PUBLICIDADE
Topo

Histórico

Categorias

Menon

Aidar é maestro de Titanic. E Osório não pode ser Antônio Conselheiro

Menon

24/08/2015 14h49

Carlos Miguel Aidar é o grande culpado pelo momento atual do São Paulo. Ele pode falar do Juvenal, pode colocar a culpa no passado, mas e o presente? Qual é sua postura diante da crise do time? É a postura dos músicos do Titanic, que tocavam enquanto o gigante afundava. Uma linda atitude, estavam cumprindo seu papel.

De uma certa maneira, colocam em prática um plano pré-estabelecido. Caminhavam para a morte, mas alegravam as pessoas.

E qual é o plano de Carlos Miguel Aidar?

Não há plano algum para 2015. E muito menos, para 2016.

Ele instalou um saldão no clube. Todo jogador pode sair. E deixou o elenco cada vez mais fraco, inclusive – principalmente, talvez – quantitativamente. Osorio ficou sem Souza e Denílson. Treinou, treinou e escalou Breno como volante. Fez duas boas partidas e se contundiu. Ou seja, o treinador precisou lançar mão de um atleta que não aturava há quase quatro anos.

Mas, se tudo fizesse parte de um plano, haveria explicação.

1 O São Paulo não tem dinheiro e vai vender todo mundo que puder. Mesmo que o dinheiro não sirva para amenizar a crise, como é fato.

2 O São Paulo não vai contratar ninguém e vai apostar nas categorias de base. Mesmo que os resultados não tenha sido bons, mesmo que a safra não seja promissora, mesmo que os garotos não estejam prontos.

3 – O presidente anuncia então que só pensará em títulos a partir de 2017 e que sua meta é sanear o clube financeiramente. E explica como.

Sonho. O que Aidar faz é plantar factoide. Como um fundo com dinheiro de Felipe Massa, sem antes ter falado com Felipe Massa.

A torcida, então, não sabe se haverá dois anos de vaca magra ou se Aidar vai contratar o Ibahimovic, como chegou a acenar como algo plausível.

Nesse caos, Osorio tenta montar um time. É vítima de um certo preconceito. Escalou Carlinhos na ponta-direita e o cara foi muito bem. Mas é criticado assim mesmo.

Cotinua apostando em sua filosofia básica, de marcação alta, controle de bola e ataque ao jogador que inicia o contra-ataque.

É um mérito pensar grande. É típico de treinadores de ponta. O que não pode é haver uma confusão entre filosofia de jogo e fanatismo religioso.

Ora, se perdeu jogadores, se o nível dos que ficaram é ruim, por que não ter outra postura? Temporaria que seja, um passo atrás para iniciar a retomada. Se a zagueirada é ruim, é preciso protege-la.

Treinador não pode ser como Antônio Conselheiro e sua Guerra do Fim do Mundo, magistralmente escrita por Vargal Llosa.

É cômodo, como dizem seus fãs, afirmar que Osorio não se verga, que é fiel à sua filosofia? Ora, só há um esquema para se implantar uma filosofia de jogo?

Ele tem um desafio pela frente. Apesar de Carlos Miguel Aidar, precisa provar que sua filosofia de jogo não se sustenta com apenas UM esquema.

Sem contar, que há algo acima de toda filosofia. Time grande nasceu para ser campeão. Não para ser refém dos estetas do jogo bonito.

Sobre o Autor

Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar.Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

Menon