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Tite, Leila e o dinheiro vindo do ensino pago
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Menon

Leila Pereira publicou um twitter com Dudu fazendo propaganda da Faculdade das Américas, de sua propriedade. Eu falei que considerava aquilo uma vergonha. Recebi muitas críticas. De todos os tipos. A mais imbecil é que eu persigo o Palmeiras, que tenho inveja da patrocinadora ou que a inveja é porque não fui chamado para a propaganda. Ora, amigos, por que alguém me chamaria para fazer propaganda de alguma coisa? Não sou famoso. E, se fosse, acreditem, não aceitaria. Jornalista, a meu ver, não pode fazer propaganda de nada.

Outros argumentavam que eu estava sendo preconceituoso com Dudu. Não, de jeito algum. O erro, como tentarei mostrar depois, é da Leila Pereira e não do Dudu.

Outra vertente diz que faz parte do contrato de imagem e que tudo é legal. Sim, é legal, nunca disse que não era.

O presidente Paulo Nobre defendeu a Leila. “Se você não sabe filho, escolas já se transformaram em bussiness (sic) faz uns 45 anos. As escolas no Brasil disputam mercado ferozmente. São entidades privadas e que precisam ganhar dinheiro. qualquer ação de mke é válida faz parte do negócio comercial. Simples assim”.

Simples assim, concordo. Desde que eu concordasse que ensino é business. Que ensino seja negócio comercial.

Não concordo. Pode até ser assim, mas não acho que deva ser.

Para mim, uma propaganda de ensino privado deveria ser feito mostrando quantos mestres e doutores há no corpo docente. Qual a qualidade dos laboratórios. Como é a inserção no mercado de trabalho. Qual a avaliação do MEC.

Se for assim, que seja feita pelo Dudu, pelo Roberto Carlos ou pela Anitta.

Se não for assim, nem pelo presidente Fernando Henrique Cardoso.

É o que eu acho. Sem querer perseguir ninguém. Aliás, toda torcida se acha perseguida pela “imprensa”. Como se existisse apenas uma imprensa, como se todos pensassem de forma igual…

O amigo Fabio Marques (@fabinhomax) me cobrou coerência por não haver feito comentário semelhante quando Tite fez propaganda para a Uninassau. E ele tem razão total. Não me passou o assunto na época.

E digo que a postura de Tite é horrível. O cara é o treinador da seleção, sabe tudo de futebol, está no auge e, além de tudo o que ganha, vai ganhar mais dinheiro ainda recomendando que jovens se matriculem em uma escola que, eu duvido, ele conheça.

É muito pior que a do Dudu porque ele não é obrigado, não está preso a nenhum contrato. O Dudu está.

Mas o Tite é aquele que assinou um texto criticando o Marco Polo del Nero e depois o recebeu com um beijo no rosto. E é aquele que, indo contra o que está escrito no regulamento da CBF, leva o filho para ser seu auxiliar.

Agora, um comercial meu. Vocês podem me criticar, falar mal de mim, mas saibam que o que eu escrevo é o que eu penso. Não tem nada por trás disso. Nem a minha paixão pelo meu time e nenhuma vontade de perseguir o que quer que seja.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL **

 


Palmeiras está muito à frente dos outros. Zé Rafael e Nenê comprovam
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Três jogos e três vitórias. Impossível ser melhor. Pelo menos, nos números. O Palmeiras está exatamente onde se esperava: na frente dos outros. O campo reflete a superioridade que vem de fora dele. Lindo estádio, sempre lotado e patrocinadores fortes. Ou seja, muito dinheiro. E, se dinheiro manda no mundo, por que não mandaria no futebol? Parabéns ao Palmeiras, que soube sair da crise. Um aviso aos outros, que precisam correr muito/

Logicamente, pode-se falar o outro lado. Ganhou de um time pequeno, de virada, após o goleiro defender um pênalti e o adversário ter um jogador expulso. E foram dois gols de zagueiro. E um deles, em impedimento. Tudo correto, nada a contestar. Mas, quem ficar com análise rasa, quem entrar na onda do chororô, vai ficar cada vez mais para trás.

Quer ver um exemplo do domínio verde? Atende pelo nome de Zé Rafael. O Palmeiras entrou em um acordo com o Bahia. Se algum time quiser contratar o meia, o Palmeiras precisa ser consultado. Se igualar a proposta, fica com ele. Ou seja, nem está precisando agora, mas já deixa encomendado. E vai observando a evolução do meia, que veio do Londrina. Acho que isso aí é o tal “monitorando”, novo chichê dos jornalistas.

Enquanto o Palmeiras tem Guerra, Lucas Lima, Scarpa, Dudu e monitora (aderi ao clichê, mas é só hoje, juro) Zé Rafael, 24 anos, o São Paulo vai trazer Nenê, com 36 anos. No futebol, 12 anos de diferença é como Nenê ser avô de Zé Rafael. É engraçado. Treinador fica falando em intensidade, repete que treinos devem buscar intensidade e aceita (ou pede?) jogador em final de carreira. Fará gols de pênalti e de falta e….nada más. Basta ver sua participação no Vasco. Esse é o problema também de os jovens não desabrocharem logo. A bola está pulando para Shaylon e Lucas Fernandes e…nada.

Sou contra fairplay no campo. Para mim, é meio de vida (essa é velha) de juiz. Não precisa tomar decisão e o jogador é que precisa parar o jogo. Também não entendo muito de fairplay financeiro. Acho que sou um capitalista desalmado, adepto do quem pode mais, chora menos. E o Palmeiras, após superar gestões corruptas e ineficientes, após chorar muito, está com um sorrisão enorme e merecido. E, quando Thiago Santos faz dois gols, é  um aviso de que a felicidade não tem ano para terminar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Borjão da Massa resolveu a parada
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O time do Botafogo tem qualidade. E o calor de Ribeirão Preto é senegalesco, como dizia o querido Renato Fabretti lá na redação do Diário Popular. E o Palmeiras venceu os dois, Botafogo e o calor, com um gol de Borja. No limiar da pequena área, pé esquerdo na bola, sem goleiro. Fácil de fazer? Então, vai lá e faz.

É gol de centroavante, uma função subavaliada dentro do futebol. Já há tempos. Diz a lenda (será mesmo?) que Paulo Leão, centroavante do Guarani nos anos 70, fez cinco gols em um jogo e o jornalista Paulo Rosky lhe presentou com uma nota 2. “Fez cinco gols e mais nada”, foi o comentário.

Borja é assim. O homem do monólogo e não do diálogo. O cara da última bola e não da tabelinha. No ano passado, foi inútil em vários jogos, nada participativo e sem gols. É o risco que se corre. Outras vezes, ele decide. No final do jogo, o Palmeiras teve o contra-ataque para resolver e até golear. O calor e o cansaço impediram, por exemplo, gols de Dudu. Não é só isso, é lógico. Dudu não é nove.

Sem Borja, o Palmeiras tem outras opções. O time fica mais leve e mais ágil com Keno, Dudu e William. O importante é ter as duas opções, as duas possibilidades. E Borja pode ser a opção do nove-nove. Em 2017, não foi.

A torcida deve ter paciência com ele? Ajudaria. O que não pode é esperar dele um rendimento efetivo como era o de César Maluco. Ou, então, esperar dele, coisas de Evair. Aí, é covardia com o Borjão.


Ademir da Guia e Forlán. O futebol não nasceu hoje
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A foto acima é um pequeno exemplo de como certos conceitos, muito elogiados hoje, já estavam presentes há tempos no futebol brasileiro.

A foto é de 1972, aproximadamente. Mostra Ademir da Guia, jogador extremamente técnico, um meia clássico, ajudando o zagueiro Alfredo Mostarda a marcar Pablo Forlán, no meio da área palmeirense. O lance é observado por Dudu, um marcador implacável.

E que tipo de jogador era Pablo Forlán? Um lateral uruguaio amado pelos são-paulinos e odiado pelos rivais pelo modo duro como jogava. Batia muito. Uma característica marcante que deixou em segundo plano o seu bom passe.

Então, temos um lateral violento, atacando como centroavante e sendo marcado por um craque. Alguém falou em recomposição?

Outro detalhe: ao fundo, no lado direito da foto, há um tricolor bigodudo. É José Carlos Serrão, ponta-esquerda técnico, de pouco drible é bom passe. Jogava também como meia. No lance, ele está bem atrás, na defesa, cobrindo a avançada de Forlán.

Um pouco atrás de Ademir, está Madurga, meia argentino, técnico e lento, que perderia lugar para o grande Leivinha.

Então, podemos pensar em diálogos assim.

Serrão – Vai, Forlán, que eu fico

Dudu – Corre, Madruga. Pega o Gringo.

Ademir – Pronto, Dudu, tirei a bola dele. O Madurga, não adianta. Corre só isso.

Alfredo – Porra, Ademir, eu ia pegar o cara.

Forlán – Pegava nada, Maricon.

Imaginação à parte, o fato é que o lance é normal nos dias de hoje. Como era normal há 50 anos.

O futebol mudou? Sem dúvidas.

Mas não começou na semana passada, como diz a turma do clean sheet.

 


Luís Ademar e a seleção do Brasileiro=17
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Pedi para alguns amigos queridos fazerem a escolha da seleção do brasileiro. Hoje, é o Luis Ademar, que eu conheço há muitos anos. Segue a escolha dele.

VANDERLEI – foi disparado o melhor jogador do Santos. Superando até Bruno Henrique. Fez defesas difíceis quando mais a equipe precisou. Muitas vitórias podem ser creditadas a milagres do paredão santista. Injustiçado na Seleção Brasileira de Tite, que convocou até Muralha.

FÁGNER – Inteligente, veloz, importante no apoio ao ataque, sem descuidar da marcação. Campeonato brilhante. Não é à toa que uma das opções de Tite para o Mundial de 2018.

GEROMEL – vive fase espetacular, com precisão nos desarmes, ótimo jogo área e, principalmente, senso de cobertura. Líder em campo, outro injustiçado que foi preterido por Tite, que cansou de chamar Rodrigo Caio.

BALBUENA – o paraguaio tem meu respeito pela maneira silenciosa em que se transformou no xerife da zaga. Ótimo no jogo aéreo, em especial na defesa, mas fundamental com gols importantes no ataque. Abusado, ele cansou de se lançar ao ataque iniciando as jogadas de contragolpes. Fez parceria de respeito com Pablo.

ARANA – o garoto me parece o futuro da Seleção Brasileira. Tem potencial para ser o substituto de Marcelo no futuro. Atrevido, habilidoso, eficiente no apoio ao ataque, caprichou em muitos cruzamentos. E jamais foi ineficiente na defesa, mesmo na momentânea má fase no returno.

MICHEL – repetiu a temporada de 2016, quando foi campeão da Série B pelo Atlético-GO. Chegou ao Grêmio e tomou conta da posição. Protege bem a zaga, sai para o jogo com inteligência e foi importantíssimo na campanha do Grêmio

BRUNO SILVA – confesso que fiquei em dúvida entre ele e Artur, moleque bom de bola do Grêmio e que futuramente também deve figurar com frequência na Seleção Brasileiro. Optei pelo botafoguense pelo papel fundamental que teve em time limitado. Importante na marcação e eficiente no ataque, onde fez vários gols e deixou os companheiros na cara do gol. Levou a melhor por ter superado suas limitações e brilhado no meio-campo.

HERNANES – Graças a ele, e com o apoio do Cueva, o São Paulo não caiu. Líder dentro e fora de campo, foi criativo, marcador, eficiente taticamente e artilheiro. Chegou, tomou conta da posição e passou até a figurar nos planos de Tite. Final de temporada espetacular.

LUAN – Vive fase espetacular. Pode ser meia, meia atacante, atacante. Jogador pelos lados, por dentro, de segundo atacante. Tudo isso por sua eficiência e polivalência. Jogou muita bola ao longo da temporada.

DUDU – travou batalha dura com Bruno Henrique, do Santos. Levou a melhor por diante de tanta pressão, em time que decepcionou com todos os treinadores, ele ter chamado a responsabilidade com dribles, velocidade, eficiência e gols. A briga foi boa, confesso, pois o santista jogou muita bola. Mas as múltiplas funções do palmeirense me fez optar por ele.

 – Foi o grande personagem do Corinthians. Um pivô inteligente e eficiente, que soube tirar proveito da estatura para aparar todas bolas de cabeça vindo da defesa. Preparou jogadas para os companheiros, mostrou muita movimentação e mobilidade, e se transformou em grande artilheiro. Impecável!

FÁBIO CARILLE – junto com Jair Ventura fez trabalho eficiente com todas as limitações do seu elenco. Tirando proveito do máximo de cada jogador, o Corinthians fez primeiro turno impecável, que dificilmente será superado por uma equipe. E nas irregularidades ocorridas no segundo turno, soube fazer modificações para colocar a equipe novamente nos trilhos.

 


Minha seleção do Brasileiro-17
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Menon

Em um campeonato de pontos corridos, conta muito a regularidade. É um dos pontos que usei na minha escolha, mas não foi o único. Busquei também jogadores jovens, jogadores que chegaram e resolveram problemas e até um jogador que foi espetacular e depois caiu. E um outro que nunca foi e nunca será espetacular. Preferi o esquema 4-1-4-1 porque assim consigo colocar dois meias atuando juntos, o que acho fundamental para…o meu modo de ver futebol. Não sou fã de esquema com dois homens abertos correndo atrás do lateral e apenas um meia centralizado. Bem, aí vai. Tomara que gostem.

Vanderlei – Magro, ruim de entrevista (assim como Fábio, exagera no louvor a Deus para explicar jogos de futebol) e sem marketing, o goleiro do Santos apareceu apenas por suas qualidades. Está sempre bem colocado, mas também faz defesas plásticas, do tipo espetacular. Com o estilo Levir, não teve uma proteção eficiente, como Cássio e Marcelo Grohe, outros que gostei muito.

Militão – Uma das revelações do campeonato, o garoto que brilhava na base como zagueiro ou volante, foi chamado para resolver o problema da lateral direita do São Paulo e resolveu. É alto, o que ajuda muito na formatação defensiva, pois pode se deslocar um pouco para a esquerda e formar uma linha de três zagueiros e, com o recuo de Marcos Guilherme, montar-se uma linha defensiva com cinco homens. Fez três gols de cabeça, um deles anulado. Gostei também de Fagner e de Marco Rocha, mais ofensivo.

Geromel – Outro grande ano do zagueiro do Grêmio. A dupla formada com o argentino Kannemann é de uma eficiência indiscutível. Joga sério, mas também tem qualidade técnica para sair da defesa e ajudar a transição, além de boa postura nas bolas altas.

Balbuena – O paraguaio, que chegou no ano passado, sem muitas expectativas, firmou-se no Corinthians e, se não fez ninguém se esquecer de Gamarra, fez muita gente se lembrar de seu conterrâneo. Por mim, ele podia abandonar a continência, mas reconheço que não tenho nada com isso. Outros zagueiros que fizeram bom campeonato foram Pablo, Kannemann e Arboleda.

Arana –  Sim, ele caiu no segundo turno, o que afetaria sua avaliação no tal quesito regularidade. Mas o primeiro turno foi espetacular, uma aparição brilhante no futebol brasileiro. Marca bem e cruza com muita qualidade. Infelizmente, para o futebol brasileiro, já se foi. É sempre assim. Gostei também de Fábio Santos e Diogo Barbosa.

Artur – Sem dúvida, a maior revelação do campeonato. Um volante que merece o nome, sem numerais. Não é primeiro ou segundo, é volante. Um jogador que marca bem, passa bem e carrega a bola até o ataque. Tem 21 anos e não se pode dizer que está pronto (ainda bem), mas é jogador para estar na Copa em poucos meses. Gostei também de Bruno Silva e Michel.

Romero – Opa…Sim, Romero. Ele tem muitas dificuldades técnicas, mas faz um trabalho de recomposição pelo lado direito poucas vezes visto. Forma uma dupla de abnegados com Fagner, uma dupla muito importante para o sucesso defensivo do Corinthians. E, além disso, fez gols muito importantes. Não tem medo de jogo grande. Não cito ninguém que tenha feito um trabalho parecido.

Bruno Henrique– Muito importante na campanha do Santos. Tem grande poder ofensivo e finaliza bem. Seus cruzamentos foram perfeitos, muita vezes. Keno, do Palmeiras, brilhou muito após a efetivação de Alberto Valentim. Na direita ou na esquerda, foi responsável por grande aporte ofensivo do Palmeiras.

Dudu – Eu o escalei como meia, mas também jogou muito bem pelo lado do campo. Pelos lados do campo. Seja aonde for, fez um campeonato muito bom, sendo responsável pela arrancada do Palmeiras no segundo turno. Thiago Neves e Luan também foram bem.

Hernanes – Foi a grande contratação do ano. Não seria muito exagero dizer que salvou o São Paulo. Na frente, ao lado de Cueva (aqui com Dudu) ou mais atrás, foi impressionante. Fez a transição da defesa para o ataque com qualidade e também foi efetivo perto do gol adversário. Marcou nove gols, às vezes com a direita, às vezes com a esquerda, de cabeça ou de falta. Um todocampista. Como no caso de Romero, não vi ninguém que tivesse um trabalho tático parecido, apesar de Artur.

– Presente sempre e nunca decepcionando. Foi o melhor jogador do campeonato, ao lado de Hernanes, mas como atuou mais vezes, fica com o posto. Fez gols decisivos, quando tudo caminhava para o empate. Ótimo definidor e bom também para fazer o pivô. Desloca-se para a esquerda e daí parte em direção ao gol. Também gostei de Dourado, o maior cobrador de pênaltis do mundo. Edgar Junio, do Bahia, teve uma arrancada final impressionante.

Fábio Carille – Montou o melhor time possível com os jogadores que tinha em mãos. Não reclamou de carências e trabalhou duro. O time melhorou e começou a brilhar e fez um grande primeiro turno. Depois caiu e chegou a assustar. Mas Carille conseguiu uma partida definitiva contra o Palmeiras e arrancou para o título. Um início de carreira fulgurante.

 


Bela entrevista de Dracena. Belo drible do Dudu. Mas, passaria pelo Dirceu?
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O Felipe Diniz está de volta, ótimo reforço para qualquer canal, e fez uma bela entrevista com Edu Dracena após a vitória do Palmeiras. Sem mentir, sem enrolar, ele foi direto ao ponto. “São 13 pontos de diferença e é muito difícil alcançar o Corinthians, mas um time grande como o Palmeiras precisa ter uma meta. Não pode disputar o Brasileiro por disputar. Nossa meta é ser o melhor do segundo turno e, se isso servir para alcançar o Corinthians, melhor ainda”.

As palavras não são vazias, vindo de quem vem. Edu Dracena sempre foi um jogador muito sério, dentro e fora de campo. Sempre foi de grupo e sempre respeitou a camisa que veste. Sempre deu o melhor de si. E está sendo assim no Palmeiras. Se o time tem uma meta, ele dará todo o suor, toda dedicação e tudo o que tiver para alcançar a meta. Depois, quem sabe, dobra a meta?

O Palmeiras foi melhor e mereceu vencer. Um gol que nasceu de bela jogada de Dudu. Sou fã de Dudu, sempre acho que ele merece ser convocado, mas eu não consigo entender a postura e o posicionamento do zagueiro naquele tipo de jogada. Tenho um amigo, o Dirceu Costa, advogado aguaiano e nosso melhor zagueiro da história. Pelo menos, em minha opinião. Ele me explicou uma vez que um de seus orgulhos era nunca ser driblado da maneira que o zagueiro foi. “Se o cara é canhoto vai sair por um lado, se é destro vai sair por outro. Não tem jeito de errar no bote. E, se tiver de costas, é mais fácil ainda. De frente, mano a mano, com os dois lados para passar, eu já fui driblado. Mas, quando só tem uma possibilidade para o atacante, nunca.”.

Ora, o Dudu sabia o que faria na jogada. Todos os presentes no estádio sabiam. O Jean sabia, tanto que fez o gol. Só o zagueiro não sabia. Deixou a porta aberta e marcou Dudu com o corpo para baixo, arcado, com as mãos na cintura.

Sorte mérito do Dudu.

Sorte do São Paulo, que respira um pouco mais.


São Paulo está brincando de roleta russa
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Menon

Galveston, de Nic Pizzolatto (roteirista da série True Detective), é um livro para virar filme, com seus diálogos curtos e sua história intensa. Já virou, aliás. Estreia no ano que vem. Roy Cady, um assassino de aluguel, é traído por seu chefe e consegue escapar de uma tocaia. Foge e leva consigo uma prostituta de 18 anos, Rocky Acenaux, em uma louca viagem até Galveston, no Texas. No caminho, mortes, assassinatos, bares e bebida. É uma viagem rumo à morte, pois na primeira página do livro, Cady é diagnosticado com câncer no pulmão. Flocos de neve no pulmão. E sua reação é fumar um cigarro. E beber um uísque.

Diagnosticados com câncer que fumam charutos.

Diabéticos que mergulham em um balde de milk shake.

Alcoólatras que saem da reunião do AA e tomam uma cervejinha para relaxar.

Viciados em droga que dão um tapinha de leve porque maconha, está provado, não faz mal.

Malucos por velocidade, tirando rachas nas ruas das metrópoles.

E tem o São Paulo, que está caindo para a segunda divisão. Sabe qual é o motivo principal e não consegue fazer nada para mudar de vida. Como Roy Cady foge para Galveston, o São Paulo corre para Lucas do Rio Verde e Varginha. E o piloto de sua insana viagem rumo ao vexame tem nome: Julio Alberto Buffarini.

Dorival Jr. sabe que o problema está ali. Ele se aproveitou disso quando era treinador do Santos e viu Victor Ferraz dar um drible humilhante em Buffarini. Ele já era técnico do São Paulo e viu Jean Motta dar um drible humilhante em Buffarini. Os dois lances se transformaram em gols.

Dorival Jr. viu Rildo, do Coritiba, dominar Bruno e sofrer um pênalti “insofrível”. Dorival Jr. viu Araruna falhar nos dois gols do Bahia. E viu agora, o Palmeiras marcar quatro gols pela direita de sua defesa. Um deles, nascido de um erro ridículo de Edimar, lá na outra lateral. Buffarini estava em campo. Como estava no Paulista, no gol de cobertura de Dudu, quando perdeu uma bola dominada.

O time do São Paulo é ruim. Tem muitos defeitos, mas melhoraria muito se houvesse uma solução para o problema. E qual é a solução?

A primeira e mais fácil opção é trocar o jogador, como Dorival fez ao colocar Edimar em lugar de Tavares. Melhorou, apesar do erro contra o Palmeiras. Também trocou Renan  Ribeiro por Sidão. No caso da lateral, trocar parece uma solução que não se sustenta, pois Bruno é fraco e Araruna não entusiasma ninguém.

A segunda opção é improvisar. O melhor nome, apesar de tudo, era Wesley, que foi para o Sport. Poderia ser Petros. Ou então, jogar com um zagueiro na lateral, algo comum em outros países. Um marcador, apenas. Não precisa apoiar. Um homem que tampe o buraco. Rodrigo Caio jogou uma vez assim e tomou um baile do Neymar. Mas Neymar é Neymar e Rodrigo Caio é Rodrigo Caio. Podia ser Arboleda…

A terceira opção é melhorar a cobertura e a proteção a quem joga. Questão de treinamento, mas isso Dorival deve fazer todo dia. E não está dando certo. Poderia colocar um meia para ajudar o lateral. Gómez pode ser o cara, mas, com sua entrada, o time perderia na armação.

A quarta opção é buscar na base, mas, quem? Foguete disputou o estadual de Goiás pelo Vila Nova, que não ficou com ele para o Brasileiro da Série B.

A outra opção é Dorival ir trabalhar no dia da folga. Juntar-se com Lucas Silvestre, com o pessoal do departamento de análise e estatística, com Vinícius Pinotti, com alguém da Nasa e fazer uma busca detalhada por um novo lateral. Listar todos que não fizeram ainda sete jogos, buscar na segunda divisão, na terceira divisão, na Série XYZW e achar alguém. Não precisa ser craque, não precisa ter futuro brilhante, nada. Basta saber marcar, diminuir espaços, dividir, dar um carrinho, não levar drible humilhante e não fazer pênalti imbecil.

Enquanto não fizer alguma coisa, Dorival e o São Paulo estarão se comportando como malucos de pedra que curtem a adrenalina de uma roleta russa. No caso do Tricolor, há no mínimo três balas na agulha.


Tite acerta com Cássio e erra com Rodrigo Caio
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Menon

Primeiramente,…deixa pra lá. Primeiramente, quero explicar que não concordo com o título da minha matéria. É um pouco arrogante. Ou muito. Não cabe a mim julgar o Tite ou o Givanildo. O que eu quero dizer é que eu concordo com a convocação de Cássio e discordo do Rodrigo Caio. Apenas isso, minha opinião.

Cássio tem feito um grande campeonato brasileiro, assim como Vanderlei. Os dois merecem a chance de lutar por uma vaga na Copa. Tanto quanto Ederson, o goleiro mais caro do mundo e que, injustamente, tem sido criticado após a estreia no Manchester City. Acho que Vanderlei terá sua oportunidade. Apenas Alisson está garantido.

Quanto a Rodrigo Caio, me parece tão evidente que Geromel é mais jogador. Não só está jogando mais, é mais. Tite dá grande valor à participação de Rodrigo Caio na Olimpíada. Foi boa mesmo, mas não tem jogado bem no São Paulo. Acho que Rodrigo Caio, se for à Copa, irá como cota pessoal do treinador. O que é justo. As ideias e convicções do treinador devem ditar as convocações e não clichês do tipo “seleção é momento”. Fosse assim, Paulinho, unanimidade, não teria sido chamado. Há o outro lado, também. Ninguém entendeu ainda Henrique na Copa-14.

Quanto às outras chamadas, eu não sou fã do futebol de Taison e de Giuliano. Eu daria oportunidades a Everton Ribeiro, Dudu e Diego Souza, que parece ser o único a ter chances.

 


Palmeiras corre atrás do tempo perdido. Esperança é verde
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Menon

A vitória sobre o Botafogo foi a terceira seguida do Palmeiras. O time conquistou 13 pontos nos últimos cinco jogos, o que dá um aproveitamento de 86.7%. No mesmo período, o Corinthians venceu duas partidas e empatou três, o que dá um aproveitamento de 60%.

Até aonde o Palmeiras pode chegar? Difícil dizer, mas está na briga, ao contrário do que se poderia supor na partida imediatamente anterior à atual série de cinco. Foi a derrota em casa para o Corinthians, o que deixou a diferença entre ambos em 16 pontos. Agora, é de “apenas” 12.

O Palmeiras tem time, tem elenco e tem técnico. Sua ascensão pode levar a um segundo turno muito mais produtivo que o primeiro. Mas, para o sonho se concretizar é necessário que o Corinthians fraqueje, o que não tem acontecido, principalmente em grandes partidas fora de casa.

A vitória do Palmeiras foi concretizada com um passe perfeito de Zé Roberto para uma conclusão “centroavantística” de Deiverson, quase um coice na bola. O jogo, então, era muito rápido, praticamente sem parar no meio de campo. O Botafogo tinha apenas Bruno Silva como volante, atrás de João Paulo e Leo Valencia, com Brenner, Guilherme e Pimpão no ataque. O Palmeiras tinha Thiago Santos como volante, Zé Roberto e Rafael Veiga armando, Dudu aberto, com Deyverson e Borja no ataque.

Um final de jogo eletrizante, que premiou o Palmeiras. O Palmeiras, que marcou primeiro, no finalzinho do primeir tempo, com gol contra do bom Igor Rabello. Um gol que fez o Botafogo mudar suas características já no início do segundo tempo, com a estreia do bom meia Leo Valencia em lugar do volante Lindoso. Valencia mostrou bom futebol, inclusive no início da jogada do empate, que contou com erro de Jaílson.

Palmeiras em ascensão. Sai Jaílson e volta Prass. Força de elenco.

O sonho é difícil. Mas a esperança é verde.