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São Paulo é time de massa. Diretoria precisa respeitar a torcida
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O Campeonato Paulista de 1978 se estendeu até 1979. Nos dias 13  e 14 de junho, dois jogos decidiriam dois dos quatro semifinalistas. No dia 13, o São Paulo venceu o Botafogo por 2 x 0 e se classificou para enfrentar o Palmeiras. Corinthians e Guarani empataram e o time de Campinas se classificou. Nas semis, o São Paulo eliminou o Palmeiras e o Santos eliminou o Guarani. O Santos foi campeão em três jogos contra o São Paulo.

Quero chamar a atenção para um fato. Corinthians e Guarani jogaram no Morumbi, com 92.454 pagantes. São Paulo e Botafogo, no Pacaembu, com 49.258 pagantes. Ou seja, o São Paulo cedeu seu campo para o rival, por questões comerciais. O mesmo havia acontecido em 27 de março de 1977, quando o São Paulo perdeu por 3 x 0 para a Portuguesa, no Pacaembu, para 22.460 pagantes, enquanto o Corinthians, na estreia de Palhinha, perdeu pelo mesmo placar para o Guarani, no Morumbi, para 60.034 pagantes.

Velhos tempos, em que a torcida do São Paulo era a terceira do estado. Melhor ganhar dinheiro alugando o estádio para o Corinthians. O tempo passou. Nos anos 90, a torcida tricolor aumentou muito. E, com o legado dos títulos mundiais conquistados sob o comando de Telê Santana, mudou seu perfil. Passou a ser uma torcida de massa. Se era a terceira do estado, hoje é a terceira do Brasil. Está presente em todos os cantos do país, do estado e da cidade.

Capaz de levar 31 mil torcedores ao Morumbi em uma quinta-feira gelada, com o time na zona de rebaixamento. É uma torcida chata, corneteira, mas parceira. Capaz de dar a mão e de carregar o time no colo. E como ela é tratada? Muito mal. Contra o Atlético-GO, por exemplo, havia 20 mil ingressos vendidos antecipadamente. O jogo era as 19h30, um horário em que o trânsito é muito ruim. Por isso mesmo, os 10 mil que chegaram para comprar ingresso deveriam ter um tratamento especial. Mais bilheterias, pagamento em dinheiro, promoções, atendentes em quantidade, placas de sinalização, enfim, toda a facilidade possível para que a entrada no Morumbi fosse ainda com bola rolando. E teve gente que só conseguiu entrar no final do primeiro tempo.

O Morumbi e o Canindé são os únicos estádios da cidade que permitem um programa dos velhos tempos. O cara acorda tarde no domingo e chama um amigo para ir ver o jogo. Dá para comer alguma coisa e #partiuMorumbi. O torcedor do Palmeiras e também o do Corinthians não tem essa possibilidade. Os rivais do Tricolo têm programas de fidelidade que obrigam a uma luta incessante na internet para conseguir um ingresso. Caro. Os outros, já foram adquiridos pelos sócios torcedores.

O São Paulo precisa tratar melhor sua torcida. Como é um time de massa, precisa facilitar a vida daquele são-paulino pobre e desdentado que mora em Itaquera. Aquele que Carlos Miguel Aidar humilhou. E não é só Itaquera. Tem torcedor do São Paulo em toda a periferia. E que vai ao jogo, até porque o ingresso tem preço acessível. O preço é acessível, mas o ingresso, não.

A diretoria precisa tratar bem o seu torcedor, que é de massa. Estender um tapete vermelho, preto e branco para que eles se sintam em casa. Para que entrem logo e possam ver o o jogo todo. Assim, voltarão.


Vasco, Botafogo e o velho e perigoso clichê
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Eu torço para apenas dois times no mundo. A Vila Braga, de Aguaí, e um outro, aqui de São Paulo. Não sou do tipo que abre o jornal ou laptop na segunda feira e fica feliz porque seu time ganhou no Uruguai e, em seguida, fica triste porque seu time perdeu na Nova Zelândia ou em Samoa.

Tenho simpatia por outros times: Independiente, Peñarol, Ferroviária, Portuguesa, Industriales de Havana, Franca Basquete, Remo, Ceará, Sampaio, Olímpia…. E Vasco da Gama.

Sempre gostei do Vasco. Talvez pelo uniforme, talvez por Dinamite… Agora, no final do Brasileiro, estou torcendo muito para o Vasco escapar. Sempre me seduz a luta de quem veio de trás e vai recuperando posições. E o time está jogando muito bem. E é um grande, um time tradicional.

Por ser grande, por ser tradicional e por nunca – que eu saiba – haver recorrido a indecentes tapetões, gostei do acesso do Botafogo. Ah, e o fato de ser comandado por Ricardo Gomes, também. Ricardo merece o sucesso, é um grande exemplo de segunda chance. Sua vida daria um bom filme.

E o que os dois grandes cariocas têm em comum? O velho e perigoso clichê repetido incessantemente pelos jogadores. “Estou feliz porque o XXXX voltou ao lugar de onde nunca deveria ter saído”.

Nunca deveria, mas saiu.  O Palmeiras também. O Corinthians também. Se não houver planejamento, se não houver dinheiro, se não houver um olhar mais profissional, vai cair de novo.

O futebol está competitivo e todo grande, se não se comportar como grande, pode cair.

Olhem para a Chapecoense. Quem é mais organizado do que os catarinenses hoje em dia? Salários conectados com a realidade e pagos em dia. O Furacão. A Ponte Preta.

A fila anda. Glórias do passado devem ser louvadas sempre. Mas elas não são passaporte para o futuro. Quem não se mexer, vai continuar ouvindo o velho clichê ser repetido, com uma constância muito maior que o desejado.


Pantera da Mogiana dá lição aos grandes do Brasil
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botafogo3O Botafogo F.C de Ribeirão Preto está dando uma lição aos grandes clubes brasileiros. O livro “Botafogo, uma história de amor e glórias, do jornalista Igor Ramos e algo que precisava ser estudado, elogiado e imitado por todos os interessados em manter viva a história do glorioso futebol brasileiro, enlameado por dirigentes canalhas.

botafogo1Com capa dura e 424 páginas, o livro mergulha na história do clube quase centenário, desde a fundação até os dias atuais. Estão ali os craques, os dirigentes, as conquistas, a construção do estádio. Há dois prefácios, um de Sócrates e outro de Raí, talvez as maiores revelações do clube. “Passei por ele meu período de maturação intelectual, política e de consciência social. Foi uma honra e um privilégio, uma escolha que me ensinou e tanto prazer me deu”, diz o Doutro. “O equilíbrio familiar privilegiado que tive se reforçou na paixão por meu clube. Não faria sentido para mi que o futebol, algo tão presente em nossa casa, não representasse harmonia, tripé, triângulo, TRICOLOR”, diz Raí.

As fotos são uma viagem no tempo. O time de 1920, com Pequitote, primeiro grande ídolo, as conquistas no Paulista, as excursões, os enfrentamentos contra Vélez e Boca, as participações no Brasileiro, o título de 77, o vice de 2001 e uma sequência maravilhosa de fotos posadas, de 1957 a 2014, retratando todos os times do Paulista.

botafogo3A galeria dos 100 mais, com gente como Alexandre Bueno, Bell, Calegari, Cocito, Chicão, Douglas, Galli, Geninho, Gilberto Costa, Jair Bala, Jadilson, Julio Amaral, Junior (Dorival Jr), Lorico, Mario Sérgio, Mario, Mineiro, Maritaca, o ídolo Mairiporã, Nair, Nei, Paulo César Capeta, Paschoalin, Paulo Leão, Pé de Valsa, Peu, Roberto Pinto, Roberto Rebouças, Tiri..

Uma fábrica de talentos: Gallo, Bordon, Júlio Sérgio, Cicinho, Doni, Leandro, Luciano Ratinho, Diego Alves….

E o meu time preferido: Aguillera, Wilson Campos, Nei (Miro), Manoel e Mineiro, Lorico e Mário, Ze Mario, Sócrates, Arlindo e João Carlos Motoca. Geraldão, que formaria dupla com Sócrates no Corinthians, já havia saído.

Imperdível o livro. E que a Pantera consiga o título da Série D. E continue subindo sempre….

 


Botafogo e Santos estão no caminho do Corinthian
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Botafogo e Santos, que resumiam a grandeza do futebol brasileiro nos anos 60, com Pelé de um lado e Mané do outro, são os grandes brasileiros que estão seguindo o caminho do Corinthian, fundado em 1892 e um dos grandes times ingleses do início do século, quando o amadorismo ainda predominava. O clube que chegou a ceder onze jogadores para a seleção inglesa em uma partida contra Gales em 1894 e que fazia excursões por todos os continentes, atualmente está na oitava divisão do campeonato inglês. Sua última partida, em casa contra o Redhill, terminou com uma derrota por 5 a 1. Exagero prever a decadência? É só dar uma olhada para a Portuguesa, grande celeiro do futebol brasileiro, com muitos jogadores na Copa de 1954 e para o Guarani, campeão brasileiro de 1978.

A grandeza de um clube de futebol não é eterna. Nenhuma grandeza o é. Não vivemos mais a época de Downton Abbey e mesmo no grandioso seriado inglês, as mudanças, lentamente, vão ocorrendo. O lorde já foi salvo pelo genro  também nobre que lhe causava estranheza por gostar de….trabalhar.  Os que ficam parados sã engolidos pelas novas necessidades. Apenas como comparação, o Corinthian tem um estádio para 26 mi pessoas. O Santos e o Botafogo, não.

Tudo indica que o Santos foi escalpelado em tenebrosas transações. Neymar e seu pai já haviam assinado com o Barcelona antes do Mundial. Entraram nos cofres do Santos muito menos euros do que saíram da Catalunha. E agora, jogadores escapam do clube por conta de salários atrasados e não pagos. Com sinceridade, hoje e possível dizer que Santos e Palmeiras estão no mesmo nível? Como, se Arouca entrou na Justiça para receber dívidas e correr para o Palmeiras. E Dracena, correndo para o Corinthians? Mena? Aranha?

A falácia de que temos 12 clubes grandes está sendo destruída. Desde o início dos pontos corridos, apenas seis clubes foram campeões. O Santos foi um deles. Com um estádio minúsculo, com dívidas astronômicas, depende muito do surgimento de novos craques para se manter. Pensar em título, como em 2004, é sonho. E não se pode esquecer que Gabigol e outros garotos já estão fatiados. Vende-se a joia para manter o medalhão.

O Botafogo é ainda pior. Desde a perda do Engenhão, caiu em uma decadência econômica que dá medo. Onde vai buscar forças para reagir? O torcedor pode ter certeza que a queda foi circunstancial e que o clube vai subir? É só olhar para o sufoco do Vasco que foi terceiro na segunda. Note que estamos falando de reação na série B. Não estamos falando de título na série A.

O Corinthian te orgulho de ter dado origem a um gigante. No mundo, há muitos Santos e Botafogos que homenageiam os gigantes. Que essa coincidência não se cristalize nos próximos anos. Um ex-gigante conhecido por sua história e por seus rebentos.

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Palmeiras e Botafogo agonizam, mas há uma linda diferença para o Verdão
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O Botafogo perdeu para o Figueirense, no campo do Vasco. Foi sua quarta derrota seguida, duas delas como mandante.

O Palmeiras perdeu para o Sport, em casa. Foi sua terceira derrota seguida, duas delas como mandante.

Os dois gigantes estão mal, correm risco de queda, muito maior no caso do Botafogo. Mas esta não é a diferença maior entre os dois gigantes do futebol brasileiro. Ela está nos dois primeiros parágrafos. O Botafogo perdeu mandou o jogo no campo do Vasco. O Palmeiras estreou seu novo estádio, lindo.

A gozação pelos gols de Ananias e Patrick vai durar um bom tempo, mas o futuro é cheio de esperança. O novo estádio é sinônimo de grandeza reconquistada, é autoestima, é alto astral, é dinheiro em caixa. Todos sabem que a construtora fica com uma boa porcentagem do que será arrecadado nos próximos 30 anos, mas a obra está lá. Feita. É prova de grandeza.

O Botafogo, ao contrário, não tem estádio. Ganhou o Engenhão, após o final do Pan-07, mas a obra mostrou falhas estruturais que causaram caos financeiro ao time que já foi de Garrincha e hoje é de Jobson.

O Palmeiras joga contra Coritiba e Inter, fora de casa. Termina o campeonato contra o Furacão, em casa. Tem 39 pontos, três a mais que o Chapecoense, o primeiro rebaixado, que tem um jogo a menos. Enfrenta o Fluminense, no Rio.

O Botafogo tem 33 pontos, três a menos que o Chapecoense. Vai enfrenta-lo, fora de casa, na próxima rodada. Depois, pega o Santos, também fora e termina com o Galo, em casa.

Em resumo: o gigante carioca tem situação muito mais difícil que o gigante paulista. O Botafogo deve cair. O Palmeiras deve ficar. E o novo estádio pode ser o ponto de recuperação do Palmeiras. Talvez 2015 seja um ano mais tranquilo.

O Botafogo, sem time, sem dinheiro e sem estádio tem muito mais passado do que futuro. Ninguém pode apostar que ele estará de volta em 2016.


Qual o papelão mais triste? Botafogo ou Jefferson?
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Que tristeza, Botafogo!!!! Sem dinheiro, governado por um incompetente e sem time. Toda aquela raça e dedicação mostradas contra o Corinthians entraram novamente em campo, mas o Santos ainda é muito melhor e atropelou.

Foi um vexame técnico. Será que foi mesmo? Quando um time pequeno é goleado por um grande não é normal. Não me ofendam, eu disse TIME pequeno, não disse CLUBE pequeno.  O Barotafogo é muito maior que o time que veste suas gloriosas camisas.

E Jefferson, que não quis jogar. Disse que estava cansado após 25 horas de viagem. A mesma viagem que trouxe Diego Tardelli e Elias, que entraram em campo um dia ANTES. Uma viagem semelhante à de Alvaro Pereira, o uruguaio que veio de Oman e, também no dia anterior, defendeu o São Paulo lá no Chile.

Li algumas justificativas de que, se o Botafogo não paga também nada pode exigir. Não acho errado. Só defendo que o jogo deva ser limpo. Se Jefferson está se sentindo lesado como trabalhador, que peça demissão, que faça uma greve, que denuncie os erros, que busque o sindicato ou o Bom Senso. Aja com clareza e firmeza.

O que não pode é brincar com a ilusão da torcida. Muitos botafoguenses, principalmente crianças, ao virem Tardelli em campo foiram dormir cheios de esperança: o Jefferson vai jogar, fecha o gol e a gente tenta fazer dois no Santos. Crianças que estão chorando agora.  Nunca terão Jefferson como ídolo. E nem sei se ele se importa com isso.


Greve. É a chance do Botafogo escrever novamente a história do futebol
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O Botafogo é dono de uma linda história escrita, com luvas e chuteiras, no futebol brasileiro. No final dos anos 50 e início dos 60, teve Garrincha, o anjo das pernas tortas, ao lado de Nilton Santos, Didi, Manga, Amarildo e Zagallo.

Depois, vieram Gérson, Rogério, Roberto, Caju, e Jairzinho, além de Marinho Chagas.

Ataques formados por Garrincha, Didi, Quarentinha, Amarildo e Zagallo ou Rogério, Gerson, Roberto, Jairzinho e Caju são reais ou não se encontraram? Um chegou enquanto outro saía? Não interessa. Imaginação e realidade se fundiam quando o assunto era o Botafogo.

Agora, é possível fazer história novamente. Fora do campo. O Botafogo não é sombra do que foi, mas quem é? Hoje, os craques deixam o Brasil como promessas e voltam como quase aposentados.

Jefferson; Lucas, Bolívar, Dória e Junior Cesar; Bolatti, Gabriel, Edílson e Carlos Alberto, Zeballos, Rogério, Julio Cesar, Emerson, Airton, Wallyson; Yuri Mamute e Daniel, que participaram da derrota contra o Flamengo e empate contra o Cruzeiro não estão à altura das glórias do passado, são o reflexo do momento atual do futebol brasileiro, mas podem superar suas dificuldades técnicas com um rasgo de dignidade e começarem a mudar o futebol brasileiro.

Basta não jogar. Basta não entrar em campo. Não adianta entrar em campo com uma faixa com detalhes dos problemas que enfrentam. O clube deve cinco meses de direitos de imagem, três meses de salário e não recolhe o FGTS.

Será que Maurício Assunção, o presidente do clube, vai se impressionar com uma faixa que torna público o que ele tenta esconder? Lógico que não. Ele que faça uma faixa e explique para a torcida porque os jogadores não entraram em campo.

A greve é um direito legítimo dos trabalhadores. Todo tipo de trabalhador pode – e tem direito – de negar sua força de trabalho ao patrão que não lhe paga.

Emerson Sheik, que tem parte do salário pago pelo Corinthians, tem ajudado os companheiros monetariamente. Diz que não tem dinheiro nem para a gasolina. Ao fazer isso, ajuda os amigos, mas ajuda muito mais o presidente do clube, exemplo acabado e escarrado do cartola brasileiro.

Muito melhor faria se continuasse ajudando mas que também convencesse a todos que entrar em campo é caminhar para o cadafalso. Serão respeitados pela torcida até a próxima derrota. Depois disso, vaias e irracionalidade como sempre

Serão esquecidos como jogadores que entraram em campo mesmo sem salários para respeitar a torcida. Serão lembrados como jogadores que tomaram atitude e se recusaram a participar da farsa botafoguense, um time profissional que não paga seus profissionais.

E o Bom Senso? Que atitude vai tomar em relação aos companheiros do Botafogo? Não adianta apenas criticar os dirigentes. É preciso agir contra gestões como a do Botafogo, que servem apenas para levar o futebol brasileiro ao subsolo da credibilidade.

Leia agora, o trabalho feito pelo ótimo Luiz Gabriel Ribeiro de Oliveira, do UOL, sobre a situação do Botafogo.

– O Engenhão foi fechado em março de 2013. O estádio era importante fonte de renda para o clube. A negociação pelos naming rights foi paralisada.

– O clube foi excluído do Ato Trabalhista em julho de 2013. De acordo com o TRT, o Botafogo sonegou, entre 2009 e 2013, cerca de R$ 95 mi, que seriam destinados a pagamentos de ações trabalhistas.

 

– Com receitas penhoradas, o clube começou a ter problemas para honras os compromissos. Os salários passaram a ficar atrasados a partir de meados de 2013.

 

– O regime de concentração foi cancelado em jogos dentro de casa. A medida causou apreensão na diretoria, mas contou com o apoio de Oswaldo de Oliveira.

 

– Os salários atrasados precipitaram saída de jogadores em 2013, quando o time brigava na parte de cima da tabela do Brasileiro. Jadson, Fellype Gabriel, Andrezinho e Vitinho deixaram o clube. O Botafogo não recebeu as verbas por causa das penhoras. A situação financeira não mudou.

 

– Sufocado em 2014, o Botafogo enxugou a folha salarial mesmo em ano de disputa de Libertadores. No entanto, continuava em apuros para honrar compromissos por causa das penhoras.

 

– Em março, ainda em meio a disputa da Copa Libertadores, os atletas atrasaram um treinamento por cerca de meia hora e, em seguida, ficaram por oito minutos sentados no gramado do campo anexo do Engenhão para demonstrar o incômodo com os atrasos.

 

– Neste mesmo mês, os jogadores decidiram não aparecer em treino que estava marcado para um domingo.

 

– Durante a Copa do Mundo, o grupo de jogadores se negou a viajar para a Paraíba, onde tinha um amistoso marcado com o xará local.

 

– Em julho, Maurício Assumpção se reuniu com a presidente do Brasil, Dilma Roussef, e relatou o problema que vem enfrentando. Na ocasião, ele chegou a levantar a possibilidade de abandonar o Campeonato Brasileiro por correr o risco de não conseguir manter o time.

 

– Antes do clássico com o Flamengo, os jogadores do Botafogo exibiram uma faixa com detalhes dos problemas que enfrentam. Atualmente, o Botafogo deve cinco meses de direitos de imagem, mais três de carteira de trabalho, além de FGTS.

 


Pato vibrante, Botafogo omisso e Cruzeiro classificado
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Fazer um gol no CSA em casa não é motivo para muita alegria, é obrigação. Por isso, ganha destaque toda a vibração de Pato. E não foi apenas na hora do gol. Correu muito, se deslocou, apareceu no jogo, deu até carrinho.

O jogo tão fácil serviu também para Luís Fabiano fazer dois gols, um deles com total colaboração de Pantera e chegou a 189 com a camisa do  clube. Igualou-se a Teixeirinha no terceiro lugar.

Na Argentina, o Botafogo foi uma decepção. O time buscou o empate desde o primeiro minuto. Mas não buscou o empate da maneira correta. Não marcou no campo do rival, não fez pressão. Ficou atrás e, como os laterais eram dominados pelos do San Lorenzo, a única maneira de a bola chegar a Ferreyra era com chutões pelo meio. O Tanque virou Poste.

Se não bastasse, o time errou duas saídas de bola que determinaram os dois gols do San Lorenzo. Depois, tentou reagir. O jogo ficou bonito porque o Botafogo precisava fazer mais dois e o San Lorenzo mais um, já que o Independiente del Valle vencia o Union Española. E o gol saiu com Piatti.

Em Minas, o Cruzeiro goleou o time de torcida racista. Está na segunda fase, com o Galo e o Grêmio. Brasil tem três opções de título. A Argentina, que vive grande crise financeira, tem cinco. Preocupante.


Flamengo quase lá e Botafogo se complica
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A rodada da Libertadores inverteu as perspectivas dos clubes cariocas: o Botafogo, que precisava de uma vitória para ser o primeiro, agora pode ficar fora e o Flamengo, que precisava empatar para não ser eliminado, venceu e pode até ficar em primeiro.

Uma análise superficial poderia definir os dois jogos a partir de dois lances isolados.

Se Júlio Cesar não fizesse aquele pênalti grotesco, o Botafogo venceria.

Se Negueba não acertasse aquele passe tão bonito, no finalzinho, o Flamengo não passaria do empate. Poderia até perder

São visões precipitadas.

O Botafogo, realmente dominou o jogo, mas o Union Española estava muito bem postado em campo. Como o Ituano contra o Palmeiras. Protegeu-se, se esforçou muito, teve raça na defesa mas sempre manteve a perspectiva do contra-ataque. Ele não aconteceu muitas vezes, mas havia jogadores prontos para executá-lo. E foram ajudados pela precipitação de Júlio César. É do jogo.

O Flamengo entrou em campo para vencer. Dominou o jogo no início e fez seu gol, também fruto de pênalti grotesco. No segundo tempo, sofreu o empate, mas sempre procurou o contra-ataque. Negueba entrou para isso. E saiu o segundo gol. O Emelec não pode reclmar.

Agora, o Botafogo vai a Argentina enfrentar o San Lorenzo. Se ganhar, está dentro. Se perder, está fora. Se empatar, chega a oito pontos e elimina o San Lorenzo. Lutará, então pela segunda vaga. Dependerá de o Independiente del Valle não vencer o Union Espanola por três gols de diferença. Boas chances de classificação.

O Flamengo recebe o León, que também tem 7 pontos. Se vencer, está dentro. Se perder ou empatar está fora.

Para ficar em primeiro, precisa vencer e torcer para o Bolivar não vencer o Emelec em casa.

Hoje é dia de Cruzeiro, em péssima situação e Galo, bem melhor, continuarem a luta por uma vaga.


Come-Fogo, uma linda história, ganha um livro fundamental
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Comercial, o Leão, e Botafogo, a Pantera, ambos de Ribeirão Preto, fazem, com seu Come-Fogo, cheio de rivalidade, uma página bonita da história do futebol brasileiro. Futebol que cria ídolos como Sócrates, Raí, Piter, Paulo Bim, Jair Bala, Aguillera e tantos outros, que leva vizinhos a não se cumprimentarem, tem sua importância sim, por mais que os torcedores de sofá prefiram ver a segundona da Transilvânia.

Igor Ramos, jornalista de 40 anos, conta essa história cheia de lances dramáticos, bem humorados, covardes e heroicos. É futebol, não? E ao contar a história, ele a modifica. Uma pesquisa árdua, com três anos de duração, o levou a descobrir três jogos que nunca haviam sido contabilizados. Assim, o primeiro Come-Fogo passa a ser de 1929.

Abaixo, algumas estórias desta grande história

O primeiro gesto de fair play do Brasil 

 

O termo é novo e o gesto de cordialidade com o adversário passou a ser  politicamente correto no esporte contemporâneo. Mas este espírito esportivo, de  

jogo  limpo,  também  fez  história  no  clássico  de  Ribeirão  Preto  em  plenos anos  50   contrariando a tese de que a invenção do fair play, tinha sido obra do genial Mané  Garrincha, em 27 de março de 1960, no clássico entre Fluminense e Botafogo. Nos  

registros  do  futebol  brasileiro  o  lance  no  Maracanã  é  até  hoje  apontado  como  o  primeiro  gesto  de  fair  play,  pois  Garrincha  teve  a  chance  de  marcar  um  gol,  mas  preferiu por a bola para fora para que Pinheiro (Fluminense) pudesse ser atendido  

depois de uma dividida com Quarentinha. O ato sublime de Garrincha, porém, não  foi  o  primeiro,  embora  tenha  sido  marcante,  pois  abdicou  de  um  gol,  tendo  em  seguida o tricolor Altair devolvido a posse de bola ao Botafogo. 

Não  menos  épico,  cinco  anos  antes,  no  dia  13  de  novembro  de  1955,  coube    ao    goleiro  argentino    Bonelli    a    iniciativa    de    jogar    a    bola    para    fora    de   campo para que o botafoguense Neco, que estava caído  na sua área, pudesse ser   atendido por um médico.  O lance, inusitado para aquela época, deixou os próprios  companheiros    do    goleiro  incrédulos,  sem    entender  aquela  situação,  enquanto  o  público  vaiava  a  atitude  curiosa  do  comercialino.  A  cena  foi  relatada  com  sur‐ 

presa nos jornais da época, surpreendendo também os jornalistas esportivos que  cobriam o clássico. A  partida  foi  válida  pela  última  rodada  do primeiro turno do  

Campeonato Paulista. O primeiro gol saiu aos sete minutos  com  Paulinho,  em  um   chute  que  desviou  em Assunção e enganou Bonelli.  Brotero estava endiabrado  

e fez dois gols,  aos 44 do primeiro tempo e aos dois da segunda etapa. Fernando  fez  4  a  0  aos  26,  e  quando  parecia  que  outra  goleada  como  os  5  a  0  de  maio  se   repetiria,  o  Comercial  reagiu  depois  que  Neco  foi  expulso  e  diminuiu  com  Acosta marcando dois gols de pênalti.  

 

(aqui por ser um jogo do interior, sem grande mídia, o fato passou despercebido, ao contrário do mega evento do Maracana e dos personagens envolvidos no clássico carioca. Mas o fato em si, já havia sido observado no jogo em Ribeirão Preto.  )

 

Botafogo 4 x 2 Comercial

(Campeonato Paulista ‐ Divisão de Acesso) 

Data ‐ 13 de novembro de 1955 (Domingo) 

Local ‐ Estádio Luiz Pereira

Botafogo ‐ Machado, Fonseca, Pavão, Nino, Oscar, 

Wilsinho,  Tico, Neco, Brotero, Paulinho e Fernando 

Técnico ‐ Floreal Garro

Comercial ‐ Bonelli, Toninho, Assunção, Diógenes e Lola; 

Sula, Acosta; Ademar, Mairiporã, Maneca e Paulo 

Técnico ‐ Arthur Nextor

Gols ‐ Paulinho 7 (1T), Brotero 45 (1T) e 2 (2T), 

Fernando 26 (2T) e  e Acosta 33 e 45 (2T) 

Renda e público ‐ Cr$ 233.860,00 (Não divulgado) 

Arbitragem ‐ José Bento Feijão

 

BHC deixa Comercial no túnel 

 

Para vencer um Come‐Fogo valia quase tudo, inclusive colocar hexacloro benzeno, conhecido também como BHC,  ou  “pó de broca”, no vestiário visitante.  Essa prática comum  

em Palma Travassos, como no Santa Cruz, nesse dia 6 de abril  de  1975  não  ajudou  o  Botafogo  a  vencer  o  Comercial.  Só  fez  

com  que  o  técnico  Alfredo  Sampaio  realizasse  a  sua  preleção  nas  escadas  do  túnel  de  acesso  ao  gramado,  repetindo  no  in‐

tervalo do primeiro tempo. Os comercialinos apenas lamenta ram,  pois  sabiam  que  aquela  artimanha  também  já  tinha  sido  utilizada na Joia em outro dérbis. No estreito corredor, o preparador físico Roger  comandou  o  aquecimento,  pedindo  que  os  atletas  

tomassem cuidado com as paredes ásperas do túnel. Logo foi  interrompido por Alfredinho que passou as últimas instruções  

aos seus jogadores.

O  goleiro  Lourenço  foi  o  nome  do  clássico.  Com  grande  defesas  no  primeiro  tempo  e  segurando    uma  grande  pressão botafoguense na etapa final, o camias 1 do Comercial    saiu  de  campo  com  todos  os  prêmios  possíveis.    O  empate  manteve  por  mais  um  jogo  o  longo  tabu  sem  vitórias   do  Comercial  no  estádio  Santa  Cruz.  Marca  que  cairia na par‐ 

tida seguinte, ainda no ano de 1975. 

Carnaval do Magrão 

Pela  terceira  vez  consecutiva,  Sócrates  deixou  a  sua  marca  contra  o  Comercial.    O  primeiro  Come‐Fogo  de  1976  aconteceu  em  fevereiro  e  foi  válido  pelo  Torneio  Vicente  Feola.    A  vitória  dentro  do  Palma  Travassos  garantiu  ao  Botafogo  uma  vaga

e tirou o rival do páreo. Para  o  jovem  craque,  os  gols  no  Come‐Fogo  só  aumentavam  a  admiração  e  a  idolatria  que  os  torcedo‐

res botafoguenses tinham por ele.   O  clássico  foi  equilibrado  no  primeiro  tempo,  com  poucos  momentos  de  perigo  para  os  goleiros.

Na etapa final o Botafogo foi melhor. Mingo cruzou,  João  Marques  não  alcançou,  mas  atrás  dele  estava  Sócrates,  totalmente  livre  de  marcação,  para  bater  no  canto  esquerdo  de  Lula.  Eram  28  minutos  do  segundo  tempo  e  a  partir  daí  o  Comercial  não  teve  forças  para  buscar  o  empate  e  acabou  sucumbindo  mais  uma  vez  ao  talento  de  Sócrates.