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Belgrano mostrou que o Brasil não é o pais do futebol

Menon

22/09/2016 15h09

belgranoE o Brasil não é mesmo o país do futebol. Se alguma dúvida havia, o Belgrano de Córdoba acabou com ela. A equipe argentina, de 115 anos de idade levou 4 mil torcedores ao Couto Pereira. Deram o mesmo show de sempre, com faixas, musicas e animação. É uma torcida que ama seu clube e não a si mesma. Uma torcida fiel a um time sem títulos. Um clube que tem estádio para 28 mil pessoas e média de público de 22 mil pessoas como local.

A diferença entre uma torcida argentina brasileira e argentina é gigantesca. Eles cantam seus ídolos, seu passado, seu bairro, como faz a hinchada do San Lorenzo com Aboedo. São música alegres e irônicas, tirando o sarro dos rivais. E são musicas que se renovam a cada ano, a cada clássico.

No Brasil, a Independente, por exemplo, ainda canta que "tem Libertadores e não aluga estádio", mesmo com o Corinthians – alvo da brincadeira – já tenha superado essa deficiência.

O argentino ama seu clube sem se importar se ele tem títulos ou não. Canta a existência, celebra o futebol. No Brasil, justifica-se que o capitão da Portuguesa vá ao Morumbi torcer para o São Paulo porque "a Portuguesa não ganha nada". A paixão só se justifica para os grandes, só para quem tem título.

Na Argentina, todo time, seja Quilmes, Rafaela, Santelmo, Chacarita, tem sua torcida, com músicas próprias e vibrantes.

Aqui, o que se vê. "Ah, eu acredito", cópia do "Si, se puede", um grito que só serve para time pequeno e não para um gigante como o Galo. "O campeão voltou", fraquíssimo, quase um mantra budista.

E quando falamos de seleção? Todos países tem musicas e cânticos. O Brasil responde com "sou brasileiro, com muito orgulho e muito amor"… extremamente brochante.

Duvido que uma torcida argentina invada o CT de seu clube e roube bolas e camisas.

Mas, deixemos as torcidas de lado. Falemos de futebol, mesmo.

Esqueçamos o premio da Fifa de Melhor do ano. Vamos pensar em jogadores que foram realmente os melhores de sua época, sem contestação. Gente que dominou o futebol por longo período, que foi referência. Como Pelé, o nosso Rei. Ele substituiu Afredo Di Stefano, artífice do pentacampeonato do Real Madri na Liga dos Campeões. Depois, de Pelé, o Rei foi Maradona. E agora, Messi.

Messi, talvez não. Ele sofre dura concorrência de Cristiano Ronaldo.

Mas, entre os grandes do mundo, os dominantes, há mais argentinos que brasileiros.

Como nos anos 30, houve mais uruguaios que o nosso fantástico Leônidas da Silva.

O Brasil tem mais craques, sem dúvida. Entre os 100 mais do mundo, há muito mais brasileiros. Temos mais títulos.

Mas o amor ao futebol é muito maior no Rio da Prata do que aqui. Aqui, a organizada se ama, não mais do que isso. E os torcedores estão – não sei se lá também é assim – envolvidos em uma discussão ridícula do tipo você não tem mundial, você ganhou a copa Toyota, você ganhou um torneio de verão, você não pode falar nada porque seu time não ganha nada blablabla.

 

Sobre o Autor

Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar.Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.