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Placar abraça todos os esportes e abandona a sociologia

Menon

07/08/2015 06h10

Um argentino é o novo dono de uma velha paixão brasileira. Edgardo Martolio, 64 anos, torcedor do Racing e do Santos, é o novo responsável pela revista Placar, que foi a primeira fonte de leitura de uma geração de brasileiros. Superintendente e diretor editorial da Editora Caras, que comprou o título Placar da Abril, Martolio acredita que a revista viverá novamente dias de glória. "Acredito que o Brasil vai melhorar economicamente, que esse ciclo ruim vá acabar e aposto no ressurgimento do esporte brasileiro. E a revista vai colaborar para isso." Falamos por uma hora e aí vai um breve resumo da conversa.

Qual é a diferença entre a Placar da Abril e a da Caras?

A principal diferença é que agora a revista vai ser amada. Ela estava em um casamento com a Abril que só não terminava por conformismo. Sabe quando um casal vai mal, já não existe amor e não se separa por acomodação? Era assim, agora é paixão. Queremos ter novos colecionadores da revista, gente nova.

Qual foi a repercussão?

Muito maior do que eu esperava. A Placar é uma marca espetacular, tem um grande recall. Seus guias são conhecidos. A Bola de Prata é conhecidíssima. Penso em ter um programa de televisão em um canal fechado apenas sobre a Bola de Prata.

E editorialmente, o que muda?

Não seremos mais apenas uma revista de futebol. Vamos falar de muitos esportes. E o esportista vai ser o principal. Placar vai deixar de ser um tratado insuficiente de sociologia. E os jornalistas da Placar não serão o principal. O importante é o esportista. É disso que vamos tratar.

Um exemplo?

Em um dos últimos números, a revista trouxe quatro páginas sobre a briga de Juvenal com Aidar. Para quem interessa isso? Quem lê isso? É um assunto que importa apenas para os 40 conselheiros do São Paulo. Nada mais. É necessário se falar de atletas?

Mas a revista, então, não falaria sobre a prisão do Marin, sobre a crise na Fifa…

Falaria, mas sem o enfoque principal. Teria de ter uma ligação com o esporte. Não é admissível que ainda se faça matérias sobre Eurico Miranda. Quem se interessa por isso? Vamos falar sobre a Lei Pelé, que está acabando com o futebol brasileiro. Com ela, o Neymar passou a ganhar mais, o pobre perna de pau não foi defendido e o clube perdeu importância para empresários. Isso vamos mostrar.

A revista vai mostrar uma realidade ou pretende ajudar a mudá-la?

Pode ser os dois. Pedi uma matéria sobre o novo horário do futebol, 11 da manhã, que é espetacular. As famílias vão ao campo, recordes estão sendo batidos. O público é ótimo. A revista vai ajudar que esse horário se fortaleça. Não vamos ficar apenas apontando o dedo. É o mesmo em relação à seleção?

Como assim?

É um absurdo o modo como torcedor está tratando a seleção. Não é por causa de um 7 a 1 que a seleção vai ser odiada. Queremos que o amor volte. Todos criticam o Dunga e ninguém ajuda. Ora, um técnico e um mau resultado não podem ser maiores que uma seleção. O Dunga vai ficar mais três jogos? Mais trinta jogos? Cem jogos? É muito pouco diante da grandeza do futebol brasileiro.

A Placar vai ser como a Caras?

Nunca. Cada revista tem seu estilo. A Abril nunca fez da Placar uma Contigo. Nunca fez da Contigo uma Placar. Eu não farei nada disso também.

A revista El Grafico, da Argentina, sempre foi um sucesso. Hoje, perdeu influência. Por quê?

Porque o esporte argentino decaiu muito. Ao contrário do Brasil. Quero ter uma capa de tênis, uma capa de Fórmula 1 e vamos ter. Pena que o Massa seja tão ruim, é o pior de todos os brasileiros. Mas aí está o Felipe Nasr, que é ótimo.

Quem mais?
Você viu o Izaquias? Que história linda de vida. Um cara da canoagem, veja só. Adoro Paraolimpíada. Aqueles atletas representam bem o que é o esporte, a superação….Estarão na Placar. O Celso Unzelte é o novo editor e vai cuidar disso.

Qual a capa que você gostaria de ver?

Brasil, campeão do mundo. Nem que seja com time ruim.

Sobre o Autor

Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar.Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

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