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Palmeiras é vítima do futebol gourmet e de falsos torcedores

Menon

07/02/2018 10h48

Se eu fosse advogado – bom advogado, capaz de fazer a diferença – me ofereceria para defender – de graça – o Palmeiras nesta bizarra e ridícula ação movida por três torcedores contra o clube. Torcedores, não. Não são torcedores. São consumidores, como se assumem nas palavras da advogada. Bem, como sou jornalista e não advogado, deveria ter feito bem a minha parte e começado desde o início.

Três pessoas (não os chamarei de torcedores) estão processando o clube, a CBF e a WTorre porque se molharam durante o jogo contra o Santos, em setembro. Não, eles não se feriram em algum prego fora do lugar, não se machucaram coma queda de uma viga, não foram queimados com o óleo utilizado por algum pipoqueiro, não compraram ingresso duplicado. Não, eles se molharam. Em um dia de chuva. "É lamentável que um estádio (…) entregue aos seus consumidores uma prestação de serviços tão desastrosa", diz a advogada, colocando o dedo na ferida. São consumidores e não torcedores.

É um argumento que poderia valer em um show de música. Ou em um bazar onde você paga para expor seus produtos. Mas, em um campo de futebol não. É lógico que é errado haver escoamento de água, mas, se fossem torcedores e não consumidores, reclamariam internamente, xingariam o presidente, iriam afogar as mágoas com o macarrão da mamma, mas nunca processariam o clube. Afinal, o estádio é, para se usar palavras da moda, um ativo do clube. Traz dinheiro ao clube. E dinheiro significa títulos. Rivais, por exemplo, podem usar o caso para, se houver disputa por shows, dizer que o estádio do Palmeiras "molha" quem nele está. E que isso é confirmado até por ação penal de quem "torce" pelo Palmeiras.

E, deixando o judicialismo de lado e falando de futebol, o clube é para ser amado e não processado.

E, tudo fica pior quando se vê que os requerentes pedem, além dos R$ 400 gastos com ingressos, mais R$ 20 mil a cada um por "danos morais". Que dano moral? Como a moral deles foi atacada? Esse tipo de ação só é possível no "futebol moderno", com ingressos caríssimos que atraem pessoas que não estão ali para incentivar o time, para amar, para vibrar e sofrer. São consumidores que vão a um espetáculo, como se vai à Ópera.

Aguardemos novidades para os próximos anos. Como um consumidor processa o tenor gripado, teremos consumidores processando centroavantes que não fazem gol?

PS – A partir de observações dos amigos Napoleão de Almeida e Renato, acrescento um outro lado. Os clubes estão privilegiando consumidores e não torcedores. Cobram caríssimo, o que impede a presença de pobres no estádio. Estão colhendo o que plantaram.

Sobre o Autor

Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar.Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

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