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Proposta a Lugano é uma piada cruel de Leco e Ceni
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A respeito de Lugano, Ceni disse que:

Seria uma covardia colocá-lo para enfrentar Robinho, mano a mano

Seria uma covardia coloa-lo para enfrentar Neílton (sim, Neílton), mano a mano

Ele pode jogar apenas como o zagueiro central de uma linha de três, como o Maicon joga, mas estou contente com o futebol apresentado pelo Maicon

Se o Lugano não está jogando, outros 17 também não estão

A série de afirmações leva, seguindo um raciocínio lógico, à não renovação de contrato que termina em dias. Por que ficar com um jogador que atua pouco, em apenas uma situação de jogo e que é igual a outros 17 do elenco?

Ceni, entretanto, recorreu à muleta sobre a importância de Lugano para o elenco, como liderança e exemplo e disse que gostaria de contar com ele  por mais um semestre. Recomendou que o clube fizesse uma festa no final do ano em sua saída do São Paulo. Sabe aquele cara que trabalha 30 anos em uma empresa e, quando é demitido, ganha um relógio? E um pique pique?

A opção oferecida por Ceni é ofensiva. Ele não perguntou se Lugano quer continuar a carreira em outro clube, em outro país e logo foi tratando de aposentar o ídolo, depois de lhe dar um contrato de seis meses para ser exemplo de vida a garotos. Uma sobrevida.

A ideia de Ceni logo foi aceita por Leco. E, a dez dias do final de contrato, veio a oferta. Salários mantidos, mas sem direito de imagem. E no final do ano, a festa de despedida. Uma festa em que o São Paulo faturaria um bom dinheiro. Ficaria com 60% do lucro.

Ora, se Lugano ganha R$ 230 mil por mês, até o final do ano, o clube gastaria R$ 1,4 milhão com ele. Para conseguir esse valor, bastaria a festa de despedida produzir R$ 2,5 milhões de lucro. Não é difícil.

Resumindo: Ceni acha que Lugano não faz falta, mas aceita ficar com ele e promete uma festa no final do ano. O São Paulo aceita, mas a festa vai produzir o dinheiro que gastaria com Lugano.

Ou, seja: fica aí mais seis meses e continua ajudando a gente com sua personalidade, liderança e espírito de grupo, já que futebol não dá mais. E não vamos gastar nada mesmo. Quem sabe ainda lucramos um pouco?

É uma piada. Um acinte. Uma vergonha.

Fruto do quê?

Da falta de liderança. Da falta de coragem. Da falta do olho no olho.

São Paulo e Ceni têm todo o direito de achar que Lugano não dá mais. Não foi um bom investimento. Não será um bom investimento. Todo o direito. Muita gente concorda com isso. Muitos dos que discordam, não se baseiam no rendimento apresentado pelo uruguaio, mas sim em seu passado. Se Lugano tivesse marcado oito gols contra e cometido 24 pênaltis, ainda assim exigiriam a sua presença no clube.

O que não pode é não ter coragem de dizer isso ao jogador. Chamar de lado e dizer que os caminhos precisam se separar, que ele não está nos planos. Qualquer chefe de RH de empresa chinfrim faz isso com funcionários. O São Paulo e Ceni preferem subterfúgios indignos do clube e das histórias de Lugano e de Ceni no São Paulo.

Um treinador jovem que não tem coragem de dizer isso ao seu comandado está começando mal.

Um presidente veterano que não tem coragem de dizer isso ao seu comandado, está terminando muito mal.

PS – Se Lugano não pode enfrentar Neílton, como pôde enfrentar Denílson, do Avaí? Lembremos que Denílson veio para o São Paulo em lugar de Neílton, mandado para o Vitória. A verdade é que Lugano foi utilizado aquele dia porque era preciso vencer, era preciso mostrar coragem e personalidade. Tomara que tenha sido o último jogo do capitão. Seria um fim de carreira muito mais digno do que uma festa para dar dinheiro ao clube.

 


Abel, o veterano passional, contra Zé Ricardo, o jovem pragmático
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Juntos, Flamengo e Fluminense, fizeram 14 jogos no Brasileiro até agora. Conseguiram apenas cinco vitórias e sofreram quatro derrotas. Empataram cinco vezes. O Flu ganhou mais (3 a 2) e perdeu mais (3 a 1). O Flamengo empatou mais (4 a 1). O maior número de vitórias deixa o Fluminense na 10ª posição, uma na frente do rival. Os dois tem apenas dez pontos ganhos em 21 possíveis. O Fluminense perdeu os dois últimos jogos, período em que o Flamengo conseguiu uma vitória e empatou uma partida.

Enfim, os números que antecedem o clássico não são bons. O que não tem a menor importância quando se trata de um Fla Flu no Maracanã. Com torcida dividida. É o futebol em sua essência, enfrentando os coveiros da PM e do MP e mais o Coronel Marinho, que fazem de tudo para transformar o futebol em algo insosso, em um jogo de curling, em uma ópera dinamarquesa com o tenor gripado.

Há muita coisa boa a se ver em um Fa Flu. E neste Fla Flu também. Uma delas é o duelo entre Abel Braga e Zé Ricardo. No início do ano houve uma troca de guarda no futebol brasileiro. Apareceram treinadores jovens, com todo o respaldo de torcedores e jornalistas. Havia uma expectativa muito grande com os “sete magníficos”: Zé Ricardo, Jair Ventura, Roger Machado, Fábio Carille, Rogério Ceni, Eduardo Baptista e Antonio Carlos Zago. Os dois últimos perderam o emprego no Internacional e no Palmeiras, respectivamente. E entre os veteranos, Abel Braga era o mais aceito. Sua presença não tinha 1% da rejeição que teria a contratação de Luxemburgo ou Oswaldo, por exemplo.

Interessante no duelo é que o lado emocional está muito mais presente no veterano do que no novato. Abel é uma pessoa muito emotiva. Após a derrota contra o Grêmio, em casa, ele foi de uma sinceridade juvenil. Nunca vi aquilo. Estamos com apenas sete rodadas e Abelão falou coisas como: “eu sou tricolor…não desisto nunca. em 2011, cheguei e perdi seis jogos seguidos, aí vencemos um e reagimos. ficamos em terceiro e montamos uma base para o ano seguinte, quando ganhamos o carioca e o brasileiro. quando vim, já sabia da questão financeira do clube”…

Me pareceu que ele, em um rasgo de sinceridade, abriu mão de lutar pelo título em 2017. Algo que ele pode fazer por ser o Abel no Fluminense. Por ter um respeito adquirido em muitos anos. E por dirigir um clube com pouco dinheiro para investir e que tem de brigar para manter Richarlison, sua renovação, que não demonstra, ao contrário de Abel, amor e fidelidade ao Fluminense.

Do outro lado, Zé Ricardo. Jovem e dirigindo um clube com alto poder de investimento. Ele está começando a usar Conca e ainda terá, em pouco tempo, Everton Ribeiro e Rhodolfo. E, muito provavelmente, Geuvânio. E, se tantos reforços estão chegando, é prova que o elenco tem falhas. Falhas com nome, como Rafael Vaz, por exemplo. E, mesmo assim, mesmo com falhas, mesmo como bom campeonato feito no ano passado, Zé Ricardo correu riscos. Poderia ter caído. Um dos motivos é o excessivo apego a alguns jogadores. Desvencilhou-se do abraço de afogados com Muralha, mas manteve Márcio Araújo. Durante todo o período de incertezas, Zé Ricardo manteve-se aparentemente calmo e fiel a seus princípios.

Um veterano passional dirigindo um clube com pouco dinheiro e um elenco cheio de revelações. Um jovem pragmático comandando um clube com muito dinheiro e cheio de craques e com a maior revelação brasileira desde Neymar. É um duelo bacana de um clássico que nunca decepciona.


São Paulo fechou a casinha. E perdeu a chave
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O desempenho defensivo do São Paulo no Brasileiro é digno de elogios. O time que, no início do ano, sofria dois gols por jogo, levou apenas cinco em sete partidas. Passou quatro dos sete embates em branco, sem ser vazado. E os números seriam ainda melhores, não fosse a partida contra o Corinthians, totalmente fora da curva. Um 3 a 2 que não combina com a efetividade defensiva do time de Ceni.

E, infelizmente, para os tricolores, não combina também com o poderio (?) ofensivo.

Sim, ao mudar seu estilo (suas idéias, também?), Ceni não conseguiu manter a força do ataque. Ou, pelo menos, parte dela. O antigo (há poucos meses) ataque do São Paulo se resume agora a oito gols marcados em sete jogos. É uma mudança muito radical. O time, que chegou a ter um placar médio de 3 x 2 por jogo, hoje tem 1,14 a 0,7.

A mesma palavra explica a intenção de Ceni e a dificuldade para que se encontre um time equilibrado. Transição. A mudança de um time ofensivo e desequilibrado para outro, pragmático e eficiente, deu errado por causa da…transição. Falo da transição da defesa para o ataque.

Ela piorou muito quando Cueva se machucou, em um jogo do Peru. Talvez a recuperação tenha sido precipitada, não sei, mas a verdade é que o peruano perdeu ousadia, velocidade e eficiência.

E quem poderia substituir Cueva? Maicosuel, que jogou apenas 45 minutos? Shaylon, que Ceni ainda considera verde? Lucas Fernandes, que está voltando a ter chances agora? Thomaz?

E quais as outras opções? Pelos lados do campo? Luiz Araújo saiu. Wellington Nem se contundiu e está voltando agora. Morato só joga no ano que vem. Leo Natel jogou dez minutos. E Marcinho? Como os laterais estavam machucados ou atuando mal, Marcinho foi deslocado para a ala. Tem a liberdade para atacar, mas, contra o Corinthians, por exemplo, foi obrigado a ficar recuado no início do jogo porque Arana e Romero tomaram a iniciativa. E ele precisou apenas marcar. E ainda não tem todos os macetes da posição. Falhou no gol do próprio Romero e no gol de Lucca, da Ponte. Com ajuda prestimosa de Lucão. Sobra então Júnior Tavares, que está indo bem, mas não está indo muito bem;

Há uma terceira opção: os volantes. Dominar a bola em seu campo e levá-la ao campo rival. Juntar-se aos meias, buscar os atacantes, chutar de fora. Pode ser Thiago Mendes. Pode ser Cícero. Os dois chutam bem, mas o rendimento não tem sido tão bom a ponto de suprir as necessidades. Mendes rendeu mais que Cícero.

O que pode mudar?

Militão, que ainda dá os primeiros passos como profissional? Promissores passos, mas os primeiros.

 

Wesley, Buffarini, Bruno ou Araruna se firmarem na lateral e liberarem Marcinho para o ataque? Além disso, seria recomendável que melhorassem o nível de cruzamentos.

Pratto mais recuado e Gilberto na área?

Não são ideias novas. Ceni já tentou várias delas. Uma coisa ou outra pode dar certo, mas nada é algo que possa surpreender, que cause frisson, que traga expectativas. A melhor opção, sem dúvida, seria uma melhora de Cueva.

O primeiro grande desafio de Ceni foi trancar a defesa. Ele conseguiu, com méritos. Montou um cadeado. Agora, precisa achar a chave que possibilite um time mais aberto e que faça gols necessários para que o time consiga, por exemplo, 60 pontos no campeonato. Mais do que isso, é muito difícil.


Ceni e Borja não são micos, apesar das injustas cornetas
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Mané, não se engane pelo nome, é verde. Coração verde, assim como Guilherme. Passional tem coração gigante. Vermelho, como de todos nós. E mais branco e preto. São-paulino sempre.

Estive com os três ontem. Mané e Guilherme, com as cornetas apontadas para Colômbia e Camarões. Para Miguel Angel Borja, o matador que anda com pólvora molhada em sua pistola. O homem que ainda não fez nenhuma pintura para o Palmeiras. Pensando bem, não é seu estilo. Borja, como Ábila é de meter a bola para dentro. Quem quiser obra de arte que vá à Capela Sistina.

Percebi que, se Mané e Guilherme, representarem o pensamento médio da torcida palmeirense, a paciência com o colombiano já se fue. Criticavam a falta de gols, a falta de domínio, o preço caro que foi pago pela Leila…. Bem, já vi palmeirense criticando até a cor do cadarço.

Mais tarde, encontrei o Passional. Entre um prato de mac and cheese, uma coxinha de camarão, prato de sopa de abóbora, chocolate opereta e uma coca zero (para manter o corpinho), cornetou Rogério Ceni: “o São Paulo parece pai pobre que tem vergonha de dizer não e se endivida para dar tudo que o filho mimado pede. Rogério Ceni quis ser técnico, pediu para o papai e ganhou o São Paulo de presente”.

Borja e Ceni são micos?

Não acho, não. É início de trabalho como ponto comum entre eles.

E há também um motivo diferente para cada um.

No caso de Borja, as expectativas criadas após sua ascensão espetacular no mercado da América do Sul, quando, inscrito na fase final da Libertadores, após a saída de Copete, levou o Atlético Nacional ao título da Libertadores. Some-se a isso, o fato dos valores pagos: 10,5 milhões de dólares (aproximadamente 35 milhões de reais), além de salários de 100 mil dólares (aproximadamente 350 mil por mês) e luvas de R$ 1 milhão.

No caso de Ceni, a expectativa é por um salvador. O São Paulo não ganha nada desde 2012 – e estava em jejum desde 2008 – e cada treinador chega com a missão de ser campeão. Não há paciência com ninguém. E Ceni escolheu o caminho mais difícil, mais ousado. Montou um time para ter posse de bola, para jogar no campo rival, para encantar o Brasil e o mundo. Rogério é assim. Não deu certo e voltou atrás. E a adaptação tem sido dura. E prejudicada por venda de jogadores. Contra o Corinthians, por exemplo. Luiz Araújo poderia complicar a vida do improvisado Paulo Roberto. Análise insuspeita do corintianíssimo Pelado Lopes.

Borja não é mico. Na opinião do palmeirense Binho Xadrez, amigo paulista que se mudou para São Luis para revisar Marimbondos de Fogo, de José Sarnei e por lá ficou, o esquema o atrapalha. Pouca jogada pelo meio e tudo pelos lados do campo. E Borja, que não é Jesus, o Gabriel, sofre com a falta de passes. Para o Turco Tote, de Santos, tudo é uma questão de tempo. O Palmeiras será campeão mundial. Ele já comprou ingressos até para o sogro, o Lalô.

Ceni não é mico. Ceni é uma pessoa ligada ao futebol. Tem uma carreira fantástica como jogador, é estudioso e inteligente. Poderia ficar quieto, deitado nos louros do que já fez, mas teve a coragem que faltou a Zico e a Raí, por exemplo. Aceitou ser treinador e ver toda a idolatria que conquistou, em risco. Aceitou o risco de, mesmo continuando a ser um Mito, ser chamado de burro.

Borja e Ceni são acertos, a meu ver. Mas os resultados precisam aparecer logo.


Fogo amigo ajuda a derrotar o São Paulo
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Cueva era o principal jogador do São Paulo. Teve uma contusão e voltou mal. O elenco não tem um substituto à altura. Thomaz é fraco. Shaylon e Lucas Fernandes ainda não confirmaram o potencial. Situação dramática, não? E fica pior com um erro grotesco. Cueva foi tratado com um spray que contém componente proibido. Se jogasse, poderia ser pego no exame antidoping. E quem passou o spray? Alguém do departamento médico.

É um tipo de erro inaceitável em um time profissional. Muito pior no caso do São Paulo, que tem um elenco curto. E a ausência do peruano, que, repito, não vinha bem, prejudicou o São Paulo.

O jogo contra a Ponte foi equilibrado no primeiro tempo. Gilson Kleina colocou o lateral Nino Paraíba como volante, formando uma dupla com o lateral Jefferson. Uma opção para brecar Luiz Araújo. O São Paulo passou a atacar pela direita, com Marcinho. Teve boas chances, mas a Ponte logo equilibrou o jogo.

No segundo tempo, Kleina recuou Nino Paraíba para a lateral e colocou Sheik. Haveria espaços para Luiz Araújo jogar, mas a Ponte logo marcou o seu gol. Jogada iniciada com Nino Paraíba e terminada com Lucca, que se aproveitou de um erro de marcação de Lucão e Marcinho.

Rogério Ceni fez boas substituições para reagir. Sacou Thomaz e colocou Gilberto. Depois, trocou Lucão por Bruno. O time ficou praticamente em um 4-2-4, com Marcinho, Pratto, Gilberto e Luiz Araújo. Trocou ainda Marcinho pelo estreante Leo Natel. Kleina reagiu povoando o meio campo. Tirou Lins e apostou em contra-ataques com Sheik e Lucca. Controlou o jogo e venceu com justiça.

O São Paulo se movimenta para trazer Maicossuel como substituto de Luiz Araújo. Precisa de mais. João Schmidt, Chávez e Lugano estão saindo. E o Lille deve fazer nova carga por Thiago Mendes. E falta um bom reserva para Cueva, principalmente quando o spray o tirar de jogo.


Ceni acertou mais que Cuca. Bem mais
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Quando vi a escalação do São Paulo, com Marcinho na ala e Lucão como zagueiro pela direita, imediatamente procurei os onze do Palmeiras. Minha dúvida era se Roger Guedes ou Keno jogaria na esquerda, para cima do ala e depois encarando a cobertura do zagueiro mais contestado pela torcida.

Não estava nenhum deles. E, com o andar do jogo, foi possível ver que Felipe Melo era zagueiro. E, então, o que esperava ver no Palmeiras, vi no São Paulo. O mano a mano não foi de Guedes, Bastos ou Keno contra Marcinho. Era Luiz Araújo contra Mina.

O Palmeiras ficou muito mais com a bola, mas trocando muito passes no meio da área, sem profundidade.

E as apostas de Ceni começaram a prevalecer. Marcinho fez uma partida muito boa, taticamente perfeita. Tudo o que Neílton nunca entendeu. E Lucão também fez ótimo jogo.

Então, o imponderável apareceu. Prass falhou feio no gol de Pratto (lindo passe de Marcinho). Jean cobrou o pênalti e acertou um repórter. E, no final, Prass falhou de novo.

São três lances que dão ao torcedor palmeirense o direito do “se”… Mas quem se apegar a isso, tirará o mérito de Ceni, que armou um time defensivo e com saída forte pelos lados do campo. O time tem um gol sofrido em três jogo. Algo inimaginável há pouco tempo.

Tags : ceni cuca


Tite age como Papa e confronta Rogério Ceni
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Quando uma pessoa se torna unanimidade nacional e deixa de sofrer contestação sobre suas atitudes, começa a se achar infalível, começa a acreditar que sua palavra é Lei a ser seguida pelos pobres mortais. Só esse tipo de entendimento pode justificar as trapalhadas de Tite no caso Rodrigo Caio/Rogério Ceni.

O treinador ficou muito irritado com o que considerou intromissão de Tite no caso fairplay e reagiu ironicamente dizendo “talvez ele e Rodrigo Caio sejam pessoas melhores do que eu”.

Pessoa e não treinador. Tite é muito melhor que Ceni, como técnico. Tite tem 20 anos de carreira. Ceni tem 30 jogos. Tite está no auge, Ceni está no início.

Então, não estou falando aqui das qualidade de cada um como treinador. Não entra em discussão.

O ponto que explano aqui é a quantidade de trapalhadas de Tite no caso.

 Levar a conduta de Rodrigo Caio em consideração para sua chamada para os amistosos 

Realmente, não te sentido fazer isso. Não é um time de coroinhas, não é um time de escoteiros. Se conduta vale, por que chamar Fagner? Por que chamar Neymar, que não tem um comportamento correto em campo quando perde e nem quando ganha? E, se fairplay é importante, Tite vai exigir que os outros convocados tenham comportamento igual ao de Rodrigo Caio na seleção?

Anunciar que levou em conta a conduta de Rodrigo Caio para convocá-lo

Pior do que convocar pela conduta (em parte), é anunciar isso. Ele deixou claro que não é só isso, mas que também é isso. Ora, ao fazer esse comentário, ele joga Rodrigo Caio aos leões. Passa a se conhecido como o cara que está lá porque tem fairplay. Como os outros não têm, então fica reforçado o estereótipo de jogador bonzinho, diferenciado etc. Jogador de condomínio, como disse um dirigente do São Paulo. Além disso, todo mundo que tiver fairplay agora vai se achar com direito de ter uma chance.

Anunciar sua opinião sobre o caso após Ceni haver se colocado contra Rodrigo Caio

Eu acho que Rodrigo Caio estava certo. Sem nenhum talvez. Rogério Ceni acha que Rodrigo Caio estava errado. Então, eu acho que Ceni está errado. Mas eu não sou técnico da seleção. Tite, ao se colocar ao lado de Rodrigo Caio em uma questão ética, está dizendo, sem falar, que Rogério Ceni está contra a ética. Além disso, ele se coloca como interlocutor em um caso do São Paulo e não da seleção

Tite não é Papa

A Igreja é uma entidade verticalizada. Cabe ao Papa dar a orientação aos bispos e padres de como adaptar os ensinamentos ao mundo moderno. Ele pune quem não aceita orientações. O Futebol não é Igreja. Ao se colocar ao lado de um jogador contra um treinador, em uma questão interna do clube, Tite deseja o quê? Dar orientação a todos. Todo mundo tem que ter fairplay? Vejamos na seleção a partir de agora.

E por falar em ética…

Eu fico imaginando se Luxemburgo fosse o treinador e vibrasse com um gol do Flamengo (seu time) contra o Vasco, se contratasse uma filha como auxiliar e se ganhasse um beijo no rosto de Marco Polo del Nero…

O que virá agora?

Espero ansiosamente opiniões de Tite sobre a forma ética como o futebol brasileiro é dirigido. E espero que todos os escalados tenham atitudes como as de Rodrigo Caio.


Cuca e Ceni dão choque de realidade em quem não joga bola
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A Prancheta Voadora e o Rachão Violento. Podia ser o nome de algum livro adolescente, mas é o que se destacou na cobertura de São Paulo e Palmeiras nos últimos dias. Fofoca? Não. É bastidor e deve ser noticiado. Feito isso, é interessante ver o que os fatos significam exatamente nos clubes.

O fato de Rogério Ceni, irritado com o segundo gol do Corinthians, arremessar uma prancheta no chão é indicativo do quê? Jogadores estavam irritados com ele? Querem a sua queda? Ceni perdeu o controle e comando do grupo? A prancheta atirada no vestiário é um reflexo fiel da crise do São Paulo. Olho, que o fato ocorreu no intervalo do primeiro jogo da primeira das três eliminações. Foi pré crise.

E o fato de Omar Feitosa e Felipe Melo discutiram por conta de uma rachão? Foi necessária a intervenção de Cuca. O que temos aqui? Melo é desagregador? Feitosa, que brigou com Ceni no São Paulo, é pessoa que não trabalha em grupo? E o empurrão de Feitosa em Thiago Santos, no intervalo do jogo contra a Ponte? E as brigas de Melo com Roger Guedes? Os desentendimentos mostram que o Palmeiras está em ebulição? É preciso cortar o mal pela raiz para que a campanha na Libertadores não seja afetada?

O importante, em todos os casos, é ver os desdobramentos. Porque, técnico jogar prancheta, técnico ofender jogador, é coisa normal. Não deveria ser, mas é. Briga em rachão, também é. Os campeonatos de rachão eram (não sei como é agora) extremamente disputados. Os times eram os mesmos, havia enfrentamento toda sexta-feira, cada um contava o número de vitórias e o pau quebrava muitas vezes. Tão disputado como um jogo.

São coisas difíceis de entender. Futebol é um mundo diferente. Eu não conseguiria trabalhar em um ambiente em que meu chefe dá uma bronca em todo mundo, ofende uns e outros e joga alguma coisa no chão. Mas, eu não sou jogador. Uma coisa ridícula, na minha opinião, é preleção. Se alguém falasse aquelas chorumelas para mim, não conseguiria prestar atenção. Bate no peito, subam essa escada que as pessoas estão esperando (juntei o discurso de Zé Roberto e de Ceni e me parece filme de gladiador), aquela reza em altíssimo som, viagem a Aparecida, promessa, parente chegando em véspera de jogo, vídeo motivacional… Tudo isso eu acho uma patacoada só. E não critico, não desvalorizo, não digo que é errado. É apenas coisa de outro mundo, não do meu. E tenho obrigação de aceitar.

Prancheta voadora e Rachão Violento fazem parte do mundo do futebol. Surpreendem apenas dois tipos de pessoas: os que não sabem que futebol é assim e os que acham que futebol não deveria ser assim. E querem muda-lo. Prefiro desfrutar.


A prancheta voadora de Rogério não tem culpa. Problema é muito maior
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Vocês acreditam mesmo que Rogério Ceni, com tantos anos de futebol, com todo o preparo que tem, ficaria tão nervoso no intervalo de um jogo a ponto de jogar uma prancheta ou outro objeto no chão, após um acesso de raiva?

Eu acredito.

E o Cuca?

Também acredito.

Carille? Dorival? Estevam Soares?

Sim. Sim. Sim.

Luxemburgo? Zé Ricardo? Abel?

Acredito?

Papa Francisco? Dalai Lama?

Sem nenhuma dúvida.

É do jogo. Pertence ao futebol.

É um mundo diferente, com seus próprios códigos? Será tão diferente assim? Vejo pranchetas e ipads voando em reuniões de pauta, no Ministério (qualquer um) reunido.

A prancheta voadora, na verdade um outro objeto, um confirmada por Jucilei e Cícero é apenas um reflexo da atual crise técnica do São Paulo. Epa, mas o caso foi no intervalo do 2 a 0 contra o Corinthians, antes da crise. Pode até marcar o início da decadência, mas não existia ainda a crise atual.

O que não existe, acredito, por total desequilíbrio de forças é um racha no elenco, com Cícero de um lado e Ceni do outro. O team Cícero seria massacrado.

O fato existiu. Não é fofoca. É bastidor e deve ser divulgado.

O resto é ilação. Teria o caso da prancheta causado ou influenciado a queda técnica que se seguiu?

Não acredito porque ela é grande demais. Não há prancheta voadora que a justifique. Tem causas muito mais graves e que devem ser analisadas pelo São Paulo e por Ceni. E logo, caso contrário, não haverá prancheta, computador ou programa científico algum que faça o time melhorar rapidamente.


Ceni não merece tanto ódio
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Rogério Ceni, como todo profissional do futebol, merece uma análise isenta sobre seu trabalho. Dos jornalistas, dos torcedores e dele mesmo. E não é,  principalmente pelos torcedores, o que ocorre. Idolatria e ódio estão presentes no dedo que aponta para Ceni. Um pouco de frieza faria muito bem.

Comecemos pelo próprio ator principal da tragédia/comédia. Como disse muito bem o Mauro Cezar Pereira, como a transição dele de goleiro para treinador foi muito rápida, Rogério ainda pensa com a cabeça de um especialista. Como goleiro, foi grande. Como técnico, tem muito a aprender. E ele, como eu disse AQUI precisa sair da bolha que criou, deixar de achar que é dono absoluto da verdade.

O trabalho de Ceni começou de forma muito promissora. Um time ofensivo, fazendo muitos gols, com marcação no campo adversário, com triangulações pelos lados, com disposição física para tomar a bola no lado rival e com muita posse de bola. Depois da derrota para o Palmeiras, começou a buscar um equilíbrio que nunca veio. Perdeu a magia ofensiva, diminuiu o número de gols feitos e marcados e passou a ser um time comum. E a derrocada veio com três eliminações em três semanas.

Reagiu muito mal. Não viu erros no São Paulo e nem acerto nos rivais. Arrogância ou falta de entendimento do que estava acontecendo?

O momento é ruim, mas é hora de observação. O que será feito nas próximas rodadas, dez talvez, definirá o futuro do São Paulo na competição. Vamos esperar para ver se ele reage. O que não pode é determinar já que Rogério Ceni não deu certo, que o São Paulo vai cair etc.

Esse tipo de análise apocalíptica vem de duas vertentes.

Os são-paulinos, que viam nele o Salvador. Como não foi, ou ainda não foi, passou a ser considerado por muitos o Anticristo. Tudo está errado. Tudo?

Os torcedores rivais.

Os corintianos, por não aceitarem o centésimo gol. Tem gente séria que fica contando quantos gols o Timão fez no Ceni, como uma forma de compensação. Não deu como goleiro, começaram a somar os gols sofridos como técnico. Talvez contem quando ele for, talvez, dirigente como Raí.

Os palmeirenses, por conta de uma rivalidade com Marcos. Rivalidade que nunca chegou aos dois grandes goleiros. Marcos foi muito melhor na seleção, sendo o melhor goleiro da Copa de 2002. Jogou mais que Kahn. Ceni foi muito melhor no Mundial de Clubes, quando salvou o time em 2005. Marcos falhou feio em 1999.

O ódio a Ceni é tão grande que muita gente tenta desqualifica-lo como goleiro. Dizem que só sabia bater faltas. Nem dá para discutir uma coisa assim. Ele é acusado pela saída de Lúcio, que nem deveria ter vindo. Pela saída de Ricardinho, o que é mentira. Ricardinho me disse que a culpa de sua saída foi de Simplício e de Gustavo Nery.

Tudo em Ceni provoca paixões exacerbadas. O próprio fato de ter coragem de se preparar e encarar a barra de ser treinador no clube que defendeu a vida toda. Lembram de Zico, que nunca quis assumir o Flamengo. Ora, coragem passou a ser defeito?

Por tudo o que fez no futebol, Ceni merece uma análise isenta e realista. Aliás, mesmo se não tivesse feito nada, mereceria também. Todo mundo merece.

 

Tags : ceni marcos