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Acertei na cabeça. São Paulo salvo na rodada 36
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Menon

No final de setembro, eu fiz uma previsão. O São Paulo escaparia do rebaixamento na rodada 36, ao conseguir 46 pontos.

Acertei na cabeça.

Na verdade, acertei errando. Acertei seis resultados e errei cinco. Nas minhas contas, o São Paulo teria 43 pontos e venceria o Botafogo. Na verdade, tinha 45 e empatou.

45 sempre foi minha linha de corte.

Segue abaixo minha previsão.

Desde 2006, quando o Brasileiro passou a ter o atual formato, com 20 clubes, pontos corridos e queda dos quatro últimos, apenas em um ano 45 pontos foram insuficientes para escapar do rebaixamento. Por isso, essa projeção sobre o São Paulo, toma 45 pontos como o número mágico para se manter na Série A. No momento, o clube tem 28 pontos acumulados. Escapar significa 45 pontos.

Rodada 26

São Paulo x Sport (vitória)

31 pontos

Rodada 27

Galo x São Paulo (derrota)

31 pontos

Rodada 28

São Paulo x Furacão (vitória)

34 pontos

Rodada 29

Fluminense x São Paulo (empate)

35 pontos

Rodada 30

São Paulo x Flamengo (empate)

36 pontos

Rodada 31

São Paulo x Santos (derrota)

36 pontos

Rodada 32

Dragão x São Paulo (vitória)

39 pontos

Rodada 33

São Paulo x Chapecoense (vitória)

42 pontos

Rodada 34

Vasco x São Paulo (empate)

43 pontos

Rodada 35

Grêmio x São Paulo (derrota)

43 pontos

Rodada 36

São Paulo x Botafogo (vitória)

46 pontos

Rodada 37

Coritiba x São Paulo (derrota)

46 pontos

Rodada 38

São Paulo x Bahia (vitória)

49 pontos


Flamengo, Corinthians e São Paulo, os vexames da rodada
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Menon

No ano que vem, vou premiar o vexame do dia. Premiar, é modo de dizer. Vou apontar aqui, no meu blog, quem é que levou lama ao glorioso futebol brasileiro. Pode não ser todo dia, mas com certeza haverá dia de prêmio dividido. A capacidade de jogadores e, principalmente jogadores, de fazerem tudo errado é infinita.

No final de semana, por exemplo:

A briga entre Rhodolfo e Vizeu e o silêncio de Bandeira de Melo.

A situação criada por eles não merece um aprofundamento muito grande para se configurar como um vexame. Basta dizer que o árbitro errou em não expulsar os dois. Aquela imagem de duas cabeças unidas, como xipófagos da falta de respeito a todos, é caso de vermelho na hora. Imaginem se fosse um de cada time. Não seria vermelho? E, caso o juiz cumprisse seu papel, não teria havido o dedo do meio de Vizeu. Que, para maior vergonha do árbitro, também não mereceu vermelho.

Depois do jogo, os dois vieram para a entrevista e tentaram convencer a todos que são BFF. Best friends forever desde a infância. Quem sabe se ele não tivesse brigado comigo, eu não faria o gol, disse Vizeu.

Muita patacoada. Dois jogadores médios, no máximo, colocando a história do Flamengo no chão.

A ausência de Cueva

O baixinho deve ter quebrado tudo em Lima. Justo. Conseguiu o que duas ou três gerações de jogadores não conseguiram. Depois de 28 anos, o Peru está na Copa. Teve até feriado nacional. E ele, que deveria chegar na sexta-feira para o jogo, chegou no domingo às 6 e 30. E o que se passou durante esse período? Nada. Ninguém sabia de nada. Ele não ligou pedindo mais um dia. Não comunicou. O São Paulo não mandou alguém a Lima para trazê-lo com um puxão de orelha. Nem arrumou uma desculpa qualquer, do tipo está tudo combinado, demos umas horas a mais para a festa.

Me lembrou os campeonatos de Aguaí. Os times contratavam jogadores da região, por um dinheiro e mais um churrasco, em caso de vitória. Outros, vinham em troca de uma cesta básica ou uma caixa de cerveja. Finazzi, aquele, foi artilheiro de um campeonato em Aguaí. E sempre ficava aquela angústia: será que vem hoje, será que pegou o ônibus de São João, Casa Branca ou Mogi Mirim? Lindos tempos de amadorismo, tristes tempos de profissionalismo.

A atuação do Corinthians

Não vi o jogo, mas confio na descrição do Engenheiro Pinduca, meu grande amigo corintiano. Foi um desrespeito ao torcedor, ao clube e aos patrocinadores. São campeões e viajaram para perder.

E assim segue o futebol brasileiro com sua sina de péssimos dirigentes e grandes jogadores descompromissados. Continua valendo minha tese: o único jeito de melhorar é obrigar todo time estrangeiro que contratar um craque, levar também um cartola.

Já pensaram no Eurico e sua urna 7 no Liverpool?

Andrés Sanches no Bordeuaux?

A turma que vendeu Neymar por preço de banana gerenciando o Real Madrid?

Mustafá e a turma do amendoim atrapalhando a vida do Manchester City?

Carlos Miguel e sua namorada no PSG? Se fizeram o que fizeram com o Iago Maidana, o que fariam na contratação de Neymar?

Em pouco tempo, graças à atuação dos cavalos de troia, estaríamos no mesmo nível da Europa

 


São Paulo é Teodoro Madureira
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Menon

A bela Dona Flor, cozinheira de mão cheia, era casada com Vadinho, bêbado, vagabundo, irresponsável e grande amante, que morre em um dia de Carnaval. Passado o luto, ela se casa com o dr. Teodoro Madureira, farmacêutico, homem ilibado e pouco afeito às artes eróticas. Vadinho volta ao mundo dos vivos, como um espírito, e dona Flor toca a vida com seus dois maridos. Sônia Braga, José Wilker e Mauro Mendonça estrelaram o filme, baseado na obra de Jorge Amado.

O São Paulo é Teodoro Madureira, sem dúvida. Uma das frases preferidas do doutor era: ''cada coisa em seu lugar, cada lugar para sua coisa'', um reflexo da pouca ousadia de sua vida.

A frase cabe ao São Paulo.

O time entrou em campo com 45 pontos e sem chance alguma de cair. O desenrolar do campeonato mostrará isso. Desde 2006, quando o campeonato por pontos corridos passou a ter 20 clubes, apenas uma vez um time caiu com 45 pontos. Foi o Coritiba, em 2009. Uma vez em 12 edições.

O time entrou em campo com alguma possibilidade, pouca é verdade, de conseguir uma vaga para a Libertadores nesse campeonato que pode classificar até nove clubes. Nove. A chance existe e o time tem de lutar por ela.

O São Paulo, em vez de entrar sonhando com a Libertadores, entrou pensando em se afastar, de vez, do rebaixamento. Uma coisa em cada lugar, cada lugar para sua coisa. Vamos escapar do rebaixamento para depois sonhar. E vai dar tempo?

Já faltou ousadia contra o Vasco e o Grêmio. O time joga sem força pelos lados, não tem infiltração e faz da troca de passes a sua maior arma. Mas, sem Hernanes e sem Cueva, que entrou apenas no segundo tempo, fica difícil. Foram 562 passes (90% certos) e apenas oito chutes. Dos oito, apenas três no alvo. Pouquíssimo.

E a falta de ousadia nas substituições. Junior Tavares entrou em lugar de Shaylon. Por que não manter os dois e sacar um volante? E depois, Gilberto em lugar de Pratto. Por que não, novamente, Gilberto em lugar de um volante? Ora, porque o contra-ataque do Botafogo é bom. E era necessário defender o ponto salvador. Salvação desnecessária, todos verão.

O São Paulo precisava ousar, buscar a vitória, pressionar como se fosse a última chance. Porque era. Porque ainda havia uma chance. Mas a leitura foi outra.

Vamos nos salvar primeiro.

Vamos escapar do rebaixamento primeiro.

Cada coisa em seu lugar, cada lugar em sua coisa.

Papai e mamãe.

Teodoro Madureira na veia.


Título do Corinthians não foi acaso
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Menon

Vou contar uma coisa para vocês. Já aviso que parece fantasiosa, coisa de curupira ou boitatá. Até fiquei em dúvida em dizer o que vou dizer. Pensei em buscar provas. Mas, com o risco de passar por mentiroso, de ter minha credibilidade em dúvida, mas vou dizer: houve um tempo em que os torcedores de futebol reconheciam o valor dos rivais. O campeão era respeitado. Havia mais amizade e o ódio não escorria nas redes sociais. Bem, não havia redes sociais. Talvez seja por isso: cara a cara, olho no olho, é mais difícil ofender, colocar na tela os seus mais baixos instintos, como disse o probo Jefferson. Talvez a civilidade fosse apenas fake news.

Tomara que não. Sempre é bom acreditar na viabilidade da espécie humana. Mesmo que seja no passado.

É difícil ver méritos no título corintiano? É difícil o corintiano aceitar uma crítica sem vir com a história do fax? Ou do anti? Tenho um amigo que fala em anti, mas que comprou uma camisa do River para torcer contra o São Paulo, no Morumbi. Decorou músicas em casa, chegou cedo, se misturou com a torcida, arranhou o portunhol, gritou umas bobagens e foi para casa com dois cocos na cuca.

Quem desconhece méritos corintianos, quem se aferra a erros de arbitragem, quem fecha os olhos, está cometendo um grande erro, como eu disse AQUI. Está condenado a cometer o mesmo erro da arrogância e a sofrer na fila.

Em conversa matinal com meu amigo, o engenheiro Pinduca, o sucessor de Elisa, falamos sobre o assunto.

A contratação de Clayson foi um grande acerto. Ele jogou muito bem na Ponte.

Gabriel, que eu considero uma mala e um jogador desrespeitoso com os rivais, foi outro acerto. O Palmeiras o liberou para gastar os tubos com Felipe Melo. Os dois são marqueteiros, mas Gabriel não tentou derrubar o treinador e, apesar da maldade que coloca em muitas jogadas, subiu na fase final do Brasileiro.

Jô não foi um acaso. Foi uma aposta em quem estava mal, mas que tinha muita identidade com a torcida. Aposta ou não, rendeu muito mais que Borja ou Lucas Pratto.

Pablo? Foi um grande acerto. Chegou, formou ótima dupla com Balbuena e o Corinthians tenta mantê-lo no elenco. Com que dinheiro? O dinheiro da venda de Arana. E aí está outro grande acerto. O Corinthians conseguiu manter Arana, mesmo com grande assédio e mesmo não tenho uma situação financeira estável. Comparem com o São Paulo.

Carille foi um grande acerto, o maior de todos, mesmo não tendo sido a primeira opção. Quando Rueda não pôde vir, manteve-se Carille. Certíssimo.

Erro?

Kazim, o marqueteiro perna de pau. Não joga nada e todo mundo sabia disso.

Então, é assim. É  muito mais fácil falar de Kazim, Drogba, Pottker e juiz do que de todos os acertos.

Muito mais fácil. E muito mais errado.


Dorival: “Falta um ponto e em 2018, vamos lutar por títulos”
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Menon

O blog entrevistou Dorival Jr. Foi muito agradável, é uma pessoa de bem e que falou sobre tudo o que foi perguntado. Só não deu o nome dos novos contratados, mas se fosse ele, eu também não daria.

Como vai ser o São Paulo de 2018?

Ah,  não vamos falar do ano que vem, não. Estamos trabalhando duro ainda em 2017 para salvar o São Paulo.

Mas, já salvou, né?

Nada disso, ainda precisamos de um ponto.

Ah, que exagero. O São Paulo tem 45. Ponte e Vitória têm 39 e se enfrentam…

Então, quem ganhar esse jogo ainda vai estar na briga

Tudo bem, mas o que se pode esperar do São Paulo no ano que vem?

Vamos brigar por títulos. Pode ter certeza disso.

Você vai ter o privilégio de montar o elenco, já a partir da base que se formou esse ano. Vai pedir muitas contratações? Dez?

Imagina, de jeito nenhum. Queremos contratações pontuais para que o time melhore. Queremos contratações do tipo Hernanes, de alto nível, para resolver. E vamos aproveitar a base. É um privilégio montar o elenco, mas vamos ter só 14 dias de treinamento antes de o campeonato começar. Não vai ser fácil.

Tem algum jogador da base que te deixa entusiasmado?

Tem o Anthony, do sub-17. É muito bom. E tem o companheiro dele, o Helinho. É sacanagem o que estes meninos jogam.

Tem outros da base?

Sim, mas não vou falar agora. Vou começar a temporada com alguns e depois da Copa São Paulo vou puxar mais dois.

E o Brenner?

Esse é questão de tempo, joga muito. É bom centralizado e também pelos lados.

Quando eu vejo o Brenner, eu penso no Ademílson, que fazia muitos gols na base, mas, que, quando chegou no profissional, sofreu muito porque a força física já não adiantava muito.

É verdade. O jogador da base precisa ser apoiado quando chega no time de cima. Pode estar pronto como o Zeca e o Lucas Veríssimo, que lancei no Santos. Por isso, é importante o sub-23. O Veríssimo eu tirei de lá. Veja o caso do Lucas Fernandes. Ele entrou, saiu, entrou e saiu. Quando entrar de novo, acho que vai render de forma contínua.

Já que você não quer falar de nomes de reforços, vamos falar dos emprestados. O que acha do Breno?

Gostaria de contar com ele. O São Paulo tem preferência para a volta.

Hudson?

Aí, é o contrário. A preferência é do Cruzeiro, então nem vou analisar.

O Artur, que está na MSL?

Não conheço bem, preciso analisar.

Iago Maidana?

Gosto dele, é bom jogador.

E o Kaká, se viesse para o São Paulo seria como o Lugano, que todos dizem ser um bom exemplo fora do campo, mas que não joga?

O Kaká tem muita condição de jogar ainda. Muito bom. Quanto ao Lugano, eu quero dar um testemunho. É um jogador de muito caráter. Ele é um exemplo. Não é escalado, mas treina com uma intensidade imensa. Outro, no lugar dele, poderia relaxar. Ele, não. Faz de tudo pelo grupo. Ele estava machucado e mesmo assim, viajava com a gente. Ninguém pode se queixar dele. É exemplar.

Crédito: RONALDO SCHEMIDT / AFP

E o Jean, goleiro do Bahia?

A diretoria trouxe o nome dele até mim e eu aprovei. Tem muitas qualidades.

E o Lucas Perri?

Tem grande futuro, é dois anos mais jovem que o Jean e vai subir um degrau no ano que vem.

Você falou em contratações pontuais que chegam para resolver. Eu vejo alguns problemas no time e gostaria de perguntar sobre eles. Contra o Vasco, o São Paulo fez um gol e recuou. Tudo normal, mas não tinha contra-ataque algum.

Nosso time não tem contra-ataque. Nosso time, até pelas características dos jogadores, aposta em muitos passes no meio, estamos trocando uns 700 por jogo. A saída de bola é qualificada, desde a zaga, com o Rodrigo Caio. Então, não tem contra-ataque, não tem a bola esticada, ela é conduzida. Poderia ter com o Wellington Nen, mas ele se contundiu. Para o ano que vem, teremos essa opção.

Será alternativo, como você diz. Mas como contratar um jogador bom para ser alternativo?

O jogador pode puxar o contra-ataque e também fazer outras funções. No Santos, era assim, como Geuvânio e o Marquinhos Gabriel. Aqui, até poderia ter com o Marcos Guilherme, mas ele tem muita condição defensiva, não dá para fazer os dois. Você perguntou de nomes, eu quero dizer que o Morato vai ficar. Ele renovou o contrato e terá pelo menos seis meses para mostrar futebol. Foi o tempo que ele ficou parado.

O fato de o time chegar no ataque através de muitos passes atrapalha o Lucas Pratto?

Não. A função dele é jogar de bico a bico da área adversária. Está sempre perto do gol. Quero explicar também que, além de trocarmos muitos passes, não temos muitas jogadas de fundo, com os laterais. O Militão e o Edimar não são para avançar, principalmente o Militão, que é um grande marcador. O Júnior Tavares apoia bem, tem grande potencial, mas o Edimar me dá mais segurança atrás.

Na ausência do Cueva, você usou o Shaylon, Lucas Fernandes, Maicosuel e Júnior Tavares. Isso mostra a importância dele, não?

O Cueva é muito bom. Eu o aproximei do Hernanes e o time rendeu bastante. Tem gente que chama o Hernanes de volante, ele é meia. O Cueva fez umas partidas na ponta, aberto, mas foi por conta dele, eu não pedi. Eu deveria ter fixado um jogador só na sua ausência, mas achei que um jogo era diferente do outro e resolvi variar.

Por que você demorou para fixar o Jucilei?

Porque ele não estava conseguindo jogar como nos tempos do Corinthians, quando roubava a bola e se aproximava da área adversária. Eu chamei para conversar e disse que, se não tivesse intensidade, não jogaria. Foi o mesmo que falei para o Vecchio, no Santos.

Quando você assumiu o São Paulo, você fez uma previsão melhor ou pior do que aconteceu com o time?

Não fiz previsão. Como você vai fazer previsão em um campeonato em que o último colocado ganhou duas seguidas e voltou a sonhar? Aqui não é o campeonato espanhol, é difícil prever alguma coisa. O que eu previ para o Vinícius Pinotti é que o time começaria a melhorar no segundo turno porque haveria mais tempo para trabalhar. Antes, haveria oscilações. A gente surpreendeu o Botafogo fora de casa e foi surpreendido pelo Coritiba no Morumbi.

Como foi o trabalho para reerguer o time?

Foi muito duro. A situação na tabela era ruim, não tinha tempo para treinar e a pressão era grande. Mudamos algumas coisas. Utilizamos bastante a psicóloga, Drª Anahy, aumentamos um dia de concentração, trouxemos os familiares para cá, mudamos a alimentação. Fizemos de tudo. Todo mundo ajudou. O Lugano foi muito importante.

O que mudou na alimentação?

(Juca Pacheco, assessor de imprensa, é quem explica). Nós passamos a jantar no estádio, após os jogos. No Pacaembu, no último jogo, tinha um buffet enorme para os jogadores. No Dia dos Pais, os jogadores receberam pais e filhos. Foi bacana. Ajudou.

Dorival, o que você acha da religiosidade dos jogadores, recebendo pastores na concentração?

Falaram que eu abri o Santos para os pastores. Não foi nada disso. Deixei entrar um amigo deles para tocar um violão. O treinador tem muito trabalho, rapaz, não dá tempo para ficar vendo se o jogador usa brinco, se reza ou não reza. Um dos problemas do futebol é que tem muita fofoca. Se a gente ganhar um jogo e for tomar pinga no bar, a torcida vê e diz que é água. Se a gente perder e for beber água, vão dizer que é pinga.


Nelson Simões: “Rogério não é arrogante. É inteligente e profissional”
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Menon

Rogério, Pavão, Bordon, Nelson e Ronaldo Luiz; Mona, Pereira e Denilson, Catê, Caio e Toninho. Uma escalação que nunca se repetiu no time profissional, mas que ficou marcada nos corações e mentes tricolores. O time que ganhou a Copa Conmebol e que goleou o Peñarol titular por 6 x 1. Ainda havia André Luiz, Baresi, Juninho Paulista, Guilherme…

Rogério é o Ceni, com 1238 jogos pelo clube. Nelson é o Simões, de carreira bem mais modesta, 37 jogos pelo clube. A parceria que foi forte na base e de poucos jogos no profissional, volta a se repetir agora. Nelson é o auxiliar escolhido por Ceni para seu trabalho no Fortaleza. O convite veio do treinador e não surpreendeu Nelson. ''Eu trabalhei quatro anos em Cotia e saí em 2014. Estava parado e pedi para o Rogério para acompanhar o seu trabalho como treinador. Ele deixou e depois eu pedi alguma indicação para retomar minha carreira. Ele falou que, quando soubesse de alguma coisa, me diria. Quando me ligou, fiquei muito feliz''.

Os dois são diferentes. Difícil imaginar uma parceria entre o falador poliglota e o caladão. Mesmo que o caladão se expresse muito bem. Um arrogante e um perfil baixo, Nelson?

''O Rogério nunca foi arrogante. Ele é inteligente e quem é inteligente no futebol causa essa impressão ruim. Eu acho errado porque para estar no futebol, você precisa ser inteligente. Jogador burro não vai longe, não. Precisa tomar muitas decisões em 90 minutos. E o que une a gente é o profissionalismo. Sou mais calado do que ele, mas sempre fui muito profissional. Esse é o ponto de união''.

O Fortaleza tem poucos jogadores e o time precisa ser reconstruído. Rogério já passou nomes para o presidente Marcelo Paz. Nelson não fala em nomes, mas explica o perfil que se espera dos novos atletas. ''A primeira coisa é saber jogar. Precisa ter qualidade. E precisa ter comprometimento, como nós sempre tivemos. Precisa respeitar o clube e a profissão'';

O time, segundo Nelson, será ''cascudo'' como o campeonato. ''A série B é difícil, tem jogadores de qualidade, tem times bons e não se pode bobear. Pode ter jogadores que estão saindo da base do São Paulo e de outros times, mas vai ser forte e comprometido. O elenco vai estar pronto no começo de janeiro e dia 10 já tem jogo no Cearense''.

Nelson, depois de 37 jogos pelo São Paulo, atuou no Rio Branco, na Caldense, América de Natal, Juventus, XV de Piracicaba. Uma carreira modesta, ao contrário do que se esperava daquela geração tão vencedora na base. Nelson, ao lado de Sergio Baresi, formava a dupla de zaga titular do time campeão da Copa São Paulo de 93.

Agora, volta ao campo. ''Ficarei ao lado do Rogério, pronto para ajudar e dar minhas opiniões. É a melhor forma de ajudar a ele, de me ajudar e de ajudar o Fortaleza, que é o mais importante.''

 

 


Bela goleada de um Palmeiras irregular
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Menon

Uma vitória por 5 a 1 não merece contestação, então parabéns ao Palmeiras, a Dudu que jogou muito e a Deyverson, que lutou muito e conseguiu a segunda dupleta seguida

Mas, se não merece contestação, merece uma análise. O Palmeiras teve cinco finalizações no alvo e conseguiu cinco gols. O Sport acertou sete chutes e apenas um gol.

O que significa? Que Fernando Prass jogou muito. E que foi muito exigido. O Sport entrava muito facilmente pelo meio da defesa do Palmeiras. Moisés e Tchê Tchê marcaram mal. E Felipe Melo era zagueiro.

No segundo tempo, tudo mudou. Fernando Prass falou em um Palmeiras com mais intensidade, mas pode se falar também em mais vontade.

E saiu o primeiro gol, que foi um soco na autoestima do Sport. Como o Palmeiras tem bons jogadores, aproveitou-se e goleou. Três pontos que ajudam a trazer paz ao Palmeiras.

 


Escolha de treinadores explica sucesso do Corinthians
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Menon

Em 2011, com Tite, o Corinthians foi campeão brasileiro e iniciou uma escalada que todos sabem na ponta da língua: Brasileiro, Libertadores, Mundial, Brasileiro e Brasileiro, completada agora, com três rodadas de antecipação. O modo como escolheu seus treinadores, em comparação com seus rivais, mostra muito da razão de tanto sucesso.

Na verdade, a história começa antes, a partir de dois fracassos. O Corinthians caiu em 2007 e contratou Mano Menezes, um treinador de primeira linha para a segunda divisão. Com ele, o time subiu sem sustos, foi campeão paulista e da Copa do Brasil no ano seguinte, antes de assumir a seleção brasileira.

Uma ascensão que teria um fracasso com Tite, o substituto. Em fevereiro de 2011, o Corinthians perdeu para o Tolima e nem chegou à fase de grupo da Libertadores. Quando a realidade do futebol brasileiro indicava demissão, ele foi mantido.

Então, a primeira dica está aqui. Na queda, contratação de treinador de alto nível. Troca por outro treinador de nível e sua manutenção, após um fracasso.

Com Tite, vieram o Brasileiro, a Libertadores e o Mundial em uma sequência gloriosa. Saiu após um período de desgaste e foi substituído por Mano Menezes.

Aí está a segunda dica: há uma linha de trabalho coerente, são dois treinadores de um mesma escola, e não vamos usar aqui a redução de chamá-la de escola gaúcha. São treinadores que gostam de times fortes, com defesas protegidas e sem sustos.

Após um ano de Mano Menezes, voltou Tite. Foi campeão brasileiro e, no ano seguinte, como Mano em 2010, assumiu a seleção.

Temos, então um período de 2008 a 2016 com dois treinadores. A manutenção de uma linha de trabalho que criou uma identidade. A torcida passou a gostar do estilo de jogo. Não sonha com espetáculo. Quer títulos.

Em 2016, o Corinthians muda de estilo. Traz Cristóvão Borges, conhecido por não ter muita facilidade em montar equipes seguras na defesa. Ficou 18 jogos e saiu. Entrou Fábio Carille. Ficou poucos jogos e veio Osvaldo de Oliveira, também conhecido por montar times com pouca força defensiva. Ficou 18 jogos.

E, sem dinheiro para aventuras, o clube apostou em Fábio Carille. Que estava no clube desde 2009, como auxiliar.

E vieram dois títulos.

Em dez anos, o Corinthians teve, à exceção de Cristóvão e Osvaldo, três treinadores. Mano e Tite, que têm conceitos muito parecidos. E Carille, que foi auxiliar dos dois. Houve também um pequeno tempo com Adílson Batista, entre Mano e Tite, em 2010.

Manutenção de trabalho de bons treinadores que criou uma identidade do clube, respeitada e apoiada por seus torcedores.

E o que fizeram os rivais do Corinthians, no mesmo período a partir de 2011? Vamos comparar com os rivais paulistas e com Flamengo e Grêmio, que também lutaram pelo título em 2017.

Palmeiras: Felipão (10/12), Kleina (12/14), Gareca (14), Dorival Jr. (14), Osvaldo (15), Marcelo Oliveira (15/16), Cuca (16), Eduardo Baptista (17), Cuca (17).

Observa-se aqui a aposta em Kleina e Eduardo Baptista, com pouco currículo. E a recusa em dar a Dorival Jr. o apoio que o Corinthians deu a Tite, no caso do Tolima.

São Paulo – Carpegiani, Adilson, Leão, Ney Franco, Autuori, Muricy, Osório, Doriva, Bauza, Ricardo Gomes, Rogério Ceni e Doriva Jr.

Uma salada, não? Bauza após Osorio? Totalmente diferentes. Doriva, por sete jogos? Qual o currículo? Rogério Ceni, que nunca havia treinado nenhum time? Adilson e Ney Franco que não se firmaram e estão quase aposentados? Leão, que veio pela fama de bravo? Autuori, um ícone do clube, que foi mandado embora após três meses? Muricy, que salvou o clube em 2013? Reparem que o grande vencedor Muricy não veio para um trabalho de longo prazo. Veio para impedir o rebaixamento. Ricardo Gomes, que veio com problemas de comunicação, conseguiu dar padrão ao time e não ficou porque Rogério estava na fila? Do emprego e também do desemprego? E Dorival, vai ficar? Não há nada planejado. É como biruta de aeroporto.

Santos – Adílson (11), Muricy (11/13), Claudinei (13), Osvaldo (14), Enderson (14/15), Marcelo Fernandes (15), Dorival Jr (15/17) e Levir (17).

Vemos que Muricy e Dorival, que tiveram tempo de trabalho (por responderem logo às necessidades, o que é correto), foram vencedores. Mas temos também a prática da manutenção de interinos como Claudinei e Marcelo Fernandes, por pedido de jogadores. E Levir substituindo Dorival Jr. Dois treinadores que pensam de forma diferente, nada de continuidade),

Flamengo – Luxemburgo (10/12), Joel (12), Dorival Jr. (12/13), Jorginho (13), Mano (13), Ney Franco (14), Luxemburgo (14/15) Cristóvão (15), Osvaldo (15), Muricy (16), Zé Ricardo (16/17) e Rueda (17).

Temos a dupla Cristóvão e Osvaldo em seguida, como no Corinthians. Muricy, veterano que teve problemas de saúde, o jovem Zé Ricardo, que conhecia tudo do clube, seguido por Rueda, que não conhecia nada.

Grêmio – Renato, Celso Roth, Caio Jr, Luxemburgo, Renato, Enderson, Scolari, Roger e Renato.

A gangorra entre ídolos do clube como Renato, Scolari e Roth, veteranos como Luxemburgo e jovens como Roger e Enderson.

Não há um fio condutor.

O Corinthians foi muito melhor nesse aspecto. E, em consequência, nos outros também.


Um lindo e justíssimo título corintiano
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Menon

Enfim, é oficial o que já era História. A matemática se curvou à realidade e aceitou agora que o Corinthians é campeão. O que todos já sabiam que seria desde, no mínimo, aquela vitória por 3 x 2 contra o Palmeiras. Outros podem se fixar em outras datas. O final do primeiro turno, por exemplo. Um pouco mais, um pouco menos. O que não se pode dizer – e ninguém diz – é que o título foi conquistado na primeira rodada. Que era uma questão de tempo. Que o grande time precisava apenas cumprir tabela para ser heptacampeão brasileiro.

E por isso, o título é mais bonito e mais justo. O Corinthians venceu todas as suas deficiências para ser campeão. E fez isso com uma grandeza enorme, com uma coragem impressionante. Venceu todas as finais que o campeonato de pontos corridos colocou à sua frente. Ganhou do milionário Palmeiras fora e dentro de casa. Matou o Imortal Grêmio, em Porto Alegre. E foi assim sempre. Quando todos pensavam que ''agora vai'', não ia. Ou ia o Corinthians. Vai, Corinthians.

E o título chegou com requintes. De virada, após um gol sofrido com um minuto. Com um garoto no gol, começando a carreira. Com Jô fazendo dois gols em mais um jogo de sua redenção, que eu mostrei AQUI.

E venceu, ainda, com o grande Danilo em campo. Danilo, o maior injustiçada da história do futebol brasileiro, em termos de seleção brasileira.

O Corinthians venceu novamente.

Os rivais têm dois caminhos pela frente. Estudar o clube, ver como se conquistou tanto nos últimos anos e aprender.

Ou pode continuar falando que é tudo obra de arbitragem.

Tenho certeza que o corintiano sabe qual é melhor opção para ele e para seu grande clube, grande campeão, justo campeão.


Jô renasceu e deu um chega prá lá em João Alves Assis Silva
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Menon

João Alves de Assis Silva nasceu em 20 de março de 1987 e morreu logo depois. Não se sabe exatamente se alguns minutos, horas ou dias. O fato é que, embalado pelo carinho familiar, virou Jô. Só Jô. Era Jô quando estreou, aos 16 anos. Era Jô quando rodou mundo, quando voltou, quando ganhou a Libertadores pelo Atlético e quando jogou a Copa-14.

E ainda era Jô quando voltou ao primeiro ninho, no final do ano passado. Um Jô que corria pelo gramado, totalmente ignorado por jornalistas. A incógnita era sua companheira de trote. A ironia estava mais longe, um pouco. No lado de fora e também, vamos ser sinceros, na cabeça de grande parte de torcida. Apostar em Jô? Só mesmo um time sem dinheiro. A quarta força.

O Jô que se preparava para o novo ano, era o menos Jô possível. Ele estava pronto de ser novamente João Alves de Assis Silva. Quem? O Jô, aquele que jogou a Copa e depois foi para os Emirados Árabes e para a China. O Jô que chutou a sorte, que trocou a noite pelo dia, o dia pela noite, que não era um craque, mas que poderia ter ido muito longe, que ganhou dinheiro e perdeu.

Se a corrida era ao lado da desesperança, da incógnita e da ironia, o Esquecimento estava rondando. Era o fantasma da vez.

Jô era um homem em busca da segunda chance. Ela veio, não se sabe por quais motivos, mas ele aproveitou. E como aproveitou. O Corinthians ganhou dois títulos. E ele, antes do jogo contra o Fluminense, era o artilheiro do clube no ano, com 23 gols, mais que o dobro de Rodriguinho. Marcou no São Paulo, no Santos e no Palmeiras. No Vasco, Botafogo e Flamengo.

Marcou tantos gols que se transformou no maior artilheiro do Corinthians na história dos pontos corridos do Brasileiro, com 29 anotações. Tevez, o segundo, tem 25.

Mas, gols ele sempre soube fazer. Está próximo dos 200. Fazer gol é fácil. Difícil é recuperar o status de atleta para poder fazer gols. E ainda se transformar em líder do elenco, porta-voz do time e homem de confiança de Carille. Difícil é enfrentar a cobrança de muitos por uma atitude que não foi bacana (negar até o fim que a bola havia tocado em seu braço). Cobrança que extrapolou todos os limites, tratando-o como um cidadão de segunda classe.

Jô está forte. Pronto para mais um ano. Pronto para evitar recaídas.

João Alves de Assis Silva está mais longe. Muito mais longe. Um dia, ele voltará à cena. Com todos, é assim. Mas, quando perguntarem que é o velho espigado, o diálogo será assim.

É o Jô.

Que Jô?

O Jô, que começo no Corinthians, rodou mundo, foi para Copa e voltou para o Corinthians, quando ninguém mais apostava nele. Aproveitou a chance, deu a volta por cima e jogou muita bola em 2017.

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