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Meu ídolo joga muita bola

Menon

02/09/2019 12h35

Há tempos não tenho ídolos no esporte. Desde o tempo em que passei a conviver com atletas. Como ter paixão esportiva por alguém que você tem como obrigação analisar? Como fazer perguntas desagradáveis a quem você idolatra?

Dos tempos de torcedor, há Gerson de Oliveira Nunes, por exemplo. Que espetáculo. E há outros, é lógico. Depois, com a convivência e maturidade, os requisitos de um ídolo, para mim, passaram do esportivo para o comprometimento com o esporte e a instituição. Logicamente é preciso jogar bem, não é? Ninguém vai ser ídolo apenas pelo esforço.

O meu último ídolo, não creio que haverá tempo para outro, é Luis Scola. Sempre foi meu preferido da Geração Dourada, mais até que Ginóbili, que é bem melhor. De Scola, gosto de seu posicionamento na quadra, de costas para cestas, com o giro certeiro. Do arremesso de dois pontos e das bolas de três que caem de vez em quando. E, principalmente de como ele luta no perímetro, conseguindo rebotes e faltas contra jogadores mais fortes.

Foi tudo o que ele fez contra a Nigéria na segunda rodada do Mundial de Basquete. Marcou 23 pontos e conseguiu dez rebotes em 32 minutos em quadra. Aos 39 anos de idade. A programação é feita para que jogue 25 minutos por jogos, mas, quando deixou a quadra, a Nigéria fez um segundo período de excelência e empatou o jogo, tirando uma diferença de onze pontos construída no primeiro quarto.

Chama o Scola que ele resolve!

Foi um dia histórico para ele. Precisava de sete pontos para passar a ser o segundo maior pontuador em Mundiais. Com 23, ultrapassou o cestinha Andrew Gale, da Austrália. O primeiro é Oscar, impossível de ser ultrapassado. Tem 300 pontos a mais que Scola.

São números impressionantes. Mas o que me faz admirar Scola são atitudes. Ele nunca recusou uma convocação, como bobinhos do tipo Lucas Bebê. Nas Eliminatórias para o Mundial, ele foi da China a Buenos Aires, jogou e voltou. Rubem Magnano, treinador da Geração Dourada, me contou que ele conseguiu estágios para Marcos Delia na Europa. Pagou hospedagem. Delia divide função com ele, hoje em dia.

É alguém muito comprometido com a seleção. Na Argentinas, as seleções possuem apelidos como Leoas e Panteras. A masculina de basquete se chama "El Alma". A alma. Scola é a alma de El Alma. Meu ídolo.

Sobre o Autor

Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar.Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

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