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Dorival uniu os bons e o time melhorou muito
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Menon

A frase “futebol é só juntar os melhores, não tem segredo” não cabe mais. É do tempo em que se dizia que Lula, o técnico do Santos, jogava onze camisas para o alto e…pronto, lá vinha outra goleada.

Já não há tantos craques (eles estão na Europa) para prescindir de tática. Mas há o outro lado da coisa. Se há poucos destaques individuais em um time, porque não juntá-los?

Entrevistei Ney Franco no início de 2013, antes da pré temporada e perguntei como Ganso e Jadson atuariam juntos. Ele disse que não era possível. Que jogaria um ou outro, porque não abria mão de dois jogadores abertos pelo lado do campo. Os dois não jogaram juntos e Jadson foi brilhar no Corinthians, ao lado de Renato Augusto.

Lucas Pratto, em entrevista ao João Canalha, disse que não entendia porque no Brasil todos os times jogavam com dois extremos. Todos. Uma unanimidade que não permite dois meias juntos.

Dorival, não. Desde a chegada de Hernanes, ele fez de tudo para que ele e Cueva jogassem juntos. Fez mudanças para que a parceria desse certo. E parece ter chegado ao ponto ideal.

Hernanes chegou e disse que gostaria de jogar mais à frente, perto do gol adversário. Dorival aceitou, tirou Jonatan Gomez e deslocou Cueva para a esquerda. Não deu muito certo porque Cueva era frágil  na recomposição. Seu futebol caiu. E a torcida começou a ofender o peruano, dizendo que ele só jogava bem na seleção de seu país. Lógico, né? Lá ele continuava jogando pelo meio, como um armador centralizado, vaga que havia perdido para Hernanes.

Dorival, então, recuou Hernanes para o lugar de Jucilei, colocou Lucas Fernandes na esquerda e trouxe Cueva de volta para o meio. O peruano voltou a jogar bem, mas Hernanes teve uma queda. E Lucas Fernandes decepcionou. Até os chutes de longe, ponto alto em seu currículo, diminuíram.

Chegou, então, a terceira mudança. Jucilei voltou ao time, como primeiro volante. Petros e Hernanes colocaram-se a seu lado, mais adiantados. E Cueva fechou a ponta do losango. Muitas vezes no jogo, Hernanes se aproxima de Cueva e o diálogo entre eles flui com muita qualidade. Saiu assim o segundo gol contra o Santos.

O time está em seu melhor momento porque Dorival abriu mão do esquema com dois extremos e, principalmente, porque fez isto para ter Hernanes e Cueva bem próximos.

Juntou os bons e uniu-se a eles.


Evolução, Dorival? São Paulo precisa de revolução
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Dorival está certo em falar de evolução no São Paulo. Os números mostram que, sob seu comando o time conseguiu 44,44% dos pontos (20 em 15 jogos) enquanto com Ceni o desempenho foi de 33,33% dos pontos (11 em 11 jogos).

É uma evolução considerável. Em termos de pontos, o time evoluiu 33,33% (saiu de 33,33 e foi para 44,44).

Se o time mantiver esse rendimento de 44,44% dos pontos nas últimas rodadas, conseguirá 14,7 pontos. 14 ou 15. Chegará, então a 45 ou 46 pontos ao final do Brasileiro.

Parece o general Geisel falando em distensão lenta, gradual e segura, quando o Brasil queria rapidez no avanço para a democracia.

E o que significa isso?

Estará salvo da degola.

E Dorival será demitido.

Sim, porque números são números. Aquela coisa chata que eu empurrei a vocês nos três primeiros parágrafos.

E futebol é futebol.

E a evolução futebolística é muito lenta. O time não consegue vencer duas partidas seguidas.

Sabe quantas partidas Oswaldo de Oliveira demorou para ganhar duas seguidas no Galo? Duas. As duas primeiras. Chegou e venceu. Dorival já leva 15 partidas no São Paulo e não emendou uma sequência de duas vitórias.

E o que isso acarreta? Necessidade premente de vencer. Obrigação. E a obrigação de vencer causa ansiedade e diminui o rendimento. Foi assim contra o Sport. O time era obrigado a ganhar e como sofreu para conseguir. No sábado, é o Furacão, no Pacaembu. Novamente, o time é obrigado a ganhar, para fugir do Z-4. Ora, depois de 15 jogos, já era para o time haver conseguido uma margem de manobra, um alívio. Nada disso.

Dorival fez coisas boas.

O esquema com um volante, três meias e dois atacantes (variável durante o jogo) é moderno e pressupõe marcação ofensiva, pressão no rival. Foi assim contra o Corinthians. E desandou contra o Sport. E contra o Galo, só funcionou depois de tomar o gol.

Trocou o goleiro. Sidão tem jogado bem, ao contrário do que eu previ.

Resolveu o problema da lateral, com Militao.

Efetivou Lucas Fernandes. E está dando espaço para Shaylon.

Tudo muito bom, tudo muito bem, mas tudo muito devagar.

Rogério Ceni foi mal. Mas quem garante que ele não teria reagido e chegado ao ponto em que o time está hoje.

Afinal, independentemente do tamanho da evolução, o time continua no sufoco, vivendo cada rodada como se o desastre estivesse iminente (e está), com uma calculadora na mão, com um olho no jogo do São Paulo e outro no jogo dos rivais.

Evolução, Dorival? O time precisa de revolução.


Muricy? São Paulo precisa de goleiro e lateral
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A situação está ruim? Chama o Marco Aurélio Cunha.

A situação está ruim? Atende a torcida e contrata o Lugano.

A situação continua ruim? Renova o contrato do Lugano.

A situação piorou? Coloca o Lugano para conversar com os torcedores.

A situação está ruim? Coloca o Rogério Ceni de treinador.

A situação está ruim? Demite o Rogério Ceni e espalha que ele deixou uma herança maldita em sua passagem.

A situação está ruim? Coloca o Raí no Conselho de Administração.

A situação está ruim com o Dorival? Chama o Muricy para dar uma palestra.

Assim caminha a administração do presidente Leco. Fazemos o que o cliente deseja. Agradamos a torcida. E assim podemos dizer, sem corar, que não temos responsabilidade alguma sobre o que está acontecendo.

Me inclua fora dessa. O problema são os outros

O que Muricy poderá fazer para ajudar o São Paulo? Desfilar sua “sãopaulinidade”, termo criado pelos dirigentes e que eu não faço ideia do que seja. Espero que não aquela visão eugenista do antigo presidente, que admirava Kaká por ter todos os dentes na boca?

Muricy vai dizer que o São Paulo é um boeing. Que é preciso respeitar o clube. Que é preciso dar mais que 100%. Que aqui é trabalho. Porra? O que mais ele pode fazer?

O que deveria ter sido feito há tempos e que não pode mais ser feito?

Como saber o óbvio, por exemplo.

Que um time que tem Sidão, Renan Ribeiro e Denis não tem um goleiro confiável? É tão claro, tão evidente. Marco Aurélio Cunha, Rogério Ceni, Leco, Jacobson, Medici e Pinotti não perceberam isso? Quem errou? Quem não corrigiu? Um time pode até ser campeão com um goleiro assim, médio no máximo, mas esse time, não. Um goleiro fraco pode ser o único problema do time, mas não pode ser um problema a mais. Porque, então, tudo aumenta de proporção.

Que o time tem laterais fracos. Buffarini, Bruno, Junior Tavares e Edimar têm problemas. Problemas identificados há tempos, exceto os de Tavares, que apareceram com nitidez com o correr do campeonato. E dava tempo de corrigir. Dava tempo. E nada foi feito.

Que o São Paulo sucumbe à cabeçadas de Léo Gamalho? Onde está o erro? No cruzamento? Na zaga?

Que o reserva imediato de Petros é Militão, que precisa jogar na lateral porque não tem lateral? Que a outra opção é Araruna, que também precisou jogar na lateral?

Que Denílson, Thomaz e Marcinho são opções frágeis.

Faltam 15 rodadas.

Sobram problemas graves.

Muricy não vai resolver nada.

Ele é apenas um factoide desesperado.

O próximo, se nada mudar, será a demissão de Dorival Jr.

Ela será realidade se a situação não der mostras de melhora nas próximas cinco rodadas. Virá, então, um novo treinador para dar uma chacoalhada no time. Um choque de emoção. O choque de gestão não virá.


Pinotti coloca os pés no chão
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A entrevista de Vinicius Pinotti foi boa. Direto, sem pestanejar, foi muito claro. “A situação é horrível. Estamos temerosos. Estamos trabalhando bastante e não é de agora”. Reconhecer que a situação é horrível é um avanço muito grande para os lados do Soberano, que, aliás, é um apelido que Pinotti sempre repudiou.

É um avanço porque Pinotti falava, lá atrás, ainda com Ceni, que o São Paulo estar na zona de rebaixamento era algo circunstancial. E Leco chegou a dizer que não tinha responsabilidade nenhuma na situação ruim do São Paulo. Agora, pelo menos um sabe que tudo está mal. Horrível, como ele disse.

O clube aceitou uma conversa com um comitê de torcedores de todos os tipos, de organizados a sócios. Sempre sou contra receber torcedor, mas, pelo menos dessa maneira afasta-se a possibilidade de invasão. A barbárie precisa ser evitada. E a torcida, por tudo o que tem feito, merece ser ouvida.

Pinotti afirmou ainda que aceita opiniões contrárias e que sabe conviver com a democracia. Importante alguém, seja quem for, falar isso nos dias de hoje. Ele abriu as portas para Muricy e disse que está satisfeito com Dorival.

Bem, estar satisfeito não significa manutenção. Se faltarem dez rodadas e o São Paulo ainda não tiver reagido, Dorival cai, sem dúvida. E é normal que caia. Se não resolveu agora, vai esperar o quê? A Segundona?

Por fim, nada foi falado sobre laterais. E a permanência na Série A será facilitada se resolverem o assunto.


Leco e Pinotti dormem no ponto e atrapalham Dorival Jr.
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Menon

O São Paulo tem muitos problemas. Um deles, que piorou muito com a chegada de Dorival Jr., tem um antídoto que poderia melhorar muito a situação do clube. Falo do sistema defensivo, que tomou 19 gols em dez jogos sob o comando do novo treinador. Pode-se dizer que o problema da defesa começa quando o centroavante não dá o primeiro combate, pode-se argumentar que falta recomposição dos pontas, pode-se dizer que os volantes não estão colaborando, mas pode-se dizer também o óbvio. Há um LADO DIREITO que falha muito. Uma   AVENIDA que prejudica o TRABALHO de Dorival, que tem qualidades, mas não é especialista em evitar quedas.

Então, chegou a data Fifa. O campeonato é suspenso por duas semanas. Seria o momento ideal para uma contratação cirúrgica. Precisamos de um lateral que marque bem. Não precisa ser um gênio, apenas alguém que ajude a fechar o lado direito, que não tome dribles humilhantes, que não seja uma avenida. Alguém que ajude o time a não sofrer gols como foram contra o Grêmio, o Coritiba, o Bahia, o Palmeiras, sempre pela direita. E pela esquerda, também, mas em menor quantidade.

Era a hora de Pinotti, Leco, Dorival, o filho do Dorival, o incensado departamento de estatísticas se reunissem em uma sala por cinco horas. Vídeos, troca de informações, um brainstorm. E definir dois nomes para as laterais. E contratar um deles, no mínimo, rapidamente. E por que rapidamente? Para que o treinador pudesse trabalhar com o novo reforço por dez dias. Montar um bom esquema de cobertura, determinar funções e definir como o novo jogador ajudaria a fechar a casinha.

Nada disso foi feito. E Dorival está treinando Militão por ali. Acho que foi uma decisão perfeita, diante do que se tem. É um jogador técnico, e que, apesar de jovem, ter personalidade. Mas é uma improvisação.

E, enquanto não contrata, o São Paulo manda Douglas para a Chapecoense. Um PREVISTO movimento. Mas, por que a Chapecoense, rival direto na luta contra o rebaixamento? Não dá para entender.

O São Paulo está mal, tem uma janela para se reforçar e reforça o adversário.

Está difícil entender.

 


São Paulo está brincando de roleta russa
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Galveston, de Nic Pizzolatto (roteirista da série True Detective), é um livro para virar filme, com seus diálogos curtos e sua história intensa. Já virou, aliás. Estreia no ano que vem. Roy Cady, um assassino de aluguel, é traído por seu chefe e consegue escapar de uma tocaia. Foge e leva consigo uma prostituta de 18 anos, Rocky Acenaux, em uma louca viagem até Galveston, no Texas. No caminho, mortes, assassinatos, bares e bebida. É uma viagem rumo à morte, pois na primeira página do livro, Cady é diagnosticado com câncer no pulmão. Flocos de neve no pulmão. E sua reação é fumar um cigarro. E beber um uísque.

Diagnosticados com câncer que fumam charutos.

Diabéticos que mergulham em um balde de milk shake.

Alcoólatras que saem da reunião do AA e tomam uma cervejinha para relaxar.

Viciados em droga que dão um tapinha de leve porque maconha, está provado, não faz mal.

Malucos por velocidade, tirando rachas nas ruas das metrópoles.

E tem o São Paulo, que está caindo para a segunda divisão. Sabe qual é o motivo principal e não consegue fazer nada para mudar de vida. Como Roy Cady foge para Galveston, o São Paulo corre para Lucas do Rio Verde e Varginha. E o piloto de sua insana viagem rumo ao vexame tem nome: Julio Alberto Buffarini.

Dorival Jr. sabe que o problema está ali. Ele se aproveitou disso quando era treinador do Santos e viu Victor Ferraz dar um drible humilhante em Buffarini. Ele já era técnico do São Paulo e viu Jean Motta dar um drible humilhante em Buffarini. Os dois lances se transformaram em gols.

Dorival Jr. viu Rildo, do Coritiba, dominar Bruno e sofrer um pênalti “insofrível”. Dorival Jr. viu Araruna falhar nos dois gols do Bahia. E viu agora, o Palmeiras marcar quatro gols pela direita de sua defesa. Um deles, nascido de um erro ridículo de Edimar, lá na outra lateral. Buffarini estava em campo. Como estava no Paulista, no gol de cobertura de Dudu, quando perdeu uma bola dominada.

O time do São Paulo é ruim. Tem muitos defeitos, mas melhoraria muito se houvesse uma solução para o problema. E qual é a solução?

A primeira e mais fácil opção é trocar o jogador, como Dorival fez ao colocar Edimar em lugar de Tavares. Melhorou, apesar do erro contra o Palmeiras. Também trocou Renan  Ribeiro por Sidão. No caso da lateral, trocar parece uma solução que não se sustenta, pois Bruno é fraco e Araruna não entusiasma ninguém.

A segunda opção é improvisar. O melhor nome, apesar de tudo, era Wesley, que foi para o Sport. Poderia ser Petros. Ou então, jogar com um zagueiro na lateral, algo comum em outros países. Um marcador, apenas. Não precisa apoiar. Um homem que tampe o buraco. Rodrigo Caio jogou uma vez assim e tomou um baile do Neymar. Mas Neymar é Neymar e Rodrigo Caio é Rodrigo Caio. Podia ser Arboleda…

A terceira opção é melhorar a cobertura e a proteção a quem joga. Questão de treinamento, mas isso Dorival deve fazer todo dia. E não está dando certo. Poderia colocar um meia para ajudar o lateral. Gómez pode ser o cara, mas, com sua entrada, o time perderia na armação.

A quarta opção é buscar na base, mas, quem? Foguete disputou o estadual de Goiás pelo Vila Nova, que não ficou com ele para o Brasileiro da Série B.

A outra opção é Dorival ir trabalhar no dia da folga. Juntar-se com Lucas Silvestre, com o pessoal do departamento de análise e estatística, com Vinícius Pinotti, com alguém da Nasa e fazer uma busca detalhada por um novo lateral. Listar todos que não fizeram ainda sete jogos, buscar na segunda divisão, na terceira divisão, na Série XYZW e achar alguém. Não precisa ser craque, não precisa ter futuro brilhante, nada. Basta saber marcar, diminuir espaços, dividir, dar um carrinho, não levar drible humilhante e não fazer pênalti imbecil.

Enquanto não fizer alguma coisa, Dorival e o São Paulo estarão se comportando como malucos de pedra que curtem a adrenalina de uma roleta russa. No caso do Tricolor, há no mínimo três balas na agulha.


Palmeiras vence pela avenida Buffarini, como previsto
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Menon

AvenidaO Palmeiras venceu com tranquilidade o São Paulo, marcando quatro gols nascidos pelo lado esquerdo de seu ataque. Ali, onde estava a avenida Buffarini. Só não foi mais fácil porque sua defesa falhou nos dois gols do São Paulo. Então, Cuca apostou ainda mais no lado esquerdo de seu ataque, agora com Keno. E mais dois gols saíra. Foi um resultado muito justo, por dominar o jogo todo, por criar mais situações de gol e por saber onde estava o mapa da mina. Aliás, todo mundo sabia. Menos Dorival.

Não se trata aqui de menosprezar a vitória do Palmeiras, que é um time melhor e que tem um elenco melhor. Antes do terceiro gol, por exemplo, Cuca colocaria Roger Guedes, mais um homem de lado. Tem elenco e sabe usar. O ponto é mostrar que a deficiência é conhecida por todos e que o São Paulo não tem como corrigir. O reserva Bruno foi responsável pela derrota contra o Coritiba. E Araruna, levou um baile do Bahia.

O São Paulo se aproveitou do meio-campo do Palmeiras ter mais toque do que pegada e fez o primeiro gol, com um belo passe de Pratto para Marcos Guilherme. O time se fechou atrás e teve a chance de fazer o segundo, também com Marcos Guilherme, que acertou a trave. Pratto, muito participativo, saiu após cabecear o joelho de Hernanes.

O Palmeiras virou, com dois gols pela esquerda. Michel Bastos cruzou para Willian. E, logo em seguida, o Bigode fez outro lindo gol, também pela esquerda, em chute cruzado. Buffarini, Arboleda e Cueva, às vezes, tentavam fechar o setor, mas não conseguiam.

O empate veio em nova falha da defesa do Palmeiras. Buffarini acertou um cruzamento, Hernanes, marcado, subiu, matou no peito e chutou na caída da bola.

Cuca mudou o jogo aos 15 minutos. Colocou Keno em lugar de Bruno Henrique. Todos os 33 mil no campo e todos os outros, em frente da televisão, sabiam o motivo. Iria apostar ainda mais no lado esquerdo do ataque. Keno x Buffarini. Pior que Mayweather x McGregor.

E saíram mais gols. Deyverson, na esquerda, tocou para Keno. Belo gol. E Tchê Tchê abriu linda bola na esquerda, para Willian, que serviu Hyoran.

Quatro gols pela esquerda. Mérito de Cuca que viu a avenida que todo mundo viu, menos Dorival.

Detalhe: após o terceiro gol, o São Paulo tentou reagir com…Denílson.

Não daria certo.


Cuca e Dorival fazem trabalho decepcionante
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Cuca e Dorival Jr chegaram a Palmeiras e São Paulo, respectivamente, como salvadores. Com eles, os problemas estariam resolvidos. O Palmeiras seria campeão da Libertadores, sem dúvida. E, se os rivais bobeassem, ainda faturaria  Brasileiro e a Copa do Brasil. Dorival afastaria o São Paulo de suas angústias e misérias futebolísticas em pouquíssimo tempo. Corrigiriam tudo de ruim que Eduardo Baptista e Rogério Ceni haviam feito.

A bem da verdade, a confiança em Cuca era maior. Evidente. Ele havia sido campeão brasileiro há cinco meses. Voltou como Dom Sebastião voltaria se não tivesse realmente morrido a batalha de Alcacer Quibir. Voltaria para dar ao Palmeiras glórias recentes, como dom Sebastião resgataria glórias antigas de Portugal.

E nada foi como se sonhou. O trabalho de Cuca é sofrível. O time foi eliminado pelo Barcelona do Equador e pelo Cruzeiro. E continua léguas de distância do Corinthians o Brasileiro. Já era. A confiança dos palmeirenses em Cuca é inabalável. Ainda neste domingo, almocei em Santos com amigos da família Simão. Maria, futura arquiteta, me disse que teria coragem de ler um post meu após a vitória sobre a Chape com o seguinte título. “Pintou o campeão”.

Não deu, amiga. O Palmeiras jogou muito mal. O time parece travado em campo e há muitos jogadores superavaliados. Jean, Michel, Tche Tche, Thiago, William, Deyverson e Borja, quem mostra em campo a mesma desenvoltura e vontade de uma irmã de caridade em uma aula de pole dance.

Não pintou um Palmeiras campeão, mas pintou um São Paulo novamente no inferno futebolístico. Novamente entre os quatro piores. Novamente no vexame. Dorival analisou o empate contra o Avaí e disse que o São Paulo foi muito bem. E, para justificar a afirmativa, diz o seguinte:

Construímos alguns bons lances, em alguns momentos em uma defesa muito bem montada.”

Muito pouco, não é Dorival? A construção de alguns lances não significa uma grande partida.

Ele fala em evolução. Fala que o time está começando a criar confiança maior. Começando.

E termina com outra frase, que tem jeito de esperança, mas que, na verdade, é uma confissão de fracasso.

“Estamos aguardando por uma arrancada, mas está demorando a acontecer”

Dorival, Dorival… São nove jogos e a tal arrancada já deveria ter vindo. O Bahia teve uma arrancada. O Vitória está tendo uma arrancada. O Furacão subiu mais que a desconfiança do povo com o Michel. Temer, não o Bastos. E o São Paulo? Em nove jogos, foram três vitórias, três empates e três derrotas.

Muito pouco.

O discurso de Dorival parece não levar em conta o momento. Está melhorando, está solidificando, está ganhando confiança, estamos esperando uma arrancada. E o tempo passa. E nada. Na próxima rodada, pega o Palmeiras, fora de casa. E poderá ser ultrapassado por Vitória e Avaí, que visitam Coritiba e Chape, respectivamente.

Arrancada deveria tem começado com uma vitória contra o Atlético-GO, na estreia de Dorival. E foi empate, no Morumbi. Arrancada teria havido em caso de vitória contra o Coxa, no Morumbi. Derrota.

Com Dorival, o São Paulo tem aproveitamento de 44%. Se ele for mantido, o São Paulo terminará o campeonato com 45 pontos. Muito provavelmente, escapa. E quem não escapará será Dorival.

 


7 motivos para o São Paulo não cair
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Menon

during the Serie A match between Juventus FC and Torino FC at Juventus Arena on October 31, 2015 in Turin, Italy.

Uma queda de time grande não é uma queda anunciada. Ela vai se construindo a cada dia. E começa antes do início do campeonato. Começa anos antes. Começa fora de campo, com falta de gestão, falta de transparência e de democracia. O São Paulo, o ameaçado da vez, mudou estatuto, prorrogou mandato, teve presidente ladrão e jogou a sujeira para debaixo do tapete.

Seguiu a cartilha da queda direitinho, mas algumas atitudes da diretoria e algumas características do elenco deixam aberta a possibilidade de reação. São a vacina contra o mal.

  1. O fator HPPrL – Hernane Petros e Pratto são profissionais comprometidos, de muita personalidade e com liderança. São atletas que cuidam do físico e respeitam a profissão. São comandantes que podem levar o restante da tripulação a remar para o mesmo lado e evitar a queda. Hernanes e Pratto, além disso, possuem bom nível técnico, mais do que Petros, que considero inferior a Thiago Mendes. Lugano é o quarto elemento da turma, apesar de não entrar em campo
  2. Cueva – O peruano deu sinais de reação  na derrota contra a Chapecoense e os confirmou contra o Vasco. Ele foi o melhor jogador do ano passado e sua queda de rendimento foi terrível para o time. No gol contra o Vasco, deu um passe espetacular para Pratto. E, na comemoração, ficou demonstrado a diferença entre os dois. O argentino vibrou muito e o levantou para que todos vissem. Estava jogando pelo grupo, estava dando moral a Cueva, que, praticamente não reagiu. Mostrou apenas timidez. De Cueva, pode-se esperar apenas bom futebol. De Pratto, bom futebol e comprometimento.
  3. Poucos gols sofridos – O São Paulo está em 18º lugar, antes de completar a 16ª rodada. Se vencer, ficará em 16º. E é a sétima melhor defesa, ao lado de Palmeiras (quinto lugar) e Avaí (17º). Tem saldo negativo de três gols, muito melhor que os seus concorrentes como Atlético-GO (16), Vitória (13), Avaí (8), Furacão (8), Coritiba (5), e Chape (6). É um time que não foi goleada nenhuma vez, embora tenha levado três gols de Corinthians e de Santos.
  4. Boa atuação na janela – O que ajuda um time grande a não cair é ter dinheiro (ou crédito) para se reforçar. O São Paulo, que perdeu muitos jogadores importantes, conseguiu reforços de bom nível. Arboleda e Petros estão jogando bem. Gómez, não, mas tem comprometimento. Hernanes e Marcos Guilherme são esperanças baseadas em bom futebol. Ainda há boas opções no elenco como Jucilei, o mais regular do time, Renan Ribeiro e reservas como Marcinho, Lucas Fernandes e Gilberto. Tem ovos para fazer uma omelete salvadora.
  5. Morumbi – O São Paulo realizou sete jogos em casa. Ganhou quatro – Palmeiras, Vasco, Vitória e Avaí – empatou com Fluminense e Dragão e perdeu para o Galo. Disputou 21 pontos e ganhou 14. É um aproveitamento de 66,6%, quatro pontos a cada dois jogos. Se mantiver essa média até o final do campeonato, terá conseguido 38 pontos. Faltará pouco para os 46 salvadores.
  6. Torcida – A torcida do São Paulo tem comparecido e ajudado o time. Um papel muito bonito por perceber que a razão de sua paixão está sofrendo. O time está na rabeira e tem a quarta melhor média de público como mandante. Na quinta-feira ,de frio, às 19h30, havia 23 mil contra o Vasco. Contra o Grêmio, já foram vendidos 25 mil ingressos.
  7. Dorival Jr. – Considero Rogério Ceni uma vítima e não o culpado pela situação. Mas há um novo treinador e ele acertou em algumas coisas. Optou por um jogo de posse de bola e pela manutenção de um time-base. A posse de bola faz com que o time tenha domínio tático do jogo e evite loucuras que eram comuns antes, com um time muito desequilibrado, algo que Ceni já tratava, sem muito sucesso, de corrigir. E a manutenção de uma base faz com que o time evolua. Além disso, Dorival detectou que Júnior Tavares estava muito mal na marcação e o trocou por Edimar. Dará certo?  Dorival conseguirá recuperar Wellington Nem? E o ataque, conseguirá ser mais efetivo? Até agora, foram apenas 15 gols. São desafios prontos para Dorival e suas primeiras atitudes dão esperança de solução.

Cuca, Ceni, Elano e a precária ética dos treinadores
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Grande parte de jornalistas adota a tese de que é um grande erro demitir treinador em início de trabalho. Qual é necessário dar tempo para que as ideias sejam assimiladas pelo grupo de jogadores. Outros são contra a demissão quando, passados dois anos de sucesso, o trabalho começa a falhar e não rende mais. Os treinadores seriam protegidos pelo futuro (ainda não mostraram o trabalho) e pelo passado (um dia esse trabalho foi ótimo).

Criou-se, então, a tese de que ser treinador de futebol é ago perigoso, sem segurança alguma. Uma tese que não leva em conta as multas enormes que existem nos contratos. Por exemplo: assinou por dois anos, foi demitido com seis meses, recebe o salário até o final do contrato. Não se leva em conta, também, o alto salário pago. Um governador de estado recebe R$ 30 mil aproximadamente por mês. Um treinador médio, recebe  R$ 300 mil. Ou seja, ganha o mesmo que Alckimin, Pezão, Sartori, Richa e mais seis, somados. Bem, esse exemplo não é bom. O que esses e outros governadores estão entregando não é nada bom e chegaríamos à conclusão que treinador precisaria ganhar R$ 3 milhões por semana.

Nossos treinadores – não sei os outros – estão longe de serem os coitadinhos, de serem as vítimas que a narrativa atual está impondo. Vocês já repararam como é rápida a assinatura de contrato de um novo técnico? O SUJEITO A é demitido ás dez da manhã. O SUJEITO B está todo uniformizado dando treino as 14 horas. Que velocidade, não? Salários acertados, comissão montada, multa acertada….Tudo depois da demissão do companheiro de profissão. Porque negociar antes não seria ético, não é?

Quando a velocidade falha, é a vez do auxiliar assumir por uma semana. Aquele auxiliar que ficou o tempo todo com o treinador, que teve tempo de conversar e que, teoricamente, deveria agregar conhecimento e trocar opiniões, que também é responsável pelo que estava sendo feito, assume e muda tudo no time. Coloca o Vecchio, que estava afastado, com a missão de vencer o jogo. A mensagem é clara: eu não tenho nada a ver com o que o outro estava fazendo. Será que o novo treinador acredita no que o auxiliar está dizendo. Ou sabe que está criando um corvo?

A pouca fidelidade de Elano a Dorival foi a causa de uma discussão entre Cuca, Cuquinha e Elano (já como auxiliar  de Levir Culpi) após a vitória do Santos sobre o Palmeiras, na Vila, pelo Brasileiro.

Outro exemplo da falta de solidariedade entre treinadores é dada quando atuam bravamente para diminuir o elenco do rival. Indicar um jogador é algo normal, não há nada de errado. A lei está aí e permite que alguém que ainda não completou seis jogos possa se transferir. Então, não há nada de condenável em Cuca pedir Richarlison, do Fluminense, ou Diego Souza, do Sport.

Só isso. Não deve ir além. O repórter Daniel Leal, do superesportes conta que o treinador palmeirense telefonou para o atacante e, durante uma longa conversa, garantiu que ele seria titular no clube. Algo muito importante para quem sonha e luta por uma vaga na seleção brasileira.

Abel Braga, treinador do Fluminense, conta que Cuca o procurou a negociação – justa e limpa negociação entre Palmeiras e Flu, por Richarlison – para dizer que ele não ficaria sem jogadores. Que o Palmeiras daria uma lista de quatro jogadores para que o Fluminense escolhesse dois?

Isto é função de treinadores? Não seria melhor ficar restrito ao campo? Alexandre Mattos ganha muito para isso.

Convidar jogadores para o São Paulo foi algo constante na carreira de Rogério Ceni, mesmo quando ainda era jogador. Foi assim com Aloísio, com Leandro e agora, como técnico, com Marcinho, do São Bernardo.

Imoral? Ilegal? Não sei. Inconveniente, com certeza. Se treinadores não são leais com treinadores, se fazem a função que não lhes cabe fazer, fica difícil manter a narrativa dos coitadinhos que não têm garantia no emprego.


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