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Pescarmona: "Eu daria os R$ 20 mil para que o Kardec continuasse no clube"

Menon

28/04/2014 13h15

Wlademir Pescarmona, 62 anos, conselheiro vitalício do Palmeiras, faz parte da chapa União Verde e Branca, de oposição ao presidente Paulo Nobre. Ele considera que a questão de Alan Kardec foi muito mal dirigida pela atual diretoria. "O Paulo Nobre vai ter de explicar muita coisa. O que ele quer é se eternizar na presidência e deixar o Palmeiras refém de seu dinheiro", afirmou em entrevista ao blog. Leia abaixo.

Como você analisa a questão Alan Kardec?

Não queremos criar confusão e por isso colocamos um manifesto institucional na nossa página da Internet. Gostaria que você publicasse. Quanto ao Kardec, foi uma coisa muito mal feita. Como você pode perder um dos principais jogadores do time para o rival? Um jogador que foi recuperado pelo clube, que era reserva no Benfica? Se a diferença fosse de R$ 200 mil mensais, eu entendo. Mas R$ 20 mil mensais nessa situação, não.

O que poderia ser feito?

Se o Paulo Nobre me pedisse, eu daria R$ 20 mil por mês para manter o Kardec. Outros diretores também dariam. Ou, então, todos se uniriam e dariam um pouco e ficaria mais fácil. Essa é uma solução, mas tenho certeza que haveria outras. Foi falta de gerenciamento mesmo. Tem torcedor culpando o São Paulo, mas eles não fizeram nada de errado. Viram uma situação de negócios mal dirigida e foram para cima.

Por falar em dar dinheiro, é verdade que Paulo Nobre já colocou R$ 85 milhões no clube?

É o que se fala. Pedimos explicações à diretoria. É necessário saber quanto entrou e como vai sair. Qual instituição financeira fez o negócio? Quanto vai ser pago de juros? A impressão que fica é que Paulo Nobre deseja que o clube fique refém do seu dinheiro e isso permita que se eternize na direção ou que os próximos presidente fiquem devendo a ele.

Mas isso não parece muito maquiavélico?

Olha, como um clube gigante como o Palmeiras não consegue ter um patrocínio máster no ano de seu centenário? Isso é totalmente inexplicável e faz a gente pensar e tudo. Já faz um ano que o clube não tem patrocínio, como isso pode ser uma boa gestão. Essa briga com a WTorre também é estranha. Eles poderiam ser um parceiro forte por mais de 30 anos.  Muitas fontes de renda são afastadas e o clube deve a ele.

E a questão de título no centenário, que vocês abordam no manifesto?

Foi o gerente que falou. Disse que o clube não tem obrigação de ser campeão no ano do centenário. Isso é errado no campo esportivo e no campo de marketing. Quem vai querer investir em um clube que não tem obrigação de ser campeão? Se eu sentar naquela cadeira, vou pensar em título o dia todo.

Por que o senhor não cita o nome do Brunoro, fala apenas "o gerente"?

Para não criar mais confusão , não apontar culpados, não criar inimizades.

O senhor é candidato?

A eleição será em duas etapas. Na primeira, em outubro, é preciso conseguir 15% da votação, o que significa 42 conselheiros. Em novembro, há a eleição junto aos associados. Nós vamos concorrer. Somos do grupo do professor Belluzzo.

E o grupo do Mustafá?

É um grupo forte. Temos muitas diferenças com eles, mas estamos conversando.

 

 O manifesto é o seguinte:

 

Caro Palmeirense,

A União Verde e Branca, grupo que representa um grande número de conselheiros e associados da nossa querida Sociedade Esportiva Palmeiras, se sente na obrigação de manifestar o seu posicionamento sobre os desdobramentos do "Caso Alan Kardec" e os rumos do alviverde imponente.

Temos consciência que uma política financeira é um dos pilares fundamentais para o sucesso da nossa querida instituição, assim como a geração de receita, foco inexistente nesta gestão. Entretanto, limitar todas as nossas ações apenas e exclusivamente sob essa ótica é uma miopia e distorção que nos fragiliza em nossas premissas básicas e históricas.

É dever, sim, de todo o gestor zelar pelos nossos recursos. Mas é uma obrigação ainda maior preservar a nossa honra, dignidade e tradição como uma das maiores instituições esportivas do mundo.

Nosso compromisso maior deve ser com o talento e com as conquistas. Só assim que nos tornamos o Campeão do Século XX. Só assim que conquistamos o nosso prestígio e respeito no mundo esportivo. Investindo em craques, formando ídolos e lutando por títulos.

Causa-nos repulsa e indignação quando um gestor que comanda os destinos do departamento de futebol um clube centenário como o Palmeiras vem a público e diz que o nosso querido alviverde "não trabalha com a obrigação de ganhar um título no centenário".

Ora, isso é contraditório. Fere princípios. Não combina com o Palmeiras que idealizamos. Note a inversão de valores. Vai na contramão de tudo o que diz a nossa gloriosa história. O Palmeiras SEMPRE tem a obrigação de ganhar títulos. Em qualquer situação ou cirscuntância. É isso o que o torcedor almeja e deveria ser a meta de todas as gestões.

Com uma declaração dessas, o gestor assume abertamente que a ambição do Palmeiras atual é ser um bom coadjuvante. Um time onde o compromisso com a vitória passa ao largo.

Sobre Alan Kardec, um dos principais jogadores do atual elenco, que goza da simpatia e admiração do torcedor, o descaso e passividade com a questão é sintomático. Beira o desdém e a prepotência.

"Não veria surpresa nenhuma [a saída de Alan Kardec para um rival]. Qualquer jogador bom não fica se aparece boa proposta. Não é uma situação do Palmeiras, é uma situação do mercado. Então esse tipo de situação pode acontecer. Estamos na ciranda do futebol", disse o gestor.

Boa Proposta? Ciranda do futebol? Situação de mercado? Não veria surpresa? Que história é essa? Acha que o palmeirense é um alienado? Que aceitamos passivos a perda de um atleta?

Nossa resposta é NÃO. Perder um jogador fundamental do elenco, para um rival, por uma diferença salarial de pouco mais de R$ 20 mil e ainda não conseguir exercer a prioridade que tinha (ou não tinha?) sobre o atleta se enquadra aonde? Numa boa proposta? Na ciranda do futebol? Ou numa situação de mercado?

Pura bravata, que escancara uma gestão forjada na pirotecnia, na preocupação exacerbada com a imagem e que evidencia um total descomprometimento com a grandeza do Palmeiras.

A esse pensamento, modelo e filosofia repudiamos com veêmencia. Isso não atende a necessidade do nosso apaixonado torcedor, razão maior de nossa existência, que é ignorado em seus anseios pelos atuais gestores. E não resolve nossos problemas. Pelo contrário.

São milhões de almas que esperam de seus comandantes o respeito e a mentalidade que o Gigante Palmeiras merece.

O Palmeiras não tem donos, mas sim representantes de uma coletividade unida em torno de uma única paixão. Ele pertence a todos, dos mais humildes, ao mais privilegiados.

Torcemos pela manutenção de Alan Kardec e pela conquista de mais um título brasileiro, afinal somos os maiores vencedores nacionais. E assim desejamos ser por longo tempo e promissores tempo.

– " Ele pertence

Sobre o Autor

Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar.Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

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