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Daniel Alves, a culpa é de vocês, não é de São Paulo

Menon

2016-06-20T19:07:00

16/06/2019 07h00

Daniel Alves, capitão da seleção brasileira, disse que é difícil jogar em São Paulo porque a torcida não apoia. E que na Bahia, tudo será diferente.

Bem, se a seleção jogar de forma tão desinteressante e desinteressada como fez contra a Bolívia e for aplaudida no Brasil todo e merecer apenas o silêncio em São Paulo, significará apenas que São Paulo estará certo.

Mas a análise precisa ser mais profunda. No tempo em que a seleção era amada pela população, havia uma disputa muito grande entre paulistas e cariocas. "Os paulistas organizam tudo e os cariocas fazem a festa", dizia meu pai, refletindo os enganosos clichês de sua geração.

Quando os treinadores eram cariocas, os paulistas ficavam de mal com a seleção. Reflexo também da postura da imprensa. Criou-se, então, por aqui uma torcida realmente mais ranzinza.

Mas isso é o de menos. Há outros pontos. O preço médio dos ingressos é de 485 reais, totalmente proibitivo para o cidadão pobre, que vai a todos os jogos de seu time. A seleção foi vista por abastados pouco acostumados a ir a estádios. Estão mais presentes em shows do Paul McCartney do que em Palmeiras x Novorizontino, por exemplo.

Terceirizaram o futebol para os ricos. Que se comportam como clientes. E que cometem a indecência de gritar "de-fen-se" a cada mísero ataque boliviano.

E por que se entusiasmar com uma seleção que não está presente no Brasil? Um time formado por jogadores "estrangeiros" e que só atua fora do país.

Nas vésperas do Mundial passado, Uruguai, Peru, Colômbia e Argentina fizeram um último amistoso em casa antes de embarcar para a Rússia. O Brasil, não. Abriu um treino, nada mais.

O futebol ainda é, como o samba, um fator de identidade nacional. Sim. A seleção é a representação deste amor? Pode ter sido.

Não é mais. Não há mais conexão. Não há amor. A seleção formada por jogadores milionários está na mão de torcedores milionários. Eles que se entendam.

Sobre o Autor

Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar.Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

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