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Jair não tem tamanho para o Corinthians
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Jairzinho, Tostão, Pelé e Edu.

Jairzinho, Tostão, Pelé e Rivellino.

Rogério, Jairzinho, Roberto Miranda e Caju.

Grandes ataques do futebol brasileiro. Jairzinho estava nos três.

Nenhum deles existiria se o treinador fosse Jair Ventura, filho do Furacão.

Sim, assumo. É uma comparação sem nexo. Os tempos são outros. Ninguém joga hoje com tanta gente no ataque.

Mas a prudência ou pragmatismo ou covardia de Jair Ventura é enorme. Mesmo levando em conta que o grupo de jogadores que comanda é fraco. Pode-se dizer que de baixo nível.

Tudo bem, mas…

Precisa jogar mesmo com Ralf e Gabriel? Que tipo de jogo vai nascer desse casamento?

Precisa mesmo escalar Danilo Avelar? Não é possível buscar outra opção no elenco?

Precisa mesmo montar inócua retranca que não protege Cássio?

A questão maior é a (falta de) atitude.

Jair dá a impressão de ter apenas um modelo de jogo. Apenas um modo de entender futebol. Um mantra: “fechamos atrás e saímos rapidamente em contra-ataque”.

Só que não.

Não está dando certo.

Nem fecha e nem sai.

Para dirigir o Corinthians, é preciso pensar grande.

E Jair não está fazendo isso.

Ele não está se distinguindo de todos os problemas que o time tem. Está se caracterizando apenas como um a mais. Um problema a mais.

 

 


Edu pede mais dribles e respeito com Neymar
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Menon

ARQUIVO/ESTADÃO CONTEÚDO/AE

Pouco sabem, ou não se lembram, quem foi Jonas Eduardo Américo. Sobretudo os mais jovens.

Mas se falarmos do ponta esquerda Edu, logo virá à lembrança um dos maiores dribladores do futebol brasileiro e mundial. Hoje aos 69 anos, tocando projetos para a revelação de jovens talentos em clínicas de futebol no Paraná e também nos Estados Unidos, o grande camisa 11 do Santos de Pelé e da seleção brasileira lamenta a falta de ousadia e encanto nos gramados, diz que está difícil surgir “feras” e “ídolos” no “chato” futebol brasileiro, reclama dos “invejosos” de Neymar e protesta contra técnicos que querem “acabar com o drible”. “Só pedem pra tocar, tocar, desde a base. Também não poupa os atletas. “Os jogadores pegam a bola mano a mano e esperam alguém chegar para tocar de lado ou para trás”.

Ele fala com propriedade. É um dos mais vitoriosos Meninos da Vila. Com 16 anos, disputou a Copa da Inglaterra.

Com tantos jogos robotizados, ele sofre ao assistir as (poucas) partidas, revela que quando se encontra com o amigo Pelé evita falar de futebol justamente para não “passarem raiva”, mas deposita confiança em dias melhores. Presença assídua nos duelos do Santos na Vila Belmiro, aposta em vaga na Libertadores de 2019.

O futebol brasileiro perdeu o encanto?

Muito (risos). Muito mesmo. Se você vai no teatro, quer ver um bom espetáculo. Futebol também, mas hoje em dia se você der dois dribles já não pode, é menosprezo. Garrincha, Canhoteiro, Edu não jogariam no futebol de hoje. Naquela época, chegávamos com estádios cheios, lotados, todos juntos, sem separação de torcida. Hoje só tem torcida de um time, isso não existe. Machuca muito.

Rei dos dribles, acha que falta ousadia a nossas novas safras? A culpa seria de quem?

 Vem da base. Lá, você acompanha o trabalho e vê o treinador o tempo todo: toca, toca, toca… É muito do preparo do jogador e fica difícil surgir craque assim. Ter habilidade é essencial, o jovem tem de tentar algo diferente, por isso adoro Neymar, Messi, Rodrygo, Vinícius Júnior, que vão pra cima. Têm também o Cebolinha (Éverton, do Grêmio) e o Dudu, do Palmeiras. Se você vai para cima, já tira alguém da jogada e sempre sobra um companheiro livre. Antigamente era assim. A base do Santos beneficia a ousadia, por isso revela tanto, pois não visa esse lado só de toques. Se tem habilidade, vai para cima.

Então os treinadores inibem os dribles?

O treinador dá orientações, mas não tira a genialidade, não proíbe o drible. Acho que vai muito do jogador também, de o cara ser ousado dentro de campo. Eles não vão para cima, pegam a bola no mano a mano e param, não encaram, ficam esperando alguém chegar e tocam de lado ou para trás. O futebol fica chato sem drible, tanto que nem estou vendo tantos jogos.

Algum jogador no nosso futebol se assemelha ao que o Edu fez na carreira?

Hoje é muito difícil. Gosto do Neymar e do Messi, que estão lá fora. Cristiano Ronaldo é mais o estilo do Pelé, finalizador, sem tanto drible. Mas faz muitos gols. William e Hazard, do Chelsea, e Ribéry, são outros que ainda me fazem ficar na frente da televisão para ver futebol. Que coisa linda é o drible, quando jogava, a torcida ficava de pé para aplaudir. Mas acabaram com aquele romantismo.

 O Pelé anda com problemas de saúde e pouco sabemos sobre seu estado clínico. O senhor tem se encontrado e conversado com ele?

Não tenho falado muito com ele, mas está inteirão, com a saúde boa. Ele tem um problema na perna por não conseguir fazer o tratamento correto por causa dos tantos compromissos. Uma hora está na Arábia Saudita, outra na Índia, fica sem tempo para cuidar da saúde adequadamente.

 Mas nos encontros, ele anda dando pitacos no nosso futebol também? Cornetando alguém?

Difícil sobrar tempo para falarmos de futebol. Conversamos sobre outras coisas, procuramos evitar conversar sobre jogos, pois anda bem complicado, é até constrangedor para ele o que anda vendo. Com todo respeito aos jogadores atuais, mas anda difícil dizer que esse ou aquele é fera. Hoje não tem ídolo.  Qual o nosso ídolo? Você não vê um jovem dizer que quer ser como A, B ou C no nosso futebol. O ídolo (Neymar) foi embora, aqui no Brasil você não vê, não tem.

Depois da decepção na Copa do Mundo, optamos por disputar amistosos com seleções fracas, como El Salvador, Estados Unidos e Arábia Saudita. Acha correto? Não seria bom enfrentar os gigantes europeus?

Acho que não tem muita diferença. Temos de ver nossa seleção, não avaliar se o rival é fraco, e sim de quanto ganhamos, o que fizemos. Estamos no caminho certo. Após a Copa que perdemos aqui (2014), enfrentamos os melhores e ganhamos de todos eles. Somos os melhores do mundo e temos de manter a tradição de ser o país do futebol, sem ficar copiando os outros. Eles sim, vêm aqui para nos copiar. Deixe a seleção trabalhar, sem polêmicas.

 E como avalia esses recentes jogos da seleção brasileira?
 Jogos duros. Os adversários conhecem bem o Brasil, sabem da dificuldade de sair para nos atacar, então optam por fazer um ferrolho atrás, como fez a Argentina, e evitam dar espaços. Aí vai da nossa criatividade, e é difícil não acontecer um gol. Sabemos jogar, temos habilidade e estamos querendo vencer.
 O fato de o Neymar estar atuando mais como um meia no PSG atrapalha seu desempenho quando está com a seleção?

Nada a ver. Se joga mais centralizado ou como um ponta, vai aparecer do mesmo jeito, pois tem habilidade para criar. Cria e faz. Dia desses o PSG goleou, ele fez o dele e ainda participou com assistência de três gols do Mbappé. Claro que jogar num clube é uma coisa, na seleção é outra.

 Muitos criticam o Neymar por causa de suas vaidades, regalias e falta de cobrança mais rígida. Seriam esses os motivos para ele ter caído de produção?

Na seleção de 1970 tínhamos o Rei, que decidia. Mas o Pelé sabia que fazia parte do grupo e não se considerava o bambambam. Única coisa que vejo de errado no Neymar é que, às vezes, ele não facilita as jogadas. Toca e sai para receber, é habilidoso e com sua velocidade ninguém vai pará-lo. Mas ele prefere querer sofrer faltas. Alguém precisa chegar e pedir para ele facilitar, pois é um gênio, joga muita bola. Isso cabe aos técnicos. Dei conselhos a ele no Santos para não exagerar nos dribles. Passou por um, dois, não queira passar por quatro, cinco, faz a tabela, pois os zagueiros são lentos, diferentemente dos laterais, e ele vai sempre levar vantagem.

  O vê como um menino mimado?

Mimado, não. Acho ele hoje um homem, uma pessoa que sabe de suas responsabilidades, o que representa para nossa seleção. Mas existem os invejosos que querem criticá-lo.

Acha que o Brasileirão já está decidido para o Palmeiras?

O Palmeiras está num momento muito bom, numa crescente. Conta com um elenco muito forte, por isso chegou. Agora, manter esse ritmo normalmente é bem difícil e não dá para dizer que está decidido. O São Paulo estava no topo, sem ninguém por perto e caiu. O futebol é bonito, maravilhoso, encantador por proporcionar a quem não está bem se recuperar, subir e ir às finais, brigar por taças.

 O Santos poderia estar brigando pelo título brasileiro caso o Cuca tivesse chegado antes? Até onde vê essa equipe chegar?

O Santos vai entrar na zona de classificação à Libertadores. Mas não sei se foi pela chegada dele ou por causa da saída do outro treinador (Jair Ventura). O problema é que no início do Brasileirão o time perdeu muitos pontos bobos na Vila Belmiro. Não podia. A Vila é a casa do Santos, um alçapão, que os times já desciam com medo. Agora, descem sem problemas. O Santos tem uma sina de perder para os pequenos. Foi assim contra o América-MG aqui.

Como está vendo essa volta por cima do Gabigol na carreira?

Não digo uma volta por cima, apenas está marcando e atacante vive de gols. Ele passou por um momento ruim porque a bola não chegava. Mas o Santos fez uma contratação especial, esse Sanches joga muita bola. Um bom jogador que eu já admirava desde o River, da seleção do Uruguai, que cria e dá opções.

Seguindo no assunto Gabigol, o Santos tem de fazer loucuras para segurá-lo? Ou gostaria de vê-lo voltando à Europa para mostrar seu real valor?

Ele já tem compromisso com a Inter (de Milão), infelizmente não deseja continuar, quer voltar a jogar na Europa. Mas tem de chegar lá com os pés no chão, com humildade para reconquistar o espaço que perdeu. O Santos não tem como segurá-lo, a Inter vai pedir muito dinheiro.

O Corinthians pode cair?

Vai sofrer bastante. Vem de derrotas numa final e tem jogos complicados pela frente. Até pela cobrança do torcedor e pela pressão, precisa se reencontrar logo, senão será um fim de ano complicado.

 Como avalia o trabalho de Jair Ventura, que não foi bem no Santos e agora não engrena em outro gigante paulista?

Jair foi bom treinador para o Botafogo, pois na época conhecia todo mundo desde a base. Veio para o Santos e não conhecia ninguém, deixou o time lá embaixo, e também não faz bom trabalho no Corinthians. Pode vir a se tornar um grande treinador, mas o momento é ruim.

 Falando de outro treinador, Diego Aguirre estava muito bem no São Paulo, ganhou o primeiro turno e liderava. Agora, com a queda de produção do time, está sendo vaiado e já se questiona até a sua renovação para 2019. Os dirigentes não deveriam acreditar mais nos treinadores?

Na minha opinião, técnicos precisam conhecer o clube. O São Paulo foi lá fora, trouxe um uruguaio e tudo bem. Não é assim. Ele foi bem no Inter, mas tinha jogado lá. No São Paulo a coisa foi completamente distinta. Precisa saber da história de um clube. Ele chegou, deu uma acertadinha, mas o que faz agora?

 Sobre arbitragem, o senhor aprova o uso do VAR?

Acho legal, já que muitos lances o árbitro infelizmente não vê e a imprensa fica avaliando depois de voltar e repassar muitas vezes. Com o VAR os juízes vão ter a chance de ver onde erraram.

 Essa seria a saída, então, para evitar tantas polêmicas e erros dos nossos homens do apito?

Com certeza. Os árbitros dão pênalti sem convicção, ou às vezes interpretam que não foi. Com o VAR vão fugir das polêmicas.

PS – Entrevista feita pelo jornalista FÁBIO HÉCICO


Gabriel Jesus merece uma discussão saudável
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Gabriel Jesus é um dos jogadores mais “adoráveis” da seleção brasileira. É o tipo de garoto que tem história de vida triste e que se mantém o mesmo de sempre, humilde, simples, talvez um pouco simplório. Ao contrário da série de televisão, Everybody loves Jesus. Todo mundo torce por ele, todo mundo quer vê-lo como titular da seleção.

A simpatia que Jesus irradia em contraposição a vocês sabem quem, tem levado seus defensores a exagerarem – a meu ver – suas qualidades. Mas, comecemos pelo começo, por que Gabriel Jesus tem sido atacado?

Porque não faz gols. Já é a quarta partida da seleção e ele está em branco. O time fez sete gols e nenhum veio com sua assinatura. Só para lembrar e fazer uma comparação que não tem muito, quase nada a ver, o zagueiro Yerri Mina, também ex-palmeirense, fez três. Um dado a mais: a seca de Jesus é sentida também no Manchester City. Após uma contusão, parou de marcar e hoje não há dúvida alguma que o titular de Guardiola é Kun Aguero. Que fez dois gols pela desorganizada e eliminada Argentina.

Os que defendem a permanência de Gabriel Jesus apontam para suas funções táticas em campo. Quais, exatamente? Dos sete gols, quantos nasceram de passes seus. O de Coutinho contra a Costa Rica? Foi um passe mesmo? Houve um belo calcanhar para Neymar no pênalti simulado contra a Costa Rica. É muito pouco, amigos. Uma contribuição pequena para o ataque brasileiro.

E para o time? Aí e que, a meu ver, entra o exagero. Gabriel está contribuindo muito, Gabriel está ajudando na marcação, Gabriel fecha os lados do campo, Gabriel, contra o México, foi um grande auxiliar de Filipe Luiz… Nada disso é mentira, tudo isso leva em conta o grande amor que o garoto tem e merece ter por parte dos torcedores.

Quando dizem que Gabriel faz tudo isso, contribui tanto para o time, dá a impressão que seu possível substituto seja uma árvore plantada na área rival. Alguém sem mobilidade, alguém incapaz de dar um passe, um poste qualquer. Um centroavantão à moda antiga. Alguém pronto a ser servido e nunca a servira.

Não é o caso, né? Roberto Firmino tem jogado muito mais que Gabriel Jesus no campeonato inglês. Inclusive, ao lado de Salah e Mané, humilhou o City de Guardiola e…de Jesus. Criou-se, então, uma dicotomia: Firmino está melhor do que Jesus na Inglaterra, mas os números do garoto na seleção são impressionantes.

Não são mais. A Copa mostra.

Então, tira o Jesus e coloca o Firmino?

Pergunta dura para mim. Porque eu também sou fã do Gabriel Jesus. E acho que ele fará um gol a qualquer momento. Torço por ele. Mas também não tenho a passionalidade do Turco Simão, meu grande amigo, que considera os pedidos por Firmino uma ação da imprensa mafiosa.

Lembremos que em o Brasil foi campeão mundial cinco vezes e que sempre houve modificações no time.

Em 1958, Pelé, Garrincha, Vavá, Djalma Santos e Zito tomaram os lugares de Dida, Joel, Mazolla, De Sordi e Dino Sani.

Em 1962, Pelé, contundido, deu lugar a Amarildo.

Em 1970, as alterações vieram pouco antes da Copa, com Zagallo colocando Rivellino em lugar de Edu, Clodoaldo no meio e recuando Piazza para a zaga.

Em 1994, Raí deu lugar a Mazinho.

Em 2002, Kleberson tomou o lugar de Juninho Paulista.

Ou seja, nada de traumas. Nada de perseguição.

Não deveria causar uma comoção nacional a saída de Jesus. Não é o Romário que Felipão deixou de lado em 2002.

E o mais importante é que, com Jesus ou Firmino, o Brasil está no bom caminho.


Carille errou com Pedrinho
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No  Brasil – não sei se no mundo todo – há uma supervalorização do treinador. Busca-se em suas atitudes as explicações para tudo no futebol. O jogo Palmeiras x Atlético-PR foi resumido a um embate entre Roger x Fernando Diniz. E todos, inclusive o treinador do Palmeiras, comentavam como é difícil vencer um time de Fernando Diniz. Mesmo que, nos três jogos anteriores o Furacão tivesse empatado com Bahia, Grêmio e São Paulo e, em seguida, perdido para o Newell´s Old Boys.

Os clubes passam a ser um apêndice do treinador. É um tal de São Paulo de Aguirre, Cruzeiro de Mano, Grêmio de Renato… Muito diferente de se dizer o Barcelona de Guardiola, esse sim, um trabalho extremamente autoral e que marcou época.

É quase um sacrilégio dizer que o treinador errou. E, oh verdade acaciana, eles erram sim. Como todo ser humano, eles erram. Como todos profissionais, eles erram. Mesmo sendo ótimos treinadores. Nem vou falar de Tite, onipresente. Nem dá para ir no cinema, o Tite aparece mais que os coadjuvantes dos filmes, em comerciais que reverberam suas frases de autoajuda, suas obviedades ditas no tom pastoral de sempre.

Vamos falar de Carille. Um ótimo treinador. O cara ganhou três título em um ano e meio. A cada rodada, dizia-se que o Corinthians iria fraquejar e lá estava o time surpreendendo. Ganhou o Paulista, o Brasileiro e o Paulista novamente. Perdeu Jô, seu principal jogador e só recebeu Roger um semestre depois. Não reclamou, deu seus pulos, encontrou soluções e foi campeão.

Mesmo assim, errou. Errou na avaliação de Pedrinho. O garoto, rápido e habilidoso, pedia passagem. E Carille garantia que ele não aguentaria mais que vinte minutos. Que era importante para entrar no segundo tempo e mudar o jogo. Mas, que garoto de 20 anos não aguenta mais que 20, 25 minutos? Ora, somente se tiver algum problema físico, alimentar, alguma doença do sono. Mas Carille batia o pé em sua tese. E muita gente correu a sustentá-la.

É a fisiologia, estúpido.

Tem muitos estudos, muitos dados, muitas análises e não dá para jogar mais que 20 minutos.

Olha, se desse para jogar mais que 20 minutos, o Carille saberia. Ou ele não escalaria o garoto por qual motivo?

Sei lá. Talvez pelo mesmo motivo que ele recomendou a contratação de Kazim.

Qual motivo?

Carille também pode errar.

E jornalista pode pensar de forma diferente do treinador.

Bem, o Corinthians vai mal e de repente…..tchan tchan tchan… Pedrinho já aguenta 70 minutos. Vai bem contra o Ceará. E vai melhor ainda contra o Vitória.

Ora, mas que milagre foi esse. A fisiologia foi trabalhando, os preparadores físicos puseram sua sapiência em ação e os estudos, as análises e os estudos de uma hora para outra, apresentaram uma inclinação incrível nos gráfios. A curva embicou para cima. E os 20 minutos se transformaram em 70, com tendência de alta.

Pode ser isso. Ou pode ser que Carille tenha feito uma avaliação errada. Como Oswaldo errou com Gabriel Jesus, como Dunga errou com Neymar, como Feola errou com Edu, como Menotti errou com Diego Armando. Um erro comum.

Um erro que não muda o grande trabalho de Carille.


Tostão, elo perdido faz 70 anos. Colômbia goleia Brasil em solidariedade
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tostão2 Tostão completou 70 anos ontem. Escrevo sobre ele hoje. Tudo bem, todo dia é dia de Tostão, uma das pessoas mais importantes na história do futebol brasileiro. Como jogador, com 36 gols em 65 jogos. Como pensador da bola, incalculável. Cada artigo é uma lição. Cada entrevista é uma aula. Uma contribuição extra-campo que Sócrates, também médico e também genial, não conseguiu nos dar.

Em 1969, o Brasil de João Saldanha disputou Eliminatórias. Foram seis jogos e seis vitórias. As vítimas foram Colômbia (2×0 e 6×2), Paraguai (3×0 e 1xo) e Venezuela (5×0 e 6×0). Vinte e três gols a favor e dois contra. Tostão fez dez gols. Pelé, o Rei, seis. Jairzinho, que seria o Furacão da Copa, marcou três vezes.

tostãoNo ano seguinte, com a saída de Saldanha, o ataque Jair, Tostão, Pelé e Edu foi posto em xeque. Zagallo queria um centroavante de presença na área, um nove-nove. Roberto Miranda era o nome. Dario, outro. Tostão estava ameaçado. Ele, então, pensou no que deveria fazer para ganhar a vaga. Lembrou-se, então, do fantástico Cruzeiro que tinha Zé Carlos, Natal, Tostão, Evaldo, Dirceu Lopes. “Dirceu recuava e tocava para mim, que ficava mais à frente. Então, fiz o contrário. Recuava e tocava para Jair. Zagallo gostou e me colocou no time, com Rivellino na esquerda. Foi a seleção com cinco camisas 10”.

Na Copa, foi assim. Tostão foi mais discreto, mais recuado, combativo e aparecendo na área. Um falso nove? Alguma coisa assim, permitindo a entrada de Jairzinho na área. Uma consciência tática que pouca gente tem.

Em 1974, o Brasil não teve Pelé. Mas era previsto. O difícil foi ficar sem Tostão. Ele seria o comandante, seria o jogador a comandar o time, com a experiência de seus 27 anos. Mas o descolamento da retina já era uma realidade e Tostão já havia abandonado a carreira. O elo perdido. O homem que faltou.

Em 2002, tive o prazer de conviver com Tostão durante a Copa da Coreia – Japão. Eu trabalhava no Jornal da Tarde e ele na Folha. Era o rei da resenha no hotel. Conversava de tudo, respondia o que se perguntava, sem um bocejo. Zero de máscara. Parecia um de nós. Eu e outros, como pernambucano Fabio Victor, viramos tietes de Tostão.

No dia da final, os japoneses mostraram lances da Copa de 70. Um painel enorme. Olhei para lá e estava Tostão participando ativamente do gol da vitória contra a Inglaterra. Olhei para o lado esquerdo e estava Tostão, o colunista. Chamei sua atenção para o painel e ele olhou, com saudade nos olhos. Deu um sorriso tímido, como se estivesse pedindo desculpas por ter sido genial.

Jogadores de futebol adoram o passado. É lógico. São seres humanos, como todos, que tem lá no que passou um lugar garantido na memória seletiva. Tostão teria o direito de ser assim. Não é. Tem a humildade de dizer, por exemplo, que Neymar é melhor do que ele. Que jogaria em seu lugar. Concordo com Tostão. Como sempre. Se Neymar e tantos outros craques tivessem a consciencia de Tostão, o futebol brasileiro seria outro. E o Brasil também. Muitos melhores, o futebol e o país.

E no dia do Tostão, o jogo da amizade chegou a 1 milhão. Muito pouco. Apenas 18 mil pagantes no jogo contra a Colômbia, com dinheiro doado para a Chapecoense. Se fosse no Atanasio Girardot, estaria lotado.

 


Palmeiras é o meu favorito ao título
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Menon

academiasegundaacademiaO Palmeiras não é o time maravilhoso que, em 1965, teve a honra de vestir a camisa da seleção brasileira e enfrentar o Uruguai naquele 7 de setembro que inaugurou o Mineirão. Valdir, Djalma Santos, Djalma Dias, Waldemar Carabina e Ferrari, Dudu e Ademir, Julinho, Servílio, Tupãzinho e Rinaldo. A primeira Academia, formada pelo argentino Filpo Nunes.

Não é a segunda Academia. Um time que todos da época, torcedores ou rivais, sabem de cor. Começa com Leão e termina em Nei. LeãoEuricoluispereiraalfredoezeca;dudueademir;eduleivinhacesarenei.

 

Também não é o time espetacular que venceu o bicampeonato brasileiro em 93 e 94, com Edmundo, Evair, César Sampaio, Edilson, Zinho, Mazinho, Antônio Carlos, Roberto Carlos, Cléber….

palmeiras9394Não é. Mas quem é?

Hoje, um favorito não depende apenas de suas qualidades. Há outros fatores em jogo: se o rival terá desfalques pela Libertadores, o que a janela fará com os elencos, quem virá para reforçar o time. Antigamente, um time se mantinha por décadas ou anos. Hoje, o time que faz o primeiro jogo é diferente do que termina o 38º. Quem está aqui, pode ir para lá.

É difícil apontar o favorito. Principalmente, porque a opinião fica gravada e serve para cobranças enormes nas redes sociais.

Mas o Palmeiras é favorito.

1) Tem um bom elenco

2) Tem um bom time

3) Tem dinheiro para melhorar o bom time

4) Tem um bom treinador

5) Chega em ascensão anímica. Não foi eliminado com derrotas. Na Libertadores, saiu após um 3 x 3 espetacular em Rosario e uma goleada sobre o River. No Paulista, caiu nos pênaltis.

Os três primeiros jogos do Palmeiras são Furacão, em casa, Ponte, fora e Fluminense, em casa. Pode chegar com nove pontos à quarta rodada, quando enfrenta o São Paulo, no clássico.

Os rivais estão com mais problemas.

O São Paulo pode perder muitos jogadores: Calleri, Maicon e Rodrigo Caio.  Vai formar seu elenco durante a competição. O Corinthians ainda procura ser um time confiável. A substituição dos que saíram no início do ano não foi boa. O Santos sofrerá sem Lucas Lima, Ricardo Oliveira e Gabigol.

O Inter está forte, mas há tempos não corresponde. Sem Allison e com Argel, não sei não.

O Flamengo de Murici patina.

O Galo, sim, é um adversário forte.

O Cruzeiro está buscando um treinador.

Enfim, se não é uma academia, o Palmeiras está na frente dos outros.

É o favorito.

Dificilmente ficará longe da Libertadores.


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