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Diego Alfredo Lugano Moreno é História
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Menon

O primeiro a se dizer sobre a despedida de Lugano é que ele fez uma boa partida, bem ao seu estilo: discreto, praticando jogo de contato, usando os atalhos para evitar que a pouca velocidade trouxesse problemas, pressionando o juiz…. E por que foi uma boa partida? Porque Lugano, que não jogava há muito tempo, todo um turno, estava em forma física. Esteve treinando como nunca. E como sempre. Não vestiu pijamas. Estava pronto para jogar, contra o Bahia e em todos os jogos anteriores.

A despedida mostrou que ele deveria e poderia ter atuado muito mais vezes do que foi utilizado. Quantas vezes? Todas aquelas em que Lucão estava em campo. Ou Douglas. E também Bruno Alves. No mínimo. Desde que voltou, no ano passado, Lugano fez 37 partidas. Algumas muito boas (River no Monumental, Flamengo no Morumbi, Palmeiras no Morumbi) e nenhuma mal. Para se lembrar de um erro dele é precisa pensar muito. E ainda fez dois gols.

Mas, acabou. É passado. Diego Lugano não joga mais.

Entrou na História do clube. Assim, com Maiúscula.

Imaginem um concurso com notas sobre impulsão, toque de bola, passe, vigor nas divididas, cobertura entre Lugano e Mauro Ramos . de Oliveira, Oscar, Bellini, Miranda, Roberto Dias. O uruguaio talvez fosse o último colocado. Então, por que ele é o mais querido zagueiro de todos os tempos, por que ele é um dos mais amados jogadores de todos os tempos?

Estou falando do São Paulo, é lógico.

Porque ele é são-paulino.

Todo torcedor do São Paulo se sente representado ao vê-lo com a camisa das três cores. Todo torcedor são-paulino sabe que, se estivesse em campo, não conseguiria ter mais respeito e amor ao clube do que Diego Lugano. Poderia até jogar mais do que ele, mas não jogaria com mais amor.

E futebol é muito mais do que a soma das qualidades específicas exigidas para cada função.

Fosse assim, não seria futebol. Seria concurso público.

Diego é uma incógnita. Seus detratores o chamam de paneleiro e quem jogou com ele, como Calleri, Eguren “(Nunca tive um capitao como Lugano, primeiro ele cuida da gente e depois cuida dele”), Cavani, Alex diz, sem titubear, que ele é o Capitão. Alguém que sabe respeitar e se fazer respeitar. Dos mais velhos aos mais jovens. Brenner, de 17 anos, fez seu primeiro gol na despedida de Lugano. Ganhou a camisa, ganhou um beijo. E sempre se lembrará dele.

Outros dizem que é carniceiro. E não se conformam quando ele termina mais uma partida sem ser expulso. Poucas vezes, foi para o chuveiro antes de o jogo terminar.

Comparem Lugano com Felipe Mello.

Quem joga mais?

Quem se preocupa com o clube?

Quem trata bem os mais jovens?

Quem vai para a reserva e respeita a decisão:

Quem derruba técnico?

Felipe Mello é a resposta correta para as opções A e F.

Lugano é o capitão celeste mais carismático depois de Obdúlio. Lugano mudou a cara do futebol uruguaio, lutando contra Paco Casals para que a Celeste recebesse muito mais dinheiro. E para que os jogadores sem nenhuma expressão, da segundona uruguaia e também dos times pequenos, recebessem um mínimo de dignidade.

Como jogador, foi muito além do que poderia ir. Muito além do que estava determinado a ir. Superou suas falências e, assim, as desconfianças de todos com quem trabalhou.

Foi assim, com suor, com superação, dignidade e caráter, que deixou o futebol para entrar na História.

Leia agora porque LUGANO, HONRA E DIGNIDADE ESTÃO SEMPRE JUNTOS


Dudu comanda vitória necessária e ilusória
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O Palmeiras vinha de três derrotas seguidas e precisava vencer. Goleou. E teve em campo o Dudu-2016 que estava ausente há um tempo. Com a vitória, diminuiu a desvantagem para o líder. São várias notícias boas, mas que não podem esconder que o Palmeiras, apesar do bom segundo tempo, ainda precisa melhorar muito. E nem falo aqui do pênalti inexistente em Mina, responsável pelo empate, mas que não pode ser encarado como razão da vitória. O Palmeiras, com penalti ou não, mereceu vencer. E precisa jogar mais. Não há incoerência nisso.

Ainda no início do jogo lá estava Dudu, um dos mais talentosos do grupo, cobrando laterais na área. Ora, se o time prefere a bola na área ao passe curto, se prefere cruzamento alto a jogadas bem tramadas, que não seja Dudu o responsável por essa jogada. Ela que fique com Egídio, por exemplo. Ou Mayke.

Veio o gol do Vitória, após um passe errado de Felipe Melo, e o Palmeiras mostrou-se um time sem nenhuma paciência, correndo atrás com muito mais velocidade do que tirocínio. Um sufoco que o Vitória segurou bem até o penalti inexistente que Guedes converteu. E, no finalzinho, o belo gol de Dudu.

No segundo tempo, impressionou como o Palmeiras não conseguiu controlar o jogo. Deu muitas chances ao Vitória, inclusive com bola na trave. O jogo ficou um toma lá da cá inexplicável. Os dois tiveram chances. Como o Vitória se abriu e não conseguiu manter a mesma aplicação e como o Palmeiras tem jogadores de nivel melhor, a lógica se fez, com a bela jogada de Dudu para o gol de Mayke e para a bela jogada de Michel Bastos para o gol de Dudu.

No final, a pintura de David, com direito a chapéu em Egidio.

Vitória justa, mas para ser comemorada com moderação.

 

 


Drogba, Michel, Felipe, Robinho…De volta a 2010. É o que tem para hoje
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2010No dia 20 de junho de 2010, o Brasil venceu a Costa do Marfim por 3 a 1, em Johanesburgo e se classificou para as oitavas de final da Copa do Mundo da África do Sul. Os gols foram de Luis Fabiano, dois e Elano. Para a Costa do Marfim, gol de Didier Drogba.

Drogba, que, aos 38 anos pode pintar no Corinthians. Se vier, vai enfrentar novamente Michel Bastos e Felipe Mello, que também participaram daquele jogo e que estão no Palmeiras. Talvez jogue contra Luís Fabiano, que está tentando se recolocar no mercado. Na minha opinião, poderia jogar novamente no São Paulo. E ainda pode encarar Robinho no Brasileiro. Elano, não. Virou auxiliar técnico no Santos de Dorival Jr, depois de se arrastar em campo nas suas últimas partidas como profissional.

Corinthians consegue parceiros e envia proposta oficial por Drogba

Drogba, Michel Bastos, Felipe Mello, Robinho e Luis Fabiano. Todos eles foram ótimos jogadores. Todos cabem em uma mesma escala, logicamente com Robinho Luís Fabiano e o marfinense à frente dos outros. E todos podem jogar bem no Brasileiro. Luís Fabiano tem contra si problemas físicos, mas pode ainda fazer gols importantes, desde que escalado com moderação.

Todas estas contratações são boas. Todas acrescentam. Mas, falemos a verdade: 2010 está muito longe. Faz muito tempo. E todos eles, que ainda são bons, já foram melhores. Deixaram na Europa o seu melhor futebol, em anos recentes. Estão no final da carreira. Gloriosas, dignas e honestas carreiras, mas quem aí vai jogar mais que três anos em bom nível? Só Robinho?

É um retrato do que vivemos. Mandamos para a Europa o craque do ano, o cara que vai ser tendência na década (Gabriel Jesus), mandamos outros jovens menos talentosos, mas no auge da forma física e técnica, como Rodrigo Caio, que ficará pouco tempo e trazemos veteranos.

A solução é uma crise mundial que descapitalize os europeus. Assim, veríamos nossos craques por mais tempo. Como nos anos 60 e 70. Já imaginaram Jairzinho, Gerson, Rivellino, Ademir da Guia, Tostão, Clodoaldo Carlos Alberto e Leão imigrando para a Europa. Fazendo companhia a Caju? E Garrincha? E Pelé? Do nosso período de ouro, apenas Didi esteve por lá. E não teve sucesso. Evaristo foi ídolo no Barcelona e o Real Madrid. Se todos tivessem ido, a Europa teria sido diferente. Ou alguém duvida que Rivellino jogava tanto quanto Platini?

Hoje, é o que tem para hoje. Vamos nos conformar e aproveitar o quanto for possível o sumo fresco da juventude que fica pouco por aqui e o último caldo dos veteranos que encantaram o mundo. Em 2010. Ou antes.


Timão teve Casão. E agora, se contenta com Kazim…. (Picadinho)
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Não me matem, eu sou apenas o mensageiro de más notícias. Não sou causa e nem efeito. Nem a frase do post é coisa minha. Ela e de casagrandeNelson Nunes, um dos grandes jornalistas com quem tive o prazer de trabalhar. Texto ótimo, visão acurada e com a capacidade de fazer uma pauta espetacular. Com ele, o repórter sempre era bem guiado. E o coração corintiano de Nelsinho Nunes sofre. Mas onde achar razão dentro de tanta emoção?

São épocas diferentes e é dura a comparação para todos os atacantes que foram ou forem contratados. Casagrande foi um dos grandes, com 103 gols marcados. Centroavante. Meia. Inteligente, questionador, muita raça em campo. Mas a questão é outra. Quem esperava tudo isso de Casagrande, após uma passagem por empréstimo à Caldense?

O Casagrande ídolo foi o Casagrande da base, um garoto como tantos outros que fizeram a história do Corinthians. Como Léo Jabá, por exemplo. Léo Jabá pode ser um novo Casagrande? Não sei. Kazim pode ser um novo Casagrande? Tenho certeza que não.

A situação política do Corinthians é terrível. O presidente Roberto Andrade, de mandato fraquíssimo pode sofrer um impeachment injusto. A situação econômica é péssima. Há problemas com o estádio e há problemas de caixa e uma coisa tem muito a ver com a outra. E, para complicar, o Palmeiras nada de braçada, com patrocínio forte e ainda aproveitando-se do empréstimo de pai para filho, de marido para amante, de Paulo Nobre, o Golden boy.

É hora de olhar para a base, como o São Paulo está fazendo. A solução pode vir daí. Ela não virá de Paulo Roberto, o volante reserva do Sport, já com 29 anos. Não virá com Jadson, dono de altos salários. Gabriel pode ajudar, mas há uma névoa de incertezas sobre suas condições físicas. Pablo? Pottker?

Está complicado. É hora de ter calma, de levar o barco devagar, pois o nevoeiro é perigoso. É hora de olhar para a história. Não a recente, que resultou na troca de Marciel por Willians, o do short verde (que bobagem a cor de roupa usada por um trabalhador), mas a de Rivellino, Edu Gaspar, Casagrande e que cada um complete sua lista de dez grandes revelações da base, ex-terrão.

picadinhomenon

O PRÍNCIPE BARRADO – Houve um tempo em que o Brasil ansiava por um novo Pelé. Zagallo pensou que fosse Ticão, neguinho de Bauru (muita coincidência) e o convocou para a seleção. Houve outros. O principal foi Ivair Ferreira, chamado de O Príncipe. Também ivairnascido em Bauru e que fez sua carreira na Portuguesa, onde jogou dos 12 aos 24 anos, antes de se transferir para o Corinthians. Em 1964, estava na decisão do Paulistão, quando a Lusa foi derrotada pelo Santos por 3 a 2. A Lusa tinha Orlando; Jair Marinho, Ditão, Wilson Silva e Edilson; Pampolini e Nair; Almir, Henrique Frade, Dida e Ivair. O Santos tinha Gilmar; Ismael, Modesto, Haroldo e Lima; Zito e Mengálvio; Toninho Guerreiro, Coutinho, Pelé e Pepe. O Rei venceu o Príncipe.

Ivair esteve também na lista de 47 jogadores pré selecionados por Vicente Feola para a Copa de 1966. Foi cortado, juntamente com Rinaldo, do Palmeiras. Edu, do Santos, e Paraná, do São Paulo, ficaram com as vagas.

Esta semana, o Príncipe Ivair foi barrado na Portuguesa. Um segurança o impediu de entrar no clube. Há culpados na história? Todo ex-jogador pode entrar no clube? São muitos pontos a se considerar, mas a tristeza é grande. O segurança (provavelmente não conhece nada da história da Lusa) também não conhece Ivair.

E eu apenas consigo me lembrar de Aldir Blanc, o gênio. “É o tempo, Maria, te comendo feito traça em um vestido de noivado”.

Felipe Mello – Achei uma ótima contratação do Palmeiras. O ano tem calendário diferente dos outros, as competições correrão simultaneamente e não há mais aquela possibilidade de vencer a Libertadores e fazer gazeta no Brasileiro. É preciso rodar. É preciso elenco. Felipe entra em um setor que foi muito bem, com Tche Tche e Moisés. Tem estilo diferente, é mais marcador, apesar de ter um bom passe. Mesmo quem não pensa nele como titular, há de reconhecer que é opção mais forte do que Thiago Santos. Quanto às expulsões, elas virão. Aqui, se expulsa até quem pensa em palavrão. Mas não esqueçamos que Gabriel Jesus foi expulso – e merecidamente – em um jogo importante.

Modesto Roma Jr – O presidente do Santos fala em Robinho e traz Kayke. A promessa tão megalomaníaca como vazia serve apenas para criar uma aura de desilusão sobra o novo contratado. Começa no clube como aquele que veio porque Robinho não pôde vir.

Calleri – Se o argentino voltar, o São Paulo terá dado um enorme salto de qualidade na montagem de um bom time. Mas é bom a torcida se acostumar com Colmán, o paraguaio.

Cabe mais um? A Fifa definiu que a Copa do Mundo terá 48 países. Nem o esfacelamento de muitas Iugoslávias e outros tantos de Uniões Soviéticas justifica. Eu só entendo o inchaço em uma situação específica: as Eliminatórias classificam 16 seleções para a segunda fase. A primeira fase reúne 32 times em um mata-mata, já no país sede. Os 16 classificados se unem aos 16 primeiros e segue o baile, como é agora. Apenas um jogo para definir as chaves. Pensando em termos de América do Sul, nas última copas, a quinta vaga foi jogada pelo Uruguai contra a Jordânia (Copa-14), Costa Rica (Copa-10), Austrália (Copa-06) e Austrália (Copa-02). Estes jogos seriam realizados já na sede, como um grande aperitivo. Ganhou, fica na Copa. Perdeu, foi eliminado e volta para casa.

 

 

 


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