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Pinotti: “São Paulo não tem problemas de elenco e não vai cair”
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O blog entrevistou Vinícius Pinotti, diretor executivo  de futebol do São Paulo.

O São Paulo cai?

Não cai. De jeito nenhum.

Por que você fala isso? Porque time grande não cai? Muitos caíram

Nada disso. Eu não falo nada baseado em ditado ou em sorte ou azar. Não cai porque estamos trabalhando duro e muito bem. Fizemos mudanças na hora certa e o resultado vai aparecer.

Você parece tranquilo? Dormiu bem?

Passei a noite praticamente em claro depois da derrota para o Coritiba. Não gostei do trabalho do juiz e também lamentando os nossos erros, perdemos gols que poderiam ter definido o jogo. Mas não cai não. Quero ressaltar que agora contratamos o Altamiro Bottino, nosso coordenador científico, que vai ajudar no curto, médio e longo prazos.

Você teve uma reunião hoje. Novas contratações?

Sinceramente, eu acho que o problema do São Paulo não é mais de elenco. O grupo foi qualificado e agora é hora de aprimoramento e de melhora.

Tem tempo para isso?

Tem, sim. O time já está melhorando e tem rendido melhor, apesar da derrota. O trabalho do Dorival Jr. está aparecendo e temos alguns ajustes pontuais a fazer. Estamos trabalhando para isso.

Quando você fala em ajustes pontuais, a torcida pensa em Bruno.

Ah, não vou citar nomes, não vou crucificar ninguém. O que eu posso dizer é que o Dorival gosta do Bruno e acredita em um bom rendimento dele.

O Jonatán Gómez é um jogador para resolver?

Ele não é o craque do time, ele não é o camisa 10 que vai resolver, mas é um jogador tático, um jogador aguerrido e compromissado. Carregava o Independiente Santa Fe nas costas. Quando o time crescer, ele vem junto. E fez um bom jogo contra o Coritiba

A saída do Wellington Nem, contundido, vai abrir espaço para o Brenner?

O Dorival que escala, mas o Brenner, todo mundo sabe, é um jogador de muito futuro. Estamos fazendo um novo contrato com ele e, como o Dorival sabe muito bem a hora de lançar garotos, temos confiança que ele pode ajudar ainda o São Paulo talvez esse ano.

 


Clube grande cai, sim. Está caindo
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Time grande não cai.

Os são-paulinos (tomo a parte pelo todo, uma grande parte, diga-se) gritaram exaustivamente a frase, em 2013 e 2015. Havia uma outra frase, de mesmo sentido. Time grande cai, mas time gigante não cai.

São frases divertidas, uma gozação bem feita contra os rivais Palmeiras e Corinthians. Mas são também frases a mostrar o último suspiro da tal soberania, varrida dos campos há uma década, com aquele coito interrompido que foi a vitória contra o Tigre, na sul-americana de 2012.

Gritar que não cai é o que restou a quem gritava é campeão com a mesma assiduidade que um ano substitui outro. Ou, lembrando um pouco mais longe, como um semestre substitui outro.

Não ganhamos, mas não caímos. Somos grandes e os outros são pequenos. Somos gigantes e os outros, vá lá…são apenas grandes. Somos soberanos e tudo é uma questão de tempo, pois daqui não cairemos.

Está caindo o São Paulo. Os avisos foram gritados, os sinais foram escancarados, mas a gerontocracia de ideias que dirige o clube há décadas, não viu e não ouviu. Preferiu a briga intestina (nos dois sentidos) à busca de uma solução, que poderia passar pela unidade. Talvez não ajudasse, porque as ideias do outro lado…ah, quais são, mesmo?

Quem gritava que time grande não cai, sabia que estava dizendo uma sandice. Palmeiras, Corinthians, Inter e tantos outros grandes representantes do futebol brasileiro caíram.

E, se clube grande não cai, time médio cai. Deitado em devaneios soberanísticos, a diretoria do São Paulo esqueceu que não há justiça no futebol. Um elenco melhor do que alguns outros, pode cair, sim. Não é o investimento que decide, não é uma análise crítica dos jogadores contratados. É o campo que resolve.

O São Paulo tem aproveitamento de 77,8% quando falamos de seu enfrentamento com Vitória, Avaí e Atlético-GO, seus companheiros de infortúnio. Não é suficiente. Precisa vencer os outros também. E, sempre é bom lembrar, o tal aproveitamento gigantesco foi construído no Morumbi.

A diretoria do São Paulo não pode se apegar a um clichê moribundo: “o São Paulo não merece estar nesse lugar”; Por que não? Pelo passado glorioso? Já vimos que não conta, que outros gigantes de foram.

Pelo futebol apresentado? Também não, apesar de não ter sofrido nenhuma goleada, nenhum vexame. Tivesse ocorrido, talvez o tal aviso tivesse sido ouvido.

Pelo elenco que o time tem?

Vamos conversar sobre isso. O elenco tem problemas graves. Não vou comparar com outros, não vou fazer uma análise posição por posição, mas o elenco do São Paulo tem carências enormes. E elas permitem que outros clubes, talvez mais fracos o ultrapassem.

Bruno e Buffarini, por exemplo. Um, é pior na defesa. Outro, é pior no ataque. Os dois são ruins no conjunto. As entidades Brunarini ou Buffaruno são assustadoras. O que defende melhor, levou dois dribles humilhantes na Vila. O que ataca melhor, não acerta cruzamentos.

Júnior Tavares. Esqueça a louvação a Cotia. Nem de lá, ele veio. Junior veio do Grêmio com a fama de indisciplinado, bom no ataque e ruim na defesa. A primeira, com dedicação aos treinamentos, ele afugentou. Nada de indisciplina. A segunda, confirmou-se em parte. Ele é um desafogo na esquerda. E é um tormento na defesa. Em um time equilibrado, ele teria sua função e poderia render muito. Em um time cheio de problemas, só os erros aparecem e de forma exponencial. Foi um erro deixar tudo nas costas de um garoto. Participou de praticamente todas as partidas do ano. E seu reserva, Edimar, só o departamento de análise e desempenho garante. É um jogador a ser burilado e não uma solução.

Rodrigo Caio é um bom zagueiro, apesar do pouco físico. Não é bom como outros que fizeram sucesso há dez anos. Miranda, Lugano, Fabão, André Dias, Rodrigo e Breno foram melhores. Fabão, sim. Pense um pouco e veja quem errou mais. Novamente, é a questão do momento. Se Rodrigo Caio estivesse lá, naquele tempo….Não está.

Pela fama que tem, Rodrigo Caio deveria ser a individualidade capaz de carregar o time nas costas. Como Roberto Dias fez há 50 anos. O mesmo vale para Pratto. Um grande jogador em um time fraco e desequilibrado, não deveria ser a salvação? Não tem sido. Cueva é o mesmo caso, apesar de haver melhorado um pouco.

Não é o caso de Jucilei, que tem rendido muito bem, mas que, pela posição em que joga não está ali para resolver. Como parece ser, não nos precipitemos, o caso de Arboleda.

Jogadores que deveriam decidir e não decidem. Jogadores fracos. Jogadores com uma responsabilidade técnica acima de suas forças. E o que mais?

Uma incógnita como Gómez, que foi bem na Colômbia, mas que fez dois jogos sem nenhum protagonismo.

Jogadores médios, que poderiam render em times bem organizados, como é o caso de Marcinho. E de Petros, que fala muito bem, que tem personalidade, mas que joga menos que Thiago Gomes. E Wellington Nem, que perdeu a velocidade em algum lugar do passado.

Jogadores jovens, como Lucas Fernandes, Brenner e Shaylon, a quem não pode ser dada a missão de salvamento. A eles, deveria ter sido dadas oportunidades de jogar. Mas, preferiram, por exemplo, Denílson.

E é um time assustado. Quando faz um gol, não resiste ao assédio, como qualquer adolescente esperando o primeiro beijo. Quando sofre um gol, se desmancha, como picolé ao sol.

É um time caindo. Está cumprindo os avisos que estão sendo dados há muito tempo. E que os ouvidos soberanos apenas ouviram. Mandaram a mensagem para o cérebro soberano. E que o cérebro soberano respondeu através da boca soberana. “Time grande não cai”. Cai, sim.


São Paulo fechou a casinha. E perdeu a chave
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O desempenho defensivo do São Paulo no Brasileiro é digno de elogios. O time que, no início do ano, sofria dois gols por jogo, levou apenas cinco em sete partidas. Passou quatro dos sete embates em branco, sem ser vazado. E os números seriam ainda melhores, não fosse a partida contra o Corinthians, totalmente fora da curva. Um 3 a 2 que não combina com a efetividade defensiva do time de Ceni.

E, infelizmente, para os tricolores, não combina também com o poderio (?) ofensivo.

Sim, ao mudar seu estilo (suas idéias, também?), Ceni não conseguiu manter a força do ataque. Ou, pelo menos, parte dela. O antigo (há poucos meses) ataque do São Paulo se resume agora a oito gols marcados em sete jogos. É uma mudança muito radical. O time, que chegou a ter um placar médio de 3 x 2 por jogo, hoje tem 1,14 a 0,7.

A mesma palavra explica a intenção de Ceni e a dificuldade para que se encontre um time equilibrado. Transição. A mudança de um time ofensivo e desequilibrado para outro, pragmático e eficiente, deu errado por causa da…transição. Falo da transição da defesa para o ataque.

Ela piorou muito quando Cueva se machucou, em um jogo do Peru. Talvez a recuperação tenha sido precipitada, não sei, mas a verdade é que o peruano perdeu ousadia, velocidade e eficiência.

E quem poderia substituir Cueva? Maicosuel, que jogou apenas 45 minutos? Shaylon, que Ceni ainda considera verde? Lucas Fernandes, que está voltando a ter chances agora? Thomaz?

E quais as outras opções? Pelos lados do campo? Luiz Araújo saiu. Wellington Nem se contundiu e está voltando agora. Morato só joga no ano que vem. Leo Natel jogou dez minutos. E Marcinho? Como os laterais estavam machucados ou atuando mal, Marcinho foi deslocado para a ala. Tem a liberdade para atacar, mas, contra o Corinthians, por exemplo, foi obrigado a ficar recuado no início do jogo porque Arana e Romero tomaram a iniciativa. E ele precisou apenas marcar. E ainda não tem todos os macetes da posição. Falhou no gol do próprio Romero e no gol de Lucca, da Ponte. Com ajuda prestimosa de Lucão. Sobra então Júnior Tavares, que está indo bem, mas não está indo muito bem;

Há uma terceira opção: os volantes. Dominar a bola em seu campo e levá-la ao campo rival. Juntar-se aos meias, buscar os atacantes, chutar de fora. Pode ser Thiago Mendes. Pode ser Cícero. Os dois chutam bem, mas o rendimento não tem sido tão bom a ponto de suprir as necessidades. Mendes rendeu mais que Cícero.

O que pode mudar?

Militão, que ainda dá os primeiros passos como profissional? Promissores passos, mas os primeiros.

 

Wesley, Buffarini, Bruno ou Araruna se firmarem na lateral e liberarem Marcinho para o ataque? Além disso, seria recomendável que melhorassem o nível de cruzamentos.

Pratto mais recuado e Gilberto na área?

Não são ideias novas. Ceni já tentou várias delas. Uma coisa ou outra pode dar certo, mas nada é algo que possa surpreender, que cause frisson, que traga expectativas. A melhor opção, sem dúvida, seria uma melhora de Cueva.

O primeiro grande desafio de Ceni foi trancar a defesa. Ele conseguiu, com méritos. Montou um cadeado. Agora, precisa achar a chave que possibilite um time mais aberto e que faça gols necessários para que o time consiga, por exemplo, 60 pontos no campeonato. Mais do que isso, é muito difícil.


Fogo amigo ajuda a derrotar o São Paulo
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Cueva era o principal jogador do São Paulo. Teve uma contusão e voltou mal. O elenco não tem um substituto à altura. Thomaz é fraco. Shaylon e Lucas Fernandes ainda não confirmaram o potencial. Situação dramática, não? E fica pior com um erro grotesco. Cueva foi tratado com um spray que contém componente proibido. Se jogasse, poderia ser pego no exame antidoping. E quem passou o spray? Alguém do departamento médico.

É um tipo de erro inaceitável em um time profissional. Muito pior no caso do São Paulo, que tem um elenco curto. E a ausência do peruano, que, repito, não vinha bem, prejudicou o São Paulo.

O jogo contra a Ponte foi equilibrado no primeiro tempo. Gilson Kleina colocou o lateral Nino Paraíba como volante, formando uma dupla com o lateral Jefferson. Uma opção para brecar Luiz Araújo. O São Paulo passou a atacar pela direita, com Marcinho. Teve boas chances, mas a Ponte logo equilibrou o jogo.

No segundo tempo, Kleina recuou Nino Paraíba para a lateral e colocou Sheik. Haveria espaços para Luiz Araújo jogar, mas a Ponte logo marcou o seu gol. Jogada iniciada com Nino Paraíba e terminada com Lucca, que se aproveitou de um erro de marcação de Lucão e Marcinho.

Rogério Ceni fez boas substituições para reagir. Sacou Thomaz e colocou Gilberto. Depois, trocou Lucão por Bruno. O time ficou praticamente em um 4-2-4, com Marcinho, Pratto, Gilberto e Luiz Araújo. Trocou ainda Marcinho pelo estreante Leo Natel. Kleina reagiu povoando o meio campo. Tirou Lins e apostou em contra-ataques com Sheik e Lucca. Controlou o jogo e venceu com justiça.

O São Paulo se movimenta para trazer Maicossuel como substituto de Luiz Araújo. Precisa de mais. João Schmidt, Chávez e Lugano estão saindo. E o Lille deve fazer nova carga por Thiago Mendes. E falta um bom reserva para Cueva, principalmente quando o spray o tirar de jogo.


Kid Vinil e o amor sequestrado
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KID E JAIME, O AMOR ESCONDIDOA cena mais triste do velório de Kid Vinil foi a de Kosmo, seu golden retriever, despedindo-se do amigo. Logo, foi superada por outra história mais triste ainda. O advogado Jaime Gaeta, que ficará com Kosmo, anunciou que foi o companheiro, parceiro, namorado, marido de Kid nos últimos 30 anos. E que, juntos, cuidaram de Kosmo desde que ele tinha 50 dias de vida. Hoje, tem 13.

Eu tenho uma companheira há 32 anos. Quantas vezes andamos de mãos dadas pelas ruas, quantas vezes nos beijamos em público, quantas vezes eu a abracei no cinema, principalmente em filmes de terror? Fomos juntos ao futebol, a casamentos, a shows – Tim Maia era o favorito – quantas vezes tivemos DRs na rua? Intermináveis. Brigas aos montes. Fomos e somos parceiros públicos.

E Kid Vinil e Jaime tiveram de ocultar tudo. Quantas vezes tiveram de sufocar um carinho, um afago, um beijo? Quantas vezes Kid não pôde, em um show, dizer “essa é para você, Jaime, meu amor”? O amor deles foi escondido do mundo. Foi um amor sequestrado pela sociedade, um amor condenado a viver em quatro paredes, um amor para espaços pequenos. Kid, Jaime e Kosmo. Longe de todos.

Que país é esse que determina onde você pode amar? Onde você pode demonstrar seu sentimento? Onde você deve estar confinado para que outros não se sintam atingidos por sua felicidade? Que país é esse em que você não é dono de seu corpo? Não pode colocar a mão onde quiser? Sua língua só pode percorrer o corpo amado no escuro do quarto? Que país é esse que determina, de forma restritiva, como você pode ter prazer? Qual é o prazer válido? E, tudo o que for fora da caixa, fora do normal (mas quem é que determina o que é normal?) é permitido penas em algum porto seguro, longe de outros seres humanos. Por que é o que somos, não? Seres humanos.

Que país é esse? É o país em que as pessoas tiram selfie com o goleiro Bruno e jogam bombas na apresentação do volante Richarlyson.


São Paulo gasta ou é sofrência até dezembro
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Pablo e a sofrência vão embalar o Brasileiro do São Paulo

Horas antes do clássico do desespero entre Cruzeiro e São Paulo, o executivo Roberto Menin, do Banco Intermedium e da construtora disse que a torcida tricolor poderia ter uma grande notícia nos próximos dias. Patrocínio. Dinheiro. É o que pode fazer o São Paulo sair da lamaceira em que está.

Não que o elenco seja tão ruim como a torcida pinta. Inclusive, os resultados são muito abaixo do que o grupo de jogadores pode apresentar. Tanto em resultado como em organização. No jogo contra a Raposa, o São Paulo não foi pior. Teve até boas chances no primeiro tempo, mas quando sofreu um gol ridículo, com participação elétrica do gandula e sonolenta de Maicon, mas quando precisou reagir, não tem como: o elenco falha.

As contratações foram baratas e o pessoal da base não está confirmando o que se falava e esperava dele. Então, o que se vê é o seguinte:

Cueva é o único armador do time. Jogou aberto na esquerda, para puxar o contra-ataque. Mas o peruano não está bem fisicamente. Teve uma distensão muscular e voltou após 17 dias, o que é apressado. E quando ele não joga, o substituto é Thomas, um jogador sem currículo algum. Eu não acredito em contos de fadas: jogador de 30 anos que está jogando na Bolívia não é solução para nada. Resumindo: o time não tem como jogar com dois armadores porque Thomas, Shaylon e Lucas Fernandes não estão à altura. E o único bom está machucado.

No início do ano, Ceni contava com quatro atacantes rápidos pelo lado do campo: Neres, Nem, Luiz Araújo e Neílton. Neres foi para a Holanda, Nem para o Reffis, Neílton foi despedido e Luiz Araújo caiu muito. Fora contratados Morato, que fez um bom jogo e se contundiu, e Marcinho, que não vai resolver nada.

Junior Tavares caiu muito, inclusive no ataque, seu forte. João Schmidt está de saída. Bruno é bom no ataque e Buffarini é bom na defesa. Maicon não é o deus da zaga coisa nenhuma.

O São Paulo precisa de reforços. Ou vai ouvir Pablo o ano inteiro


A jogadora trans e o hétero assassino (?) no país que mata crianças
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Isabelle Neris, de 25 anos, é uma jogadora de vôlei. Transexual, ela faz hormonoterapia desde os 17 anos e agora conseguiu na Federação Paranaense de Vôlei permissão para defender o Voleiras, time feminino. Para isto, provou que tem os níveis de testosterona de uma mulher. Apresentou também documento de mudança de nome civil.

Bruno Fernandes de Souza, 32 anos, é um jogador de futebol. Hétero. Depois de seis anos preso, acusado da morte de Eliza Samudio, ele foi libertado. A justiça brasileira demorou tanto para o julgamento, que ele teve o direito de esperar em liberdade a definição de seu futuro. Ele é acusado também de ocultação de cadáver. O corpo de Samudio teria servido de alimento a cães.

Isabelle, nos jogos em que fez no Voleiras, foi vítima de transfobia. Recebeu ofensas. Um leve exercício de lógica nos leva a pensar com quais palavras foi brindada.

Bruno tem sido muito paparicado. Pessoas pedem para tirar fotos com ele. Houve homens que, ao lado da namorada, aproximaram-se do suposto assassino. É a vontade enorme de estar ao lado de um famoso. Mesmo que a fama tenha vindo junto com a acusação de assassinato.

Isabelle não mereceu o mesmo tratamento de Bruno. Ao contrário, recebeu as mesmas ofensas dedicadas a Eliza Samúdio, a garota assassinada. Sapatão, viado, puta, garota de programa… Alguma coisa elas fizeram.

Não é de se admirar a escolha da população.

Vivemos em um país em que um policial militar mata uma criança de dez anos e diz que ela estava dirigindo um carro e trocando tiros com a policia. Ao mesmo tempo.

Vivemos em um país em que outra criança é assassinada por seguranças do Habibs, por estar pedindo comida na porta do estabelecimento.

Vivemos em um país em que 240 pessoas morrem queimadas em uma clube noturno. No julgamento, anos depois, a juíza diz que a culpa é de quem morreu. As pessoas não escaparam porque estavam bêbadas. Como se fosse um castigo divino. Bebeu, morre. Não bebeu, escapa. O dono do clube noturno não tem culpa de nada.

Somos um país de brunos e não de Isabelles.


Mais um vexame do São Paulo. O time é muito ruim
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Quando houve o sorteio das oitavas de final da Copa do Brasil, havia três bolinhas desejadas: Fortaleza, Juventude e Botafogo-PB, bravos representantes da terceira divisão. O São Paulo ficou com o Juventude. E está eliminado em dois jogos. Vexame. Vexame que tem explicação.

O primeiro grande erro foi na primeira partida. Ricardo Gomes escalou Bruno em uma lateral e Carlinhos em outro. O Juventude aproveitou as dificuldades de marcação de ambos e venceu por 2 a 1. Estava tão errado que, no segundo jogo, quando precisava da vitória, ele não colocou os dois laterais. Preferiu Mena, mais forte na marcação.

A segunda explicação é simples: o time do São Paulo é ruim. Muito ruim. Principalmente em dois aspectos.

1) Os volantes não tem saída de bola. Thiago Mendes e Hudson não colaboram com o ataque, não fazem a bola chegar. Na segunda partida, foram omissos nesse aspecto. Omisso não é a palavra correta. Eles não sabem fazer isso. João Schmidt sabe e não joga.

2) Falta qualidade no meio. Cueva é o único aceitável. Wesley não dá. Daniel? Não sei, nunca é escalado.

3) O principal problema é o ataque. O nível dos jogadores é fraquíssimo. Vamos ver?

Chavez é um lutador, um brigador. É o homem de última bola. O último toque. Um grosso que resolve. Desde que a bola chegue. E ela não chega.

Kelvin é um atacante de lado, que faz poucos gols. No São Paulo, são três, se não me engano. No mais, é incompleto. Dribla mais ou menos, cruza mais ou menos, sofre algumas faltas. Jogador para entrar no segundo tempo, tentar virar o jogo. No São Paulo, é titular.

E as opções?

Luiz Araújo é um atacante de lado que mostrou qualidades na base. No time principal já teve muitas chances e não mostrou futebol para se firmar como uma opção confiável.

David Neres é atacante de lado com muito sucesso na base. Luiz Araújo era seu reserva. Ainda não estreou. Não se sabe o que poderá fazer, o que poderá contribuir. No momento, é difícil dizer que possa ser a solução de alguma coisa.

Gilberto é centroavante de carreira irregular, com sucesso no Santa Cruz e Portuguesa e fracasso no Sport e Inter.

Robson estava na terceira divisão. Tem 25 anos e um currículo sem brilho. Com o tempo, talvez pudesse ter sucesso, mas não é o jogador para o momento atual. Não vai chegar e resolver o problema.

Quem mais? Pedro? Poupemos o garoto.

Um elenco fraco. Um time ruim. Perdeu muito com as ausências de Calleri e Ganso.

Está onde merece estar.

Tem grandes chances de escapar do rebaixamento.

Tem grandes chances de continuar dando vexame em 2017. Falta dinheiro para contratar.


São Paulo, agonicamente, ganha oito pontos. Corinthians mantém a lógica
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Se o futebol é centenário, a jogada tem cem anos. Se o futebol é milenar, a jogada tem mil anos. Se o futebol é eterno, ela viverá para sempre. Um lance de classe do armador e uma conclusão intuitiva, desesperada e certeira do centroavante. Cavadinha de Ganso e gol de Calleri. Muito parecido com o gol contra o Cesar Vallejo, ainda na primeira fase da Libertadores.

Com o 1 a 0 concretizado aos 44 minutos do segundo tempo, o São Paulo chegou a 17 pontos e alcançou o Audax, que apenas empatou com o Linense. E a Ferroviária, que perdeu para o São Bento, ficou com 13 pontos. Ou seja, o São Paulo, mesmo que perca para o Santos – não terá Ganso, suspenso – ainda estará a zona de classificação.

Lugano comemorou como nunca. Ou como sempre? Quase machucou o pescoço de Calleri. Festa merecida, que não pode esconder alguns problemas contumazes do time.

O principal erro é a falta de jogadas pelos lados do campo. Houve apenas uma jogada de Carlinhos, pela esquerda, no primeiro tempo. Ninguém mais – Bruno, dos dois lados, Caramelo, dos dois lados, Kelvin, Hudson e Lucas Fernandes não conseguiram.

A dupla Kardec e Calleri não funciona. Ofensivamente, porque não há cruzamentos. E pouco se movimentam. E defensivamente, porque ambos dedicam-se pouco à marcação. Assim, o time perde um jogador no meio.

Houve falha feia em dois contra-ataques. Um em cada tempo. No primeiro, Denis fez uma linda defesa. No segundo, Leo Coca fez com que sua progenitora fosse lembrada por toda torcida do Botafogo. Em compensação, foi saudado pelos comercialinos.

De bom? João Schmidt, com bons passes como sempre, e chutes de fora da área, uma novidade. Lucas Fernandes teve alguns lampejos, teve iniciativa, mas perdeu algumas jogadas com a bola dominada. Tem futuro. Calleri voltou a marcar.

Há muito o que melhorar.

O Corinthians também. Mas ganhou por 3 a 0. É o melhor time, com melhor campanha disparado.

O torcedor corintiano é um invejado. Não tem do que reclamar.

 


Leco precisa assumir e trazer pelo menos oito jogadores
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Carlos Augusto Barros e Silva sempre sonhou ser presidente do São Paulo. Teve uma chance e faltaram poucos votos. Tentou novamente  e foi barrado por Juvenal Juvêncio, que preferiu o poodle da Cirina. Após a renúncia, Leco foi eleito. Tem muitos apoios. Desde os que o vem como o homem ideal, aos que não imaginam ninguém melhor para o momento de transição até os que querem uma carteirinha de dirigente.

Assumiu com a oportunidade de mudar o destino do clube, que estava muito mal. Uma situação difícil, mas é nessa hora que os grandes presidentes  crescem. E ele precisa crescer, porque a decadência do time só aumenta. A classificação para a segunda fase da Libertadores. E pensar que, caso ela venha com sofrimento, haverá uma melhora incrível e a ressurreição é uma quimera. Talvez só sirva para mascarar problemas.

Leco precisa pensar no Brasileiro. O primeiro passo é saber se continuará com Bauza.

Se continuar com Bauza, tem de fazer uma pergunta: o esquema continuará a ser esse 4-2-3-1?

Se for o 4-2-3-1, novas perguntas aparecem:

1) Ainda vale a pena apostar em Centurión?

Eu acho que não. Por isso, aí está a necessidade da PRIMEIRA contratação.

2) Quem será o homem pela esquerda?

Na minha opinião, Carlinhos não dá. E Michel Bastos quer sair. Temos então a SEGUNDA E A TERCEIRA contratações

3) Quem será o homem de meio da área?

Calleri vai embora. Allan Kardec está muito mal, sem mobilidade e potência. Aí está a necessidade da QUARTA E QUINTA contratações

4) Os volantes conseguem romper sua linha e quebrar a linha adversária? Conseguem chegar até Ganso? Hudson não consegue. Thiago Mendes caiu. João Schmidt está pedindo passagem. Evidentemente, é necessária a SEXTA contratação. Bauza pediu Ortigoza.

5) E os zagueiros? O único que tem jogado em bom nível e em forma constante é Maicon. Foi um grande erro Bauza tira-lo do time contra o Trujillanos. É necessário que ele fique no segundo semestre, ou o clube precisará da SÉTIMA contratação.

6) Bruno tem ímpeto, faz algumas boas jogadas de ataque na base da potência e do arrojo. Mas o que é bom no ataque é ruim na defesa. Bauza pediu Buffarini, que pode ser a OITAVA contratação.

Parece muito? É muito. Pouca gente tem dinheiro para isso. Mas esta é a missão de Leco. O que não pode é acontecer como no jogo contra o Trujillanos, quando Bauza fez substituições e colocou Kelvin, Caramelo e Rogério em campo.

Como achar esses oito jogadores? Procurando muito bem. O Brasil está aí. A América está aí. Não deve ser difícil achar um zagueiro tosco que tenha impulsão, força física e uma certa velocidade.

E a base? Faça um monitoramento urgente e veja já quem pode jogar o Brasileiro.

Tudo é para ontem.

Assuma, Leco.