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Título do Corinthians não foi acaso
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Menon

Vou contar uma coisa para vocês. Já aviso que parece fantasiosa, coisa de curupira ou boitatá. Até fiquei em dúvida em dizer o que vou dizer. Pensei em buscar provas. Mas, com o risco de passar por mentiroso, de ter minha credibilidade em dúvida, mas vou dizer: houve um tempo em que os torcedores de futebol reconheciam o valor dos rivais. O campeão era respeitado. Havia mais amizade e o ódio não escorria nas redes sociais. Bem, não havia redes sociais. Talvez seja por isso: cara a cara, olho no olho, é mais difícil ofender, colocar na tela os seus mais baixos instintos, como disse o probo Jefferson. Talvez a civilidade fosse apenas fake news.

Tomara que não. Sempre é bom acreditar na viabilidade da espécie humana. Mesmo que seja no passado.

É difícil ver méritos no título corintiano? É difícil o corintiano aceitar uma crítica sem vir com a história do fax? Ou do anti? Tenho um amigo que fala em anti, mas que comprou uma camisa do River para torcer contra o São Paulo, no Morumbi. Decorou músicas em casa, chegou cedo, se misturou com a torcida, arranhou o portunhol, gritou umas bobagens e foi para casa com dois cocos na cuca.

Quem desconhece méritos corintianos, quem se aferra a erros de arbitragem, quem fecha os olhos, está cometendo um grande erro, como eu disse AQUI. Está condenado a cometer o mesmo erro da arrogância e a sofrer na fila.

Em conversa matinal com meu amigo, o engenheiro Pinduca, o sucessor de Elisa, falamos sobre o assunto.

A contratação de Clayson foi um grande acerto. Ele jogou muito bem na Ponte.

Gabriel, que eu considero uma mala e um jogador desrespeitoso com os rivais, foi outro acerto. O Palmeiras o liberou para gastar os tubos com Felipe Melo. Os dois são marqueteiros, mas Gabriel não tentou derrubar o treinador e, apesar da maldade que coloca em muitas jogadas, subiu na fase final do Brasileiro.

Jô não foi um acaso. Foi uma aposta em quem estava mal, mas que tinha muita identidade com a torcida. Aposta ou não, rendeu muito mais que Borja ou Lucas Pratto.

Pablo? Foi um grande acerto. Chegou, formou ótima dupla com Balbuena e o Corinthians tenta mantê-lo no elenco. Com que dinheiro? O dinheiro da venda de Arana. E aí está outro grande acerto. O Corinthians conseguiu manter Arana, mesmo com grande assédio e mesmo não tenho uma situação financeira estável. Comparem com o São Paulo.

Carille foi um grande acerto, o maior de todos, mesmo não tendo sido a primeira opção. Quando Rueda não pôde vir, manteve-se Carille. Certíssimo.

Erro?

Kazim, o marqueteiro perna de pau. Não joga nada e todo mundo sabia disso.

Então, é assim. É  muito mais fácil falar de Kazim, Drogba, Pottker e juiz do que de todos os acertos.

Muito mais fácil. E muito mais errado.


Escalar Danilo seria desespero
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Menon

Meu amigo Diego Salgado mostra no UOL que há um clamor corintiano pela escalação de Danilo contra o Palmeiras no domingo. Nada contra Danilo, que considero, juntamente com o goleiro Fábio, o maior injustiçado da seleção brasileira, mas o tal clamor só pode ser baseado no desespero de quem vê a gordura enorme de 17 pontos estar restrita a cinco, podendo chegar a dois. Uma dieta que ninguém esperava.

Danilo não joga há mais de um ano. Tem participado dos treinos há pouco tempo e que ritmo de jogo teria para um clássico assim? Para o clássico? Considero o empate bom para o Corinthians e, nesse aspecto, e só nesse, até posso entender a entrada de Danilo no final do jogo, para dar um ritmo mais lento, mais toque de bola e segurar o resultado diante de uma pressão palmeirense. Isso, é lógico, dependendo de suas reais condições físicas.

Acredito que o Palmeiras terá o domínio do jogo. Talvez não no início, mas depois sim. Porque precisa vencer, ao contrário do Corinthians. O contra-ataque será um manjar dos deuses para o Corinthians. Então, será necessário força e compactação na defesa e velocidade na transição. E Danilo? Não dá, né?

Danilo poderá ser útil nos jogos seguintes, se Jô for suspenso. Melhor dizendo, quando Jô for suspenso. Carille terá uma opção a mais ao tosco, futebolisticamente falando, Kazim. Pode ser Danilo tocando a bola e abrindo espaço para a chegada de Romero, Clayson ou de quem quer que Carille escale.

Por agora, o Corinthians não precisa de Danilo. Não pode se dar ao luxo de ter Danilo. Ele precisa recuperar qualidades táticas que viraram fumaça, como as linhas compactadas, como a excelência defensiva no jogo aéreo, como a chegada do volante de ruptura (Maycon esqueceu?), como o chute de fora da área de Rodriguinho…

São dois resultados que interessa muito. E um terceiro, que seria desastroso. Por isso, é hora de sonhar com o passado recente e não com o passado distante.


Corinthians é puro sangue, nada de cavalo paraguaio
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Menon

Faltam onze rodadas e a diferença do Corinthians para o Santos, segundo colocado, é de dez pontos. O vacilo no início do segundo turno ficou para trás e a diferença aumentou. O futebol não é o dos sonhos, mas é um título indiscutível, após um primeiro turno de sonhos. Quem disse que o Corinthians era um cavalo paraguaio, se viu diante de um puro sangue arrebatador. Vai ganhar o campeonato com vários corpos de distância.

Os outros eram donos de melhor elenco? E porque não conseguem fazer cócegas no líder, não aparecem no retrovisor? Se são melhores mesmo, é preciso buscar a causa da derrota. Sem avançar na questão tática – parece evidente que o sistema defensivo do Corinthians foi inigualável, com uma escalação para ficar na memória: Cássio, Fágner, Balbuena, Pablo e Arana – o que chama a atenção também é a força mental. Sempre que foi questionado, o time venceu. Foi assim contra o Grêmio, no Sul e o Palmeiras, também fora de casa.

Nesse aspecto, o Grêmio é o antípoda. Quantos jogos perdidos em casa, quantas chances jogadas pela janela!!!

O Corinthians será campeão. E não se sabe o que ocorrerá em seguida. Mas, se Carille for mantido e se o trabalho continuar sendo bem feito, o time já é um candidato fortíssimo ao título do ano que vem.

Afinal, cavalo paraguaio são os outros.

Como disse o amigo André Picoli Lenski, faltam cinco vitórias.

 

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Carille é o escudo contra o atropelamento do Palmeiras
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Engenheiro Pinduca, meu amigo corintiano até o último fio de cabelo, fiel de São Jorge, apesar da alma agnóstica, ao contrário da maioria, acredita que o Brasileiro-17 ainda trará muitas emoções. Ele acha que o Palmeiras vai atropelar na reta final – já está atropelando – e acredita que o Corinthians vai suar sangue para manter a vantagem atual.

Mas a diferença é de 11 pontos, eu disse.

Você já viu a diferença de possibilidade de substituições entre os dois times? O Corinthians tem duas: Camacho e Marquinhos Gabriel. Um ajuda a fechar o time que está ganhando e outro ajuda a abrir o time que está empatando ou perdendo. O resto é troca que não muda nada no jogo. O Palmeiras tem 200 alterações. Tem muito mais elenco. Eu acho que nosso banco de reservas com o Kazim, por exemplo, é o pior de todos do campeonato.

Ele está exagerando, eu acho. O Palmeiras vai melhorar e a diferença vai diminuir, mas o trabalho do Carille vai garantir. O trabalho dele é espetacular. O coletivo fez algumas individualidades aparecerem muito. Rodriguinho, por exemplo. Romero. Agora, eles caíram. E o time caiu junto. Mas o trabalho do treinador, o coletivo vai garantir o título.

Contra o São Paulo, por exemplo. O Corinthians foi dominado no começo. E era impressionante ver a coordenação entre as linhas, o posicionamento dos zagueiros, a sincronia entre todos. Fica a impressão que tudo continuaria bem, mesmo com outros jogadores.

O ano que vem é outra coisa. Mas esse Brasileiro, o Carille segura.


Corinthians-17 entra na história
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Menon

Três a um no Sport e o Corinthians continua sua marcha batida, imparável rumo à história. Não estará, por certo, no panteão dos grandes times do futebol brasileiro. Não estará junto com o Flamengo de Zico, o São Paulo de Telê, as Academias e o Corinthians de 98 a 2000. Muito menos do Santos de Pelé.

Não estará porque ninguém estará. Porque é impossível estar. Nenhum saudosismo na afirmação, apenas a constatação que é impossível fazer times de magia quando nossos magos aqui não estão. Os grandes jogadores brasileiros estão na Europa. As grandes revelações estão na Europa. Então, Pelé, Zito, Lima, Coutinho, Pepe e Dorval estariam na Europa. Raí, Muller, Palhinha e Cafu estariam na Europa. Edu, Leivinha, César e Nei estariam na Europa. Sem falar de Ademir, o Divino. Vampeta, Edílson, Marcelinho, Ricardinho e Rincón…

Alguns dos citados foram, mas não todos ao mesmo tempo e agora.

Então, por que o Corinthians de Carille estaria na história, se não tem um futebol que se compare ao dos grandes esquadrões ?

Simples. Por conseguir um rendimento efetivo maior do que aqueles grandes times. São 14 vitórias e cinco empates. Algo inacreditável e difícil de ser alcançado. Inclusive pelo Corinthians atual, que terá novamente um turno duro pela frente, terá novamente desafios a serem vencidos. Mas para quem venceu o Palmeiras e o Grêmio fora de casa…

Por fim, é preciso tomar cuidado com  a generalização. O Corinthians não é tão patinho feio assim. Tem feito ótimos jogos e produzido lindas jogadas. Os dois últimos gols de Rodriguinho. Jô tem sido um atacante letal, pela esquerda. Arana e Maicon vão tomar o avião em pouco tempo.

O Corinthians é um alento para a realidade de nosso futebol. É possível jogar bem, ser efetivo e com algumas cerejas no bolo. O patinho feio tem momentos de cisne. E, o que eu acho muito importante, o Corinthians é o fim da muleta para muita gente. Reclama de falta de tempo para treinar, reclama de juiz, reclama de gramado, reclama, reclama, reclama….Bem, se o Carille fez, faça também.


Ah, Corinthians….quero ver agora! Timão novamente na hora da verdade
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Menon

Em duas rodadas, cinco dias, o Corinthians perdeu 40% da vantagem que tinha sobre o vice-líder. No momento, ela é de seis pontos sobre o Gremio. E as quatro rodadas seguintes não serão fáceis para o Corinthians, que enfrentará Fluminense (f), Flamengo (c), Galo (f) e Sport (c). Hoje, o Galo, em 11º, é o pior deles. Mas, trocou treinador e tem elenco…

Muita gente vê a profecia de Renato Gaúcho consumada. O Corinthians vai cair mais que manga madura. Aliás, Renato Gaúcho disse uma obviedade. Até o cavalo de São Jorge sabia ser impossível um time, qualquer time, manter 90% de aproveitamento.

Sem dúvida, é um momento complicado para se manter a liderança, ainda folgada. Ainda mais com a perda de Jadson, por um mês.

Se o Corinthians superar essa hora da verdade, não será a primeira. Vejamos.

Ah, quero ver quando começar o Paulistão…

Ah, quero ver quando começar o mata mata do Paulistão…

Ah, quero ver pegar o Palmeiras…

Ah, quero ver começar o Brasileiro…

Ah, quero ver quando a tabela engrossar…

Ah, quero ver quando Rodriguinho, Fagner e Balbuena forem para a seleção…

Ah, quero ver quando pegar o Grêmio no Sul…

Ah, quero ver quando pegar o Palmeiras fora de casa…

O Corinthians passou por tudo. Venceu o Palmeiras dentro e fora. Venceu o Grêmio em Porto Alegre. Sem os selecionáveis, venceu três seguidas. Foi campeão paulista. Lidera, ainda com folga, o Brasileiro. É um time que superou seus limites. E os limites impostos por outros.

A luta continua.

Ainda há 69 pontos em jogo.

Acredito que Grêmio é forte concorrente. Santos e Flamengo têm menos chances. E só.

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O Monge Carille e o Mestre Cuca atrapalhado
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Menon

Cozinheiro atrapalhado

No dia 8 de maio, AQUI, eu escrevi que Palmeiras e Corinthians eram favoritos ao título, juntamente com Galo e Flamengo. Acertei dois e errei dois. Ou melhor, acertei os quatro. O desenrolar do campeonato é que mudou tudo. E não adianta os corintianos fazerem mimimi com a história de quarta força. Quantos deles acreditavam no título? Quantos acreditavam em Carille? Roberto de Andrade, certamente não, pois o trocou por Cristóvão e depois por Osvaldo. E ele só ficou porque não encontraram outro. Ainda bem. Para o Corinthians.

E por que o Palmeiras não confirmou a pecha de favorito e o Corinthians foi muito mais longe do que se esperava? Passa muito pelo trabalho dos dois treinadores. E das expectativas que eles traziam consigo. Carille, com sua voz de monge, muito humilde e assumindo que o desempenho fantástico e inigualável é uma surpresa até para ele, chegou sem muitas expectativas, em dezembro.

Assumiu e disse que montaria um bom time, a partir da defesa. Foi o que fez, bebendo na límpida água de Tite. E, no ataque, quem resolveria? Kazim e Jô eram incógnitas. O turco inglês, pelo seu currículo pobre. E Jô, pela pouca seriedade com que estava administrando a carreira. Kazim é mesmo um grosso e Jô ressurgiu, com requintes de crueldade. Um matador implacável.

O importante é notar que o time de Carille evoluiu coletivamente, tornou-se forte também no ataque e a evolução fez com que crescesse o nível de muitos jogadores. Cássio, Arana e Fagner, por exemplo. Hoje, é indiscutível que o time do Corinthians, individualmente falando, é melhor que o do Palmeiras.

E qual é mesmo o time do Palmeiras? Ninguém sabe. Nem Cuca, que chegou em maio, como Salvador. O homem que corrigiria todos os erros cometidos por Eduardo Baptista. Importante notar que o rendimento do técnico anterior é melhor que o de Cuca.

Cuca está preso a um esquema, o 4-2-3-1 e tenta encaixar os jogadores a ele. Como tem um elenco grande, perde-se nas opções. E, outra característica, busca desesperadamente repetir o Palmeiras de 2016. Mas, cadê o Gabriel Jesus que estava aqui? Não tem. Busca o Richarlison? Não vem. Busca o Diego Souza. Não vem? Busca o Deyverson. Veio. Vamos ver se o passado recente vem também.

E o que fazer com Borja? A contratação mais cara do ano, caiu em desgraça. Ele não se adapta ao tridente de Cuca, sempre com dois homens abertos no ataque. Eu acho que ele renderia mais se Guerra tivesse Veiga ao seu lado, na armação. Com mais passes, com mais troca de bola, talvez Borja não precisasse sair da área e tivesse, então, muito mais oportunidades.

E, se Cuca não acha o novo Gabriel Jesus (Vitinho merecia um chance?), onde está o novo Moisés. Tchê Tchê sente falta dele. Seu futebol caiu muito. Será Thiago Santos, pois Felipe Melo não consegue ter mobilidade vertical?

E os laterais? Fabiano, Jean, Egídio e Zé Roberto? Ou a improvisação de Michel Bastos? Ou linha de três, com Juninho? E Guedes na direita?

Mestre Cuca precisa mudar a receita. Ou, se a mantiver, precisa definir logo quais serão os ingredientes. O Palmeiras precisa vencer o Cruzeiro no Mineirão para seguir na Copa do Brasil. E precisa vencer o Barcelona fake, em casa, para enfrentar o Real Madrid verdadeiro no final do ano.

 


Corinthians e a certeza da vitória
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Menon

Quem determina os jogos que acompanho na televisão é a escala do UOL. Quando não é jogo do Corinthians, criei um reflexo pavloviano. Basta aparecer a tal bolinha na tela, anunciando gol na rodada, que, em seguida, aguardo o locutor dizer que é do Corinthians. E, rapidamente, vem a segunda sinapse no meu cérebro. É gol do Jô. Outras vezes, antes da tal bolinha aparecer, um grito vem lá da Duque de Caxias, invadindo a minha sala: “Vai, Corinthians”.

A constância corintiana criou essa certeza de que, a qualquer momento, o time resolverá a situação difícil. E virá o gol, majoritariamente da vitória, mas também do empate. O gol sempre vem. Raramente chega como resultado de um sufoco terrível, de uma pressão desorganizada, de um bombardeio digno da Luftwaffe sobre a Londres dos anos 40. O gol vem porque tem de vir, resultado de um jogo cadenciado e consistente.

O gol vem da ultrapassagem de Arana, vem de um cruzamento de Fagner (não na linha de fundo, mas parecido com os de Arce, em diagonal), vem da aproximação de Rodriguinho, da chegada de Maicon, da cabeçada de Balbuena. É um time com mais repertório do que de conclusões felizes. Mas que o gol sai, não tenha dúvida.

O Corinthians é uma versão do velho clichê: “o gol sai naturalmente”. Só não sai naturalmente contra o Corinthians. É um parto romper a fortaleza de Carille.

O solidário Corinthians é um trabalho que só merece elogios. É uma ode à união e ao esporte coletivo.

 


Corinthians é a quarta força no Brasileiro. E pode buscar novo título
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Menon

Eder Santos viu uma mãozinha de Aranha no gol de Romero

O Corinthians ganhou o título paulista surpreendendo a todos que o consideravam a quarta força do estado. Eu considerava a terceira, juntamente com o São Paulo. O time foi muito bem treinado por Fábio Carille, que montou um bom sistema defensivo e foi ganhando de todo mundo. Ganhou até do Palmeiras, com dez em campo. Não é o estilo de jogo que eu gosto, mas como eu não sou um iluminado, cheio de convicções, do tipo que só vê mérito em quem vence conforme o meus conceitos, aplaudo e muito o título. Aliás, torcedor não precisa ligar muito para jornalista, não. Pelo menos, para mim. Adoro futebol, sou bem informado, mas na fila do pão, não sou ninguém. Quem entende mesmo é o treinador.

No domingo, começa o Brasileiro. O Corinthians, a meu ver, é novamente a quarta força. Está atrás de Flamengo, Galo e Palmeiras. E não é a quarta força sozinho. Santos, Fluminense, Grêmio e São Paulo estão juntos, neste segundo bloco. Um pouco mais, um pouco menos. E o que significa isso, quando falamos de Corinthians? Que pode ser campeão brasileiro.

Vai ser mais difícil. O Brasileiro é por pontos corridos e é preciso ter um ataque mais efetivo. Mas o time está melhorando nesse aspecto, a partir de um posicionamento mais adiantado de Rodriguinho. É preciso ter um elenco que dê resposta quando titulares forem suspensos por contusão ou punição. Não vejo Kazim, por exemplo, como um jogador capaz de assumir a posição.

Mas há muitas qualidades: de Cássio a Arana há um bloco compacto e constante. Erram pouco. Maicon é muito bom. Rodriguinho está bem e Jadson é o destaque. E, além de tudo, há rivais que terão jogos muito duros pela Libertadores. E como treinador adora poupar jogador, serão prejudicados na luta pelo Brasileiro.

O Corinthians é candidato. Não é favorito, mas é difícil que fique fora dos seis primeiros. E pode ser campeao, sim senhor


Carille, Ceni, o feijão e o sonho
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Menon

Carille tem muito mais chances de chegar à final do Paulista, mas Ceni deve ir mais longe no Brasileiro. É a tese que aqui defenderei, usando até um livro da minha infância e também os argumentos de Pelado Lopes, corintiano até a alma.

Fábio Carille e Rogério Ceni são duas esperanças de renovação do futebol brasileiro, não, exagero, são duas esperanças de renovação dos treinadores brasileiros. Há outros. 2017 é pródigo em gente nova que está deixando veteranos na dramática fila do desemprego na Pindorama de Michel Temer: Zé Ricardo, Jair Ventura, Roger Machado, Eduardo Batista, Antonio Carlos, Mílton Cruz…

Todos assumem com o beneplácito da dúvida, com a torcida para que dê certo, afinal estamos muito atrasados no banco de reservas. Nossos professores são alunos quando comparados com os argentinos, por exemplo, brilhando na Europa.

Mas o que é dar certo, no fanatizado futebol brasileiro? Dar certo está muito ligado a resultado, os sonhadores que me perdoem. Ficar fora dos seis primeiros do Brasileiro é considerado fracasso para dez de onze concorrentes de Rio, São Paulo, Minas e Rio Grande do Sul. Não coloco o Vasco, porque Eurico Miranda, tão execrado, tem uma atitude mais pragmática neste sentido.

Então, domingo, estarão frente a frente Carille e Ceni. Um dos dois conseguirá o passaporte para a final do Paulista. É o que a torcida espera de um grande, é o “fracasso” aceitável. Mesmo a torcida são-paulina ficará um pouco insatisfeita com o desempenho do maior ídolo do clube, caso fique fora. E nem adianta lembrar que no ano passado, o time nem ficou entre os quatro primeiros.

Os dois tem apresentado trabalhos díspares, com conceitos bem diferentes. Ceni é mais ousado. Assumiu o São Paulo e resolveu correr riscos, montando um time para jogar sempre na frente, em busca de gols, pressionando o campo rival. Carille assumiu o Corinthians para evitar riscos, para a transformar a peneira deixada por Osvaldinho em uma defesa confiável.

Os conceitos são diferentes não apenas pelo modo de encarar o futebol de cada um. Carille sempre cita Tite como exemplo e Ceni já disse que considera Osorio um grande treinador. Mas não é só isso: Carille sabe que não tem um capital inicial de apoio da torcida minimamente comparável com o que tem Ceni. O treinador do São Paulo pode errar muito mais do que ele. E, por poder errar, pode ousar. A ousadia (ousadura?) é irmã do brilhantismo, mas também é prima do erro.

Ousadia x pragmatismo. Ataque x defesa. Posse de bola x transição. Desarmonia x e-qui-lí-brio. Feijão x sonho, lembrando o escritor Orígenes Lessa e a história de Campos Lara, professor preso na contradição entre ser escritor e poeta e cuidar bem da casa, da mulher Maria Rosa e dos três filhos. Poesia não da camisa a ninguém, dizia-se antigamente.

É enorme a possibilidade de Carille levar o Corinthians à final. O primeiro passo – passo de Thiago Splitter – foi dado ao vencer o primeiro jogo por 2 a 0 na casa do São Paulo. É a classificação que resta, após a eliminação na Copa do Brasil para o Inter. Uma classificação que ficou no caminho porque faltou um pouco de sonho e de ousadia. O Corinthians dominou o jogo, teve muitas chances, poderia ter feito 2 a 0 com dez minutos, mas depois se acomodou. Recuou e apostou no contra-ataque. Não pressionou. Mesmo assim, poderia ter feito mais gols. Levou um e aí está o problema.

É uma questão aritmética. Quem faz apenas um gol por jogo, está perto do empate. É uma segurança muito pequena. É difícil que dê certo eternamente. Fazendo um gol por jogo e tendo uma defesa forte, o time pode se classificar muito bem no Paulista, um campeonato cheio de times fracos. Pode avançar até o título, pois as fases finais são eliminatórias. Pode ser campeão, sem dúvida. E o Corinthians é candidatíssimo ao título. Mas, no Brasileiro, não vai longe. “Lutaremos para ficar entre os seis primeiros”, me diz o amigo Pelado Lopes, cujo sonho na vida é voar na máquina do tempo e estar debaixo daquele lampião com Miguel Battaglia e outros, em 1910. Aliás, só havia lampião na época. “Vamos fazer 19 jogos em casa e cada um vai ser um martírio para vencer”, diz, já com todas as viagens a Itaquera planejadas. Estará em todos os jogos, sabendo que poucos gols gritará.

A questão aritmética também assusta Ceni. Um time não pode ir muito longe se sofrer dois gols por jogo. É um sonho tão pernicioso quanto o feijão pragmático de Carille. E neste sentido, ele tem caminhado mais celeremente em busca de equilíbrio. Foram cinco gols nos últimos três jogos – 1,67 por jogo, já abaixo da terrível média – mas antes estava há cinco jogos sem sem sofrer gols. Ceni, contra o Cruzeiro, abriu mão da ideia de ter dois atacantes espetados e passou a ter mais gente no meio. O time tem melhorado. Do mesmo jeito que os corintianos podem lamentar tantos gols perdidos contra o Inter, os são-paulinos podem dizer que foram eliminados pelo Cruzeiro com um gol de cabeça de Pratto e um outro, de bunda, de Cueva. Seus dois melhores jogadores.

Ceni x Carille. Carille x Ceni. No domingo, o feijão tem grandes chances de desclassificar o sonho. No Brasileiro, o sonho tem mais chances de avançar. Mas ambos precisam ser ajudados pelas diretorias para que estejam na lista de quem brigará por titulo no Brasileiro.