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Petraglia trai Fernando Diniz, o gênio incompreendido
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Mauro Celso Petraglia demitiu Fernando Diniz após 21 jogos (cinco vitórias, sete empates e nove derrotas), 34% de aproveitamento, o pior dos últimos dez anos.

Uma decisão que se justifica diante da atitude de um treinador, mais interessado em suas convicções do que na situação do clube.

A demissão mostra a falta de palavra de Petraglia, que não economizava juras de amor e de fidelidade ao projeto de Diniz.

Petraglia disse que iria até a segunda divisão abracado com Diniz. Não foi. Será que o Furacão vai?

Será que alguém vai atrelar a história de seu clube às convicções de Diniz?


Osmar Loss, 28%. Diniz, quatro derrotas
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Mais uma derrota do Corinthians de Osmar Loss. A terceira em seis jogos no Brasileiro. Cinco pontos conquistados em 18 disputados. 27,7% de aproveitamento. Aonde vai parar?

Rumo ao título, parece difícil. Está onze pontos atrás do líder.

Loss sofre com desfalques. São muitos, desde a seleção brasileira até a paraguaia, além de contusões. Mesmo assim, não dá para ter média de rebaixado. Empatar em casa com o Vitória e perder fora para o Bahia não o qualifica nem para o campeonato baiano.

E Diniz? Quatro derrotas seguidas. Bruno Guimarães, volante, na zaga e Rafael Veiga, meia, como volante. Maior posse de bola e menos finalizações.

Todo o cenário de sempre. Um treinador fiel às suas convicções e pouco se importando com o clube. O rebaixamento é uma possibilidade concreta.


São Paulo vence no erro de Diniz
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O São Paulo venceu o Atlético-PR por 1 x 0 e chegou a 20 pontos em 11 jogos. No ano passado, ao final do primeiro turno, 19 partidas, tinha apenas 18. Derrubou também um tabu de 21 jogos e mostrou bastante maturidade. É um time que, se continuar assim, tem todas as condições de chegar à Libertadores-19.

Foi um jogo igual e os três pontos vieram porque o São Paulo, além de suas qualidades, aproveitou-se da tal convicção de Fernando Diniz. O time está muito mal no campeonato, a torcida está apreensiva e o goleiro solta bola para o zagueiro dentro da área. Houve a tomada de bola e o pênalti, que Nenê converteu.

É proibido dar chutão. Não cabe nas convicções de Fernando Diniz. Quando o Atlético empatou com o São Paulo, no Morumbi, classificando-se para a fase seguinte da Copa do Brasil, o treinador respondeu sobre a pressão que o adversário fizera em muitos momentos no goleiro Santos. Ele respondeu que o papel do treinador também é ensinar e que Santos, há 12 anos no clube, estava aprendendo, enfim, a jogar com os pés.

Vai continuar aprendendo. Eu repito minha ideia. Um treinador obcecado por suas convicções, na verdade está desrespeitando o clube que o contratou. Porque muito mais importante que as convicções de Diniz é a classificação do Furacão, mais uma semana no Z-4.

O São Paulo, que não tem nada com isso, se fechou após fazer o gol, aos 16 minutos. Recebeu ajuda da torcida rival que passou a vaiar seus jogadores, levando-os a um grande nervosismo. Time fraco, mal treinado e vaiado em casa é presa fácil.

Não foi tanto assim, porque os jogadores foram valentes e acuaram o São Paulo. Algo comum o São Paulo recuar, mas havia uma diferença. O contra-ataque estava armado. Mesmo atrás, o São Paulo teve algumas poucas oportunidades.

É um São Paulo que perde pouco. Apenas uma derrota em onze jogos. Um time forte mentalmente, que sabe lutar por uma vantagem, ainda que mínima, e que precisa melhorar, é claro. Mas os sinais são bons. Se souber tratar bem das perdas que poderão ocorrer na janela e se conseguir reforçar algumas linhas, pode mesmo ser tratado como alguém que corre por fora rumo ao título. Por enquanto, não. Por enquanto, pode brigar na Libertadores.


Fernando Diniz e a Seita da Posse de Bola
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Há uma história de Albert Einstein visitando o Brasil. Verdadeira? Não sei. Mas é muito saborosa.

Estava sendo ciceroneado, no Rio, por Austregésilo de Athaide, presidente da Academia Brasileira de Letras, cuja obra literária é rasa como um pires. Estavam caminhando e o brasileiro constantemente interrompia a conversa, sacava uma caderneta e fazia anotações.

Intrigado, Einstein perguntou:

O que o senhor anota tanto?

São ideias que tenho. Anoto para não esquecer e usar depois. O senhor não faz anotações de suas ideias?

Não faço não. Só tive uma ideia na vida.

E que ideia! Einstein, Freud e Karl Marx (todos judeus) tiveram ideias que revolucionaram o mundo.

Não é o caso de Fernando Diniz.

Ele é seguidor de uma ideia que revolucionou o futebol. E que está sendo muito mal executada no Atlético-PR.

Fernando Diniz não merece ser o ícone da Seita da Posse de Bola, formada por aqueles que só aceitam o futebol jogado de uma maneira. Não interessa se o time foi rebaixado, o que importa é se teve, durante o campeonato, mais posse de bola. Católicos, em busca da supremacia de uma ideia, fizeram cruzadas para matar mouros.

O fanatismo em torno de um conceito é errado, como todo fanatismo. Agora, ser fanático por um pastiche, é demais, né. Fernando Diniz não merece o fanatismo até por ser uma pessoa talentosa. Colocá-lo em um panteão de gênios só pode atrapalhar seu desenvolvimento. Afinal, gênios não podem ser contestados. Quer falar mal de Einstein? Destrua sua teoria? Quer falar mal de Fernando Diniz. Ganhe dele. Não, não basta. O fanatismo é tão grande que ele pode perder tudo que será incensado do mesmo jeito. As críticas são para quem o vence. Afinal, ganhar usando o contra-ataque devia ser proibido.

E está muito fácil ganhar do Fernando Diniz. É só esperar que o Atlético ataque, com muita gente na área do rival, tomar a bola e sair rapidamente para o ataque. Encontrará uma defesa aberta, sem cobertura e sem recuperação. Abel disse que viu os jogos anteriores e que resolver dar a bola ao rival. Por que? Porque sabia que estava ali a grande chance de vencer.

Diniz repetiu na entrevista coletiva após a quinta derrota seguida que suas convicções o levaram ao Atlético e que eventuais acertos devem ser feitos dentro de suas convicções e não fora delas. Me parece Testemunha de Jeová recusando transfusão de sangue.

A Seita da Posse de Bola, a cada crítica ao trabalho de Diniz ou de Roger ou de Micale, os sacerdotes, brande o argumento do resultadismo. Não interessa o resultado e sim o trabalho. Não se pode criticar antes de um tempo.  Nunca explicam qual é esse tempo. Quantos jogos, quantos meses, quantos campeonatos?

O resultado é a coisa mais importante do esporte. Todo esporte. Sou fanático dessa teoria. Sou Testemunha de Jeová. O Fortaleza precisa lutar por título estadual, precisa lutar por acesso a Serie A e precisa ser cobrado para fugir do rebaixamento. O São Paulo precisa ser cobrado por títulos. E o Furacão?

O presidente Petraglia já chegou a dizer que seria, em anos, o time mais popular da América do Sul. Ainda não é o time mais popular em Londrina. Tudo bem, leva tempo, mas é um time que tem toda capacidade de lutar por uma vaga na Libertadores. Atualmente, está flertando com o rebaixamento. Até eu acho que é cedo para cobrar. Mas a partir da 12º rodada, quando há a parada para a Copa do Mundo, sim.

E então fazer um rearranjo. Trazer novos jogadores, cobrar o polimento da ideia e até, por que não, perguntar delicadamente, sem ofender, se, de vez em quando não é bom dar um bico para o mato.

Um treinador pode ser fiel às suas convicções. Não será preciso negá-las como Galileu diante da Inquisição. Ela, a Inquisição, está voltando, mas sem a mesma força de antes. O errado é um clube ser refém de uma ideia que está sendo mal executada e que tem dado resultados ruins. Um clube não pode cair na esparrela de que resultado não é importante. E nem esperar infinitamente que, depois de muitas derrotas, depois de um ano de trabalho, haja a possibilidade de fazer História.

Mesmo porque quem garante que Fernando Diniz fará alguma revolução no futebol?

PS – A contratação de Fernando Diniz pelo Furacão envolve um erro de estratégia. Se, para a ideia funcionar, é preciso tempo, é preciso treinamento, é preciso tempo de jogo, é preciso conhecimento de elenco, é preciso tempo para que o elenco conheça os métodos do treinador para que disputar o Paranaense com time sub-23? Com outro treinador? Enquanto os outros times têm treinadores com tempo de trabalho, como Enderson Moreira há mais de ano no Coelho, por que dar menos tempo a Diniz?

Bem, eles que são gênios que se entendam. Eu vou dar uma lida na Teoria da Relatitivade, do Eisntein. É mais fácil.


Parem de tratar Fernando Diniz como gênio
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O Palmeiras empatou em casa contra a Chape. Na semana passada. Agora, foi a Curitiba e passou por cima do Atlético. Fácil. Sem sofrer.

E a vitória foi tratada por jornalistas e pelo técnico Roger Machado como um feito extraordinário. Afinal, do outro lado estava Fernando Diniz.

Um exagero. Diniz é um técnico fiel a uma ideia. Posse de bola, troca de passes, triangulações, paciência. Merece aplausos, principalmente porque no Brasil de hoje, faltam ideias para o futebol. Não só.

Ponto. É isso. Nada mais. Diniz não é genial. É é tratado assim. Vencer o Furacão é tratado como vitória sobre…Diniz.

Roger e jornalistas, na coletiva, falavam em tática, estratégia, jogo de xadrez. Menos, né?

Fosse outro treinador, o assunto seria a marcação totalmente errada no terceiro gol. Um contra-ataque puxado desde o campo da defesa. E o Furacão, todo aberto.

Fosse outro treinador, seria cobrada (talvez de forma injusta) a ausência de cobertura no segundo gol, após o rebote do goleiro Santos.

Roger falou sobre o antídoto usado contra o sistema de Diniz, com saída de bola com muitos passes e sangue frio. “Marcamos alto para roubar bolas no campo deles”. Falou como se fosse algo estratosférico, maravilhoso. Ora, foi o mesmo que Aguirre fez, chegando a abrir dois gols de vantagem.

Fácil. Nada de genial. Um problema para Diniz resolver. Ele tem futuro, mas será genial, como já é tratado, quando, além de ter uma ideia, conseguir não ser refém dela.


Ilusão tricolor dura seis minutos
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Todos dizem que é um jogo de 180 minutos. E o São Paulo esteve classificado por seis. Apenas seis. O tempo entre os gols de Nenê e Guilherme, no primeiro tempo. A vaga ficou com o Atlético.

Alguns dados podem explicar.

1) O Furacão é mais time. O trabalho de Fernando Diniz começou antes e se faz notar. É um time que sabe o que quer. Toca muito bem a bola, ocupa os espaços, faz triagulações. Quando sofreu o segundo gol reagiu imediatamente. É começou o segundo tempo pressionando em busca do gol da vaga. Fez. E a trave salvou o terceiro.

2) A classificação foi justa.

3) O São Paulo poderia ter se classificado se Petros não errasse um gol logo aos cinco minutos. E se a blitz após o empate tivesse resultado em gol.

4) Se não ganha jogo. Se Petros não tivesse errado, se Rodrigo Caio não tivesse errado no primeiro jogo, se Bruno Alves não tivese errado diante de Rodriguinho…

5) O São Paulo precisa deixar de ser o time do quase, do estamos melhorando, agora o time tem raça…

6) Como melhorar rapidamente se não há um centroavante? Trellez é péssimo. Diego Souza está péssimo. Brenner não é jogador pronto.

7) Gonzalo Carneiro é solução ou esperança.

8) Existe dinheiro para novas contratações? Talvez, se vender Cueva e Rodrigo Caio.

9) Domingo é contra o Ceará. O São Paulo precisa vencer. Se perder, olha o se aí novamente, velhos fantasmas surgirão.

 

 

 


Dois títulos para a nova geração de treinadores
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Corinthians ou Palmeiras?

Vasco ou Botafogo?

A única certeza é que os dois títulos servirão para fortalecer a certeza da renovação entre os treinadores do Brasil. A troca de guarda ganha força.

Fábio Carille, Roger Machado e Zé Ricardo fazem parte do que chamei no ano passado de “os sete magníficos”, jovens técnicos que assumiam grandes clubes do Brasil. A lista era completada por Jair Ventura (então no Botafogo e semifinalista do Paulistão, com o Santos), ROGÉRIO CENI (então no São Paulo e praticamente finalista do campeonato cearense com o Fortaleza) e Antônio Carlos Zago (Inter, que foi vice da Série C, com o Fortaleza) e Eduardo Baptista (Palmeiras), que estão desempregados. Cheguei a dizer que A RENOVAÇÃO HAVIA FALHADO, mas ela continua firme.

Desde então, a ascensão maior foi de Carille, que ganhou o Paulista e o Brasileiro e chega em nova final. Chegou ao cargo porque Rueda recusou e montou um time pragmático, com defesa forte. Depois do título, perdeu muita gente, peças importantes como Arana, Jô e Pablo, teve contratações erradas como Juninho Capixaba e, sem reclamar, trabalhou duro e está em nova final.

Roger Machado tem uma prova de fogo no Palmeiras. Em seu terceiro ano como profissional, é o terceiro gigante que dirige, após passagens apenas regulares pelo Grêmio e pelo Galo. Tem o mais povoado elenco do Brasil, com jogadores de alto nível. No primeiro encontro com Carille, foi totalmente derrotado. O treinador do Corinthians anunciou um dia antes do último clássico que jogaria sem centroavantes, com Rodriguinho e Jadson pelo meio. Roger teve um dia para estudar e perdeu feio.

Zé Ricardo era da base do Flamengo. Assumiu o time titular e fez um bom trabalho, mas no final, caiu no erro de alguns treinadores, como o próprio Tite, de morrer abraçado com algumas preferências. Se no caso de Tite, as preferências eram por Sheik e Romarinho, campeões mundiais, Zé Ricardo apostou em Muralha, Rafael Vaz e Márcio Araújo. Foi muito corajoso em assumir o Vasco após ser demitido do Flamengo e novamente começou muito bem. O título do Carioca, se vier, servirá de escudo contra algumas críticas que surgem após ser derrotado pro 4 x 0 pelo Jorge Wilsteramann e perder para a Universidad do Chile em casa.

Alberto Valentim é o mais novo dos quatro finalistas, futebolisticamente falando. Nem fazia parte dos sete magníficos. Foi auxiliar do Palmeiras, saiu para o Red Bull, onde fez campanha muito ruim, voltou ao Palmeiras. Assumiu no lugar de Cuca e tentou jogar com marcação no campo adversário, mesmo tendo uma defesa lenta, com Edu Dracena e Egídio. Caiu. No Botafogo, teve o grande momento ao eliminar o Flamengo.

É a renovação se cristalizando. Fernando Diniz tem sua primeira grande chance no Furacão.

Os títulos servem para dar força e embasamento a quem resolveu apostar em treinadores jovens e baratos, deixando medalhões caros ao léo. O problema é que título faz o técnico jovem passar a ganhar mais também, na maluca ciranda do falido futebol brasileiro, em que um treinador tem direito a formar sua própria equipe, com auxiliar e preparador físico, nunca recebendo menos que DEZ MIL REAIS POR DIA DE TRABALHO.

 


Fernando Diniz e a essência do futebol
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O jornalista Renato Rodrigues, da ESPN, fez uma entrevista espetacular com Fernando Diniz, treinador do Furacão. Há uma explanação do Diniz que é maravilhosa. Ele fala de como a preferência dos treinadores em jogarem fechados, apostando na transição, vai contra a característica técnica dos jogadores brasileiros. Leia aqui.

Dá muito trabalho ter a bola. Você tem que criar espaços, enfrentar linhas mais baixas… Quando isso acontece, você acaba se expondo mais. E no Brasil isso é ir contra a norma. Existe uma preferência para todos jogarem de uma forma mais conservadora. Você se protege melhor. Eu acredito que dois pilares fazem o futebol brasileiro caminhar para trás. A cultura do povo é de gente leve, a matéria prima ainda tem jogadores mais ousados, verticais, com bom drible, que sabem jogar com aproximação, serem criativos… E isso está na cultura do nosso povo. Os jogadores do futebol brasileiro, de uma forma mais geral, são oriundos de famílias menos favorecidas financeiramente. São caras que passam muito tempo na rua praticando futebol sem nenhuma inibição pois não tem um adulto monitorando as regras do jogo. Então a gente tem esse tipo de atleta e a gente está colocando ele para praticar um jogo com prioritariamente organização defensiva. Você precisa criar espaço para estimular a criatividade do jogador. E aí ele não cumpre de maneira satisfatória esses quesitos. O menino sonha ser jogador para jogar futebol. Não é porque ele quer marcar e jogar em transição. Isso é a contramão do que, principalmente o jogador brasileiro, sonha fazer quando é garoto. Avaliando de uma maneira mais profunda, eu tento, no geral, resgatar esse lado lúdico. Tentar trazer de volta o prazer que todo mundo teve de jogar futebol um dia. Todos estes jogadores já foram o melhor da escola ou da rua. Então se cria estruturas que favoreçam estes comportamentos para um jogo bem jogado. Sempre pensando em ter um time mais competitivo.

Em outro momento, ele fala de uma questão que sempre foi muito clara para mim: o fato de a seleção de 82 haver jogado tão bem e perdido criou uma falsa dicotomia no futebol brasileiro: jogou bem e perdeu, então se jogasse feio, venceria. Uma bobagem, porque o Brasil nunca foi campeão do mundo jogando mal. Nem em 94, quando não empolgou, mas jogou mais que os outros. A exceção é a Argentina de Maradona, destruída pelo doping de Maradona.

Eu não sou um fã de Fernando Diniz. Vejo qualidades nele, mas sou do tipo que considera o resultado a coisa mais importante no futebol. Um time grande tem de lutar pelo título, um time médio não pode cair. A busca destes objetivos precisa estar acima dos conceitos táticos de um treinador. E isso eu não vejo em Diniz. O Audax caiu jogando fiel aos princípios (ótimos, por sinal) de Diniz? Ora, a comparação que me surge é a do Titanic afundando e os músicos tocando, fiéis aos seus princípios. Talvez, no caso, coubesse à diretoria demiti-lo antes da queda. Mas ele poderia ter mudado também. Ou só sabe jogar de uma maneira? Aliás, nunca vejo em entrevistas a Diniz, questionamentos sobre o rebaixamento com o Audax e o péssimo desempenho do Oeste no Brasileiro.

Mas, a entrevista é muito boa. Aborda muitas questões táticas, fala do resgate do drible e das relações humanas também.

Você pode ler clicando AQUI 


Os adoradores de Diniz que me perdoem, mas resultado é fundamental
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Enquanto não chega o samba enredo: “Longa vida a Fernando Diniz, o homem que influenciou, antes de nascer, Telê, Cruyff, Michels e o tal do Pep, o homem que cai, mas cai com posse de bola, o gênio da raça, o homem que mudou as relações humanas e que, com um estalar de dedos, trocou Campinas por Curitiba”, eu aqui, no meu cantinho, digo, bem baixinho, com medo de ser chamado de ultrapassado, sussurro: Viva o resultado”.

Pronto, falei. Doeu mais do que quando eu assumi para mim mesmo algo que tentei esconder por muito tempo: eu A DO RO Roberto Carlos. Gente, foi tão bom, que, em seguida, eu assumi Jerry Adriani, Agnalo Timóteo e Altemar Dutra.

Amigos, eu gosto de ganhar. Eu gosto de ver meu time campeão. Eu não consigo viver sem esta droga chamada resultado. Eu confesso que sinto até uma certa ternura por aquele time que chega sempre em sexto ou sétimo, mas apresenta um bom futebol, talvez, até quem sabe, deixa o tal legado. Muito legal, mas eu prefiro o título.

Admiro os estetas, os parnasianos (a arte pela arte), mas eu troco tudo por um campeonato estoico, com com nenhuma exibição de arte, com mais alívio do que prazer, mas com aquele grito de É CAMPEÃO, ao final do ano.

É lógico que eu gostaria muito que meu time fosse campeão jogando bem, muito bem, otimamente bem. O que não significa seguir as regras pré determinadas do que se determinou ser o bom futebol nestes últimos anos: 1) posse de bola 2) jogo apoiado 3) superioridade numérica no setor 4) pressão alta. É possível jogar bem de outras maneiras, com mais velocidade e menos passes, com jogo mais vertical…

Retomando, eu gostaria de ver meu time campeão jogando bem. Mas eu prefiro ver meu time ser campeão contra o segundo colocado que joga muito bem, mesmo com os iluminados falando em injustiça. Injustiça? Com um campeonato de 38 jogos, 19 em casa e 19 fora? Qual a injustiça? A injustiça, amigos, está no egocentrismo de quem vê o mundo assim: não fez o que penso, está errado. Ganhou, mas ganhou sem jogar do jeito que eu determinei que é o certo, então não vale.

E o Audax? Ah, o Audax caiu, mas teve posse de bola, teve jogo apoiado, teve pep guardiola feelings.

Fernando Diniz é um treinador que foi muito bem no Audax. Levou o time ao segundo lugar do campeonato paulista. Tinha bons jogadores e soube tirar o melhor deles. Na final, foi surpreendido pela postura defensiva de Dorival Jr. e perdeu o título. No ano seguinte, com outros jogadores menos talentosos, manteve o estilo. Só que todo mundo, menos Rogério Ceni, já sabia como o Audax jogava. E Fernando Diniz não soube se reinventar, não soube dar uma trégua à sua genialidade, não soube se adaptar. E foi rebaixado, como rebaixado quase fora com o Oeste na segunda divisão do Brasileiro.

E aos que falam que rendimento é mais importante que resultado, eu faço uma pergunta simples. Fernando Diniz seria incensado como um gênio se o Audax tivesse caído no primeiro ano? Lembram, ele jogou com estilo moderno e foi vice-campeão. No ano seguinte, jogou com estilo moderno e caiu? E se fosse o contrário? Se no primeiro ano, ele tivesse jogado modernamente e caísse? Seria elogiado como é?

Não seria.

Sabe por quê?

Porque o jogo moderno veio acompanhado dele, o resultado.

A Holanda não seria referência se tivesse caído na primeira fase da Copa do Mundo de 74. O falso nove de Guardiola teria sido ridicularizado se não tivesse vindo acompanhado dele, o malvado resultado.

Então, enquanto a modernidade brasileira continuar sendo Fernando Diniz, um pastiche de Guardiola, eu fico com o resultado.

Se aparecer um treinador brasileiro moderno, revolucionário, lançando uma escola nova, eu…vou continuar preferindo títulos. Mas teria por ele o maior respeito. Como tenho por Guardiola, mesmo que ele perca.

Para mim, o resultado será sempre importante, o mais importante de tudo. Aponto o erro, aponto a mediocridade apresentada, mas louvo o título.


Fernando Diniz ajuda a destruir um mito do futebol moderno
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Menon

Fernando Diniz é um representante da cartilha do futebol moderno, que tanto fascina jornalistas e torcedores pelo mundo afora: manutenção da posse de bola, proposição de jogo (prefiro a palavra imposição), jogo apoiado, superioridade numérica em setores do campo, velocidade no terço final…. A meu ver, ele exagera na rotação posicional (uau) dos jogadores. Há muita troca de posição, o que ocasiona espaços para os rivais.

Mais do que os conceitos, o que me agrada é a atitude. Ele não se contenta com a retranca, com a postura defensiva. Não aceita jogar por uma bola. Arrisca e muito. Foi vice-campeão com o Audax. E foi rebaixado com o Audax. E o que me desgosta muito em Fernando Diniz é sua postura autoritária e agressiva com jogadores. Grita, ofende e aponta o dedo para quem erra. Dá a nítida impressão de praticar a teoria do “eu acerto e vocês erram”.

Ele merece a oportunidade de testar seu estilo de jogo em um time maior. E foi o que fez, ao abandonar o Guarani, com um mês de trabalho, antes mesmo de estrear e correr para o Furacão, onde não terá nenhuma complacência de Mario Celso Petraglia, notório decapitador de treinadores.

A saída de Diniz foi muito ruim para o Guarani, mas havia uma cláusula contratual que previa a liberação em caso de oferta de um clube da Série A. Os dirigentes bugrinos estavam avisados.

E, ao deixar o Guarani na mão, Diniz ataca um ponto crucial no futebol brasileiro: treinador precisa de um ano para trabalhar, treinador não pode ser demitido bla bla bla. É a única profissão no Brasil que não pode correr riscos. É um dogma da seita dos jornalistas modernos. Pode-se demitir médico, jornalista, dentista, cientista, pode-se dar golpe na presidenta. Só não pode demitir treinador. É feio. É atraso. Não é europeu. Se o treinador tiver tempo para trabalhar, tudo vai ser ótimo no Brasil. Mesmo que o trabalho seja péssimo.

A defesa da reserva de emprego para treinadores usa dois argumentos tortos.

O primeiro diz o seguinte: o time tal manteve o treinador e teve ótimos resultados. Não é o contrário? O treinador tal teve ótimos resultados e foi mantido.

Não tem jeito, amigos. Clube grande não pode cair. Os prejuízos são enormes. Se tudo estiver ruim, é necessário trocar. Mesmo se for o Guardiola dirigindo o Flamengo. Ora, faltam dez rodadas e o time está em último. Mas é o Guardiola. Mantemos? Vamos com Guardiola para Lucas do Rio Verde no ano que vem? Vamos, o que interessa é estarmos seguindo a cartilha, não interessa se vamos cair. Parabéns, eu não penso assim.

O segundo argumento torto é que resultado não importa, o que importa é o desempenho. Ora, se um time é superior em todos os conceitos, desde a posse de bola até a velocidade dos gandulas e não consegue fazer gols, é fácil diagnosticar o problema, não? Ou o time está finalizando pouco ou está finalizando mal. Cabe ao treinador consertar. Se não conseguir, tchau. Que venha outro que fça o time vencer, mesmo indo contra os conceitos pré estabelecidos.

Sim, amigos. Há jornalista que só acha bonito o que é espelho. Ele tem os seus conceitos. Se o treinador utilizá-los, ele pode perder. Se não utilizá-los e vencer, sua vitória será mais contestada que a presença da Tiffany no vôlei feminino.

Ao dar um bico, previsto em contrato, no Guarani, Diniz abre a porta para ser chutado do Furacão. Tudo normal. Pau que bate em Chico, bate em Francisco. Assim, teremos o fim da reserva de mercado para professores.