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Presidente Pepe e os limites do jornalismo

Menon

22/07/2019 11h10

 

Amigos

Minha amiga Gislaine Macia me enviou o texto abaixo. Ele traz a oportunidade para algumas reflexões:

1) uma pessoa pública (artista ou esportista) deve ser questionada por seu posicionamento político?

2) um jornalista esportivo deve tratar apenas dos aspectos inerentes às figura pública ( sua voz, seu chute, sua escrita?)

3) As redes sociais devem ser usadas para massacrar as pessoas? Aqui, deixo claro, me refiro ao "efeito-manada" e não ao primeiro comentário.

4) Eu não estou avaliando as críticas do repórter e nem a resposta da Gislaine.

5) Já fiz questionamento político, através de texto a atletas.

O que pensam? Leiam e mandem sua opinião.

Setorista de time grandem com viés político; pode isso Arnaldo?

Início de julho nem precisa perguntar do paradeiro de meu pai José Macia, o Pepe. O destino dele e minha mãe é o de costume: chácara "Vida Macia", em Socorro, no interior de São Paulo. Eu, Gisa Macia, e meus filhos fomos ao encontro deles na segunda semana de julho.

Mal cheguei, recebi um telefonema da Secretaria de Esportes do Governo Federal convidando o meu pai a ser homenageado no "Dia do Futebol", comemorado em 19 de julho. Nem sabia que existia essa data festiva.

Comentei com meus pais a respeito do convite . Mesmo interrompendo o seu sagrado descanso na tranquila cidade, ele ficou contente com a homenagem. Foram convidados também: Paulo, filho do Zagallo, representando o pai (Copa de 58), Jairzinho (Copa de 70), Mauro Silva (Copa de 94) e Lúcio (Copa de 2002). O Canhão da Vila era o homenageado da Copa de 62.

Convite aceito, tivemos dois dias para organizar a nossa viagem a Brasília. Acordamos 4 horas da manhã e já estávamos na estrada às 5h para as duas horas de viagem de Socorro até o aeroporto de Viracopos. Às 8h20 embarcamos.

Chegando em Brasília, seguimos para a Esplanada dos Ministérios. O auditório estava cheio e a solenidade começou com a entrada do presidente Jair Bolsonaro e dos integrantes da mesa: o ministro da Cidadania, Osmar Terra, o secretário-geral da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Walter Feldman, o secretário especial de esporte, Décio Brasil, e o secretário nacional de futebol e defesa dos direitos do torcedor, Ronaldo Lima.

Hino Nacional e logo em seguida o presidente avistou meu pai e o convocou a subir ao palco e sentar se ao seu lado dizendo: "Hoje o Pepe é o presidente." Aplausos.

O presidente gosta de futebol, palmeirense, declarou ter sofrido quando criança com o trio Coutinho, Pelé e Pepe.
Foi anunciado o término da cerimônia e meu pai entregou a camiseta da linha Canhão da Vila ao presidente. Após um coffee break e o carinho de todos os envolvidos na organização, fizemos o itinerário de volta a paz de Socorro. Paz?

Fiz divulgações nas redes sociais. Felicitações de toda parte. Até um certo setorista do Santos FC de uma mídia esportiva , a qual tenho imenso carinho, pois trabalhei nela quando ainda jornal impresso , fez um Twitter minimalista: copiou a foto (sem dar os devidos créditos ou pedir autorização) que tirei do meu pai com o presidente e colocou um emoticon reprovando a imagem.

Claro que a maior parte da torcida do Santos conhece a história do meu pai e sentiu orgulho pela merecida homenagem, independente de preferência política e repudiou a atitude do recém formado jornalista. Mas tal atitude incentivou aqueles que são mais inflamados a escrever mensagens desagradáveis e desrespeitosas ao meu pai. Assim como o setorista, não sabem separar uma homenagem de crenças políticas.

Achamos melhor postarmos nas redes sociais uma foto de meu pai com o ex presidente Luiz Inácio Lula da Silva por ocasião de uma homenagem também.
O apoio dos amigos e torcedores foi irrestrito.

Será que um homem de atuais 84 anos que foi bicampeão mundial pelo Brasil e pelo Santos FC, com o currículo de quase 800 jogos sem ser expulso e mais de 430 gols, homenageado por Juscelino Kubitscheck, Lula, Bolsonaro e autoridades de outros países ao longo da história e nunca se envolveu em política ou com políticos precisa explicar a um setorista que esta homenagem, assim como as outras, representou o reconhecimento de um País a sua história no Futebol?

Jornalista é formador de opinião. Por isso: Responsabilidade, respeito, informação e inteligência são qualidades essenciais para exercer essa profissão.

Texto Gisa Macia (jornalista e escritora)
Filha de José Macia (Pepe)

Sobre o Autor

Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar.Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

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