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Zé Elias, emocionado, se despede do Pacaembu, velho amigo

Menon

25/04/2014 16h17

No domingo, Zé Elias vai repetir um ritual constante em sua vida. Estará no Pacaembu. Foram muitos anos como jogador. Há cinco, a visita é do comentarista da Rádio Globo e não do volante corintiano. "Vou chegar às 11h30, participo do "Enquanto a bola não rola", comento o jogo e só saio lá pelas 19 horas", diz Zé. Rotina que será encerrada justamente no domingo. Com o Itaquerão pronto, o Corinthians deixará o Pacaembu. E Zé Elias também. Emocionado, ele fala da importância do estádio municipal em sua vida.

Como será essa despedida?

Com certeza, será muito emocionante. Eu poderia dizer que é  como se despedir de um velho amigo, mas eu não vou me despedir do Pacaembu de jeito nenhum. Ele estará nas minhas lembranças, vai caminhar comigo para sempre. Cada vez que passar ali por perto, vou ver torcedores andando, cantando, vou ouvir o grito da torcida. Um estádio como esse, com essa estória, nunca termina. Pode não ter jogo lá, mas ele continua na lembrança da gente.

São memórias corintianas, não?

Discordo. O Pacaembu ficou marcado como a casa do Corinthians, mas os outros clubes também tem ligação com ele. Uma vez eu li que a maior parte dos títulos do Palmeiras foram no Pacaembu. O São Paulo encheu o estádio também quando não tinha o Morumbi, o Leônidas jogou ali. O Santos viu a quebra do tabu contra o Corinthians ali. O Pacaembu é mais que um estádio.

Como assim?

Eu considero o Pacaembu o maior teatro popular da cidade. O povão que não vai no Teatro Municipal vai no Pacaembu. Ele é querido por todos, é um museu da cidade. Bem, ele abriga o Museu do Futebol, já mostra sua importância.

E quais são as suas lembranças?

A maior delas, a que mais emocionou foi em 25/9/1994, quando eu completei 18 anos de idade. O Corinthians enfrentou o Criciúma e todo o estádio cantou parabéns para mim. Como um garoto pode esquecer disso? Meu segundo jogo como profissional foi lá, contra o Flamengo, tinha 16 anos. E teve também a decisão do campeonato paulista de 95, contra a Portuguesa. Eles jogavam pelo empate e estavam dominando. Naquele tempo, tinha o tempo técnico e a gente se reuniu para falar alguma coisa, para mudar o jogo. Nem deu para ouvir direito porque a torcida começou a apoiar. Logo em seguida, sofri uma falta do Capitão. E saiu o gol do Bernardão. Fomos campeões.

Você frequentava o Pacaembu antes de ser jogador?

Acho que eu sempre fui jogador né? Estreei com 16 anos e antes fazia parte das preliminares. Antes disso, não frequentava não porque eu jogava futsal e tinha jogos no domingo, não dava para ir ao estádio não.

O Corinthians devia abandonar o Pacaembu?

Não se trata de abandonar. Agora, o Corinthians tem seu próprio estádio e isso é muito importante para o clube, então tem que mandar seus jogos lá. A vida continua, mas que s que vai dar saudades, vai.

O Pacaembu vai se tornar um elefante branco?

Tomara que não. Parece que o Santos vai mandar mais jogos lá. Acho que a Prefeitura deveria disputar alguns jogos, entrar no mercado. Figueirense e Bahia vão jogar em Barueri. Esse jogo ficaria muito melhor no Pacaembu. Quando o Morumbi recebe shows, o São Paulo às vezes joga em Barueri. A Prefeitura precisa brigar, fazer uma boa oferta, para que os jogo seja no Pacaembu. É muito melhor para o torcedor, tem facilidade de transporte, é um estádio central.

Então, como vai ser o adeus?

Vai ser um até logo. O povo não pode perder sua casa e tenho certeza que continuará havendo jogos no Pacaembu. Serão menos, mas haverá.

Sobre o Autor

Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar.Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

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