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Vasco não precisa de Eurico. Eurico precisa do Vasco
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“Eurico Miranda é o câncer do futebol brasileiro”.

A frase acima sempre me incomodou. Não gosto de comparações com doença, principalmente câncer. E sempre achei que, se Eurico saísse de cena, pouca coisa mudaria. Tem muita gente como Eurico na direção do futebol brasileiro. Gente mais elegante, mais fina, mais educada, mas também compromissada com a falta de gestão na CBF, por exemplo. Nenhum dirigente brasileiro se diferencia de Eurico na hora de manter del nero, marin, ricardinho teixeira no comando do nosso esporte preferido.

Eu cheguei – tolinho que sou – a me iludir. Eurico é tosco, mas ama o Vasco.

Perdão.

Eurico ama Eurico.

E é mentira que o Vasco precisa dele, como repete sempre, com empáfia.

Não saio porque o Vasco precisa de mim.

Tudo indica que Eurico é que precisa do Vasco. Que Eurico ama Eurico e euriquinho.

Quem ama o clube não permite que chegue às manchetes como chegou. Com suspeita de saque. Com rescisões apressadas de jogadores de Carlos Leite.

A relação é complicada. Jogadores de Carlos Leite com bom mercado (Mateus Vital e Paulinho) saem ou podem sair. Jogadores sem mercado (ainda que bons) como Wellington e Breno assinam por três anos.

Eurico deixa o Vasco sob suspeita. A frase tem dois sentidos. Eurico está sob suspeita. O Vasco está sob suspeita. Quem ama, não mata. Eurico não mata, mas fere o Vasco.


Dorival: “Falta um ponto e em 2018, vamos lutar por títulos”
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O blog entrevistou Dorival Jr. Foi muito agradável, é uma pessoa de bem e que falou sobre tudo o que foi perguntado. Só não deu o nome dos novos contratados, mas se fosse ele, eu também não daria.

Como vai ser o São Paulo de 2018?

Ah,  não vamos falar do ano que vem, não. Estamos trabalhando duro ainda em 2017 para salvar o São Paulo.

Mas, já salvou, né?

Nada disso, ainda precisamos de um ponto.

Ah, que exagero. O São Paulo tem 45. Ponte e Vitória têm 39 e se enfrentam…

Então, quem ganhar esse jogo ainda vai estar na briga

Tudo bem, mas o que se pode esperar do São Paulo no ano que vem?

Vamos brigar por títulos. Pode ter certeza disso.

Você vai ter o privilégio de montar o elenco, já a partir da base que se formou esse ano. Vai pedir muitas contratações? Dez?

Imagina, de jeito nenhum. Queremos contratações pontuais para que o time melhore. Queremos contratações do tipo Hernanes, de alto nível, para resolver. E vamos aproveitar a base. É um privilégio montar o elenco, mas vamos ter só 14 dias de treinamento antes de o campeonato começar. Não vai ser fácil.

Tem algum jogador da base que te deixa entusiasmado?

Tem o Anthony, do sub-17. É muito bom. E tem o companheiro dele, o Helinho. É sacanagem o que estes meninos jogam.

Tem outros da base?

Sim, mas não vou falar agora. Vou começar a temporada com alguns e depois da Copa São Paulo vou puxar mais dois.

E o Brenner?

Esse é questão de tempo, joga muito. É bom centralizado e também pelos lados.

Quando eu vejo o Brenner, eu penso no Ademílson, que fazia muitos gols na base, mas, que, quando chegou no profissional, sofreu muito porque a força física já não adiantava muito.

É verdade. O jogador da base precisa ser apoiado quando chega no time de cima. Pode estar pronto como o Zeca e o Lucas Veríssimo, que lancei no Santos. Por isso, é importante o sub-23. O Veríssimo eu tirei de lá. Veja o caso do Lucas Fernandes. Ele entrou, saiu, entrou e saiu. Quando entrar de novo, acho que vai render de forma contínua.

Já que você não quer falar de nomes de reforços, vamos falar dos emprestados. O que acha do Breno?

Gostaria de contar com ele. O São Paulo tem preferência para a volta.

Hudson?

Aí, é o contrário. A preferência é do Cruzeiro, então nem vou analisar.

O Artur, que está na MSL?

Não conheço bem, preciso analisar.

Iago Maidana?

Gosto dele, é bom jogador.

E o Kaká, se viesse para o São Paulo seria como o Lugano, que todos dizem ser um bom exemplo fora do campo, mas que não joga?

O Kaká tem muita condição de jogar ainda. Muito bom. Quanto ao Lugano, eu quero dar um testemunho. É um jogador de muito caráter. Ele é um exemplo. Não é escalado, mas treina com uma intensidade imensa. Outro, no lugar dele, poderia relaxar. Ele, não. Faz de tudo pelo grupo. Ele estava machucado e mesmo assim, viajava com a gente. Ninguém pode se queixar dele. É exemplar.

Crédito: RONALDO SCHEMIDT / AFP

E o Jean, goleiro do Bahia?

A diretoria trouxe o nome dele até mim e eu aprovei. Tem muitas qualidades.

E o Lucas Perri?

Tem grande futuro, é dois anos mais jovem que o Jean e vai subir um degrau no ano que vem.

Você falou em contratações pontuais que chegam para resolver. Eu vejo alguns problemas no time e gostaria de perguntar sobre eles. Contra o Vasco, o São Paulo fez um gol e recuou. Tudo normal, mas não tinha contra-ataque algum.

Nosso time não tem contra-ataque. Nosso time, até pelas características dos jogadores, aposta em muitos passes no meio, estamos trocando uns 700 por jogo. A saída de bola é qualificada, desde a zaga, com o Rodrigo Caio. Então, não tem contra-ataque, não tem a bola esticada, ela é conduzida. Poderia ter com o Wellington Nen, mas ele se contundiu. Para o ano que vem, teremos essa opção.

Será alternativo, como você diz. Mas como contratar um jogador bom para ser alternativo?

O jogador pode puxar o contra-ataque e também fazer outras funções. No Santos, era assim, como Geuvânio e o Marquinhos Gabriel. Aqui, até poderia ter com o Marcos Guilherme, mas ele tem muita condição defensiva, não dá para fazer os dois. Você perguntou de nomes, eu quero dizer que o Morato vai ficar. Ele renovou o contrato e terá pelo menos seis meses para mostrar futebol. Foi o tempo que ele ficou parado.

O fato de o time chegar no ataque através de muitos passes atrapalha o Lucas Pratto?

Não. A função dele é jogar de bico a bico da área adversária. Está sempre perto do gol. Quero explicar também que, além de trocarmos muitos passes, não temos muitas jogadas de fundo, com os laterais. O Militão e o Edimar não são para avançar, principalmente o Militão, que é um grande marcador. O Júnior Tavares apoia bem, tem grande potencial, mas o Edimar me dá mais segurança atrás.

Na ausência do Cueva, você usou o Shaylon, Lucas Fernandes, Maicosuel e Júnior Tavares. Isso mostra a importância dele, não?

O Cueva é muito bom. Eu o aproximei do Hernanes e o time rendeu bastante. Tem gente que chama o Hernanes de volante, ele é meia. O Cueva fez umas partidas na ponta, aberto, mas foi por conta dele, eu não pedi. Eu deveria ter fixado um jogador só na sua ausência, mas achei que um jogo era diferente do outro e resolvi variar.

Por que você demorou para fixar o Jucilei?

Porque ele não estava conseguindo jogar como nos tempos do Corinthians, quando roubava a bola e se aproximava da área adversária. Eu chamei para conversar e disse que, se não tivesse intensidade, não jogaria. Foi o mesmo que falei para o Vecchio, no Santos.

Quando você assumiu o São Paulo, você fez uma previsão melhor ou pior do que aconteceu com o time?

Não fiz previsão. Como você vai fazer previsão em um campeonato em que o último colocado ganhou duas seguidas e voltou a sonhar? Aqui não é o campeonato espanhol, é difícil prever alguma coisa. O que eu previ para o Vinícius Pinotti é que o time começaria a melhorar no segundo turno porque haveria mais tempo para trabalhar. Antes, haveria oscilações. A gente surpreendeu o Botafogo fora de casa e foi surpreendido pelo Coritiba no Morumbi.

Como foi o trabalho para reerguer o time?

Foi muito duro. A situação na tabela era ruim, não tinha tempo para treinar e a pressão era grande. Mudamos algumas coisas. Utilizamos bastante a psicóloga, Drª Anahy, aumentamos um dia de concentração, trouxemos os familiares para cá, mudamos a alimentação. Fizemos de tudo. Todo mundo ajudou. O Lugano foi muito importante.

O que mudou na alimentação?

(Juca Pacheco, assessor de imprensa, é quem explica). Nós passamos a jantar no estádio, após os jogos. No Pacaembu, no último jogo, tinha um buffet enorme para os jogadores. No Dia dos Pais, os jogadores receberam pais e filhos. Foi bacana. Ajudou.

Dorival, o que você acha da religiosidade dos jogadores, recebendo pastores na concentração?

Falaram que eu abri o Santos para os pastores. Não foi nada disso. Deixei entrar um amigo deles para tocar um violão. O treinador tem muito trabalho, rapaz, não dá tempo para ficar vendo se o jogador usa brinco, se reza ou não reza. Um dos problemas do futebol é que tem muita fofoca. Se a gente ganhar um jogo e for tomar pinga no bar, a torcida vê e diz que é água. Se a gente perder e for beber água, vão dizer que é pinga.


Clube grande cai, sim. Está caindo
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Time grande não cai.

Os são-paulinos (tomo a parte pelo todo, uma grande parte, diga-se) gritaram exaustivamente a frase, em 2013 e 2015. Havia uma outra frase, de mesmo sentido. Time grande cai, mas time gigante não cai.

São frases divertidas, uma gozação bem feita contra os rivais Palmeiras e Corinthians. Mas são também frases a mostrar o último suspiro da tal soberania, varrida dos campos há uma década, com aquele coito interrompido que foi a vitória contra o Tigre, na sul-americana de 2012.

Gritar que não cai é o que restou a quem gritava é campeão com a mesma assiduidade que um ano substitui outro. Ou, lembrando um pouco mais longe, como um semestre substitui outro.

Não ganhamos, mas não caímos. Somos grandes e os outros são pequenos. Somos gigantes e os outros, vá lá…são apenas grandes. Somos soberanos e tudo é uma questão de tempo, pois daqui não cairemos.

Está caindo o São Paulo. Os avisos foram gritados, os sinais foram escancarados, mas a gerontocracia de ideias que dirige o clube há décadas, não viu e não ouviu. Preferiu a briga intestina (nos dois sentidos) à busca de uma solução, que poderia passar pela unidade. Talvez não ajudasse, porque as ideias do outro lado…ah, quais são, mesmo?

Quem gritava que time grande não cai, sabia que estava dizendo uma sandice. Palmeiras, Corinthians, Inter e tantos outros grandes representantes do futebol brasileiro caíram.

E, se clube grande não cai, time médio cai. Deitado em devaneios soberanísticos, a diretoria do São Paulo esqueceu que não há justiça no futebol. Um elenco melhor do que alguns outros, pode cair, sim. Não é o investimento que decide, não é uma análise crítica dos jogadores contratados. É o campo que resolve.

O São Paulo tem aproveitamento de 77,8% quando falamos de seu enfrentamento com Vitória, Avaí e Atlético-GO, seus companheiros de infortúnio. Não é suficiente. Precisa vencer os outros também. E, sempre é bom lembrar, o tal aproveitamento gigantesco foi construído no Morumbi.

A diretoria do São Paulo não pode se apegar a um clichê moribundo: “o São Paulo não merece estar nesse lugar”; Por que não? Pelo passado glorioso? Já vimos que não conta, que outros gigantes de foram.

Pelo futebol apresentado? Também não, apesar de não ter sofrido nenhuma goleada, nenhum vexame. Tivesse ocorrido, talvez o tal aviso tivesse sido ouvido.

Pelo elenco que o time tem?

Vamos conversar sobre isso. O elenco tem problemas graves. Não vou comparar com outros, não vou fazer uma análise posição por posição, mas o elenco do São Paulo tem carências enormes. E elas permitem que outros clubes, talvez mais fracos o ultrapassem.

Bruno e Buffarini, por exemplo. Um, é pior na defesa. Outro, é pior no ataque. Os dois são ruins no conjunto. As entidades Brunarini ou Buffaruno são assustadoras. O que defende melhor, levou dois dribles humilhantes na Vila. O que ataca melhor, não acerta cruzamentos.

Júnior Tavares. Esqueça a louvação a Cotia. Nem de lá, ele veio. Junior veio do Grêmio com a fama de indisciplinado, bom no ataque e ruim na defesa. A primeira, com dedicação aos treinamentos, ele afugentou. Nada de indisciplina. A segunda, confirmou-se em parte. Ele é um desafogo na esquerda. E é um tormento na defesa. Em um time equilibrado, ele teria sua função e poderia render muito. Em um time cheio de problemas, só os erros aparecem e de forma exponencial. Foi um erro deixar tudo nas costas de um garoto. Participou de praticamente todas as partidas do ano. E seu reserva, Edimar, só o departamento de análise e desempenho garante. É um jogador a ser burilado e não uma solução.

Rodrigo Caio é um bom zagueiro, apesar do pouco físico. Não é bom como outros que fizeram sucesso há dez anos. Miranda, Lugano, Fabão, André Dias, Rodrigo e Breno foram melhores. Fabão, sim. Pense um pouco e veja quem errou mais. Novamente, é a questão do momento. Se Rodrigo Caio estivesse lá, naquele tempo….Não está.

Pela fama que tem, Rodrigo Caio deveria ser a individualidade capaz de carregar o time nas costas. Como Roberto Dias fez há 50 anos. O mesmo vale para Pratto. Um grande jogador em um time fraco e desequilibrado, não deveria ser a salvação? Não tem sido. Cueva é o mesmo caso, apesar de haver melhorado um pouco.

Não é o caso de Jucilei, que tem rendido muito bem, mas que, pela posição em que joga não está ali para resolver. Como parece ser, não nos precipitemos, o caso de Arboleda.

Jogadores que deveriam decidir e não decidem. Jogadores fracos. Jogadores com uma responsabilidade técnica acima de suas forças. E o que mais?

Uma incógnita como Gómez, que foi bem na Colômbia, mas que fez dois jogos sem nenhum protagonismo.

Jogadores médios, que poderiam render em times bem organizados, como é o caso de Marcinho. E de Petros, que fala muito bem, que tem personalidade, mas que joga menos que Thiago Gomes. E Wellington Nem, que perdeu a velocidade em algum lugar do passado.

Jogadores jovens, como Lucas Fernandes, Brenner e Shaylon, a quem não pode ser dada a missão de salvamento. A eles, deveria ter sido dadas oportunidades de jogar. Mas, preferiram, por exemplo, Denílson.

E é um time assustado. Quando faz um gol, não resiste ao assédio, como qualquer adolescente esperando o primeiro beijo. Quando sofre um gol, se desmancha, como picolé ao sol.

É um time caindo. Está cumprindo os avisos que estão sendo dados há muito tempo. E que os ouvidos soberanos apenas ouviram. Mandaram a mensagem para o cérebro soberano. E que o cérebro soberano respondeu através da boca soberana. “Time grande não cai”. Cai, sim.


Lucão foi a boa novidade do São Paulo
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O São Paulo fez uma partida normal, sem brilho e voltou de Buenos Aires com um ponto. Pode decidir em casa, dia 11 de maio, a passagem para a segunda fase da Copa Sul-americana.

Traz na bagagem, além do ponto, duas boas notícias. Pela terceira vez seguida termina uma partida sem sofrer gols. E Lucão jogou muito. Não sofrer gols é um princípio muito importante a ser cultivado, principalmente quando se lembra que o Cruzeiro vem aí, pela Copa do Brasil. E o zero no placar foi uma conquista dos três zagueiros e também de Jucilei, que, uma vez mais, conseguiu dar muita proteção ao time.

Lucão era um dos zagueiros. E teve uma atuação muito boa. Seguro por baixo, firme nas divididas e dando uma contribuição boa pelo alto. Uma notícia importante quando se lembra do quase ódio que a torcida tem por sua revelação. Com 21 anos, Lucão se aproxima de 90 jogos pelo clube. Há boa possibilidade de recuperação do jogador, talvez até para uma possível venda futura. Ele tem currículo pelas seleções de base.

Rodrigo Caio foi ótimo do início ao final. E Breno não ficou atrás. Salvou um gol, com bela cabeçada. O problema não era a zaga, era a pouca projeção dos laterais. Ainda no primeiro tempo, Ceni desmontou a linha para que Rodrigo Caio adiantasse um pouco, juntando-se a Jucilei e João Schmidt, equilibrando o meio campo. A armação ficou por conta de Wellington Nem.

Aí está o problema. Não em Nem, mas no elenco. Sem Cueva, é preciso improvisar. Nem é jogador de lado de campo, um ponta. Aliás, perdeu um gol feito. No segundo tempo, entrou Shaylon em lugar de Breno e Nem foi para o lado. Não funcionou. A expulsão de Buffarini fez com que Shaylon deixasse o campo. Entrou Wellington para formar uma linha de tres volantes, à frente de quatro zagueiros. E tome bola aérea. E tome Rodrigo Caio. E tome Lucão.

O grande problema do São Paulo foi Buffarini, deslocado na esquerda e amarelado logo no início. No segundo tempo, Ceni tirou Chavez e colocou Tavares na ponta e manteve o argentino na esquerda. Talvez se o tivesse colocado na direita, com Araruna no meio e Tavares na esquerda, não houvesse o segundo amarelo. Talvez. Com Buffarini nunca se sabe.


Vampeta dá a Heltton o que o São Paulo deu a Breno: segunda chance
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breno1_chiri_crop_galeriaA história de Heltton, o gato do Paulista, é um retrato fiel do que a sociedade brasileira oferece a seus cidadãos mais pobres, quase sempre negros. Para jogar futebol, ele usou documento de identidade do primo, Brendon, que está preso por tráfico de drogas. Não vou romantizar e nem fazer análise sociológica – os dois erraram e isto não se discute – mas é emblemático que as opções da família sejam a delinquência ou o futebol.

Heltton falsificou, mentiu e enganou. Só isso? Talvez, para ele, o verbo tenha sido, desde o começo, escapar. Para escapar do tráfico, para escapar da prisão – que é uma inevitabilidade para grande parte da população pobre – ele foi jogar bola. Onde o Estado não está, aonde o Estado não chega, as opções são poucas. Jogar bola ou delinquir. Heltton escolheu um lado. Mesmo que tivesse de delinquir.

Foi tratado como aquilo que ele lutou para não ser: “bandido”, diz o delegado Olin, responsável pelo TJD, misturando suas funções na justiça esportiva com a criminal. O dedo de todos foi apontado para o gato, livrando-se imediatamente o empresário Alberto e o Paulista de culpa. Ou de negligência. O culpado já estava decidido: o preto pobre.

Vampeta, que também é preto e também foi pobre, ergueu a voz dissonante, desafiou a banda dos contentes. “Não é bandido”. E foi além. Deu casa, comida e possibilidade de treinar no Audax. Não significa que Heltton, aos 22 anos, vá ganhar um lugar no time ou no banco. Nada disso. Vampeta deu a ele um emprego no país de 12 milhões de desempregados. Deu a ele a dignidade de ter uma carteira assinada e um endereço, algo que milhões não tem em Pindorama, governada pelo Rei da Mesóclise.

Uma segunda chance, foi o que Vampeta deu a Heltton. Quem erra, tem o direito de recomeçar. No caso de Heltton, é mais correto falar em primeira chance. Agora, é com ele

O São Paulo fez o mesmo com Breno, que joga muito mais que Eltton poderá jogar e que cometeu crime muito maior. E, se a capacidade futebolística separa Breno e “Brendon”, a origem os une. Breno também é negro. Breno também foi pobre.O futebol mudou a sua vida. E quando ele se viu em terra estranha, sem falar a língua e sem poder praticar a profissão, foi tomado por profunda depressão. Provocou um incêndio na própria casa. Foi preso. E, ainda na prisão, assinou um contrato de trabalho com o São Paulo. Um contrato que facilitou a sua saída da prisão.

A segunda chance do São Paulo foi aproveitada por Breno.

A segunda chance de Vampeta será aproveitada por Heltton. Torço muito por isso. Que o futebol lhe traga futuro.

Vampeta foi exemplar. C0mo o Sao Paulo.


Majestoso na Florida. Bom para os dois. E para nós, também
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MAJESTOSO NA FLORIDATem São Paulo x Corinthians, tem Corinthians x São Paulo. Na Florida, em campo ruim, com pouca gente. E daí?. É a primeira decisão do futebol paulista no ano. É Majestoso. É o futebol de volta, para nos alegrar.

O jogo é bom para os dois. Para quem ganhar e para quem perder. Quem ganha, recebe aquele ânimo extra para o início de trabalho de seu treinador. Quem ganha, é campeão. Sempre bom, não é? E quem perde, não receberá uma pressão enorme, não será cobrado. E terá recolhido, porque é um bom treinador, subsídios para melhorar.

Os dois times devem começar no 4-1-4-1 e o São Paulo com alguma mobilidade a mais, graças a Rodrigo Caio. Ele pode retroceder alguns metros para formar uma linha de três com Maicon e Breno, liberando os laterais.

Camacho e Gabriel. Thiago Mendes e Rodrigo Caio. Duas duplas de volantes que reúnem quatro jogadores que tratam bem a bola. Não são apenas a turma do desarme, sabem passar e até chegar ao ataque. Gabriel, menos que os outros três.

Nas alas, estarão Nem, Araújo, Marlone e Romero. O Corinthians tem Marquinhos Gabriel, um substituto melhor que Neílton. Interessante será notar como eles conseguirão fazer a transição para o meio do ataque. Contra o Vasco, Romero e Marlone fizeram essa tarefa com grande categoria, com uma tabela de alto nível. Araújo e Nem também fizeram, juntando-se a Cueva. Houve muita movimentação, mas nada de gols.

Rodriguinho ou Cueva? No último jogo, Cueva teve uma liberdade absurda e matou o jogo.

E as defesas? Se equivalem?
Esperemos até as 21 horas.

Nosso velho amigo, o futebol, está de volta.

picadinhomenon

DUAS PALAVRINHAS SOBRE UM CAMPEAO – Carlos Alberto Silva morreu aos 77 anos. Cobri sua passagem no Corinthians. Vou levar comigo a imagem de uma pessoa agradável e conversadora. Piadista, gostava de fazer sempre a mesma brincadeira. “Pode ser uma palavrinha”, a gente perguntava. “Cu”, ele respondia. “Só tem duas letras”. E depois, falava bastante.

carlos alberto silvaFoi campeão brasileiro pelo Guarani, com o fantástico ataque Capitão, Careca e Bozó. Ganhou a medalha de prata na Olimpíada de 88, com um ataque formado por Romário, Careca e Bebeto. Foi trocado por Lazzaroni e seu 3-5-2. Fiel sempre ao estilo ofensivo, cometeu um grande erro quando estava no Palmeiras. Era decisão contra o Grêmio, que ganhava por 2 a 0 no Sul. Trocou o volante Amaral pelo atacante Alex Alves, desorganizou o time e levou de cinco. Já eram tempos de mais cuidados defensivos, já era o início de seu declínio.

No São Paulo, em 1980, inventou o maior quarto zagueiro da história do clube. Em depoimento ao meu livro “Tricolor Celeste”, ele contou como transformou o desacreditado meia Dario Pereyra em um mito na história do clube.

“O Dario havia custado muito dinheiro para o clube e mesmo assim nunca recebi pressão para que ele jogasse. Mas percebi que precisava fazer alguma coisa. Um jogador como aquele não podia ficar de fora. Falei com ele que precisava mostrar mais interesse, que não adiantava nada ficar triste, que todo mundo queria ajudar e que era hora de ele mostrar mais. A partir daí, ele começou a se interessar mais, se aproximou de mim e a perguntar se tinha ido bem no treino.”

A chance foi dada em 13 de julho de 1980, contra o Corinthians, que o São Paulo não vencia desde 1976. O jogo estava 0 a 0 até a metade do segundo tempo, quando Carlos Alberto tirou o zagueiro Gassen, que estava sofrendo com Geraldão, e colocou Dario na zaga. “Pedi para ele ficar atento na bola alta para o Geraldão. Não perdeu nenhum lance até o final do jogo. Em toda minha vida, só vi o Ricardo Rocha, que lancei no Guarani, como alguém do mesmo nível do Dario”.

 

 

 

 


Eduardo e Rogério: um muro que não separa ideias convergentes
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eduardomonica2Renato Russo embalou muita gente com a descrição do amor improvável entre Eduardo, do camelo, e Monica, da moto. Diferenças que englobavam Bandeira, Bauhaus, Van Gogh, Mutantes, Caetano, Rimbaud, novela e um avô que jogava futebol de botão. Um muro ideológico a separa-los. Um muro físico separa outro Eduardo, o Baptista, de Rogério, o Ceni.

Um muro a separar ideias semelhantes. Foi o que se viu na apresentação do novo treinador do Palmeiras e na segunda entrevista coletiva de Ceni, ao lado de Michael e Charles, seus auxiliares mais próximos. Com três horas de diferença falaram de visões parecidas e que apontam para um 2017 instigante

E o que os une?

VERSATILIDADE – Ambos trabalharão para ter equipes que possam mudar de esquema sem que necessariamente haja a troca de jogadores. Baptista chegou a mostrar um Dudu parecido com Elias, no 4-1-4-1. Um meia por dentro, capaz de chegar na área, mas também de recuar e marcar como volante. Ceni explicou a opção por Foguete e não por Auro por ver nele capacidade de jogar como lateral, de fazer o fundo em uma linha de três e ainda de ser um volante. Aí, há uma diferença brutal: Dudu é um jogador pronto e Foguete está começando agora. Não é uma coincidência, pois o elenco de Eduardo é mais caro e famoso, enquanto o de Ceni tem 14 dos 28 jogadores vindos da base.

TODOCAMPISTA E NAO MEIO-CAMPISTA – Eduardo foi explícito: “não gosto de falar em volante, para mim tem de ser jogador de meio campo. Tem de marcar e passar. Não adianta tirar a bola e não saber o que fazer com ela. Não adianta só passar e não saber marcar”. Ceni não falou, mas autorizou a saída de Hudson e está muito ansioso para que a diretoria consiga manter João Schmidt no elenco. Aqui, outra diferença: Ceni quer 28 jogadores e Baptista prefere 33.

OBSESSÃO – Rogério Ceni tem trabalhado 13 horas por dia com seus auxiliares para assimilar o melhor treinamento que será feio no dia seguinte. Eduardo Baptista, durante o último mês, viu 41 jogos do Palmeiras, 38 deles do Brasileiro e três do Paulista, quando o time estava mal. Os dois disseram que o treino não termina quando acaba e que o pensamento é sempre na bola.

BUSCA DO CONHECIMENTO – Eduardo Baptista terminou agora o curso da CBF, que lhe garante a licença A. Rogério Ceni abandonou os estudos na Inglaterra quando seu sonho de ser treinador do São Paulo – ele se ofereceu ou foi convidado? – se concretizou. São dois ex-jogadores (Rogério com história no futebol brasileiro e Eduardo restrito ao Juventus) que não se conformaram com os conhecimentos táticos dos tempos de boleiro.

Enfim, vai ser bacana o encontro entre ambos. Como Ceni reagirá quando Jean deixar a lateral para ser um volante? E quando Guerra,eduardomonica ao Palmeiras perder a bola, deixar de ser um terceiro homem de meio para ser um volante? E o que Baptista fará quando Breno e Rodrigo Caio abandonarem a linha de três para serem volantes? E quando Cícero deixar de ser volante para virar um meia ofensivo, com bom cabeceio? Alias, a transformação de Cícero em volante foi reivindicada por Eduardo Baptista em seus tempos de Fluminense? E David Neres será um ponta um ala? Qual dos dois obrigará o outro a ter uma posição reativa em campo, sufocado em seu campo? Quem sufocar o outro, terá de ter muito cuidado com contra-ataques puxados por Cueva, Guerra, Jean, Cícero, Roger Guedes, Neres, Dudu, Wellington Nem.

Vai ser bom, amigos. Não há muro que separe boas ideias.


Breno passará por cirurgia. Lyanco, perto de uma vaga
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O zagueiro Breno, do São Paulo (Crédito: Rivaldo Gomes/Folhapress)

O zagueiro Breno, do São Paulo (Crédito: Rivaldo Gomes/Folhapress)

*atualizada às 18h35

Os médicos do São Paulo decidiram que Breno terá de passar por uma nova cirurgia no joelho direito. A decisão saiu duas horas depois de o blog dar a informação com exclusividade. Fora dos campos desde fevereiro, o zagueiro passou por fortalecimento muscular e drenagem no joelho. Não deu certo. Agora, o atleta passará por uma reconstrução do ligamento cruzado. O procedimento deve acontecer ainda esta semana.

“O jogador estava se recuperando de uma sinovite no joelho e mesmo com todo o trabalho de reabilitação, não apresentou a melhora esperada que o possibilitasse treinar com o grupo. O joelho dele se mantém com derrame e dor e por isso somente uma intervenção vai trazer de volta a estabilidade necessária. O ligamento do joelho está íntegro, porém insuficiente”, explica o médico do clube, José Sanchez, em confirmação publicada no site do clube.

Desde que voltou ao São Paulo, após quatro anos de prisão na Alemanha, Breno enfrenta dificuldades físicas. O tipo de exercício que fazia na prisão – em ambientes fechados – não são os mesmos de um jogador profissional. Desde que reestreou, em julho do ano passado, foram apenas oito partidas. Em 2016, só duas.

Luiz Cunha, diretor de futebol, me disse há uma semana que o clube confia muito em Breno. “Desde que ele volte a ter as condições físicas de um atleta”, afirmou, deixando claro que as dificuldades eram grandes.

Enquanto uma das grandes revelações da base – estreou em 2007, com 17 anos e, com menos de 20 partidas foi vendido para o Bayern de Munique – sofre para dar continuidade à carreira, um novo zagueiro ganha pontos com a comissão técnica. Lyanco, que veio do Botafogo há dois anos, treina muito bem e agrada a Patón, como já havia agradado a Osorio.

Ele tem dupla nacionalidade e tem sido convocado, em rodízio, pelas seleções de base do Brasil e da Sérvia. O clube vê nele um grande potencial para uma futura venda. E o Brasileiro lhe dará chances constantes de atuar. A ver: Maicon talvez não fique (o Porto quer Lyanco para liberá-lo), Breno tem o problema no joelho, Lugano ainda não jogou três partidas seguidas, Rodrigo Caio pode desfalcar o time por até 18 rodadas no Brasileiro – seleções olímpica e principal – e é bem provável que Paton tenha de recorrer a Lucão e Lyanco.


Lugano, honra e dignidade. A última batalha começou
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Nunca vi um jogador com o caráter de Diego Lugano. São 30 anos na profissão e nunca vi luganolutaalguém com tamanha dignidade e com tanto comprometimento com o clube, a torcida e, principalmente, com o futebol. Nossa paixão.

Mesmo os que o consideram tosco, sem técnica, porradeiro, respondam com sinceridade, conseguem imaginar Lugano fugindo de um jogo, forjando uma contusão, indo para a balada em véspera de decisão, dando migué em treino, fazendo panelinha? Fugindo de uma briga?

Eu me lembro de sua chegada ao clube. De como chegou sob o signo da desconfiança e de como saiu sob o signo da idolatria. Do que fez para melhorar o passe, do drama que passou ao viver a incerteza de dar certo ou não e – não vi, mas ele me contou – de como acordava á noite, deixava a mulher na cama e ia para a sala chorar porque não conseguia jogar e se sentia como um traidor da família.

Lugano cresceu e se transformou em capitão da celeste olímpica. Um sonho que todo garoto uruguaio tem, desde o nascimento. Ajudou Tabarez a construir um grupo coeso, em que o coletivo sempre esteve à frente do individual e das picuinhas.

Sebastian Eguren, me disse uma vez, que nunca teve um capitão como Lugano. E deu um exemplo que já repeti aqui duas vezes.

Ele disse que Lugano foi o maior capitão com que conviveu. E lembrou da crise criada por Luis Cavani, pai do atacante da seleção. Ele criticou em entrevista, as atuações de Lugano. Disse que ele estava atrapalhando o time.

A seleção se reuniu e Cavani pediu a palavra. Começou a se desculpar com o capitão. Lugano o interrompeu e disse o seguinte:

“Se algum de nós ofender ou criticar o pai de um companheiro, será motivo para desculpas. O contrário, não”.

E o grupo se uniu, sob seu sereno comando.

Agora, Lugano está no fim. É quase impossível que seu contrato, que ainda tem um ano, seja renovado. Nem ele vai querer. São 35 anos, muitas contusões e o retiro parece estar ali, na esquina. Mais 20 jogos?

Desde que voltou ao São Paulo, foram apenas nove jogos. Houve uma falha gritante – não conseguiu subir uma gilette contra o Trujillanos e saiu assim o primeiro gol – e houve outras, menores. Contra o Audax, perdeu uma bola dominada, por exemplo, no primeiro gol. Houve algumas boas “trancadas” também, como antes.

E uma ótima atuação contra o River, em Nuñez.

E houve aquela linda comemoração, junto com Calleri, após um gol agônico contra o Botafogo.

Agora, nova contusão. Muscular. Ficará algum tempo sem jogar. Se o São Paulo não se classificar contra o Strongest, ele só voltará no Brasileiro. Lugano, sem muitas condições físicas, e Breno, lutando para voltar a ser um atleta, são incógnitas do São Paulo,

É a última batalha do capitão. O que se sabe é que nunca fará três jogos seguidos, por exemplo.

A batalha é por terminar o contrato em atividade, servindo, mesmo com pouca constância e eficiência ao time que ama. Sem falhas? Difícil.

O que não se discute é que Lugano sairá da batalha coberto de honra.

A dignidade foi sua companheira em toda a carreira.

Os três – Lugano, honra e dignidade – deixarão juntos o futebol.

É uma tríade inseparável. Indissolúvel.

 


Bauza pede 5 jogadores. São Paulo trará três no máximo. Joanderson fora
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Menon

Edgardo Bauza pediu cinco reforços à diretoria do São Paulo. Desde que chegou. E não terá. Receberá no máximo três reforços – um para cada linha – e, se quiser mais que isso, terá de buscar na base do clube. “Ele tem todo o direito de pedir quatro ou cinco, mas nossa avaliação é diferente. Estamos com algumas negociações em andamento e não vai passar de três nomes. Os outros, pegaremos na base”, diz Luiz Cunha, diretor de futebol do clube.

Inácio, lateral-esquerdo, e Artur, volantes, são os nomes citados. O entusiasmo maior é com Artur. “Jogador fabuloso, que teve um problema no púbis. Está se recuperando e vai ser integrado”.

E da base não virá Joanderson. Ele recebeu uma proposta do Cruzeiro e está de saída, por empréstimo. “Ficou encantado com o que ouviu e não vamos impedir o seu sonho”, diz Cunha. O diretor acredita no potencial de Pedro, centroavante que está treinando com Bauza. “Ele pode ser o reserva da camisa 9”.

O titular pode ser Calleri, que tem contrato até o final da Libertadores. Maicon também pode ficar. “Há esperanças que eles fiquem, desde que manifestem desejo em ficar. O Maicon já fez isso”, diz Luiz Cunha. Ou seja, está difícil Calleri ficar.

Buffarini e Ortigoza, sonhos de consumo de Bauza? “O São Paulo já tentou, antes mesmo da minha chegada. Continuamos tentando, mas é necessário que haja uma adequação da pedida às nossas possibilidades financeiras”, afirma Luiz Cunha.

Ele acredita muito em Breno, desde que consiga voltar a ter plenas condições físicas, desde que possa superar os danos físicos causados pela detenção na Alemanha. “Aí, ele é jogador de seleção brasileira”. Quanto a Lugano, ele considera que os 35 anos estão pesando e que há clareza de que o uruguaio não pode jogar todas. “Precisa de um planejamento físico adequado, diferente dos outros jogadores do elenco”.

A derrota por 4 a 1 para o Audax não acendeu nenhuma luz vermelha e nem fez com que negociações sejam aceleradas. “O que muda é que ficamos fora do Paulista e que vamos nos dedicar à Libertadores. Time por time, temos condição de eliminar o Strongest. Perdemos por falhas individuais e não vamos mudar nosso ritmo. Estamos negociando e haverá novidades”.