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Paulo Amaral tinha razão no caso Rogério Ceni

Menon

A confirmação da candidatura Paulo Amaral trouxe à tona o velho caso da oferta do Arsenal para ter Rogério Ceni em 2001. Os dois se odeiam e Ceni deixou claro que nem aceita dizer o nome de Paulo Amaral.

Fui eu que fiz a matéria no Jornal da Tarde, dizendo que a proposta do Arsenal, enviada por Ceni à diretoria, havia sido escrita em uma loja de instrumentos musicais na rua Teodoro Sampaio, em Pinheiros, bairro paulista.

No dia seguinte, o repórter Eduardo Maluf, ótimo profissional, publicou outra matéria confirmando a minha. Com muito mais detalhe e mais talento.

O então presidente do São Paulo sempre sustentou que a oferta do Arsenal era falsa. E farsa. Quando Rogério o enfrentou, ele mostrou um fax do Arsenal desmentindo a tentativa de contratação.

Ceni foi suspenso por 29 dias. Conversei na época com Paulo Amaral e ele chorou muito no telefone. Muito. Disse que era de bem e que estava sofrendo pressão para que  o goleiro tivesse aumento. Faltou pouquíssimo para Ceni ir para o Cruzeiro.

Seguem a minha matéria e depois a de Eduardo Maluf

 

 

Caso Ceni-Arsenal: uma grande farsa?

Luís Augusto Símon

A proposta do Arsenal, que Rogério Ceni entregou ao presidente Paulo Amaral
no dia 2 de abril, foi escrita na loja Tango, de instrumentos musicais, na
Rua Teodoro Sampaio, em São Paulo.
O autor do documento é Álvaro, dono da loja e amigo de Rogério.  Ele presta
assessoria comercial à Ceni Sports e Marketing, empresa de propriedade do
goleiro, criada para tratar de sua imagem.
Há suspeitas e boatos de que tudo teria sido uma farsa para que Rogério Ceni
conseguisse um aumento de salário de R$ 130 mil para R$ 250 mil.  Além do
proprietário da loja, que não fala sobre o assunto, estaria envolvido Márcio
Rivelino, empresário de futebol e filho de Roberto Rivelino, tricampeão do
mundo em 1970.  Não se sabe se teriam agido por determinação do goleiro do
São Paulo.
Márcio nega tudo. “É impressionante como no Brasil se fala sobre a honra de
uma pessoa.  Sou um empresário honesto, cuido da minha vida e não tenho nada
com isso.  Não conheço nenhum assessor do Rogério.  Aliás, faz mais de um ano
que não converso com o Rogério.  Tinha contato com ele quando ele batia bola
nas quadras do meu pai.  Ele nem me convidou para o casamento dele, como eu
poderia estar fazendo negócios com ele.  Nem deveria responder a boatos, mas
quero deixar meu nome limpo”, esclareceu o empresário.
Márcio tem negócios com Luís Taveira, também empresário de futebol e muito
amigo de Rogério. “Eles são amigos e eu não tenho nada com isso.  Ponto
final.”
O nome Tango Sports e Marketing aparece no papel que chegou às mãos de Paulo
Amaral.  Nele, está descrito o que seria a proposta do Arsenal: US$ 4 milhões
para o clube e US$ 1,5 milhão para o jogador, por ano de contrato assinado.
Se fossem quatro anos, um prazo comum, Rogério receberia US$ 6 milhões.  Na
verdade, não se trata de uma proposta do Arsenal, mas apenas de um
“relatório” feito por Álvaro, indicando como estavam as negociações.
Ironias contra o Arsenal
O fax enviado ontem pelo Arsenal, dizendo que nunca teve interesse no
jogador, é ironizado por pessoas ligadas a Rogério Ceni.  Dizem que os dois
clubes têm uma ligação muito forte e não custaria nada ao clube inglês fazer
um favor ao São Paulo.  Como prova da ligação entre os dois clubes, lembram
que o zagueiro Edmílson estava vendido ao Arsenal, antes que houvesse uma
oferta melhor do futebol francês.
Essas mesmas pessoas concordam também que hoje não há mais interesse do
Arsenal por Rogério, mas reafirmam que havia, em abril.  Mesmo naquela
ocasião, o interesse não foi confirmado.
Jornalistas ingleses, consultados pelo JT, na ocasião, disseram, que o
Arsenal queria o goleiro Pletikosa, de 21 anos, da Seleção da Croácia.  O
jogador foi contratado em maio e disputa a posição com David Seaman, de 37
anos.
Luis Augusto Símon

Título: O longo caminho de uma proposta que não houve

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EDUARDO MALUF
Rogério Ceni poderia, até, chegar a receber proposta do Arsenal, mas isso
nunca ocorreu.  A obscura história que agitou o meio do futebol começou na
Inglaterra, prosseguiu com um empresário argentino, passou por uma loja de
instrumentos musicais em São Paulo e acabou no Morumbi.  O Estado desvendou o
caso por meio de revelações feitas por uma pessoa que participou do processo.

Em fevereiro, um empresário argentino, Oscar Villon, que vive na Alemanha,
passou a correr atrás de um goleiro para o Arsenal.  David Seaman, o titular,
encerrará a carreira em 2002 e o clube busca substituto.  Villon trabalha com
um agente da Fifa ligado à diretoria londrina.
Ele telefonou para um amigo brasileiro, Arion Bueno Oliveira Júnior, de 49
anos, que também atua como empresário e tem escolinha de futebol em Limeira.
Conversando, chegaram à conclusão de que Rogério Ceni poderia ser um bom
nome.  Arion, então, entrou em contato com um associado do São Paulo e com um
conselheiro que tem boa relação com Rogério.  Esse conselheiro contou o fato
ao goleiro, que o autorizou a dar o número de seu celular ao empresário.
Em fevereiro, Rogério e Arion conversaram.  O jogador levou à reunião Álvaro,
que é amigo e proprietário da loja Tango, de instrumentos musicais.  Arion
contou a Rogério que ele precisaria tirar um passaporte comunitário para ter
alguma chance de se transferir para o Arsenal.  O são-paulino afirmou ter
ascendência italiana e alemã e por isso não haveria problema.
Dois meses mais tarde, em abril, Oscar Villon veio ao Brasil e uma nova
reunião foi feita.  O passaporte ainda nem havia sido providenciado.  Villon
disse que o Arsenal ofereceria US$ 4 milhões ao clube que vendesse o passe
de um goleiro e US$ 6 milhões ao jogador entre luvas e salários em três anos
de contrato.  Os empresários queriam esperar terminar o ano para que Rogério
ficasse mais conhecido na Europa – depois de atuar mais vezes pela seleção –
e para que conseguisse a dupla cidadania.  Em seguida iriam levar seu nome ao
Arsenal. “Aí, sim, poderíamos propor ao clube inglês um negócio”, afirmou
Arion.  A negociação poderia ocorrer, mas apenas no fim do ano ou no início
de 2002.
“De repente, começou a ser divulgado pela imprensa um interesse do Arsenal
pelo Rogério, fiquei surpreso e achei muito estranho”, lembrou Arion.  Foi
nessa época, no fim de abril, que surgiu a polêmica entre Rogério e a
diretoria do São Paulo, que disse nunca ter recebido proposta oficial.  O
jogador levou ao presidente Paulo Amaral uma proposta do Arsenal, com os
mesmos valores ‘oferecidos’ pelo empresário argentino, num papel timbrado da
Tango Sports e Marketing: “Segue abaixo descrição da proposta efetuada pelo
Arsenal, através do Sr.  Arion Bueno Oliveira Júnior em reunião realizada em
02/04/2001”, dizia o documento, redigido na Tango, que não é uma empresa de
marketing, mas uma loja de instrumentos musicais de Álvaro, amigo de
Rogério. “Isso tudo foi fabricado, nunca houve proposta”, garantiu Arion,
que se disse revoltado com o envolvimento de seu nome no papel. “O Álvaro me
ligou ontem (quinta-feira) e eu disse a ele que estava chocado com a
situação; vou evitar ter contato com ele a partir de agora.” Rogério teria
usado essa proposta para conseguir aumento salarial.
O Estado não conseguiu falar com Álvaro.  A advogada do goleiro, Gislaine
Nunes, disse que houve, sim, proposta. “Mas nossa preocupação não é mais
provar a veracidade do documento”, disse ela, que tentará, na Justiça,
acabar com o vínculo de Rogério com o São Paulo.



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