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Pedrinho chora e choramos com ele

Menon

31/10/2019 11h25

Pedrinho chorou em Maceió. Um choro de menino cumprindo um sonho de quando era mais menino ainda. Marcar um gol no Rei Pelé. Em jogo do CSA.

Na verdade, o sonho era menor. Ele sonhava em fazer um gol pelo CSA, time que defendeu dos sete aos 12 anos. Mas, já voou tanto na carreira, que seu primeiro gol no "seu estádio" foi contra o CSA. Pelo gigante Corinthians. Embora, gigante mesmo, no jogo, tenha sido o time que honrou seu lema: União e Força. O CSA.

O choro de Pedrinho lavou a alma de quem gosta de futebol. E, nós que gostamos de futebol, temos a impressão de que nosso amor não é retribuído pelos jogadores.

A gente torce por eles, grita por eles, faz promessa por eles, põe o nome deles nos nossos filhos, briga com pai e mãe por causa deles, e eles nos dão o quê?

Só futebol. Com jeito blasè. A loté parece que não gostam de futebol. Pra nós, é amor. Para eles, é profissão. É como uma relação amorosa paga. Não tem beijo na boca.

Por isso, a reação de Pedrinho emociona mais que o belo gol. O gol é para os corintianos. O choro é para todos que adoram futebol e encontraram alguém da mesma turma. "Caramba, além de jogar bem, Pedrinho também gosta de futebol.

É preciso deixar claro que nada tenho contra o fato de jogador de futebol ganhar bem.

Para muitos brasileiros, o protótipo ideal de um jogador de futebol é Garrincha. Jogava maravilhosamente bem, de forma lúdica, o maior driblador de todos. E morreu bêbado. Na miséria. O que nos permite praticar filantropia seguida de moralismo.

O outro tipo incomoda muito. O cara que tem pouco estudo – como se fosse culpa dele – ganhar rios de dinheiro. Não adianta pensar que é o mercado quem decide. Entendemos, grande parte de nós, como uma afronta pessoal. Mas, ah se for um filho ou um sobrinho…aí, pode. E muito.

Um jogador de futebol de um grande time ganha muito dinheiro. Mesmo aqueles que nem entram em campo. Ou entram e, em dois minutos, mostram que não deveriam ter entrado.

Quando digo que ganham muito, não faço nenhum juízo de valor. Não discuto a sua possibilidade de ganhar muito dinheiro. 

E a inconformidade nossa com o salário deles aumenta muito quando o jogador nós dá apenas futebol. Nada mais que isso.

Junta-se nosso preconceito com o extremo profissionalismo do cara. E a mensagem que fica? Nós gostamos mais do nosso time do que o jogador que está vestindo a camisa do nosso time. Nós gostamos mais de futebol do que os caras que ganham milhões com futebol.

Pedrinho, não.

Pedrinho chora.

Obrigado, Pedrinho.

Sobre o Autor

Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar.Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

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