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Pqp, é o melhor técnico do Brasil

Menon

07/03/2017 12h01

Rogério Ceni é o melhor técnico do Brasil neste início de 2017. Pode não ser ao final de março ou abril, mas o seu início de trabalho no São Paulo é impressionante. É um sopro de vida no combalido futebol brasileiro. Eu já deveria ter escrito isto antes, mas caí na armadilha de ver a árvore e não a floresta.

É preciso ter uma visão ampla e não se restringir a um detalhe. A transposição do Rio São Francisco, por exemplo. Uma obra magnífica, que pode mudar a vida de milhões de brasileiros não pode ser analisada porque atrasou, porque custou mais do que devia ou porque teria sido fonte de corrupção.

Um exemplo mais futebolístico. Em 10 de junho de 1993, eu estava na redação de A Gazeta Esportiva, na Barão de Limeira, 425 e minha missão era ver Brasil x Alemanha, pela US Cup, em Washington. O Brasil fez 3 a 0 no primeiro tempo, com gols de Hellmer (contra), Careca e Luisinho. Um baile do time que tinha Taffarel, Jorginho, Julio Cesar, Marcio Santos e Branco, (Nonato), Dunga, Luisinho e Raí, Valdeir (Almir), Careca e Elivélton (Cafu). Sete jogadores que seriam campeões mundiais no ano seguinte.

No segundo tempo, a Alemanha empatou Klinsmann, Moeller e Klinsmann novamente, no último minuto. Terminado o jogo, comecei a fazer meu texto. Era puro pau em Parreira, pura crítica à seleção. Parei um pouco e fui até a sala de telex (sim, telex) e fui ver os comentários das agências internacionais. Para ver entrevistas com os jogadores. E os textos falavam de um jogo espetacular, envolvendo duas seleções com cinco títulos mundias conjuntos.

Mudei meu texto. Estava vendo a árvore e não a floresta. Parte e não o todo.

É o que, de certa forma, tenho feito com o trabalho de Ceni. Falo dos gols tomados, falo da fragilidade de Sidão, falo dos erros individuais, falo que um time que leva dois gols por jogo não será campeão (verdade), me atenho a resultados e ainda não escrevi que é um grande barato ver o São Paulo jogar. Fascinante, como disse o grande Carlos Eduardo Mansur.

Rogério acertou muito e montou um time alegre, que não se cansa de fazer gols. Acertou na vida de Cícero, acertou na aposta total em Júnior Tavares, apostou em Luís Araújo e fez com que jogasse como nunca, apostou em Araruna, em Wellington Nem e, o que é importante, manteve-se sempre fiel aos seus princípios.

É impressionante a vontade com que os jogadores disputam as jogadas. É bonito ver os gols saindo após a roubada de bola no campo adversário, os gols de contra-ataque são muito bem executados. Há o dedo do treinador. Como nas jogadas de escanteio curto, um verdadeiro tabu para muitos de nós.

Rogério errou também. Sidão é um problemão. Ele não dá tranquilidade ao time e tem errado até saídas de bola. E Neílton tem se mostrado a antítese do que Ceni espera de um atacante. Não mostra velocidade, não ajuda na marcação e dá a sensação de estar em outro planeta. Ou, pelo menos, em outro jogo.

E a defesa? Ora, esta não é a pergunta correta. Quando um time tem a proposta de atacar, quando joga no campo rival, ele fica mais exposto mesmo. E a culpa pelos gols não pode ficar com a defesa. É o conjunto todo. Por exemplo, no último gol do Audax. O São Paulo atacava e Schmidt perdeu a bola. Não houve recomposição. Não houve uma falta salvadora e houve o quarto gol. O treinador sabe disse e está tentando corrigir. Muitos dos gols, é preciso dizer, saíram em grotescas falhas individuais.

Um treinador deve ser analisado pelo seu trabalho macro e também micro. No momento, Ceni tem a missão de fazer seu time sofrer menos gols. Vai ser cobrado por isso já no jogo contra o ABC. É Copa do Brasil e gols sofridos em casa podem ser uma tragédia.

Se resolver esta questão, terá dado um passo a mais em seu belo trabalho. E se firmará, em breve, como um grande treinador. Por enquanto, apesar do título de Abel Braga, Ceni é "apenas" o melhor de 2017. Não é pouco. Afinal, muita gente boa queria que ele estivesse trabalhando em Cotia para ganhar experiência.

Sobre o Autor

Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar.Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

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