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Revelação nacional vir do crime, tráfico e drogas é Brasil que tem solução

Menon

07/12/2019 04h00

Qual a perspectiva de vida que o Estado brasileiro oferece a um jovem de pouco estudo e sem emprego? E quando a falta de emprego e de estudo levam à bebida e ao consumo de drogas?

Michael e Mãozinha, amigos inseparáveis de Goiânia, nunca souberam de um projeto social de reabilitação. De nenhum apoio. Dois perdidos. Com uma diferença. Michael sabia jogar bola.

Mãozinha morreu. Assassinado.

Michael está muito cotado para receber o prêmio de revelação do Campeonato Brasileiro.

Ele nem pensava nisso quando deixou Poxoréu, 18 mil habitantes, no Mato Grosso, e foi para Goiânia tentar a vida.

Um driblador de 1,64m. O que se chamava antigamente de pontinha driblador. Todo time tinha um. O Goiânia não quis. Ele foi reprovado por quatro vezes. Apenas um peladeiro, sem noção tática, sem ter feito categoria de base.

De não dá para o profissional, que tal a várzea? Foi de lá que Michael tirou seu sustento, trinta reais por jogo. Sustento? A pinga, melhor dizendo. E as drogas. Não apenas consumia. Traficava. E, se foi reprovado quatro vezes no Goiânia, escapou seis vezes da morte.

Esteve no Monte Cristo, da terceira divisão, e voltou para a várzea. Até que Fabrício Carvalho, técnico do Goiânia, lhe deu uma chance. Talvez tenha pensado em sua própria vida: centroavante de qualidade, teve a carreira interrompida por problemas no coração.

Michael treinou muito e não jogou. Foi para o Goianésia, jogar de graça. Como mostrou serviço, passou a ganhar $ 1 mil por mês.

Já não havia o Michael bêbado. O vício agora era o café

Marcou três vezes na vitória por 5 x 1 contra o Vila Nova, em 2017, e foi para o Goiás.

Reserva. Do reserva. Até que Ney Franco lhe deu chances. Michael estourou. Tem nove gols no Brasileirão, é o maior driblador e… lembra do salário de mil reais. Pois, é. Agora, a multa é de R$ 50 milhões.

Sou um milagre, repete Michael, incansavelmente.

Um milagre da bola.

Não é só futebol.

PS – O post foi escrito a partir de matérias da repórter Karina Azevedo, de O Popular, e Klaus Richmond, da Folha de S. Paulo.

Sobre o Autor

Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar.Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

Menon