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Dorival, entre o sonho e a realidade, entre Shaylon e Nenê
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Menon

Dorival foi um bom menino em 2017. Pegou um time quase caindo e terminou o segundo turno em quinto lugar. Uma campanha digna e, o mais importante, promissora. Ele tinha uma base para trabalhar. Era preciso corrigir algumas coisas. Entre elas, a transição, lenta, com Jucilei, Petros e Hernanes. Não havia contra-ataques pelos lados do campo e sim jogadores de qualidade fazendo a transição pelo meio. Algo a ser corrigido, como ele explicou NA ENTREVISTA QUE FIZEMOS EM NOVEMBRO,

Está tudo lá. Ele explica que o time não tem jogadores com capacidade para fazer contra-ataque com rapidez. Diz que gostaria de apostar na base. E que gostaria de ter três reforços do nível de Hernanes.

E chega 2018. Em vez de três reforços do nível de Hernanes, ele…perdeu o Hernanes.

Para o lado do campo, ele pediu Marinho, Bruno Henrique, Gabigol ou Luan, do Galo. E recebeu….NINGUÉM.

E a base, em que ele aposta tanto?

Peguemos o caso de Shaylon.

Dorival gosta muito, apesar de haver, como todos, detectado uma certa timidez no garoto. A ideia era ir dando espaço a ele, principalmente porque Cueva vai para a Copa do Mundo.

O que acontece? Cueva faz cuevices. Não aparece na hora marcada e se recusa a viajar.

E Shaylon vai jogando.

Então….vem Nenê.

Ora, Nenê é a síntese do que o São Paulo não precisa. 1) Não ajuda o time a ter a velocidade sonhada por Dorival. 2) Atrapalha o surgimento de jogadores da base.

Imaginem um meio campo formado por Jucilei, Petros e Nenê. Muito lento. Agora, somem a eles o Diego Souza. Fica mais lento ainda.

Mas, por que o Diego Souza no meio, se Dorival disse que seu lugar é como centroavante?

Porque a diretoria contratou Trellez, que também é centroavante. Esperando que Dorival recue Diego Souza,

Com contratações erradas, fica difícil o treinador colocar em prática os seus conceitos: time com posse de bola, mas também com contra-ataque pelos flancos e dando espaço para jogadores jovens, que gostem do clube e sonhem com o sucesso no São Paulo.

O quadro acima pode terminar com um desfecho ruim para o clube: Shaylon, com poucas chances, é vendido por pouco dinheiro para um clube europeu. E lá, joga muita bola. Sua ascensão pode se concretizar em dois anos. Dois anos é quando termina o contrato de Nenê com o São Paulo.


Dorival não queria Nenê e Trellez
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Para bom entendedor, pingo é letra. E Dorival foi muito claro. Ele disse que esperava outros nomes, de outras posições e não Nenê e Trellez, que elogiou de forma protocolar.

Disse que foram escolhas da diretoria, opções que o mercado apresentava. Mas não é bem assim. O São Paulo há tempos tenta trazer Trellez, não é de agora, não foi algo que o mercado ofereceu.

Depois, Dorival disse que o 9 na camisa de Diego Souza não é coincidência. Reafirmou que ele jogará na área, como no Sport. “O André é que saía”. Ora, se ele quer Diego na área, o lugar de Trellez é o banco de reservas.

Talvez ele veja em Trellez uma dificuldade a mais para a ascensão de Brenner.

E Nenê? Bem estranho, porque, ao que parece, Dorival não está contando muito com Cueva. E mesmo assim, procurava gente de outra posição? E mesmo assim não se entusiasma com Nenê?

No ano passado, Jucilei deixou o time por demonstrar pouca mobilidade. Por isso, não creio que o quarteto Jucilei, Petros, Nenê e Diego Souza o agrade. É muito lento. E a lentidão aumentará caso seja obrigado a recuar Diego e escalar Trellez.

Não estão dando a Dorival as pecas necessárias para montar o time com que sonhou.


São Paulo jogou muito e merecia mais
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Foi  uma grande vitória do São Paulo, fruto de uma partida muito boa e que seria mais bem explicada com pelo menos dois gols a mais. Continuaria valendo três pontos, mas seria mais real. O site footstats indicou 18 finalizações do São Paulo, oito delas no alvo. A posse de bola chegou a 61%.

Dorival Jr. foi muito importante para que a vitória viesse. Ele fez três substituições, sempre visando o gol.

Caíque por Brenner – Aos 17 minutos do segundo tempo, ele tirou a grande esperança de Cotia e colocou outro garoto. E Caíque foi bem melhor, com velocidade e força pela esquerda. Chutou de longe, acertou uma cabeçada no gol, puxou contra-ataques…Dos garotos que subiram, é o que mostrou futebol mais consistente.

Lucas Fernandes por Petros – Aos 25 minutos, saiu o jogador que mais me agradava. Petros estava jogando bem adiantado, formando boa parceria com Marcos Guilherme. Lucas teve tranquilidade e precisão para dar o passe a Marcos Guilherme, que fez o segundo. Ele Marcos Guilherme, foi muito importante no final do ano passado.

Paulinho Boia por Shaylon – Aos 31 minutos, o time passou a ter uma postura ainda mais ofensiva, com quatro atacantes: Paulinho, Marcos Guilherme, Diego Souza e Caíque. A dupla Paulinho e Eder Militão fez a jogada que Diego Souza completou para o gol, aos 39 minutos, quando a injustiça ia se confirmando e trazendo com ela mais gasolina para a fogueira.

Uma vitória que dá moral para o clássico. Dorival tem muitas opções, com garotos velozes, mas o Corinthians tem um time definido.


São Paulo colhe o que plantou com um planejamento equivocado
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Com o término da segunda rodada do Paulistão, o São Paulo:

Escalou dois times diferentes.

Perdeu o primeiro jogo.

Empatou o segundo.

Ainda não conseguiu marcar.

Foi recebido com faixas de cobrança ANTES do jogo, em um protesto descabido e imbecil. E com vaias após o jogo

A meu ver, tudo é consequência de erros de planejamento.

Os dois principais, são fundamentais.

Dorival Jr e a diretoria encararam janeiro como o primeiro mês do ano. De um novo ano, cheio de esperanças. Pode até ser, mas não é. O ano que se inicia é a continuação do anterior, quando o time foi muito mal e quase foi rebaixado. E começou com o melhor jogador do clube indo para a China.

O segundo erro conceitual foi cair no canto da sereia politicamente correta que garante ser o Paulistão um campeonato que não vale nada e que deve ser encarado como planejamento. Ora, não vale nada para quem ganha como o Corinthians, Santos e Palmeiras. O São Paulo não ganha o Paulistão desde 2005. E nos últimos dez anos, venceu apenas uma Sul-americana.

Então, o que foi feito diante deste panorama? Time que vem no sufoco e que não ganha nada há tempos?

Ora, foi escalado um time de garotos para a estreia. Todos juntos, ao mesmo tempo. E houve a derrota.

E o que trouxe a derrota, além da necessidade da vitória?

Trouxe o possível rompimento com a torcida, importantíssima no ano anterior. O Morumbi e o Pacaembu recebiam grandes públicos. Na segunda rodada, foram apenas 18 mil. E vaiando, o que, repito, é um absurdo.

O que temos agora? Mirassol fora, Corinthians fora e Madureira, pela Copa do Brasil.

A ideia era manter o time do primeiro jogo, aquele dos garotos. Vai ser mudado o planejamento? Como o São Paulo enfrentará o Corinthians? Sob qual pressão?

A decisão de escalar garotos o primeiro jogo foi de encontro ao que fizeram os outros três grandes. Entraram com o time principal e foram substituindo. Só o São Paulo fez diferente. Só o São Paulo está correto. E qual é esta carta na manga? Qual o segredo?

São muitos erros de planejamento. E seguidos de outros como a ausência de Cueva, atitude anti-profissional. E outros dois: Sidão e Bruno. Jogadores médios.

Quanto ao jogo, eu vi o São Paulo bem no primeiro tempo, com boas finalizações. A bola rodou bastante, houve infiltrações, mas o time sentiu muito a falta de um atacante de área. O garoto Brenner, tratado como o novo Gabriel Jesus, não foi nem Ademílson. O time vai melhorar. Precisa melhorar. Mas agora, de forma abrupta, com pressão.

 


Anderson Martins é uma bela contratação
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A chegada de Ânderson Martins deixa o São Paulo mais forte. Agora, com ele, Rodrigo Caio e Arboleda, o time passa a ter três zagueiros de bom nível

Ânderson é forte, bom mas divididas é com bom senso de cobertura. Com a sua chegada, o Vasco fechou a casinha, deu uma banana para o rebaixamento e levou o Vasco à Libertadores.

E Militão?

O garoto que resolveu o problema da lateral direita, corre riscos de perder espaço. O São Paulo busca um jogador da posição, o que faria Militão voltar ao início da carreira, quando jogava como zagueiro ou volante.

E terá a concorrência de Ânderson, Rodrigo Caio, Arboleda, Bruno Alves, Jucilei, Hudson e Petros. Se fosse ele, ficaria na direita.

São boas opções para Dorival Jr.  Tudo indica que terá um time pra chamar de seu, sem necessidade de reconstrução no meio da temporada.

 


Dorival está preparando uma revolução?
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Do sábado, dia 6 até o domingo dia 14 de janeiro, o São Paulo vai trabalhar duro. Serão 15 sessões de treinamentos. Das 15, 12 serão fechadas. Apenas três treinos serão abertos. Apesar de os jornalistas poderem comparecer a três sessões, só haverá duas entrevistas coletivas. O time estreia no Paulista no dia 17.

Não quero questionar a clausura dos treinamentos. É uma opção do treinador. Ele ganha para treinar o time e escolhe a maneira que lhe agrada. Também não vou questionar a pouca atenção dada aos jornalistas. Ninguém é obrigado a dar entrevista. Ninguém é obrigado a falar com jornalista.

O que cabe aos jornalistas é questionar se o estilo escolhido por Dorival dará resultado. Sim, porque com tanto treino secreto, com tanto cuidado em não falar com jornalista, é de se esperar uma grande revolução no futebol brasileiro.

Dorival recuperará sua ideia de jogar com apenas um zagueiro?

Dorival vai brindar o futebol brasileiro com alguma coisa diferente do que se faz hoje, quando todos jogam com dois atacantes abertos pelos lados, com 4-2-3-1 ou 4-1-4-1?

Dorival está pensando em criar novas funções para algum jogador do elenco? Já sabemos que ele tomou a sensata decisão de transforar Junior Tavares em homem da segunda linha. Virá algo mais?

No ano passado, Dorival assumiu no olho do furacão. Teve pouco tempo para treinar. Se tivesse, talvez percebesse antes o que eu, modestamente, apontava aqui nesse cantinho: Jucilei tem de ser titular. Ou então, é preciso arrumar a lateral. Coloquei até a sugestão de meu irmão, o Passional: Militão é o homem ideal para a lateral direita.

Quem sabe com tanto tempo para treinar secretamente, Dorival consiga fazer o Jonathan Gomez e o Thomaz renderem o mínimo possível para vestir a camisa do São Paulo;

Bem, aí seria necessário muito mais tempo, não vamos exigir tamanho feito.

Não vamos exigir nada. Apenas que nossa curiosidade seja satisfeita: que maravilhas táticas e técnicas estão sendo engendradas nos treinos secretos do C.T da Barra Funda?


São Paulo não consegue enfrentar o River Plate. E ainda, Jô, Mina e Profeta
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Menon

Jô, Hernanes, Mina e Pratto….Atenção, senhoras e senhores, nada indica que serão os únicos ou os últimos. A barca vai continuar levando jogadores brasileiros para Japão, China, Barcelona e…até Buenos Aires. Pouco há o que fazer. Os clubes brasileiros não conseguem se organizar e competir com ninguém.

A exceção é o Palmeiras. A saída de Mina já era um fato. Ele ficaria até o final do semestre, mas o Barcelona bateu o pé, abriu a carteira e lá se vai o zagueiro bailarino. O caso é emblemático. Um clube brasileiro consegue um grande negócio, trazendo um ótimo zagueiro aqui da América do Sul, consegue fazer um bom negócio, mas Barcelona é Barcelona.

O caso mais triste é o de Pratto. Ele escancara toda a fragilidade do São Paulo. Um gigante, com um estádio maravilhoso, com dos centros de treinamento e com um currículo de ótimas vendas, o que é sinônimo de dinheiro em caixa. Um clube assim é tão mal administrado por anos a fio que não consegue competir com o River Plate, da vizinha Argentina. Um River Plate que flertou com a bancarrota há tempos, que foi para a série B e que se recuperou. Leco poderia fazer um estágio lá, com os millonários.

Hernanes estava aqui de passagem, todos sabiam. Infelizmente, para o torcedor do São Paulo, foi uma passagem curta.

Jô estava na pior, veio para o Corinthians, se recuperou e agora vai ganhar mais dinheiro lá no Japão.

Quem mais sofre entre os três grandes é o São Paulo. Principalmente por perder dois jogadores (já estou dando como certa a saída de Pratto), mas também pelo que significavam para o clube e, principalmente, pela mensagem que a saída deles transmite. Qual mensagem? Vamos brigar de novo para não cair. Apesar de um pouco pessimista, o pensamento é válido. O time passou sufoco enorme no ano passado, se recuperou e terminou o ano com uma boa base. Dorival pediu três reforços. Agora, vai precisar de cinco.

Quem sofre menos é o Palmeiras, que já havia se antecipado e contratado Emerson Santos. Se for insuficiente, sempre há possibilidade de um novo aporte, de uma nova ousadia. Quem tem dinheiro, manda buscar.

O Corinthians está acenando com Vagner Love. Deu certo uma vez. Dará novamente?

Enfim, é o velho filme. O ano começa com incertezas e mais incertezas. Uma rápida olhada para o Santos confirma. Perdeu Lucas Lima, Zeca  e Ricardo Oliveira e trouxe Romário. Quem? Romário, o lateral.


Dorival isenta Rogério Ceni de culpa no péssimo ano do São Paulo
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Em ENTREVISTA RECENTE ao blog, Dorival Jr. falou sobre o presente e o futuro do São Paulo. E, ao contrário da diretoria, que gosta de se referir ao período Rogério Ceni como “herança maldita”, fez questão de isentar o ex-treinador de toda culpa pelo péssimo rendimento no Brasileiro.

Reservei esta parte da entrevista para hoje. O diálogo, comigo, foi assim:

Quando o Pinotti me chamou, eu disse que ele deveria estar atento porque o início de trabalho seria muito duro no início. Os jogos eram em sequência e não haveria tempo de treinamento. Só após o final do turno é que haveria um período para trabalhar. E havia muitos jogadores chegando, muitas mudanças.

É verdade. Remontar o time durante o campeonato é como trocar o pneu com o carro andando.

Justamente. 

E, no caso do São Paulo, o piloto era inexperiente.

Ah, não. A inexperiência do Ceni não conta, não. Foi duro para ele, foi duro para mim, seria duro até para o Paulo Autuori, que tem mais experiência que os dois juntos.

O diálogo serve como aviso para os dirigentes do São Paulo. Se forem trocar todo o time novamente, os problemas continuarão. Por isso, seria bom resolverem logo as situações de Jucilei e de Hernanes. O que será muito difícil. São jogadores que custam caro.

E, dentro da loucura que é o futebol brasileiro, uma coisa ruim pode ajudar o São Paulo. A base não tem figuras acima da média como David Neres e Luis Araújo, que brilharam pouco tempo e já foram para a Europa. Há jogadores bons, como Militão e outras promessas como Brenner, Lucas Fernandes e Shaylon, mas nada indica que a Europa seja uma opção para eles em 2018.

Ou seja, menos brilho e menor possibilidade de desmanche. Dá para planejar melhor.

 

 


Dorival: “Falta um ponto e em 2018, vamos lutar por títulos”
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O blog entrevistou Dorival Jr. Foi muito agradável, é uma pessoa de bem e que falou sobre tudo o que foi perguntado. Só não deu o nome dos novos contratados, mas se fosse ele, eu também não daria.

Como vai ser o São Paulo de 2018?

Ah,  não vamos falar do ano que vem, não. Estamos trabalhando duro ainda em 2017 para salvar o São Paulo.

Mas, já salvou, né?

Nada disso, ainda precisamos de um ponto.

Ah, que exagero. O São Paulo tem 45. Ponte e Vitória têm 39 e se enfrentam…

Então, quem ganhar esse jogo ainda vai estar na briga

Tudo bem, mas o que se pode esperar do São Paulo no ano que vem?

Vamos brigar por títulos. Pode ter certeza disso.

Você vai ter o privilégio de montar o elenco, já a partir da base que se formou esse ano. Vai pedir muitas contratações? Dez?

Imagina, de jeito nenhum. Queremos contratações pontuais para que o time melhore. Queremos contratações do tipo Hernanes, de alto nível, para resolver. E vamos aproveitar a base. É um privilégio montar o elenco, mas vamos ter só 14 dias de treinamento antes de o campeonato começar. Não vai ser fácil.

Tem algum jogador da base que te deixa entusiasmado?

Tem o Anthony, do sub-17. É muito bom. E tem o companheiro dele, o Helinho. É sacanagem o que estes meninos jogam.

Tem outros da base?

Sim, mas não vou falar agora. Vou começar a temporada com alguns e depois da Copa São Paulo vou puxar mais dois.

E o Brenner?

Esse é questão de tempo, joga muito. É bom centralizado e também pelos lados.

Quando eu vejo o Brenner, eu penso no Ademílson, que fazia muitos gols na base, mas, que, quando chegou no profissional, sofreu muito porque a força física já não adiantava muito.

É verdade. O jogador da base precisa ser apoiado quando chega no time de cima. Pode estar pronto como o Zeca e o Lucas Veríssimo, que lancei no Santos. Por isso, é importante o sub-23. O Veríssimo eu tirei de lá. Veja o caso do Lucas Fernandes. Ele entrou, saiu, entrou e saiu. Quando entrar de novo, acho que vai render de forma contínua.

Já que você não quer falar de nomes de reforços, vamos falar dos emprestados. O que acha do Breno?

Gostaria de contar com ele. O São Paulo tem preferência para a volta.

Hudson?

Aí, é o contrário. A preferência é do Cruzeiro, então nem vou analisar.

O Artur, que está na MSL?

Não conheço bem, preciso analisar.

Iago Maidana?

Gosto dele, é bom jogador.

E o Kaká, se viesse para o São Paulo seria como o Lugano, que todos dizem ser um bom exemplo fora do campo, mas que não joga?

O Kaká tem muita condição de jogar ainda. Muito bom. Quanto ao Lugano, eu quero dar um testemunho. É um jogador de muito caráter. Ele é um exemplo. Não é escalado, mas treina com uma intensidade imensa. Outro, no lugar dele, poderia relaxar. Ele, não. Faz de tudo pelo grupo. Ele estava machucado e mesmo assim, viajava com a gente. Ninguém pode se queixar dele. É exemplar.

Crédito: RONALDO SCHEMIDT / AFP

E o Jean, goleiro do Bahia?

A diretoria trouxe o nome dele até mim e eu aprovei. Tem muitas qualidades.

E o Lucas Perri?

Tem grande futuro, é dois anos mais jovem que o Jean e vai subir um degrau no ano que vem.

Você falou em contratações pontuais que chegam para resolver. Eu vejo alguns problemas no time e gostaria de perguntar sobre eles. Contra o Vasco, o São Paulo fez um gol e recuou. Tudo normal, mas não tinha contra-ataque algum.

Nosso time não tem contra-ataque. Nosso time, até pelas características dos jogadores, aposta em muitos passes no meio, estamos trocando uns 700 por jogo. A saída de bola é qualificada, desde a zaga, com o Rodrigo Caio. Então, não tem contra-ataque, não tem a bola esticada, ela é conduzida. Poderia ter com o Wellington Nen, mas ele se contundiu. Para o ano que vem, teremos essa opção.

Será alternativo, como você diz. Mas como contratar um jogador bom para ser alternativo?

O jogador pode puxar o contra-ataque e também fazer outras funções. No Santos, era assim, como Geuvânio e o Marquinhos Gabriel. Aqui, até poderia ter com o Marcos Guilherme, mas ele tem muita condição defensiva, não dá para fazer os dois. Você perguntou de nomes, eu quero dizer que o Morato vai ficar. Ele renovou o contrato e terá pelo menos seis meses para mostrar futebol. Foi o tempo que ele ficou parado.

O fato de o time chegar no ataque através de muitos passes atrapalha o Lucas Pratto?

Não. A função dele é jogar de bico a bico da área adversária. Está sempre perto do gol. Quero explicar também que, além de trocarmos muitos passes, não temos muitas jogadas de fundo, com os laterais. O Militão e o Edimar não são para avançar, principalmente o Militão, que é um grande marcador. O Júnior Tavares apoia bem, tem grande potencial, mas o Edimar me dá mais segurança atrás.

Na ausência do Cueva, você usou o Shaylon, Lucas Fernandes, Maicosuel e Júnior Tavares. Isso mostra a importância dele, não?

O Cueva é muito bom. Eu o aproximei do Hernanes e o time rendeu bastante. Tem gente que chama o Hernanes de volante, ele é meia. O Cueva fez umas partidas na ponta, aberto, mas foi por conta dele, eu não pedi. Eu deveria ter fixado um jogador só na sua ausência, mas achei que um jogo era diferente do outro e resolvi variar.

Por que você demorou para fixar o Jucilei?

Porque ele não estava conseguindo jogar como nos tempos do Corinthians, quando roubava a bola e se aproximava da área adversária. Eu chamei para conversar e disse que, se não tivesse intensidade, não jogaria. Foi o mesmo que falei para o Vecchio, no Santos.

Quando você assumiu o São Paulo, você fez uma previsão melhor ou pior do que aconteceu com o time?

Não fiz previsão. Como você vai fazer previsão em um campeonato em que o último colocado ganhou duas seguidas e voltou a sonhar? Aqui não é o campeonato espanhol, é difícil prever alguma coisa. O que eu previ para o Vinícius Pinotti é que o time começaria a melhorar no segundo turno porque haveria mais tempo para trabalhar. Antes, haveria oscilações. A gente surpreendeu o Botafogo fora de casa e foi surpreendido pelo Coritiba no Morumbi.

Como foi o trabalho para reerguer o time?

Foi muito duro. A situação na tabela era ruim, não tinha tempo para treinar e a pressão era grande. Mudamos algumas coisas. Utilizamos bastante a psicóloga, Drª Anahy, aumentamos um dia de concentração, trouxemos os familiares para cá, mudamos a alimentação. Fizemos de tudo. Todo mundo ajudou. O Lugano foi muito importante.

O que mudou na alimentação?

(Juca Pacheco, assessor de imprensa, é quem explica). Nós passamos a jantar no estádio, após os jogos. No Pacaembu, no último jogo, tinha um buffet enorme para os jogadores. No Dia dos Pais, os jogadores receberam pais e filhos. Foi bacana. Ajudou.

Dorival, o que você acha da religiosidade dos jogadores, recebendo pastores na concentração?

Falaram que eu abri o Santos para os pastores. Não foi nada disso. Deixei entrar um amigo deles para tocar um violão. O treinador tem muito trabalho, rapaz, não dá tempo para ficar vendo se o jogador usa brinco, se reza ou não reza. Um dos problemas do futebol é que tem muita fofoca. Se a gente ganhar um jogo e for tomar pinga no bar, a torcida vê e diz que é água. Se a gente perder e for beber água, vão dizer que é pinga.


Dorival uniu os bons e o time melhorou muito
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Menon

A frase “futebol é só juntar os melhores, não tem segredo” não cabe mais. É do tempo em que se dizia que Lula, o técnico do Santos, jogava onze camisas para o alto e…pronto, lá vinha outra goleada.

Já não há tantos craques (eles estão na Europa) para prescindir de tática. Mas há o outro lado da coisa. Se há poucos destaques individuais em um time, porque não juntá-los?

Entrevistei Ney Franco no início de 2013, antes da pré temporada e perguntei como Ganso e Jadson atuariam juntos. Ele disse que não era possível. Que jogaria um ou outro, porque não abria mão de dois jogadores abertos pelo lado do campo. Os dois não jogaram juntos e Jadson foi brilhar no Corinthians, ao lado de Renato Augusto.

Lucas Pratto, em entrevista ao João Canalha, disse que não entendia porque no Brasil todos os times jogavam com dois extremos. Todos. Uma unanimidade que não permite dois meias juntos.

Dorival, não. Desde a chegada de Hernanes, ele fez de tudo para que ele e Cueva jogassem juntos. Fez mudanças para que a parceria desse certo. E parece ter chegado ao ponto ideal.

Hernanes chegou e disse que gostaria de jogar mais à frente, perto do gol adversário. Dorival aceitou, tirou Jonatan Gomez e deslocou Cueva para a esquerda. Não deu muito certo porque Cueva era frágil  na recomposição. Seu futebol caiu. E a torcida começou a ofender o peruano, dizendo que ele só jogava bem na seleção de seu país. Lógico, né? Lá ele continuava jogando pelo meio, como um armador centralizado, vaga que havia perdido para Hernanes.

Dorival, então, recuou Hernanes para o lugar de Jucilei, colocou Lucas Fernandes na esquerda e trouxe Cueva de volta para o meio. O peruano voltou a jogar bem, mas Hernanes teve uma queda. E Lucas Fernandes decepcionou. Até os chutes de longe, ponto alto em seu currículo, diminuíram.

Chegou, então, a terceira mudança. Jucilei voltou ao time, como primeiro volante. Petros e Hernanes colocaram-se a seu lado, mais adiantados. E Cueva fechou a ponta do losango. Muitas vezes no jogo, Hernanes se aproxima de Cueva e o diálogo entre eles flui com muita qualidade. Saiu assim o segundo gol contra o Santos.

O time está em seu melhor momento porque Dorival abriu mão do esquema com dois extremos e, principalmente, porque fez isto para ter Hernanes e Cueva bem próximos.

Juntou os bons e uniu-se a eles.