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Flamengo não é Brasil na Libertadores

Menon

22/11/2019 16h10

Uma repórter entrevista um jornalista argentino. Ao fundo, mais vinte metros, outro repórter da mesma emissora, entrevista um torcedor.

É Copa do Mundo, amigos.

Não, não é.

É o Flamengo, em Lima, disputando a Libertadores que não vence desde 1981.

E que o São Paulo venceu três vezes desde então. E que Corinthians, Santos, Palmeiras, Grêmio, Inter, Galo e Cruzeiro já ganharam. E perderam.

Uma coisa quase banal para os brasileiros, chegar a uma final de Libertadores, mesmo com a seca dia últimos anos.

Mas é o Flamengo, o clube mais popular do Brasil. É a Globo. É a FOX. É a FOX 2. O Flamengo merece tamanha cobertura?

Bom, os índices de audiência devem dar a resposta. Ela, com certeza, será positiva.

A cobertura é massiva, maciça e busca construir duas narrativas. 1) somos todos Flamengo e o Flamengo é o Brasil na Libertadores 2) a vitória do Flamengo é a vitória do bom futebol.

1) Não somos e não é. Todo torcedor honesto e de caráter torce contra o rival. É antiético torcer para o rival em proveito próprio. Torcedor do São Paulo, do Corinthians e do Inter que torcer para o Flamengo vencer para herdar uma vaguinhazinga na Libertadores, não é torcedor de verdade.

Torcedor tem dois times: o seu e o que enfrenta seu rival. Até como prova de respeito ao rival. São-paulinos, corintianos, palmeirenses e santistas podem se unir a favor da Portuguesa ou São Caetano e só.

2) O Flamengo de Jesus não é o maior time de todos os tempos e não é o maior futebol de todos os tempos. É apenas um timaço, como outros times brasileiros dos últimos tempos.

E fica essa overdose de comparações. É maior que o Flamengo de Zico? É maior que a seleção de 70? É maior que os X-Men do Professor Xavier? Com Logan ou sem Logan?

Sinto informar, mas se o Flamengo perder será normal. Tem perdido muito nos últimos dez anos. E o River tem vencido tudo o que disputa.

E, se perder, não será a derrota do futebol bonito. Que eu saiba, o River não joga feio. Não é o Himalayan Sherp Clube, do Nepal, não é Ciego de Ávila, de Cuba, ou o Ceres, das Filipinas.

E uma derrota do Flamengo não será um retrocesso para o futebol. Ele sobreviveu à derrota da Hungria em 54 e do Brasil em 82. Sobreviveu até às vitórias de José Mourinho.

Uma derrota do Flamengo não será a derrota do futebol. Não será uma derrota do Brasil. Será uma derrota do Flamengo. Só.

Uma derrota entre tantas vitórias que virão em curto prazo. O Flamengo curou suas mazelas, se reestruturou, tem torcida gigantesca, tem um timaço e tem dinheiro.

Veio para ficar. Para vencer

Mas não é o Brasil. E que cada um torça pra quem quiser.

 

 

 

Sobre o Autor

Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar.Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

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