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Zagallo, o melhor de todos, merece a homenagem de Tite
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Menon

No mesmo dia, a seleção brasileira, recebeu a visita de um dos dois maiores vencedores da história do futebol brasileiro (o outro é um tal de Pelé) e de dois cartolas insignificantes, o coronel Nunes (quem?) e Rogério Caboclo (quem?) futuro presidente da CBF, ambos intimamente ligados ao banido Marco Polo.

Mas vamos falar da visita boa. Mario Jorge Lobo Zagallo, bicampeão mundial como jogador em 1958 e 1962, campeão como técnico em 1970 e auxiliar em 94, vice campeão mundial em 1998, novamente como treinador. Aos 86 anos, foi, com certeza, um dos últimos dias felizes de sua vida. Até o próximo convite. Porque Zagallo vive a seleção, vive da seleção, vive para a seleção. Pela “amarelinha”, faz tudo. É sua vida. Um amor, uma ligação, que remetem a tempos antigos, quando havia orgulho  em torcer pelo “scratch”.

Zagallo sempre foi contestado. E sempre foi vitorioso. Como jogador, era muito ridicularizado pelos jornalistas de São Paulo, quando a rivalidade com o Rio era imenso. Quando as pessoas ainda se importavam com o número de jogadores que cada estado cederia à seleção. Em São Paulo, era impossível imaginar sua convocação, ele seria apenas o terceiro homem, atrás de Canhoteiro e de Pepe.

Canhoteiro era considerado o Garrincha da esquerda. Maranhense, era um malabarista com a bola nos pés. Seus dribles, pelo São Paulo, eram temidos pelos adversários. Pepe jogava no Santos. Ponta-esquerda com chute potente, o “Canhão da Vila”, é o segundo artilheiro da história do clube, com 405 gols. “Sou o primeiro e não o segundo, porque Pelé é um ET. Ele não conta”, diz sempre.

Em 1958, o treinador da seleção era Vicente Feola, que dirigia Canhoteiro no São Paulo. O chefe da delegação era Paulo Machado de Carvalho, ligado ao São Paulo. E Canhoteiro foi cortado. E Zagallo foi o titular. Feola, que havia trabalhado com o húngaro Bella Guttmann no São Paulo, trocou o WM pelo 4-2-4 na seleção. Um 4-2-4 que virava 4-3-3 porque o ponta era Zagallo, que voltava ao meio para ajudar Didi. E cobrir as avançadas de Nilton Santos, um lateral à frente de seu tempo. Foi assim o trabalho de Zagallo em 58 e 62, quando o treinador era Aymoré Moreira. Fez um gol em cada Copa.

Em 1970, seu trabalho também foi diminuído. Muitos dizem que ele recebeu uma seleção pronta de Saldanha, afastado por ser comunista e por denunciar a tortura no Brasil em entrevistas no Exterior. E também por ter resultados ruins, após a brilhante participação nas eliminatórias, quando o Brasil venceu os seis jogos, contra Colômbia, Venezuela e Paraguai, com 23 gols a favor e apenas dois contra.

Saldanha foi demitido após uma vitória sobre a Argentina, por 2 x 1, em março de 1970. Zagallo assumiu e foi campeão mundial em 21 de junho.

A seleção de Saldanha, que se classificou com 1 x 0 sobre o Paraguai, tinha Felix, Carlos Alberto, Djalma Dias, Joel Camargo e Rildo, Piazza e Gérson; Jair, Tostão, Pelé e Edu.

A de Zagallo, que ganhou a Copa dez meses depois tinha Feliz, Carlos Alberto, Brito, Piazza e Everaldo, Clodoaldo e Gérson, Jair, Tostão, Pelé e Rivellino.

Deu força ao meio campo com Clodoaldo e ao meio-campo, com Rivellino. Piazza foi para a zaga porque Sebastião Leonidas, seu favorito, se contundiu.

O time de Saldanha poderia ser campeão? Sim, mas dizer que Zagallo nada fez e pegou o trem andando é uma bobagem.

Zagallo não é perfeito. Ninguém é. Em 1974, foi surpreendido por Rinus Mitchel e sua Holanda. O futebol revolucionário recebeu de Zagallo o apelido de “tico tico no fubá”. Depois, esclareceu que era uma forma de incentivar seus jogadores. E o Brasil poderia ter vencido se Paulo César Caju não errasse como errou, quando ainda estava 0 x 0.

Ele fez coisa feia também. Eu vi uma. Em 1993, o velho Barbosa, a quem todos culpavam pela derrota de 1950 (é fácil culpar Barbosa e Bigode, os dois negros) foi até a Granja Comary para atender a um trabalho publicitário. Ganharia um cachê (não me lembro de quem) para uma foto e algumas palavras com Taffarel.

Parreira não deixou. Para ele, seria uma carga emocional muito forte para o goleiro de uma seleção que não ganhava a Copa há 24 anos e que ainda buscava a classificação. Taffarel nem soube da visita. Zagallo recebeu e despistou Barbosa. O treinador, que no dia da derrota para o Uruguai, em 1950 – aquela que marcou para sempre a vida de Barbosa – estava no Maracanã, como soldado do Tiro de Guerra, trabalhando na segurança do estádio, bateu papo, trocou lembranças, sorriu, acenou, mas Barbosa se foi sem foto e o cachê.

Em 1998, Zagallo se rendeu à vontade de Ronaldo e o escalou, mesmo após uma convulsão durante a madrugada, para a final contra a França. Hoje, muitos jogadores contam que o Fenômeno não deveria ter entrado e que eles jogaram preocupados com a saúde dos companheiros. Mas, como culpar Zagallo? Alguém tiraria Messi ou Cristiano Ronaldo de uma final.

É possível que alguns jogadores que receberam Zagallo não tenham ouvido falar dele. Com certeza, não têm noção de sua importância para o futebol brasileiro. O  homem que foi vencedor contra a desconfiança de todos e que fez do amor pela amarelinha a sua marca.

 

 


Renato precisa aprender com Fortaleza, Avaí e Porto. Não é só futebol
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No mesmo sábado em que Renato Gaúcho, irritado com um empate no Gre-Nal, resolveu humilhar o Inter, houve demonstrações de afeto e respeito em jogos do Fortaleza, Avaí e Porto. Voltando a Renato, ele disse que o Inter joga como time pequeno, como time de segunda divisão e que, por isso, apesar do massacre gremista, não houve gols. Ora, muito parecido com o Grêmio de Renato contra o Real Madrid de Cristiano Ronaldo, não é? Cada um joga de acordo com suas possibilidades e objetivos e, pensando assim, o Inter de Odair Hellmann foi mais efetivo que o Grêmio de Renato Gaúcho.

Mas, vamos falar de coisas boas. Emotivas.

O Fortaleza vencia o Goiás por 2 x 0. Dois gols de cabeça, mostrando a força da bola aérea do time dirigido por Ceni. Aos 29 minutos, Osvaldo 31 anos, foi substituído pelo estreante Marlon. Saiu muito aplaudido, sentou-se no banco de reservas e caiu no choro. Dez anos depois, ele se despedia novamente do time que o revelou. No final do ano, tinha acertado um pré-contrato com um time da Tailândia. Antes disso, fez 12 jogos e dois gols pelo Fortaleza. E, ao ser aplaudido por 32 mil pessoas, desabou emocionalmente. Com certeza, quer ficar, mas o Fortaleza não tem como pagar 1 milhão de dólares pela multa.

Final de jogo, vitória por 3 x 0, Osvaldo voltou a campo. Foi jogado ao ar pelos companheiros e, de “cavalinho” e Gustavo, o Gustagol, deu uma meia volta olímpica, aplaudindo a torcida e sendo aplaudido por ela. Depois, mais choro. Em um futebol cada vez mais frio e profissional, é bonito ver a emoção em uma despedida simples e espontânea.

Bem mais ao Sul, horas antes, Marquinhos, aos 36 anos, entrou em campo na vitória por 1 x 0 do Avaí sobre o Figueirense. Foi uma homenagem do treinador Geninho ao maior ídolo da história do clube, com 93 gols marcados. Marquinhos vai encerrar a carreira ao final do ano e no seu currículo consta mais uma vitória sobre o grande rival. Na casa dele. Não interessa se foram apenas três minutos, o fato de estar em campo, foi uma alegria, para os avaianos, tão grande quanto a própria vitória.

E, em Portugal, a emoção foi em dose dupla. No campeonato português, um jogador só pode ser considerado campeão se participou de alguma partida. Não adianta ter ficado todos os jogos no banco, ter participado de todos os treinamentos, nada disso. Nada disso. Não jogou, não ganha medalha. E nem pode escrever no currículo.

Bem, com o título garantido, o treinado Sérgio Conceição deixou Iker Casillas de fora do último jogo, contra o Vitória de Guimarães. Jogou o brasileiro Vaná, por 80 minutos. E foi substituído por Fabiano, que passou os últimos quatro meses recuperando-se de uma contusão. Assim, Vaná, revelado pelo Coritiba, e Fabiano “Modragón”, um dos muitos goleiros que não conseguiu romper a “barreira” Rogério Ceni no São Paulo, podem dizer, com orgulho justificado que são campeões portugueses.

Não é só futebol, Renato.


História, Cristiano Ronaldo e o juiz
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Algumas pessoas conseguem um lugar na história através de traição, como Michel Temer. Seria esquecido, tragado por suas mesóclise, mas virou presidente ao conspirar contra Dilma. No futuro, será lembrado como aquele que virou vampiro na Sapucaí. É a vingança da História.

Ela se vinga de quem força a entrada.

E ajuda os que trabalham duro, os que se dedicam e os que têm dom. Dá uma mãozinha. Foi assim com Cristiano Ronaldo. Através de um juiz que certamente será esquecido, arrumou um pênalti aos 48 do segundo tempo.

E Cristiano cobrou lindamente. No alto, indefensável. Mais uma semi. Mais um passo na História com agá maiúsculo.

A História não gosta de juízes, principalmente os de camisa preta, fala fina e com falta de imparcialidade.


Gabigol tenta escapar do abismo que criou com seus pés e com seu ego
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CRISTIANO ACONSELHA GABIGOLAngenor de Oliveira nasceu “errado” até na hora do batismo. Pobe e preto em um país desigual e racista, o menino que era pra se chamar Agenor e ser, sei lá, um flanelinha, transformou-se um poeta dos maiores. Poeta popular. Tinha o apelido de Cartola e compôs maravilhas. Uma delas é A vida é um moinho, que reproduzo abaixo.

Ainda é cedo, amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar
Preste atenção, querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és
Ouça-me bem, amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinho
Vai reduzir as ilusões a pó
Preste atenção, querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavaste com os teus pés
E criou-se, no meu cérebro, uma dessas sinapses malucas, sem pé nem cabeça. O samba do gênio Cartola poderia servir para Gabriel Barbosa, o Gabigol, o garoto que se acha(va?) gênio.
“Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora da partida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és
O mundo é um moinho
Vai reduzir as ilusões a pó
Quando notares estás a beira do abismo
abismo que cavaste com teus pés.

Puro Gabigol. Saiu do Brasil sem ter estrutura emocional. E nem futebol suficiente para justificar tanta marra. Na Itália e em Portugal, foi caindo. As ilusões foram realmente trituradas. Estava à beira de um abismo que cavou com a cabeça mais do que com os pés. Mais especificamente, com a falta de cabeça e com o ego infladíssimo.Não sei a musa de Cartola teve outra chance. Gabigol está tendo, na velha casa. De volta ao Santos, já fez dois gols. Está em casa. E joga novamente um clássico. Torço muito por sua recuperação. Ele bem que poderia se mirar em Cristiano Ronaldo, que também tem um grande ego, mas que se esforça, a cada dia, como grande profissional, a construir uma carreira que justifique sua elevada autoestima. Gabriel, ao contrário, achou que era bom e que o mundo deveria reconhecer tamanho talento.

A vida não é assim. A vida é um moinho.


Neymar, mimado, pode ser o melhor do mundo?
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A rádio “El Larguero” deu a notícia e os jornais AS e Sport repercutiram: Florentino Perez, presidente do Real Madrid, estaria disposto a tudo para contratar Neymar na próxima janela. E “tudo” significa incluir Cristiano Ronaldo no negócio, como parte do negócio. Sim, daria CR7, que tem monopolizado prêmios de melhor do mundo e mais dinheiro por Neymar.

Poderia ser um impulso para que a previsão de Xavi, grande destaque do Barça há alguns anos, pudesse se concretizar. Ele disse que após a aposentadoria de Messi e Cristiano Ronaldo, haveria um período de três ou quatro anos com Neymar dominando o mundo do futebol.

Concordo com a previsão, mas vejo Neymar sofrendo concorrência dura de jogadores em ascensão, como Mbappé. Não há no horizonte nenhum jogador que seja entronizado como o melhor, sem concorrência. Como Pelé, como Maradona….

O que poderia facilitar a vida de Neymar é ter uma atitude mais profissional em campo. Melhorar o seu jeito de encarar as constantes vitórias e parcas derrotas. É difícil porque nunca lhe ensinaram isso. O empresário Wagner Ribeiro e o pai, Neymar, sempre o trataram como alguém especial, destinado a brilhar, a ser o maior de todos. E, se a realidade ainda não confirmou a previsão, azar da realidade.

Cada zagueiro, cada volante, cada juiz é considerado alguém como um intruso, alguém disposto a fazer com que a previsão não se concretize. Um bandido a impedir a estrada do heroi. Neymar tem sempre um sorriso irônico para o zagueiro. Sempre tem um ar de superioridade com o árbitro que não aceitou sua versão sobre a queda. Difícil acabar com a fama de piscineiro.

Quando a situação fica mais difícil, Neymar apela. Em outubro de 2016, empurrou um zagueiro Vezo, do Granda, na escada que levava os dois times aos vestiários, em jogo na Espanha. Faz por mal? Logico, afinal sabe o risco que ocasionaria uma queda. E por que faz? Porque não aceita ser desrespeitado por um inferior.

Para ser o melhor do mundo, Neymar tem duas opções. A primeira é esperar a aposentadoria de Messi e de Cristiano e esperar o trono cair no seu colo. Há o perigo, pequeno na minha opinião, de ser atropelado por algum novo jogador. A segunda opção é supera-los antes da aposentadoria ou antes da queda física. Para isso, é necessário se espelhar em Messi e Cristiano Ronaldo, que possuem uma postura mais profissional em campo. Eles sabem que jogadores inferiores têm o direito de estar em campo e que estão em campo para impedir que seu enorme talento prevaleça. São obstáculos a serem suplantados, não seres desprezíveis que nem deveriam estar ali. Ou que, já que estão, que se limitem a aplaudir.

Talvez, na infância, os pequenos Lionel, Cristiano e Neymar, tivessem, diante de uma vitrine com muitos brinquedos, a mesma reação. Bater o pé e exigir que os pais lhes dessem o presente. No futebo, Cristiano e Lionel já superaram essa fase. Neymar precisa fazer o mesmo urgentemente.


Meus pedidos para 2018
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Primeiramente, um grande ano para vocês. Eu não tenho esperança, mas continuo na luta.

Meus pedidos são contraditórios e não têm ordem de preferência.

Que Gabriel Jesus se recupere da contusão de hoje, contra o Palace. O moleque é do bem e merece estar no Mundial.

Que o Brasil seja campeão do mundo. O glorioso futebol brasileiro merece provar que está acima da cleptocracia que o comanda há décadas e décadas.

Que a Argentina seja campeã do mundo. Lionel Messi merece por tudo o que respresenta no futebol mundial.

Que o Uruguai seja campeão do mundo. Porque futebol não é só técnica, também é coração e os uruguaios são os nossos gauleses, sem a poção mágica.

Que Portugal seja eliminado logo. Não gosto da seleção portuguesa desde 1966, quando Jaime e Hilário quase decapitaram Pelé.

Que todos percebam o privilégio que é conviver, futebolisticamente falando, com Cristiano Ronaldo e Messi.

Que Guardiola continue espraiando ideias e conceitos pelo mundo.

Que os treinadores brasileiros deixem de ser hoje a velha novidade de anteontem. Que sejam ousados e busquem ideias novas. E, principalmente, como diz meu amigo Nelson Nunes, que façam seus clubes chutarem a gol.

Que Marco Polo del Nero não volte jamais, mesmo que seus sucessores sejam nulidades como Reinaldo Carneiro de Bastos.

Que o Coronel Marinho volte a comandar o trânsito.

Que os árbitros brasileiros deixem o espírito de PM de lado e que sejam menos arrogantes com os jogadores.

Que os jogadores deixem de ser espertos e malandros. Parem com essa história de cair e cair, fingindo como um artista de circo. Aliás, esse ano, tivemos gandula, árbitro e jogador simulando tapa na cara. Palhaçada.

Que nosso Brasileiro tenha mais jovens. Não seja mais o cemitério de craques, retornando ao país, depois de uma digna carreira na Europa ou na China.

Que o Brasil dê um cavalo de pau em sua célere caminhada rumo à Idade Média. E que as eleições mostrem de uma vez por todas que os doentes que confundem arte com pornografia, que ameaçam queimar uma filósofa estrangeira, chegando a ameaça-la no aeroporto, são apenas 15%. São pinschers covardes e barulhentos. E que nossa caravana continuará passando, apesar de seus latidos. Nosso país é enorme e merece ser mais solidário e moderno.

E que vocês, homens e mulheres, beijem e transem com os homens e mulheres que quiserem.

E que eu viva feliz ao lado da Marcia Gattai, amor da minha vida.


Fred é loucura, loucura, loucura no país do escambo
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O garoto estava conformado com o presente de Natal em época de crise. Apesar de novo, sabe que a situação do país é de crise econômica, lembra que o papai foi protestar nas ruas, com a certeza de tempos melhores e que agora já vendeu até aquela camisa amarela da seleção brasileira, que vestia para ofender aquela mulher. Como nada melhorou, o garoto olhava para a árvore e via…nada. Mas tinha a promessa de um carrinho de madeira.

E, na véspera, a árvore ganha um novo habitante. Um pacote enorme, todo estrelado. Nada de carrinho de madeira. O que chega para o garoto é um avião ultra moderno, com luzes brilhantes. Controle remoto, capaz de fazer inveja ao drone do Grêmio. O garoto vibra com a novidade, que, na verdade não é tão novidade assim. Já esteve por ali em outros Natais, quando era um avião mais jovem e mais cumpridor. Mas, para quem esperava Fernandão, Fred é Cristiano Ronaldo.

A torcida está feliz. Até acredita quando Fred diz que está feliz por “voltar para casa”. Bem, nem todos acreditam. Alguns dão um sorriso condescendente e pensam “me engana que eu gosto”. Se até a Mulher Moranguinho volta para o Naldo, por que o Fred não pode voltar para o Cruzeiro?

Mas, vale a pena? Fred, aos 34 anos, ganhou um contrato de mais três. Pouca gente consegue tal regalia. Vai ganhar 500 pilas mensais (valor razoável dentro do mercado) e aí começa o delírio. Luvas de 3 milhões. Bônus por produtividade. E o Cruzeiro ainda pagará 10 milhões ao Galo, por conta de uma cláusula restritiva.

Totalmente fora da curva do que estamos vendo no mercado. Os clubes estão praticando escambo, ninguém quer gastar muito. O que mais se vê é um tal de três por um. A possível saída de Scarpa envolve nomes como Hyorun, Roger Guedes, Bruno, Buffarini, Fabiano, o Corinthians oferece Moisés, Douglas e Marlone por Juninho Capixaba, outros nomes por Trellez, o Santos pode aceitar Hudson por Victor Ferraz.

São imensas probabilidades. Tem muito nome voando e pouco dinheiro saindo da carteira.

O Cruzeiro foi na contra-mão. Estará certo?


CR7 precisa comer muito tremoço para ser Pelé
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O passado é um porto seguro. Pelo menos, as lembranças que temos dele. Memória seletiva. A primeira namorada (ou namorado) era fantástica. E continua sendo. Nem interessa se, no facebook, a pessoa se tornou uma jihadista do Bolso.

A tendência para achar que todo o passado é perfeito se espraia pelo futebol. Todo time tinha um dez melhor que Zidane. Tudo era melhor, hoje não se joga futebol etc.

E por que cargas d’água, de uma década para outra, não haveria mais jogadores bons? Alguma maldição alienígena? Alguma deformação genética?

Nada. Hoje, vivemos o duelo de dois grandes jogadores. Aquele que pode estar, com méritos, entre os dez mais da História, está levando vantagem sobre o outro, que mercê estar entre os cinco.

Vamos aproveitar, sem ficar no pântano passadista.

Mas há o outro lado também. Nada do que foi, presta. A OTD é mais que o Brasil bicampeã. Mbappe é mais que Garrincha. Cruyff, bem, Cruyff é europeu. Com ele, não se mexe.

Há dois argumentos principais. O primeiro é relacionado à parte fìsica. Hoje, se corre muito mais e não há espaços. Então, os de antigamente, não conseguiriam andar.

Ora, não estamos falando do DeLorean de Marty McFly. Temos de imaginar aqueles craques com o preparo físico de hoje. Aquele Pelé, de 70, que parou no ar, contra a Itália, subiria ainda mais hoje. Jairzinho seria um tanque mais forte, mais rápido e mais legal.

O segundo argumento é que Pelé não jogou na Europa. Mas levou o Santos a dois títulos mundiais. Imaginemos então se Messi tivesse feito sua carreira no Rosário. Ou Cristiano no Sporting.

Então, sem nenhum pé no passado e realmente extasiado com o duelo Messi e CR7, eu digo que o português, que joga muito, tem de comer muito tremoço para ser como Pelé.

Mesmo porque no tempo de Pelé, que nunca foi para a Europa, não havia duelo.

Ele era o Rei.

 


Mundial precisa acabar, apesar da bravura do Grêmio
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Menon

O Mundial de clubes, neste formato, não tem mais a menor razão técnica para continuar existindo. A diferença entre seleções transnacionais e clubes quase sempre endividados é constrangedora.

Como assim, se o jogo foi apenas 1 x 0?

Como assim, se o gol veio em uma falha da barreira gremista?

Como assim, e se o Grêmio não errasse na barreira e se o Grêmio acertasse um contra-ataque…?

Pois é. O que resta para um grande time como o Grêmio, para um time que pratica o jogo bonito, com triangulações, com bom passes, é isto. Apostar na solidez defensiva e em uma bola bandida. Foi assim com o Inter e com o São Paulo.

O mundo mudou totalmente. Os nossos jogadores deixam os clubes com 18 anos ou menos. Não é mais possível um time sulamericano reunir um elenco como o do São Paulo em 92/93 ou o Flamengo de 81. O São Paulo que venceu o Barça e Milan tinha Zetti, Cafu, Ronaldo, Raí, Leonardo e Muller que estiveram na Copa de 94. O Flamengo tinha Zico, Junior, Leandro. Zico, um dos maiores do mundo naquele período.

Hoje, não é fácil chegar até o jogo final. Inter e Galo fracassaram. O Pachuca complicou muito para o Grêmio. O desnível entre os campeões da América do Sul e da Europa é maior que o desnível entre América do Sul e Concacaf.

Vejamos as alterações:

Sai Benzema, entra Bale.

Sai Barrios, entra Jael.

Seria muito bacana haver um Mundial Interclubes com oito times, três europeus, dois sulamericanos e mais três de outros continentes. Ou algo parecido. Seria muito mais atrativo.

Do jeito que está, o glorioso futebol da América entra em campo sonhando em não sofrer vexame.

Agora, imagine um jogo entre seleção da América contra a seleção da Europa.

Seria muito diferente.

Não haveria vinte finalizações de um lado e apenas uma do outro.

 


Renato é vítima do viralatismo
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Renato ou Cristiano?

Cristiano, a meu ver.

Mas não se pode comparar essa discussão com a outra, famosa, Taison ou Messi, que parece ter afetado Tite.

O ponto, aqui, não é Renato x Cristiano e sim a maneira como brasileiros tratam Renato, que foi um imenso jogador.

Parece que ele é um traidor do futebol por se achar melhor que CR7. Muitos revoltados. Para eles, nada que vem do nosso futebol não presta.

Os vira-latas se incomodam muito mais com Renato dizer que é melhor que Cristiano do que Cristiano dizer que é o melhor da História.

Mesmo fracassando em três Copas, mesmo perdendo uma Euro em casa. Para a G R E C I A.

Foram até procurar jornalistas espanhóis para que chamassem Renato de louco e desconhecido.

Jornalista espanhol é jeca. Vai na cabine de imprensa da Copa com camisa da seleção. Basta ver a cobertura bairrista do Marca (pró Real) e do Mundo Deportivo (pró Barcelona).

Não são, profissionais adequados a falar sobre o assunto.