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Título do Corinthians não foi acaso
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Menon

Vou contar uma coisa para vocês. Já aviso que parece fantasiosa, coisa de curupira ou boitatá. Até fiquei em dúvida em dizer o que vou dizer. Pensei em buscar provas. Mas, com o risco de passar por mentiroso, de ter minha credibilidade em dúvida, mas vou dizer: houve um tempo em que os torcedores de futebol reconheciam o valor dos rivais. O campeão era respeitado. Havia mais amizade e o ódio não escorria nas redes sociais. Bem, não havia redes sociais. Talvez seja por isso: cara a cara, olho no olho, é mais difícil ofender, colocar na tela os seus mais baixos instintos, como disse o probo Jefferson. Talvez a civilidade fosse apenas fake news.

Tomara que não. Sempre é bom acreditar na viabilidade da espécie humana. Mesmo que seja no passado.

É difícil ver méritos no título corintiano? É difícil o corintiano aceitar uma crítica sem vir com a história do fax? Ou do anti? Tenho um amigo que fala em anti, mas que comprou uma camisa do River para torcer contra o São Paulo, no Morumbi. Decorou músicas em casa, chegou cedo, se misturou com a torcida, arranhou o portunhol, gritou umas bobagens e foi para casa com dois cocos na cuca.

Quem desconhece méritos corintianos, quem se aferra a erros de arbitragem, quem fecha os olhos, está cometendo um grande erro, como eu disse AQUI. Está condenado a cometer o mesmo erro da arrogância e a sofrer na fila.

Em conversa matinal com meu amigo, o engenheiro Pinduca, o sucessor de Elisa, falamos sobre o assunto.

A contratação de Clayson foi um grande acerto. Ele jogou muito bem na Ponte.

Gabriel, que eu considero uma mala e um jogador desrespeitoso com os rivais, foi outro acerto. O Palmeiras o liberou para gastar os tubos com Felipe Melo. Os dois são marqueteiros, mas Gabriel não tentou derrubar o treinador e, apesar da maldade que coloca em muitas jogadas, subiu na fase final do Brasileiro.

Jô não foi um acaso. Foi uma aposta em quem estava mal, mas que tinha muita identidade com a torcida. Aposta ou não, rendeu muito mais que Borja ou Lucas Pratto.

Pablo? Foi um grande acerto. Chegou, formou ótima dupla com Balbuena e o Corinthians tenta mantê-lo no elenco. Com que dinheiro? O dinheiro da venda de Arana. E aí está outro grande acerto. O Corinthians conseguiu manter Arana, mesmo com grande assédio e mesmo não tenho uma situação financeira estável. Comparem com o São Paulo.

Carille foi um grande acerto, o maior de todos, mesmo não tendo sido a primeira opção. Quando Rueda não pôde vir, manteve-se Carille. Certíssimo.

Erro?

Kazim, o marqueteiro perna de pau. Não joga nada e todo mundo sabia disso.

Então, é assim. É  muito mais fácil falar de Kazim, Drogba, Pottker e juiz do que de todos os acertos.

Muito mais fácil. E muito mais errado.


Palmeiras e a conversão de Maria e José
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Antonio César Simão, o Turco Tote, é meu amigo há 40 anos. Desde quando eu entrei na Engenharia de Lins e ele já lá estava, balançando a pança e comandando a massa. Era nosso comandante na Atlética e na luta contra a Ditadura. Ele tinha dois amores secretos: pela Deise (não era tão secreto assim, afinal todo mundo sabia, menos ela, bem, acho que ela sabia também) e pelo Palmeiras. Não era o mais assíduo nas discussões futebolísticas, como o Mauro Achilles e o Moacyr, engenheiro Pinduca.

Uma digressão: você me acham chato, mas eu tenho amigo das três faculdades, do colegial, do ginásio, do primário e do Jardim de Infância, sem contar o Tiro de Guerra.

Bem, voltando ao Simão. Falando em futebol, a gente fez o meio de campo e ele conquistou a Deise. E se tornou fanático pelo Palmeiras. E passou o amor verde aos filhos, Maria e José. Maria, por conta da música de Milton Nascimento e José, pela tradição árabe de colocar no filho o nome do avô. José Fernando, José Guilherme, José Carlos, todos Simão. E o José, que é só José. Nada a ver com religião, que, na família, é mais para a Deise.

A família vai constantemente ao estádio. Contra o Barcelona, foram o pai e os filhos. Expectativa, esperança, êxtase e apreensão se seguiram. Até que chegou a hora dos pênaltis. Simão, muito confiante e comunicativo, como sempre, estava fazendo novos amigos e contando como o Palmeiras venceria. Quem faria os gols – todos, é lógico – e quantos seriam defendidos. Comandava a massa que estava acima dele e não viu mais os filhos. Aí, foi avisado que ia começar a decisão. Virou-se para o campo, sentou-se na sua cadeira e…não viu nem Maria e nem José.

O susto durou um mínimo segundo. Ou fração ele. Foi quando viu Maria e José, ajoelhados, de mãos dadas, tentando balbuciar uma Ave Maria ou outra reza qualquer, escondida no desvão da memória, arrancada de algum cantinho do cérebro, lembrança das aulas de Catecismo. Maria e José, convertidos.

Não é só futebol.

Hoje, a família está na torcida pela recuperação de Dona Irene, mãe da Deise e mulher do Lalô, o sogro que pensa igual ao Simão em tudo.


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