativo. Ora, meu jesuscristinho, um cara que ganha um salário tão alto não deveria estar apto a fazer qualquer elenco funcionar? Não deveria se adaptar ao que tem e fazer um bom trabalho. Ou, no mínimo, ter a coragem de dizer que o elenco não se adapta a seus conceitos e recusar a bufunfa?

Mas, não. Eles são os reis de um futebol que patina na mediocridade há tempos. Não é coincidência.

 

 



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Carlinhos Neves: “O melhor lugar para esse momento da carreira”
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Foto: Ricardo Nogueira/Folhapress

Carlinhos Neves está de volta ao São Paulo, após oito anos. ''Avisa aí que o time da Comissão Técnica ficou mais forte para enfrentar o time dos jornalistas'', brincou ao iniciar a entrevista para o blog.

Como foram as negociações? Estavam rolando há tempos?

Nada disso. Terminou meu vínculo com o Santos após quatro meses e estava pensando nas férias em Florianópolis e Portugal, quando o Raí me contatou. Depois, veio até aqui em Curitiba. Conversamos por quatro horas e acertamos o contrato.

Como foi a conversa?

Muito boa. Gostei das ideias dele, conheço o Raí desde 2000. Expliquei que não queria voltar depois de tanto tempo apenas para ter emprego. Quero ajudar o São Paulo a reconquistar títulos. Conheço a estrutura do clube e muitos profissionais com quem vou trabalhar.

A torcida está gostando de sua volta. É porque seu nome remete a um período de glorias?

Sei que eu represento uma época vitoriosa e sei que a responsabilidade é muito grande. Quero fazer parte de uma engrenagem vitoriosa.

Logo no início do ano tem Flórida Cup, Paulista e Pré-Libertadores. Como encarar tanta competição?

O calendário do Brasil é um problema, mas não adianta ficar reclamando. Precisa ter elenco forte. E precisa rodar o elenco. O Palmeiras fez isso, o São Paulo também já fez. É o caminho.

 



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Religiosidade extrema atrapalha o futebol brasileiro
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Menon

Gol. Não há soco no ar. Não há um grito de desabafo. Alguns correm para a câmera, um ou outro tira a camisa, mas quase todos se unem, ajoelham, formam uma rodinha e erguem o dedo para o céu. Longe dali, o goleiro se ajoelha e reza. No dia seguinte, no Instagram, há louvação a Deus. Não, não se trata de um campeonato entre seminários. É apenas um jogo, qualquer jogo, de qualquer time das categorias de base.

Não é só ali. Mas começa ali. O exemplo está no time titular. Fábio, ótimo goleiro do Cruzeiro, jura que não estuda o modo como os adversários cobram pênalti. Nada disso. Deus é quem decide para que lado ele deve pular. Vanderlei, do Santos, começa toda entrevista com um ''Glória a Deus''. E artilheiros se recusam a citar toda sua expertise em fazer gols, como algo que foi trabalhado durante a vida ou pelo menos durante a semana. Não, foi a Deus que resolveu louvar naquele jogo.

Há três casos de treinadores, que eu me lembre. Doriva, campeão paulista pelo Ituano, foi entrevistado à beira do campo pelo repórter Abel Neto. E, em vez de falar da tática ou da técnica dos jogadores, recitou um salmo.

Há alguns anos, o Galo ganhou um jogo do Independiente, da Argentina. O Rojo tem um diabinho na camisa. E o treinador Procópio Cardoso disse que, como cristão, não perderia um jogo para o time que venera o Diabo. Jorginho, quando dirigiu o América, fez de tudo para tirar o diabinho do uniforme. E Taffarel chegou a dizer que o Brasil ganhou a Copa de 94, porque Deus estava ao seu lado quando o budista Roberto Baggio errou a última cobrança.

Não tenho nenhuma religião. Respeito todas. E o direito de a pessoa cultuar quem quiser: Deus, Javé, Jeová, Buda, Xangô… Mas, sinceramente, acredito que a religiosidade extrema atrapalha o futebol brasileiro. Atrapalha no topo e na base. A seleção no tempo de Lúcio e de Kaká sempre me deu a impressão de estar a serviço mais de uma crença do que do futebol brasileiro. Levir Culpi chegou a proibir a entrada de pastores na concentração do Galo. Difícil é entender o que eles estavam fazendo por lá.

E a base? É notório que jogador brasileiro tem uma capacidade técnica impressionante. Mas tem dificuldade de leitura de jogo, comparado com os argentinos, por exemplo. É algo que poderia ser aperfeiçoado desde os primeiros anos de contato com a bola. Não vejo isso acontecer. Garotos de sub-13 ou sub-11 devem ser adeptos da reza a plenos pulmões antes da entrada em campo. Na mais tenra idade.

A base deveria ser usada para a formação de cidadãos. Viram como D'Alessandro e o treinador Tata Martino se posicionaram a respeito da vergonhosa situação na Argentina, obrigada a ver a final da Libertadores na Espanha? Conscientes, bem articulados, lamentando o que se passou por lá.

Já viram um jogador brasileiro se posicionar sobre racismo no futebol? O que me lembro é de Daniel Alves comendo uma banana que lhe foi atirada. Mas já vi jogador negro tentando sair de campo por causa de racismo e jogador brasileiro, também negro, tentando dissuadi-lo.

Seria muito bom que a base ensinasse sobre o mundo que está lá fora aos jogadores. Que fossem preparados para a vida. Futebol, eles já sabem, tecnicamente falando. E rezar, pai e mãe ensinam.



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Clubes brasileiros não resistem a assédio europeu
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Mealhada é uma cidade de Portugal. Está localizada a 18 quilômetros de Coimbra e a 220 quilômetros da capital, Lisboa. Tem 4,5 mil habitantes, aproximadamente o mesmo número de pessoas que residem no Edifício Copan, no centro de São Paulo.

O futebol está presente através do Clube Desportivo Mealhada, que disputa a terceira divisão de Portugal. É um campeonato regionalizado e o Mealhada participa da liga de Aveiros.

É para lá que está rumando o lateral esquerdo João Lucas, de 18 anos, um dos destaques do sub-20 da Portuguesa, que chegou à semifinal da Copa São Paulo do ano, sendo eliminada pelo Flamengo, posteriormente campeão.

E por que um clube como o Mealhada consegue tirar um jogador do futebol brasileiro. João Lucas responde. “Sempre pensei em fazer carreira na Portuguesa, mas tudo foi ficando muito difícil no clube, que foi caindo muito. Para você ter uma ideia, eu joguei a Copinha com um contrato amador. E ele foi renovado com dinheiro do meu pai, nem isso o clube fez. Pagamos para jogar a Copinha e ter visibilidade”.

Houve um convite do Tubarão, clube que tem ótimo trabalho na base, em Santa Catarina que tem se estruturado  sob o comando de Junior Chávare. “A Portuguesa não liberou e, quando eu saí, já não dava mais tempo para participar da próxima Copa São Paulo. Então, apareceu a possibilidade de ir para Portugal. Alguns amigos já estão por lá”.

João Lucas não é o único jovem a correr atrás de um sonho novo em terras distantes. O goleiro Jairo Lourençon, que fez a base no São Paulo, foi parar na Coreia, em um time amador. Tremenda fria. Voltou e agora está na terceira divisão da Itália, no Como.

São casos que servem de aviso para os clubes brasileiros. A Portuguesa não é um exemplo de organização. Lourençon saiu porque não teria chances no São Paulo. Mas há muitos outros casos de jogadores com ótimo futuro e que vão para a Europa porque os clubes brasileiros não souberam amarrar de forma correta um contrato. Só no São Paulo, há os casos de Cipriano, Augusto Galván e outros.

A Europa é um canto de sereia. Seja o Real Madrid, seja o Mealhada.

Tags : João Lucas



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São Paulo contratará um meia e um atacante. De peso
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O torcedor são-paulino pode ficar sossegado. A opção do clube para 2019 não será um time de Cotia dirigido por Jardine. Garotos comandados por alguém inexperiente. A fórmula foi vitoriosa nos campeonatos de base, mas não será repetida no profissional.

Não, não serei eu. Não fui cogitado. Mas o São Paulo busca, sim, dois reforços de ''jerarquia'', como dizia Patón Bauza para o seu elenco. Jogadores do meio para a frente. A meta é um meia e um centroavante. Jogadores com condição de tomar a posição de Nenê e de Diego Souza. Shaylon é considerado alguém sem vibração e que se portou burocraticamente em algumas oportunidades que teve. Trellez, segundo avaliação da diretoria, foi um erro.

Há também a busca de um atacante  de lado de campo. A ideia inicial era ter Helinho na posição, enquanto Rojas não volta, o que será realidade apenas no Brasileiro. Mas a revelação da base, apesar do lindo gol contra o Flamengo, mostrou-se ainda ''cru'' para ser titular, além de ter um deficit físico em relação a outros jogadores. Não é como David Neres, bem mais forte.

Da defesa até os volantes, há pouco a mudar.

Jean ganhou a confiança da comissão técnica e começará o ano como titular. Eu considero uma decisão equivocada. Não é um grande goleiro, além de ser instável emocionalmente.

Igor veio para disputar posição com Bruno Peres, o que evitará improvisações na posição.

Leo Pelé está próximo. Os elogios de Felipão ao lateral do Bahia deixaram o São Paulo mais animado ainda para trazê-lo.

E dinheiro para tantas contratações?

O São Paulo está fazendo de tudo para colocar Rodrigo Caio na Europa.

E não ficaria minimamente incomodado em perder Liziero. No Brasil, revelações da base não são contados como reforço técnico e sim como ativo financeiro para diminuir dívidas. O substituto já foi escolhido. Será William Arão, dependendo, é lógico, de negociações como o Flamengo.

 

 

 

 

 



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Rodrigo Caio foi covarde e antiprofissional
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Menon

A entrevista de Rodrigo Caio ao André Henning foi reveladora. Com surpreendente sinceridade, o jogador do São Paulo se mostra uma pessoa capaz de atitudes mimadas calculistas e covardes. E antiprofissionais.

Mimada porque se magoou com a falta de visitas de Aguire ao Reffis, onde se recuperava. Sim, o treinador deveria ter ido. Não foi. Pronto. Acabou. Rodrigo Caio que o procurasse e expusesse sua decepção. O que não pode é tamanha mágoa prejudicar o clube.

Covardia por se recusar a jogar na lateral direita em momento de grande necessidade do time. Calculista, pelo motivo alegado: a torcida me vaia até no aquecimento e se algo der errado, vai sobrar para mim.

Foi antiprofissional também. No seu contrato está escrito que ele só pode jogar como zagueiro? E, ao se recusar a jogar, ele sugeriu diminuição de salário?

Hoje em dia, fala-se em gerenciamento de elenco. E que, se um técnico perde o vestiário, perde o emprego. Pode até ser, mas no caso a falta de dignidade é do jogador e não de Aguirre.

Rodrigo Caio está certo em falar da torcida do São Paulo, que forçou a saída de Maicon. Um absurdo. Como foi com Kaká e Luís Fabiano. Todos pediram para sair. Nenhum se recusou a jogar.

Poderia até falar, e estaria correto, que as vaias não se justificam, tecnicamente falando. Elas são causadas pelo episódio com Jô, quando Rodrigo Caio se revelou um gigante ético. Agora, foi um anão.

 



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