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Sem hipocrisia. Somos tão racistas quanto o Real Garcilaso.

Menon

13/02/2014 14h22

A ignomínia praticada pelos torcedores do Real Garcilaso contra Tinga expôs uma vez mais a falta de limites da ignorância humana. Houve manifestações de apoio ao jogador de muita gente e de muitas entidades. Inclusive a CBF, comandada pelo impoluto Zé das Medalhas.

E daí? Solidariedade não adianta nada. Luta é que pode resolver. Sai de campo, Tinga. Sai de campo, Cruzeiro.

E luta só vai haver se entendermos que fazemos parte do círco. Não adianta apontar o dedo a peruanos racistas, como se fossem parte de outra turma. Aliás, nada mais ridículo do que ser peruano e racista. Apenas o fato de ser peruano já é o suficiente para carregar no lombo todo o preconceito do mundo.

Somos racistas, esse é o problema. Pensemos nos peruanos. Brasileiro só respeita o Guerrero, pelos gols e pela Bárbara, e o Mario Vargas Llosa, pela obra ficcional. Para os outos, olhamos como se fossem índios. Como se fosse errado ser índio.

Antes de falarmos em enfrentar o racismo, é necessário ver a situação do Brasil. A proporção de negros abatidos em confronto com a Polícia é muito maior que a de brancos. Há muito mais negros presos do que brancos.

Quantos médicos negros existem? Quantos advogados negros existem?

Ah, deixa para lá. Vou mudar a pergunta: quantos médicos brancos empregam recepcionistas negras? quantos advogados brancos empregam recepcionistas negras?

Fala contra o racismo é fácil. Difícil é reconhecer que somos um país racista. O último país da América a libertar seus escravos. E de que maneira? Sem nenhuma compensação, jogados no mercado de trabalho sem nenhuma condição de ser mais do que um escravo sem algemas. Prontos para carregar penicos cheios de merda branca e para ganhar um troco com prostituição. Melhorou, porque antes a casa grande usufruia de favores sexuais (masculinos e femininos) sem pagar nada.

Falar contra o racismo é fácil. O deputado federeal Luiz Carlos Heinze (PP-RS) deve ser contra o racismo. Quem é? O mesmso que disse a seguinte frase: "quilombola, gay, lésbica, índios, tudo que não presta, está aninhado no governo".

Enquanto o Brasil se indignar mais com a ignorância de um bando de deliquentes peruanos do que com a declaração de um de seus deputados, representante da elite agrária, vindo de um estado conhecido como culturalmente avançado, o racismo vai continuar ganhando de goleada. Mesmo enfrentando Tinga.

Sobre o Autor

Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar.Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

Menon