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Cueva, a base e Dorival foram fundamentais na vitória
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Menon

O São Paulo conseguiu uma vitória importantíssima. Vitória que dá respiro e faz a vaca tirar a cabeça do brejo. Antes, como dizia meu irmão, o Passional, apenas os chifres estavam fora da lama.

Importante notar, como no ano passado, a força da base. Gol de Militão, que jogou muito bem, e tomou conta da lateral. E boa partida de Lucas Fernandes, que saiu por mostrar um certo cansaço.

Outro ponto foi a entrada de Cueva no segundo tempo. O peruano deu clarividência ao jogo e mostrou o bom futebol do início do ano. Ele, se jogar bem assim, é imprescindível ao time. Os dois gols saíram de jogadas dele. Ele, Hernanes e Lucas podem dialogar muito bem em campo. O São Paulo, na situação em que está, não pode se dar ao luxo de deixar bons jogadores no banco.

Dorival Jr. foi muito bem. Foi corajoso e mostrou-se à altura do clube que dirige. Em vez de jogar pelo empate, fez substituições corajosas, para vencer. No intervalo, colocou Cueva em lugar de Gómez e recuou um pouco Lucas Fernandes. O gol saiu logo aos sete minutos e Dorival poderia ter fechado o time, com um zagueiro a mais ou com mais um volante. Não; trocou Lucas Fernandes por Thomaz. Pode-se até discutir a qualidade de Thomaz, mas é um jogador ofensivo. A preocupação com a defesa foi apenas no final, com a entrada de Bruno Alves em lugar de Marcos Guilherme.

Ainda há um longo caminho a percorrer, mas o São Paulo deu um passo importante.


Muricy? São Paulo precisa de goleiro e lateral
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A situação está ruim? Chama o Marco Aurélio Cunha.

A situação está ruim? Atende a torcida e contrata o Lugano.

A situação continua ruim? Renova o contrato do Lugano.

A situação piorou? Coloca o Lugano para conversar com os torcedores.

A situação está ruim? Coloca o Rogério Ceni de treinador.

A situação está ruim? Demite o Rogério Ceni e espalha que ele deixou uma herança maldita em sua passagem.

A situação está ruim? Coloca o Raí no Conselho de Administração.

A situação está ruim com o Dorival? Chama o Muricy para dar uma palestra.

Assim caminha a administração do presidente Leco. Fazemos o que o cliente deseja. Agradamos a torcida. E assim podemos dizer, sem corar, que não temos responsabilidade alguma sobre o que está acontecendo.

Me inclua fora dessa. O problema são os outros

O que Muricy poderá fazer para ajudar o São Paulo? Desfilar sua “sãopaulinidade”, termo criado pelos dirigentes e que eu não faço ideia do que seja. Espero que não aquela visão eugenista do antigo presidente, que admirava Kaká por ter todos os dentes na boca?

Muricy vai dizer que o São Paulo é um boeing. Que é preciso respeitar o clube. Que é preciso dar mais que 100%. Que aqui é trabalho. Porra? O que mais ele pode fazer?

O que deveria ter sido feito há tempos e que não pode mais ser feito?

Como saber o óbvio, por exemplo.

Que um time que tem Sidão, Renan Ribeiro e Denis não tem um goleiro confiável? É tão claro, tão evidente. Marco Aurélio Cunha, Rogério Ceni, Leco, Jacobson, Medici e Pinotti não perceberam isso? Quem errou? Quem não corrigiu? Um time pode até ser campeão com um goleiro assim, médio no máximo, mas esse time, não. Um goleiro fraco pode ser o único problema do time, mas não pode ser um problema a mais. Porque, então, tudo aumenta de proporção.

Que o time tem laterais fracos. Buffarini, Bruno, Junior Tavares e Edimar têm problemas. Problemas identificados há tempos, exceto os de Tavares, que apareceram com nitidez com o correr do campeonato. E dava tempo de corrigir. Dava tempo. E nada foi feito.

Que o São Paulo sucumbe à cabeçadas de Léo Gamalho? Onde está o erro? No cruzamento? Na zaga?

Que o reserva imediato de Petros é Militão, que precisa jogar na lateral porque não tem lateral? Que a outra opção é Araruna, que também precisou jogar na lateral?

Que Denílson, Thomaz e Marcinho são opções frágeis.

Faltam 15 rodadas.

Sobram problemas graves.

Muricy não vai resolver nada.

Ele é apenas um factoide desesperado.

O próximo, se nada mudar, será a demissão de Dorival Jr.

Ela será realidade se a situação não der mostras de melhora nas próximas cinco rodadas. Virá, então, um novo treinador para dar uma chacoalhada no time. Um choque de emoção. O choque de gestão não virá.


São Paulo está brincando de roleta russa
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Galveston, de Nic Pizzolatto (roteirista da série True Detective), é um livro para virar filme, com seus diálogos curtos e sua história intensa. Já virou, aliás. Estreia no ano que vem. Roy Cady, um assassino de aluguel, é traído por seu chefe e consegue escapar de uma tocaia. Foge e leva consigo uma prostituta de 18 anos, Rocky Acenaux, em uma louca viagem até Galveston, no Texas. No caminho, mortes, assassinatos, bares e bebida. É uma viagem rumo à morte, pois na primeira página do livro, Cady é diagnosticado com câncer no pulmão. Flocos de neve no pulmão. E sua reação é fumar um cigarro. E beber um uísque.

Diagnosticados com câncer que fumam charutos.

Diabéticos que mergulham em um balde de milk shake.

Alcoólatras que saem da reunião do AA e tomam uma cervejinha para relaxar.

Viciados em droga que dão um tapinha de leve porque maconha, está provado, não faz mal.

Malucos por velocidade, tirando rachas nas ruas das metrópoles.

E tem o São Paulo, que está caindo para a segunda divisão. Sabe qual é o motivo principal e não consegue fazer nada para mudar de vida. Como Roy Cady foge para Galveston, o São Paulo corre para Lucas do Rio Verde e Varginha. E o piloto de sua insana viagem rumo ao vexame tem nome: Julio Alberto Buffarini.

Dorival Jr. sabe que o problema está ali. Ele se aproveitou disso quando era treinador do Santos e viu Victor Ferraz dar um drible humilhante em Buffarini. Ele já era técnico do São Paulo e viu Jean Motta dar um drible humilhante em Buffarini. Os dois lances se transformaram em gols.

Dorival Jr. viu Rildo, do Coritiba, dominar Bruno e sofrer um pênalti “insofrível”. Dorival Jr. viu Araruna falhar nos dois gols do Bahia. E viu agora, o Palmeiras marcar quatro gols pela direita de sua defesa. Um deles, nascido de um erro ridículo de Edimar, lá na outra lateral. Buffarini estava em campo. Como estava no Paulista, no gol de cobertura de Dudu, quando perdeu uma bola dominada.

O time do São Paulo é ruim. Tem muitos defeitos, mas melhoraria muito se houvesse uma solução para o problema. E qual é a solução?

A primeira e mais fácil opção é trocar o jogador, como Dorival fez ao colocar Edimar em lugar de Tavares. Melhorou, apesar do erro contra o Palmeiras. Também trocou Renan  Ribeiro por Sidão. No caso da lateral, trocar parece uma solução que não se sustenta, pois Bruno é fraco e Araruna não entusiasma ninguém.

A segunda opção é improvisar. O melhor nome, apesar de tudo, era Wesley, que foi para o Sport. Poderia ser Petros. Ou então, jogar com um zagueiro na lateral, algo comum em outros países. Um marcador, apenas. Não precisa apoiar. Um homem que tampe o buraco. Rodrigo Caio jogou uma vez assim e tomou um baile do Neymar. Mas Neymar é Neymar e Rodrigo Caio é Rodrigo Caio. Podia ser Arboleda…

A terceira opção é melhorar a cobertura e a proteção a quem joga. Questão de treinamento, mas isso Dorival deve fazer todo dia. E não está dando certo. Poderia colocar um meia para ajudar o lateral. Gómez pode ser o cara, mas, com sua entrada, o time perderia na armação.

A quarta opção é buscar na base, mas, quem? Foguete disputou o estadual de Goiás pelo Vila Nova, que não ficou com ele para o Brasileiro da Série B.

A outra opção é Dorival ir trabalhar no dia da folga. Juntar-se com Lucas Silvestre, com o pessoal do departamento de análise e estatística, com Vinícius Pinotti, com alguém da Nasa e fazer uma busca detalhada por um novo lateral. Listar todos que não fizeram ainda sete jogos, buscar na segunda divisão, na terceira divisão, na Série XYZW e achar alguém. Não precisa ser craque, não precisa ter futuro brilhante, nada. Basta saber marcar, diminuir espaços, dividir, dar um carrinho, não levar drible humilhante e não fazer pênalti imbecil.

Enquanto não fizer alguma coisa, Dorival e o São Paulo estarão se comportando como malucos de pedra que curtem a adrenalina de uma roleta russa. No caso do Tricolor, há no mínimo três balas na agulha.


São Paulo perde, novamente pela direita. Dorival precisa resolver
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Depois de sete jogos no comando do São Paulo, é impossível que Dorival Jr. não tenha detectado o problema na lateral direita. A vitória do Coritiba foi por ali, com Bruno falhando muito. A vitória do Santos foi por ali, com Buffarini falhando muito. E a vitória do Bahia foi por ali, com Araruna falhando muito.

Evidentemente, não é apenas falha individual. O segundo gol do Bahia saiu em um contra-ataque em que a marcação atrás estava toda desarrumada. Mas o problema é recorrente e ele precisa resolver. Como resolveu na esquerda, trocando Junior Tavares por Edimar, após a derrota contra a Chape, em que Apodi destruiu o São Paulo.

Ao final do jogo contra o Coritiba, perguntei a Dorival porque o time não consegue se safar de crises anunciadas. Todos sabiam que Rildo era o homem do contra-ataque e que jogaria em cima de Bruno. Todo mundo sabia e aconteceu. Ele disse que era qualidade individual de Rildo. Ora, se a qualidade individual de Rildo pode definir um jogo, é porque está tudo complicado.

Há outros erros. O São Paulo cruzou 28 bolas e acertou apenas duas. Teve 63% de posse de bola e finalizou apenas três vezes corretamente. Talvez pela produção de Pratto, que não chutou uma vez a gol, mas deu dois passes para chutes a gol. Além de três cruzamentos. Está preparando muito mais do que finalizando.

E Marcinho é um jogador fraco.

Dorival apostou em um estilo de jogo e em uma escalação. Perdeu Wellington Nem, contundido. Agora, com duas derrotas seguidas no lombo e com uma semana para trabalhar, pode pensar em mudanças de nomes. Enquanto dá tempo para evitar o maior vexame da história do clube.


Pinotti: “São Paulo não tem problemas de elenco e não vai cair”
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O blog entrevistou Vinícius Pinotti, diretor executivo  de futebol do São Paulo.

O São Paulo cai?

Não cai. De jeito nenhum.

Por que você fala isso? Porque time grande não cai? Muitos caíram

Nada disso. Eu não falo nada baseado em ditado ou em sorte ou azar. Não cai porque estamos trabalhando duro e muito bem. Fizemos mudanças na hora certa e o resultado vai aparecer.

Você parece tranquilo? Dormiu bem?

Passei a noite praticamente em claro depois da derrota para o Coritiba. Não gostei do trabalho do juiz e também lamentando os nossos erros, perdemos gols que poderiam ter definido o jogo. Mas não cai não. Quero ressaltar que agora contratamos o Altamiro Bottino, nosso coordenador científico, que vai ajudar no curto, médio e longo prazos.

Você teve uma reunião hoje. Novas contratações?

Sinceramente, eu acho que o problema do São Paulo não é mais de elenco. O grupo foi qualificado e agora é hora de aprimoramento e de melhora.

Tem tempo para isso?

Tem, sim. O time já está melhorando e tem rendido melhor, apesar da derrota. O trabalho do Dorival Jr. está aparecendo e temos alguns ajustes pontuais a fazer. Estamos trabalhando para isso.

Quando você fala em ajustes pontuais, a torcida pensa em Bruno.

Ah, não vou citar nomes, não vou crucificar ninguém. O que eu posso dizer é que o Dorival gosta do Bruno e acredita em um bom rendimento dele.

O Jonatán Gómez é um jogador para resolver?

Ele não é o craque do time, ele não é o camisa 10 que vai resolver, mas é um jogador tático, um jogador aguerrido e compromissado. Carregava o Independiente Santa Fe nas costas. Quando o time crescer, ele vem junto. E fez um bom jogo contra o Coritiba

A saída do Wellington Nem, contundido, vai abrir espaço para o Brenner?

O Dorival que escala, mas o Brenner, todo mundo sabe, é um jogador de muito futuro. Estamos fazendo um novo contrato com ele e, como o Dorival sabe muito bem a hora de lançar garotos, temos confiança que ele pode ajudar ainda o São Paulo talvez esse ano.

 


Dorival aponta erros da CBF. Uma voz no deserto
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Em entrevista à Rádio Globo, Dorival Jr se posicionou sobre as dificuldades de sua profissão e de como a CBF, não ajuda o futebol brasileiro. “Faz um movimento contrário ao crescimento do futebol”, disse o treinador do São Paulo, uma das poucas vozes contrárias ao comando do futebol brasileiro.

Um resumo do que disse Dorival Jr, infelizmente uma voz no deserto.

“A perda de jogadores na  janela é prejudicial demais, os clubes estão muito vulneráveis nesse sentido. A CBF já devia ter percebido e trabalhado para equivaler as janelas. A Dona CBF precisa acordar ou seremos vulneráveis para sempre. Até  o último minuto da janela podemos perder jogadores.”

“Nossa profissão precisa de mais respeito. Vejo companheiros sendo demitidos depois de 30 dias de trabalho. Tem contrato de um ano e meio e é mandado embora com quatro jogos. A CBF nunca toma posição, nunca tomou, nunca se preocupa com nada e com ninguém. Nem com os clubes. Somos vulneráveis. Não existe respeito como contratante ou contratado. O que existe é um movimento de trituração de treinadores. Já foram testados todos os tipos de treinadores. Não é hora de testar outras coisas? Outro modelo de gestão dos clubes e dos dirigentes”?

“Não é só a CBF. As federações também. Não ajudam clubes, treinadores e jogadores. Representam o quê? É um movimento contrário ao crescimento do futebol”

 

Não concordo com tudo o que Dorival Jr disse, acho que os treinadores ganham muito dinheiro e devem estar sujeitos à demissão, como todos os outros trabalhadores. Mas aplaudo sua coragem de apontar a CBF como matriz dos males do futebol brasileiro.

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Dorival erra no principal e acerta no secundário. São Paulo é Barçavés
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Algumas perguntas básicas para quem acompanha um pouco futebol

Qual o grande defeito de Junior Tavares? A marcação, certo?

Qual a grande qualidade de Apodi? O apoio ao ataque, certo?

Pois é.

Todo mundo sabe. E o que aconteceu no jogo?

Apodi deu um chapéu em Gómez, que estava ajudando Tavares na marcação.

Apodi sofreu uma falta de Jucilei e, na cobrança, saiu o primeiro gol da Chape.

Apodi sofreu falta feia de Rodrigo Caio, que levou amarelo.

Um treinador deve ser cobrado em dois sentidos: no longo prazo, dando forma a um time. No curto prazo, resolvendo problemas cruciais.

Dorival parece ir bem no longo prazo. O São Paulo entra em campo sabendo o que o treinador quer. Já tem uma cara. É um time que aposta na posse de bola e na troca de passes. Segundo o footstats, trocou 391 passes, contra 154 da Chape. Teve 65% de posse de bola. E sete finalizações corretas. Ou seja, troca passes como o Barcelona e decide como o Alavés. Um Barçavés.

No curto prazo, Dorival errou feio. Não resolveu o problema anunciado (Apodi). E o que justifica Gómez ficar em campo o tempo todo? E Nem? E ele precisa saber que o prazo é curtíssimo. O São Paulo está brigando para não cair. Só. O resto é para 2018.

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Areia movediça no fundo do poço. É o São Paulo Vitrine Clube
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Ao olhar a tabela, antes do início do campeonato, todo time grande, contava com três pontos conseguidos em casa contra o Atlético GO. O São Paulo teve a chance na 13ª rodada. E eram pontos não para sonhar alto. Eram pontos para iniciar o fim do pesadelo. Eram pontos de arrancada. Arrancada que ajudaria a sair do fundo do poço. Não deu. Havia areia movediça lá no fundo.

O São Paulo entrou em campo como se não houvesse desespero. E é bom que seja assim, desespero não ajuda. Então, a ordem era posse de bola. E o São Paulo a teve em enorme quantidade. Trocou passes como se fosse o Barcelona e chutou a gol como se fosse o Alavés. Tranquilidade mil, pressão zero.

No segundo tempo, o time voltou com mais personalidade e com muito mais pressão. Avançou as linhas, jogou com os zagueiros além do meio de campo, e encurralou o Atlético. Fez dois gols que valeram um. Pratto estava impedido. Eram 12 minutos, tempo de retomar a tranquilidade. Não deu tempo. Um belo chute de Niltinho selou o empate. O São Paulo retomou o jogo, aumentou a pressão, entraram Lucas Fernandes e Marcinho, que fez um golaço.

Faltam dez minutos. Hora de segurar o resultado. Nada. O empate veio em seguida, com gol de calcanhar. Calcanhar. E houve outras chances no contra-ataque do Dragão.

Dorival deu organização ao time, mas ficou evidente que Buffarini e Nem estão muito mal. E, juntos, ficam piores. Lucas Fernandes precisa jogar. Que saia Gómez e que se aposte um pouco mais em Cueva.

E no domingo, é a Chape fora de casa. Outro jogo de seis pontos.

E outra coisa que Dorival precisa saber: aquela história de que tem muito time pior, é balela.

PS – Com tantos problemas, duas notícias boas. O Vitória perdeu em casa para o Vasco (4 x 1) e o Avaí perdeu em casa para o Coritiba. Assim , o São Paulo saiu do 19º para o 17º lugar. E está a três pontos do primeiro time fora da zona de rebaixamento. Antes da rodada, eram quatro. O rival é a Chape. Uma vitória tira o São Paulo do fundo do poço, temporariamente.

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Santos sem técnico, sem alma e com torcida ausente
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Dorival Jr., demitido pelo Santos, tem ótimos números pelo clube. Depois de dois anos, tem 65% de pontos conquistados, aproveitamento digno de campeão brasileiro. Ganhou o título paulista do ano passado e foi vice-campeão do Brasileiro e da Copa do Brasil.

Em 2017, porém, a relação chegou a um impasse. O que mais Dorival pode fazer para que o Santos reaja? No Paulista, foi mal. No Brasileiro, tem 25% de aproveitamento. Na Libertadores, conseguiu a classificação, mostrando boas doses de comprometimento, suor e amor à camisa. Algo que ficou restrito à competição sul-americana.

Fora dali, o Santos é um time sem alma. Uma anemia personificada por Vítor Bueno, que tem cara e postura de craque dos anos 40 – só falta o bigodinho e a chuteira preta – mas que, em campo, entrega muito pouco. O problema não é só ele. Dorival errou também com Vladimir Hernández, chiquitito e nada cumplidor. A opção de trocar um zagueiro pelo volante Yuri não deu certo. Ricardo Oliveira está mal e o time tem ainda muitos jogadores que não resolvem. Gente como Citadini, Longuine, Veríssimo…

São muitos problemas para o novo treinador resolver. Para tudo há uma solução, mas a diretoria precisa enfrentar um outro problema, que extrapola o rendimento em campo. O Santos tem jogado para 8 mil pessoas, no máximo, na Vila Belmiro. A torcida pode até dizer que não vai ao jogo porque o time está ruim. Mas, se estiver bom, a Vila será lotada? Com 15 mil pessoas? É pouco, muito pouco, pouquíssimo.

Um público de 15 mil pessoas deixa os estádios de São Paulo, Corinthians e Palmeiras vazios. E lota a Vila. É muito pouco dinheiro, compromete o futuro. No Pacaembu, o Santos joga no mínimo para 20 mil pessoas. Precisa utilizar mais essa opção, mesmo porque a Vila, enquanto caldeirão, tem se mostrado uma caçarola. Não pressiona ninguém.


Corinthianzzz e Palmeiras, mais eficientes. Santos e São Paulo, dispersos
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O Corinthians, de futebol burocrático e sonolento, é o mais eficiente do futebol paulista – falo dos grandes e deixo de lado o muito bem montado Mirassol – já decorridas quatro rodadas do Paulistão. O time de Carile fez três gols em quatro jogos. E conseguiu nove pontos. Cada gol vale três pontos. Vitórias por 1 a 0 contra São Bento, Novorizontino e Audax e uma derrota contra o Santo André.

Apenas como forma de comparação. O São Paulo fez doze gols e tem sete pontos. Precisa de 5, 14 gols para fazer um ponto.

O Palmeiras vinha na mesma toada da eficiência que mascara a ausência de bom futebol. Nas três primeiras rodadas, havia conseguido seis pontos, com dois gols marcados. Novamente, cada gol valia três pontos. Até que veio a goleada por 4 a 0 sobre o Linense, mostrando que o time já começou a crescer rumo ao seu grande potencial.

O que Corinthians e Palmeiras têm em comum diante de seus rivais, São Paulo e Santos, que mostram um futebol mais criativo? A espetacular eficiência defensiva. O Palmeiras sofreu um gol em quatro jogos. Apenas um. O Corinthians, dois. São equipes que estão justificando a tese de que um bom time começa a ser montado a partir de um sistema defensivo eficiente. Sistema defensivo eficiente permite que você faça um gol e vença o Audax. O São Paulo fez dois e perdeu.

Os dois gigantes se enfrentam na quarta-feira, em Itaquera. São líderes de seus grupos. Mesmo assim, o derrotado será saudado pelo estridente som de cornetas. Se houver empate, elas soarão também. Dos dois lados.

Santos e São Paulo são o outro lado da moeda do pragmatismo. Optaram pelo ataque e jogam em busca de gols. O que ocasiona muitos acertos a serem feitos. A próxima rodada já deve mostrar algo neste sentido.

O São Paulo é um case da falta de balanceamento. Tem o melhor ataque e a pior defesa. Se mantiver o estilo, fará um campeonato que sua torcida como aquele em que houve grandes jogos e não houve título. Rogério coloca o time para marcar alto, com a linha de quatro ou três no meio campo e o goleiro Sidão adiantado.

É um conceito. Não abre mãe dele, o que é correto. Mas os ajustes urgem. Os erros individuais de Maicon são assustadores. Contra o Mirassol, deu uma cabeçada para trás que quase matou o goleiro. Acredito que ele vá descansar contra o São Bento. Rogério já agiu rápido ao tirar Douglas, ao recuar Rodrigo Caio para a zaga e ao efetivar Tavares na esquerda, deixando de lado o fator Buffarini deslocado. O argentino já vai mal na sua, o que dirá todo torto na esquerda?

Dorival Jr. acenou com a possibilidade de atuar com apenas um zagueiro, recuando o volante Yuri, que já havia jogado assim nos tempos de Audax. Começou fazendo seis no Linense, mas já houve um recado claro com os dois gols sofridos. Sofrer dois gols em um jogo é terrível. Para vencer, você precisa fazer três. Fácil? Nem pensar. No segundo jogo, foi possível. Três a dois contra o Red Bull, com um gol que não deveria ter sido validado.

Com dois avisos, o Santos manteve o estilo e sufocou o São Paulo no primeiro tempo. No segundo, os buracos enormes apareceram. Levou três e não levou quatro porque Gilberto é Gilberto. Dorival mudou, escalou Cléber, a contratação mais importante do ano e…lambança. Expulsão. Uma derrota muito sentida porque o ataque, grande salvador, não funcionou.

Dorival precisa arrumar o time. Ceni precisa arrumar o time. Carile precisa arrumar o time, afinal ninguém garante que a fantástica eficiência vá funcionar sempre. E Eduardo Batista tem menos trabalho.

Entre os quatro, São Paulo e Palmeiras dão pinta de que podem crescer bastante. Estão longe do teto. O Santos pode crescer, mas a torcida não ajuda e Dorival é pressionado. E o Corinthians depende muito do que Jadson irá aportar em termos futebolísticos.