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Palmeiras tem defesa nova e fica ainda mais forte
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A chegada de Marcos Rocha por um ano, em troca do desgastado Roger Guedes, foi ótimo negócio para o Palmeiras. Ele tem todas as condições de resolver o problema da lateral-direita, que foi dor de cabeça o ano todo, com Myke e Fabiano. Um pouco de paz, apenas com Jean.

Na outra lateral, está Diogo Barbosa, vindo do Cruzeiro. Outro jogador que chega para resolver um grande problema, pois Egídio nunca foi uma solução e a situação ainda ficou pior com a falta de paciência da torcida que, convenhamos, não é injustificável. E Zé Roberto estava se despedindo.

São contratações indiscutíveis. E há mais duas, que deixam a defesa bem mais forte para o ano que vem. No gol, estará o Weverton. Ele estaria liberado apenas em maio, mas o Palmeiras gastou os R$ 2 milhões pedidos pelo Furacão para ter o jogador já em janeiro, para o início do Paulista. Ele vem para disputar lugar com Fernando Prass, o mesmo que, contundido, abriu vaga para Weverton ganhar a medalha olímpica. Jaílson tem problemas físicos.

E a pressa que teve para contratar Weverton, o Palmeiras não teve como zagueiro Emerson Santos, o zagueiro de 22 anos do Botafogo. Ele estava acertado desde agosto, com o pré-contrato assinado. É uma esperança a mais de ter um jogador que resolva o problema, o que Luan e Juninho não conseguiram, o que levou Edu Dracena a ser um constante parceiro de Mina. E depois, de continuar jogando, quando Mina se contundiu.

Havia problemas e o Palmeiras resolveu. Weverton; Marcos Rocha, Mina, Emerson e Diogo Barbosa formam uma defesa de alto nível no papel. Ou melhor, na tela do computador.

E ainda tem Lucas Lima.

O Palmeiras de hoje é melhor que o Palmeiras da semana passada.


Golaço de Neymar contra a homofobia
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Neymar usou as redes sociais para se posicionar sobre a decisão que considera homossexualidade como doença e possibilita tratamentos de reversão. A chamada “cura gay”. Ele postou uma música de Lulu Santos que diz: “consideramos justa toda forma de amor”. Uma grande atitude do jogador, colocando-se ao lado da modernidade e contra o obscurantismo.

O silêncio dos atletas sobre assuntos que não são o seu esporte é gritante, ensurdecedor. Murilo, do vôlei, é crítico à gestão de Ary Graça…e quem mais, mesmo? O basquete brasileiro está acabando e ninguém fala. Guilherme Giovannoni é o representante dos atletas junto ao NBB e vai jogar pelo Vasco, time que atrasou salários na temporada passada. Ele nunca se posicionou junto aos companheiros. O presidente do COB é suspeito de corrupção e… nada.

Joanna Maranhão, salvo engano, é uma voz solitária contra os desmandos de Coaraci.

A Bolsa-Atleta tem problemas, foi diminuída e pode acabar e… nada.

E jogadores de futebol? Nunca falam nada de nada. Posicionaram-se há dois anos juntamente com o Bom Senso, mas graças apenas a líderes como Fernando Prass e Rogério Ceni, que estava em atividade e outros que já haviam se aposentado. O Bom Senso acabou e, mesmo antes disso, Ceni já havia aceitado participar de uma viagem da seleção, como consultor ou algo assim. Juntamente com diretores que ele havia criticado. Tite assinou um manifesto contra Del Nero e, ao aceitar o cargo de treinador, o beijou.

Nesse contexto total de alienação, é importante o que Neymar fez. Principalmente por ser em um caso que é controverso no Brasil. É, mas não deveria ser. Há milhares de pastores “médicos de gays” prontos para faturar e para criticar Neymar.

Homossexualidade não é doença. Homofobia é doença.


Carta a Jaílson, o Pantera Negra
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Caro Jaílson

Nós nunca pudemos conversar ao vivo. Não sou setorista do Palmeiras, o que poderia ajudar em uma resenha ou outra. Então, segui o caminho indicado e pedi duas vezes para fazer entrevista com você e não fui autorizado. Ainda espero pela oportunidade. Você é o tipo de jogador de quem e para quem eu gosto de escrever.

Sabe por que? Porque futebol (e esporte em geral) é muito mais que táticas e números. Elas ajudam a contar uma vitória, mas não trazem para todos as histórias de vida que o estão por aí, pululando qual peixe na piracema. Você é o peixe que eu gostaria de ter fisgado. “Mãe, eu vou ser goleiro e você não vai morrer antes de me ver no Palmeiras”. Porra, Pantera, precisa mais do que isso? Que história de vida.

Ah, vou fazer uma confidência. Eu sempre quis dar apelido a jogador. É um tipo de jornalismo ultrapassado, mas seria, para mim, como uma realização. O cara que deu apelido de Divino a Ademir da Guia deveria entrar na Academia Brasileira de Letras. Então, eu passei a te chamar de Pantera Negra. É tão óbvio que talvez outros tenham tido a ideia antes de mim, mas vale a pena. Pantera Negra.

E no início, Pantera, eu nem acertava escrever seu nome. Era Jaílton. Errava sempre. A memória afetiva me levava ao amigo Jaílton, auxiliar de enfermagem e o melhor Mestre Sala que já houve em Aguaí e também porque você era apenas um desconhecido. Um goleiro de 33 anos, chegado da reserva do Ceará para ser o terceiro goleiro do Palmeiras e nunca jogar. Bem, quem sabe um dia, quando os principais estivessem machucados, você entraria. Com a torcida morrendo de medo.

E foi assim. Chegou sob desconfiança e causando críticas à diretoria. Demorou um ano para jogar. Entrou e ninguém sabia o que esperar. E você, Pantera, deu um bico no roteiro que escreviam para a sua vida, utilizou o livre arbítrio e escreveu você mesmo o resto dela. Com treino, suor, personalidade, nos presenteou com um final feliz de sonhos.

O Palmeiras foi campeão brasileiro e você era o goleiro titular. Sem perder um jogo sequer. Perdeu a posição para Fernando Prass, que voltou de contusão. E a verdade prevaleceu. Você voltou novamente. E não perdeu. E pegou pênalti na Ilha do Urubu.

Pantera, eu não gosto da palavra vencedor. Mesmo entre os que não têm um grande mérito esportivo, há boas histórias de vida. E, se há um vencedor, há um perdedor. É uma divisão muito cruel, coisa da competitiva sociedade norte-americana, com seus losers e winners. Para mim, somos seres humanos, todos nós. Com seus méritos e defeitos. A nossa história é escrita por nós mesmos, a cada dia. É o seu caso. De um nome que nem apareceria nos almanaques da vida, transformou-se em um titular indiscutível. Não gosto da simplificação vencedor/perdeor, mas, você é realmente um vencedor. Nunca perdeu um jogo de Brasileiro pelo Palmeiras. Você é vencedor e isso não é subjetivo. É incontestável.

E agora, Jaílson Pantera Negra, sua história de vida ganha um novo capítulo. Dramático capítulo. O livro estava prontinho, com um final feliz e ela, a Vida, coloca um novo tema. Ruptura no tendão do quadril. Ora, que merda é essa? Apenas três casos na literatura médica? Nenhum esportivo?

Olha, Pantera, seria bonito terminar isso aqui dizendo que a caneta (ainda existe?) está em suas mãos e que, se a Vida colocou o tema cruel, quem vai escrever a história é você. Mas, não somos crianças. Sabemos que não é assim. Que agora está nas mãos de médicos. Você, que foi protagonista no ansiado título do Palmeiras, você que é adorado pela torcida, você que tem o respeito de outros torcedores, você, o Jailsão da Massa, você sabe que é o coadjuvante do capítulo mais duro de sua vida.

O que a gente sabe é que seu papel será feito como foi feito o outro, dentro de campo. Com personalidade, com amor à vida, com luta. Você não vai entregar de bandeja. Se o Gabriel Jesus (opa, os médicos) segurarem lá na frente, aqui atrás você dará conta.

Pantera, gostaria de ver você novamente em campo.

Seria o último capítulo feliz na vida esportiva de um trabalhador honrado.

Se não der, vamos todos nos emocionar com uma última entrevista com todos explicando que não dá mais.

Seria o último capítulo triste e muitíssimo digno na vida esportiva de um trabalhador honrado.

Sim, Jaílson, porque você, voltando ou não, está na história da Sociedade Esportiva Palmeiras e no coração de todos que amam essa praga chamada futebol.

 

 


O Palmeiras é de Cuca. E está na briga
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Qual o maior ídolo do Palmeiras?

Fernando Prass.

Qual a contratação mais impactante do Palmeiras?

Felipe Melo.

Qual a contratação mais cara do Palmeiras?

Borja.

E o que aconteceu com eles?

Fernando Prass foi “preservado” e Jaílson é titular.

Felipe Melo, por incompatibilidade técnica e de relacionamento com Cuca, está afastado.

Borja é a opção da opção, está atrás de Deyverson e de Willian.

Cuca fez aquilo para que é pago fazer. Tomou decisões e, em nenhuma delas, vejo falta de caráter ou perseguição. Ele foi campeão com Jaílson, lembremos. Prass voltou com Eduardo Baptista e não estava bem. Voltou o Jaílson.

Cuca foi campeão com Moisés e Tchê Tchê e Felipe Melo não tem nada a ver com os dois. Felipe Melo é o volante da espera e Cuca gosta de volante que cace o adversário. É uma diferença muito grande e que mexe com todo o time.

Cuca foi campeão com Gabriel Jesus e Borja não tem nada a ver com Gabriel Jesus. Como Barrios não tinha.

O que eu discuto é se Cuca não deveria abria a cabeça, pensar fora da caixinha e se adaptar ao que tem? Cuca deveria mudar suas ideias para dar mais chances a Melo e Borja?

Bem, ele não mudou. Manteve-se fiel ao seu pensamento futebolístico e foi respaldado pela diretoria. Aumenta a pressão sobre ele. É o Palmeiras de Cuca que entra em campo. A responsabilidade é dele.

E a resposta tem sido boa. O Palmeiras é o líder das dez últimas rodadas do Brasileiro. Está subindo na tabela e há a possibilidade de uma bela reação. Bela não que dizer, necessariamente, suficiente.

Mas, há a Libertadores. No meu modo de ver, a prioridade virou a única opção. E há boas possibilidades. O Palmeiras de Cuca, só de Cuca, está na luta.


Prass e Jaílson: duas lindas histórias e somente um final feliz
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Fernando Prass é camisa 1. Homenagem à escola palmeirense de revelar goleiros como Nascimento, Oberdan, Marcos, Velloso, Zetti, Diego Cavalieri.

Jaílson é camisa 14. Uma homenagem à data de fundação do clube. O Palmeiras não usa a camisa 12, imortalizada por causa de Marcos. Usa a 42, ano da Arrancada Heróica e 51, pelo Mundial.

Fernando Prass e Jaílson são donos de histórias emocionantes no futebol. Eu me lembro de que, quando cheguei ao Lance! em 1998, Leão Serva e Maurício Stycer deixaram claro que uma marca do jornal seria a de contar histórias de vida. Dramas. Eu, que sempre gostei, me lambuzei.

Fernando Buttenbender Prass, gaúcho de Viamão, começou a ter seu nome notado apenas com 28 anos, quando chegou ao Vasco em 2009. Na verdade, culpa de um olhar da imprensa muito focado no Sudeste. Por isso, ninguém percebeu que já era um goleiro promissor no início da carreira no Grêmio, em 1998 e que já havia confirmado suas qualidades no Coritiba, de 2002 a 2005. Francana, Vila Nova, União de Leiria? Ninguém sabe, ninguém viu.

Com salários atrasados, deixou o Vasco e chegou ao Palmeiras, na Série B, em 2013. Com 35 anos e na Série B. E sucedendo o maior ídolo da história do clube. Um dos maiores. Qual o roteiro que se anunciava? Um fim de carreira digno. Nada más.

Foi muito mais que isso. Prass foi o esteio do Palmeiras na segundona. Foi destaque em 2014, apesar da contusão no cotovelo, que o tirou de combate de maio a outubro. Veio 2015 e o Palmeiras estava renovado e muito forte. Prass foi grande destaque na Copa do Brasil, defendendo e marcando nas decisões por pênalti. Foram cinco em 2015 e mais cinco em 2016.

Ídolo da torcida, Prass caminhou para o grande reconhecimento de sua carreira. Foi convocado para a Olimpíada. Seria o comandante de garotos rumo à medalha de ouro. Mas uma fratura no cotovelo direito, o mesmo de 2014, deixou seu sonho de lado. Nada de seleção.

CORTA. VOLTEMOS UM POUCO NO TEMPO

No final de 2014, o Palmeiras buscou um novo goleiro. Afinal, Prass havia contundido o cotovelo direito. A escolha surpreendeu a todos. Jaílson, quem? E a explicação era difícil. Jaílson, do Ceará. Titular? Não, reserva. É novo? Não, tem 33 anos. Mas, pelo menos tem currículo. Nem tanto. Jogou até agora no Campinense, São José, Ituano, Guaratinguetá, Juventude e Oeste.

Bem, não vai jogar mesmo. Revezaram-se Sávio, Aranha, Deola..Em 2015, fez três jogos. E em 2016, com a contusão de Prass, ele assumiu….o banco. O titular era Vagner. Não durou três jogos. Entrou Jaílson.

Jogou 19 vezes e nunca perdeu, com 14 vitórias e cinco empates. Titular absoluto. Um sucesso para quem estava cumprindo seu sonho de criança de jogar no Palmeiras, seu time de coração. Ele comprova, com o uniforme de goleiro que o pai lhe deu quando ainda era criança. Do Palmeiras.

E chegou 2017. Seria o ano de Jaílson. O ano da confirmação.

CORTA

Fernando Prass se recuperou e assumiu a camisa de titular. Nada mais natural, diante de tudo o que significa para o clube e para a torcida.

O final feliz sonhado por Jaílson estava acabado. Ou adiado?

A volta de Prass não foi feliz. Errou várias vezes. O goleiro ídolo passou a ser questionado. Cai para trás.

E o final feliz volta para Jaílson. Assumiu e pegou um pênalti.

Será o titular da decisão contra o Cruzeiro.

Qual dos dois veteranos terá um final feliz?

Aquele que o cotovelo tirou da Olimpíada?

Aquele que foi a contratação mais inexplicável de todas?

O que comandou o time na conquista da Copa do Brasil?

O que comandou o time na conquista do Brasileiro?

O veterano negro de 36 anos?

O veterano branco de 38 anos?

Os dois têm um lugar na história do clube. O futuro registrará. Mas o presente é cruel. Apenas um terá final feliz em 2017. E é difícil que ambos continuem em 2018.

Sorte do Palmeiras, que se orgulha de ser a grande escola de goleiros e que soube contratar muito bem.


Eduardo caiu. Não é o único culpado
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Menon

TECO TECOCONFIRMADA A QUEDA DE EDUARDO BAPTISTA.. MANTENHO O POST COMO ESTAVA.

 

A demissão de Eduardo Baptista é uma possibilidade que pode se concretizar em pouco tempo. A cultura no Brasil é de pouco tempo para o treinador mostrar resultados. E, convenhamos, nem é tão pouco tempo assim. Nas redes sociais, muita gente pede sua cabeça mesmo antes da derrota para o Wilstermann.

O discurso da narrativa que “Eduardo Baptista é um piloto de teco teco dirigindo um boeing” tomou corpo e ares de certeza absoluta. Mas ela é verdadeira?

Evidentemente o Palmeiras está rendendo abaixo de suas possibilidades. E tem a ver com o treinador, sim. Afinal, ele já está lá há mais de cem dias e o time tem um comportamento muito longe do que se poderia exigir.

Não tem identidade. Joga com dois, joga com três zagueiros, joga no 4-2-4 com a defesa escancarada, joga com Borja, joga com Willian, com Egídio, Zé Roberto… A única identidade que o clube tem é acreditar demais – a meu ver – na questão da raça, da entrega, da luta, o que, muitas vezes, é prejudicial. Tem a cara do discurso de Felipe Melo e não tem a cara do treinador. Que, observe-se, adotou o discurso belicoso como um mantra,

Mas, a favor de Eduardo Baptista, o elenco do Palmeiras é mesmo um boeing. O elenco, não o clube. O clube é muito maior que metáforas podem sugerir. E o elenco? Está à altura da fama? Está se comportando à altura da fama que tem?

Há muitas dúvidas:

Fernando Prass fez um pênalti infantil contra o Wilstermann. Fez outro pênalti infantil contra a Ponte. Não foi marcado. O desempenho que o credenciou a ser um ídolo, já apareceu novamente, depois que ele voltou ao time, após a contusão?

Jean fez uma partida horrível na Bolívia, com duas falhas inadmissíveis. Ele sempre foi um jogador constante, sem muito brilho e com pouquíssimos erros. Como Fábio Santos. Não está sendo assim.

Fabiano foi contratado por ser um lateral alto e forte, capaz de ajudar na bola aérea defensiva e ofensiva. Está valendo?

Vitor Hugo é o mesmo rapaz simpático do ano passado, mas o futebol caiu.

Zé Roberto e Egídio são mesmo garantia de qualidade na esquerda? A idade chegou para Zé?

Tchê Tchê está sentindo a falta de Moisés?

Borja está muito tímido? Ausente do espírito do time? Hoje, a pergunta Pratto x Borja (quem é o melhor), aponta para o argentino. E olha que Borja nem fez gol contra de cabeça?

Roger Guedes hoje vai? Ou não vai? O que se pode esperar dele a cada jogo?

São pontos a serem ponderados. Mesmo Dudu, que peço na seleção, foi mal na Bolívia.

O treinador, agora sem interrogação, não é o único culpado pelo mau momento do Palmeiras. O time não é um teco teco, mas também não tem se mostrado o boeing que foi vendido pela diretoria e por Alexandre Mattos. Lembram que, desde o ano passado, cada jogador apresentado fala na disputa do Mundial. E, amigos, só houve uma vez em que se ganhou um Mundial sem passar pela Libertadores.


Cuca vence Tite. E, fora do campo, perdemos todos nós
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Menon

O clássico teve ingredientes que se tornarão inolvidáveis. Prass defende um pênalti e na sequencia, Cássio falha. O Corinthians perde seu quarto pênalti em seis cobranças e Dudu, que saiu do banco, faz de cabeça. O Santo Google nos informa que Cássio te 1,96m e Dudu, 1,67m. Uma régua de diferença.

Cuca surpreendeu ao abrir mão do onipresente 4-2-3-1, que, em minha opinião, engessa muito os times. Formou uma segunda linha de quatro, com Arouca, Gabriel, Robinho e Zé Roberto. Todos muito combativos. Zé Roberto dando uma mão incrível a Egídio, fechando o lado direito do Corinthians.

O Palmeiras pressionou bastante. Até achei que o gás acabou ali pelos 35 minutos, mas foi melhor no primeiro tempo, sem dúvida. No segundo, manteve a intensidade contra um Corinthians que parecia meio desconectado do jogo. Tite tirou Elias e colocou Maicon, formando o tal 4-2-3-1, igualou o jogo, mas aquele minuto em que uma defesa de pênalti foi sucedida por uma desastrada saía de gol, definiu tudo.

Fora de campo, houve enfretamento e morte. O de sempre.

Eu sinto vergonha, como cidadão que paga impostos, de ver a PM sendo usada para fazer escolta de delinquente. A violência é enorme cidade, as mortes não param e a PM, como se fosse uma entidade beneficente vai escoltar essa gente.

Aliás, a atuação da PM é muito contraditória. Em dia de jogo, escolta torcida organizada. Fora dos dias de jogo, resolve invadir a sede da Gaviões, que, coincidentemente, no dia anterior e em vários outros tem feito manifestações contra o deputado Fernando Capez, que tem seu nome envolvido em roubo de merenda escolar. Como diz um grande amigo, que hoje está muito feliz: “roubar é feio, roubar de criança é horrível”.

Deixemos claro, nada está provado contra Capez. Como não há nada provado contra a presidenta Dilma. E ela, ao contrário de Capez, merece ainda mais o exercício da dúvida, porque nunca foi citada, como ele. E Capez, todo garboso, com sua camisa da seleção, a acusa de corrupção. Então, não pode reclamar da Gaviões.

Os cartolas que dirigem os clubes, que são “donos” da paixão brasileira (há quem diga que seja a segunda paixão brasileira) são cúmplices de violência e de assassinatos.

Eles dão dinheiro para as organizadas. Dão dinheiro para o carnaval. “Apenas R$ 150 mil”, diz o Leco.

Mais que dinheiro, os dirigentes dos clubes permitem que as organizadas sequestrem os símbolos dos clubes. Permite que faturem milhões. Não cobram nada. Permitem que ganhem muito dinheiro e, com ele, comprem até armas – quem duvida – que espalham mortes e terror pelos campos, pela cidade e por Oruro.

Assim, com tamanha cumplicidade, não consigo aderir à sensata tese dos amigos Rodrigo Vessoni e Vitor Guedes. Eles defendem punição aos bandidos e não aos clubes. Parece acaciano. Mas como a PM não serve para dar paz à população e como os cartolas são cúmplices, eu não concordo não.


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