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Menon

Tite persegue uma ideia futebolística. Muricy recorre à teoria do encaixe

Menon

19/02/2015 14h18

Muitos técnicos brasileiros são adeptos do modo empírico de ciência. Experimentos constantes até se chegar a hipótese correta. Um pouco como uma criança monta um quebra-cabeças. Força uma peça, força outra até achar a correta. Os treinadores usam o termo "encaixe!". Experimentam uma formação, outra, um jogador, outro, a primeira formação com o primeiro jogador, depois com o segundo, o primeiro jogador com a segunda formação até que um dia ENCAIXOU. E o time está formado. A teoria do encaixe da muito certa em filmes pornôs, como mostrarei no ultimo parágrafo

Crianças não ganham nem para comprar o quebra-cabeça, geralmente um presente dos pais. Treinadores ganham muito. Muito dinheiro. E recorrem ao mesmo método. Não há a busca de peças para uma ideia pre estabelecida. Ou uma ideia estabelecida a partir dos jogadores que se tem. Não se busca uma ilusão. Rende-se ao pragmatismo.

A ideia predominante hoje, por moderna e bela, é a da ocupação de espaços. É a compactação. É ter um time com meio-campistas e não dividido entre volantes e armadores. É ter laterais que marcam e apoiam. É ter armadores pelo lado, recuando também na ajuda à marcação.

Tite aderiu à ideia. Trabalhou duro e montou um time compacto, marcador e com muita força no ataque. Um time, como mostrou hoje o Gustavo Franceschini no facebook, sempre alerta, sempre pilhado. Nunca da tréguas.

Muricy, um dos maiores treinadores do Brasil, em 2015 aderiu ao encaixe. Ou melhor, à luta pelo encaixe. Um retrocesso em relação ao ano passado, quando transformou o muricybol em saudade e montou um time com toque de bola envolvente, capaz de jogos e gols maravilhosos. Foi vice brasileiro. Teve também eliminações para Penapolense e Bragantino, mas falemos do que fez de bom.

Percebeu que o time tinha dificuldades em fazer jogadas pelos lados do campo. Não havia laterais que fizessem a ultrapassagem. Pediu dois. Um se machucou e o outro está mal. Quis uma marcação adiantada, pressionando o adversário. Pediu um zagueiro canhoto e rápido. Demorou, mas conseguiu Dória.

Para resolver aos problemas advindos das novas peças, Muricy recorreu ao encaixe. Em vez de ter uma ideia na cabeça – a do ano passado era ótima – e ir atrás dela, ficou no experimento.

E tome Lucão na zaga. E tome Thiago Mendes como volante. E como meia. E tome Cafu. Ewandro em um jogo contra o Santos. Jogou com Kardec e Fabiano. Fabiano e Pato. Pato com Kardec. (Olha o encaixe aí). E agora tem Centurión. Montou time com três meias. Com três zagueiros. E jogou contra o Corinthians com três volantes.

Jogadores que atuam sob direção de Muricy são unânimes em falar de sua obsessão por detalhes. Cada um entra em campo sabendo onde se posicionar na cobrança de faltas e escanteios. Do São Paulo e do rival. Sabem como os jogadores adversários atuam.  Sabem tudo.

Não tem sido suficiente. Falta ao São Paulo uma grande ideia futebolística. Isso se consegue com muito treino e não com tentativas incessantes de encaixe. Buscar o encaixe sem cansar não é coisa de treinador. É atribuição de diretor de filme pornô. Encaixou? Tà certo. Mantémo ritmo aí que eu tô filmando aqui".

Futebol precisa mais do que isso.

Sobre o Autor

Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar.Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.