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São Paulo é time de massa. Diretoria precisa respeitar a torcida
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Menon

O Campeonato Paulista de 1978 se estendeu até 1979. Nos dias 13  e 14 de junho, dois jogos decidiriam dois dos quatro semifinalistas. No dia 13, o São Paulo venceu o Botafogo por 2 x 0 e se classificou para enfrentar o Palmeiras. Corinthians e Guarani empataram e o time de Campinas se classificou. Nas semis, o São Paulo eliminou o Palmeiras e o Santos eliminou o Guarani. O Santos foi campeão em três jogos contra o São Paulo.

Quero chamar a atenção para um fato. Corinthians e Guarani jogaram no Morumbi, com 92.454 pagantes. São Paulo e Botafogo, no Pacaembu, com 49.258 pagantes. Ou seja, o São Paulo cedeu seu campo para o rival, por questões comerciais. O mesmo havia acontecido em 27 de março de 1977, quando o São Paulo perdeu por 3 x 0 para a Portuguesa, no Pacaembu, para 22.460 pagantes, enquanto o Corinthians, na estreia de Palhinha, perdeu pelo mesmo placar para o Guarani, no Morumbi, para 60.034 pagantes.

Velhos tempos, em que a torcida do São Paulo era a terceira do estado. Melhor ganhar dinheiro alugando o estádio para o Corinthians. O tempo passou. Nos anos 90, a torcida tricolor aumentou muito. E, com o legado dos títulos mundiais conquistados sob o comando de Telê Santana, mudou seu perfil. Passou a ser uma torcida de massa. Se era a terceira do estado, hoje é a terceira do Brasil. Está presente em todos os cantos do país, do estado e da cidade.

Capaz de levar 31 mil torcedores ao Morumbi em uma quinta-feira gelada, com o time na zona de rebaixamento. É uma torcida chata, corneteira, mas parceira. Capaz de dar a mão e de carregar o time no colo. E como ela é tratada? Muito mal. Contra o Atlético-GO, por exemplo, havia 20 mil ingressos vendidos antecipadamente. O jogo era as 19h30, um horário em que o trânsito é muito ruim. Por isso mesmo, os 10 mil que chegaram para comprar ingresso deveriam ter um tratamento especial. Mais bilheterias, pagamento em dinheiro, promoções, atendentes em quantidade, placas de sinalização, enfim, toda a facilidade possível para que a entrada no Morumbi fosse ainda com bola rolando. E teve gente que só conseguiu entrar no final do primeiro tempo.

O Morumbi e o Canindé são os únicos estádios da cidade que permitem um programa dos velhos tempos. O cara acorda tarde no domingo e chama um amigo para ir ver o jogo. Dá para comer alguma coisa e #partiuMorumbi. O torcedor do Palmeiras e também o do Corinthians não tem essa possibilidade. Os rivais do Tricolo têm programas de fidelidade que obrigam a uma luta incessante na internet para conseguir um ingresso. Caro. Os outros, já foram adquiridos pelos sócios torcedores.

O São Paulo precisa tratar melhor sua torcida. Como é um time de massa, precisa facilitar a vida daquele são-paulino pobre e desdentado que mora em Itaquera. Aquele que Carlos Miguel Aidar humilhou. E não é só Itaquera. Tem torcedor do São Paulo em toda a periferia. E que vai ao jogo, até porque o ingresso tem preço acessível. O preço é acessível, mas o ingresso, não.

A diretoria precisa tratar bem o seu torcedor, que é de massa. Estender um tapete vermelho, preto e branco para que eles se sintam em casa. Para que entrem logo e possam ver o o jogo todo. Assim, voltarão.


Álvaro Pereira ofende o São Paulo e cospe no prato em que comeu
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Menon

Dassler Marques, o repórter com olhar de Capitu, mostrou, sem nenhum excesso e sem nenhum adjetivo, um ato cafajeste e revoltante carradepaude um jogador de futebol. Mostrou como os atletas não respeitam os clubes. Mostrou alguém se rastejando por um emprego.

Trata-se de Alvaro Pereira, jogador de muita personalidade, capaz de voltar a campo mesmo enfrentando recomendação médica, capaz de tudo pela Celeste e pelo clube que paga o seu salário. Em baixa na seleção e ganhando a vida atualmente no Cerro Porteño, do Paraguai, após passagens apagadíssimas por Estudiantes de la Plata, na Argentina, e Getafe, na Espanha, ele tenta voltar ao Brasil. Lugano falou de seu nome no São Paulo. Não deu certo. O Palmeiras, para quem se ofereceu, após perder – injustamente – a vaga para Carlinhos no São Paulo, não se manifestou.

E ele voltou seu foco para o Corinthians. Mandou mensagens privadas aos funcionários do clube, pedindo que fizessem uma pressão na diretoria. Se ofereceu para ser zagueiro. Até aí, tudo bem. A vida está dura e cada um cava o que pode. O errado é Alvaro escrever que: “meu desejo é jogar no Timão, gostaria de jogar no time do povo, eu quero sair campeão e f…. os bambis”. Disse que havia falado com Andrés Sanches, que negou qualquer gesto em favor do uruguaio, por já ter Arana,Uendel e Moisés.

Alvaro negou que tivesse escrito algo contra o São Paulo. Falou que alguém poderia ter montado o texto. Difícil de acreditar.

O que transparece é um imenso desrespeito a um clube gigante do futebol mundial. Jogador precisa entender que ele, por mais gols que faça, por mais passes que de, por melhor que seja no desarme, por mais abraços que receba na rua, por mais que pessoas dêm seu nome aos filhos, eles não são mais, nada mais que o instrumento da paixão pelo clube. Só isso.

Nenhum torcedor do Barcelona ama Messi mais que o clube. O mesmo vale para Cristiano Ronaldo e Madri. O clube é amado. O jogador é transitório. O jogador é amado na proporção exata com que ama o clube.

Alvaro Pereira desrespeitou o clube que o acolheu. Deixou de ser amado pelos seus torcedores. E, caso vá para o Corinthians, chegará sob desconfiança. O torcedor sabe que ele beijou a camisa do São Paulo, que agora destrata. Sabe que fará o mesmo por onde andar. Falta de caráter é algo que não acaba de uma hora para outra.

picadinhomenon

FELIZ ANIVERSÁRIO – O Canindé, fruto da visão futurista de Oswaldo Teixeira Duarte, completa 45 anos. Um belo estádio, bem localizado e pronto para ser ampliado. Ainda é um ativo importante da Portuguesa, afundada em dívidas. É um monumento mostrando o que a comunidade lusa já fez. Pode ser um incentivo para que muito mais seja feito.

ALLIONE – O Sport não aceitou Allione como moeda de troca pelo lateral Samuel Xavier. Um exemplo de contratação errada. Allione, com 20 anos, chegou recomendado por Ricardo Gareca, que não esquentou lugar no Palmeiras. Foi embora e os jogadores que pediu perderam espaço. Dar tudo o que o treinador pede e mandar o treinador embora, ficando com o mico na não, e uma prática que precisa acabar. Clubes precisam ter parcimônia na hora de gastar o dinheiro.

CENI ENDEUSADO – A chegada de Rogério Ceni ao mundo dos treinadores foi cercada de muita expectativa. Mostrou ideias modernas, afinadas com o futebol atual. Trouxe auxiliares estrangeiros. Tudo muito bem, mas seria bom esperar pelos primeiros resultados antes do endeusamento atual. Ceni ainda não estreou. Tomara que dê certo, mas ainda não deu.

DEPRESSÃO É DOENÇA  – O atacante Thiago Ribeiro volta à Vila, após empréstimos ao Atlético-MG e Bahia, onde foi muito mal. Corajosamente, assume que passou por um período de depressão, que chegou a lhe tirar o desejo de viver. Que se recupere. Ter a coragem de assumir a doença é um grande passo. Quem enfrenta os preconceitos e assume a doença, fica mais perto da cura.

 


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