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Arquivo : bandeira de mello

Bravata de Bandeira de Mello não ajuda o futebol
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Menon

O cidadão Eduardo Bandeira de Mello, segundo o UOL, afirmou em conversas que confia totalmente na classificação do Flamengo, fora de casa, mas reforçou o discurso de que a sonhada vaga a final vem “se o juiz quiser deixar”.

A frase atende às demandas das duas faces de Bandeira de Mello, presidente do clube mais popular do Brasil e candidato a deputado federal.

O presidente do Flamengo prepara o terreno para justificativas em caso de uma derrota. A desculpa já está lançada. Sua atitude tem como consequência colocar pressão sobre o árbitro, um dia antes do jogo. E abre caminho para que seus jogadores se comportem em campo de forma a questionar tudo o que for possível. E impossível. Afinal, se o presidente do clube está dizendo que só o árbitro pode impedir  classificação…

O candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro espera ser beneficiado também pela frase contra a arbitragem. Ela explicita sua ligação com o clube e reforça o discurso de perseguição contra a “Nação”. Cada vitória dos jogadores escalados por Barbieri eleva o número de votos de Bandeira de Mello.

Genial o cidadão Bandeira de Mello. Diz uma frase aleatória, sem comprovação e ela pode ajudar seu clube. E sua candidatura.

O que ele não fez, foi pensar no futebol brasileiro.

Já está ruim o suficiente para sofrer uma vez mais com algo tão pueril e que leva paixões ao extremo.

As consequências não importam. A não ser que se reflitam em um voto ou outro a mais ou em uma pressão a mais no juiz.

E segue o bonde,

 


Bandeira e Pereira se comportam como torcedores organizados
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Menon

Imaginem o seguinte diálogo imaginário entre Bandeira de Melo, presidente do Flamengo, e Carlos Eduardo Pereira, presidente do Botafogo. A ordem pode ser trocada, com pequenas adaptações.

Bom dia presidente, aqui é o Bandeira.

Bom dia presidente, a que devo a honra?

Olha, acho que essa ligação deveria ter sido feita há um bom tempo. O clima dos jogos entre Flamengo e Botafogo está muito ruim. Já houve até morte…

Desculpe interromper, apenas para dizer que concordo sim. As coisas estão passando dos limites.

Pois é. Temos um jogo agora, no Engenhão. Jogo decisivo. Eu gostaria de torcidas divididas, mas já não é possível. Então gostaria de traçar um esquema com o senhor de que os meus torcedores serão bem tratados aí. E dar minha palavra que haverá reciprocidade no jogo da volta.

Ótima ideia. Vou facilitar a entrada de todos os que vierem. Haverá um policiamento especial para garantir a segurança deles. E vou pedir à torcida do Botafogo que respeite todo mundo que vier.

Isso, ótimo. O senhor disponibiliza os ingressos à venda com uma boa antecipação. E, no segundo jogo, cobrarei ingressos no mesmo valor para as duas torcidas. E vocês terão toda a segurança possível. E também vou conscientizar minha torcida sobre urbanidade. A gente poderia ver o jogo juntos, no mesmo camarote.

Concordo com tudo, menos em ver o jogo juntos. Cada um tem sua mania, é melhor sofrer sozinho ou vibrar sozinho, sem se sentir tolhido.

Ótimo. Combinado. Vamos ver se a gente consegue trazer o Eurico e o Abad também.

É difícil? No dia a dia, no cotidiano, não são pessoas capazes de travar um diálogo civilizado em situações de estresse, como uma batida de carro, um financiamento bancário, as tratativas de um divórcio, na gravidez inesperada de uma filha adolescente, na conversa com a funerária para tratar do enterro de pai ou mãe?

No futebol, não. Comportam-se como pessoas sem nenhuma preocupação com o bem estar, com a cidade, com a população, com a saúde dos torcedores.

Dos torcedores do rival e dos seus também.

Sim, porque o presidente do Botafogo, ao dificultar a entrada de rubro-negros no Nilton Santos, estão dificultando a vida de torcedores do Botafogo no jogo seguinte. Ele, não. Ele vai com seguranças e fica em camarote. O mesmo vale para Bandeira de Melo. Ao colocar preços altos para os botafoguenses no segundo jogo, ele coloca sua torcida sujeita à sanha da torcida rival no primeiro jogo.

É difícil esperar alguma coisa de bom no futebol brasileiro quando se nota que os presidentes dos clubes têm no uso correto da concordância verbal e nominal a única diferença para brasileiros pobres e explorados, que têm no futebol o único para alegrar um pouco a vida.


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