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Zé Ricardo tem brevê para Boeing?
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O Flamengo é um Boeing. Desculpem-me se a metáfora é ultrapassada e se já há avião muito melhor que o Boeing. Como não entendo nada desse assunto – e de outros também – recorri a Murici Ramalho, que a utilizava ao falar do São Paulo. O Flamengo é um Boeing, mesmo quando tem um time ruim.

É juntamente com o Vasco, o primeiro grande time nacional. Através das fortes ondas da rádio Nacional, saiu de Flamengo, saiu do Rio e tomou conta do Brasil. O Santos é outro time nacional, mas por conta de Pelé e sua mágica troupe. Como não se apaixonar pelas onze camisas brancas com seus negros artistas da bola? Mas, no caso do Santos, não era paixão. Era simpatia, quase amor. Todos com o Santos contra Benfica, Milan, Boca etc. Mas, somos Flamengo. Ou Vasco.

O Flamengo é um Boeing que foi dirigido muito mal durante muito tempo. Houve, então, uma direção saneadora. As dívidas foram equacionadas e chegou a hora de investir. O primeiro nome foi Guerrero, tirado do Corinthians em crise. Depois, veio Diego. E o comando já estava com Zé Ricardo. Ele fez um Brasileiro muito bom, sucedendo Murici. Foi o Brasileiro do “cheirinho” quando a torcida viveu o grande sonho do hepta. Não deu, mas Zé Ricardo foi saudado como a grande revelação, como o homem do ano.

E o Boeing foi tomando mais forma ainda, agora com uma tripulação de altíssimo nível. Chegou Conca, que não joga por questões físicas ou táticas. Chegou Everton Ribeiro. E vieram outros, menos brilhantes como Geuvânio e Rhodolfo. E agora, Diego Alves, o tapapenales.

Zé Ricardo tem muitas opções. Pode montar um time com dois jogadores de velocidade pelos lados do campo, como Berrio e Geuvânio. Pode ter uma trinca de armadores com Diego, Everton Ribeiro e Mancuello. Ou Conca. Pode jogar com um volante só e quatro meias. Tem opção para todos os gostos. E não tem conseguido fazer o Flamengo jogar melhor do que no ano passado.

O cheirinho de 2017 é insistência e não esperança.

Zé Ricardo está se comportando como um cozinheiro de restaurante caseiro, famoso pelo tempero e que, ao ser contratado por um restaurante com estrela Michelin não sabe o que fazer. E se mantém fiel aos velhos temperos: Márcio Araújo, Gabriel, Rafael Vaz e Alex Muralha.

E, pior, diz que Muralha jogou bem contra o Santos. Jogou bem e levou quatro? Então, o resto do time foi péssimo.

Zé Ricardo precisa ousar mais no final de temporada. Fazer com que o time renda de acordo com as expectativas que foram criadas a partir da contratação de virtuoses (estamos falando de futebol brasileiro).

Caso contrário, em vez de pilotar um Boeing, estará no comando de um Titanic. E sem a dignidade daquela orquestra.


Seis corintianos que podem sonhar com a seleção de Tite
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O Corinthians é o grande exemplo da tese de que um time forte coletivamente faz com que as individualidades comecem a aparecer. O elenco, que tinha sérias restrições técnicas no início do ano, ganhou força e seis jogadores podem sonhar com a seleção brasileira. Com diferentes possibilidades de o sonho se concretizar. Um deles está muito próximo, dois têm boas possibilidades e outros três….bem, sonhar não custa nada e como estão jogando bem…

FAGNER É homem de confiança de Tite, que foi responsável pelo seu crescimento técnico quanndo trabalharam juntos no Corinthians e o lateral melhorou muito o seu cruzamento. Fagner é um marcador muito bom e o reserva imediato de Daniel Alves na seleção. Seu concorrente é Rafinha, do Bayern.

CÁSSIO É aquele goleiro que, sob comando de Tite, ajudou e muito o Corinthians ser campeão mundial. Tite nunca o convocou, mesmo porque a ascensão do treinador coincidiu com uma queda técnica do goleiro, que foi para a reserva de Valter. Está jogando muito bem e não há ninguém absoluto na posição. Alisson, Ederson, Diego Alves, Weverton…ninguém pode dizer que está garantido. E Tite chegou a chamar Muralha e Grohe. Cássio está no páreo.

RODRIGUINHO É mais versátil que Diego e Lucas Lima, jogadores mais técnicos e seus rivais na luta por uma vaga para a posição que tem Renato Augusto como titular indiscutível. Pode jogar mais atrás e até como um falso nove. Tem razoáveis chances, mas é o menos cotado dos três.

JÔ É o centroavante mais eficiente do futebol brasileiro. Sempre comparece, sempre decide jogos e tem sido muito correto disciplinarmente em sua retomada do futebol. Tem características muito diferentes de Gabriel Jesus, o titular e poderia ser uma opção para mudanças de esquema. Diego Souza e Firmino estão à sua frente.

ARANA É a grande revelação de uma posição em que o Brasil é pródigo. Bom na marcação, com um cruzamento de alto nível e boa finalização, é o melhor jogador do Corinthians. Marcelo é o grande nome da posição e está garantido. Filipe Luiz também está quase lá, com tantos anos de futebol eficiente na Europa. Arana, no momento, é apenas uma possibilidade que vai se concretizar, com certeza, após o Mundial.

JÁDSON É um devaneio, não é um sonho. Tem jogado bem, mas abaixo do que já  jogou. Mas como formou uma dupla de alto rendimento com Renato Augusto pode….(será que pode?) sonhar um pouquinho, mas sem se apegar muito para que não seja uma decepção.


Robinho e Diego comandam a seleção do blog. Direto do túnel do tempo
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robinho_diego_tvi_20100901Diretamente do túnel do tempo, apresentamos Diego e Robinho. Os garotos mágicos do Santos de 2002 estão mais sérios, mais responsáveis e, 14 anos depois, são os destaques do Brasileiro. Ótimo para eles, que não conseguiram mostrar na Europa tudo o que se esperava deles, mas que tiveram carreira digna e agora são destaques no Brasileiro.

O melhor jogador, para mim, foi Robinho. Jogou como há anos não jogava. Não é mais o rei das pedaladas, mas soube se reinventar. É um armador de fino trato e ainda de boa chegada na área. Diego, seu companheiro no mágico Santos de 2002, foi o condutor do Flamengo. Chegou tarde e mostrou ser imprescindível. Diego e Robinho, como um presente vindo do passado, estão aí comandando a massa.

É isso: vivemos de reciclagem.

O Brasileiro está acabando e fiz uma seleção. Na verdade, duas: a titular e a reserva. O resultado não é agradável, mostra um perfil do futebol que temos no Brasil: veteranos que já brilharam muito, uma grande revelação, outras revelações com menos brilho e jogadores que ficarão por aqui mesmo, sem futuro internacional.

 

Seleção 1  Vanderlei, Victor Ferraz, Mina, Geromel e Jorge, Moisés, Tche Tche, Diego, Diego Souza e Robinho, Gabriel Jesus

Gabriel Jesus é o grande nome, apesar de um final de campeonato decepcionante. É a maior revelação dos últimos anos. Jorge, lateral de alta técnica, segue uma linhagem do futebol brasileiro. Tem bola para chegar à seleção. Moisés é uma surpresa. Depois de anos sem grande sucesso, mostrou-se um jogador moderno, forte e de bom passe. Ótimo na transição. Diego Souza é o jogador mais imprescindível que um time mostrou no Brasileiro. Ele é mais importante para o Sport do que o Messi para o Barcelona. Seu futebol é a diferença entre cair para a segunda e permanecer na primeira. Mina é um zagueiro de altíssimo nível. Joga como Rincón, seu compatriota. Usa o corpo como ninguém. Tche Tche é  jogador moderno, um meio campista verdadeiro, presente em todo o campo. Vanderlei, goleiro seguro e discreto, Geromel, zagueiro duro e Victor Ferraz, lateral que apoia bem, são os coadjuvantes.

Seleção 2  Muralha, Jean, Vitor Hugo, Rodrigo Caio e Zeca, Thiago Maia e Arão, Scarpa, Camilo e Lucas Lima, Fred

O veterano Fred continua sendo um matador de respeito. Faz gols. E isso é fundamental, ao contrário do que disse Parreira. Ao lado do “velho”, muitos jovens de presente e futuro, como Rodrigo Caio, Zeca, Thiago Maia e Scarpa. Revelações tardias como Muralha e Camilo, além de Lucas Lima, novamente muito bem. E Jean, como Renato, é daqueles jogadores que pouco falham. Estão sempre acrescentando algo ao time que os contrata. Renato não está aqui, mas seria uma ótima contratação para todos os times do Brasil.

Bem, são as minhas escolhas. As suas serão diferentes, com certeza. Mas duvido que haja uma grande diferença de nível. A minha como a sua refletem nosso Brasileiro: a gente torce, sofre, vibra, mas sabe que falta muito.


Diego foi um golaço do Flamengo
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diego_ribas_by_dreamgraphicss-d7zev7sA festa da torcida do Flamengo – totalmente desproporcional em relação ao currículo e ao momento de Diego – é a certeza de que a contratação foi corretíssima. O torcedor está feliz, alucinadamente feliz, irracionalmente feliz e essa felicidade insana é o que se busca com o futebol.

Está feliz por ver seu time mais forte e por ver seu clube agindo de acordo com sua grandeza. É muito importante um gigante como o Flamengo mostrar ousadia e não se limitar a soluções caseiras e baratas, que, muitas vezes, pouco solucionam.

Estamos tão acostumados com a mediocridade que nos é imposta que nos assustamos quando ela é rompida. E a palavra loucura é a primeira a chegar. Loucura, só se fora da torcida. A contratação da Diego teve muito de planejamento. Ele colaborou, conseguiu a rescisão de seu contrato – o que não é uma atitude bacana – e tornou tudo mais fácil. O Flamengo está gastando para pagar seus salários. Nada foi gasto para conseguir o vínculo.

A chegada de Diego é importante para o futebol brasileiro, apesar de não romper o círculo vicioso que vivemos. Nós somos o país que vendemos o irreverente garoto Diego aos 19 anos e contratamos o circunspecto senhor Diego Ribas aos 31. Também buscamos na América do Sul os craques que a Europa não quis.

A diferença é que Diego tem pinta de referencia e não de coadjuvante. Não importa que não o tenha sido nos últimos tempos, mas deu toda a pinta de que se tornou um jogador responsável e com os pés no chão. Ficou emocionado pela idolatria mas não embarcou nela. Não falou em salvação, tampouco em seleção.

Falou em Flamengo e assumiu a missão de conduzir o clube a um porto glorioso.  Mais brilhante do que seguro.

A segunda diferença foi justamente a idolatria. A torcida do Flamengo o tratou como um gigante do futebol. Difícil acreditar que todos aqueles rubro-negros soubessem onde estava Diego, difícil acreditar que tenham acompanhado a carreira dele na Europa ou mesmo no Santos. Na verdade, estavam comemorando a carência de um ídolo. E a possibilidade concreta de tê-lo agora.

Diego acendeu o rastilho de pólvora da insanidade. Que maravilha. O futebol vive disso. O futebol de um clube popular necessita respirar essa paixão que andava tão distante.

Dizem que contratação certa é a que deu certo.

Diego já deu certo. Afinal, a função do ídolo não é deixar seu povo feliz? Insanamente feliz?


Meninos da Vila brilham em Barcelona
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Nos dias de hoje – globalizados ou colonizados? – falar bem do Brasil é sinônimo de falta de caráter e falar bem do futebol brasileiro – o inigualável futebol brasileiro, o mais vitorioso da história – é reduzido a pachequismo. Tudo bem, eu não ligo, a história está do meu lado. Ah, já repararam que quando querem dizer que nosso futebol é ruim, a comparação é com a Europa? Não é com a Itália, com a Holanda, com a França, é com a Europa. Um continente contra um país.

Mas, deixa para lá. Os dois gols do clássico foram brasileiros. Um chute espetacular de Diego, que substituiu outro Diego, outro brasileiro. E o segundo, uma definição perfeita de Neymar, após um passe espetacular, milimétrico de Iniesta. Este é tão bom que merecia ser brasileiro.

Dois gol dos Meninos da Vila. A escolinha do Santos é muito melhor que a canteira do Barça, opa, desculpem, eu falar bem de quem revelou Pelé, Coutinho, Juari, Diego, Robinho, Neymar… Bom é o Pedro.

O jogo foi muito pegado, muito igual, apesar da enorme posse de bola do Barça. Melhorou muito no segundo tempo, houve algumas boas jogadas. Duas coisas se confirmaram: a dualidade Real-Barça não existe no ano da graça de 2014, graças a Diego Simeone.

E brasileiro joga bola para caramba.


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