Blog do Menon

A lição de Scolari

Menon

''Seria uma vergonha mundial''. Foi assim que Felipão respondeu à uma pergunta sobre a possibilidade de o Palmeiras estar arrependido de não haver eliminado o Boca, seu algoz, na primeira fase da Libertadores.

A eliminação teria se consumado se o Palmeiras houvesse entregado um jogo para outro time. Perdido por querer.

A resposta quase irritada de Scolari traça uma linha ética importantíssima. Felipão manda jogar outra bola em campo, orienta gandulas a retardar jogo, já pediu para cometem a orelha de Edílson, outro dia mesmo prometeu troco para jogadores do Cruzeiro, enfim, não é o Rei do Fairplay.

Pois foi ele que disse: desonestidade, não.

Porque é disso que se trata: mutreta, lambança, trampa, ladroagem, rapinagem, ofensa ao esporte.

E, ao perguntarem uma coisa dessas, ao naturalizar em essa possibilidade, os repórteres, na minha opinião, ofendem o entrevistado. É o mesmo que dizer: ''valeu a pena ser honesto?'', ou, ''se você tivesse sido desonesto na época, o Palmeiras estaria na final?''

Scolari, que nem era o treinador na primeira fase, foi duro, não titubeou e se colocou como um esportista e não como um falsário. O zagueiro Luan também foi direto: ''você prejudicaria uma empresa concorrente''?

O Palmeiras não será campeão. Mas esta limpo. Se houvesse se rendido à mutretagem e ficado com a taça, sempre haveria uma nódoa.

Foi assim com Alemanha e Àustria no jogo da vergonha na Copa de 82 e com Bernardinho em 2010.

Felipão é de outra cepa.

 



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