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Edílson, capetinha ou capitão? Do mato
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Menon

E nada muda em Pindorama. Mesmo após o desfile mágico da Tuiuti, questionando o fim da escravidão, diante de tantas injustiças no Brasil, vem o Edílson na televisão dizer que goleiro de pele escura não dá certo.

Pele escura? O nome é negro, Edílson. Não é possível mais falar em pele escura, em colored em bobagens assim.

E você já ouviu falar de Dida? Jefferson? Jaílson? Sidão? E tantos outros trabalhadores que enfrentam esse tipo de preconceito?

Você sabia, caro Edílson, que esse clichê racista começou com os gols sofridos por Barbosa na final de 50. Ou seja, era certeza que o Brasil seria campeão. Não foi? Coloca a culpa no negro. É assim toda hora, Edilson. Quando um negro dirige um carro bonito, é parado na blitz.

Edílson, apesar de toda sua fragilidade física, você está fazendo o papel do capitão do mato, do capataz, tão bem mostrados pela Tuiuti. Negros humilhando outros negros. Negros maltratando outros negros.

Em São Paulo, tem um vereador assim.

Você, que foi motivo de orgulho para tantos negros, não deveria assumir esse papel.


Renato Portaluppi Gaúcho, o melhor técnico do ano
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Menon

Renato Portaluppi Gaúcho é o melhor técnico do Brasil em 2017.

Ah, você só fala isso agora que ganhou?

Justamente. Para mim, resultado é importantíssimo em uma análise assim. Não sou um comentarista “parnasiano”. Do tipo arte pela arte. Desempenho pelo desempenho. Gol é detalhe.

Futebol não é desfile de escola de samba. Compactação nota dezzzz. Evolução nota nooooove. Posse de bolsas, oitoo.

É muito mais difícil.

Renato foi muito criticado quando disse a frase: quem não sabe, estuda, quem sabe fica na praia. Algo assim. Uma boutade. Foi entendida, a frase, como um sacrilégio, contra o futebol ciência.Tudo o que ele fazia era creditado a Roger. Não interessa se a defesa melhorou, se Ramiro entrou, se Douglas recuou. Não. Tudo já estava planificado por Roger.

O trabalho de Renato foi aparecendo. No Brasileiro, era o time que mais bem jogava. O futebol mais bonito. Mas que perdia jogos cruciais. Renato errava em poupar jogadores por conta da Copa do Brasil, por exemplo. Sem necessidade. Veio a eliminação para o Cruzeiro e a desconfiança voltou. O Grêmio, justamento o Grêmio, sem pegada.

Mas agora, o que dizer de Renato?

Que ele ganhou a Libertadores jogando muita bola. E com jogadores que conviviam com muito descrédito. Edílson, Fernandinho, Bruno Cortez (ia jogar a série B pelo Náutico), Leo Moura (ia disputar o Carioca, pelo Boavista), Cristian. E ganhou o primeiro jogo com gol de Cícero, (escorraçado do São Paulo), após ajeitada de Jael (ia disputar a série C pelo Fortaleza).

E, se Renato foi bom no ano, foi ótimo na decisão da Libertadores.

O que todos sabiam? Que o Lanús sairia para o jogo. Sufocaria. E caberia ao Grêmio o contra-ataque.

E o Lanús foi surpreendido. Sufocado. Pressão alta até em Andrada. Lá Fortaleza era tricolor.

Logicamente, não seria assim o tempo todo. O Lanús avançou as linhas, começou a pressionar e… apareceu o contra-ataque. Legal. Fernandinho box to box, como dizem os modernos.

E veio o segundo. Se o primeiro foi com herói improvável, o segundo veio com a Cavada do Craque.

Estava definido.

Apesar da dureza do segundo tempo, com gol do Lanús, expulsão de Ramiro e Luan perdendo o terceiro, novamente cavando.

Renato Portaluppi Gaúcho ganhou a Libertadores como treinador, depois de tê-la vencido também como jogador.

 


Carille se agarrou à muleta do sofrimento
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Menon

Há sofrimento maior que o de Prometeu, o deus grego que ousou desafiar Zeus e roubar o fogo do Olimpo e dá-lo ao Homem? Zeus mandou que ele fosse acorrentado ao monte Cáucaso e que durante 30 mil anos. E diariamente, seu fígado seria comido por uma águia. O órgão se regeneraria e no dia seguinte o suplício se renovaria.

Só mesmo uma lenda, um mito para conter tanto sofrimento. Mas há algo semelhante nos tempos modernos. É o mito do sofrimento corintiano. Maior que as bicadas diárias, maior que a épica travessia dos hebreus rumo à terra prometida é o sofrimento corintiano. A torcida criou a história de que tudo é sofrido, de que tudo é mais difícil, de que tudo é mais heroico.

Os corintianos adoram essa lenda. Para nós é tudo mais difícil, a gente ganha no terrão, o amarilla nos roubou (e o marcio Rezende? e o castrilli?), o nosso estádio está difícil de pagar…..

Amigos, o último título brasileiro conseguido pelo Corinthians foi sofrido? Foi sofrido vencer quando se tinha Vampeta, Rincón, Marcelinho e Edílson no mesmo time? Não vi ninguém chorando. E a última Libertadores? E o Mundial, contra o Chelsea? Sofrido foi para o Vasco que viu Diego Souza não honrar o nome de Maradona e perder um gol feito. Sofrido foi para a torcida inglesa ver Fernando Niño Torres jogar como se fosse do jardim da infância. Foi sofrido contra a Ponte em 77? Foi, mas foi contra a Ponte, que não tem títulos a comemorar em sua história.

Sofrimento é a cara do Corinthians? E Sócrates?

O resumo pode parecer cínico, mas vale para Corinthians e todos os outros clubes do mundo: se o time é bom, passeia. Se o time é ruim, sofre.

O suposto sofrimento corintiano serve de muleta para muita gente. Fabio Carille, o treinador saudado por muita gente como uma boa novidade no futebol brasileiro, alguém do grupo dos “estudiosos” contra os “b0leiros” mostrou-se mais velho do que embalagem de maizena ao buscar no tal sofrimento corintiano a explicação da péssima partida contra o Brusque e da classificação conseguida nos penaltis. Foi sofrido, é assim que o corintiano gosta, disse. Foi uma vitória com a cara do Corinthians.

 

O corintiano não gosta de sofrimento. Gosta de jogador raçudo e comprometido, não gosta de quem não demonstra amor à profissão. Zé Elias, Superzé, Idário e outros. Pato foi um fiasco. Geraldão foi um ídolo. No time atual tem muito pato e pouco geraldão. Marquinhos Gabriel, Giovanni Augusto, Guilherme, Marlone… Além deles, há jogadores com pouca capacidade goleadora e que têm a responsabilidade de fazer gols. Kazim. Jô.

Carille precisa descobrir um modo de o time fazer gols. A sucessão de 1 a 0 pode até levar um time ao título, mas, sinceramente, não vejo como o Corinthians poderá manter a sina de vencer com um gol só.

E Carille não tem culpa? Também tem. Ele montou o time sem alternativas. É uma eterna troca de passes laterais, buscando uma oportunidade. Há pouca projeção pelos lados. Não há um jogador no meio que mostre criatividade e ousadia para transpor as linhas defensivas. Um drible. Uma cavada. Uma tabela, como aquela da vitória contra o Vasco, lá na Flórida.

O Corinthians é um time que joga feio. Joga de forma burocrática. Papai e mamãe. E aí, eu me lembro de outra frase de Carille, após a grande vitória sobre o Palmeiras. Os jogadores foram muito obedientes, ele disse. Formamos uma família. Ora, um time que se forma com jogadores obedientes é um time que não dá alegrias. Não tem ousadia, não tem transgressão à ordem pré-estabelecida por alguém. É um futebol de família mesmo. Tradicional Família Futebolística Brasileira.

O treinador do Corinthians precisa resolver problemas. E ancorar-se em chavões ultrapassados, em muletas centenárias não é o melhor caminho.

 

 


Palmeiras é o meu favorito ao título
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Menon

academiasegundaacademiaO Palmeiras não é o time maravilhoso que, em 1965, teve a honra de vestir a camisa da seleção brasileira e enfrentar o Uruguai naquele 7 de setembro que inaugurou o Mineirão. Valdir, Djalma Santos, Djalma Dias, Waldemar Carabina e Ferrari, Dudu e Ademir, Julinho, Servílio, Tupãzinho e Rinaldo. A primeira Academia, formada pelo argentino Filpo Nunes.

Não é a segunda Academia. Um time que todos da época, torcedores ou rivais, sabem de cor. Começa com Leão e termina em Nei. LeãoEuricoluispereiraalfredoezeca;dudueademir;eduleivinhacesarenei.

 

Também não é o time espetacular que venceu o bicampeonato brasileiro em 93 e 94, com Edmundo, Evair, César Sampaio, Edilson, Zinho, Mazinho, Antônio Carlos, Roberto Carlos, Cléber….

palmeiras9394Não é. Mas quem é?

Hoje, um favorito não depende apenas de suas qualidades. Há outros fatores em jogo: se o rival terá desfalques pela Libertadores, o que a janela fará com os elencos, quem virá para reforçar o time. Antigamente, um time se mantinha por décadas ou anos. Hoje, o time que faz o primeiro jogo é diferente do que termina o 38º. Quem está aqui, pode ir para lá.

É difícil apontar o favorito. Principalmente, porque a opinião fica gravada e serve para cobranças enormes nas redes sociais.

Mas o Palmeiras é favorito.

1) Tem um bom elenco

2) Tem um bom time

3) Tem dinheiro para melhorar o bom time

4) Tem um bom treinador

5) Chega em ascensão anímica. Não foi eliminado com derrotas. Na Libertadores, saiu após um 3 x 3 espetacular em Rosario e uma goleada sobre o River. No Paulista, caiu nos pênaltis.

Os três primeiros jogos do Palmeiras são Furacão, em casa, Ponte, fora e Fluminense, em casa. Pode chegar com nove pontos à quarta rodada, quando enfrenta o São Paulo, no clássico.

Os rivais estão com mais problemas.

O São Paulo pode perder muitos jogadores: Calleri, Maicon e Rodrigo Caio.  Vai formar seu elenco durante a competição. O Corinthians ainda procura ser um time confiável. A substituição dos que saíram no início do ano não foi boa. O Santos sofrerá sem Lucas Lima, Ricardo Oliveira e Gabigol.

O Inter está forte, mas há tempos não corresponde. Sem Allison e com Argel, não sei não.

O Flamengo de Murici patina.

O Galo, sim, é um adversário forte.

O Cruzeiro está buscando um treinador.

Enfim, se não é uma academia, o Palmeiras está na frente dos outros.

É o favorito.

Dificilmente ficará longe da Libertadores.


Capetinha: 45 anos de dribles, gols, amor, polêmica e ódio
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Menon

O baiano Edílson Ferreira da Silva completa 45 anos hoje, 17 de setembro.

Um capetinha que não passou em branco pelo futebol. Escreveu uma história polêmica, com dribles, gols, amor, ódio e muita polêmica.

A primeira vez em que se ouviu seu nome foi em 1992, quando, jogando pelo Guarani, fez o Palmeiras de vítima. Na primeira fase do campeonato, fez um gol na vitória por 3 a 2. Na semifinal, fez dois na goleada por 5 a 2.

Se impediu o título palmeirense, no ano seguinte foi destaque nas conquistas que começaram a se acumular. Ao lado de Edmundo e Evair, ganhou o paulista, o Rio-São Paulo e o Brasileiro.

No ano seguinte, foi bicampeão paulista, mas era reserva. Perdeu o lugar com a chegada de Rincon. Voltou ao time após suspensão de Edmundo.

Foi para o Benfica e no ano seguinte, voltou ao Palmeiras, para, com Cafu, Muller e Rivaldo ser eliminado pelo Grêmio, na Libertadores.

No ano seguinte, foi para o Kashiwa Reysol, no Japão. E, em 1997, Edílson voltou ao Brasil. Para o Corinthians, eterno rival do Palmeiras.

E foi ele, o pequenino de 1,68m, autor do lance que mais atiçou a rivalidade nos mais de cem anos dos grandes clubes.

Na final do Paulista, com o jogo ganho, parou no meio do campo e começou a fazer embaixadinhas. Foi o estopim de uma batalha campal.

No ano seguinte, foi fundamental na conquista do título mundial. Deu uma caneta histórica em Karembeu, do Real Madrid.

E deixou o Corinthians ao não aceitar ameaças físicas de alguns torcedores.

Foi para o Flamengo e disputou a Copa do Mundo de 2002. Jogou ainda no Cruzeiro, voltou ao Kashiwa Reysol, ao Flamengo e em 2004 estava no Vitória.

Sua participação nas quartas-de-final da Copa do Brasil foi um dos raros momentos em que o Capetinha se tornou unanimidade nacional.

O adversário seria o Corinthians. Na véspera, Edílson perdeu o irmão em um acidente de carro. Deixou a concentração, foi para o velório e, para surpresa de todos, apareceu na hora do jogo.

Entrou e jogou. A televisão mostrava seu choro constante durante a partida.

Depois, jogou ainda pelo Al Ain, Vasco, São Caetano, Vitória novamente e Bahia. Terminou a carreira e, depois disso foi lembrado em dois momentos constrangedores. Em 2010, foi preso por não pagar pensão alimentícia. Deixou a cadeia após o pagamento de R$ 102 mil.

E agora, na véspera do aniversário, foi depor na polícia de Salvador por um suposto envolvimento em golpe na loteria esportiva.

É a operação Desventura.

Um nome que não reflete a carreira de Edílson, o Capetinha.

 

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