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Menon

Sai, mau humor! Foi um jogaço. Brasil está no caminho certo

Menon

22/06/2013 18h40

Em 10 de junho de 1993, na redação de A Gazeta Esportiva (saudades), eu estava cobrindo, pela televisão, o jogo Brasil x Alemanha, em Washington, pela US Cup. O Brasil começou arrasador e fez 3 a 0, com Helmer (contra), aos 13 minutos, Careca (32 minutos) e Luisinho (39 minutos). Estava preparado para escrever maravilhas sobre o time de Parreira.

No segundo tempo, tudo virou. Klinsmann fez um gol aos 21, Möeller marcou o segundo aos 35 e novamente Klinsmann, no último minuto empatou. E eu, furibundo, me preparei para escrever coisas horríveis sobre o time do Parreira. Então, me levantei e fui até a sala de telex (estamos falando da idade da pedra) e peguei o material das agências.

O comentário era unânime. Havia sido um dos grandes jogos dos últimos anos. Dois tricampeões  – Brasil de 58, 62 e 70 e Alemanha de 54, 74 e 90 – haviam honrado o futebol em um duelo emocionante, cheios de alternativas etc. Um dos textos agradecia a oportunidade de ter visto um jogo tão bom, algo que dificilmente se repetiria em sua vida.

Em jornalismo, ninguém ensina ninguém. Não dá tempo. Se o teu chefe for seu amigo, poderá te dar algum toque ou outro, mas tem mais o que fazer. Então, é preciso aprender com exemplos. E aquela foi uma lição para mim. Deixei o mau humor de lado e fiz meu comentário também saudando o jogo.

O Brasil e Itália da Fonte Nova também merece ser saudado. Agora, a reunião foi entre único pentacampeão e o único tetracampeão em uma partida com muitas mudanças. São dois times em formação e o Brasil, apesar de menor tempo de trabalho, caminha mais rapidamente.

O problema é da Itália. A Azzurra, já há algum tempo, tem mudado de estilo. Abandonou a solidez defensiva em busca de um jogo com mais toque no meio-campo. Não tem mais um volante de muita pegada, como sempre teve. E essa transição é dura. Nem sei se vale a pena. Afinal, o time levou oito gols em três jogos. Além dos quatro de hoje, foram três contra o Japão e outro contra o México. É quase impossível um time que leva três gols vencer um jogo.

O Brasil está no caminho certo. Scolari tem um jeito pragmático de entender futebol e segue sua cartilha sem desviar-se de seus princípios. Cria um clima de companheirismo, convoca a torcida para jogar junto, faz a Pátria calçar chuteiras, arruma a defesa, tem cuidado no meio-campo e não abre mão de um centroavante. Quase tudo está funcionando.

Vamos analisar por itens

1) Fred – É um grande centroavante. Fez dois gols e foi muito bem na cabeçada que terminou em gol de Dante. Forte, brigador, finaliza bem e, quando sai da área, não faz feio. Eu, como Scolari, gosto muito de centroavantes.

2) Marcação dura – O Brasil tem feito gols a partir de bolas tomadas na defesa. Ou no ataque, como no quarto de hoje. É importante retomar a bola, mas é preciso tomar cuidado com os excessos. O "pega-pega" é fatal. David Luiz, Marcelo, Luiz Gustavo abusaram das faltas. O pior, porém, foi ver Neymar, com cara crispada, fazendo em Abate uma daquelas faltas que recebe constantemente. Exagero. Me lembrou Robinho contra a Holanda, ameaçando Robben, em 2010. O bom é que ele tem ajudado na marcação, mas não está em campo para dar porrada em ninguém.

3) Marcelo – É um daqueles jogadores-combo. Quando você o contrata ou o convoca, é para o bem ou para o mal. O bom é vê-lo dar o passe para o terceiro gol. O ótimo é vê-lo chutando forte no quarto gol. O ruim é vê-lo falho na marcação e abusando das faltas para corrigir isso. Pode receber o auxílio de seu parceiro de ala, mas este é Neymar, que também está batendo. Esse ajuste precisa ser feito por Scolari.

4) Neymar – Cada vez melhor. Um golaço de falta. Falta que não sofreu,  é bom dizer. Poderia cair menos, nem sempre o árbitro será do Uzbequistão. Vamos lembrar que, quando saiu, o Brasil estava vencendo por 3 a 1. A entrada de Bernard foi um luxo. Talvez Scolari visse o jogo decidido. E a verdade é que a Itália cresceu com a saída de Neymar.

5) Oscar – Esse é o nome do problema. Oscar é um jogador de alto nível, de toque singelo e de qualidade, mas não consegue dar ritmo ao time, não consegue dosar as energias, não é o jogador pensante que sempre tivemos. E seu companheiro, Hulk, também não. Então, o Brasil sente dificuldades na armação. Sai bem pela direita, com Daniel Alves, sai bem pela esquerda, com Marcelo, tem Paulinho que é muito bom, Hernanes também tem qualidade, mas falta a armação no meio. Oscar e Hulk, ótimo para o 4-2-3-1, são bons. Um deles poderia dar lugar a um outro tipo de meia. Não sei se Jadson, a opção do elenco, seria o ideal.

Com qualidades e ajustes a serem feitos, o Brasil chegou a terceira vitória seguida. Fez nove gols e sofreu só dois. Essa média, se mantida, significa que, para sermos derrotados, o adversário precisa fazer quatro gols. Não farão.

Sobre o Autor

Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar.Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.