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São Paulo, o Boeing que virou Titanic

Menon

Quando Muricy Ramalho assumiu o São Paulo em 2013, disse que o clube era um Boeing. Não é mais. É um Titanic. A única coisa relacionada com aviação é o presidente, que atua como uma biruta de aeroporto, sem rumo definido, sem metas traçadas, ao sabor dos ventos, ao deus dará.

O clube é dirigido pelos tais cardeais, presos a um sistema fechado, presos em sua sapiência absoluta, em sua crença infinita de que são melhores que os outros, que são mais que os outros. Uma crença maluca ano a ano desmistificada por eles, os resultados.

A última maluquice foi a demissão de Vinícius Pinotti, que, após destruir o elenco, conseguiu boas reposições e escapou da degola. O time tem uma boa base para o próximo ano, precisa de poucas contratações. E agora é a hora de ir ao mercado. E ele pede demissão. Ao que tudo indica não se conformou com a intromissão do presidente Leco nos assuntos do futebol. Ora, é evidente que um presidente deve estar presente, mas Leco se reuniu com o empresário Marcelo Dijan sem comunicar a Pinotti.

A primeira notícia é que a reunião trataria da venda de Pratto ao Cruzeiro. A segunda, da negociação de Hudson. Não interessa qual é o fato, de uma maneira ou outra está errado.

Leco não sabe o que faz. Não sabe o que fazer. Suas atitudes atendem a um padrão: se a coisa está ruim, vamos fazer o que a torcida quer: por isso, trouxe Marco Aurélio Cunha, Lugano, Rogério Ceni e Raí para o Conselho de Administração. Abriu as portas do clube para as torcidas organizadas e posou para uma foto com uma faixa medíocre, rasteira, que, para ironizar os rivais, celebra o fato de o Titanic não haver afundado. Até quando, a mediocridade vai imperar?

Para contratar Marco Aurélio, em setembro de 2016, Leco demitiu Gustavo Oliveira. Agora, com a saída de Pinotti, tenta trazer Raí, tio de Gustavo. Raí, um dos ídolos do clube, assumiria o gerenciamento do futebol, deixando o Conselho de Administração. É normal que ex-jogadores assumam postos em seus clubes, mas Leco vai tratar o ídolo Raí com o mesmo desprezo que tratou o ídolo Ceni? Leco não sabe. O que ele sabe é que agora é hora de agradar a torcida. Depois, se for preciso, a porta da rua é serventia da casa.

E o profissionalismo? Leco criou o Conselho de Administração, com a promessa de trazer executivos que pudessem ajudar na administração do clube. E não fez isso. Acomodou alas e sub-alas no Conselho. Política MIL, Profissionalismo Zero.

Pinotti foi um dirigente com erros e acertos. Deveria continuar porque é jovem, tem ideias de gestão e porque é uma espécie de renovação no clube. Chegou com Aidar, depois de ajudar o clube a contratar Centurión. Ficou no marketing e foi para o futebol.  Pensava em ser presidente. Não será. O próximo presidente, como o Papa, será eleito por pouca gente. Por cardiais, que nunca terão a grandeza de eleger um Papa Francisco.