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O que segura Osmar Loss? A loira do banheiro?
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Menon

Osmar Loss assumiu o Corinthians após a surpreendente saída de Fábio Carille, rumo à Arábia Saudita. O primeiro jogo foi uma derrota por 2 x 1 para o Internacional, em Porto Alegre. Poderia ser um empate, mas houve o erro fatal de Mantuan no último minuto do jogo. Até a parada para a Copa, foram seis jogos no Brasileiro: uma vitória, três derrotas e dois empates. Cinco pontos em 18 disputados. 27,8% de aproveitamento.

Muito ruim. Mas havia algo a pensar. Apesar de trabalhar há tempos no clube, em contato direto com Carille, não era o “seu time”. Não tinha tempo para treinar. Era difícil colocar em prática as suas ideias, sejam elas quais forem. Chegou, então, o período de trabalho. Ele trabalhou duro. Lógico. É um profissional sério e dedicado.

E o que se viu, após a Copa? Três vitórias, um empate e quatro derrotas. Dez pontos em 24 possíveis.  Aproveitamento de 41,7%.

Melhorou um pouco. Pouco demais. A média geral de Loss no Brasileiro é de 35,71%. Praticamente um ponto por jogo.

Com resultados tão ruins, o Corinthians está a sete pontos do sexto colocado, que o colocaria na Libertadores. E também a sete pontos da zona de rebaixamento, trazendo o pesadelo de 2007 de volta.

Deixemos os números de lado. O resultadismo. Vamos falar de desempenho.

O Corinthians está jogando bem?

Não está. Sob nenhum aspecto.

O sistema defensivo, sempre muito forte com Tite e Carille, está muito frágil. O jogo aéreo passou a ser um grande perigo. Contra o Fluminense, ficou claro. Lembremos do gol. Pedro ganhou de cabeça e ajeitou para Gum. Gum cabeceou. (Duas disputas pelo alto perdidas no mesmo lance). E ainda houve um outro gol de cabeça, anulado. Também com Gum. Ganhou no alto dos zagueiros corintianos. Só não valeu porque a cobrança de escanteio fez uma curva por fora do campo.

A proteção aos zagueiros piorou. O ataque, com centroavante ou sem centroavante  não funciona.

Loss escala bem?

Não. E seu grande erro foi não acreditar em Pedrinho. Demorou para dar oportunidade ao seu jogador mais talentoso. Alguém que conheceu na base. Uma dupla que funcionou muito bem. Outro erro é manter Pedro Henrique, que está jogando muito mal. Sua opção por não ter centroavante, com Romero como “falso nove” deu certo por pouco tempo.

Loss substituiu bem?

Não. O time não reage. Aquela sensação que existia com Carille – a qualquer hora, o Corinthians reage e vence – acabou. Agora, a sensação é outra. Se toma um gol, o jogo está perdido.

Existe algo que Loss ainda possa fazer?

Sem desmerecer o seu conhecimento e sua dedicação, não vejo como. Que coelho ele pode sacar da cartola?

Então, não há nada que diminua a “culpa” de Loss?

Sim. O time foi desmanchado e as contratações foram ruins. Balbuena, Pablo, Arana, Maycon, Rodriguinho e Jô saíram. Quem veio não está à altura. Roger, por exemplo? Quem contratou esse jogador. Roger fracassou no São Paulo. No Palmeiras. No Inter. Teve algum sucesso na Ponte e no Botafogo. Era claro que não daria certo. E ele foi contratado.

Então, o que mantém Osmar Loss no comando do Corinthians?

A lenda urbana. A loira do banheiro. Uma teoria que ganha ares de veracidade, apesar de não ser embasada na realidade.

Trocar treinador é ruim. Não é moderno. Na Europa não é assim. É preciso ter tempo de trabalho.

A teoria pega no Corinthians. Por que? Porque teve um grande exemplo no próprio clube. Tite levou o clube a um grande vexame internacional. Uma vergonha ser eliminado na Libertadores pelo Tolima. Andrés o manteve. E Tite mudou a história do clube, conquistando a Libertadores e o Mundial no ano seguinte. Então, o Corinthians é um campo propício para que a teoria floresça. Como dizia minha tia Cida, “assombração sabe para quem aparece”.

Há muitos e muitos exemplos de como a troca de treinador pode levar um time à reação. O São Paulo cresceu com Aguirre. O Palmeiras melhorou com Felipão. O Santos está se transformando com Cuca. E o Furacão, livre de Fernando Diniz, é outro time.

Mesmo Andrés sendo adepto da teoria da loira do banheiro, da manutenção de treinador a todo custo, Osmar Loss não resistirá a uma eliminação em casa para o Colo Colo.

E se ele se classificar?

Se a classificação vier, o Corinthians terá o Palmeiras pela frente na Libertadores. Como já tem o Flamengo pela frente na Copa do Brasil.

Fica a questão: vale a pena enfrentar essas duas paradas com Osmar Loss? Ou seria bom ter um novo treinador antes que elas ocorram?

Se Osmar Loss passar pelos dois testes, subirá de patamar.

Se perder, o Corinthians terá o semestre perdido e um Brasileiro muito duro pela frente. E duro para não cair. Não, para ser campeão.

Me parece que nesse jogo de “se ganhar é bom, se perder é ruim”, o Corinthians corre muito mais riscos que seu treinador.

 


Duas meias-verdades entre Corinthians e Carille
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Menon

Existem dois pontos mal esclarecidos na saída de Carille do Corinthians. O primeiro é quando se diz que ele foi em busca de independência financeira. Ora, ele é profissional, tem todo o direito de buscar um salário muito maior do que o que recebe atualmente. Cinco vezes maior.  Ele não deve nada ao Corinthians e o Corinthians não deve nada a ele. Foi pago em dia e trabalhou duro. Recebeu uma nova oferta e vai ganhar mais dinheiro. Ponto. Mas, não me falem em necessidade ou urgência de independência financeira.

Quem está no Corinthians há 18 meses, ganhando R$ 300 mil por mês já atingiu independência financeira faz tempo. Pode-se dizer que ele não ganhava o que merecia, que tem treinador ganhando o dobro e produzindo metade, tudo bem. Mas independência financeira, não. O que ele vai conseguir, com méritos, é a independência financeira de seus netos. São mais de R$ 30 milhões. Uma mega sena.

O segundo ponto é Osmar Loss. Considero muito natural que ele seja escolhido como sucessor. Está no clube há um tempo, trabalhou na base, foi vitorioso e tem toda a capacidade de manter o fio condutor que se estabeleceu no clube. Um estilo de treinador. Um estilo de jogo mais cauteloso, compacto, com defesa forte e sem correr riscos.

A discordância é que, com o elenco do Corinthians, o treinador é obrigado a optar por esse estilo. Como se o Corinthians fosse um coitadinho, cheio de pernas de pau. Como se pudesse jogar apenas dessa maneira. Ora, o elenco do Corinthians tem Cássio e Fagner, na seleção brasileira. Tem Rodriguinho, que poderia estar na seleção. Tem Maycon, que estará na seleção. Tem Jadson, que já esteve na seleção e que voltou a jogar bem. Tem Henrique, um zagueiro de bom nível e que já disputou Copa. Tem Balbuena, um zagueiro ainda melhor que Henrique. Tem Romero, que considero bom jogador.

O grupo está no topo do Brasil.

Se Andrés quisesse contratar um treinador com estilo diferente, mais ofensivo, poderia, sem dúvida. Poderia dar errado, mas a culpa não seria dos jogadores. Mas ele, acertadamente, resolveu manter o que está dando certo.


Corinthians perde o melhor técnico do Brasil
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Fábio Carille trocou o campeão brasileiro pelo campeão da segunda divisão da Arábia. Sabemos da força do petróleo, mas é triste ver como os cartolas brasileiros estão abaixo do nível de nosso futebol. Fossem mais organizados e menos jurássicos…

Feito o desabafo, me parece claro que a perda corintiana é enorme. Carille, em um ano e meio de trabalho, ganhou dois Paulistas e um Brasileiro. É transformou o Palmeiras em freguês.

Carille trabalhou duro e falou baixo. Recuperou Jô. Perdeu Jô, não recebeu ninguém e não ficou reclamando. Se virou e montou a dupla Rodriguinho e Jadson, sem centravante.

O time que mais gosto de ver jogar é o Grêmio, mas acho o trabalho de Carille melhor que o de Renato. Mais constante.

E agora? Tranquilo, é só colocar o Osmar Loss. Olha, esse é um raciocínio perigoso. O Corinthians tem um problemão pela frente. Perdeu seu condutor. O melhor técnico do Brasil.


O pai do Carille mentiu?
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“Ele falou que era uma boa proposta. Ele não me falou valores, mas que era uma proposta que poderia ser tratada como irrecusável” disse o pai do treinador do Corinthians em entrevista ao UOL Esporte, pouco depois de dar uma declaração com o mesmo teor à Rede Globo.”

O trecho acima é de uma entrevista do Sr Joaquim, pai de Fábio Carille, treinador do Corinthians, ao hipster repórter Diego Salgado, que faz otima dupla com Dassler Marques na cobertura diária do Corinthians.

Quem está mentindo, Fábio Carille?

Este tipo de acusação “grande parte da imprensa mente muito” só serve se o treinador der algum nome.

Sem falar nomes, é apenas insinuação. Deprecia mais Carille do que a imprensa.


Corinthians goleia e sofre dura derrota
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Foi um passeio corintiano. Goleada contra o Lara, que ainda sonha com a vaga, e garantiu a classificação ainda faltando uma rodada para a final.

Podem dizer que o Lara é fácil, afinal os corintianos disseram que o Boca é fácil, mas a verdade é que Independiente e Millonarios perderam lá.

O Corinthians, não. Fez sete, conta de mentiroso, porque teve chances concretas de fazer dez.

Jadson fez três. Ótimo para um jogador que está, com passos firmes, voltando a seu melhor momento. E dois de Junior Dutra, que pode até pensar em um reinício no clube.

Derrota? A provável saída de Carille, o melhor técnico do Brasil. Gosto mais do futebol do Grêmio, mas Carille está na história do clube. Três títulos em um ano e meio. Incomparável.


Carille errou com Pedrinho
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Menon

No  Brasil – não sei se no mundo todo – há uma supervalorização do treinador. Busca-se em suas atitudes as explicações para tudo no futebol. O jogo Palmeiras x Atlético-PR foi resumido a um embate entre Roger x Fernando Diniz. E todos, inclusive o treinador do Palmeiras, comentavam como é difícil vencer um time de Fernando Diniz. Mesmo que, nos três jogos anteriores o Furacão tivesse empatado com Bahia, Grêmio e São Paulo e, em seguida, perdido para o Newell´s Old Boys.

Os clubes passam a ser um apêndice do treinador. É um tal de São Paulo de Aguirre, Cruzeiro de Mano, Grêmio de Renato… Muito diferente de se dizer o Barcelona de Guardiola, esse sim, um trabalho extremamente autoral e que marcou época.

É quase um sacrilégio dizer que o treinador errou. E, oh verdade acaciana, eles erram sim. Como todo ser humano, eles erram. Como todos profissionais, eles erram. Mesmo sendo ótimos treinadores. Nem vou falar de Tite, onipresente. Nem dá para ir no cinema, o Tite aparece mais que os coadjuvantes dos filmes, em comerciais que reverberam suas frases de autoajuda, suas obviedades ditas no tom pastoral de sempre.

Vamos falar de Carille. Um ótimo treinador. O cara ganhou três título em um ano e meio. A cada rodada, dizia-se que o Corinthians iria fraquejar e lá estava o time surpreendendo. Ganhou o Paulista, o Brasileiro e o Paulista novamente. Perdeu Jô, seu principal jogador e só recebeu Roger um semestre depois. Não reclamou, deu seus pulos, encontrou soluções e foi campeão.

Mesmo assim, errou. Errou na avaliação de Pedrinho. O garoto, rápido e habilidoso, pedia passagem. E Carille garantia que ele não aguentaria mais que vinte minutos. Que era importante para entrar no segundo tempo e mudar o jogo. Mas, que garoto de 20 anos não aguenta mais que 20, 25 minutos? Ora, somente se tiver algum problema físico, alimentar, alguma doença do sono. Mas Carille batia o pé em sua tese. E muita gente correu a sustentá-la.

É a fisiologia, estúpido.

Tem muitos estudos, muitos dados, muitas análises e não dá para jogar mais que 20 minutos.

Olha, se desse para jogar mais que 20 minutos, o Carille saberia. Ou ele não escalaria o garoto por qual motivo?

Sei lá. Talvez pelo mesmo motivo que ele recomendou a contratação de Kazim.

Qual motivo?

Carille também pode errar.

E jornalista pode pensar de forma diferente do treinador.

Bem, o Corinthians vai mal e de repente…..tchan tchan tchan… Pedrinho já aguenta 70 minutos. Vai bem contra o Ceará. E vai melhor ainda contra o Vitória.

Ora, mas que milagre foi esse. A fisiologia foi trabalhando, os preparadores físicos puseram sua sapiência em ação e os estudos, as análises e os estudos de uma hora para outra, apresentaram uma inclinação incrível nos gráfios. A curva embicou para cima. E os 20 minutos se transformaram em 70, com tendência de alta.

Pode ser isso. Ou pode ser que Carille tenha feito uma avaliação errada. Como Oswaldo errou com Gabriel Jesus, como Dunga errou com Neymar, como Feola errou com Edu, como Menotti errou com Diego Armando. Um erro comum.

Um erro que não muda o grande trabalho de Carille.


Romero, o guerreiro que ocupa o vácuo dos craques
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Dr Ulysses Guimarães, um político que faz muita falta no Brasil de hoje, dizia que, em política, não há espaço vazio. Em qualquer espectro ideológico, se alguém perde poder, ele é ocupado por outra pessoa. Apenas como exemplo, sem querer polemizar: Jânio, Maluf e Bolsonaro. Vejamos que tomará o lugar de Aécio.

O futebol brasileiro perdeu seus craques. Não é um lamento, é apenas um fato. Todo garoto bom de bola vai logo para a Europa. David Neres, por exemplo, que saiu com 19 anos. Malcon, do Corinthians. Em décadas passadas, seria o melhor jogador do time. Mas já está há tempos na França.

Onde deveria estar Malcon, está Romero. O paraguaio ocupou o espaço, com um futebol baseado em esforço e comprometimento. Já tem 23 gols apenas em Itaquera, é o artilheiro da arena. Faz gols e também ajuda na marcação. Contra o Vitória, no jogo que valeu vaga nas quartas, chutou de direita, o goleiro Caíque rebateu e ele chutou de esquerda. Gol. Em seguida, subiu para cabecear e fez de ombro. Não interessa. Fez. Foi apenas o seu terceiro gol no ano, mas pergunte à torcida se está ou não contente com ele.

É um pouco frustrante perceber que um dos melhores times do Brasil (os títulos confirmam a tese) tenha, entre seus destaques um jogador paraguaio que nem é titular de sua seleção. Nos tempos em que os craques aqui estavam, era muito difícil um paraguaio jogar por aqui. A não ser que fosse titular da seleção. Como Arce, Gamarra e Rivarola. Tem o caso de Balbuena, que não é titular da seleção, mas aí é um erro inexplicável dos treinadores.

Romero não tem nada com isso. Ele não precisa saber do passado ou do futuro. Está aqui, no Brasil pentacampeão, jogando bola com dignidade e tendo respeito da torcida de um de nossos gigantes.

Seus dois gols deram tranquilidade para que Carille descansasse Jadson, Pedrinho e Maycon para os próximos jogos. No domingo, o clássico é contra o Palmeiras e Romero estará lá, importunando geral.

Romero, guerreiro.


Sheik é um garotinho. Pedrinho, um veterano
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Menon

O Corinthians sofreu uma blitz do Independiente no início do jogo. Levou dois gols. O segundo, infelicidade de Romero. Reagiu e, em rara jogada bem tramada, diminuiu.

O Independiente se fechou no segundo tempo. Carille voltou com Marquinhos Gabriel, o que não fez diferença. Então, aos 17 minutos, entrou o garoto Pedrinho.

Com 20 anos, mostrou maturidade e incendiou o jogo. Passou a ser a melhor arma de ataque. E sofreu muitas faltas.

Aos 32, entrou o veterano Sheik, 38 anos. E se comportou como um garoto irresponsável de várzea. Foi expulso no minuto seguinte.

Com um homem a mais, o Independiente dobrou a marcação sobre Pedrinho.

A irresponsabilidade de Sheik atrapalhou até o rendimento de Pedrinho. Absurdo.

Um dado a mais. O Corinthians fez 34 cruzamentos no jogo. Para quem tem centroavante, é muito. Para quem não tem, é um despropósito.

 


Corinthians é serial killer
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Menon

Durou pouco a festa do Paraná. Linda festa, com sinalizadores com as cores do clube, com estádio cheio, torcedores entusiasmados… Para mim, sinalizador desse tipo, que não causa mal a ninguém, é resistência contra a frieza que promotores tentam impor ao futebol brasileiro.

Após a festa, ilusão. O Paraná começou animado e pressionando o Corinthians. Jogava até melhor. Então, um torcedor que não pôde ir ao jogo, saiu da sala e foi atender um telefonema qualquer. Voltou e o time estava perdendo por 2 x o. Um belo gol coletivo, com Mateus Vital, Sidcley e ele, Rodriguinho. E um gol individual, com arrancada de Sidcley pela esquerda. Estava finito. O jogo havia terminado. O Paraná era mais uma vítima do Corinthians frio e calculista, que não tem medo de ninguém, que sabe sofrer, que tem moral e pensamento positivo para se recompor e vencer.

Uma pergunta: como o Vasco abriu mão de Vital? Alguém vai investigar uma venda tão estúpida assim?

Bem, um time campeão, com bom elenco enfrenta um time que se desmanchou após o acesso do ano passado e que tem jogadores ainda chegando…O que se pode esperar? Foi dois vira e quatro acaba.

O terceiro gol veio com lindo passe de Fagner, após troca de passes. Clayson matou. E, por fim, um toque de crueldade, com o chute de longe de Gabriel.

E lá vai o Corinthians. Dois jogos e duas vítimas. E esse determinismo, essa certeza de que a vitória virá a qualquer momento, faz com que muitas qualidades técnicas do Corinthians sejam esquecidas. Cássio. Fagner. Balbuena. Rodriguinho. Quem tem? Jogadas bem tramadas, triangulações, toque de bola, treinador sério, frieza…

O serial killer vai fazer muitas vítimas ainda.


Carille, o operário padrão
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Menon

Não imagino qual tenha sido a reação dos torcedores palmeirenses ao gol de Rodriguinho, aos 47 minutos do segundo tempo contra o São Paulo. O gol de cabeça do jogador de estatura média que propiciou a decisão por pênaltis que levou o time à final. A reação não foi unânime, é claro. Houve a turma blasé que não se importou, quem vier a gente traça, não tem ninguém que encare o Palmeiras. Os que vibraram, sentindo que a hora é de vingança contra um time combalido. E os que se preocuparam.

O desenrolar do campeonato mostrou quem estava certo. Seria muito melhor enfrentar o São Paulo. Não apenas pela fragilidade do Tricolor, não só pela presença recente de um novo treinador e sim pela letal efetividade corintiana, mesmo considerando resultados recentes, como as derrotas para o próprio São Paulo e para o Bragantino.

O Corinthians se transformou naquele time que se deve temer. Mais do que respeitar, é preciso temer. Porque ele vai além de suas forças e de suas possibilidades. Quando está bem, é difícil de enfrentar. Quando está mal, é mais difícil ainda. Não vou procurar números, vou me ater ao senso comum: o Corinthians tem decaído desde o final do primeiro turno do Campeonato Brasileiro. Futebolisticamente falando. E também  numericamente. Os resultados diminuíram, a solidez defensiva não é a mesma, o ataque também não, mas….é o Corinthians. Campeão a cada seis meses.

Essa força do time ou do clube não é questão da camisa. Seria fácil analisar assim. Dizer que a camisa pesa seria dizer que o resto não pesa. E, me desculpem a repetição, mas o peso grande aqui é Fábio Carille.

O trabalho do moço de Sertãozinho, como diria Fiori Gigliotti é impecável. Eu me lembro quando trabalhava no Agora, em 2008 ou 2009 e meu amigo Luis Django Rosa, companheiro de bancada, me disse que um amigo dele havia deixado o Barueri para trabalhar no Corinthians. Tinha futuro, o Fabinho, garantiu.

Tem futuro sim, é lógico. Mas já tem um presente. Campeão paulista, campeão brasileiro e campeão paulista em seguida. Três títulos em um ano e meio. E é impressionante como o trabalho é feito com consciência, com denodo sem brilharecos. Carille não recalma. Ele trabalha duro.

Em relação ao Brasileiro, perdeu Jô, o artilheiro do time e do campeonato. Talvez o maior jogador do ano. Perdeu Jô e não veio ninguém. A aposta era em Trellez, que não se concretizou. Então, Carille colocou Kazim, que não deu certo, é lógico. Deslocou Júnior Dutra para o meio. Não seu certo. Colocou Lucca. Não deu certo.  Sheik? Não deu certo. Apostou na dupla Rodriguinho e Jadson. E foi campeão. Ele sabe que precisa de um nove, já avisou Andrés e Duílio e enquanto não vem, vai com o que tem. Não transfere responsabilidade.

Perdeu Pablo e recebeu Henrique. Perdeu Arana e trouxe Juninho Capixaba. Um horror. A contusão possibilitou a vinda de Sidcley. Mateus Vital foi uma boa contratação. Ralf chegou e, parece, enfim colocará o maldoso Gabriel no banco.

Foram muitas saídas e reposições que não deram certo. Outras, sim. Todas passando por seu crivo. O que mostra que Carille não é infalível, muito pelo contrário. O que ele viu em Kazim? Mas, com erros e acertos, ele montou um time que voltou a ter bom poder defensivo, sofrendo apenas dois gols nos quatro jogos decisivos e levantando mais uma taça.

Carille trabalha sem frescura. Não esconde time, anuncia antes. Monta o Corinthians a partir da defesa. Não brilham, o time e ele. Não faz nada para aparecer e realmente se sentiu humilhado ao não receber cumprimento de Aguirre. Um mimimi que reflete o seu estilo de vida, nada programado. É uma pessoa cristalina. Faz bem ao futebol brasileiro.