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Menon

Leco precisa ser Papa Francisco e enfrentar a praga do cardinalato

Menon

23/02/2016 14h02

franciscoOs cardeais estão matando o São Paulo. Uma frase um pouco exagerada, é claro. O São Paulo é um gigante "imorrível", que sofre um processo de apequenamento. E a culpa é dos cardeais? Não. É do cardinalato.

Não são as pessoas. É o sistema. O cardinalato se baseia na gerontocracia e na pouca participação. Há pouco tempo, a essas características, uniu-se a cleptocracia, mas não é o comum na história do clube.

As decisões são tomadas entre quatro paredes. No São Paulo, torcida não fala, não é ouvida. Não há participação popular. Há cardeais, pessoas que se colocam acima das outras e passam a fazer o que querem.

Deixando claro: fazem o que querem sempre pensando – exceto no período do poodle – no bem do clube. E o fato de se colocarem acima das outras é aceito normalmente no clube.

Os cardeais são uma casta. São intocáveis. Brigam entre eles, mas tem certeza que são o suprassumo. Acreditam que são o farol do futebol brasileiro, que têm tudo para ensinar aos outros e nada a aprender.

O grupo fechado que tudo faz e tudo sabe se fecha ainda mais quando um deles se destaca. Foi assim com Laudo Natel, que governou por décadas. Foi assim com Juvenal Juvêncio que quis porque quis governar mais do que regia o estatuto.

Então, os orgulhosos cardeais, aqueles que tudo sabem, aqueles que não ouvem a torcida, que não aceitam sócio torcedor votando, se renderam à vontade do Cardeal Mor.

Todos. Inclusive Marco Aurélio Cunha, que aparece para muitos como uma tentativa de renovação.

Nenhum deles teve a altivez de reagir, de colocar o guizo no rabo do gato. Ninguém disse a Juvenal que o terceiro mandato seria antidemocrático, que faria mal ao clube e que é necessário abrir as decisões.

Ninguém fez porque ninguém pensa assim. Eles querem continuar decidindo entre eles. Participação de torcedor no São Paulo se resume a Abílio Diniz. Como tem muito dinheiro, é chamado para dar opiniões. Na verdade, querem dinheiro de Abílio e não opinião. E Abílio quer ser ouvido? Não. Ele quer mandar, como os outros.

Os cardeais se bastam. Amam o clube, querem o bem do clube – sempre com a exceção cinirística – mas entendem o clube como algo que pertence a eles. E o clube não pertence a eles. O clube é dos milhões de torcedores.

O cardinalato está pronto para fazer algo comum entre as instituições com grupo fechado de decisão: vai varrer a sujeira para baixo do tapete.

Falo do caso da gravação feita por Ataíde Gil Guerreiro, comprovando que havia comissões e mais comissões sendo pagas no mandato anterior. O caso está nas mãos de Ópice Blum.

Amigos, eu não ouvi, ninguém me contou, mas tenho certeza que, lá no São Paulo, entre os cardeais, estão falando que faltou "sãopaulinismo" a Ataíde. Que ele não foi elegante. Que não agiu como um verdadeiro são-paulino….

Sãopaulinismo é algo que eles acreditam existir. Algo ligado a ternos bem cortados, verbos bem aplicados, pronomes corretíssimos e plurais irretocáveis. E espirito de corpo. Para nós tudo. O que faz com que Leco dê força ao diretor que ofendeu jogadores nas redes sociais.

Leco dividiu o poder entre todas as alas. Cada um tem uma fatia da decisão. Para aqueles que não havia sobrado nada, o direito de ter uma carteirinha e um cartão de visitas escrito "assessor da presidência".

A Igreja é uma entidade fechada também. O Papa é eleito por seus pares. E os seus pares são….cardeais.

Eles perceberam, acredito, que o sistema fechado estava levando a Igreja a um isolamento muito grande. Como negar o uso da camisinha em época de Aids?

Não mudaram o sistema, mas elegeram alguém com capacidade de ver o novo mundo. E o Papa Francisco está aí, amado por todos, mesmo colocando o dedo em muitas feridas.

Leco tem três caminhos:

1)  ir além do Papa Francisco e mudar o estatuto do clube, permitindo participação popular e arejamento de ideias

2) fazer como o Papa Francisco que tem usado o poder que tem para mexer na estrutura milenar da instituição que representa.

3) não fazer nada disso e terminar o seu mandato como um cardeal a mais, como alguém que cumpriu seu destino predestinado de um dia dirigir o clube, talvez com um título…. Mas que vai deixar o clube da mesma maneira que encontrou: preso em uma roda viva cheia de vícios, ensimesmado, amado por muitos e dirigido por pouquíssimos, cardeais que se acham ungidos por um dever divino, cultores de um tal saopaulinismo nunca devidamente explicado.

O cardinalato é uma praga daninha

Sobre o Autor

Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar.Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.