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Brasil precisa de rebeldia contra o Modelo de Tite

Menon

29/06/2019 14h45

"Vai lá e arrebenta".

"Entra e acaba com eles"

"Chegou sua hora. Faz o que você sabe".

São frases antigas do futebol. Referem-se a substituições. O time está perdendo e coloca um atacante com capacidade de improvisação e de dribles.

Frases de um futebol que não há mais. Treinadores como Telê seriam considerados obsoletos. Qual era seu princípio de trabalho? Melhorar sempre e sempre os fundamentos. Saber chutar, saber cruzar, saber passar. E fazer de tudo para colocar os onze melhores do elenco em campo.

O que mais lamento na derrota de 82 foi o abandono da ideia de ter um meio campo com os melhores. Cerezo e Falcão mais atrás. Sócrates e Zico adiantados. Com direito a gol de Falcão.

"Bota ponta, Telê", dizia Zé da Galera, personagem de Jô Soares. Estava ultrapassado. Hoje, seria atual.

Hoje, com Tite, temos dois pontas abertos, alargando e esticando o campo. Profundidade e amplitude. Estáticos, como jogadores de pebolim.

Prontos para o ataque posicional, com opção para triangulações. Um deles fica esquecido, até receber um passe para tentar o drible ou a definição.

O mapa de calor de David Neres e Lucas Moura em jogos da seleção difere muito daquele exibido em seus clubes, quando se movimentam muito mais.

É tudo muito organizado, estruturado, treinado. Sem nenhum plano B. Não existe a rebeldia, o estalo, o diferente.

Tenho a impressão que, quando Tite coloca um jogador em campo, fala algo do tipo: "lembra do treino de terça-feira? Parte três da lição quatro? Execute.

Em 2001, nas finais do campeonato paulista, Ricardinho, do Corinthians, jogou com um ponto no ouvido. Para escutar orientações de Luxemburgo, o treinador.

É o suprassumo da hipervalorização de um treinador. O jogador seria apenas o executor de suas genialidades.

Hoje, o jogador é escalado por sua maior capacidade de executar O Conceito. Ou sua maior maleabilidade ao Sistema.

Só que o Conceito, o Sistema, o Modelo, têm sido derrotados por Panamá, Venezuela e Paraguai.

Falta rebeldia. Marcelo, por exemplo, foi mal em duas Copas e dá lugar a Filipe Luís, eterno reserva. O Conceito é mais importante.

 

 

Sobre o Autor

Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar.Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

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