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Relatos da barbárie no Morumbi. Reaja, Leco! Entre para a história

Menon

2008-07-20T16:11:47

08/07/2016 11h47

lecoA violência urbana em competições esportivas atingiu um novo patamar na quarta-feira. Um degrau a mais rumo ao fim da sociedade organizada em fundamentos humanísticos foi alcançado. Torcedores do São Paulo agrediram…torcedores do São Paulo. Não foi só isso. Mulheres foram submetidas a todo tipo de abuso e assédio. Não duvido que tenha havido estupros não relatados.

Carlos Augusto Barros e Silva, 78 anos, presidente do São Paulo, afirmou dia 20 de janeiro à repórter Camila Mattoso, que dá R$ 150 mil anuais (não sei se terá correção monetária) para que as torcidas organizadas façam seu Carnaval. Disse também que o clube disponibiliza 1500 ingressos por jogo aos torcedores organizados.

Está na hora de reagir e se afastar – ou melhor, de afastar o clube – de potenciais assassinos e estupradores. Entrar na história como um presidente que enfrentou quem afronta a imagem do clube

Abaixo, o relado de três mulheres assediadas antes e após o jogo contra o Nacional. E de um sócio-torcedor, de Sorocaba, revoltado por ver seu dinheiro financiar o que ele chama de corja.

"Me encurralaram, chamaram de modinha e passaram a mão na bunda e nos seios"

"Eu sou sócia torcedora do São Paulo desde que me entendo por gente, há muito tempo. Na verdade, nunca tive problema com torcida organizada além das bebidas antes e pós jogos. Nos últimos jogos (estive em todos no ano), fiquei incomodada com postagens da Independente se achando superiores aos outros. Na verdade, não tem quase ninguém deles entre os 10 mil em média que vai nos jogos do Brasileiro. Contra o Flu, se não fossemos nós, os "modinhas", nem teria canto.

Cheguei ao estádio as 19h, porque no jogo anterior da Libertadores cheguei em cima da hora e quase não consegui entrar, por causa da fila enorme para ser revistada. Fui precavida.

Assisti o jogo e vi uma garota da Independente, que aterrorizou nas redes sociais, ficar calada quase o tempo todo e ainda vaiar jogador. Em uma partida decisiva!!

Eu estava na arquibancada azul, como sempre, e, no meio do jogo vi policiais arrastarem torcedores que estavam tumultuando. Até então, nada comigo.

Na saída do jogo, fora do estádio, fiquei parada em frente ao estacionamento do portão 5, pois faltava muita gente para chegar e retirar os carros que estavam a frente. Então, começou o tumulto, policiais para todo lado e muita correria.

Uns três indivíduos totalmente uniformizados com roupa da Independente se aproximaram de mim e de minhas amigas e um deles disse: "Modinha, mas gostosa para caralho".

Fiquei sem reação. Ele veio para cima de mim e os torcedores que estavam próximos a nos impediram a aproximação e começou a gritaria. Mais uniformizados chegaram, muitos homens e eu e minha amiga sentimos se aproveitarem, passando a mão na bunda e nos seios, sem limite algum. Estava com agasalho do São Paulo, jaqueta e touca.

Não tive reação. Normalmente, sou bem estressada e não deixo nada barato. Mas estava tão encurralada, só conseguia me debater, tirar as mãos de cima de mim e sair correndo, para dentro do estacionamento com outras meninas. Estou até agora sem entender. Eles se dizem são-paulinos.

Não tenho namorado, mas tenho muitos amigos. Homens que sempre vão ao estádio comigo. Um deles tem contato na Independente e está procurando quem fez isso. Sei exatamente a cara do indivíduo e já conversei com meu pai para fazermos a denúncia. Não sei se é contra a pessoa ou contra a torcida, mas vou fazer. Pensei em não ir mais ao estádio, mas não vou me abalar e nem me calar. Quem precisa ficar fora são eles. O que vou fazer é esperar um pouco mais para sair"

JULIANA SANCHES, 25 anos, estudante e empresária.

"O cara passou a mão em minha parte íntima e levou um soco"

"Vou a quase todos os jogos no Morumbi e em cidades vizinhas. O que aconteceu comigo foi na entrada, antes do jogo. Desci a rua em frente ao portão 6 e fui em direção a entrada da arquibancada azul. Estava muita gente passando e fui pelo canto, encostando na grade de proteção da entrada para a rua. Um ambulante impedia o caminho. Então, encostei na grade esperando algumas pessoas passarem na direção contraria à que eu ia, para pode continuar caminhando.

Dois homens vinham subindo com os braços abertos. O primeiro tentou passar a mão em minha parte íntima e consegui desviar. O segundo foi mais incisivo, de frente para mim. Foi quando subiu o sangue. Fiquei nervosa e dei um soco nele. Ele saiu andando rapidamente porque viu que eu estava disposta a dar mais socos neles. Na hora, não pensei em nada, vi tudo preto e nervoso. Só pensava em agredir quem havia me molestado.

Eu estava com uma amiga, havia me perdido da turma. Não sei se os caras eram da Independente. Não vou deixar de ir a jogos, mas vou andar com companhia masculina e talvez mude de arquibancada para não ver mais a Organizada".

Vivian Mendes, 40 anos, fisioterapeuta.

"Puxaram meu sutiã"

Na muvuca da entrada, a polícia estava demorando para abrir aos portões. Começou aquele empurra esmaga e um cara saiu me puxando pelo sutiã. Arrebentou a alça. Foi mais uma gracinha do que um ataque sexual

Lígia Molina

"Sou Sócio Torcedor e não quero que meu dinheiro financie essa corja"

O jogo foi péssimo e o São Paulo está praticamente eliminado. Mas o fato mais revoltante de ontem foi o pânico ao sair do estádio. Em 20 anos que vou no Morumbi nunca passei tanto apuro quanto ontem. Vândalos da Torcida Independente, que nem entraram no estádio, aguardaram a saída dos torcedores comuns, no portão do setor Azul e partiram pra agressão generalizada, simplesmente porque eles tinham conseguido ingresso pro jogo.

Com gritos de "Modinha", eles chegaram dando chutes, socos e garrafadas. Sem exagero, parecia cena de guerra. Derrubaram todas as barracas de frente ao estádio, destruíram todos os ônibus e táxis que passavam e agrediam os torcedores comuns. Aqueles, que como eu, pagam R$30 por mês somente no intuito de ajudar o clube, mas que mesmo assim, esses bandidos se acham mais torcedores que nós.

Fiquei bloqueado na rampa de descida por meia hora até que a situação se normalizasse. Quando conseguir sair, caminhei até o carro, num percurso de 1 Km, como se estivesse fugindo de uma guerra, com medo de a qualquer momento ser agredido. A diretoria da Independente contribui com isso, pois nas últimas semanas, na página do facebook, eles chamavam os sócios torcedores de modinhas.

Quem ajuda o clube somos nós, sócios torcedores, não a organizada, que recebe ingressos de graça e ficaram quietos praticamente o jogo inteiro ontem. É um absurdo que a diretoria do São Paulo Futebol Clube financie 1.500 ingressos para esses marginais que se fingem de torcedores. Temos que cobrar uma posição da diretoria de rompimento com esses vândalos. Eu pago sócio torcedor há muitos anos e não quero que o meu dinheiro financie essa corja

Vinicius Almeida

Sobre o Autor

Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar.Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

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